sábado, 18 de novembro de 2017

Carmina Festana arrasa GrETUA com música poliamorosa


O Carmina Festana - um ciclo de música poliamorosa baseado na dama artisticamente (des)comprometida, sem estigmas de género nem complexos tradicionalistas, a Cármen - promete marcar a noite aveirense no último dia do mês (quinta-feira, 30 de novembro), para tomar de assalto todos os espectadores com três bandas e ainda DJ sets noite fora. A Cármen deita-se com as bandas onde a onda psychedelic toca o punk, o acid-techno e o math-rock num encontro apaixonante de toada underground.

Esta festança poliamorosa (quem sabe uma boa oportunidade para conhecer o tão aguardado amor da vida) contará assim com a banda sonora proporcionada por MendirattaP A L M I E R S e Cruelist, tudo novas bandas nacionais a prometer dar que falar. E ainda a fechar a noite em grande, os DJ's D/F/S e Lynce,

O evento é organizado pela Tago Mago em parceria com o GrETUA e os bilhetes podem ser adquiridos por 5€ em pré-reserva. No dia, à porta custa, 6€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.



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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Killimanjaro e Stone Dead tocam clássicos do punk em dois concertos

As bandas portuguesas Killimanjaro e Stone Dead vão celebrar 40 anos de punk em dois concertos organizados pela Lovers & Lollypops e Antena 3. Ao longo do ano, a Antena 3 recupera As Canções do Punk, que englobam clássicos internacionais como Sex Pistols, The Clash, Stooges e Ramones e nomes portugueses como Tédio Boys e Censurados.

Tudo isto se poderá ouvir ao vivo dia 14 de dezembro no Hard Club (Porto) e dia 21 no Musicbox Lisboa. Os bilhetes para cada evento custam 8€ e já podem ser comprados.

Enquanto não chega a altura de ouvirmos os clássicos do punk, pode-se ouvir aqui um clássico do metal, "Ace of Spades", tocado pelos Killimanjaro. Cá em baixo está o mais recente vídeo dos Stone Dead:

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GOLD em Portugal


A banda de post-everything holandesa GOLD vai passar por Portugal já no póximo mês de dezembro para dois concertos em território nacional para apresentar o seu mais recente e bastante aclamado longa-duração Optimist, editado em janeiro deste ano. A banda tem sido consistente com os trabalhos produzidos inseridos sempre na cena dark e com uma abordagem inconformista, sendo uma oportunidade a não perder. Os concertos acontecem a 1 de dezembro no Cave 45, Porto, e no dia seguinte, 2 de dezembro em Lisboa, integrado no Under The Doom Festival.


O concerto do Porto contará com a abertura de Soul Of  Anubis e tem início previsto para as 22h00 com as entradas a valerem 8€. Todas as informações adicionais aqui. Já o concerto de Lisboa acontece no último dia do festival Under The Doom Festival e os bilhetes estão disponíveis em pré-venda, pelo preço de 30€. Todas as informações adicionais aqui.

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The Fall cancelam concerto no Porto


A At The Rollercoaster acabou de comunicar que o concerto único dos britânicos The Fall em território nacional, marcado para este sábado dia 18 de novembro foi cancelado, por motivos de saúde do vocalista Mark E. Smith. Uma péssima notícia para todos os que já haviam adquirido o bilhete, no evento do Facebook pode-se ler: 

"É com enorme tristeza que comunicamos a todos os fãs dos The Fall que devido a problemas de saúde de Mark E. Smith o concerto do Porto a realizar amanhã, dia 18 de Novembro no Hard Club foi cancelado (ver comunicado da banda infra).At the Rollercoaster lamenta a situação, (até porque este concerto estava quase esgotado) da qual não tem qualquer responsabilidade. Tanto a agência, Primary Talent International como o management da banda já nos informaram que será garantida nova data, possivelmente no primeiro trimestre de 2018.O bilhete previamente adquirido manter-se-à válido para a nova data a anunciar brevemente. No entanto, todos aqueles que tenham adquirido bilhete e desejarem o reembolso do valor, poderão deslocar-se ao local onde foi adquirido a partir da próxima 3ª feira, dia 21 de Novembro e até 30 dias após esta comunicação."


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Reportagem: Jarboe + Father Murphy [ZDB]; The Bug + Dylan Carlson [Musicbox]

 O SILÊNCIO COMO CONSEQUÊNCIA



Conclusão. Intervalo. Conclusão. Em cada um dos momentos - silêncio, silêncio, silêncio. O vale, a praia e o horizonte, a floresta e os recantos são os lugares do eu. Aí nos encontramos, nos confrontamos, nos atormentamos. Olhamos ao espelho não o reflexo, mas a imagem que projectamos, em que nos projectamos, a que gostaríamos de construir e com o qual nos identificaremos numa suspensão eterna do presente. Mais estranho, estranho entre os que nos flagelam por sermos estranhos, aqueles que no silêncio dos concertos integram ritual, comungam da libertação. A ZDB e o Musicbox como espaços de peregrinação, as Quinta-feiras como os novos dias de culto. Jarboe + Father Murphy na sala da Rua da Barroca, Dylan Carlson + The Bug, uma semana depois no Cais do Sodré.

Jamais exercício comparativo, antes uma tentativa para compreender como o silêncio é matriz estruturante em cada um dos concertos, mesmo que à primeira vista não se assuma como tal. Silêncio como matéria individual, silêncio como nó de ligação colectivo. De um lado a disposição da sala com cadeiras, do outro a quantidade de ampegs e subwoofers encostados ao palco. As palavras prensadas e ritmadas, as palavras como o valor da consciência. O drone, o doom de uma corda puxada à exaustão ou o som atirado em forma de sobressalto. A suspensão, a inexistência de aplausos entre "Truth or Consequences" e "The Ferryman" (temas do 10'' editado pela Consouling Sounds), com que Jarboe e Father Murphy abriram o concerto ou mandar calar dois elementos do público que teimavam em usurpar o bem comum já no final da actuação de Dylan Carlson + The Bug.


Nenhum como estreia. Relendo um dos posts de Carlos Matos, mentor da Fade In entre outras tantas andanças - "Fez ontem 12 anos que a norte-americana Jarboe, a ex-voz feminina dos Swans, actuou em Leiria, em mais um dos episódios do FadeInFestival. Foi um concerto visceral, de toada ritualística, proporcionado por um quinteto onde, entre outros, constavam dois bateristas e a baixista Paz Lenchantin (A Perfect Circle, Pixies, etc), que levou o público que enchia o Teatro Miguel Franco ao rubro! (...) Os espectáculos deste ano serão bastante diferentes do de 2005 mas não serão menos imperdíveis. É que a acompanhar esta "deusa maldita" estão os intensos experimentalistas italianos Father Murphy, eles que também atuaram em Leiria, num dos episódios do FadeInFestival 2012". Father Murphy que em 2014 tinham estado na ZDB, concerto anunciado como surpresa, para meia dúzia de curiosos que preferiram não entrar em debandada após a actuação de Scott Kelly. Desta feita a banda italiana a abrir, num regime mais contido, não por isso menos denso, num coro de expiação, esconjurar pecados passados e os que se adivinham, em que o diálogo intermitente entre cordas, precurssão e sintetizadores anunciam noite escura ao mesmo tempo que pressagiam nova descarga emocional com Jarboe. Intervalo curto e entrada sem interpelações. Silêncio antes e depois de "Truth or Consequences", para no terceiro tema nos brindar com um original dos Swans ("Blood on Your Hands"). "And you spoke a word, no one heard, and from the darkness came the light" sempre como lembrança. Da escuridão a luz, do silêncio a voz que queremos ouvir. Registo compassado, de métrica bem definida, ritual determinado. O tempo certo. Um tempo sem excesso, sem atrevimento de encore, se bem que pedido. A um livro não se acrescenta página, a um concerto não se acrescenta o supérfluo. Com "Indemnity", "Overthrown" e "Alchemic V" fechava-se o capítulo.


E de regressos. The Bug, que já tinha actuado por duas vezes no Milhões em Festa, em 2015, e com Miss Red em 2016, e Dylan Carlson, agora sem os Earth, visita recente ao Musicbox. Na bagagem com Concrete Desert (Ninja Tune, 2017), ensaio em torno das distopias urbanas de J.G. Ballard. Temperos negros, sonoridades no limite do audível mas a dispensar os earplugs. A jarda tem de estar próxima, tem de ser sentida na sua plenitude. Sem demonstrações visuais que nos distraiam do que é o essencial, nota massacrada, arrastada, atirada à cara com luva preta, que não há ideal de beleza, o futuro é negro e eles sabem-no. Eles e nós sabêmo-lo, uma sala petrificada, imóvel em hipnose para ritual sacrificial. Sem falas, apenas acenos de cabeça para uma plateia que os escuta em meditação reverencial. Um pouco mais de meia sala diga-se, que Lisboa tem destes mistérios insondáveis e a necessitar de análise mais profunda. "City of Fallen Angels", "American Dream" ou "Other Side of the World" como diferentes quadros de um mesmo universo, de um Goya na sua fase mais negra. Sem encore também eles, que a obra está completa.

O silêncio ou uma oração muda, pelos que partem, por anseios não concretizados, um requiem pelos vivos que somos nós a necessitar de bálsamo, a voltar a crer. Um silêncio único na materialização de uma esperança que tarda.


Texto: João Castro
Fotografia: Nuno Martins (Jarboe + Father Murphy)
Ana Viotti (Dylan Carlson + The Bug) 

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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

[Review] Godspeed You! Black Emperor - Luciferian Towers


Luciferian Towers // Constellation Records // setembro de 2017
8.0/10

Formados em 1994 e oriundos de Montreal, no Canadá, os Godspeed You! Black Emperor (GY!BE) são sem sombra de dúvidas um dos titãs dentro do género do post-rock instrumental desde o lançamento de F♯A♯∞ em 1998, enveredando por uma vertente mais experimental e com claras influências de géneros como drone e ambiente. Após um período de hibernação entre 2002 e 2008, onde os seus membros se focaram em outros projectos (como os Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra), os GY!BE presentearam-nos em 2012 com Allelujah! Don't Bend! Ascend!, disco bem recebido pela crítica e fãs, e que lhes valeu o prestigiante Polaris Music Prize de 2013. Em 2015 chegou o seu sucessor, Asunder, Sweet and Other Distress, primeiro disco com temas inteiramente compostos pós-hiatus, e onde se evidencia uma mudança nas sonoridades exploradas, ao haver um certo distanciamento das composições épicas em crescendo - típicas do post-rock - e um maior ênfase a ser dado às secções drone.

Com Luciferian Towers, a mensagem de crítica política e social que as composições de Efrim Menuck e companhia tentaram sempre transmitir (o EP Slow Riot for New Zerø Kanada trazia instruções de como fabricar um cocktail molotov) continua bem patente, como demonstrado pelo manifesto publicado pela banda aquando do anúncio do seu lançamento. Ainda assim, estes novos temas mostram-nos uns GY!BE com menos revolta e até com algum optimismo.

O disco inicia-se com "Undoing a Luciferian Towers", sendo esta parte de uma peça mais longa quando tocada ao vivo nas suas tours mais recentes, tal como "Fam/Famine". Tema curto para aquilo a que os GY!BE já nos têm habituado e que serve como uma belíssima introdução à sonoridade a ser explorada durante os cerca de 44 minutos do disco, destacando-se a sua estrutura quase free jazz. Segue-se "Bosses Hang", com quase 15 minutos e composta por três partes, e talvez a peça mais forte de todo o material pós-hiatus dos GY!BE. Conhecida anteriormente por "Buildings", temos desde início uma grande harmonia entre todos os instrumentos e com principal destaque para o belíssimo violino de Sophie Trudeau. A tensão continua a progredir de forma notável ao longo das suas três partes com o revisitar de temas explorados nos seus minutos iniciais, e que nos levam a imaginar uma sociedade em colapso, e que culminam numa catarse apoteótica.

Em "Fam/Famine" temos uma peça mais transitória e que acaba por servir bem o seu propósito. Com quase sete minutos, o grupo canadiano consegue novamente explorar vertentes mais drone para criar uma densa parede de som que preenche o espaço de forma coesa sem nunca se sentir falta de conteúdo, algo que nunca chegou a ser concretizado de forma invejável nas secções de transição em Asunder, Sweet and Other Distress


Para terminar, "Anthem For No State" é uma versão mais condensada da anteriormente tocada "Railroads", e é outros dos pontos fortes do álbum, particularmente devido à guitarra com uma sonoridade spaghetti western e ao clímax muito bem trabalhado. Ainda assim, recomenda-se a audição da versão tocada ao vivo através de bootlegs de anos recentes pois a remoção da secção introdutória ambiente e de algumas passagens centrais tornam a peça menos coesa e levam a uma passagem algo abrupta a partir de "Fam/Famine". Importante também referir, e tendo "Anthem For No State" como um belíssimo exemplo, que o uso de gravações ambiente que tanto caracterizavam os primeiros trabalhos do grupo (usadas pela última vez em Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven) poderiam sem dúvida trazer uma maior fluidez aos trabalhos desta nova fase dos GY!BE.

Em suma, Luciferian Towers pode não ser uma obra-prima mas é um retorno à forma depois do algo desapontante Asunder, Sweet and Other Distress e uma boa adição à discografia dos GY!BE, que demonstram que ainda têm algo de relevante a acrescentar ao panorama actual do post-rock.



Texto por: João Barata

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Reportagem: RAKTA [Mercado Negro, Aveiro]


As brasileiras RAKTA passaram ontem  (quarta-feira, 15 de novembro) pela Associação Cultural Mercado Negro, em Aveiro, para um concerto que foi uma injeção de fuzz, distorção e ruído numa sala quase imune de luz. As RAKTA querem-se na escuridão, e da escuridão nasce também o seu mais recente disco Oculto Pelos Seres que serviu de apresentação ao primeiro dos quatro concertos agendados em território nacional. 

Previsto para as 22h00 as RAKTA subiram a palco pelas 22h35, para uma casa quase cheia de público e de vontade para ouvir música. A abrir com uma introdução curiosa, três silhuetas femininas em palco e uma atitude muito rock, as RAKTA começaram a levantar os primeiros ânimos com "Raiz Forte", um dos grandes hits do longa-duração III, que também serviu para baixar ainda mais a luminosidade presente sala. Do mesmo disco ouviu-se ainda "Filhas do Fogo". 

RAKTA

Apesar dos decíbeis extremamente baixos do microfone, comparativamente à poderosa presença dos sintetizadores e bateria, o concerto das RAKTA foi pura distorção e muito noise-rock à volta das sonoridades post-punk e psychedelic-rock, como aliás já se esperava pelos discos editados.  Mesmo com o espaço apertado em palco, a teclista Paula Rebellato e baixista Carla Boregas juntaram-se no centro do palco para acompanharem a baterista Nathalia Viccari na percussão e deixar uma marca nos tímpanos de todos os presentes. 

Assim em resumo, RAKTA foi interessante mas ainda assim soube a pouco. Os cerca de 35 minutos que usaram na sua atuação foram intensos, mas não duraram para além do cenário pré-programado, mesmo apesar dos continuados pedidos do público para tal, após o concerto findar. Um shot de música ao vivo.

RAKTA [Mercado Negro, Aveiro]

Fotogaleria completa aqui.

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: David Madeira

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Já podemos pôr a vista no novo álbum de Gonçalo

© Alexandre Fernandes 
Gonçalo, o baixista dos portugueses Long Way To Alaska, editou digitalmente na passada segunda-feira o seu disco de estreia Boavista, sucedendo a Quim, o EP de estreia do músico natural de Braga lançado em 2014 pela Lovers & Lollypops.

Boavista tem lançamento físico agendado para dia 17 de Novembro, também pelo selo da Lovers & Lollypops, e foi gravado e produzido por Gonçalo e João Moreira. Conta a participação de André Simão (La La La Ressonance), Filipe Azevedo (Sensible Soccers), João Moreira, João Pereira (Guilty Ones), Jorge Queijo (Torto), Pedro Oliveira (peixe : avião)  Sérgio Alves (Marta Ren).

Boavista surge como a tentativa de Gonçalo mudar o mundo, com graciosidade. É uma panóplia de recordações, de emoções vívidas e coloridas, boas e as más sensações do quotidiano. É a constante mutação e a prova de que devemos experimentar ser tudo para realmente ser algo. O melhor é mesmo ouvirem por vocês mesmos Boavista, já aqui em baixo.













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La Jovenc - "Heaven's Grace" (video) [Threshold Premiere]


Giovanni Dal Monte, mentor do projeto La Jovenc, lançou no passado dia 20 de outubro  o seu mais recente disco de estúdio Mater que de uma forma geral consiste na trasncrição de partituras midi da música renascentista através de um processo semelhante à serigrafia de Andy Warhol no campo das artes visuais. Para os referidos efeitos Giovanni recorre a sintetizadores, atribuindo-lhes pontuações que reescrevem a música de forma incomum e efetiva, mantendo e transformando a carga emocional.

Agora, em continuação da promoção do disco, La Jovenc edita o novo vídeo para "Heaven's Grace", a terceira faixa retirada do longa-duração, que traz o trabalho assinado pelo artista canadiano Bruce La Bruce. No vídeo um demónio entra num cemitério e oprime aqueles que lembram os seus mortos. Aparece um anjo e começa a lutar contra o demónio: primeiro eles caçam-se, posteriormente reconciliam-se e amam-se um ao outro. O vídeo pode ser visto abaixo.


Mater foi editado oficialmente a 20 de outubro pelos selos SonicBotanica / Atmosphere Records.

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Queens of the Stone Age confirmados no NOS Alive

qotsa-nos-alive-18

Os Queens of the Stone Age estão de regresso ao nosso país para atuarem no dia 13 de julho do NOS Alive, fazendo companhia aos The National. A banda de Josh Homme e companhia vem apresentar o seu novo álbum de estúdio, Villains, editado em agosto. 

A última vez que a banda americana passou pelo nosso país foi na edição de 2014 do Rock in Rio. Fiquem com uma das malhas que os QOTSA têm obrigatoriamente de tocar no dia 13 de julho.



A edição de 2018 do NOS Alive decorre no já habitual Passeio Marítimo de Algés nos dias 12, 13 e 14 de julho. Os bilhetes já encontram à venda nos locais habituais. O bilhete diário tem o custo de 65€ enquanto o passe geral custa 149€.

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Este sábado há The Fall no Porto. Podendo é ir


Os britânicos The Fall estão de regresso a Portugal em data única para aquele que será provavelmente o último concerto da banda em território nacional. Com 41 anos de carreira na bagagem, uma discografia tamanha e apresentando-se como um dos grupos mais prolíficos e duradouros da geração post-punk dos anos 70/80, os The Fall tocarão ao vivo o mais recente disco New Facts Emerge, que chegou às prateleiras em julho, bem como os temas dos mais recentes discos. O concerto está agendado para o próximo sábado, dia 18 de novembro na sala 2 do Hard Club, Porto.


Os portugueses 10 000 Russos são os responsáveis pela abertura do concerto e trazem na mala o seu segundo longa duração, Distress Distress, editado também este ano pela londrina Fuzz Club Records. Os bilhetes custam 22€ e podem ser adquiridos no Hard Club, Piranha e Bunkerstore. As portas abrem às 21h00. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui. Podendo é ir.



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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Festival Para Gente Sentada: A antevisão


O Festival Para Gente Sentada regressa já amanhã para a sua 13ª edição com um cartaz de luxo. Realizado inicialmente em Santa Maria da Feira, o Festival Para Gente Sentada destacou-se desde cedo pela aposta forte na música de cantautor, levando ao cineteatro António Lamoso nomes consagrados como Devandra Banhart (que viria posteriormente a dedicar uma música à cidade), Sufjan Stevens, Sparklehorse, Bill Callahan e Tindersticks, num evento que prezou sempre pelo conforto e intimidade. Em 2015, o evento mudou de casa e passou a realizar-se em Braga, mantendo uma dinâmica cultural semelhante e fora dos grandes centros urbanos. Nomes como Mercury Rev, José González, B Fachada e Mallu Magalhães foram alguns dos nomes que integraram esta nova fase de um festival cada vez mais consolidado e com um público fiel. Este ano, Braga volta a ser palco de alguns dos melhores artistas nacionais e internacionais, realizando-se novamente no grande auditório do belíssimo Theatro Circo e na Blackbox do gnration, não esquecendo o público bracarense com atuações gratuitas em espaços públicos da cidade.   

Os grandes destaques desta edição vão para Perfume Genius e Julien Baker, que assumem aqui o estatuto de cabeças de cartaz com duas atuações que se preveem marcantes. Embora díspares musicalmente, tanto Perfume Genius como Julien Baker abordam nas suas frágeis e despidas canções temáticas semelhantes, debatendo-se ambos com problemáticas LGBT e queer e as suas relações emocionais e amorosas no quotidiano. Perfume Genius é o projeto de Mike Hadreas, excêntrico songwriter que ao longo desta década tem vindo a adquirir um culto importante com uma consistente e inovadora discografia. Na sua passagem por Braga, Perfume Genius apresenta-nos o excelente quarto álbum No Shape, disco que conta com a participação de Weyes Blood e onde podemos encontrar a eufórica “Slip Away”, um épico barroco que transpira liberdade e orgulho e que se assume como tema central desta nova aventura do artista americano.


Julien Baker, por outro lado, opta por um confronto mais sereno e intimo que o anterior. Geralmente acompanhada apenas por um piano e uma guitarra, assistimos nas suas canções a um debate emocional entre as convicções cristãs e queer com as origens da cantautora. Na sua segunda atuação em Portugal, Baker apresenta-nos Turn Out The Lights, o segundo disco da cantautora americana que aos 22 anos nos traz uma obra carregada de emoção e sofrimento, composto por 11 belíssimos temas onde a dicotomia entre o bem e o mal, os anjos e os demónios e os fantasmas de Baker sobressaem e dão lugar a algumas das canções mais viscerais e íntimas do presente ano.


A música portuguesa também estará em grande plano no Theatro Circo com as atuações de Noiserv, o projeto do multi-instrumentalista David Santos que se apresentará pela segunda vez no festival com o mais recente disco 00:00:00:00, e ainda os Capitão Fausto que irão apresentar em formato filme-concerto Pontas Soltas, um documentário realizado por Ricardo Oliveira que demonstra o processo e a produção do disco Capitão Fausto Têm os Dias Contados.



No gnration recebemos a vertente mais híbrida do festival, albergando no mesmo espaço estilos que vão do formato mais acústico até à ao lado mais electrónico da música de dança. No primeiro dia os post rockers First Breath After Coma apresentam Drift, o segundo longa-duração dos leirienses editado pela Omnichord Records em 2016 que lhes valeu uma nomeação para melhor álbum do ano pela IMPALA, seguindo-se o coletivo Holy Nothing para terminar a noite com a sua electrónica efusiva e dinâmica. No segundo dia o gnration recebe as canções doces e delicadas de Luís Severo, que desde que despiu a máscara de O Cão da Morte nos apresentou discos como Cara d'Anjo e o mais recente homónimo, ambos dotados de uma lírica simples mas invejável, repleto de canções frágeis e emotivas. A noite (e o festival) encerra com a house festiva de Moullinex, o projeto de Luís Clara Gomes que editou este ano o terceiro longa-duração Hypersex, via Discotexas.



Para abrir o festival, e porque o público bracarense não é esquecido, os dias iniciam com concertos de acesso gratuito em espaços públicos da cidade. Para isso, o Festival Para Gente Sentada traz a Braga a prata da casa, com os bracarenses Ermo e Máquina del Amor. Os primeiros são o duo composto por António Costa e Bernardo Barbosa, que com apenas dois discos e alguns ep’s possuem já um peso inegável na música portuguesa. Despidos de rótulos e convenções, a música dos Ermo é única e instável, já que o grupo procura sempre evoluir e explorar novos campos musicais. Lo Fi Moda é o mais recente registo discográfico do duo e um dos melhores de 2017, onde as noções de identidade e humanidade são postas de lado gerando um organismo alienígena e eclético extremamente viciante. Os Máquina del Amor são o supergrupo bracarense que junta membros dos Smix Smox Smux e peixe:avião, que em 2017 regressou às edições com Disco.
   
Os bilhetes para o Festival Para Gente Sentada encontram-se disponíveis em bol.pt, locais habituais (Fnac, Worten, CTT...) e na bilheteira do Theatro Circo. O bilhete diário pode ser adquirido ao preço de 20€ e o bilhete para os dois dias por 30€.

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