quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Reportagem: The Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]


No sábado passado (13 de outubro) o Leslie que se fez sentir no Porto teve outro nome e sentiu-se bem forte entre quem marcou presença no Hard Club. Depois de terem abalado o RCA Club da capital no dia anterior os The Soft Moon estavam de subida até à Invicta, onde tocavam pela primeira vez para carimbarem mais uma noite memorável no currículo da promotora At The Rollercoaster. A abrir a noite, os belgas Whispering Sons que regressavam à capital para tocar pela terceira vez, sendo a primeira com o novo disco Image a figurar no reportório. 

Sem grandes atrasos os Whispering Sons subiram a palco para começar por nos apresentar uma das grandes malhas do seu novo disco de estreia, a grandiosa "Stalemate", tema que já se tinha feito ouvir anteriormente no Hard Club aquando a sua passagem por Portugal em maio e que, preparava o público para uma performance que iria ter como base Image, disco cujo conceito se baseia num estado imóvel, no qual as observações ofuscam as ações. A imagem reflete a artificialidade das coisas, mas ainda se apega desesperadamente aos ideais e às obsessões. É dentro desta abordagem que, de uma forma geral, o quinteto belga mostra e muito bem a sua sonoridade recheada das grandes e boas influências do post-punk contemporâneo e dos anos 80. 

Ouviu-se "Got A Light", o já lançado tema "Alone" e depois retomaram-se os trabalhos antigos com temas como "White Noise" e "Performance" a fazerem-se ouvir numa prestação bastante superior àquela que tinha ficado na memória na noite que partilharam com os Second Still. Um dos grandes destaques da noite foi o tema "Dense" que roubou a atenção do público que não os conhecia e colocou uma grande parte deste público numa dança desenfreada até ao fim. (Que malha!) Já com o concerto a aproximar-se do fim, deu ainda tempo para ouvir "Hollow", o icónico "Wall" e encerrar performance com mais um dos temas de avanço de Image, "Waste". A despedirem-se do público com um "thank you", os aplausos sentidos entre o público mostraram que os Whispering Sons merecem a atenção que têm ganho entre a crítica underground nos últimos anos. 


Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]

Com pico marcado para as 23h00, os ventos sonoros e as reverberações poderosas dos The Soft Moon começaram a fazer sentir-se em sala por volta das 23h17, hora em que Luis Vasquez subiu a placo acompanhado por Luigi Pianezzola (baixo e percussão) e Matteo Vallicelli (bateria e percussão). A abrir aquele que viria a ser um concerto caracterizado por uma aura essencialmente industrial com "Deeper", os The Soft Moon começaram por logo por demarcar o seu estrondo sonoro que abafou por completo a potência do Leslie e abriu um daqueles espetáculos de percussão seminal. Seguiram-se "Circles", "Burn", "Insides", até se chegar a "Choke", mais um dos temas do novo disco Criminal (o primeiro disco com selo Sacred Bones) que arrasou totalmente a "pista de dança" do Hard Club. Uma injeção de adrenalina industrial a ser precedida pelo post-punk suave de "Dead Love". 

Com "Like A Father" a fazer-se ouvir em sala bem potente, surgia também um novo ponto de viragem no concerto de The Soft Moon que se ia tornando, progressivamente mais poderoso. Ouvimos "Far", a potência poderosa de "Young", "Wrong" e "Parallels", tendo perdido por completo a noção de tempo. A chegar ao fim com "Die Life" os The Soft Moon despediram-se do público entre uma imensidão de aplausos que os fez regressar a palco cerca de dois minutos depois para nos brindar com um encore de duas músicas onde se ouviu "Black" e "Want".


Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]

Tendo apenas sofrido alguns problemas técnicos ao nível da voz em algumas músicas, de uma forma geral, Luis Vasquez e companhia garantiram mais um dos grandes espetáculos de 2018, com uma setlist que contemplou no total 17 músicas dos vários discos de carreira, num concerto bastante intenso, denso, brutal e muito bem recebido. Uma daquelas noites para ficar na memória. 

Um bem-haja à gigante At The Rollercoaster por continuar a promover estas ondas de resistência.


Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]


Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Edu Silva

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STREAM: WHOLE - BIAS


Os WHOLE - dupla de música eletrónica sombria que une Alexander Leonard Donat a Thomas Schernikau - editam esta semana o seu disco de estreia, BIAS, que puxa os limites da música de toada monocromática, acrescentando-lhe ainda vozes que trazem influências do neo-folk, música clássica e pop. Através de uma abordagem que retrata temas como o amor entre seres humanos, em relação a si mesmos e até às coisas materiais BIAS é um disco que também traz temas como a alienação, dúvida, perda, e novas situações ao barulho garantindo um disco fortemente estimulante, interessante e muito bem produzido.

Donat e Schernikau conheceram-se em 2009, numa tour conjunta que agora se reflete no tema de enceramento "Amsterdam", no piano que o finaliza. BIAS resultou de uma troca de e-mails entre os dois membros ao longo de três anos e o resultado pode ser ouvido na íntegra, abaixo. Do disco recomenda-se altamente a audição de temas como "Get Away", "What Scares You", "Bombs Will Drop" e "Evenwicht".

BIAS é editado esta sexta-feira (19 de outubro) pelo selo alemão Blackjack Illuminist Records. Podem comprar o discos nas versões digital, em CD e em cassete aqui.

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O nacional-vanguardismo dos Llama Virgem na VIC, Aveiro

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A VIC // Aveiro Arts House adensa a programação cultural na senda do ciclo Ressonância, que conta já com 18 eventos, entre concertos, live-acts e performances audiovisuais. Antes de partir para Novembro, a VIC recebe Llama Virgem a 20 de Outubro.

O duo lisboeta apresenta desconseguiste?, o seu mais recente álbum, lançado no mês passado. Com títulos tão esclarecedores como “Neuropa”, “A casa está a arder” ou “Descoloniza-me”, a banda explora a dicotomia entre os valores do presente e de um passado recente de uma Europa que se diz unificada, mas que ironicamente se revela o oposto de tudo aquilo que defende, em contra-ponto com os resquícios do colonialismo português e a sua influência na sociedade actual.


Numa ambiência eletrónica, semi-psicadélica e fazendo uso do spoken-word, Llama Virgem faz uma crítica social num registo musical poético-interventivo aos conceitos que estão na génese da cultura portuguesa e das problemáticas actuais que a reflectem. 

O custo do bilhete é de 4€ à porta, baixando para 3,5€ caso seja feita pré-reserva através do link: bit.ly/llamavirgem .

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Francisco, El Hombre na Casa da Música

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A Casa da Música recebe no dia 23 de novembro os Francisco, El Hombre, um dos projetos musicais mais eclécticos e fascinantes originários da América do Sul. A banda, criada pelos irmãos Sebastian e Mateo Piracés-Ugarte e influenciada pela odisseia dos mesmos pelas Américas, Europa e África, eventualmente fincou base na cidade de São Paulo no Brasil. Aí então começaram a desenvolver o seu Pachanga Folk, uma sonoridade que conta com influências de rock experimental com sonoridades étnicas sul-americanas, cantada tanto em português, como em inglês e espanhol.

Até ao momento, a banda conta com os EP's Nudez (2013) e La Pachanga! (2015), e o álbum SOLTASBRUXA (2016), este último que os lançou para uma tour com mais de 150 concertos e uma nomeação para o Grammy latino na categoria de melhor Música Portuguesa.

Os bilhetes já se encontram à venda e custam 15€.


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Negra Branca e DJ Xuxa nas Damas


As Damas, em Lisboa, recebem já na sexta-feira, dia 18 de outubro, o concerto de Negra Branca e DJ Xuxa.

A partir das 23 horas de sexta poderão começar a ouvir-se sonoridades mais ligadas ao dub e ao psicadelismo, os ecos e reverberações de Negra Branca, identificável com artistas como Dean Blunt/Inga Copelandou mesmo até com Zola Jesus, nunca deixando o sampling ou o beat making de lado. Cria música de forma a entrarmos no mundo da hipnose e dos sonhos de uma maneira muito particular, dentro da casa do dream ambient, da música experimental, na verdadeira acepção da palavra, trazida pela artista residente em Salford, Manchester, directamente para a casa de concertos em Lisboa.

Mais tarde, as Damas são tomadas por DJ Xuxa, pseudónimo de João de Menezes-Ferreira, um dos primeiros divulgadores do rock em Portugal, ficando encarregado de conduzir a noite para o que der e vier através da sua vasta colecção de discos que vai guardando com o passar dos tempos.

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A dias do reencontro com os Iceage


Encontrámo-nos a dias do reencontro com o quarteto dinamarquês Iceage, que regressa a Portugal este mês para dois concertos em nome próprio. A banda de Elias Bender Rønnenfelt traz na bagagem o quarto e mais recente disco de longa-duração, Beyondless, que deverá servir como mote de apresentação para os concertos a decorrer dias 26 e 27 de outubro, no Hard Club (Porto) e Musicbox (Lisboa), respetivamente.

Ativos desde 2008, a banda dinamarquesa tem vindo a percorrer um sempre promissor e curioso percurso, onde a inovação e a exploração de novas linguagens se assumem como principais premissas. Do nervosismo juvenil e impetuoso de New Brigade (2011) à fúria e irreverência post-punk de You're Nothing (2013), passando pela languidão sôfrega e perturbada de Plowing Into the Field of Love (2014), segue-se elegância e requinte de Beyondless (2018), o terceiro registo da banda sob a chancela da Matador. Mais poético, vivo e apaixonante, Beyondless revela-se como o trabalho mais claro e bem conseguido dos dinamarqueses, uma obra peculiar que promete ganhar nova vida quando apresentada ao vivo.



O preço dos bilhetes para o concerto no Porto, com abertura dos portuenses Terebentina, é de 17 euros. Em Lisboa, o concerto encontra-se inserido na programação do Jameson Urban Routes, que regressa ao Musicbox para cinco dias de concertos, sendo que a sessão de dia 27 possui o custo de 22 euros.

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"Just Loneliness Can Save The World" é o novo tema dos malcontent


Quatro anos após a edição de Riot Sound Effects, os portugueses malcontent estão de regresso aos longa duração com aquele que será o seu terceiro disco de estúdio, This Is The Violence of Institutions disco que, segundo press-release, retrata um "mundo polarizado, ainda mais intolerante, violento, com milhões subjugados ao poder do dinheiro cada vez mais na mão de poucos". Juntamente com o anúncio do novo disco segue também o primeiro tema de avanço "Just Loneliness Can Save The World", que é apresentado em formato audiovisual, disponível abaixo.

This Is The Violence of Institutions tem data de lançamento prevista para novembro. A primeira apresentação ao vivo deste novo disco está agendada para o dia 8 de dezembro no Woodstock 69, no Porto.


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Novo disco de Buzz Kull chega às prateleiras em novembro


A Avant-Records! acaba de anunciar mais um dos discos que vai lançar antes do término de 2018. Trata-se do novo LP de Marc Dwyer, o mentor do projeto Buzz Kull, que é editado dentro de um mês sob o nome New Kind Of CrossCom o anúncio da nova edição, Buzz Kull lança também o primeiro tema de avanço, "Avoiding The Light", uma daquelas malhas da darkwave que chega para arrasar as pistas de dança mais soturnas do mundo.

Além dos pormenores adicionais de New Kind Of Cross e do tema de avanço "Avoiding The Light", Marc Dwyer revelou também a tour europeia de apresentação do novo disco (disponível no final do artigo), cujas datas não contemplam Portugal.


New Kind Of Cross tem data de lançamento prevista para 16 de novembro pelo selo Avant! Records.

New Kind Of Cross Tracklist:

01. Crime Lights 
02. Destination 
03. New Kind Of Cross 
04. The Garden (feat. Modern Heaven) 
05. Avoiding The Light 
06. Existence 
07. Ode To Hate 
08. Time 
09. Flowers Hold No Meaning
Buzz Kull's New Kind Of Cross Europe Tour

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Deadpan - "Fool Moon" (video) [Threshold Premiere]


After Deadpan Interference's split-up back in 2016, Martin Funder, Max Cosnier and Sofie Westh decided that the development of their music wasn't yet dead and started to compose new songs during 2017 and 2018. These songs are now ready to be revealed through their debut EP Fool Moon, due to be released on December under the moniker Deadpan. Until then you can get a taste of it by clicking on the video below for the first theme, the title-track "Fool Moon", that is being premiered today.

Through a heavy and experimental approach to songwriting and rhythm, in this new "Fool Moon" single Deadpan sound like the love child of the 70/80s experimental post-punk band Chrome and 00s dance-punk heroes LCD Soundsystem; wrapped in the modernity of contemporaries like The Garden. The video for "Fool Moon" was directed by Frederik Valentin and can be watched below in exclusive.



Fool Moon, will be released on December, 7th via Third Coming Records. You can pre-order it here.


Fool Moon EP Tracklist:

01 - Country Walker 
02 - Fool Moon
03 - Crashing
04 - Beat  
05 - Lovely Night

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Godflesh entre as primeiras confirmações do SWR Barroselas Metalfest


O SWR Barroselas Metalfest está de regresso para a sua 22ª edição. Da primeira vaga de confirmações destaca-se a presença dos Godflesh, que regressam a Portugal para a sua primeira atuação em seis anos. Justin K. Broadrick (Jesu, Techno Animal, JK Flesh) e G.C. Green formam o núcleo duro desta portentosa instituição da música de peso, que ao longo de três décadas tem vindo a reivindcar o estatuto de lendas da música metálica de cariz industrial, contando no seu repertório discos tão icónicos como Streetcleaner (1989), Pure (1992) e Songs of Love and Hate (1996). A estreia dos naturais de Birmingham no festival minhoto coincide com a comemoração dos 30 anos de carreira do atual duo, que deverá apresentar os temas do seu mais recente longa-duração, Post Self, editado no ano transacto pelo habitual selo da Avalanche Recordings.

Benediction, The Black Dahlia Murder, Midnight, Venenum, Birdflesh, Nervosa, Sublime Cadaveric Decomposition, Eagle Twin, Namek, Imperial Triunphant, Analepsy, Barshasketh, Martelo Negro e Vacivus concluem o leque de 15 de confirmações. 

O SWR Barroselas Metalfest realiza-se de 26 a 28 abril. Os famosos X-MAS PACK (bilhete 3 dias + t-shirt especial + copo + 3 steels + saco), já se encontram disponíveis em swrfest.bigcartel.com e, brevemente, nas lojas oficiais.



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Lince lança primeiro álbum Hold to Gold

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Sofia Ribeiro, mais conhecida pelo seu alter-ego musical Lince, acaba de lançar o seu primeiro álbum Hold to Gold, que sucede ao seu EP Drops, lançado no verão de 2017, e que conta com onze temas inéditos da sua autoria.

Se em Drops, que mereceu lugar de destaque nos balanços musicais do ano, já era perceptível um padrão próprio assente numa aparente dicotomia entre emoções e sensações, Hold To Gold reforça essa matriz na música criada por LINCE - entre apelos à dança e à contemplação ou entre diálogos e monólogos (nalguns casos como se de mantras se tratassem num quase paralelismo musical à obra visual “Memento”) - bases sonoras que nos provocam e nos obrigam a percorrer as sonoridades clássicas de um piano por entre a densidade da electrónica servida por ritmos e registos contemporâneos. E tudo isto pela mão da sua voz cristalina e educada. 

Hold to Gold vai ser apresentado, ao vivo, no Porto e em Lisboa, respectivamente, hoje e 19 de Outubro, no Maus Hábitos e no Musicbox. Nestas duas primeiras apresentações de Hold to Gold, a compra do bilhete dá direito a um exemplar do seu novo trabalho (preço bilhete – 9€).

Fiquem com o single "Feels Like Looking at Sculptures":


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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Reportagem: OUT.FEST 2018 - 6 de outubro [SIRB - Os Penicheiros]


Realizou-se nos dias 5 e 6 de outubro mais uma edição do OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, mais concretamente a sua 15ª edição. O Festival teve a sua génese em 2004 e nestes 15 anos tem brindado o público com os mais diversos projectos e artistas. Artistas esses que coabitam fora do universo “mainstream” e convencional no que à música e às artes diz respeito, enveredando por caminhos menos óbvios e menos acessíveis, pondo em relevo a experimentação e a descoberta de novos sons.

Citando a organização, “o festival  celebra alguma da música experimental mais interessante com um cartaz variado onde se encontram criadores portugueses, brasileiros, ingleses, italianos, alemães, finlandeses, iranianos e japoneses, dos 20 aos 80 anos de idade, do jazz ao rock e às músicas electrónicas e a tudo o que se possa imaginar pelo caminho”.


Os concertos em destaque aconteceram na noite de dia 6 de Outubro na magnífica sala da S.I.R.B. - Os Penicheiros. O primeiro concerto da noite coube ao iraniano Mohammad Reza Mortazavi, uma das metades do projeto YEK que se iria apresentar a seguir. Acompanhado apenas pelo seu tombak, (instrumento tradicional do Irão), foi extraordinária e de um virtuosismo ímpar a forma como o músico conseguiu arquitectar músicas inteiras apenas de um instrumento de percussão acústico.
Após um breve intervalo o músico iraniano junta se a Burnt Friedman, com o qual tem o projeto YEK. 


Friedman, músico e compositor alemão que tem no seu currículo, por exemplo, colaborações com David Sylvian. Em palco, o duo consegue canalizar a sua sublime sinergia criativa em músicas onde os ricos instrumentais de Mortazavi suavizam as paisagens sonoras de Friedman. Os acordes subtis que flutuam em todas as músicas não acrescentam nada de muito significativo em termos melódicos, no entanto, estão lá para criar ambiente e serem o elo de ligação entre os espaços vazios, unindo toda a estrutura da música. Houve instantes em que era impossível perceber todos os detalhes, quer rítmicos, quer melódicos das músicas, tal a complexidade de sons e de execução, mas isso só enriqueceu ainda mais a experiência e colocou os sentidos de quem assistiu ao concerto mais alerta, à espera de novos momentos que acabavam sempre por surgir. Uma belíssima experiência, e se tivessem tocado mais uns minutos ninguém ficaria chateado.


Depois da bonança e vanguardismo elegante dos YEK havia que agitar as hostes, e ninguém melhor do que Lotic para o fazer. DJ e produtor, J’Kerian Morgan de seu nome, a viver em Berlim desde 2012, tem formação superior em composição eletrónica e saxofone. O início de concerto foi poderoso, com as batidas a servirem como um elo de ligação entre o, comparando, som de um jogo de computador e um sample de metal, tudo muito bem ligado e com uma nitidez sonora prodigiosa. Do princípio ao fim do concerto, cada nota, cada som, era mais agressivo ou mais cândido, de uma limpidez difícil de igualar. Apesar de toda a potência e intensidade quer da prestação, quer das músicas de Lotic, ouvidos mais atentos conseguem também encontrar nestas uma certa delicadeza e fragilidade, quer seja nas progressões dos acordes automaticamente cortados antes da entrada da batida, quer no experimentalismo melódico com as notas em consonância a servirem de pano de fundo para toda a restante parafernália sonora. As músicas vacilam entre o ruído sintético e os vocais pontualmente vulneráveis, Lotic transforma texturas de música de dança em expressionismo abstracto, ás vezes em forma de protesto e às vezes em pura distopia, mas sempre fascinante.
Experiência a repetir sem dúvida.


Com a ausência de Fret, coube a Linn da Quebrada o encerramento do festival. E quem é Linn da Quebrada? Segundo uma das suas músicas “Ela é diva da sarjeta, seu corpo é uma ocupação / É favela, garagem, esgoto e pro teu desgosto/ Está sempre em desconstrução". É também actriz, compositora, cantora e activista social e está entre as artistas mais relevantes do cenário musical LGBT brasileiro actual. Grande parte do público presente na sala estava para ver o concerto de Linn da Quebrada e fazendo jus ao nome, ela quebrou tudo. Provocadora, incisiva, genuína, a dar ao público o que este queria. Mais importante que a música, esteve, neste caso, a mensagem e principalmente a imagem de Linn da Quebrada. Dançou-se, cantou-se, beijou-se, e sempre sobre a batuta da Mestre de Cerimónias, uma autêntica “bicha” de palco, sempre em movimento, uma autêntica locomotiva em alta velocidade e toda ela um manifesto. Nas suas músicas Linn procura trazer conjunções de histórias, combates, factos,  mostrando a pluralidade da sua luta como transexual e mostra a sua postura por meio da atitude e das rimas. Musicalmente não se apoia unicamente no funk, apesar de ser a sua maior influência, tentando também misturar diversas sonoridades,  alcançando por vezes algum experimentalismo, principalmente a nível das batidas. Quando os músicos dão o máximo e estão felizes, quando o público dança, salta e está feliz, a conclusão a tirar é que o furacão Linn da Quebrada proporcionou um enorme espetáculo a todos os presentes.

Por último tenho a destacar o magnifico trabalho dos profissionais que trataram do som e das luzes em todos os concertos de sábado a noite.


OUT.FEST 2018 [Barreiro]

Texto: Pedro Vieira
Fotografia: Virgílio Santos

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