segunda-feira, 25 de junho de 2018

L'Agosto traz Soviet Soviet e muitos mais a Guimarães


A segunda edição do L'Agosto o festival urbano vimaranense que, entre os dias 9 e 11 de agosto, propõe uma viagem musical em torno dos diferentes espectros da música urbana regressa este ano num novo espaço - o jardim do Paço dos Duques - e com um cartaz muito especial que traz o regresso dos italianos Soviet Soviet a Portugal, um ano depois de terem tocado por Lisboa e Porto. A banda de post-punk deverá apresentar em Portugal novos temas do sucessor de Endless (2016).


Além dos Soviet Soviet, o L'Agosto contará ainda PAUS, The Parkinsons, Fogo-Fogo, BrankoImploding Stars, Ghost Hunt e Pedrinho, que atuarão entre os três dias do festival num dos locais mais icónicos da cidade de Guimarães. O festival conta com o apoio da Antena 3 e é organizado pela Câmara Municipal de Guimarães, Elephante MUSIK e Estúdio Lobo Mau

Os bilhetes para a segunda edição do L'Agosto vão estar à venda apenas no festival. O passe para os três dias custa 13€ e o bilhete diário 6€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.


+

O Elétrico revela alinhamento por dias


Com o cartaz já fechado para a primeira edição do festival Elétrico, é agora conhecida a programação por dias do novo evento dedicado ao melhor da música de dança internacional e nacional. Durante os dias 21, 22 e 23 de julho, nomes como Larry Heard aka Mr. Fingers, Nightmares on Wax, Peggy Gou (na foto), Call Super e Delano Smith irão passar pelo parque da Pasteleira, no Porto, para uma edição de luxo com alguns dos nomes mais urgentes da house e do techno

Em baixo, conheçam o alinhamento diário do Elétrico. Os bilhetes diários encontram-se disponíveis ao preço de 25 euros, podendo ser adquiridos via exceed.me





+

Nem tudo é o que parece no novo vídeo dos Postcards From Arkham


Os Postcards From Arkham regressaram no ano passado com o seu novo trabalho Manta, que sucedeu ao surpreendente ÆØN5. De Manta, editado pela MetalGate Records, o grupo checo extrai agora um segundo single, “Owls Not What They Seem”, que vem acompanhado por um vídeo que podem visualizar abaixo. Neste novo vídeo a banda aproveita para homenagear o trabalho do realizador David Lynch, uma óbvia inspiração para este tema através da mitologia construída para a série Twin Peaks. A nível de sonoridade, o tema segue as pisadas do primeiro single do disco, “The Kvlt Ov Dream”, ao fundir elementos de post-rock que relembram os Maybeshewill com influências típicas do black metal, como riffs em tremolo, blast beats e até guturais.


Quanto ao resto do álbum, inspirado pelas obras de H.P. Lovecraft, o grupo presenteia-nos com uma diversidade que surpreenderá quem esperar temas semelhantes aos dois singles, ao deambular por paisagens mais ambiente do espectro do post-rock e até por sons mais tribais (como em “Dunwich Shaman”), e apenas regressando à intensidade inicial no derradeiro tema “Her Cosmic Song”. Em baixo poderão escutar o peculiar Manta na íntegra.

+

domingo, 24 de junho de 2018

[Review] Melody's Echo Chamber - Bon Voyage

melodys-echo-chamber-bon-voyage

Bon Voyage // Domino Recordings // junho de 2018
8.3/10

Com um charme cândido e único, a cantora Melody Prochet lança o seu novo álbum enquanto Melody's Echo Chamber, simplesmente intitulado Bon Voyage. Praticamente seis anos se passaram após o estrondoso álbum homónimo e, após ter lançado um par de singles de forma a anunciar o seu novo registo, a artista foi alvo de um acidente que a fez atrasar as gravações do mesmo e cancelar a tour. Uma vez recuperada, Bon Voyage foi então acabado e lançado em todo o seu esplendor delicodoce e peculiar.


Neste novo capítulo, a artista vai mais além com a sua abordagem à psicadélia, estipulada no primeiro álbum, avolumando-a com mais experimentações espalhadas ao redor de um total de apenas sete faixas que compõem Bon Voyage, e claro está com a voz angelical de Melody sempre presente. O alinhamento começa forte com "Cross My Heart", composto de uma atmosfera mais pastoral que não se coíbe de intercalar com breakbeats a meio da faixa. Por mais estranho que pareça, resulta bem ao ponto de se tornar numa das faixas mais fortes do álbum, além de servir como sinal de que apenas estamos a arranhar a superfície deste disco. A seguir vem "Breathe In, Breathe Out", com uma leve influência no início, que cedo dá lugar a uma musicalidade mais arrebitada, completa com assobiozinhos e coros, sendo uma das faixas mais acessíveis no álbum.



Depois segue "Desert Horse", uma faixa que tem os seus momentos, com leves inspirações do R&B moderno, cortesia do uso alternado entre mais batidas eletrónicas e autotune a meio da psicadélia. "Var Har Du Hart?" é uma cantiga folky engraçada que demonstra o domínio da cantora no que toca à língua sueca, mas no geral, acaba por ter o mesmo impacto de um mero interlúdio. A seguir seguem duas das faixas mais fortes do álbum inteiro, "Quand Les Larmes D'un Ange Font Danser La Neige" e "Visions of Someone Special, On a Wall of Reflections". Ambas as faixas revelam-se bastante coesas e estimulantes, com a sua incrível natureza electro-kraut reminiscente de bandas como Stereolab, que mais fazem por revelar a musicalidade ambiciosa do projeto neste registo. A última faixa "Shirim" tem uma leve brisa do Médio Oriente, e é um tema moderadamente eficaz para encerrar o alinhamento.

Concluindo, pode-se dizer que Melody's Echo Chamber passou o teste do difícil segundo álbum, com o encanto caleidoscópico extravagante e apologista do amor e da vida, a que o registo homónimo nos tinha habituado previamente, intacta. Apesar de alguns dos floreios sonoros tomados a cabo neste álbum poderem chegar a ser encarados como tiros no escuro (ou até mesmo pretensiosismo pegado), Bon Voyage pode também ser encarado como uma aventura que se desenvolve a cada audição. Mas uma coisa é certa: a substancial evolução de Melody Prochet enquanto cantora e songwriter é de louvar no geral, e deixará certamente os fãs na perspetiva acerca do que poderá vir a seguir em termos de futuro do seu brainchild.

+

Alpha Strategy regressam aos discos com The Gurgler


A banda canadiana Alpha Strategy vai regressar este ano aos discos com o seu terceiro longa-duração, The Gurgler, álbum que chega às prateleiras dois anos depois de Drink the Brine, Get Scarce (2016) e que vem quebrar as barreiras entre a música noise-rock e post-hardcore, num disco que os afirma como uma das grandes bandas na cena underground que ainda estão por ser faladas. The Gurgler é claramente um disco da vanguarda para pessoas que querem o som da frente.

Este novo trabalho foi anunciado em maio, com lançamento previsto para agosto, mas segue ainda sem nenhuma música de avanço. The Gurgler é o segundo álbum que a banda gravou com o admirável engenheiro de estúdio Steve Albini nos estúdios da Electical Audio. Podem encontrar todo o trabalho da banda aqui.

The Gurgler tem data de lançamento prevista para 31 de agosto pelo selo Antena Krzyku. Podem fazer pre-order das edições físicas (vinil+CD) aqui.


The Gurgler Tracklist:

01. I Smell Like a Wet Tent 
02. Save Us Neris 
03. Pissed Out the Fire 
04. Parada 
05. The Gargler 
06. To the Woods That I Know 
07. Give Me the Mouth

+

Cartaxo Sessions apresenta: Øresund Space Collective



Centro Cultural do Cartaxo vai receber mais uma Cartaxo Sessions, desta vez com o super grupo escandinavo Øresund Space Collective e os portugueses Talea Jacta

Mais do que uma simples banda, os Øresund Space Collective são um coletivo que reúne músicos de diversos grupos nórdicos como Carpet Knights (SE), Mantric Muse (DK), Bland Bladen (SE), Gas Giant (DK), Hooffoot (SE), First Band From Outer Space (SE), Siena Root (SE), My Brother the Wind (SE), The Univerzals (DK), entre outras bandas. Juntos já tocaram em conceituados festivais como RoadburnFreak Valley Festival, Psycho Las Vegas e até no nosso extinto Reverence Valada.

Este coletivo soma mais de 20 álbuns em estúdio e 4 álbuns de gravações ao vivo. O seu álbum mais recente chama-se Visions Of e foi lançado em 2016.




O conjunto encarregue de abrir a noite é Talea Jacta, duo do porto composto pelo guitarrista Pedro Pestana (10000 Russos, Tren Go!Soundsystem) e pelo baterista João Pais Filipe (HHY & The Makumbas, Sektor 304, Mecanosphére, Montanha Magnética, Paisel). O grupo foi formado em 2016 através de um convite da Favela Discos para um concerto improvisado. Desde aí lançaram o EP i, disponibilizado recentemente no Bandcamp da banda, tendo ainda passado pelo Zigurfest em 2017.


O evento irá decorrer no dia 30 de junho, com início marcado para as 22h30 e os bilhetes custam 10€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.


+

sábado, 23 de junho de 2018

Zanibar Aliens e Solar Corona em Torres Vedras


Os portugueses Zanibar Aliens e Solar Corona vão a Torres Vedras no próximo dia 7 de julho, para um concerto na Bang Venue. Os primeiros irão apresentar músicas antigas e músicas novas, como "I am the USA" e "As Long As I Get To See You", enquanto que os segundos vão levar uma dose de rock instrumental que também tiveram a oportunidade de tocar no NOS Primavera Sound

Os bilhetes estão à venda por 7€, mas o custo sobe para 10€ à porta.

+

Psych Out: o rock psicadélico engole o A.C. Mercado Negro


Na senda dos concertos produzidos entre a Tago Mago e a Covil, o A.C. Mercado Negro volta a receber uma noite de rock com a pestana aberta ao 'underground'. Em noite de S. João, Aveiro troca as sardinhas pelos riffs que os Kyuss nos ensinaram, com a estreia dos Fuzzil na cidade dos canais. Na estrada a apresentar o seu 2º EP, a banda de Alcobaça chega a Aveiro numa 'vibe' assumidamente 'stoner' com traços de 'desert-rock' e psicadelia ali pelo meio. 


Um concerto potente, equilibrado pela estreia dos Razzmatazz. Invocando o nome da mítica sala de concertos de Barcelona, o quinteto de Águeda estreia-se na capital de distrito depois de lançar um EP que deve ser dos segredos mais bem guardados da Beira Litoral. Numa onda que navega entre as cordas de Carlos Santana e o psicadelismo europeu (Colour Haze ou Causa Sui), os Razzmatazz apresentam uma viagem instrumental bastante versátil sem deixar de ter o rock como base. 



Uma noite de descobertas, em dia de São João. Os bilhetes têm um preço de 6€ à porta. Todas as informações podem ser encontradas aqui.


+

sexta-feira, 22 de junho de 2018

STREAM: Lumerians - Call Of The Void


Nos seus doze anos de carreira os Lumerians tornaram-se uma força prodigiosa nos reinos extra-terrestres da música rock experimental. Desde sua formação em São Francisco em 2006, a banda percorreu vários géneros diferentes - oferecendo aventuras alucinantes desde o space-rock, kraut, noise, zamrock, free jazz, drone e dub. A partir de uma gama de influências, tanto familiares quanto esotéricas, do passado e do presente, os Lumerians evocam sons de longe no futuro. Agora a banda da Califórnia regressa com o novo Call Of The Void, disco eclético e multifacetado que volta a mostrar a sua diversidade na exploração de diversas paisagen sonoras. 

Nas palavras do vocalista Jason Miller "Call of the Void é uma exploração penetrante da Terra através de um olhar alienígena e nativo - o peso da gravidade, a acumulação de poluição e sedimentos, experiências de folia extática e tragédia." Do disco já tinham anteriormente sido divugados os temas "Silver Trash" e "Space Curse". Recomendam-se ainda a audição de temas como  "Masters Call" e "Clock Spell".

Call Of The Void é editado esta sexta-feira pelo selo Fuzz Club Records.


+

Deer - "Alive" (video) [Threshold Premiere]


Deer continue to promote their latest EP, Portraits, and today they are releasing a new music video for the single "Alive" that is a story about how alive one can really feel. Through the synthesizers of Miguel Bastida and the chameleon voice of Adriana Falcón - that starts with a really melancholic and also cute beginning, then suddenly it becomes really powerful - Deer question us about thematics such as suicide, depression and the constant circle of thoughts about existence itself. The director Holly James wonders "Can an inanimate object, such as a rock, feel alive?" through the video for "Alive", which can now be seen below. 

The sound of Portraits glides from nostalgic to dramatic moments, all dressed with the strident electronic layers and the glimpse of string sections. The record is a series of imaginary stories that emerge from the Mexican duo experience as Hong Kong residents. 

Portraits was released on March 9th, in self-release format and you can stream/buy the album here.


+

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Motorama anunciam novo álbum, Many Nights


Os Motorama vão regressar aos discos em setembro com o sucessor de Dialogues (2016), disco que terá o nome de Many Nights e que segue, para já, sem nenhum tema de avanço. O anúncio foi dado pela banda através de um post na sua página de Facebook onde se encontra divulgado o teaser do novo disco com filmagens dos elementos da banda  ora em paisagens colossalmente belas da natureza ora em viagens aborrecidas em meio urbano, ora em estúdio. Por trás, uma música minimalista ainda com pouco por dizer sobre o que se esperar deste novo registo.

Desde o seu primeiro EP autoproduzido Horse (2008) os russos Motorama têm construído a sua própria maneira melodiosa de produzir músicas com as texturas do post-punk, mas foi a partir de Alps (2010) que a banda alcançou renome internacional com temas como "Wind In Her Hair", "Empty Bed"  ou "One Moment" a tornarem-se hits de carreira. Seguiu-se Calendar (2012), o primeiro disco dos Motorama a ser lançado por uma editora e, mais tarde, Poverty (2015) e Dialogues (2016) que os trouxeram inúmeras vezes a Portugal.

Many Nights tem data de lançamento prevista para 21 de setembro pelo selo Talitres Records.


+

Reportagem: Conan Osiris [Maus Hábitos, Porto]


Faltavam poucos dias para o iniciar de 2018 quando Conan Osiris surpreendeu tudo e todos com uma receita inesperada de pastelaria. Adoro Bolos, o terceiro álbum do músico e produtor lisboeta pela AVNL Records, tornou-se no disco mais badalado e infame dos últimos meses, dividindo crítica e público num debate interminável sobre a legitimidade ou não de um disco que soa tão alienígena como familiar. Desde então multiplicam-se as entrevistas, concertos e performances em canais televisivos. 

O autor de “Borrego” marcou a sua estreia na Invicta no dia 14 de junho, quinta-feira, no quarto andar mais famoso da cidade. Foi com o supracitado tema que Osiris iniciou a noite, antecedido apenas por um breve momento a capella ao estilo de “Beija-Flor”. A partir daí o concerto desenrolaria pelos restantes temas que marcam o intrigante Adoro Bolos (de fora ficou apenas “Obrigado”). O ambiente era claramente festivo, com um público em êxtase para receber um dos fenómenos mais urgentes que a música portuguesa assistiu nos últimos tempos. “Eu não vos mereço” dizia o músico lisboeta, surpreso pela recepção calorosa com que foi recebido nesta segunda atuação exclusivamente sua (a primeira decorreu em maio, no Theatro Circo, até lá tinha aberto para outros artistas como Linn da Quebrada). Ao lado de João Reis Moreira, que o acompanhou com os seus paços de dança sui generis, Conan Osiris explorou o lado risível e descomprometido dos temas do seu mais recente disco, equilibrando-os com a melancolia e comoção de “Barcos (Barcos)” e “Ein Engel”, que tem vindo a receber um tratamento mais angelical e lunar nas suas últimas performances. 




A restante discografia de Conan Osiris não escaparia ao alinhamento da noite, com “Coruja” e “1ovni” a representarem os únicos temas de Música, Normal, que ouviríamos durante a noite. A recepção foi, mais uma vez, calorosa, com boa parte da plateia a acompanhar os temas de uma ponta à outra. A segunda, pelo seu instrumental caótico e efusivo, transportou-nos para a euforia de uma noite de verão bem passada ao volante de um carrinho de choque. O ritmo frenético aumentaria com a chegada das icónicas “Celulitite” e da faixa que dá título ao seu mais recente disco, culminando o alinhamento com “59 Estrelas”, tema de Sreya e do seu álbum Emocional, produzido pelo próprio Osiris. Instrumental pujante e lírica descomprometida remetem-nos para as imagens de um teledisco dos Santamaria, ou de um João Baião hiperativo no saudoso 'Big Show Sic'. Por fim, pedia-se o regresso de Conan Osiris para o tão aguardado momento que foi “Amália”, 90 segundos de puro deleite e tristeza em homenagem à figura que melhor soube cantar o choro e a o fado português. 



Numa noite onde o riso e o choro coabitaram em união, sobressaiu acima de tudo o amor nutrido por um culto em ascensão. Alguns apontam a sua música como inovadora, alienígena ou produto do futuro, mas o seu trabalho é, na verdade, um reflexo do presente. Viver cada dia como se não existisse amanhã é um dos seus lemas, onde o trágico e o apocalipse são uma constante. A sua música é para ser sentida, e foi isso mesmo que pudemos comprovar nesta noite memorável de junho. 


Conan Osiris [Maus Hábitos, Porto]

+