terça-feira, 25 de setembro de 2018

Super Nova vai para a 4ª edição com Cave Story, Fugly e Baleia Baleia Baleia


O festival mais itinerante de Portugal vai para a sua quarta edição, contando com três dos nomes mais interessantes da nova geração de bandas rock nacionais. Entre Setembro e Dezembro, Cave Story, Fugly e Baleia Baleia Baleia tocam em seis salas nacionais, no primeiro circuito a cruzar atlântico rumo aos Açores. 

O arranque, como é hábito, será dado no Maus Hábitos, já a 28 deste mês, com um programa que integra ainda conversas em torno dos temas mais actuais da indústria da música. Seguem-se, o Arco 8 em Ponta Delgada, o Club de Vila Real, o Carmo 81 em Viseu, o Salão Brazil em Coimbra e o Stereogun em Leiria. Os bilhetes, esses, custam 3 euros com oferta duas Super Bock, à excepção do Maus Hábitos, onde a entrada é livre. 

Consultem em baixo o programa completo:

28 de Setembro, Maus Hábitos, Porto
-18h00 - Conversas de Bastidores com Tiago Castro (SBSR.FM), Henrique Amaro (Antena 3), Luís Fernandes (GNRation), Afonso Lima (ZigurFest) e Luís Masquete (Killimanjaro, GrETUA)
-22h00 - Concertos

13 de Outubro, Arco Oito, Ponta Delgada, Açores
20 de Outubro, Club Vila Real, Vila Real
10 de Novembro, Carmo 81, Viseu
1 de Dezembro, Salão Brazil, Coimbra
8 de Dezembro, Stereogun, Leiria



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Percursos Sonoros realiza 3ª edição a 6 de outubro


Com a imagem renovada, o festival Percursos Sonoros está volta à cidade de Oliveira de Azeméis e traz com ele histórias, memórias e boa música portuguesa. Trata-se da 3ª edição do evento que se realiza desde 2016 e é organizado pela Incentivo Positivo, em parceria com a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e com o Conselho Municipal da Juventude.

Marquem nas vossas agendas, será no dia 6 de outubro, a partir das 21:30, que as ruas oliveirenses irão voltar a encher-se de música para dar vida a espaços emblemáticos, cuja história se encontra esquecida. Segundo Ana Sofia Oliveira, coordenadora do festival, "nesta edição não haverá repetição de locais da edição anterior, e como tem vindo a acontecer, a escolha dos espaços dos concertos passou por uma criteriosa seleção para que o percurso seja confortável e interessante para o público presente".

Eis as bandas que vão estar presente e os locais onde vão decorrer os respetivos concertos:

Captain Boy |  Estação da Linha do Vouga
Galo Cant'Às Duas |  Jardins da Quinta dos Alegria
NU|  Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis
The Lemon Lovers |  Quartel dos A. Bombeiros Voluntários

A entrada é gratuita.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Reportagem: Spectrum (Sonic Boom) [Musicbox - Lisboa]


“Taking Drugs to Make Music to Take Drugs Too”. É este o motto a que Pete Kember (a.k.a. Sonic Boom) se dedicou durante toda a sua vida e carreira como músico na vertente do psych minimalista. Desde os tempos de Spacemen 3, até agora como Spectrum, que o guitarrista oriundo de Rubgy tem vindo a construir uma discografia e legado a ficar certamente na história dos pioneiros da música psicadélica. Sintra tem sido o novo habitat escolhido por Pete Kember nos últimos tempos, onde tem baseado o seu trabalho como produtor nos últimos discos de Panda Bear, MGMT e Beach HouseSonic Boom portanto voltou literalmente a casa no último sábado para dar um concerto no Musicbox Lisboa, num evento inserido nas Musicbox Heineken Series (uma cerveja grátis com o bilhete é tudo o que precisam de saber). 

A noite estava quente como se fosse agosto. Se não fosse o calendário a indicar que estamos no final de setembro, podíamo-nos ter enganado na data deste concerto a ter em conta a temperatura. Ou como disseram os Spacemen 3 no álbum Playing With Fire, “Lord It's so hot, and I ain't got a lot”. Mas infelizmente, não eram muitas as pessoas que iam entrando no Musicbox para assistir à "explosão sónica" de Pete Kember. A casa do Cais do Sodré estava a meio gás quando Sonic Boom subiu ao palco como Spectrum, acompanhado por Jason Holt (The Cult of Dom Keller) na guitarra, para dar início a esta noite espacial. 



Os acordes de “Transparent Radiation” foram a primeira coisa que emanaram da guitarra de Pete, invocando directamente a espiritualidade dos Spacemen 3 (por um dos seus membros fundadores) para o meio das pessoas que assistiam a este concerto. Mas sinceramente não prestei muita atenção ao resto do público, estava de olhos fechados enquanto viajava pela nave espacial “supersónica” de Pete Kember, e creio que as outras pessoas lá presentes também poderão dizer o mesmo. A música entrava pelos nossos ouvidos e ecoava pela nossa mente como se fossem as ondas do mar, a subir e a descer calmamente, enquanto Pete cantava esta cover de Red Krayola imortalizada em Perfect Perscription (álbum de Spacemen 3, 1987). 

De seguida vieram “All Night Long” e “Lord I Don’t Know My Name”, dois grandes originais de Spectrum que encaixaram perfeitamente nesta viagem pelas estrelas e tudo mais além. Por esta altura já eram de notar os dotes guitarristicos de Jason Holt, e o quão bem encaixavam nesta sonoridade espiritual. Embora estes solos não se tenham desviado muito das músicas originais, Jason fez aqui um trabalho notável às rendições de Spectrum e Spacemen 3. “Let Me Down Gently”, “Call The Doctor” e a cover dos Suicide “Chè” vieram a seguir, e os nossos olhos continuavam fechados a contemplar o espaço para além das estrelas, e tudo dentro da nossa cabeça. Quando os olhos decidiam abrir por si só, deparávamos com dois astronautas psicadélicos em palco com uns visuais incríveis na tela atrás deles. Esses visuais iam acompanhando gentilmente a música de Pete Kember, em toda esta viagem pelos astros que eles nos iam proporcionando no Musicbox. 




No final do concerto, ainda houve tempo para um grande encore. A imperdível “Big City (Everybody I Know Can Be Found Here)”, obra-prima escrita por Pete nos seus tempos de Spacemen 3, foi a malha que fechou completamente em grande este concerto. Apesar de ter sido um set pequeno, deu para absorver muito bem tudo aquilo que é Spectrum ao vivo, e tudo aquilo que foi Spacemen 3, num concerto com várias homenagens a esta banda lendária dos anos 80. Uma noite que certamente vamos repetir na próxima vez que Pete Kember decidir descer dos astros à terra.

Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Ana Viotti (Musicbox Lisboa)

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Braga Music Week: de 28 de setembro a 6 de outubro


Estamos em contagem decrescente para a sexta edição da Braga Music Week. No ano passado a Semana da Música de Braga abriu a porta aos Mão Morta, com uma edição dedicada ao 25º aniversário do álbum Mutantes S.21. Em 2018 vai levar-nos numa nova viagem, cujo tema é a celebração dos 45 anos do álbum The Dark Side of the Moon dos incontornáveis Pink Floyd.

De 28 de setembro a 6 de outubro, este evento irá dinamizar a cidade, oferecendo espetáculos em vários espaços culturais - Theatro Circo, gnration, Sé La Vie, Mavy, entre outros - e em lugares não convencionais, apresentando novos talentos e promovendo colaborações artísticas entre agentes locais, sempre com o apoio da Câmara Municipal de Braga. Haverá concertos, um Music Market, noites de cinema e jogos dedicadas à música, uma competição de futebol que junta bandas, produtras, editoras e festivais e o NAAMOBILE, palco móvel que invade o centro histórico da cidade.

Este ano o festival aposta no seu cartaz mais internacional até à data, que nos leva desde o Brasil, com Far From Alaska ou Medulla, até ao Japão, com Acid Mothers Temple (programação oficial do gnration), passando pela Escandinávia, com Inner da Finlândia e Tilde Hjelm da Suécia. Destaca-se ainda a colaboração dos Killimanjaro e Stone Dead numa noite dedicada às grandes canções dos últimos 40 anos do punk. Os fãs deste movimento podem contar também com um concerto dos The Parkinsons. Também confirmados estão nomes como Gonçalo, Scúru Fitchádu, David Bruno e Palas.

Verifiquem a ignição, apertem os cintos e preparem-se para a Braga Music Week.


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ZDB: os concertos deste outono'18

FIRE!
A Galeria Zé do Bois anunciou nas últimas semanas a sua programação outunal. No final desta semana o Aquário acolhe dois lançamentos nacionais: Volume VI – The Sun Rises In Your Tummy & Other Christmas Illuminations, o novo álbum de Filipe Felizardo & The Things Previous (apresentação que corresponde simultaneamente ao encerramento da residência artística de Filipe Felizardo na ZDB) e Punk Academics, o novo disco dos Cave Story, força frenética incontornável das Caldas da Rainha. 28 e 29 de setembro, respetivamente.


Outubro inicia-se com FIRE! (dia 5), super banda liderada pelo saxofonista Mats Gustafsson com Johan Berthling e Andreas Werlin, com presença também assegurada no Mucho Flow. A produtora Hiro Kone foi um dos destaques deste ano do Festival Atonal em Berlim e estreia-se na ZDB no dia 12 do mesmo mês. Uma noite que conta ainda com o saxofonista Pedro Sousa na primeira parte. No dia seguinte é tempo de escutar O CARRO DE FOGO de Sei Miguel, projecto colaborativo que regressa com uma formação apuradíssima: para além do trompete e das orquestrações do líder, conta com Fala Mariam e Nuno Torres, respectivamente Trombone e Saxo Alto, Bruno Silva na Guitarra, Pedro Lourenço no Baixo, “aos Órgãos” André Gonçalves, não esquecendo Raphael Soares e o grande Luís Desirat, ambos em discriminada Percussão. Dia 17 o produtor de techno que está a gerar ondas em todo o mundo Tzusing actua pela primeira vez em Portugal. E o melhor da folk chega nos dias 24 com Meg Baird & Mary Lattimore (que interrompem a tour com Kurt Vile para esta actuação) e 26 com Olden Yolk, novo projecto de Shane Butler (Quilt) com Caity Shaffer.


Novembro começa com o regresso da já conhecida noite Bola de Cristal (dia 2) com Hieroglyphic Being (live), e os djs Black e Snake Radikal. A noite de 9 é com Eartheater que regressa ao Aquário para apresentar o seu terceiro longa-duração Irisiri, editado este ano pela PAN Records, a abertura da noite cabe a Simão Simões. Dia 14 de Novembro Equiknoxx ft Shanique Marie em estreia na ZDB, e as noites de 16 e 22 reservam-se ao rock e ao folk com Paul Jacobs e Ryley Walker, respectivamente.


A todos estes nomes juntam-se em Dezembro Kikagaku Moyo (dia 3), para o lançamento do mais recente Masana Temples, álbum gravado em Lisboa com a produção de Bruno Pernadas. E JASSS que apresentará na noite de 6 do mesmo mês o trabalho desenvolvido em residência de criação artística na Addac System e na ZDB em colaboração com o Matadero Madrid.

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O Black Bass - Évora Fest está de volta


O festival eborense Black Bass - Évora Fest está novamente de volta este ano, mais concretamente nos dias 15, 16 e 17 de novembro, celebrando-se aqui a quinta edição desta enorme festa organizada pela Pointlist. À semelhança do ano passado, o primeiro dia do Black Bass ("dia zero") vai acontecer na Sociedade Harmonia Eborense, enquanto que os restantes dias irão decorrer na já habitual SOIR - Joaquim António D'Aguiar.

O cartaz deste ano irá ser constituído por 16 bandas, com os primeiros 8 nomes deste festival a já serem conhecidos na temática característica do Black Bass, que consiste principalmente (mas não só) no psych/garage/shoegaze/surf rock nacional. As bandas já conhecidas são então os espanhóis Mujeres, o "lo-fizeiro" canadiano Paul Jacobs, os alemães Sea Moya e os portugueses Solar Corona, Ghost Hunt, Asimov and the Hidden Circus, O Gringo Sou Eu e Vive Les Cônes.

Os preços dos bilhetes diários e passes para este quinto aniversário do Black Bass ainda irão ser anunciados.


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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Portugal Alive: a melhor música portuguesa está de volta a Espanha

Artistas portugueses vão apresentar concertos em Madrid e Barcelona num programa anual apoiado pelo Cultura Portugal em Espanha. Capicua, Best Youth, Bruno Pernadas e Surma são as escolhas para a edição deste ano do Portugal Alive, festival que leva a arte sonora portuguesa ao público espanhol. 


Pelo quinto ano consecutivo, a melhor música portuguesa da atualidade parte à conquista do país vizinho. Durante dois dias, a 21 e 22 de setembro, o festival Portugal Alive leva até às cidades de Madrid e Barcelona, respetivamente, as músicas de Capicua, Best Youth, Bruno Pernadas e Surma. O festival tem por objetivo a promoção da cultura portuguesa contemporânea junto do público espanhol e ainda a aproximação à comunidade portuguesa residente em Espanha. A entrada é gratuita para todos os concertos. 

Com mais de duas décadas de existência, o festival catalão de referência internacional na descoberta de novos talentos na área da música eletrónica, pop, rock e pop, conta este ano com a capital portuguesa como cidade convidada. A 22 de setembro, na Plaça Joan Coromines, ouvir-se-ão alguns dos artistas mais relevantes da música portuguesa dos últimos anos. Pongo, Real Combo Lisbonense e Throes + The Shine integram também a armada lusa, estes três nomes a convite do festival BAM (Barcelona Áccio Musical). 


Programa Portugal Alive 2018

Madrid, Palácio de La Prensa – 21 de setembro 
Best Youth, Bruno Pernadas e Surma 

Barcelona, Plaça Jon Coromines – 22 de setembro 
Capicua, Bruno Pernadas e Surma

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Oiçam: Favours

oicam-favours


Vindos de Toronto, em Ontario, os canadianos Favours lançaram o seu single de estreia, de seu nome "In The Night", onde revelam a sua sonoridade synthpop influenciada tanto pelas reminiscências da new wave britânica dos anos 80 e 90 como pelas tendências modernas da dream pop.

A música foi gravada com a colaboração do produtor Josh Korody (Dilly Dally, Weaves), e vem com um videoclip cujas cenas foram, segundo os próprios, inspiradas por vários filmes da coleção Criterion, e acaba por intensificar e acompanhar o sentimento de alienação do single.

Quando questionados acerca da inspiração por detrás de "In The Night", a banda menciona que é "uma balada para os que se vêm presos num ciclo rudimentar e repetitivo". Ainda nesse tema, acrescentam que fala sobre escapar da banalidade do dia-a-dia e antecipar o sonho que está fora do alcance. No que toca à identidade sonora da banda, o resultado culmina assim numa sonoridade deleitante e ao mesmo tempo com uma aura de traços soturnos, marcado por um trabalho de baixo palpitante que se encontra taco-a-taco com um som de guitarra bastante vívido e, principalmente, uns sintetizadores igualmente vibrantes e e melancólicos.

Apesar de não haver ainda não confirmação sobre um futuro registo, essa deverá estar para breve.

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Huggs lançam hoje o EP de estreia, Did I Cut These Too Short?


Simultaneamente inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos 50 e 60, os Huggs nascem do contraste entre as melodias contagiantes do Duarte Queiroz na guitarra e voz e a irreverência punk e bateria pesada do Jantonio, quando os dois se conhecem por acaso num projecto de faculdade. Transportam-nos imediatamente para uma atmosfera tão suja, fria e insensível - impossível não lembrar a tão aclamada série Shameless - quanto quente e apaixonante.


Editam hoje Did I Cut These Too Short?, gravado no verão de 2017 por Gonçalo Formiga (Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha. Uma edição Cão da Garagem que faz dos Huggs uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock e indie da actualidade. 

"Find Out" é o mais recente novo single da banda e mostra-nos os Huggs a tocar de forma mais descomprometida e, pela primeira vez, a cantar sobre alguém que não eles próprios. O videoclip ficou a cargo de Manuel Casanova.


Consultem em baixo das datas da tour de apresentação de Did I Cut These Too Short?

TOUR:
- 21 de Setembro/ Maus Hábitos, Porto
- 6 de Outubro/ Mucho Flow, Guimarães
- 25 de Outubro/ Lounge, Lisboa
- 15 de Novembro/ Teatrão, Coimbra
- 17 de Novembro/ Black Bass, Évora
- 30 de Novembro/ Quinta das Beatas, Portalegre

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A paixão de ZigurFest: os dias que passámos em Lamego



O ZigurFest realizou entre 29 de agosto e 1 de setembro a sua oitava edição, recebendo em Lamego vinte e quatro dos nomes mais criativos e inovadores da música nacional. Foram quatro dias em que a música se fundiu com o vasto património milenar apresentado pela cidade, propagando-se por oito palcos - Teatro Ribeiro Conceição, sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, Castelo, largo da Olaria, Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), Largo da Cisterna e Capela de Nª. Srª. da Esperança.

Como já passaram umas algumas semanas após o ZigurFest, decidimos escolher os concertos que mais gostámos nesta edição. Infelizmente não estivemos presentes no primeiro dia, que contou com as atuações de Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana e Dullmea


Mathilda – 30 de agosto


Após algum tempo à procura da Capela de Nª. Srª. da Esperança, conseguimos chegar a tempo do concerto de Mafalda Costa, cantautora vimaranense mais conhecida por Mathilda. Completamente à pinha, já não cabiam mais pessoas no adro da capela, cuja iluminação criava o ambiente intimista certo para a ocasião. Dona de uma voz doce e suave, com apenas um ukulele nas mãos e acompanhada por Gobi Bear (Diogo Pinto) na guitarra acústica, como já é costume, Mathilda aqueceu os corações de todos os presentes com as suas canções de filigrana e veludo, onde retrata e suporta as fragilidades de uma artista bastante madura, mas que ainda só tem 18 anos. Ouviram-se na capela temas como “Oddest of Things”, primeira música que lançou com 17 anos, “Unloved”, música de Gobi Bear que conta a colaboração de Emmy Curl em estúdio, e ainda “No Love Song”, onde Mathilda ficou sozinha em palco com a sua guitarra elétrica. Pediu para sermos gentis pois ainda está a aprender a lidar com esta situação. E nós assim o fomos.

Sereias – 30 de agosto


Não há muitas bandas em Portugal que nos preparem para o que vimos esta noite. Caracterizam-se como jazz-punk pós-aquático e dão pelo nome de Sereias. Formados pelo poeta António Pedro Ribeiro e Kenneth Stitt na voz, Sérgio Rocha na guitarra, João Pires na bateria, Nils Meisel nos sintetizadores e Tommy Luther no baixo, a banda do Porto apresentou-se no palco Alameda com as suas longas músicas movidas a noise rock e no wave irregular. No meio de todo o caos, as atenções estavam especialmente focadas em António Pedro Ribeiro, que declamava ferozmente os seus poemas enquanto a banda tocava, e em Kenneth Stitt, homem de speedo que dançava livremente com as suas longas pernas e braços, vocifernado por vezes algo indecifrável ao microfone. Esquizofrenia é a palavra certa para definir este concerto. 

Fotogaleria do dia 30 de agosto aqui


André Gonçalves – 31 de agosto


André Gonçalves é um dos exploradores sónicos mais relevantes do panorama nacional, ora através da construção de sintetizadores modulares pela ADDAC, ora através da música que produz. Música Eterna (2015) é o melhor exemplo disso, “álbum” que existe dentro de uma aplicação para iOS e permite compor música que nunca se irá repetir, “recorrendo a uma partitura que joga com múltiplos blocos sonoros que vão desfilando com o tempo, encaixando miraculosamente sem nunca nos deixar desamparados pelo aparente jogo de sorte”. No Castelo de Lamego não foi diferente e André presenteou-nos com um set de colagens onde convivem sons do quotidiano com algumas vozes e por vezes alguns glitches, ao género de Oneohtrix Point Never. Perante a música ambiente que se fazia sentir, o público sentia-se relaxado, havendo até quem se deitasse na relva e fechasse os olhos para sentir todas as singularidades da viagem. 

David Bruno – 31 de agosto


Na primeira incursão do festival no Teatro Ribeiro Conceição, fomos assistir à apresentação d’O Último Tango em Mafamude, álbum editado este ano por David Bruno e muito aclamado pela crítica, onde expressa o seu amor pela cidade de Vila Nova de Gaia, revestindo-se de roupagens dos anos 90, enriquecidas com ritmos de hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas. Iniciou o concerto com “Alfa Romeu e Julieta”, música sobre os domingueiros que só tiram o carro da garagem aos domingos. Agradeceu por não estarmos a assistir ao concerto dos Amor Electro, que essa noite estavam também a atuar em Lamego. Acompanhado pelos calorosos solos de guitarra de Marquito, esse prodígio de Barcelos, pelas representações visuais do seu álbum como fundo e, não esquecendo, pelo naperon a adornar a sua mesa de mistura, David Bruno interpretou temas como “Monte da Virgem Platónico”, “Amor Anónimo”, onde há a famosa referência a Marante e Toy, “Mesa Para Dois”, onde nos recomendou a comermos no balcão dos snack bars e a mantermos vivas as travessa de alumínio. Foi com “Lamborghini na Roulotte”, música que o artista só apresenta ainda ao vivo, que o público entrou completamente em delírio. Após uma pequena pausa em que foram lançados para a audiência bases de copo alusivas ao Último Tango em Mafamude, David regressou ao palco para terminar a atuação com “150 mL”, tema da altura em que o artista respondia por dB.

Foi uma experiência incrível ver esta personagem caricata interpretar as suas músicas tão tipicamente portuguesas que nos enchem de um orgulho imenso.

NU – 31 de agosto


Quem também atuou no Teatro Ribeiro Conceição foram os NU. A banda veio de Santo Tirso e apresentou-se em palco com sete elementos, apesar de serem um sexteto formado por Rui Pedro Almeida na voz, Miguel Filipe Silva e Vitor Duarte nas guitarras, André Soares no baixo, Ricardo Coelho na bateria e Urbano Ferreira na eletrónica. Apresentaram o seu rock experimental bem aguerrido e desconcertante, com uma percussão violenta, influenciado por nomes lendários como os Swans, Einstürzende Neubauten e os Mão Morta. Aliás, eram bem notórias as semelhanças do vocalista com Afonso Luxúria Canibal, tanto na voz como no seu estilo devaneante em palco. O elemento extra presenteou-nos com o seu saxofone, o que conferiu um carácter ainda mais experimental à atuação da banda. Durante quase uma hora estivemos perante um ambiente psicologicamente denso dotada de visuais negros e niilistas, em que a banda não se dirigiu ao público.

Fotogaleria do dia 31 de agosto aqui


Lavoisier – 1 de setembro


Os Lavoisier foram os primeiros a entrar em ação no último dia do ZigurFest no palco da Olaria. A dupla formada por Patrícia Relvas e Roberto Afonso recria a tradição musical portuguesa, respeitando a lei da conservação da matéria do químico Antoine Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", interpretação esta que assenta no minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Partiram para Berlim em 2009, mas decidiram regressar em 2013 para viver apenas da música. Em Lamego apresentaram o seu disco É Teu (2017), tocando temas como “Vira”, uma versão de “Marcolino” de Fausto Bordalo Dias, “Romance do Cego”, música tradicional portuguesa que a avó de Bragança cantava, “Estátua”, resultante de um poema de Judith Teixeira, “Fauna”, música que retrata o quão bonito e assustador pode ser viver ao pé do mar, e “Opinião”, coisa que toda a gente tem. O duo aventurou-se também num tema novo, “Frustração”, que irá fazer parte de um novo trabalho onde vão musicar Miguel Torga. Nada melhor que um situação ao vivo para testar a força das canções.

The Dirty Coal Train – 1 de setembro


Todos sabemos que quando menos esperamos algo de extraordinário acontece. Foi isso que aconteceu com os Dirty Coal Train, banda que veio substituir à última da hora os Moon Preachers. O trio formado por Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, na guitarra e voz, e Nick Suave, na bateria, editou em maio o novo álbum Portuguese Freakshow e conseguiu vir até Lamego atuar pois estava a passar férias ali perto. Só precisaram que alguém lhes emprestasse uns instrumentos. Uma das guitarras até estava assinada por Malcolm Young, membro falecido dos AC/DC. Ao todo foi quase uma hora de garage punk puro e duro, com direito a mosh e a crowdsurf por parte do endiabrado público. Não menos endiabrados, Ricardo e Beatriz andaram também pelo público a dar tudo, dando a oportunidade a algumas pessoas de agarrarem no micro e gritar o que lhes ia na alma. Dose diária recomendada de rock para aqueles que assistiram a este vendaval.

Scúru Fitchádu – 1 de setembro


Para quem nunca tinha visto Scúru Fitchádu ao vivo e só tinha ouvido algumas músicas em casa, nada os podia preparar para a bojarda que aí vinha. O relógio já marcava as 3h da manhã quando Marcus Veiga aka Sette Sujidade entrou no palco Alameda com o seu produtor. Scúru Fitchádu é um projeto que vive para as atuações ao vivo, dono e senhor de uma música bastante física e intensa, a qual não dá para viver sentado. Funde a distorção e o ruído do punk com os ritmos dançantes do funaná de Cabo Verde e a bass music. Isto tudo cantado vigorosamente em crioulo, com a ajuda de uma faca que bate freneticamente sobre o ferro e nos “obriga” a dançar até mais não. Foi um concerto que se prolongou por mais de uma hora e nos obrigou a ir aos limites. Incrível, épico, o melhor concerto desta edição do ZigurFest.

Fotogaleria do dia 1 de setembro aqui.


P.S.: Um dos melhores festivais nacionais, o ZigurFest mostrou-se em excelente forma, excecionalmente organizado. Integrado nas festividades de Lamego, funcionou como uma alternativa às festas mais populares, permitindo chamar público de todas as idades. Os belíssimos locais onde se dão os concertos são muito bem escolhidos e adequam-se perfeitamente ao tipo de música e à cidade milenar de Lamego. O convívio com bandas é bastante facilitado e podemos ver de perto como tocam pois não há barreiras entre nós e estas. Toda a cidade é contagiada pelo ZigurFest e nós sentimo-nos bem a fazer parte dessa família. Esperamos voltar por muitos e bons anos. 

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: David Madeira


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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tim Hecker na abertura da temporada da Culturgest


A Culturgest está a preparar uma rentrée muito especial, com o artista sonoro canadiano Tim Hecker a integrar a programação da nova temporada do espaço cultural situado em Lisboa. No seu regresso à capital, onde atuou pela última vez em 2016, Tim Hecker traz novo trabalho e um concerto em conjunto com Kara-Lis Coverdale, que se encarregará também de efetuar a primeira parte, e ainda o ensemble gagaku Tokyo Gakuso, formado por Motonori Miura, Manami Sato e Fumiya Otonashi. Konoyo, o nome do disco em questão, recebe novamente o selo conceituado da Kranky, o núcleo duro por onde Hecker editou algumas das mais importantes obras da música ambient das últimas duas décadas. 

A apresentação do disco acontece dia 4 de outubro no Grande Auditório da Culturgest, e os preços já se encontram disponíveis via ticketline ao preço único de 14 euros.



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Reportagem: No Age [Hard Club, Porto]


Os No Age já não são estranhos para ninguém. Entre vários concertos e festivais, o duo natural de Los Angeles foi estabelecendo uma relação duradoura com o público português, que os recebeu novamente para as duas primeiras datas em Portugal em cinco anos. O reencontro fez-se na semana passada em Lisboa, na ZDB, seguindo-se o Porto com um concerto no Hard Club ao lado dos portugueses El Señor

Formados em 2005, o duo composto por Dean Spunt, baterista, e Randy Randall, guitarrista, nasceu do interesse mútuo pela cena DIY, que canonizaram ao longo da adolescência e rapidamente alcançaram com um contrato pela mítica Sub Pop, essa meca da música independente por onde editaram três álbuns de estúdio – Nouns (2008), Everything In Between (2010) e An Object (2013). Snares Like a Haircut, o regresso do duo às edições sob a alçada da norte-americana Drag City, serviu de mote para o reencontro com o nosso país.

“Cruise Control”, o poderoso tema de abertura de Snares Like a Haircut, deu o pontapé de arranque, mostrando um duo longe de se encontrar em piloto automático. No seu primeiro álbum em cinco anos, os No Age encontram-se mais maduros, confiantes e confortáveis com as peripécias que a vida lhes tem vindo a proporcionar. Agora pais e casados, o duo está de regresso e em boa forma, com um disco aclamado pela crítica internacional especializada que o tem vindo a descrever como a sua obra mais progressiva e aprimorada, uma onde a frustração jovial e furiosa dos primeiros registos encontra finalmente a paz, abrindo caminho para um trabalho de meticulosa coerência.


Percorrendo um alinhamento extensivo, o duo intercalou os temas mais recentes do repertório com algumas das canções mais marcantes da sua já longa carreira, desde potenciais hinos esquecidos – “Sleeper Holder”, “Glitter”, “Fever Dreaming” – a novos capítulos de uma carreira que parece não ceder à passagem do tempo - “Send You”, “Drippy”, “Stuck In The Charger”. 

“Teen Crips”, esse grito que marcou a quintessência dos No Age, não escapou ao ânimo inevitável do escasso mas conhecedor público que se apresentava na sala 2 do Hard Club, que cantou e celebrou a fúria contida de um tema que soa tão refrescante como soava há dez anos atrás. “Every Artist” e “Boy Void”, temas que inauguram Weirdo Rippers, recordaram os passos iniciais dos No Age como força vital do espírito enraizado no mítico The Smell (o mesmo espaço que emoldurou a compilação de 2007), encerrando esta onda nostálgica ao som de mais duas canções do acarinhado disco de estreia, “Miner” e “Ripped Knees”. 

Entre novidades e revivalismos, os No Age proporcionaram um serão ruidoso e abafado de canções ricas em textura, distorção e a intensidade que sempre nos acostumaram, reunindo novos e antigos fãs para uma noite de celebração do som que marcou uma década.

 No Age + El Señor [Hard Club, Porto]

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Edu Silva

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