quarta-feira, 20 de setembro de 2017

$UICIDEBOY$ estreiam-se em Portugal



Os $UICIDEBOY$, duo americano de hip hop, vão estrear-se em Portugal em 2018. Dia 25 de fevereiro tocam no Lisboa ao Vivo, num concerto organizado pela Everything is New. Os bilhetes começam a ser vendidos no dia 22 deste mês. O preço ainda não foi revelado.

O grupo tem inúmeros discos, incluindo vários EP's lançados este ano.

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Masma Dream World - "Elephant" video [Threshold Premiere]


Nascida no Gabão, Devi Mambouka viveu uma infância de violência e magia, de riquezas e dificuldades. Procurando consolo na secção World Music na Tower Records, procurando pela  África mítica que assombrava as suas memórias de infância. Atualmente Devi Mambouka mora em Brooklyn e estuda terapia de som e consciência, criando mundos que ela canaliza através do seu Masma Dream World.

Este novo EP, homónimo, vem dar sucessão ao EP de estreia Dream World (2015) e chega às prateleiras em outubro, tendo visto como primeiro avanço o tema "Samounika (The Prince)". Hoje, quarta-feira, 20 de setembro, a artista avança com o novo single "Elephant" que segue acompanhado de um trabalho audiovisual que grava a artista em diferentes perspectivas. Começando a ser desenhado em setembro de 2014 com o designer sueco Tove Berglund, o vídeo para "Elephant" só foi realizado quando Devi e Tove se encontraram com a cineasta Margret Seema Takyar, que desenvolveu o conceito de usar luz e escuridão como pano de fundo para a performance de dança inspirada em Butoh de Devi. Podem ver o resultado abaixo.

Masma Dream World EP tem data de lançamento prevista para 19 de outubro.



Masma Dream World Tracklist:

Side 1
1. Masma Dream World
2. Élèphant
3. Samounika (The Prince)

Side 2
4. The Song Of The D.D.D. (Demon Dragon Daughter)
5. Prayer Of The Midnight Flower
6. Black Panther [bonus track, only available in cassette]

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

[Review] Mogwai - Every Country's Sun


Every Country’s Sun // Rock Action Records // setembro de 2017
6.5/10

O pós-rock já teve melhores dias. Não tem havido muita originalidade e inovação no género e este não é tão popular agora como já foi noutros anos. No entanto, bandas como os Godspeed You! Black Emperor, os Sigur Rós e os Mogwai continuam a lançar novos discos e a receber bastante atenção. Os últimos lançaram este mês o seu primeiro álbum de estúdio como quarteto, após a saída do guitarrista John Cummings.

Não sabia muito bem o que esperar em relação a este disco, pois conheço melhor a fase inicial da carreira dos Mogwai do que o trabalho mais recente da banda. A verdade é que o som não é muito diferente daquele presente em lançamentos anteriores da banda. Fez-me lembrar também os 65daysofstatic.

O álbum começa com “Coolverine”, que introduz um ambiente no qual a música toda se baseia, continua com algumas variações e chega a um crescendo. Tudo isto sem aumentar muito a intensidade, mantendo um som mais leve que caracteriza várias das músicas do disco. Infelizmente, isto nem sempre é bom, pois é uma das razões para várias delas servirem apenas como música de fundo pouco interessante. Nenhum das músicas é muito memorável e não é difícil ficar desinteressado em algumas delas. “Brain Sweeties” é uma das que menos captam a atenção. “Crossing the Road Material” tem algumas boas melodias, mas em partes é um conjunto de camadas de sons sobrepostos uns aos outros que se misturam de maneira pouco eficaz, sem nenhum se conseguir destacar. “Don’t Believe the Fife” é demasiado longa para o seu bem e quando aumenta de intensidade já é demasiado tarde para ter algum impacto.



Em contrapartida, “20 Size” resulta. Tem como um dos seus pontos fortes a linha de baixo, acompanhada pela guitarra, que me prendeu à música. Não é esse, no entanto, o único instrumento que se realça na música, que funciona bem na sua totalidade. “1000 Foot Face” também é um sucesso, criando um ambiente calmo e agradável. "Battered At a Scramble" e "Old Poisons", quase no fim do disco, são as faixas mais pesadas e intensas. São energéticas, têm uma sonoridade rock e distinguem-se do resto do álbum, especialmente a primeira delas.

A verdade é que nenhuma destas melhores músicas consegue atingir a qualidade de outras da banda e de outros artistas semelhantes, mas são elas que mais contribuem para o álbum não se tornar aborrecido e se manter algo interessante de uma ponta à outra. É um disco decente e a sua audição pode valer a pena para os fãs do género, apesar de se sentir a falta de no mínimo uma música marcante e memorável à qual vale a pena regressar várias vezes.

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10 000 Russos em entrevista: "Não sei se gastamos mais em café do que em portagens"


Os portuenses 10 000 Russos estão em mais uma digressão pela Europa, a segunda este ano, a qual teve início no passado dia 8 de setembro, no Reverence Festival. Ao todo são 52 concertos em países como Portugal, Espanha, França, Itália, Croácia, Suíça, Alemanha, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Polónia e Escócia. A tour de apresentação de Distress Distress, segundo álbum de estúdio do trio que editado em abril pela Fuzz Club, termina a 18 de novembro com a banda a fazer a primeira parte do concerto dos The Fall no Hard Club.

Estivemos à conversa com o Pedro Pestana, guitarrista da banda. 


Threshold Magazine (TM) - Como é que chegaram ao número 10 000?

Pedro Pestana (PP) - É uma piada com o Demis Rousos, basicamente. Soa bem.

TM - Foi rápido chegar a essa ideia?

PP - O pessoal estava na tanga numa noite de copos e esse nome surgiu.

TM - Quais é que são as maiores diferenças entre este disco novo, Distress Distress, editado em abril, e o álbum homónimo editado em 2015?

PP - Por um lado, está mais limpo mas está mais sujo. Já pareço o Martin Hannett a falar. Eu nem sequer sei se o gajo disse isso mas pode ser daquelas anedotas que contam sobre o pessoal, tipo histórias verídicas. O gajo virou-se para o baterista dos Joy Division e disse: "Toca mais depressa mas mais devagar". 
No Distress Distress as malhas estão diferentes, mas os princípios são mais ou menos os mesmos. É mais equilibrado, com a gravação ao vivo, todos ao mesmo tempo, e com a gravação à vez, às pistas. Houve malhas que construímos no estúdio. 

TM - É a forma clássica que costuma ser gravada.

PP - Prefiro gravar com toda a gente ao mesmo tempo.

TM - Fica um resultado diferente. Têm um som mais "ao vivo" em estúdio.

PP - Com uma sala boa e bons micros, consegues reduzir esse bleed ao mínimo. Também ao volume que a malta toca, só podes eventualmente ter problemas com a bateria, com os bombos, mas não é nada que não se resolva. Ficas é com o que interessa, a pica de não seguir o metrónomo, de estar a malta ao mesmo tempo.

TM - Ficam também com alguma preparação para tocar ao vivo. Ao vivo necessitam ter outros elementos diferentes de estúdio, para uma pessoa não pensar que está em estúdio.

PP - Nós ao vivo não tocamos as coisas da mesma forma, muito menos as que foram feitas em estúdio. Há cenas que não dá mesmo.



TM - Como é que se sentem por fazerem parte de uma editora tão conceituada como Fuzz Club Records?

PP - Foi um ótimo convite da parte deles. Eles viram um concerto nosso no Reverence 2014 e gostaram. Eu achava que estás estórias só haviam nos anos 90. Foi um bom momento.

TM - Vão começar a vossa tour europeia no Reverence e acabaram uma há pouco tempo, em junho. Como é que conseguem arranjar tanta energia para duas tours europeias assim quase seguidas?

PP - Não sei se gastamos mais em café do que em portagens, agora que falas nisso (risos).

TM - Alguma vez tiveram medo de tocar nalgum país?

PP - (Risos) Nunca fomos a nenhum sítio em estado de guerra. Já fomos a sítios com códigos estranhos.

TM - E receio de por terem "russo" no vosso nome?

PP - Só por ser russo, quer dizer que é mais giro?

TM - Imagina que tocavam nos USA, como é que era? 

PP - Nos U.S.A. não, isso é outro empreendimento. A malta às vezes pergunta por causa do nome e nós vamos dando respostas da tanga.

TM - Já tocaram na Rússia?

PP - Não mas faz parte dos objetivos. Uma coisa de cada vez.

TM - E que reações é que esperam se lá atuarem?

PP - Que nos atirem pedras (risos).

TM - "Épa, estes gajos chamam-se russos e não cantam em russo sequer".

TM - Gostavam de atuar em mais festivais em Portugal? Eu frequento vários festivais e nunca vos apanhei. Espero agora apanhar-vos a abrir para The Fall, mas não é festival.

PP - Depende. Às vezes é uma questão de calendário e outras vezes é uma questão de circunstância.

TM - Vocês têm uma história que envolve a ETA. Queres contar?

PP - Acho que isso é um mito. Não sei se o desmistifique ou aprofunde. 
Nós tocámos num festival no país basco. Era para apoio aos presos da ETA, de certa forma. O governo espanhol tem os presos da ETA na Andaluzia, e as famílias e os próprios presos queixam-se que não é fácil viajar em Espanha, são muitas horas de carro, por isso não vêem as famílias, etc. São considerados presos terroristas, segundo o governo espanhol. Isto é os bascos a reinvindicarem alguns direitos para os presos. Desmistificando, é só isto (risos). Fomos a única banda estrangeira a tocar nesse festival, o que teve piada.



TM - Como é que se sentem a abrir para The Fall no Hard Club, a 18 de novembro?

PP - É fixe, é uma banda que a gente curte e temos encontrado na estrada montes de gente cuja música ouvimos em casa. The Fall ouvimos desde a adolescência, o que torna a coisa com piada. Não estamos à espera de grandes festas. Já é fixe ver o concerto, espero que seja dos bons.

TM - Estás à espera de fazer parte de The Fall?

PP - Achas que sim?! Não sou maluco, meu! (risos). Acho fixe a banda mas não tenho essas cenas adolescentes.

TM - Olha que o Mark E. Smith diz que basta ser ele e a tua avó para ser The Fall.

PP - Aquilo é uma banda de malucos. Tens de ler um livro sobre os membros dos The Fall,  The Fallen: Life In and Out of Britain's Most Insane Group. Em 30 e tal anos, os The Fall tiveram uns 50 ou 60 membros. Só o Mark E. Smith é que ficou a tocar, aquilo é o projeto dele. Mete sempre a namorada a tocar, teve um baixista a tocar durante muitos anos, o Steve Hanley. Recruta pessoal no pub que não sabe tocar e que não conhece a cena dele. Ele não está numa de aturar gente normal. O gajo não quer fãs, é fixe isso.

O manager dos Chemical Brothers é que já tocou nos The Fall. Deu um concerto com a banda porque o gajo tinha despedido o baterista nesse dia. Então andaram no festival a procurar alguém para tocar bateria. Esse manager disse que era ganda fã, e perguntou que músicas é que queriam que ele tocasse, ao que o Mark E. Smith respondeu: Não te preocupes, o material é todo novo. Toca um beat.

TM - O que tens andado a ouvir nestas últimas semanas?

PP - Tenho andado em misturas, por isso não tenho ouvido muita música, para ver se poupo os ouvidos. Estou a misturar o disco dos dreamweapon, vai ser pela Fuzz Club também para o ano ou ainda este ano. Tenho também de misturar um disco ao vivo nosso. Vamos lançar um agora, um concerto em Dusseldorf. 



 As datas completas da digressão europeia podem ser consultadas abaixo.


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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Reportagem: Greg Fox [sub-placo do Teatro Municipal Rivoli, Porto]

© Ana Carvalho dos Santos

Foi esta sexta feira que regressamos ao subterrâneo do Teatro Rivoli, no Porto, para mais um concerto com curadoria Lovers & Lollypops. Depois de trazerem nomes como Jibóia, Pop.1280 e Za, foi a vez do baterista  nova iorquino  Greg Fox se apresentar no sub-palco do Teatro Rivoli para uma performance a solo.  

Membro integrante dos mais diversos projetos, entre os quais se encontram Liturgy , Zs e Ex Eye, com quem gravou este ano um disco ao lado do saxofonista Colin Stetson, foi com o seu segundo disco em nome próprio que Fox se apresentou novamente  em Portugal. The Gradual Progression, assim se intitula o novo disco de Fox, foi o disco que serviu de mote à tour europeia que terminou precisamente na cidade do Porto.

Para a sua performance a solo, Fox veio equipado com um software de percussão sensorial, o mesmo utilizado na produção do seu mais recente disco. Por me encontrar um pouco longe do palco não pude averiguar com mais profundidade o funcionamento deste sistema, mas com um pouco de pesquisa pude entender que a ligação dos diferentes elementos da bateria ao sistema permitem-lhe criar diversos tipos de sons diferentes, proporcionando um espetáculo mais completo num registo one man band.



Tendo o jazz sempre como base, o concerto iniciou-se de modo mais improvisado e experimental com alguns temas que poderão integrar um possível novo disco, segundo o próprio baterista. A aplicação do sistema e de pré-gravações de saxofone trazem riqueza e volume à sua atuação que recebe assim mais elementos fora da esfera jazzística como a música ambient, delineada em finas camadas de sintetizadores que surgem em perfeita união com a bateria de Fox.

Na segunda metade do concerto começávamos a ouvir alguns dos temas mais familiares que integram The Gradual Progression como “By Virtue of Emptiness (que recebeu recentemente novo trabalho audiovisual) e a poderosa “My House of Equalizing Predecessors”, onde se ouvem finalmente os tão aguardados blast beats que caraterizam o estilo de Fox, não fosse ele baterista dos vanguardistas do black metal Liturgy. Com uma bateria certeira e a velocidade estonteante, foi assim que chegamos ao fim da atuação, com uma bela e extensa versão do tema anteriormente referido. Entre as quebras e depois de uma procura pelo silêncio, Fox atacava a bateria com tudo, agora sem a companhia de sons pré-gravados. Só ele e a bateria.

Foram 40 minutos de pura intensidade executados por um dos artistas mais desafiantes e intrigantes do momento, detentor de uma sonoridade complexa que transcende as normas convencionais não só do jazz mas de uma infinidade de géneros musicais, culminando assim mais uma aposta bem sucedida no que diz respeito ao circuito musical vanguardista e mais exploratório.


Greg Fox @sub-palco Teatro Municipal Rivoli, Porto

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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Reportagem: EDP Vilar de Mouros 2017


No passado dia 24 de agosto arrancou a edição de 2017 do mítico festival Vilar de Mouros. Este ano com o patrocínio da EDP e com a mesma organização que, apesar de não muito experiente, garantiu o enorme sucesso de duas edições consecutivas do festival. Os principais destaques musicais deste ano eram os Primal Scream, The Jesus And Mary Chain e The Psychedelic Furs, mas a gastronomia também foi bastante destacada como, por exemplo, as tão anunciadas papas de Sarrabulho (que apenas estiveram disponíveis no último dia e em quantidades muito limitadas).

Esta reportagem segue como um conjunto de memórias e do que perdurou de mais uma edição bem sucedida do festival.


Dia 1

The Veils


A abertura da edição de 2017 do EDP Vilar de Mouros coube aos The Veils. Apesar da sua carreira com mais de 15 anos, a banda optou por se focar no mais recente trabalho, Total Depravity. Um concerto onde os principais destaques foram "Axolotl", tema que a banda também executou num dos episódios da mais recente temporada de Twin Peaks, "Low Lays The Devil" e o chapéu característico de Finn Andrews. Um concerto bom que, infelizmente, passou muito despercebido por ter sido inserido no dia com os melhores concertos. 


The Young Gods



Num registo em nada semelhante ao do concerto anterior, os helvéticos The Young Gods lançaram um ambiente de rock industrial sobre o recinto. Na memória ficou, sobretudo, a lanterna na base do suporte do microfone do vocalista que o mesmo apontava ocasionalmente para o público e o ambiente denso que, por mais estranho que pareça, convidava à dança, uma vontade de dançar só mais tarde rivalizada pelo último concerto da noite.


The Mission


Formados por antigos membros de Sisters Of Mercy, em 1986, e cedo criando uma identidade e canções poderosas, os The Mission marcaram uma geração. O concerto que apresentaram em Vilar de Mouros pode ser visto como um "best of" (ainda que com uma duração muito limitada) da banda. 

As canções ouvidas eram as que os presentes queriam ouvir, as que os marcaram e que os fazem regressar à juventude. Isto aliado ao facto da banda realmente as executar com muita qualidade, criou um concerto memorável mesmo para aqueles a quem a banda pouco significa (como é o meu caso). Pensando no concerto, são muitas as memórias que surgem: um grupo de fãs que lançou confetis durante "Wasteland", Wayne Hussey a anunciar saber falar um pouco de português e as canções "Met-Amor-Phosis" e "Deliverance".


The Jesus and Mary Chain


Apesar do novo álbum, depois de uma espera de 19 anos, Damage And Joy, ter desiludido muitos fãs, o primeiro dia do festival foi o que registou maior afluência e a principal causa foram os The Jesus and Mary Chain.

Iniciando com "Amputation" do novo disco e, sem perder tempo, passando para o clássico "April Skies", a banda conseguiu fazer com que metade do concerto fossem músicas novas que, no meio dos clássicos, não pareceram destoar. Se o concerto tivesse terminado após "I Hate Rock'n'Roll" duvido que alguém fosse para casa descontente mas os irmãos Reid decidiram presentear os fãs de Psychocandy com 3 músicas do disco (entre elas "Just Like Honey", como é óbvio) e um momento inédito em que o baterista original da banda, Bobby Gillespie, vocalista de Primal Scream, se juntou para auxiliar na percussão destes temas.


Primal Scream


A noite não estaria completa sem a actuação de Primal Scream. Depois da entrada de palco da banda e uns minutos de conversa por parte de Bobby Gillespie, começaram a tocar um dos seus maiores êxitos "Movin' On Up" que viria a ser interrompido por uma falha no amplificador da guitarra. Após uns minutos de espera este foi trocado e o single de Screamadelica foi reiniciado. 

Num concerto não muito longo, como infelizmente é habito no Vilar de Mouros, os Primal Scream visitaram especialmente o seu icónico disco Screamadelica, mas também alguns singles como "Rocks" ou "Swastika Eyes" e a relativamente recente "It's Alright, It's OK". Um espétaculo que ficou marcado pela simpatia de Bobby e pela crescente vontade de dançar que culminou em "Come Together", terminando, assim, da melhor forma.


EDP Vilar de Mouros 2017 - Dia 1


Dia 2 

Golden Slumbers


Iniciando o "dia festival da canção" (por haver actuações de dois projectos presentes neste concurso), ou o que se espectava ser o dia mais fraco, subiram ao palco as Golden Slumbers. As irmãs Falcão partilharam o folk de New Messiah para uma plateia ainda quase vazia e poucos terão sido os momentos memoráveis deste concerto, talvez o único mencionável será o single homónimo ao disco.


Peter Bjorn and John


Conhecidos pelo single "Young Folk" e usando roupas que me fizeram lembram as de Tintin em "Rumo À Lua", o trio sueco deu um concerto bastante energético, principalmente Peter que passou a maior parte do concerto a saltar. Infelizmente, o single que mais se esperava ouvir desiludiu um bocado mas os temas "Amsterdam" e "Let's Call It Off" mostraram merecer, pelo menos, uma parte da fama de "Young Folk".


Salvador Sobral


O herói da Eurovisão foi mais um dos artistas que aparentavam estar bastante deslocadas do que é (ou do que costuma) ser o foco festival, chegando mesmo a brincar dizendo que provavelmente a sua actuação tinha sido um "erro de casting". 

O recinto encheu-se de fãs de "Amar Pelos Dois", não necessariamente fãs de Salvador Sobral, e talvez tenha sido o único momento em que o recinto esteve bastante composto no segundo dia do festival. Não sendo o artista mais indicado para actuar no festival conseguiu oferecer um dos melhores momentos do mesmo com a sua interpretação do poema "Presságio" de Fernando Pessoa.


George Ezra


Após um concerto que me surpreendeu seguiu-se o verdadeiro "erro de casting". À semelhança dos Milky Chance, em 2016, George Ezra é um artista completamente deslocado no contexto do Vilar de Mouros ao qual, ainda assim, e apesar de não apreciar o seu trabalho em estúdio, decidi dar uma oportunidade. O músico britânico fez-me, rapidamente, lembrar Sam Smith, cimentando a minha opinião de que é um artista que não deveria actuar neste festival.


Capitão Fausto


Antes de subirem ao palco ouviu-se  "T 3 R 3 4 5" dos Bispo, a cover 8 bit de "Teresa" a música mais pedida em todos os concertos mas que raramente é tocada. A banda lisboeta deu um concerto competente mas talvez o alinhamento pudesse ter sido melhor. O disco editado no ano passado foi tocado quase na integra o que fez com que o tempo disponível para as canções mais antigas e mais energéticas fosse menor. O principal destaque do concerto vai para a canção "Lameira" pois são poucos os concertos em que se pode ouvir a canção que, na minha opinião, é a melhor do segundo álbum de Capitão Fausto.


EDP Vilar de Mouros 2017 - Dia 2




Dia 3

Zanibar Aliens 


A banda mais jovem do alinhamento do festival foi, para muitos, a maior surpresa. Apesar do vocalista não ter grande aptidão para a interacção com o público (não por falta de tentativa), os "putos" de Lisboa mostraram ter o necessário para não destoar no Vilar de Mouros mesmo com uma banda recente. 

Os vocais e instrumentais a lembrar muito os Led Zeppelin conquistaram, logo ao fim das primeiras músicas, principalmente o público mais adulto do recinto. Em cerca de 45 minutos ouviu-se um concerto que merecia ser mais prolongado pois conseguiu ter bastante mais interesse que outras bandas internacionais. No final do concerto, junto à cabine de som foram vendidas várias cópias de Space Pigeon, o mais recente disco do grupo, mais um sinal que o espectáculo foi do agrado do público em geral.


Avec 


Depois da pancada que o rock dos Zanibar Aliens deu no público subiu ao palco Avec, mais um momento infeliz na escolha do alinhamento do festival. A artista apresentou um estilo muito semelhante ao da banda Daughter que, neste dia, não era o procurado pelos presentes. Mesmo assim foram mistas as opiniões gerais em relação a este concerto.


The Boomtown Rats


Com a entrada efusiva e a energia de Bob Geldorf, os The Boomtown Rats, cedo conquistaram o público. Com um visual arrojado e fazendo lembrar Christopher Lloyd em "Back To The Future", Geldorf praticava o pouco português que sabia adicionando sempre um berro "Vilar de Mourosh" entre as músicas que, mesmo sendo todas muito semelhantes, mantiveram o público cativado. Como ponto alto é possível destacar o seu single de referencia "I Don't Like Mondays" e o momento da despedida com "The Boomtown Rats".


The Psychedelic Furs



The Psychedelic Furs eram a banda que eu mais queria ver neste festival. Logo de manhã e ainda dentro da tenda tive a oportunidade de ouvir, vindo soundcheck da banda, o icónico e inconfundível saxofone que inicia "Heartbeat" e também "President Gas" mas nada me fazia prever o enorme espectáculo que iria ter inicio umas horas mais tarde.

O concerto iniciou com "Dumb Waiters" e desde cedo foi possível reparar na enorme teatralidade com que Richard Butler interpreta as canções e na enorme química entre os membros da banda, levando a que cada música criasse um novo momento único e inesquecível. 

Infelizmente o público (ou pelo menos na sua grande maioria sendo que eu tive sorte no local em que estava) não parecia conhecer as músicas destes britânico, nem mesmo maiores clássicos como "Heaven" ou "Love My Way" e pouco aderiu a este concerto mas não por falta de tentativas da parte de Butler. 


2ManyDJs


O término do festival coube aos irmãos Dewaele com o seu projecto 2ManyDJs ainda que talvez tivesse sido mais pertinente uma actuação dos mesmos com o projecto Soulwax em formato live. Durante cerca de uma hora e meia (a actuação mais longa do festival) ouviram-se vários remixes e mashups de músicas recentes (como é o caso de "Everything Now" dos Arcade Fire) e clássicos (como por exemplo "Girls and Boys" dos Blur).


EDP Vilar de Mouros - Ambiente

Texto: Francisco Bandeira Lobo de Ávila
Fotografia: Francisco Manuel Lobo de Ávila

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Concertos grátis? Sim, no Percursos Sonoros


A segunda edição do Percursos Sonoros - uma iniciativa de entrada gratuita que une música e património - volta a tomar de assalto a cidade de Oliveira de Azeméis para uma noite que conta com um total de cinco concertos "cujos palcos, criteriosamente escolhidos, são locais fundamentais para a construção da memória oliveirense". No próximo dia 30 de setembro (sábado) quem se dirigir à antiga Garagem Justino, ao edifício do Millenium BCP, ao  antigo cinema Gemini, ao restaurante Giratório, entre outros (ver imagem acima), será surpreendido com performances de Indignu, Miami Flu, Surma, First Breath After Coma e Last Cinema On Earth e José Costa a partir das 21h30.


A edição zero do evento contou com a presença de cerca de 300 pessoas, sendo que o património Oliveirense foi palco para nomes como os Nyobe, Homem em Catarse, Ana, Timeless Sound, Gobi Bear e Sequin. O Percursos Sonoros é organizado pela Incentivo Positivo em parceria com a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui
Esta iniciativa visa a ampliação da programação cultural do município destinada ao público jovem, a divulgação de bandas emergentes da região, assim como a descoberta do património cultural da cidade.

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O Mucho Flow já tem o cartaz fechado


 O cartaz para a quinta edição do Mucho Flow fechou esta segunda-feira (18 de setembro), com Dedekind Cut (na foto) - produtor norte-americano anteriormente conhecido como Lee Bannon  - e Sega Bodega - produtor escocês, que tem vindo a conquistar as pistas de dança pela sua abordagem única ao UK dance - nos principais destaques. O festival vimaranense, que invade o CAAA - Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura - no dia 7 de outubro, contará ainda com o pop onírioco de Filipe Sambado, o punk-rock trepidante dos 800 Gondomar, o ié-ié minhoto dos El Señor, as cumplicidades da dupla Veer e os novíssimos Młynarczyk e Dada Garbeck, a fechar o lote de anúncios.


Depois dos já anunciados Horse Lords - que se estreiam em Portugal para apresentar o álbum Interventions -, Nadia Tehran, God Colony, Chinaskee & Os Camponeses e Scúru Fitchádu, o cartaz do Mucho Flow conta agora com um total de treze concertos e ainda um dj set que animam Guimarães no primeiro sábado de outubro. A organização volta a estar a cargo da promotora e selo Revolve.


Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais tendo um preço de 10€. Todas as informações adicionais aqui.

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O post-punk não está morto e celebra-se no Porto

Charnier © Rita Mad Queen

O Post-Punk Strikes Back Again está de regresso à Invicta para a segunda edição de festival e volta a celebrar a diversidade cultural dentro do género, trazendo a palco um total de 6 bandas, 5 delas internacionais. No certame e confirmados estão os argentinos Mueran Humanos, os alemães Bleib Modern, o inglês M!R!M, os portugueses Ghost Hunt, os franceses Tisiphone e os belgas Charnier. Tudo no Hard Club, tudo num dia, tudo num palco. O post-punk não está morto e ataca outra vez, a 23 de setembro, no Porto. 



Querem motivos para ir? (Então tomem lá cinco)

1- Primeiro que tudo é calcular o investimento. Ora uma vez que com 20€ temos acesso a um total de seis concertos,  isto significa que pagamos, em média, 3,33€ por concerto (dado que não há concertos a decorrer em simultâneo). Falta incluir ainda os gastos de transporte e refeição e bebidas, caso se aplique. Note-se ainda que os concertos têm uma duração aproximada a 40 minutos cada, por isso o investimento tem um retorno muito favorável.

2 - Pesar os nomes. Sabe-se que dos seis nomes, cinco deles são internacionais, e que portanto os mais acessíveis de rever são os portugueses Ghost Hunt. Há ainda uma banda que se estreia em solo nacional, os Charnier, que portanto tem um valor acrescido. Sabe-se também que, de acordo com os mercados concorrentes, a oportunidade de voltar  a ver as bandas Bleib Modern - que nesta edição são os responsáveis pelo encerramento -, M!R!M, Tisiphone e Charnier é possível, ainda que pouco provável. A acrescer a isto há ainda os argentinos Mueran Humanos, a regressar pós warm-up Primavera Sound, e todo um conceito para um público de nicho - os melómanos da música underground - que garantirá um excelente "ambiente" na altura de concertos.

3 - Avaliar o espaço. O Hard Club é uma das grandes salas de concertos da baixa portuense. E uma das que em termos de som e luminosidade, não costuma desiludir. Com portas a abrir pelas 17h00, os concertos têm início marcado para as 18h00, sendo que estão divididos em dois actos. As primeiras três bandas - Charnier, Ghost Hunt e Tisiphone tocam entre as 18h00 e 20h30. O segundo acto, que conta com M!R!M, Bleib Modern e Mueran Humanos tem início previsto para as 22h00. Os concertos decorrerão na sala mais pequena do Hard Club proporcionando, portanto, um ambiente mais intimista. Podem consultar os horários completos em baixo.


4 - Pausa para jantar. Este ano, à semelhança do ano antecedente, haverá uma pausa para jantar. Compreendida entre o horários das 20h30 e 22h00 (assumindo que não haverá atrasos na programação) é também um dos pontos fortes do mini festival uma vez que permite explorar a gastronomia da baixa portuense. Para os que vêm de fora do distrito é uma oportunidade de aliar a comida à música e viver novas experiências.

5- Avaliar a concorrência do dia. Ao contrário do ano passado este ano não há NOS em D'Bandada a acontecer em simultâneo nas salas do Porto, por isso não há a desculpa de haver concertos grátis no mesmo dia. Haverá outros concertos sim, mas só depois da hora de jantar e com um número reduzido de atos. Uma vez que o Post-Punk Strikes Back Again começa logo às 18h00 de um sábado, dá para explorar a cidade a seguir ao almoço e ter um final de dia repleto de diversão e de conversas trocadas com as bandas. Com fim previsto para as 00h30, permite ainda apanhar os últimos comboios do dia para outros distritos.

Podendo, é ir. É barato, dá para matar as saudades dos grandes festivais de verão num formato encurtado, dá para combinar um programa com amigos, ouvir música alternativa, ver bandas com um contacto bastante acessível para o público e ainda ganhar uma história para contar e/ou partilhar com outros. Todas as informações adicionais estão aqui. Os horários seguem abaixo.

Horários:

18h00 - 18h40 - Charnier (BE)
18h55 - 19h35 - Ghost Hunt (PT)
19h50 - 20h30 - Tisiphone (FR)

20h30 - 22h00 - intervalo para jantar 

22h00 - 22h40 - M!R!M (UK) 
22h40 - 23h35 - Mueran Humanos (AG)
23h50 - 00h30 - Bleib Modern (DE) 



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