quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Reportagem: NOS Club [Casa da Música - Porto]


No dia 20 teve lugar mais uma edição do NOS Club. Esta ocorreu na Casa da Música e contou com concertos de Bombino, Underground Spiritual Band, Matt Elliott e The Legendary Tigerman.

Na Sala Suggia decorreram os concertos de Bombino e Underground Spiritual Band, enquanto na Sala 2 actuaram Matt Elliott e The Legendary Tigerman. 
O músico inglês foi o primeiro a entrar em palco. 



Acompanhado de uma guitarra acústica, alguns pedais e uma flauta, Matt Elliott começou o concerto com as longas e atmosféricas "Zugzwang" e "The Kursk", dando uso aos pedais, criando loops e outros efeitos que contribuíam para a atmosfera melancólica destas duas canções. Para animar o ambiente, seguiu-se uma versão de "Misirlou", canção grega dos anos 20 que se tornou mundialmente famosa em 1965, devido à versão surf rock realizada por Dick Dale
Como ainda tinha alguns minutos disponíveis, Matt Elliott acabou o concerto com um cover de "From Russia With Love", da banda sonora do filme de James Bond com o mesmo nome
Foi um concerto bastante bom e bem recebido pelo público.



Apesar de tudo, o concerto mais aguardado pela maior parte das pessoas era claramente o de Paulo Furtado AKA The Legendary Tigerman. O músico pôs o público ao rubro, com uma setlist de 19 ou 20 canções, a contar com o encore. O foco foi o seu mais recente álbum, True
Tanto sozinho em palco, como com a ajuda de Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone, Tigerman deu tudo num concerto que pareceu satisfazer os seus maiores fãs mas que, na minha opinião, foi repetitivo e, em várias alturas, aborrecido.  
A setlist continha algumas músicas interessantes que, infelizmente, constituíam a parte menor da mesma. Os blues de Paulo Furtado tornaram-se rapidamente repetitivos e, após o concerto de Matt Elliott, souberam a pouco.



Bombino, o virtuoso guitarrista do Niger, regressou a Portugal depois da sua passagem por Paredes de Coura o ano passado — data na qual veio apresentar o seu então novo LP Nomad
Além da sua data no Porto, Bombino esteve também no dia anterior em Lisboa, no B.Leza
Mas falemos daquilo que presenciámos na Casa da Música.


Antes de mais, dissertemos um pouco sobre a personagem:

Omar “Bombino” Moctar é um tuareg que, desde tenra idade — e provavelmente para distanciar a sua mente dos horrores da guerra e do exílio — é um músico auto-didata. Tendo crescido no seio de uma conjuntura complicado (e talvez por causa disso) Bombino é um músico focado no activismo geopolítico. Ele procura preservar a herança do seu povo e dos seus costumes. 
Muitos falam dele como sendo um homem voltado para a educação das novas gerações, uma nova voz do Saara.
E foi, de facto, para os jovens que Bombino se dirigiu maioritariamente na Casa da Música. 
A plateia era composta maioritariamente por gente nova e, desde os primeiros acordes foram enfeitiçados pela sua guitarra frenética e pelas repetições sonoras enérgicas que saiam de todos os instrumentos da banda. 




Entre cordas partidas e problemas na percussão, o espectáculo por nada parou.
Muito pelo contrário, foi crescendo em êxtase e os ânimos (esses, ao rubro) exaltaram-se e a plateia levantou-se para libertar o seu corpo das amarras da incapacidade de ouvir um concerto daqueles sentado. Foi difícil conter a vontade de dançar pelos 30m em que os seguranças de palco tentaram conter o público que tentava contornar esse entrave, com o pretexto de conseguir desfrutar daquele espectáculo na integra e em condições. E isso é impossível de fazer sentado, tais os espasmos provocados pela combinação de lírica de Bombino (os seus temas abordam muitas das vezes a paz e a fraternidade, evocando também elas a aproximação dos povos qual metáfora para a luta que estava a decorrer dentro da Sala Suggia entre o público e os seguranças) e pelos arranjos sonoros frenéticos e repetitivos, que não davam margem para descanso, emergindo a plateia neste êxtase durante mais do que uma hora.




A luta finalmente acabou quando uma enorme massa humana invadiu a frente do palco perante a impotente força e presença dos seguranças da Sala Suggia. Isto prova apenas que a força de um povo é tão forte quanto a sua vontade. talvez um dia vejamos este tipo de união em escalas maiores e em prol de outras causas. Até lá, sabem bem pequenas revoluções destas. 
E sabem bem concertos destes.


Volta sempre Bombino.
Seguiu-se os Undergound Spiritual Band, o verdadeiro e derradeiro tributo a Fela Kuti com cunho nacional.
Este projeto surgiu para prestar homenagem a Fela Kuti — compositor nigeriano que marcou os anos 60 lembrado como grande ativista dos direitos humanos. A sua origem, percurso e influências, dentro de um contexto político controverso, fizeram deste músico uma lenda, pelo respeito pela vida humana e utilizando a música como veículo para a reivindicação política. Kuti foi também o percursor do Afrobeat, um estilo musical que mistura diversos ritmos africanos, jazz e funk. 


Os Underground Spiritual Band  apresentaram-nos no passado dia 20 de Dezembro um concerto delicioso. A banda composta por treze elementos pertencentes a diversos projetos musicais nacionais, tais como o Dentinho & The Promised Band ou os Olive Tree Dance. Todos os elementos têm formação musical e presentearam o público no decorrer do concerto com a clara vénia a Fela Kuti mas também prestando homenagem a bandas como os Antibalas ou os Souljazz Orchestra. Ainda houve tempo para apresentarem dois temas originais.



Obrigada a estes verdadeiros músicos que fazem-nos acreditar que Portugal está na eminência do ressurgimento de grandes projetos, os quais o público português deveria estar atento. 

A música é, acima de tudo, cultura. E estes projetos são o espelho disso mesmo!




Texto e fotos: Rui Santos e Eduardo Silva e Margarida Canastro

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Chameleons Vox com dois concertos em Portugal



Os Chameleons Vox, projecto de Mark Burgess que toca músicas da sua banda original, The Chameleons, vão dar dois concertos em Portugal, de acordo com o site da banda. O primeiro será no Porto, no dia 3 de de Maio, e o segundo a 5 de Maio, em Lisboa. 

Estes concertos, onde será tocado na íntegra o álbum Script of the Bridge, farão parte de We Are All Chameleons Farewell, tour de despedida da banda na Europa.

Reedição:
Já são conhecidas as datas bem como os preços e respectivos lugares de actuação da banda, e podem agora ser consultados em baixo:

3 de Maio - Hard Club, Porto | 21.30H || 20€
5 de Maio - Caixa Económica Operária, Lisboa | 21.30H || 18€ / 20€ (dia).

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Sun Kil Moon no NOS Primavera Sound


Sun Kil Moon, projecto de Mark Kozelek, é o terceiro nome a ser confirmado para mais uma edição do NOS Primavera Sound a decorrer entre os dias 4 e 6 de Junho no Parque da Cidade. O anúncio, embora ainda não confirmado pela organização, foi avançado na página da editora do cantor, a Caldo Verde Records.

Sun Kil Moon trarão assim na bagagem Benji, lançado em Fevereiro de 2014 e juntam-se assim aos já confirmados Patti Smith e Ride.

Os passes para o NOS Primavera Sound já se encontram à venda nos locais habituais por um preço de 90 euros.

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Playlist: A Means To An End


Mais um ano que se passou, mais uma lista que tenta apagar os momentos menos bons e sublinhar os menos maus. A escolha é diversificada e os géneros musicais também, mas desde que funcione como uma playlist para ouvir neste finalizar de 2014, já atinge o seu objectivo. Um bom 2015, que a música continue a crescer e a ser valorizada. Sejam felizes.

1 - Joy Divison - "A Means To An End"


2 - Andy Stott - "Leaving"


3 - Thou - "Dawn"


4 - The Strokes - "The Hand Has No End"


5 - Best Coast - "Last Year"


6 - Jimi Hendrix - "Wait Until Tomorrow"


7 - Fugazi - "Promises"


8 - Beach House - "New Year"


9 - Violent Femmes - "New Times"


10 - Disco Inferno - "Next Year"




11 - Wild Beasts - "End come too soon"




12 - My Bloody Valentine - "Soon"




13 - The Walkmen - "In The New Year"



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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Passagem de ano do Plano B reune cinco artistas


Se ainda não têm planos para a passagem de ano a proposta do Plano B pode soar interessante para aqueles que moram pelo norte de Portugal. Entre os convidados da noite encontram-se White Waus, Gin Party Soundsystem, MVRIA, Simão Praça dos Bitch Boy e Miguel Quintão que, juntamente com alguns amigos, prometem tornar a passagem de ano no mínimo inesquecível. 

Programação 

Cubo Heineken: 1h00 
WHITE HAUS 
Miguel Quintão - Bons Rapazes - Antena 3 
MVRIA 

Palco: 1h00 
Bitch Boy (Simão Praça) 
Gin Party Soundsystem 

Galeria: João Semedo

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Reportagem: Festival W [Mercado Negro - Aveiro]


Com 2014 a chegar ao fim, regressamos à Associação Cultural Mercado Negro, que sempre nos acolheu de braços abertos, para o segundo dia do Festival W - o micro festival de World Music, que decorreu nos passados dias 19 e 20 de Dezembro. No cartaz figuravam nomes como IMIDIWAN, RASCachupa Psicadélica entre os quais, os dois últimos, recebem destaque na presente reportagem.

O segundo dia deste micro-festival abriu portas com RAS, vindo da Suécia. O músico mudou-se para Hollywood aos 19 anos, contando apenas com um ano a tocar guitarra. Posteriormente juntou-se aos I Roots onde era o guitarrista principal e mais tarde aos Shasho Mouse com quem lançou alguns discos.
Numa sala ainda pouco composta RAS inicia o concerto na guitarra e num excessivo uso de pedais, que se denotou logo nos primeiros minutos de "Babylon is Fallin" com um "I'm sorry" por parte do músico. Quando se trata de apenas uma músico só, ou se domina muito bem os pedais e o resultado da acústica da sala, ou então muito dificilmente se estará perto de se conseguir um bom concerto. Talvez esta opinião surja porque já o havíamos visto previamente em Maio no mesmo espaço, embora em salas diferentes, através de uma performance bastante superior. "Pawnshop" foi outra música tocada por RAS de pés descalços que, embora não tenha resultado a vivo pelo difícil controlo dos pedais, é uma boa malha para se ouvir em casa.
Por volta da meia noite e meia Cachupa Psicadélica entra em palco. Num projecto a apresentar-se no formato solo, Lula’s, músico cabo-verdiano, que conjuga rock com sons crioulos, apresenta um ambiente musical acolhedor através de uma imagem intimista, à medida que o cantor apresenta cada canção associando-a a diferentes espaços e tempos da sua vida. "Cidade Preocupada" marca uma sala mais escura onde o objectivo é que o espectador apenas se concentre no objecto musical aqui representado por Lula.
Cachupa Psicadélica apresentou assim o seu primeiro EP, lançado este ano, através da expressão "música para fazer fotossíntese". Ainda entre palavras que descreviam as memórias do músico, foi apresentado "Carnaval Tradição""3 dia ta pensá/ White Trash" e posteriormente a receber destaque, "Amor d'1 Laranjeira". Um concerto nostálgico, num ambiente de viagem e bastante diversificado. Até a luz foi abaixo.

Reportagem: Sónia Felizardo
Fotografia: A 
certeza da música [blog]

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domingo, 28 de dezembro de 2014

Lebanon Hanover em entrevista: "Estagnação é um cepo que no final leva os artistas à morte"


Os Lebanon Hanover, um dos nomes fortes no revivalismo do pós-punk, estrearam-se em Portugal no Entremuralhas em 2013. Depois de três álbuns editados, e um futuro sucessor a sair em 2015, estivemos à conversa com o músico William Maybelline, do duo. O resultado: 

 Threshold Magazine - Antes de partirmos para questões relacionadas com o trabalho que têm produzido, gostaríamos de saber como começou Lebanon Hanover. Sabemos que se formaram entre Berlim e Newcastle, mas como se conheceram e qual o objectivo da banda? 

William Maybelline - Nós conhecemo-nos online através de interesses comuns, enviando a cada um links de musica que nós gostávamos. A comunicação foi fácil, nós falámos sobre umas férias até Newcastle, sem nenhuns objectivos determinados mas apenas para desfrutar juntos de pensamentos e ideias comuns, vendo as paisagens do nordeste.

Criar música juntos nunca esteve na agenda, mas surgiu mais como uma força que por si só cresceu, assim começámos a construir as músicas. Através da construção de mais singles estas tornaram-se no que nós queríamos atingir, naquilo que amamos na música.
Desde o início nos tínhamos uma grande vontade de nos focarmos mais nos sentimentos  transmitidos pela música a fim de criar sonoridades que iriam coincidir com o nosso humor, com a nossa existência, o interior do núcleo dos nossos sentimentos.

TM – Em Tomb For Two é possível verificar um maior experimentalismo face aos anteriores dois álbuns nomeadamente nos singles “Hall Of Ice” e “Autufocus Has Ruined Quality”. Pretendem continuar a explorar novos elementos num novo trabalho? 

WM - Para começar, nada do que nos fazemos é fingir, para sermos sinceros no fundo, tudo o que nós fazemos é honesto e genuíno. Desde o início o nosso ethos era experimentar o momento em que nos conhecemos a nós mesmos com um computador, uma guitarra que independentemente do som produzido, nós conseguiríamos moldar a fim de sincronizar a nossa visão.

TM – Falando em novos trabalhos. É expectável um novo álbum para 2015? Se sim, podes revelar detalhes? 

WM - Será lançado um novo álbum gravado na nossa amada Atenas no dia 27 de Fevereiro. Podem esperar que vos mostremos algo de diferente, aquilo que ambos aspiramos em  fazer sempre em cada álbum que lançamos. Não esperem que uma banda em florescimento/ fique a mesma ao longo do tempo... Isso seria estúpido, estagnação é um cepo que no final leva os artistas à morte.

TM – A sonoridade dos Lebanon Hanover é bastante sombria. É possível descrever a banda através do lema “Sadness Is Rebellion”? 

WM - Claro que nos podem considerar sombrios, é possível que as lágrimas sejam a nossa revolução.


TM – Ao ouvir em loop “Sunderland” veio-nos em mente a possibilidade de encontrar nos futuros trabalhos estes elementos minimais e de inquietação mental. Pretendem voltar a introduzir este resultado da "desordem mental", ou não está em planos futuros? 

WM - A desordem mental é sempre aparente, nós estamos em fluxos constantes de frames mentais. Tudo o que é produzido é alimentado por estados mentais.  O resultado de uma musica advém consoante a situação na nossa vida.

TM – Fora do trabalho dos Lebanon Hanover. O que sentes em relação à sociedade em geral? Por exemplo, no que toca a relações, aos interesses, modos de vida, etc… 

WM - Eu tenho pensado nisso frequentemente e cheguei a uma conclusão comigo mesmo, desde que  eu não esteja aqui para mudar ninguém e o mundo exista como um todo.  Quanto a mim, eu deduzo-me a partir do sistema onde prefiro desaparecer, mas, ao mesmo tempo, eu não posso negar que sou um visionário, uma pessoa que escuta, mas que fica arruinada pelas tragédias do século. Eu consigo sentir-me triste relativamente à sociedade, a forma como algumas pessoas comunicam e lutam entre elas põe-me em baixo. Vejo muitas pessoas perdidas e confusas, mas isto inclui-me a mim às vezes. O que posso eu fazer? Nós coexistimos na confusão, estamos todos na borda do topo do penhasco, de certa forma.

TM – Podes dizer-nos que artistas/bandas tens andado a ouvir ultimamente? 

WM - Recentemente Wim Mertens - maioritariamente a soundtrack do The Belly Of An ArchitectCultes des Ghoules, X-TG, Mephisto Walz... A lista continua, eu tenho uma mente muito aberta por isso mantenho o meu coração e ouvidos abertos para qualquer coisa que me encante.

TM- Estrearam-se em Portugal no Entremuralhas em 2012, o que acharam do país? Estão a pensar voltar a Portugal? 

WM - Tocar em Portugal pela primeira vez foi simplesmente amável e apaixonante, nós ficamos encantados pela beleza desnudada das ruas de Leiria. No entanto foi apenas o início, o castelo também nos mimou. Ficámos completamente cativados por este monumento arcaico. Voltar seria mais do que um prazer para nós!

TM - Muito Obrigada pela entrevista!

WM - Muito Obrigado! Cumprimentos calorosos.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Reportagem: Coelho Radioactivo [Maus Hábitos - Porto]


No passado dia 20 passamos pelos  ao Maus Hábitos para assistir à performance de Coelho Radioactivo, projecto de João Sarnadas que lançou recentemente o segundo longa-duração Canções Mortas, novamente sob o selo Gentle Records. Acompanhado dos seus Plutónios, Coelho Radioactivo começou o concerto com “O Juízo”, retirada do seu mais recente álbum. O cantautor sediado no Porto mostrou ainda algum do seu restante repertório, relembrando temas como “Mensagens para Ursos” e “O Velho", do antecessor Estendal (2015)Não falhou, no entanto, o single “Sangue”, que com a companhia dos Plutónios apresentou um cunho mais pesado e abrasivo que o original.



Sempre simpático e natural, Sarnadas interagia esporadicamente com o curto mas fiel público que se apresentava no Maus Hábitos, num misto entre amigos e curiosos. O concerto encerrou com um dueto, com Luís Gravito( O Cão da Morte) a juntar-se a Coelho Radioactivo para o single “Cabanas do Bonfim”, do seu novo projecto colaborativo Flamingos, proporcionando um dos melhores momentos deste tranquilizante fim de tarde. 



Texto: Filipe Costa
Fotografia: Morsa

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

David From Scotland lançam single de estreia


David From Scotland surge como uma ilustração metafísica a um homem que Félix e Valter, mentores do projeto, conheceram numa noite perdidos num imaginário bem vivo e alucinante em Glasgow. Formado nos finais de 2014, a sonoridade dominante traz influências que vão do minimal à electrónica através de um carisma lo-fi. 

A primeira amostra deste projeto surge em formato digital através de "Tricky 70's Love", o primeiro single de avanço do EP de estreia Fool's & Another Things We Adore, a ser lançado no próximo ano.  A ouvir em baixo.


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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Flamingos juntam-se a Moxila para um Natal Gentil


Os Flamingos, projeto que une Luís Gravito (O Cão da Morte) a João Sousa (Coelho Radioactivo), acabam de se juntar a Moxila para lançar Natal Gentil, um EP de duas faixas onde a primeira canção é da Moxila e a segunda canção é dos Flamingos.

Ambos os três tocam e cantam nas duas canções e obviamente o resultado só poderia ser uma ponte entre as similaridades dos projetos díspares a que cada um pertence. "P.D.V. de Ovelha" é o canto de abertura com a magia da infância intrínseca, que serve de abertura a "Videmonte" a música que mata as saudades da família e imprime o significado do Natal. A ouvir, em baixo:

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A Sub Pop divulgou o stream do novo das Sleater-Kinney…

…mas apenas durante algumas horas. 


O No Cities To Love, o álbum de reunião das Sleater-Kinney (separadas desde 2006) esteve disponível para stream para quem fizesse a pré-reserva do disco no site da Sub Pop. 
Um comunicado divulgado pela mesma esclarece o sucedido:

"Hello Mega Mart Customers Who Have Pre-Ordered the New Sleater-Kinney Album!
Please accept our apologies for adding April Fools’ to the already overlong list of holidays celebrated in December. When you pre-ordered the Sleater-Kinney album No Cities to Love from our website, you may have read that an advance stream of the album would be made available today, December 22nd. While we have every intention of giving you early access to that stream, the truth is we made an error in granting that access today. We wish we could blame an elite squad of foreign hackers bent on disrupting our meticulously planned release but the truth is we just messed up. We hope you enjoyed your brief holiday taste of this incredible album. We look forward to sharing this album stream with you again on a more permanent basis on January 13th.

Thanks and Happy Holidays!

The Sub Pop Mega Mart"





Posto isto, a data de lançamento oficial do No Cities To Love mantém-se para o dia 20 de Janeiro, havendo a libertação de um stream do álbum em avançado para quem fizer a pré-reserva do mesmo, no dia 13 de Janeiro, via Sub Pop.

REEDIT: Jáé possível ouvir o disco na íntegra, aqui dentro, cortesia da NPR.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os melhores álbuns internacionais de 2014

Muitos foram os álbuns que ouvimos neste ano de 2014, mas nem todos podem figurar nas listas de final de ano. Desta forma, e tendo em conta os gostos díspares e comuns, fica em baixo a lista dos 30 melhores álbuns no geral para a redacção da Threshold Magazine.

30- Thee Silver Mt- Zion Memorial Orchestra - Fuck Off Get Free We Pour Light On Everything
29- The Drums – Encyclopedia
28- Julian Casablancas + The Voidz – Tyranny
27- La Dispute - The Rooms of the House
26- Thee Oh Sees – Drop
25- Future Islands – Singles
24- L'Orange - The Orchid Days
23- Owen Pallet – In Conflict
22- St-Vincent - St-Vincent
21- Sun Kil Moon – Benji
20- King Gizzard and The Lizard Wizard - I'm In Your Mind Fuzz
19- The Wytches - Annabel Dream Reader
18- Run The Jewels – Run The Jewels 2
17- Aphex Twin – Syro
16- Timber Timbre – Hot Dreams
15- Liars - Mess
14- Perfume Genius – Too Bright
13- Have a Nice Life - The Unnatural World
12- Ariel Pink – Pom Pom
11- Sharon Van Etten – Are We There
10- Ought - More than Any Other Day
9- Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness
8-Mac DeMarco - Salad Days
7-Goat - Commune
6- Ty Segall - Manipulator
5- Iceage - Plowing Into the Field of Love
Depois de lançarem dois dos álbuns mais agressivos da década, em Plowing Into The Field Of Love, os Iceage conseguiram não só manter toda essa agressividade como também elevá-lo uns patamares acima, adicionando arranjos de piano, orgão, trompetes, entre outros instrumentos. Ao alargar o leque de influências da banda, indo buscar elementos da música country, folk e rockabilly, este álbum é uma prova da maturidade que os Iceage foram ganhando desde o lançamento de New Brigade em 2011 e é sem dúvida um enorme passo em frente na carreira dos dinamarqueses.
Helder Lemos

4- Flying Lotus - You're Dead!
Este novo trabalho de Steven Ellison AKA Flying Lotus (produtor, MC e o fundador da Brainfeeder, label incontornável no panorama musical que mistura o dançável, o Hip Hop, o EDM e o IDM) é pautado por algumas mudanças em relação aos seus anteriores. Mudanças que o autor considera frutíferas e positivas, o que não significa que os anteriores 1983, Cosmogramma e Los Angeles não sejam álbuns de mão cheia, porque o são (o Until The Quiet Comes nem tanto). Mas o que aqui está em questão é a evolução notória da complexidade no som de Fly Lo. E isso é evidente. Vamos aos factos.
O universo até então relativamente calmo de Fly Lo surge neste You’re Dead! contaminado por Captain Murphy (o seu narcisista alter-ego MC) cuja influência directa surge em duas faixas e, indirectamente, parece pairar sobre o restante álbum.
Isto faz com que por vezes haja uma aproximação ao hip hop mais “comum” chamemos-lhe assim, no qual há um MC a rimar sobre uma faixa sonora. Essa aproximação ao “comum” — no caso deste You’re Dead! — sai recompensada pela qualidade do elenco convidado para rimar (o prodigioso Kendrick Lamar, o supracitado Captain Murphy e o veterano Snoop Dogg) mas também pela mestria de produção de Ellison.
Em certos aspectos, também se nota uma aproximação ao universo do cartoon: a capa do álbum; a distorção e sobreposição de vozes; o contributo sonoro de Fly Lo na série Adventure Time; a sua participação como radialista no videojogo GTAV. Tudo isto sugere uma aproximação cada vez maior da personagem real (Ellison) a estes universos irreais, onde personagens como o seu alter ego Captain Murphy são livres de deambular e de fazer o que bem entendem, sem reais limites.
Ellison também se parece sentir assim: livre e descomprometido na sua estética, prestando homenagem a este Universo e ao outro — o plano astral mencionado na faixa “Dead Man’s Tetris” é uma homenagem á faixa “Do The Astral Plane” do Cosmogramma, aqui usada como metáfora para o espaço do pós-vida, no qual Murphy convive com Freddie Mercury e J Dilla, outra influência assumida de Ellison.
Metafisicismos à parte, Fly Lo não esquece as suas raízes de Jazz (não tivesse Ellison sangue dos Coltrane) prestando uma homenagem às mesmas com samples de saxofones, percussão e baixos espalhados e organizados em arranjos minuciosos em várias das suas faixas. Há aqui um género de reinterpretação do Jazz de improvisação, no qual se subtrai a banda mas se multiplica a criatividade no único músico presente (Ellison). A participação de Herbie Hancock na “Moment of Hesitation” é um dos momentos mais felizes de You’re Dead! e uma homenagem maior ao universo do Jazz.
Os risos de Captain Murphy — a sua mão é omnipresente, por inevitáveis circunstancias — ao longo deste You’re Dead!, os samples de saxofones, percussão, algumas linhas de baixo que fazem lembrar Amon Tobin, uma dose q.b. de psicadelismo e a aproximação ao soul — por força dos baixos e das graves vozes femininas — em algumas faixas constroem uma parede sonora muito particular para este You’re Dead!, muito distinta dos anteriores álbuns de Ellison.
No entanto, é nesta distinção que encontramos um ponto em comum: a complexidade do som. Esta característica faz com que, à imagem dos álbuns anteriores de Ellison, a audição do mesmo deva ser feita na integra, do início ao fim. Os álbuns de Flying Lotus não foram projectados para serem decompostos e ouvidos faixa a faixa. Estes devem ser entendidos como um todo e pelo todo, por forma a serem entendidos de todo.

Edu Silva

3- BadBadNotGood – III
III é o retrato de uns BadBadNotGood bastante maduros, onde a fórmula utilizada na produção deste terceiro trabalho de estúdio apresenta uma banda mais confiante e madura, talvez por se tratar do primeiro disco composto por músicas inéditas e sob a assinatura da Innovative Leisure.
Singles como “Since You Asked Kindly” e “CS60” mostram a inocência dos canadianos através das suas introduções numa percussão bastante suave, embora com um fim bastante mais poderoso. III é em suma um álbum onde a nostalgia e a pressão do trabalho dão as mãos e o resultado é tecido em dez músicas cobertas de jazz de fusão.
Sónia Felizardo

2- Swans – To Be Kind
Muitos avaliam o décimo terceiro álbum dos Swans – eu aceito parcialmente – como uma espécie de continuação sucessora do The Seer, com as pouco mais de duas horas a que a banda já nos tem vindo a habituar. Embora, numa primeira audição diagonal, pareça mais leve e acessível, as faixas submetem-nos a uma tensão constante, pautada de melodias com energias obscuras e ritualescas, tecidas numa simbiose entre o transcendente sonoro e a narrativa desejosa de ser expelida, profunda e inquietante. Consideramos To Be Kind um dos melhores álbuns do ano pela inteligência com que nos concede um estado de espírito distintamente elevado e nos submerge numa dualidade de músicas cruas, agressivas e nervosas, bem como ritmos mais pausadas, ascéticas e minimais, sem nunca por em causa a coesão do todo – "Bring The Sun/ Toussaint L’Ouverture" e "Oxygen" ilustram bem este sentimento dual.
Joana Pardal

1- Cloud Nothings – Here and Nowhere Else
Here and Nowhere Else é o quarto álbum do projecto de Dylan Baldi e até à data o melhor já editado sob o nome de Cloud Nothings.  A verdade é que pouco mudou desde Attack On Memory,  com um sonoridade que funde mais uma vez indie rock e post-hardcore. São 31 minutos de quase apneia, raiva, noise e vocais que nos lembram os tempos do Grunge.  O sobrerbo malhão de 7 minutos “Pattern Walks” representa  o clímax deste novo álbum e a prova disso foi a sua interpretação no NOS Primavera Sound. O disco fecha com a mais introspectiva “I’m Not Part of Me”, com a sua sonoridade mais pop punk, e mostra-nos que Dylan finalmente se encontrou. Isto é notório pela maior maturidade apresentada neste novo trabalho.
P.S: “Wasted Days” do anterior Attack on Memory assentaria que nem uma luva em Here and Nowhere Else
Rui Gameiro

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