terça-feira, 15 de dezembro de 2015

The Soft Moon em entrevista: "Estávamos a tentar ir a Portugal há 5 anos"


No final de Agosto, uma semana após a sua atuação no festival Paredes de Coura, estivemos à conversa com Luis Vasquez, mentor do projeto The Soft Moon, no Nox Orae Festival, na Suíça.

Threshold Magazine (TM) – O concerto correu bem?

Soft Moon (SM) – Sim, estávamos todos demasiado embriagados, bebemos demasiado hoje.

TM – Mas foi muito bom na mesma. 

SM – Obrigado!

TM – Vocês tocaram em Portugal pela primeira vez, no festival Paredes de Coura. Como é que foi a experiência?

SM  Foi fantástico. Um dos melhores concertos da minha vida. Estávamos a tentar ir a Portugal há 5 anos e por alguma razão não estávamos a conseguir. Mas finalmente conseguimos e esperamos voltar.

TM  A sério?! Como é que foi a primeira interação com o nosso país?

SM – Os fãs foram fantásticos, assim como a comida. Foi um dia incrível. Estavamos cheios de energia em palco devido ao público que estava a puxar por nós.

TM – A vossa setlist é bastante eclética, sendo constituída pormmúsicas de todos os álbuns. Chegaram a considerar um concerto só com músicas do álbum novo ou acham que isso seria demasiado negro?

SM  Não tem a ver com o facto de ser muito negro ou profundo, mas sim com o facto de tocarmos músicas para os fãs que nos conhecem desde o início. Assim conseguimos tocar um bocado de cada álbum e agradamos todo o tipo de fãs. 

TM – Podemos considerar Deeper um álbum mais profundo e negro?

SM – Todos os trabalhos são profundos, difíceis de interpretar emocionalmente. Às vezes, até as músicas do primeiro álbum são mais difíceis de tocar do que as deste último. Isso depende de quanto tempo já passou desde que as músicas foram compostas. Quando toco o primeiro álbum ao vivo dói bastante porque foi algo a partir do qual cresci há 5 ou 6 anos atrás. É interessante olhar para o passado e tocar essas canções. Também no futuro Deeper será muito difícil de tocar, assim que for altura de seguir em frente e olhar para trás, para estas novas canções, também bastante pesadas e emocionais. Neste momento ainda não tive muito para pensar nessas canções que escrevi, ainda estou a viver dentro delas. Mas assim que o tempo passar vou crescer naturalmente como pessoa. 

TM – Ainda te sentes triste quando tocas as músicas mais antigas?

SM – Eu estou sempre triste. Eu não o mostro, tento ser feliz à superfície. É por isso que faço este tipo de música. 

TM – Então tocas este tipo de música para te exprimires?

SM – Eu escrevo este tipo de música porque quero ser feliz. Eu quero derrotar a tristeza. Eu não quero estar triste e nem estou a dizer “Oh, sou um gajo deprimido”. Eu faço músicas tristes porque quero superar esses sentimentos, estou farto de me sentir assim.

TM – Essas músicas antigas, ainda as sentes como se fossem tuas?

SM – Claro, elas vão ser sempre os meus “bebés” numa certa maneira. Estas canções são muito pessoais e representam mini-capítulos da minha vida, em que tento descrobrir-me e superar certos sentimentos. Serão sempre pessoais, não importa o tempo, até no futuro quando for um ciborgue. É por isso que escrevo tudo.

TM – Na penúltima vez que assisti a um concerto dos Soft Moon, vocês tocaram para um público pequeno. Há alguma diferença em tocar num grande festival como Paredes de Coura?

SM – Não há diferença para mim. Quando eu atuo, estou sempre a ir ao meu interior e a transformar-me. Não interessa, pode ser apenas para uma pessoa, pode ser para um grande festival. Eu não vejo nada disso, eu apenas entro nas canções. 

TM – Então não te importas como é o público?

SM – Claro que importo e consigo senti-lo. A maioria das vezes eu fecho os meus olhos e não preciso de olhar para a multidão, eu apenas sinto-a. Consigo sentir essa ligação 

TM – Quando ouves pessoas a cantar as tuas músicas, como é que te sentes?

SM – É um bom sentimento. Qualquer um que cante as minhas músicas, bastante honestas e profundas sobre a realidade e coisas assim, posso logo dizer que estamos ligados. 

TM – Estás num editora (Captured Tracks) muito marcada pela sonoridade dream pop de bandas como Mac DeMarco, Wild Nothing, Beach Fossils e DIIV. Como é que explicas que a tua sonoridade seja tão diferente dessas bandas?

SM – O Mac DeMarco está nesta editora há bastante tempo e ele é tem sido bastante popular recentemente. Também estou na editora há bastante tempo. Eu sempre me destaquei mas agora acho que me destaco mais, talvez não na melhor maneira. Eu gosto de me destacar e sentir como o outsider da editora. Eu pensei em juntar-me a editoras maiores no passado mas se te juntares a elas podes perder-te porque há tantas outras bandas. Na Captured Tracks nós somos relevantes mas também não somos os mais populares, mas isso não é algo que me preocupe. Permite-me ser diferente como sou na vida real. Se estivesse numa editora maior talvez não fosse tão diferente, nem sequer seriamos reconhecidos como o somos agora.

TM – Achas que no quarto álbum vais continuar com esta sonoridade mais negra ou vais regressar à tua sonoridade mais old school?

SM – Não faço ideia, não gosto de pensar no futuro nem no que vou escrever. Eu prefiro viver esta vida de momento e quando for altura de escrever o próximo álbum, os sentimentos que saírem estarão lá presentes. Pode ser mesmo qualquer coisa. 

TM – E consegues adiantar-nos algo desse novo álbum?

SM – Ainda é muito cedo para saber. Eu estou a escrever mas nada ainda de muito concreto. Estou sempre a escrever quando não estou em tour.

TM – Porque é que escolheste o nome The Soft Moon em vez de Luis Vasquez?

SM – Eu não sou um tipo de pessoa que mostre a sua personalidade ou o meu carater. Eu gosto de me expressar através de outro nome para mostrar o meu outro lado.

TM – Tendo em conta que os Soft Moon são considerados uma das bandas principais do post-punk moderno, achas que, de algum modo, o género sofrerá mudanças ou poderá cair em decadência?

SM – É uma questão interessante. Não sei bem. Eu acho que tudo entra em decadência e passa por ciclos diferentes. Essa coisa tem de bater no fundo para depois voltar ao seu auge. Tudo são ciclos, não importa o quê. 

TM – Quais são as tuas principais influências?

SM – É apenas a minha vida. A música é a autobiografia da minha vida. O som que produzo é provavelmente inspirado pela infância. 

TM – E algumas bandas serviram dessa tal influência?

SM – Sim, bastantes. Michael Jackson, Prince, Guns N’ Roses, Metallica, Slayer. Tudo o que ouvi ao longo da vida. 

TM – Eu pensava que ouvias Joy Divison.

SM – Eu apenas ouvi Joy Division depois a começar este projeto. Eu conhecia algumas das canções. 

TM – Que músicas tens ouvido ultimamente?

SM – Eu ouço muitas coisas antigas de quando era novo. Black Flag, Dead Kennedy, Fugazi, entre outros.

TM – É engraçado que essas bandas não são nada parecidas com The Soft Moon. 

SM – Tu não consegues ouvir essas parecenças mas eu consigo. Quando aprendi a tocar guitarra, estas eram as bandas que eu ouvia, por isso há uma espécie de influência não tão direta mas mais no meu subconsciente.

TM – Obrigado pela conversa. Cheers!

SM – Cheers!