terça-feira, 22 de setembro de 2015

Reportagem: Mdou Moctar | Jibóia [Galeria Zé dos Bois, Lisboa]


Foi na passada quinta feira, dia 17 de setembro, que Mdou Moctar, acompanhado do português Jibóia, passou pela Galeria Zé dos Bois, para presentear-nos com as melodias singulares da sua guitarra e, também, obrigar os presentes a dar um passo de dança. O ambiente na ZDB era calmo e descontraído, a noite, estava surpreendentemente amena e limpa, comparando com o tempo de chuva dos dias anteriores. Pouco tempo depois da hora prevista, Jibóia entrou em palco para abrir o evento, desta vez acompanhado de Ricardo Martins na bateria, o que marcou a estreia deste novo formato do projecto de Oscar Silva e, também, a estreia de novas músicas, a sair no próximo álbum a ser editado. Mesmo com formato diferente, a essência de Jibóia continua a ser a mesma, o teclado Casio e a guitarra, processados através de inúmeros pedais diferentes, continuam lá, hipnotizantes e a suscitar à dança. A única diferença é que agora há bateria ao vivo, sendo este o aditivo perfeito para os concertos de Jibóia e, logo, o que também acabou por ajudar à festa na ZDB. 


 

Tendo acabado o concerto da cobra, o (literalmente) gigante Mdou Moctar, acompanhado da sua banda, entrou em palco, pouco tempo depois, para dar mais um concerto em Lisboa. O guitarrista tuareg veio bem disposto para o aquário, onde simpatizou com as pessoas curiosas que passavam por fora da ZDB, falando também um pouco com os presentes, de forma a “quebrar o gelo” casualmente. A mágia de Mdou Moctar notou-se mal a banda começou a tocar, o som que vem da sua guitarra é quase uma experiência espiritual, com uma sonoridade africana, misturada a um pouco do oriente, tudo junto e processado pela alma do enorme tuareg. 



 
 

O ambiente neste concerto foi subindo em espiral, assim como as próprias músicas de Mdou Moctar, que começaram por ser calmas, levando o público ao transe, e acabaram enérgicas, com os presentes a atingir um nível de euforia incrível. Mdou e a sua banda ainda tiveram forças para voltar num encore sentido, onde o ritmo acelerado da bateria fez os presentes dançar uma última vez, mas ainda com toda a energia possível, tendo acabado assim mais um concerto de Mdou Moctar na capital, com caras ensopadas de suor e, sobretudo, de coração satisfeito.

Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Jorge Vieira (cortesia da Galeria Zé dos Bois)