sábado, 1 de agosto de 2015

Reportagem: Milhões de Festa 2015 | Parte 1/2


Com um fim de mês a ser marcado por mais uma edição do Milhões de Festa, para um início do querido mês de agosto, ficam as saudades para relembrar os quatro dias que trouxeram música a Barcelos. Num resumo dos primeiros dois dias, ficam em baixo o registo fotográfico e escrito do que se passou de 23 a 26 de julho.

Dia 0 


Tal como nas edições anteriores, o Milhões de Festa começou mais uma vez com um dia de aquecimento no palco Taina. O evento começou ao fim da tarde no palco situado junto ao rio Cávado e os concertos eram de entrada gratuita. Num início de festival com um cartaz composto por diversos projetos pequenos da música nacional e internacional, o dia decorreu com concertos divididos entre bandas e dj sets, onde amigos se reencontravam mais uma vez no festival que já frequentam desde as primeiras edições para beber uns copos e pôr a conversa em dia num local belíssimo ao pôr do sol, com uma bela vista para o rio e onde os concertos serviam apenas de banda sonora. Destaques para os concertos de Cave Story, a agressividade dos Lodge, os frequentes Riding Pânico que continuam a não faltar a uma edição deste festival e a animação dos Corona na Casa, que continuam a surpreender com o seu hip hop inovador e divertido. Uma noite com direito a cogumelos e shots de hidromel por parte destes portuenses. 


Dia 1 

Ao segundo dia de festival, o primeiro oficial, os quatro palcos já se encontravam disponíveis. Numa edição em que o cartaz deixa um pouco a desejar, o primeiro dia acabou por ser dos mais interessantes a nível de oferta com alguns concertos aguardados de Deerhoof, Matias Aguayao e Theesatisfaction

Começamos o nosso dia no palco piscina, que recebeu mais uma vez a curadoria da Red Bull Music Academy. Esta é sem dúvida uma das principais atrações do festival: uma piscina repleta de bóias, música, camisas floreadas, penteados estranhos e muita animação e cor. Os portugueses Tochapestana brindaram-nos com a sua pop electrónica regada com um fio generoso de azeite, no bom sentido, com o seu vestuário retro e bigodes à maneira portuguesa. Não fosse um produtor chileno e poderíamos dizer que estes rapazes são os reis da piscina. Refiro-me então ao senhor que conquistou o palco piscina, Matias Aguayo, que com o seu set de mais de duas horas transformou Barcelos numa autêntica pista de dança, ou melhor, num autêntico desfile de personagens cómicas a dar tudo com os seus movimentos de dança. 

Terminando a sessão na piscina, é a hora de estrear o recinto finalmente com o concerto dos californianos Tijuana Panthers, que, apesar de ter sofrido alguns problemas com o som, deram um bom concerto, brindando-nos com boas malhas garage rock que tão bem se faz no local de onde vêm. “Creature “ e “Bainbridge” foram algumas das faixas tocadas. 


Depois de uma pausa para o jantar, foi a vez das Theesatisfaction subirem ao palco Milhões. A dupla de Seattle editou recentemente o seu segundo longa-duração Earthee, e foi a oportunidade de ver e ouvir algumas dessas faixas ao vivo. A dupla composta por Stasia Irons (Stas) e Catherine Harris-White (Cat) deu um concerto competente, que só não foi melhor devido a problemas técnicos que as impediram de tocar “Queens” com o instrumental. No entanto estas senhoras recuperaram bem da situação tocando o tema numa versão à capela. Depois de resolvidos os problemas, o som voltou e o concerto terminou com “Recognition”. 


De regresso ao palco Vodafone FM, os HHY & The Macumbas deram um dos concertos da noite, com a sua música experimental enigmática rica em ritmos tribais e instrumentos exóticos. Todo o mistério à volta desta atuação, a indumentária dos membros deste grupo, assim como a performance do membro central que se encontrava de costas para o público vestindo uma máscara atrás da cabeça tornaram este concerto um dos mais memoráveis da noite que apenas foi superado pela banda que se seguiu. Falo então dos californianos Deerhoof que vieram ao festival com o estatuto de cabeças de cartaz. A banda dos carismáticos Satomi Matsuzaki e Greg Saunier, que já conta com mais de vinte anos de carreira e treze álbuns de estúdio, deu o melhor concerto da noite, repleto de energia e solos de guitarra incríveis, com um set a recordar um pouco dos vários discos deste grupo, passando por temas como “Dummy Discards a Heart” e “Panda Panda Panda”, do álbum Apple O'LP de 2003, assim como temas do seu mais recente álbum La Isla Bonita, editado em 2014, com as faixas “Paradise Girls” e o malhão “Exit Only”. A energia de Satomi Matsuzaki, essa mulher que dá tudo em palco, contagiou o palco com a sua fofura e dança excêntrica e super coordenada. Um bom espetáculo que fechou o palco principal desta primeira noite de festival.


Reportagem: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos