sexta-feira, 18 de setembro de 2015

[Review] FIDLAR - Too


 FIDLAR // Mom +  Pop Music // setembro de 2015 
6.8/10

Dois anos depois do sucesso do primeiro álbum homónimo, os Fuck It Dog Life’s A Risk (a.k.a. FIDLAR) voltaram as edições com Too, álbum que saiu no passado dia 4 de setembro, pela editora Mom +  Pop Music. Quando Zac Carper (vocalista e guitarrista dos FIDLAR) começou a compor este novo álbum, estava a enfrentar uma séria crise de dependência de drogas. Estes problemas começaram quando Zac tinha apenas 8 anos, tendo sido abusado sexualmente por uma pessoa que conhecia e, devido a isso, começou a tomar drogas aos 14 anos. Mais tarde, aos 26 anos, a namorada de Zac, que estava grávida de um filho dele, morreu por overdose. Os problemas e a dependência de Zac quase acabaram com a sua vida, e com a banda, por várias vezes.

Zac Carper em Los Angeles, na tour de 2013 com Wavves, dois dias depois da morte da sua namorada grávida.
Pouco depois de começar a escrever Too, Zac Carper entrou mais uma vez em reabilitação, de onde já entrou e saiu inúmeras vezes, mas desta vez determinado a ficar sóbrio. 8 das músicas de Too foram escritas já neste período de reabilitação, o que inspirou malhas como “Sober” (“I figured out when I got sober that life just sucks when you get older”), e “Bad Habits” (“And now I'm one week sober, and I'm still hungover, and maybe I should take a break”). Os punk rockers californianos decidiram fazer várias experiências neste álbum, como por exemplo, adicionar um produtor externo em estúdio, Jay Joyce, o que foi uma novidade, pois os FIDLAR sempre foram adeptos do formato DIY. A banda também fez várias experiências no que toca a própria sonoridade, umas que resultaram, como “Drone”, e, “Overdose”, inspirada pelas 3 overdoses de heroína que Zac teve em 2013, de onde resultou uma sonoridade mais deprimente, e calma, excepto nos últimos segundos enérgicos desta música.



Um dos exemplos da sonoridade que não resultou foi o xilofone em “40oz. On Repeat”, o que estranhou aos ouvidos dos fãs do agressivo primeiro álbum, assim como vários pormenores em outras músicas. “Punks” foi, surpreendentemente, um remake bem conseguido da anterior “The Punks Are Finally Taking Acid”, ao contrário de “West Coast”, que não convenceu muito, logo desde o momento em que o videoclip desta música foi lançado.


Too é um álbum marcado pela indiferença, havendo músicas, como “Hey Johnny” e “Stupid Decisions”, onde existe este sentimento. O próprio som da banda em estúdio, pelas mãos de Jay Joyce, é diferente e simplesmente “não soa a FIDLAR”, o que acaba também por contribuir bastante para a indiferença sentida em Too. Depois do explosivo primeiro álbum era extremamente difícil igualar alguma coisa desse estatuto. A banda passou por períodos complicados, onde estiveram quase por acabar, o que provavelmente afectou a química entre os membros, e, consequentemente, a qualidade do próprio processo criativo neste álbum. Agora que a situação e os problemas de Zac estão a estabilizar, só nos resta rezar para que a qualidade explosiva com que nos conquistaram em 2013 volte, que aprendam com os erros das experiências que não se afirmaram neste álbum, e nos surpreendam com um próximo álbum.