terça-feira, 24 de abril de 2018

Três labels recentes para fãs de música profundamente underground


Há muitas editoras novas dentro do panorama underground que merecem destaque, nós sabemos, mas estas três chamaram-nos particularmente a atenção nestes primeiros meses do ano pelo facto de, além de bastante recentes, apresentarem sonoridades interessantes e artistas que outrora nos passariam ao lado. Esta vai ser uma viagem breve, mas que desafia os ouvintes a acompanharem as sonoridades ambientais e eletrónicas dos selos Hedonic Reversal (Espanha) e Kaczynski Editions (Itália) e a chegarem, inclusive, à synth-pop / coldwave francesa, do recém-nascido selo Solange Endormie Records (França)Consideramos pertinente falar brevemente destes selos não só do ponto de vista dos ouvintes mas também dos artistas, que poderão encontrar nas mesmas oportunidades futuras. 

Antes de entrar nos picos extremos da música exploratória vamos iniciar isto de forma mais ténue e começamos com o selo francês Solange Endormie Records, que ainda nem tem sequer um mês de atuação no mercado, mas que sabemos que os fãs das promotoras portuguesas At The Rollercoaster e Fade In certamente irão gostar. O disco, que assinala a estreia da editora apresentada como uma "Independent record label from France" a abordar estilos como a "Cold Wave, Synth-Pop, Minimal, Shoegaze, Darkwave" é o EP Candélabre, dos franceses Candélabre que se formaram em 2017. 

Este EP foi editado em fevereiro pela Blwbck numa edição em cassete e em março saiu em CD pela Solange Endormie Records, projeto de Renaud Batisse. Se por acaso são fãs dos catálogos como a Manic Depression, Weyrd Son ou Fabrika Records este é um selo que também é capaz de interessar. Podem consumir o disco ou comprá-lo ali em baixo.



Pronto agora preparem-se que as coisas vão-se tornar bem mais complexas. Para os seguidores do trabalho da promotora portuguesa Nariz Entupido, do festival Semibreve ou da italiana Boring Machines, acreditamos que isto vai ser tarefa fácil, mas para os que não estão familiarizados está aqui uma hipótese interessante de navegar em novos campos musicais. 

Vamos começar por Espanha, e falamos da Hedonic Reversal, selo com foco na música eletrónica e experimental, com sede em Barcelona. O primeiro lançamento deu-se em 2016 com a edição do EP de 12'' de Huma intitulado Las tres fases del movimento. Este EP baseia-se em duas ideias, por um lado, as três fases do movimento da biomecânica de Meyerhold e, por outro lado, as três fases do movimento no fisiculturismo. Ao juntar estas duas ideias o disco gera uma viagem muito física, visceral e emocionante.



Este ano a editora voltou ao ativo com o lançamento do segundo EP de Huma, que passamos a referir ser o projeto a solo de Andrés Satué, o owner deste selo. Podem encontrar todas as informações relativas à Hedonic Reversal aqui, bem como ouvir este novo EP na íntegra, editado em março deste ano, abaixo.


Pronto e estamos quase a finalizar, com uma prendinha para os amantes de música não convencional, com a novíssima Kaczynski Editions, sediada em Tuscany, na Itália. O selo tem cerca de um mês mas já conta com três edições em catálogo, todas editadas em março de 2018: uma compilação em cassete, um vinil de 7" e um CD com o primeiro LP oficial da editora.



Para fechar, em destaque fica o mais recente disco de Ranter's GrooveMusica per camaleonti, uma destilação de experiências sonoras ao estilo do minimalismo executivo. O duo apresenta uma sonoridade que na composição integra como base um PC a tocar instâncias da vida pontuadas pela guitarra e ocasionalmente cercadas por violoncelos, trompetes, piano e voz. Podem ouvir este Musica per camaleonti abaixo e saber mais sobre a Kaczynski Editions aqui.




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Primeiras confirmações para a 6ª edição do Under The Doom


O Under The Doom vai estar de volta a Lisboa nos dias 7 e 8 de dezembro. A sexta edição do festival, organizado pela Notredame Productions e que tem como especial foco as várias vertentes do doom metal, decorrerá no Lisboa ao Vivo e tem como primeiras confirmações os titãs noruegueses Arcturus, os portugueses Sinistro (que editaram no início do ano o soberbo Sangue Cássia), os americanos While Heaven Wept e ainda os finlandeses OceanwakeMais nomes serão anunciados no próximo dia 15 de maio. Edições passadas contaram com nomes como os AhabIn The Woods...DraconianNovembers Doom e Lacuna Coil.

Os primeiros 50 bilhetes para ambos os dias do festival estão à venda por 50€, passando depois a custar 68€. A partir de 1 de maio será possível adquirir bilhetes diários por 35€. As compras podem ser realizadas aqui ou por e-mail para Notredame.promo@gmail.com. 

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Hoje há Zigur & Fuga no Maus Hábitos #2


Depois do sucesso da primeira edição, hoje há nova dose da colaboração de Zigur & Fuga no Maus Hábitos. Desta vez é possível ver bandas tão diferentes, como a promissora cantautora Mathilda (da família Planalto Records), a fusão math-rock/jazz-fusão/funk dos solarengos P A L M I E R S, a junção do kraut e do psicadelismo dos Tresor&Bosxh (recentemente editados pela ZigurArtists) e o techno/house de João Carvalho b2b Terzi (dj-set).

As portas abrem às 22 horas e o preço do bilhete varia entre 5 € (concertos + dj-set) e 3 € (dj-set). Mais informações sobre o evento aqui.



P A L M I E R S

João Carvalho e Terzi

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Kurt Vile de volta a Portugal


O americano Kurt Vile vai regressar ao nosso país para dois concertos no mês de outubro. Dia 25, quinta-feira, toca no Lisboa Ao Vivo, enquanto que no dia seguinte vai ao Hard Club, Porto. Os bilhetes serão vendidos a partir das 10h da próxima sexta-feira, dia 27, por 25€, em bol.pt e locais habituais.

O último álbum do cantautor é Lotta Sea Lice, criado em conjunto com Courtney Barnett e lançado o ano passado. Os concertos poderão ser a apresentação de um novo disco, mas ainda nada está confirmado.

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Tremor volta em abril de 2019


O Tremor já tem regresso anunciado para 2019. Depois do enorme sucesso que foi a edição esgotada deste ano, onde mil e quinhentos bilhetes foram vendidos, a ilha de São Miguel vai receber a sexta edição do festival de 8 a 13 de abril de 2019. 

O ano de 2018 presenteou-nos até agora com a maior edição do festival, contando com salas maiores, programação dispersada pela semana e maiores escolhas artísticas. O Tremor alargou a sua actividade à cidade da Ribeira Grande, tendo também passado este ano pelas Sete Cidades, Furnas e pelas Termas da Ferraria, trazendo um total de 50 actividades, 150 artistas e a participação directa de 200 pessoas da comunidade local em projetos artísticos. 

A organização destaca também a realização do “Tremor na Estufa especial” que levou 60 pessoas da ilha de São Miguel para a ilha de Santa Maria, para um roteiro de experiências de 14 horas, com um concerto- surpresa da banda brasileira Boogarins, numa iniciativa apenas possível graças a uma parceria com o Governo Regional dos Açores, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Porto e da Azores Airlines

O primeiro lote de bilhetes early-bird já se encontra à venda na BOL por 30€, com disponibilidade limitada a 100 unidades.



Fiquem com o nosso registo da edição deste ano: Dia 1 e 2; Dia 3; Dia 4; Dia 5

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Kronos Quartet de regresso a Portugal para dois concertos

O quarteto de São Francisco, Califórnia, regressa a Portugal para duas datas a decorrer em Lisboa, dia 5 de julho, e em Braga, dia 30 de Outubro.



A carreira de Kronos Quartet conta com mais de 4 décadas. Do seu trabalho prolífico e intenso apontam-se as colaborações com os mais diversos artistas, desde Terry Riley a Philip Glass. Landfall, o mais recente álbum do quarteto, é uma reflexão dos efeitos devastadores do furacão Sandy e conta com a participação de Laurie Anderson, juntando os majestosos arranjos de câmara à visão e vanguardismo da música e compositora norte-americana.

Fundado em 1973, o quarteto composto atualmente pelos violinistas David Harrington (membro fundador) e John Sherba, a violoncelista Sunny Yang e Hank Dutt, na viola, regressa a Portugal para uma atuação nas Ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa (5 de maio), e no Theatro Circo, em Braga (30 de outubro).


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STREAM: HRNS - After The Angels EP


O EP de estreia dos HRNS ("harness") já se encontra disponível. Entre a subtileza de All Lovers Go To Heaven, de Rui P. Andrade, e o poder bruto de IMMEASURABLE HEAVEN, de FARWARMTH, After the Angels passeia entre melodias esparsas de tons graves e esmagadores. O resultado é um produto rico em texturas e atmosferas que se sentem lascivas e melancólicas.

After the Angels é composto por três faixas originais e ainda três remisturas da autoria de Adam Badí Abdonoval, ot to, not to e Wim Dehaen. O EP encontra-se disponível para audição integral no bandcamp da ACR, onde poderão adquirir as edições físicas do trabalho (limitado a 70 cassetes).


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Seabuckthorn anuncia novo álbum, A house with too much fire


O guitarrista britânico Andy Cartwright, que se apresenta ao mundo sob o moniker Seabuckthorn, vai editar a 1 de junho o nono trabalho de estúdio do seu projeto de psych-folk-drone, A house with too much fire, com o selo da La Cordillère (Marselha) e Bookmaker Records (Paris).

A house with too much fire é fortemente influenciado pelo terreno montanhoso do Sul dos Alpes, para onde Andy se mudou e explorou novos sons crus de guitarra (bowing, fingerpicking, uso de slides), proporcionando um maior conjunto de texturas e atmosferas. Gravado no final de 2017, a maioria das canções foi obtida num take, conferindo A house with too much fire um caráter mais espontâneo, focando-se em improvisações soltas e mínimas tão aparentes nas performances ao vivo de Seabuckthorn. Este novo registo conta também com a adição de banjo, clarinete e sintetizador, tendo sido masterizado pelo produtor e compositor Lawrence English.

"Inner" é o primeiro avanço de A house with too much fire e pode ser ouvido em baixo. 



A artwork do álbum ficou a cargo de Gundula Blumi (foto da capa) e Valérie Tortolero (design da capa). A house with too much fire está disponível para pre-order em formato digital ou vinil aqui.



A house with too much fire
1. A house with too much fire
2. Inner
3. Disentangled
4. It was aglow
5. Blackout
6.What the shepherds call ghosts
7. Submerged past
8. Somewhat like vision
9. Figure afar
10. Sent in by the cold

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Extramuralhas já tem o cartaz encerrado

© Isolde Woudstra
A nona edição do festival gótico de Leiria, em 2018 cunhado de Extramuralhas, já tem o cartaz completo, sendo que os holandeses BRAGOLIN (na foto) e os ingleses S.A.D (SUDDEN AXIS DISORDER) são as novidades no cartaz que conta com um total de 12 artistas a atuarem em vários espaços da cidade do Lis entre os dias 23, 24 e 25 de agosto. Estes nomes juntam-se aos já confirmados HEILUNG, CURRENT 93, ULVER, HORSKH, SHORTPARIS, PRIEST, CAPTAINS e CHRISTIAN WOLZ. Ambas as bandas tocam na sala Stereogun e o line-up do evento pode ser consultado abaixo.

Oriundos da cidade de Utrecht, os BRAGOLIN aventuram-se pelos terrenos do post-punk e da dark-wave, mas o seu som límpido, construído através de guitarras barítonas (aqui e ali com travo shoegaze), órgãos, sintetizadores e caixas de ritmos, confere-lhe uma diferenciação entre a comunidade e acrescenta-lhes um interesse adicional.* A banda estreia-se em Portugal a 24 de agosto.


Sebastian Bartz, Alex Wolf e Gabriele Verzier, o trio que dá corpo aos S.A.D (SUDDEN AXIS DISORDER) chegam-nos de Londres e na sua música podemos encontrar influências que vão dos Psychedelic Furs aos Drab Majesty, dos Danse Society (de era de "Heaven Is Waiting") aos KVB, dos The Horrors aos Ulterior. De Londres trazem entre outros, temas tão contagiantes como "Money From Savages", "Wasser", "She’s Gone" ou o poderoso e assombroso "Plutocrata Precariat"*.


Os bilhetes para os três concertos no Teatro José Lúcio da Silva, têm um preço de 30€ cada e já se encontram à venda, estando limitados a 737 espectadores em cada dia. Os bilhetes para os concertos na sala Stereogun serão disponibilizados para venda posteriormente. Todas as informações adicionais podem ser acompanhadas no site da Fade In, clicando aqui.


EXTRAMURALHAS 2018 Line-Up 

23 AGOSTO 
21h30 - HEILUNG -Teatro José Lúcio da Silva 
00h00 - S.A.D (SUDDEN AXIS DISORDER) - Stereogun 

24 AGOSTO 
18h00 - CHRISTIAN WOLZ - Igreja da Misericórdia 
21h00 - ULVER - Teatro José Lúcio da Silva 
23h00 - CAPTAINS (Entrada Gratuita) - Jardim Luís de Camões 
00h00 - PRIEST (Entrada Gratuita) - Jardim Luís de Camões 
01h30 - BRAGOLIN - Stereogun 

25 AGOSTO 
18h00 - RÏCÏNN - Igreja da Misericórdia 
21h00 - CURRENT 93 - Teatro José Lúcio da Silva 
23h00 - SHORTPARIS (Entrada Gratuita) - Jardim Luís de Camões 
00h00 - HORSKH (Entrada Gratuita) - Jardim Luís de Camões 
01h30 - BIZARRA LOCOMOTIVA - Stereogun

*informação via press

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domingo, 22 de abril de 2018

Uma semana para o regresso de Circuit Des Yeux a Portugal


Circuit Des Yeux será talvez a mais conhecida faceta do output criativo da prolífica Haley Fohr. E é já esta semana que a compositora regressa ao nosso país depois de nos ter visitado no ano de 2015. Com a presente digressão teremos a oportunidade de escutar ao vivo Reaching For Indigo, o mais recente disco de Circuit Des Yeux, o qual foi editado no ano transacto

Os concertos decorrem dias 28 e 29 de abril no Auditório de Espinho e na galeria Zé dos Bois, respetivamente, custando os ingressos 7 euros para o concerto em Espinho e 8 para o concerto em Lisboa.

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Reportagem: Moaning + Metz [Hard Club, Porto]



Formados em 2007, os Metz têm vindo a estabelecer uma posição segura no panteão do rock. Reconhecidos pelas suas performances eletrizantes, o trio canadiano estreou-se pela Sub Pop com o aclamado álbum homónimo, valendo-lhes elogios positivos por parte da crítica e um culto confortável por parte de fãs do bom e saudoso rock das décadas de 80 e 90. Depois de um segundo disco que não passou de um mero sucessor, uma espécie de aperfeiçoamento do que já tinha sido praticado, os Metz procuraram uma rotura necessária para a produção do seu sucessor, Strange Peace, editado novamente pela norte-americana Sub Pop sob a supervisão de Steve Albini



Complementando harmonia e detalhe ao músculo e agressividade dos seus antecessores, Strange Peace trouxe uns Metz mais fervilhantes que nunca no regresso da banda ao Hard Club, desta feita para uma atuação na sala 2 do espaço portuense (a última atuação decorreu na sala principal do Hard Club, aquando da quinta edição do Amplifest). Sem grandes cordialidades, o trio composto por Alex Edkins (guitarra, voz), Chris Slorach (baixo) e Hayden Menzies (bateria) partiu de imediato para “The Swimmer”, abrindo o concerto com toda a glória e velocidade que se espera de um concerto de Metz. “Get Off” foi responsável por abrir o primeiro mosh pit, com os fãs a deixar bem assente o amor nutrido pelo primeiro disco do trio. Frenéticos e imparáveis, os Metz não deixaram grande espaço para respirar, mantendo aceso um ritmo que se verificou incansável de princípio ao fim. “Drained Lake”, com o seu lado fabril e industrial, remete-nos para os tempos de glória da família Touch & Go, onde o músculo dos Jesus Lizard se alia à voracidade e nervosismo de uns Drive Like Jehu



O alinhamento proposto pelo trio canadiano foi expansivo e empolgante, com “Headache” e “The Mule” a proporcionar momentos de pura catarse. Sem qualquer tipo de misericórdia, o trio canadiano atirou-se a cada um dos temas com uma explosividade e violência irrevogáveis. Adeptos de performances certeiras e sem rodeios, os Metz não estão para chachadas como encores previsíveis e aborrecidos, pelo que ao ouvir os primeiros acordes de “Acetate”, tema que tem culminado os últimos sets do trio, previa-se o aproximar do fim de um dos concertos mais sujos do ano. A premissa alterou-se, no entanto, já que a banda regressou ao palco para uma arrebatadora performance de “Wet Blanket”. O cenário de caos instaurou-se na sala mais pequena do Hard Club, que pela sua fisionomia permite um confronto mais próximo entre banda e público. Seguiram-se as invasões de palco e o crowdsurfing por parte do público que viveu os últimos minutos do concerto com toda a energia e comoção merecidas. 



Antes, os Moaning abriram a noite com um concerto de apresentação do disco homónimo de estreia. Naturais de Los Angeles, o trio norte-americano assinou recentemente pela Sub Pop, juntando-se ao catálogo da editora que outrora editou para Nirvana, Mudhoney e Beat Happening. A introdução deste jovem trio à conceituada casa é compreensível, com a banda a aliar o lado mais sombrio da música post-punk aos riffs sujos e distorcidos da nova vaga shoegaze. Passeando entre as melodias delicodoces de “Tired” e o nervosismo miúdo de “Don’t Go”, os Moaning conseguiram uma atuação curta e eficaz. Não trazendo uma abordagem propriamente inovadora, o trio demonstrou, no entanto, um cunho bastante próprio e confiante, mas nada que uns Cheatahs ou até mesmo uns Shame não estejam a praticar melhor de momento.




A fotogaleria pode ser vista aqui ou no link em baixo.


Metz + Moaning [Hard Club, Porto]


Texto: Filipe Costa

Fotografia: David Madeira

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[Review] VOWWS - Under The World


Under The World // Weyrd Son Records // abril de 2018
8.0/10

Os VOWWS regressaram este ano aos discos com Under The World, o seu segundo disco de estúdio que chega às prateleiras, três anos depois do bastante aclamado The Great Sun (2015), com o selo belga Weyrd Son Records. Apesar de editado em abril este novo trabalho já se encontra disponível para audição gratuita na íntegra desde o início do mês de março, mostrando uma evolução muito interessante na sonoridade da banda que, até então, abordava músicas sombrias de toada death-pop. Envolto em camadas sujas e oscilantes da música eletrónica este trabalho apresenta tonalidades cinematográficas e acima de tudo um conteúdo muito sensacionalista, tão depressa dramático como contemplativo e libertador. 

A dupla australiana, composta por MATT e RIZ, encontra-se atualmente sediada em Los Angeles e, na composição deste Under The World (gravado no estúdio privado do engenheiro Kevin S. McMahon, em Nova Iorque) integra elementos de diversos géneros musicais que, no seu todo, apresentam uma sonoplastia facilmente assimilável. A evolução entre o primeiro disco e este é notória essencialmente ao nível da voz de MATT que surge neste registo mais limpa e com menos recurso à distorção. Este novo disco apresenta ainda um nível de produção com um rigor acima do primeiro e, as permutações entre os diversos géneros que os VOWWS integram soam a frescas e diferentes do que se costuma ouvir dentro dos ramos da dark-pop, coldwave, new-wave, synth-pop e até mesmo música industrial - alguns dos genéros que aportam na sua eletrónica base. 




Se já no disco de estreia os VOWWS se tinham destacado pela abordagem inovadora dentro dos ramos da chamada dark-pop, neste Under The World apadrinham uma aura ora poderosa e de ritmos rápidos (como é o caso dos temas "You Never Knew" e "ESSEFF"), ora nostálgica e de ritmos ligeiros (apresentada em temas como "Burn" e "Game") que é sobreposta em camadas sintetizadas e muito inteligentes. Outro tema que merece destaque neste Under The World é "Agents Of Harmony", tema que inicia dentro das sonoridades características dos VOWWS e que, por volta do minuto 01'30, começa a fazer lembrar as paisagens sonoras da art-rock e eletrónica típica dos Django Django, voltando subtilmente à abordagem eletrónica da dupla australiana. Esta subtileza, utilizada na mudança de ritmos e sonoridades, é a característica central da banda e verificada também ao nível da voz. Ambos os timbres de MATT e RIZ são semelhantes e, conjugados entre si, funcionam muito bem. 



Under The World é um disco bastante interessante, pronto para colocar as pistas de dança ao rubro e mais um trabalho de excelência na ainda pequenina discografia dos VOWWS. Além dos já referidos temas, não tem como não mencionar as grandes malhas como "Forget You Finery" - com aquele trago amargo da pop, mas coberto  de uma eletrónica meia Kap Bambino e energética quanto baste – "Structure Of Love"- com influências do post-punk e da synthpop – "Wild Wind" – um dream pop contemplativo de ritmos marcados – e ainda "Inside Out" – com aquele ritmo inicial meio retro wave e lírica completamente cativante. Acima do já mencionado progresso, os VOWWS souberam manter as bases que os tornaram na banda relevante dentro do panorama underground que são e, ainda, satisfazer quaisquer expectativas que eventualmente foram criadas. Under The World é um disco muito bom que merece definitivamente uma audição cuidada e destaque nas edições de 2018.



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