terça-feira, 20 de novembro de 2018

Deadpan - "Lovely Night" (video) [Threshold Premiere]

© FVMedia CPH
The Danish quintet Deadpan is back with the new single "Lovely Nights", one of those bangers ready to make sweat the dancefloors, that is released today. This new theme follows the "Fool Moon" single and is now presented through an audiovisual work where the characters are the band members themselves and the background environments are being changed with the introduction of their characteristic colors and lots of cuts. "Lovely Nights," a song that joins the melancholy of post-punk to the experimentalism of indietronica, projects Deadpan into the field of the new emerging bands that are worth making themselves heard. 

Deadpan formed after the split of the band Deadpan Interference in 2016 and include three elements of the original lineup - Martin Funder, Max Cosnier and Sofie Westh - joined by vocalist Arsene Survie (Syringe) and guitarist and synth player Christian Skibdal (formerly The Wands). Fool Moon EP was produced by Oliver Volz (Shiny Darkly)  and the video for "Lovely Nights" can be watched below.



Fool Moon, will be released on December, 7th via Third Coming Records. You can pre-order it here


Fool Moon EP Tracklist: 

01 - Country Walker 
02 - Fool Moon 
03 - Crashing 
04 - Beat 
05 - Lovely Night

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[Review] SUIR - SOMA


SOMA // Manic Depression Records // outubro de 2018
9.0/10

A dupla alemã SUIR regressou este ano aos discos longa-duração com SOMA o segundo registo de estúdio que chega um ano depois da estreia com Ater e que projeta um crescimento na abrangência sonora do mundo de Denis Wanic e Lucia Seiss. SOMA foi idealizado e composto após uma tour pela Europa Oriental, quando Denis Wanic e Lucia Seiss se mudaram para Warsaw durante o inverno de 2017 para uma pausa dedicada ao processo criativo. Foi esta cidade fria e cinzenta que influenciou as toadas densas e gélidas de SOMA que se apoiam nos pilares do art-rock e nas paisagens mais sombrias, deixando em certa parte os rasgos psicadélicos que acompanharam Ater

Os SUIR formaram-se em 2016 e rapidamente construíram o seu mundo interativo entre guitarras e sintetizadores, apoiado em batidas industriais, letras melancólicas e uma atmosfera psicologicamente densa. O primeiro disco chegou ao mundo pela mão da editora alemã Black Verb Records - um dos selos que tem aberto o mundo às portas da música underground de qualidade - e criou um certo murmurinho na imprensa mais atenta. Cerca de um ano depois Wanic e Seiss saem-se com este novíssimo SOMA e conduzem-nos a várias camadas sonoras de desenvolvimento arrastado que conjugam um shoegaze envolto em reverb, art-rock e alguns elementos do post-punk e da coldwave. Tudo isto, enquadrado numa natureza de estrutura essencialmente minimal. 



Lançado no passado dia 18 de outubro, SOMA abre com "Calamity" um tema com letra bastante negra ("come close and dissolve / restrain who you are / terminate all your thoughts / restrain who you are / calamity calamity") que encaixa na perfeição relativamente à cover art do disco que traz a assinatura da artista Saskia April Kluge, e é simplesmente maravilhosa. Segue-se "Gewalt", uma das faixas que serviu de avanço ao novo álbum e que volta a absorver-se desta atmosfera misteriosa e sinistra com batidas poderosas e riffs de guitarra absolutamente envolventes e cativantes. A cada progressão no álbum novas canções incrivelmente encantadoras. A poderosa "Warsaw" onde podemos ouvir que "there’s no change, there’s only rage / I guess all will stay the same", a apaixonante "As I Lay Down", cheia de nuances sonoras, sons sintetizados predispostos em camadas e uma guitarra tão melancólica que a torna tão triste, mas tristemente bela e poética. Enfim, música para sentir. 



"5113" apresenta o registo mais experimental deste SOMA. O seu início composto por reverb, estruturas repetitivas e sons metalizados faz quase lembrar um retrato do vazio do existencialismo e da dissolvência do eu. É a música mais curta do disco mas também é aquela que traz uma maior abertura para a exploração do seu sentido e mensagem. Este experimentalismo e onda existencialista volta a ser abordado em "Hyperion", outro dos temas do disco que recorre exclusivamente aos instrumentos como ponto de comunicação. A encerrar este magnífico trabalho com "Atonement", os SUIR despedem-se com "it ends / it falls apart / it all ends / when we both fall into the dark". 

Masterizado por Philipp Läufer e gravado e produzido pelos SUIR em Frankfurt, Soma representa uma evolução muito positiva face ao seu antecessor, Ater, sendo um disco altamente recomendado para ouvir em loop. A cada nova audição descobre-se um novo pormenor e o resultado final soa cada vez melhor. Existe a quantidade de experimentalismo certa, as explorações vocais em sonância com toda a instrumentação envolvente e uma mensagem translinear completamente adaptada ao ouvinte. Um disco que tem tudo para integrar as tabelas dos melhores lançamentos de 2018: audaz, construtivo, emotivo e marcante.



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STREAM: Buzz Kull - New Kind Of Cross


Buzz Kull, alter-ego do produtor australiano Marc Dwyer, editou na passada sexta-feira o seu segundo disco longa-duração de estúdio, New Kind Of Cross, trabalho que vem dar sucessão a Chroma (2017) e do qual já se tinham escutado anteriormente temas como "Avoiding The Light" e o homónimo "New Kind Of Cross". Neste novo disco, que surge depois de "Dreams" se ter tornado no eventual hit de carreira, Buzz Kull mostra uma consistência artística, apresentando temas que ficam facilmente memorizados nas primeiras audições.

Em New Kind Of Cross o produtor vai ainda mais além que no seu antecessor explorando alguns elementos da retrowave e da dream pop em temas como "Crime Lights" e "Flowers Hold No Meaning", respetivamente, contudo sem nunca descurar os ritmos minimais e a sua eletrónica colorida e negra, como se pode ouvir em singles como "Destination", "Existence" e "Time". O disco pode agora ser reproduzido na íntegra abaixo.

New Kind Of Cross foi editado na passada sexta-feira (16 de novembro) pelo selo Avant! Records (EU), Burning Rose Records (AUS) e Funeral Party (USA).


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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Reportagem: Peter Murphy & David J - Ruby Tour, 40 anos de Bauhaus [LX Factory, Lisboa]


É uma questão de tempo e o tempo fica. Por mais que passe pelo tempo, que o tempo tem.

40 anos, para quem reparou sempre, e poderemos subtrair outras somas para quem ouviu há menos de 30, há menos de 20 e, há menos de um ano ou até de um mês ou dias, até ontem. 

Num vinil, numa cassete, num CD… na memória. De 1978 a 1983, uma curta existência, tornada imortal pela carismática forma como Peter Murphy, David J, Daniel Ash e Kevin Haskins se destacaram como fundadores e também pela fama gradualmente acentuada ao longo das suas carreiras a solo ou noutros projectos. A Ruby Tour festeja os 40 anos da fundação dos Bauhaus, está a percorrer o mundo, e em Portugal, depois do Porto, passou por Lisboa, com os dois da formação original, David J e Peter Murphy, com Mark Gemini Thwaite (guitarras) e Marc Slutsky (bateria).

LX Factory

Num sábado, 17 de Novembro, há uma movimentaçāo nocturna diferente da habitual em Alcântara. Uma imensa fila de carros e de pessoas, rumo à LXFactory, onde um pavilhão cinzento, uma antiga fábrica alberga agora um cenário que, não fosse estarmos em Lisboa, julgaria eu estar num espaço enorme e antigo algures num dos subúrbios de Nova Iorque. 

Com o som a espraiar-se pela acústica típica de espaços como este, de um telhado suportado por robustas vigas de ferro, a muitos metros do chão… . E os Desert Mountain Tribe, já estão em palco. O trio, sediado em Londres, tem dois álbuns gravados até ao momento, Either That Or The Moon (2016) e Om Parvat Mysteryuma (2018), dois EPs, e são assumidamente um trio heavy psych-rock. A banda é relativamente recente (2012), deu-nos uma actuação contagiante, efusiva e concentrada, foram muito aplaudidos, e teriam regressado ao palco outra vez, não fosse a sede que já se fazia sentir na audiência ávida de Bauhaus.

Desert Mountain Tribe

Ao intervalo, solta-se um reggae antigo, enquanto os roadies preparam o palco para a entrada em cena e acentua-se a movimentação de gente em busca do bar, ou do melhor lugar em pé. Compasso de espera, que pareceu uma eternidade, para quase todos, bem perceptível pelo coro de assobios num claro chamamento do mestre ao palco, e palmas, num comportamento típico de um encore, e neste caso, ainda o concerto estava por começar. “Hey hey hey, two two two”, testam-se os microfones, ajustam-se os tripés à altura de Peter Murphy, testam-se a bateria, o baixo de David J, a guitarra, mas no palco ainda está tudo às claras enquanto se aguarda a chegada do morcego e da sua tropa de elite. 

22h12, sinais de fumo no palco e entram em cena os strobes, o feedback típico da primeira canção e uma linha de baixo inconfundível, já ali está David J, no seu estilo original (diferente do acústico maravilhoso que deu há uns meses no Sabotage Club), e Peter Murphy, com o seu glamour sombrio, lança para o ar o primeiro grito. A máquina está bem oleada. Começou com “I Dare You” e continuou até à última canção prevista no alinhamento. 

E deu de beber aos mais sequiosos: "God In an Alcove”, numa altura em que eleva uma coroa digna de Rei; houve ainda a inesperada aparição de Adam Lamar, para um improviso absoluto na percussão no delirante “She's In Parties”, o misterioso Adam Lamar, que travou amizade com Peter Murphy, num avião - surpreendente a toada deste encontro.

Peter Murphy & David J

Momentos em que a nostalgia nem sequer se diluiu na satisfação imensa que foi escutar “Spy in the Cab" ou “Silent Hedges" num sábado à noite em 2018. Neste ambiente de celebração, de entre outras canções, faltou por exemplo "All We Ever Wanted Was Everything" do disco The Sky´s Gone Out, para ser perfeito. Em contrapartida tivemos “Nerves”, do primeiro disco, antes desta digressão, uma das menos tocadas por qualquer um deles em palco desde os anos oitenta. 

Em "Bella Lugosi´s Dead”, Peter Murphy exibe a sua echarpe vermelha que se estende pelos ombros e braços, limpa o suor da cara e liberta-se o fumo que não lhe afecta a garganta. “Adrenalin” e os clássicos “Kick in the Eye”, “The Three Shadows, Part II”, “Burning from the Inside”, as habituais versões de “Severance” dos Dead Can Dance e “Telegram Sam” dos T. Rex, e outras mais, ao todo 21 canções, incluindo os dois encores com duas músicas cada. Terminou com Bowie, - “Ziggy Stardust” fechou o set. 

E à semelhança do Porto, lotação esgotada também em Lisboa, numa sala ladeada de tijolos do outro século e sem um palmo de chão à vista.


Peter Murphy & David J - Ruby Tour, 40 anos de Bauhaus [LX Factory, Lisboa]

Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Virgílio Santos

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domingo, 18 de novembro de 2018

Slovenska Televiza in interview: "It's all about that sensation and all the East European imagery culture"

© El Carrusel - Taller de fotografía

On September 9th we drove to Dom Carlos I Park in Caldas da Rainha to learn more about the Spanish duo Slovenska Televiza, composed by Wladyslaw Trejo and Lunademayo, who released their debut EP, Documento, through the label Peripheral Minimal on that week. 

Slovenska Televiza were formed through the conception of a crazy idea divided into three phases: First, they had to compose a song about Latvia, with lyrics composed in Latvian, a language that neither of them speaks. Second, they made a limited number of CDs containing this song, with handmade covers, one by one. To finalize the project the band traveled to Latvia, where they abandoned the CDs recorded in several places that would be chosen during their stay in Riga and surroundings. 

Learn more about them reading our interview below.

Threshold Magazine (TM) - When did you start Slovenska Televiza? 

Wladyslaw Trejo – I think it started in 2013. We both had a previous band that ended, but I wanted to make more music and to have an evolution. That band was kinda pop and I tried to go more introspective, that's when Slovenska Televiza came. Still wanted to have a girl singing and I had - Lunademayo, and she sings very well, so it was a good opportunity to reach new sounds. She also wanted to sing in another tessitura, less poppy but more classical, maybe, more lyrical, and that's the way we began. 


TM - Why did you choose the name Slovenska Televiza? 

Wladyslaw Trejo – It’s a long story! I first went to Czech Republic, to Prague, in 1997 and I felt a strange sense of belonging, not like saying I would love to live here, it was sensed like 'I am from here'. But I came back to Spain and forgot about it. Then we both went to Berlin in 2012 and I felt the same sensation back again. So I wanted to understand why this feeling, thinking about it myself I finally got the answer. That was because when I was a child my favorite cartoons were the Czechoslovakian ones. In Spain, in the 80’s, there were a lot of Czechoslovakian, Polish and Russian cartoons in the national television and those were my favorites. They were kind of strange, sometimes with experimental soundtracks and less action than the American ones, but those were my favorites, all that imaginary was deeply recorded in my subconscious. I remembered that every cartoon started with "Ceskoslovenská Televize uvádí" (Czechoslovakian Television presents), but I was a child and couldn’t read it, so I used to read it my way: Slovenska Televiza, that's it. It's all about that sensation and all the East European imagery culture that exists in my head. 

TM – Your first single, "Bailes Valstīs", is written in Latvian. How did the idea come and why Latvia? 

Wladyslaw Trejo – We were planning to visit Latvia on holiday, and it was Lunademayo idea to make a song. Well, the first idea wasn't to make a song but to make some CDs and left all the copies in Latvia. Travel there, walk around, select the places we like, leave a CD, take a picture and say goodbye. So we had to make a song, and we thought to write the lyrics in Latvian. It should be a very short song because Latvian language is too difficult (laughs).

Lunademayo – There was a bit of the idea of building something about Latvia, given the impression that we had from the country through the information available on the media, about their history, the city of Riga and everything else. 

Wladyslaw Trejo – We wanted to make a song about our idealized Latvia, even if it was right or not. And as we felt that Latvia was going to give something important to us then we wanted to give something to Latvia. A crazy, crazy idea! 



TM – What happened after you left the CDs? 

Wladyslaw Trejo – We got no answer, neither an e-mail nor a message. There was some traffic on our Bandcamp page but it's impossible to know if it came from people who found the CD or not. In the beginning it was kind of surprising, but at the end we thought that it was the better option. We were lucky to have very different experiences from what a normal tourist would have, everything was more intense and deeper, we met people and we arrived at very special places that we would not have found otherwise. Latvia left an important mark on our hearts. I wrote a travelogue about those adventures with also some pictures that was published in a Spanish and a Baltic culture web. 

TM – How was the process besides this new Documento EP? Because the sonority is totally different from the first single. 

Wladyslaw Trejo Documento songs are previous to the Latvian performance, we finished them in 2014 but had some delays dealing with the music industry. We didn't want to forget about them, our firm purpose was to release this EP on a worthy way and go ahead with our music, and happily, we could publish it thanks to Peripheral Minimal record label. But maybe if we do something new it will be also different from Documento, once we do not have a narrowly focused style and we like to change. It depends on what we want or what we need at the moment. 


TM – What do you have to say about "Muskiz"? (It's my favorite song of the EP) 

Wladyslaw Trejo – Muskiz is a village from the north of Spain in the Basque Country, it’s in the coast and they have a petroleum refinery. First time I went there was by night, it’s a very big industrial place with fire coming out from tall chimneys and lot of lights, it's a spectacular view, like a film, I was very impressed by it. "Muskiz" is about that contrast between nature, the cathartic sea and this kind of technological construction, it’s a confrontation. This song talks about an elevated group of people that live in the refinery central and secretly play with the elements, with nature, only for a scientific commitment. 

TM – Do you have more songs besides these 5 from the EP and "Bailes Valstīs”? 

Wladyslaw Trejo – Not at this moment. Wait, we have two more instrumental from that time, maybe we should do something with them. But not more Slovenska Televiza songs for the time being. I've been working on new music for my solo project, and Lunademayo is a graphic artist and she's also very busy with that. So we don't have any time back to do some new material soon. 

TM – What were the last concert that you saw and the last record that you have listened to? 

Wladyslaw Trejo – We have been this week at local festivities in our city, Valladolid, so our last concert together was a hard-rock one from a local band, and my last one was also a local hip-hop band. The last record… ah! Well, today, driving here it was that one from Molly Nilsson, These Things Take Time. I love it, but Lunademayo doesn’t, there is always a dispute in the car for this reason (laughs)! 



Lunademayo – Mainly classical music! But I have been also listening to many pop groups, I do not have a defined favourite song. I can listen to classical music, but also mainstream tunes at the same time and I’ve got no problem at all.

TM – Ok we are finished. I don’t know if you want to add anything else… 

Wladyslaw Trejo – Thank you so much for listening to our music and taking the invitation to us. We hope to get back to Portugal soon for playing live or something. 

TM - Thank you so much for your time!




Interview by: Sónia Felizardo
Photos by: El Carrusel - Taller de fotografía

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Fotogaleria: SUUNS + Vive La Void [Stereogun, Leiria]


No passado dia 31 de outubro voltámos à Stereogun para marcar presença em mais um dos episódios relâmpago do Fade In Festival 2018 que no último dia do mês trouxe até Leiria as performances dos canadianos SUUNS e de Vive La Void, projeto a solo de Sanae Yamada, a cofundadora e teclista dos Moon Duo. Na despedida de Portugal e um dia depois de terem tocado no Porto, além dos seus mais conceituados temas, os SUUNS apresentaram o mais recente e quinto disco de estúdio Felt (Secretly Canadian, 2018). Já a setlist de Sanae Yamada contemplou o disco de estreia homónimo, Vive La Void (Sacrad Bones Records, 2018).

Podem recordar os momentos experienciados nessa noite pela lente do Miguel Silva na fotogaleria abaixo ou aqui.

SUUNS + Vive La Void [Stereogun, Leiria]

Fotografia: Miguel Silva

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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

COMPADRES lançam EP de estreia


Vindos da região portuguesa com a reputação de menor entropia, os COMPADRES, colectivo composto pelos DJs/turntablists Dj Sims, Fatinch e Mr. Mendez mostram que o Alentejo não esteve parado. Ao longo de sete temas, tiram o pó ao soul, arrastam o funk do armário dos vinis e numa nova roupagem de hip-hop assentam COMPRADES, EP de estreia auto-intitulado. 

Este compacto de sons orgânicos foi feito para o Movimento Alentejo Unido, uma plataforma cooperativa de união, promoção e organização de cultura urbana alentejana mas não só, e pode ser escutado em baixo.

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7 ao mês com QUADRA

E se já na edição passada nos tínhamos dirigido até Braga, para este 7 ao mês de novembro decidimos permanecer na cidade fundada como Bracara Augusta com o intuito de conhecer melhor as principais influências dos QUADRA, uma das emergentes bandas a tomar de assalto o panorama nacional de 2018 com o bastante aclamado disco de estreia Cacau.

As sete escolhas do quinteto bracarense, que conjuga estruturas rítmicas dançáveis em canções intensas, puramente instrumentais e ponto de foco e convergência entre diversos estilos podem ser lidas e escutadas, abaixo. 


Battles

Não há dúvidas que os Battles foram a banda que impulsionou a ideia e o conceito de QUADRA. Battles trazem para o mundo música sem barreiras com energias positivas e sem melancolias associadas. Música intemporal vibrante, intensa e com tecnicismo e segurança emocional que só a maturidade musical permite. Sem influências definidas mas ao mesmo tempo influenciada por tudo que é som e imagem. Há uma mensagem subliminar em Battles, o ouvinte tem a permissão de sentir e ser o que deseja sentir e o que deseja ser. É esta liberdade que QUADRA pretende ter e passar. 





Chemical Brothers - Surrender (1999)

Escolhemos este álbum dos Chemical Brothers, não porque tenha sido uma influência directa para o Cacau, mas porque fez parte do nosso subconsicente durante o período de verão na apresentação do Cacau. É um pequeno exemplo (um extremo) do que QUADRA apresentará em 2019. Será um disco muito orientado e dedicado às pistas de dança e o nosso elogio ao estilo de vida do clubbing. Estamos muito entusiasmados com a nossa futura pista de dança e temos a certeza que será um bom local para se estar!





Sola Rosa - Get It Together (2009)

Get it Together do projeto SOLA ROSA é uma viagem por vibrações, ainda que não óbvias, pelos quatro cantos do mundo, seguindo sempre a linha que lhes é característica. Baseando-se num groove proveniente de variados estilos, é o álbum perfeito para se ouvir em qualquer situação.

[escolha do Sérgio (baixo)]





And So I Watch You From Afar - And So I Watch You From Afar (2009) 

O álbum homónimo dos And So I Watch You From Afar está recheado de riffs habilidosos cheios de malabarismos e ritmos cheios de groove. Transmite-me vibrações de festa com uma característica muito própria. Algo matemático e bastante poderoso ao mesmo tempo. Quando falamos em criação, são a minha maior influência nos riffs que faço para QUADRA.

[escolha do Gonçalo (guitarra)]




Jojo Mayer / Nerve

Num presente musical em que o elemento rítmico dominante da cena mais alternativa é o beat direto presente no garage rock, post-punk, shoegaze e afins o mestre maior da bateria contraria a lacuna de groove que se vive neste ambiente "rock/alternativo" esticando a corda do não convencional e do "tempo". É o meu desbloqueador criativo e o maior influenciador rítmico de QUADRA.

[escolha do Hugo (bateria)]





Linda Martini

A escolha de Linda Martini baseia-se pela forma como souberam crescer e por serem uma banda com personalidade. Têm um som muito característico que souberam manter ao longo dos tempos mas com algumas melhorias. Penso ser um bom exemplo para todos os projectos como nos que estão a começar a crescer. Destaco o álbum Sirumba e a música "Unicórnio de Sta. Engrácia".

[escolha do Sílvio (guitarra)]





Vulfpeck - The Beautifull Game (2016)

Os Vulfpeck são uma banda americana cuja estética assenta principalmente no funk e no soul com variadas influências e fusões. A razão pela qual os escolho para aqui prende-se com a recuperação e renovação destas estéticas de uma forma absolutamente exímia e de execução virtuosa, além da forma como conseguem em algumas composições aparentemente mais clássicas e simples, introduzir elementos experimentais e atuais como efeitos sonoros, paisagens radiofónicas e electrónica; sem nunca perder o feel nostálgico e romântico de outros tempos.

[escolha do Lucas (teclado)]




Entretanto e se quiserem vê-los ao vivo podem aproveitar para passar amanhã (16 de novembro) no Plano B pelas 23h00. As informações adicionais seguem aqui. Para saberem mais sobre os QUADRA aproveitem para os seguir através do Facebook ou pela plataforma Bandcamp, onde podem comprar o seu trabalho.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Filme sobre Adrian Borland dos The Sound é exibido no Porto


Chama-se Walking In The Opposite Direction e é o filme sobre a vida de Adrian Borland, o icónico vocalista da também icónica banda de post-punk The Sound. Este evento exclusivo está marcado para 19 de janeiro de 2019, no Hard Club, contando ainda com a presença de um dos elementos fundadores dos The Sound, o baterista Mike Dudley que no Porto se fará acompanhar pela sua banda tributo In2theSound. Esta iniciativa da exibição do filme e do concerto é agenciada pela promotora At The Rollercoaster.


Walking In The Opposite Direction conta a história de Adrian Borland, com recurso a material de arquivo raro, entrevistas com ex-membros da banda e críticos de música e discussões com seu pai e ex-namoradas. O próprio Adrian Borland conta a sua versão através das músicas tocadas no filme. O álbum de estreia dos The Sound, Jeopardy (1980), é visto por muitos como uma obra-prima, mas a partir do início dos anos 80, o futuro promissor de Adrian Borland mudaria. Walking In The Opposite Direction foi um filme possível através da paixão, dedicação, crowdfunding e venda de antigos instrumetos de Adrian Borland que financiaram o projeto. Além disso, o filme é principalmente o resultado do grande investimento que o diretor Marc Waltman realizou e que é apresentado em Portugal no Porto.


Os bilhetes para este evento único em Portugal estarão à venda a partir da 10h00 da próxima segunda-feira (19 de novembro) na bilheteira online e têm o custo de 20€. Os bilhetes físicos também poderão ser comprados na Piranha, Bunker Store e Hard Club. As informações adicionais podem ser encontradas aqui.


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Fotogaleria: Magusto da Zigur [Maus Hábitos, Porto]


Na passada sexta-feira a Zigur voltou ao Maus Hábitos, desta vez para celebrar o magusto. Foi uma bela noite, que contou com a presença de Burgueses Famintos + Sal GrossoJoão Pais FilipeVive les Cônes e 2JACK4U.

Podem recordar os momentos experienciados nessa noite pela lente do David Madeira na fotogaleria abaixo ou aqui.

Magusto da Zigur [Maus Hábitos, Porto]

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STREAM: Big'n - Knife of Sin [Threshold Premiere]


Big'n are not exactly superstars in the post-hardcore scene, but they still managed to combine the quintessential elements of the genre. With a bittersweet career which started in 1990, they would part ways in 1997 with two full-lengths on their record. Luckily, Todd Johnson decided to get married in 2001, which led the band to consider a reunion, which (presumably) led to the 2011 EP Spare the Horses, a brand new punch-in-the-stomach to show that no hiatus could rust this "semi-well-oiled machines". 

Nonetheless, this comeback was not enough to get them touring again - a couple of dates in 2011 and 2013 was all they could muster. Apparently all hope was lost for Big'n fans until November 16th, 2018 (7 years later their last record, for all of you keeping track), the day that Chicago's very own Big'n release their brand new Knife of Sin, a kick-in-the-chin (a comparable feeling to a punch-in-the-stomach) that few can pack. Sure, we have had a good number of very good post-hardcore releases this year - IDLES, Cloud Nothings, Birds In Row and Rolo Tomassi, to name a few. But we will dare to say that Big'n have catapulted themselves from their 7-year sleep into a rightful place for an excellent year for the genre. 

Along 6 tracks, the quartet hailing from Prison City superimpose Jesus Lizard and Shellac (no surprises there, Knife of Sin was recorded by none other than Steve Albini himself) with no apparent regard for any limiter or amplifier, while also harnessing some of those stop-and-go rhythms from Helmet. The noise rock/post-hardcore group has lost some of its math-y complexity from their earlier days, but their sound is as tight as ever. If you feel like giving your ears a run for their money via (very nicely done) angry shouting and dissonant instrumentals, Knife of Sin is more than adequate and will for sure catch the attention of any traditional post-hardcore fans.

You can now listen to the full album below and pre-order the album here. Enjoy.



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STREAM: ORLA - Mass


ORLA é o primeiro trabalho a solo de João Pedro Amorim (FERE, Memoirs of a Secret Empire). Mass trata-se de uma viagem cíclica e exploratória pelo universo vizinho, de onde se vê a orla daquele em que julgamos estar. Entre o uso ocasional de instrumentos como o trompete e a guitarra eléctrica, os sintetizadores representam o espaço, ao mesmo tempo que o ocupam e a massa aumenta. Já o tempo, por si só não existe, logo a viagem nunca acaba.

Em baixo é possível escutar Mass na sua totalidade, que se encontra disponível no bandcamp.

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