domingo, 18 de outubro de 2015

Reportagem: Mucho Flow [CAAA - Guimarães]


No passado sábado fomos a Guimarães para mais uma edição do Mucho Flow, que se realizou mais uma vez no CAAA – Centro Dos Assuntos de Arte e Arquitetura, em Guimarães. O pequeno festival vimaranenese organizado pela Revolve prometia mais uma vez, com um cartaz bem composto, alguns dos nomes que poderão vir a dar que falar nos próximos tempos, quer a nível nacional como internacional. 

O evento começou com um set, no palco Flowde Acid Acid , projeto do radialista Tiago Castro que nos mostrou a sua música experimental repleta de distorção. Seguiram-se os lisboetas Galgo, que apresentaram o seu mais recente EP, o EP5, no palco Mucho, de forma exemplar, conseguindo pôr algum do público a dançar ao som das suas músicas. 

Galgo @ Mucho Flow 2015

Continuando nesta constante troca de palcos e com os concertos sempre seguidos, foi a vez dos lAmA apresentarem o seu set composto por melodias elétronicas com uma sonoridade bastante experimental e ambiente. Os vimaranenses El Rupe seguiam-se, mostrando-nos as suas faixas post-rock com alguma influência da música math rock, fundidos com elementos jazz a fazer lembrar uns Tortoise


lAmA @ Mucho Flow 2015

El Rupe @ Mucho Flow 2015


De volta ao palco Flow para ver os Smartini, banda que já não é nova por estas andanças. Formados em 2002, apresentaram-nos algumas das músicas de Sugar Train, álbum editado em 2007 e que nos mostra algumas das melhores faixas da cena alternativa portuguesa. Um regresso aos palcos competente, por parte de uma das bandas mais subvalorizadas da música portuguesa. 


Smartini @ Mucho Flow 2015

Sun Blossoms apresentava-se no palco principal em formato banda para apresentar o álbum de estreia homónimo. As músicas solarengas e o lo-fi de Alexandre Fernandes soaram muito bem ao vivo, com os instrumentais a sentirem-se mais e uma voz menos escondida do que nas faixas de estúdio. 


Sun Blossoms @ Mucho Flow 2015

Ricardo Remédio veio ao Mucho Flow com o seu novo projeto a solo, depois de ter tocado em projetos como Lobo e RA, com a promessa de um novo álbum intitulado Natureza Morta para o próximo ano. Um concerto marcado pela sua “música psicologicamente densa”, de som negro e claustrofóbico. 


Ricardo Remédios @ Mucho Flow 2015

De volta ao palco Mucho, era a vez da “cobra” se juntar a Ricardo Martins na bateria. Falamos de Jibóia, claro, projeto de Óscar Silva, que nos presenteou mais uma vez com a sua música rica em elementos da música oriental, com as guitarras distorcidas complementadas pela bateria do já mencionado Ricardo Martins que iria apresentar-se mais uma vez com Filho da Mãe num dos próximos concertos do dia. 


Jibóia @ Mucho Flow 2015

As Pega Monstro são das melhores bandas rock portuguesas do momento, se não as melhores mesmo. Alfarroba é um álbum incrível e que tem passado em loop durante os últimos meses, e o concerto em Guimarães só provou o que foi dito anteriormente. A garra das irmãs Reis é inegável, e as suas músicas cheias de distorção opõem-se à delicadeza das suas vozes em músicas como “Tu Não Consegues” e a malha “Amêndoa Amarga”, que não podiam deixar de tocar ao vivo. 


Pega Montro @ Mucho Flow 2015

Seguia-se então Filho da Mãe, acompanhado também ele por Ricardo Martins, para apresentar faixas que poderão vir a pertencer ao próximo álbum da nova colaboração. Entre as possíveis músicas e improvisos ouviu-se o ainda único single “Tormenta”. 


Filho da Mãe & Ricardo Martins @ Mucho Flow 2015

Um dos mais aguardados momentos desta edição do Mucho Flow era o concerto de Circuit des Yeux, o projeto da canadiana Haley Fohr, que se fez acompanhada de duas instrumentistas clássicas para apresentar algumas das faixas do belíssimo novo álbum In Plain Speech, editado este ano. A voz marcante e poderosa de Fohr impressionou pela positiva, e a performance misteriosa e reservada da artista canadiana tornaram este concerto mais intimista e memorável. 


Circuit des Yeux @ Mucho Flow 2015

O último e mais aguardado concerto da noite estava encarregue aos irlandeses Girl Band, que editaram recentemente o excelente álbum de estreia Holding Hands With Jamie. O quarteto irlandês começou o concerto com a malha “Why They Hide Their Bodies Under My Garage”, uma incrível cover do tema assinado por Blawan. Com uma sala bastante cheia, o público encontrava-se bastante animado e entusiasmado e rapidamente reagiu ao som destes rapazes, com muito crowdsurfing, especialmente por parte dos senhores Lovers & Lollypops. Num concerto esgotante de princípio ao fim, os Girl Band despediram-se com “Paul”, o single caraterizado pelo absurdo som de baixo, explosivo e esquizofrénico. Um concerto memorável que culminou mais uma grande noite organizada pela editora Revolve, que nos continua a presentear todos os anos com estes interessantíssimos cartazes com algumas das bandas mais emergentes do momento.


Girl Band @ Mucho Flow 2015



Texto e Fotografia: Filipe Costa