quarta-feira, 8 de julho de 2015

Reportagem: Eat Bear + Toy + Clinic - Hard Club [Porto]


Quando os concerto de TOY e o de Clinic, no InDouro Fest, foram cancelados (devido à greve da TAP) foi feita a promessa de que estas bandas britânicas voltariam numa outra data. Cumprida a promessa, foi escolhido o dia 4 de Julho de 2015 para estes concertos que fazem encerramento da primeira edição do festival. A sala 1 do Hard Club foi o local escolhido para a sua realização.

A primeira parte foi feita por Eat Bear, uma banda de Garage Rock do Porto, que no dia anterior tinha estado na final do concurso de bandas da Antena 3 e também tinha actuado no palco secundário do InDouro Fest. Por volta das 21:30, apesar da sala quase vazia, entram em palco, começamos a ouvir “Won’t Spread The Word” e depressa nos rendemos às suas guitarras. A sala vai enchendo e começam a tocar o single, lançado este ano, “July” seguido de “Trust Found”, canção que partilha o nome com o LP inicial da banda e provavelmente a que gostamos mais de ouvir neste concerto. Bastante simpáticos falam de um EP que estão a preparar para este verão, certamente estaremos atentos a este lançamento. Acabam o concerto com o single “Skip Off” preparando-nos da melhor maneira para os concertos que se seguiram.

Setlist:
Won't Spread the Word
Wet
Higher Place
July
Trust Found
270 Fast Foward
Skip Off

Com uma sala já mais composta entram em palco os TOY, esta banda de rock psicadélico e post-punk de Brighton que era certamente das mais esperadas (até ser cancelado o concerto) no segundo dia festival, dia em que tocaram Yuck e British Sea Power. Regressando a Portugal depois de dois concertos em 2013 e outro em 2014, começam com “Dead & Gone” do primeiro álbum homónimo, seguida de “It’s Been So Long”, uma das melhores canções da banda, mas ambas com alguns problemas de som, o qual se encontrava bastante abafado. O público pouco se mexia talvez hipnotizado pela música ou a guardar energia para o concerto seguinte. Problemas de som resolvidos chegamos então a “Kopter”, faixa que encerra o álbum homónimo e, talvez, a que nos agradou mais. A apatia da banda e o carácter repetitivo da sua música são os pontos negativos a apresentar. Foram mostradas cerca de cinco canções novas talvez a integrar um novo álbum mas nem isso nos foi dito. Quase no fim temos “My Heart Skips A Beat” e “Motoring” os únicos momentos em que os vocais foram mais limpos e conseguimos perceber o que cantava Tom Dougall. Encerraram o concerto com “Join The Dots”, tema título do segundo álbum da banda. Infelizmente “Colours Running Out” não foi tocada.

Setlist:
Dead & Gone
It's Been So Long
Fall Out of Love
You Won't Be the Same
Jungle Games
Kopter
We Will Disperse
Left Myself Behind
Clear Shot
My Heart Skips a Beat
Motoring
Dream Orchestator
Join the Dots


Por volta da meia-noite vemos 4 indivíduos preparados para trabalhar num bloco operatório. São os Clinic e temos, assim, a sua estreia (tardia) em Portugal. A sala, apesar de não estar cheia, reúne um público bastante numeroso, havendo alguns fãs que trouxeram máscaras igual às da banda. Apesar das primeiras músicas não cativarem muito, há fortes aplausos e “Lion Tamer” consegue ser uma das grandes canções da noite. Quase todos os álbuns foram visitados e tivemos temas como “See Saw” e “You” do mais recente álbum Free Reign mas também “IPC Sub-Editors Dictate Our Youth” pertencente a um dos 3 EPs iniciais. Há bastante movimento em palco, Ade alterna entre a guitarra e teclados mantendo-se sempre nos vocais. Apenas o baixista se mantém sempre no seu instrumento e uma das partes foi feita com ausência de bateria. O público adora Clinic e os Clinic adoram o público. Toda a sala dançava, berrava, saltava e, sobretudo, dava razões para um regresso da banda britânica. Com “Walking With Thee”, um dos singles mais conhecidos e homónimo ao segundo álbum de estúdio, todos saltaram e cantaram sendo este o melhor momento dos três concertos. “Cement Mixer” foi outro ponto alto mas qualquer outra canção poderia ser destacada por variadas razões. Acabado o set principal são aplaudidos à altura do concerto e regressam para um encore. No fim deste encore o público quer mais, não existe algo como “um concerto demasiado grande de Clinic”, então, regressam para um segundo encore com a canção “The Return of Evil Bill” e encerrando, assim, o concerto que foi, sem dúvida, o melhor do InDouro Fest conseguindo até superar os excelentes concertos dos British Sea Power, Yuck e Tristesse Contemporaine. Após o concerto o baixista mencionou um novo álbum que está a ser preparado para o próximo ano, esperemos que regressem a Portugal para a sua apresentação.


Apesar dos percalços o InDouro Fest acabou da melhor maneira. Resta-nos desejar que para o próximo ano o festival traga bandas com a mesma qualidade e que tenha mais sorte com as condições atmosféricas.

Texto: Francisco Lobo de Ávila
Fotografia: Rui Santos