sábado, 28 de fevereiro de 2015

STREAM: Abismo - Vazio


Vazio é o álbum de estreia de Abismo, o projecto do portuense João Freire, que é editado hoje via Signal Rex e que se encontra igualmente disponível para audição gratuita do mesmo, cortesia da Signal Rex. Vazio é uma exteriorização da nossa alma a fim de no vermos de dentro para fora, ao longo de seis faixas. O álbum pode agora ser ouvido na íntegra em baixo, estando igualmente disponível para compra física em formato cassete. Este último vem acompanhado por um poster A3 e código de download digital.



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Oiçam: Tundra Fault


Tundra Fault é o novo projecto em apresentação em mais uma das nossas rubricas, desta vez em volta da música electrónica e igualmente com assinatura portuguesa, à semelhança de ZGA anteriormente recomendado aqui. Miguel De, natural de Ovar, é assinatura por trás de Tundra Fault e apresenta-se em formato longa duração com Whole, disco composto por oito faixas à volta de sonoridades como o techno na sua vertente experimental. E começam aqui os motivos pelos quais devem, de facto, ouvir Tundra Fault. O primeiro encontra-se na reprodução de "Voyage", a quinta faixa de Whole e uma das melhores do presente trabalho. O ideal é passar antes por "Breaking Orb" ou ficar a tripar um bocadinho em "Loose Self".
O segundo motivo encontra-se na cover art do álbum, haverá algo mais incrível que a fotografia do corpo humano masculino em loop a formar uma espécie de osso sobre um fundo preto? Mas o mais incrível é que visto de outras perspectiva facilmente parece um quadrado achatado em 3D, é maravilhoso como uma simples capa pode transmitir diferentes interpretações. O terceiro motivo passa pelas suas influências em vários artistas da música electrónica, nomeadamente The Field, Machinedrum, SHXCXCHCXSH, Conforce, Porter Ricks, Jon Hopkins e Throwing Snow. Todo o álbum resulta em si como um quarto motivo pelo facto de ter nascido de uma vontade de falar sobre a sexualidade e a forma como os corpos se relacionam pelo toque. 

Whole acaba assim por se tornar numa exploração das relações interpessoais em que a pessoa não existe, mas apenas o corpo, um corpo sem cabeça, sem identidade; e finalmente, da procura por essa mesma identidade. Tundra Fault apresenta assim, em Whole, uma sonoridade agressiva e negra, procurando atingir a ténue linha que separa o agradável do nefasto neste tipo de relações. É de ouvir.



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MEDEIROS/LUCAS apresentam "Mar Aberto" no MusicBox a 19 de Março

MEDEIROS/LUCAS junta Pedro Lucas do projecto O experimentar Na M’Incomoda, a Carlos Medeiros, figura de culto no circuito da música tradicional portuguesa, fonte de inspiração para o seu O Experimentar, graças a "O Cantar Na M'Incomoda" (1998). Agora é corpo presente, neste encontro onde há acordes que ligam os Açores à Ibéria, ao norte de África. Há textos de Miguel Cervantes, de Armando Côrtes-Rodrigues.

Mar Aberto é a carta de navegação para este projecto que junta as duas gerações de músicos responsáveis pela reinvenção da música popular Açoriana. O primeiro avanço, "Canção do Mar Aberto", já foi lançado em forma de videoclip e conta com a realização de Gonçalo Tocha.
A edição completa chega às lojas a 2 de Março, com selo Lovers&Lollypops/Musicbox - CTL e será apresentado, ao vivo, na sala lisboeta a 19 do mesmo mês. Vejam a capa em baixo.
O disco foi masterizado por Harris Newman, no Grey Market Mastering em Montreal, por onde passaram nomes como Moonface, Suuns,  Wolf Parade, Frog Eyes, A Silver Mt. Zion, entre outros. Neste trabalho colaboraram Ian Carlos Mendonza (Tigrala), Augusto Macedo (Selma Uamasse), Pedro Gaspar (Bandarra), Mitó Mendes (A Naifa) e Gil Alves (Zeca Medeiros) entre os mais salientes. 

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

[Review] Screaming Females - Rose Mountain


Rose Mountain // Don Giovanni Records // Fevereiro de 2015
6.9/10

Os americanos Screaming Females começaram a fazer história em 2006 aquando do lançamento de Baby Teeth, o seu primeiro trabalho de estúdio que começaria a denotar uma banda confiante do seu trabalho, nas vertentes do punk e do rock alternativo. Os ingredientes estavam na voz feminina de Marissa Paternoster e nas guitarras, a revisitar diferentes estilos, que a acompanham. "Jonah" é um malhão que juntamente com as restantes 9 canções traz um álbum de estreia memorável para os Screaming Females e uma delícia para um coleccionador de edições. Nos álbuns seguintes o trio americano manteve a mesma capacidade de produzir bons trabalhos, explorando diferente sonoridades, embora sem escapar à base que nos apresentaram através do primeiro trabalho de estúdio. 

Foi talvez com Power Move(2009) que os Screaming Females atingiram o auge da carreira e se afirmaram como banda. Um álbum onde a bateria se junta à voz gritada de Paternoster e resulta num punk dançável. Faixas como "Skull" e "Starving Dog"  são sempre boas de re-ouvir. Em Castle Talk (2010) há guitarras menos agressivas e um álbum mais surf rock, embora sempre com o habitual toque punk. A sonoridade dos Screaming Females via assim uma pequena mudança, posteriormente abandonada na maioria das canções de Ugly(2012). Rose Mountain é assim o sexto álbum na discografia do trio americano e mostra igualmente uma banda a evoluir a sua habitual sonoridade desta vez indo buscar alguns elementos do hard rock, essencialmente denotados ao nível da guitarra, por exemplo logo na faixa de abertura, "Criminal Image". No geral há uma aposta bastante forte nos primeiros cinco anos do século XXI, as guitarras tanto soam semelhantes às dos primeiros álbuns de The Strokes (por volta dos dois minutos de "Wishing Well") como viram grunge em "Empty Head" ou trazem novas experimentações sonoras, nos segundos finais da faixa homónima.

Rose Mountain retrata uma banda menos agressiva na sonoridade enquanto explora igualmente alguns pontos positivos de Power Move. "Triumph" e "Ripe" são as grandes malhas a retirar deste novo longa duração, o ritmo demarcado pela bateria continua a chamar pelas guitarras mais pesadas trazendo de volta aquilo a que os Screaming Females nos habituaram nos seus primeiros trabalhos. Rose Mountain peca essencialmente pela insistência dos americanos nas sonoridades do rock alternativo ao invés de repescar uma percussão mais notável ou uma voz mais gritada. Apesar do bom esforço há coisas que não resultam bem: a introdução que ocorre no primeiro minuto do homónimo "Rose Mountain" parece que foi criada de forma completamente aleatória e independente dos seus restantes três minutos. Músicas como "Hopeless" trazem um constraste agigantado quando comparadas a "Triumph" e "Ripe", e o álbum, apesar de um bom esforço, acaba por se tornar desinteressante ao longo das suas sucessivas reproduções.


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Filho da Mãe, Los Saguaros entre outros em Alcobaça a 6 de Março


A Operação Crestunfo volta a trazer uma noite de festa, em Alcobaça, desta vez com Filho da Mãe, Fast Eddie Nelson, The Dirty Coal Train e Los Saguaros a decorrer igualmente na Associação Recreativa Povoense, em Coz, na próxima sexta-feira, 6 de Março por volta das 22.00H. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

As entradas têm um preço de 4 euros com oferta de 1 bebida.

Filho da Mãe

Fast Eddie Nelson

The Dirty Coal Train

Los Saguaros



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Basset Hounds lançam primeiro single do LP de estreia


Depois de terem sido confirmados na primeira edição do Lisbon Psych Fest, os Basset Hounds acabam de avançar hoje com o primeiro avanço do seu álbum de estreia. "Over The Eyes" é um malhão de guitarras a soar ao rock californiano de uns Allah-Las, mas sempre com o toque tropical português, a que já temos vindo a ser habituados por Juba ou eventualmente os Surveillance

"Over The Eyes" sai oficialmente no próximo dia 1 de Março e encontra-se igualmente disponível para download gratuito no bandcamp da banda ou aqui.


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Clark anuncia 'Flame Rave' EP


Clark acaba de anunciar mais um trabalho de estúdio, desta vez em formato curta duração, a ser lançado nos dinais de Março. Flame Rave EP sucederá assim o álbum homónimo lançado em Novembro do ano passado. O anuncio veio acompanhado pelo primeiro single de avanço, "Silver Sun", que pode ser reproduzido abaixo. 

Flame Rave tem data de lançamento prevista para 23 de Março via Warp.



Flame Rave Tracklist:

1 - Silver Sun 
2 - To Live And Die In Grantham 
3 - Springtime Linn 
4 - Unfurla Cremated

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Tó Trips actua a solo em Vila Real a 1 de Março


1 de Março || Biblioteca Municipal de Vila Real || 18.00H

Pássaro é o novo ciclo de música da promotora covilhete na mão. Depois de duas edições, o Pássaro volta numa terceira edição com o guitarrista português dos Dead Combo, Tó Trips, um nome inconfundível da música nacional, a actuar no próximo dia 1 de Março na Biblioteca Municipal de Vila Real, num concerto a ter início por volta das 18.00H.

Tó Trips trará assim na bagagem o disco de estreia Guitarra 66(2009), e o seu mais recente trabalho, Guitarra Makaka(2015). Os bilhetes para o evento já se encontram à venda na loja Traga Mundos e Associação de Estudantes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. As entradas estão limitadas a 100 pessoas.

 Preços:  
Normal - 7€ 
Estudantes - 5€



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STREAM: Purity Ring - Another Eternity


No início desta semana os Purity Ring lançaram as letras das canções de Another Eternity. Desta vez o duo decidiu apostar no lançamento de um novo trabalho audiovisual, para "Bodypache", juntamente com a disponibilização da audição deste novo trabalho de estúdio na integra, cortesia da NPR. O mesmo poderá ser ouvido aqui.

Another Eternity é lançado a 3 de Março pelo selo 4AD.


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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Os Earth regressam a Portugal


A espera acabou amigos: os Earth já têm data marcada para regressarem a Portugal.
Agradeçam à Amplificasom que é, desde há muito tempo, uma cara conhecida da cena musical pesada e, cada vez mais, uma referência em termos de qualidade. 
Responsáveis pelo regresso dos God Is An Astronaut, dos Mono e, agora, dos Earth.
Um mês de Maio gordo, portanto. 
Aqui na redacção é dia de celebração, dada a nossa ânsia de ver Dylan Carlson e o resto do colectivo ao vivo.
Espera-se uma apresentação ao vivo do "Primitive and Deadly" lançado no ano passado, mas também uma visita às malhas antigas.
A digressão dos Earth tem datas marcadas para Lisboa e para o Porto. Mais detalhes abaixo.



26-05-2015, TERÇA

HARD CLUB PORTO
PORTAS 20:00
ERMO 21:00
ANÚNCIO AMPLIFEST 21:45
EARTH 22:15

27-05-2015, QUARTA

MUSICBOX LISBOA
PORTAS 20:00
FILHO DA MÃE 21:00
ANÚNCIO AMPLIFEST 21:45
EARTH 22:15

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William Elliott Whitmore anuncia 'Radium Death'


Radium Death é o novo trabalho de estúdio de William Elliott Whitmore que marca o fim de uma pausa de quatro anos, sucedendo assim Field Songs(2011). Segundo a press release este novo trabalho traz sons mais distorcidos amplificando a sua habitual abordagem folk. As faixas foram construídas muitas vezes no estúdio, com vários músicos convidados.

Radium Death tem data de lançamento prevista para 31 de Março pelo selo ANTI-.



Radium Death Tracklist

1. Healing to Do 
2. Civilizations 
3. Trouble in Your Heart 
4. A Thousand Deaths 
5. Go On Home 
6. Don't Strike Me Down 
7. Can't Go Back 
8. South Lee County Brew 
9. Have Mercy 
10. Ain't Gone Yet


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Wolf Alice anunciam álbum de estreia


Depois dos EPs Blush(2013) e Creature Songs(2014), os Wolf Alice anunciaram esta semana, finalmente, o seu primeiro longa duração, My Love Is Cool através do novo avanço em formato single, "Giant Peach", que segue "Fluffy". O álbum tem a produção de Mike Crossey (Foals e Arctic Monkeys) e, embora ainda não tenha sido revelada nem tracklist nem art cover, segue em baixo o rock imersivo de "Giant Peach", para ouvir. 

My Love Is Cool chega às lojas no dia 22 de Junho via Dirty Hit Records


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Weyes Blood e Tó Trips no GNRation a 28 de Fevereiro

Natalie Mering, também conhecida por Weyes Blood, e Tó Trips vão actuar este Sábado às 22h30 no GNRation

Tó Trips, guitarista dos Dead Combo, planeia em 2015 dividir o seu tempo entre os seus cada vez mais planetários e desejados Dead Combo e apresentações ao vivo a solo no nosso país, mostrando os novos temas que tem composto e terão lugar num próximo disco, bem como outras peças em guitarra acústica e eléctrica que tem trabalhado para encomendas de espetáculos de dança e teatro. 

E uma óptima notícia saber que Guitarra 66, álbum que lançou com a Mbari no já distante ano de 2009, vai finalmente ter um sucessor. 
Antes de Tó Trips, ao palco da Blackbox do GNRation subirá Natalie Mering que, enquanto Weyes Blood, editou na recta final de 2014 pela prestigiada Mexican Summer o fantástico álbum The Innocents, segundo trabalho a sério e sucessor de The Outside Room

Natalie é totalmente americana, a sua música vive da paisagem que os seus olhos vão resgatando das viagens que a levam da costa aos desertos. A sua música e imaginário vivem também da grande literatura, de Steinbeck ou Flannery O’Connor, das palavras fundas com que descreveram a realidade de um país complexo e mágico e selvagem e tudo. Por isso a música que cria é também ela diversa, entre uma ideia de folk mais cândida e outra de rock mais abrasiva, entre madrigais e drones, entre a pureza acústica e a dureza elétrica. 
Os bilhetes custam 7€ e podem ser adquiridos no balcão do GNRation ou na bilhete on-line em www.gnration.bilheteiraonline.pt.

Texto de Rui Miguel Abreu

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[Review] BADBADNOTGOOD + Ghostface Killah - Sour Soul

BADBADNOTGOOD + Ghostface Killah || Lex Records || Fevereiro de 2015
7.8/10

Há coisa de poucos dias, finalmente vi o Whiplash.
Brevemente falando da película para quem a desconhece, ela narra a história de Andrew um estudante de música que quer ficar na história como um os Grandes bateristas.
O filme mostra-nos a linha temporal que começa desde os seus tempos de estudante na Shaffer Conservatory até à sua (aparente) consagração aos olhos do seu mestre, o professor Fletcher. Apesar das críticas ao filme e de alguma manipulação histórica para melhor contar a história de Whiplash, a mensagem que ele tenta passar — e consegue — é clara como a água: o pódio é difícil de alcançar e, no final, é um lugar duro onde se estar.  Toda a gente está de olho em nós, mas, na verdade ninguém quer saber de nós.
Afastámos tudo e todos para sermos um dos Grandes. E quando conseguimos chegar ao nosso objectivo, chegamos lá sozinhos, em última instância. E é sozinhos que ficamos. 
Sendo eu um artesão das áreas criativas, este filme tocou-me.
Apesar de haver mais filmes que retratem o sofrimento do artista, em confronto consigo mesmo e com o seu ideal de perfeição (o Black Swan é outra película que exemplifica isto mesmo) e apesar da dramatização da narrativa (imperfeita) de Whiplash, a verdade é que o filme me pôs a ver as coisas de outra maneira.
Longas horas de treino e ensaios, a isolação —e consequente alienação — em relação a tudo e todos, muita frustração, muita tentativa/erro e, naturalmente, muita dor…talvez o esforço não compense. Talvez uma existência frugal seja preferível a uma vida plena de satisfação criativa mas pobre em tudo o resto. Mas talvez isto sejam apenas as dúvidas a falarem mais alto. Quem é das artes sabe que a nossa satisfação criativa leva a melhor de nós — e da nossa razão inclusive — muitas das vezes.
E é sobre satisfação criativa que nós vamos falar a seguir. E de jazz, claro.
Afinal de contas, Sour Soul — a nova empreitada sonora do mítico Ghostface Killah realizada em conjunto com os BADBADNOTGOOD — mistura o universo do hip hop com o melhor groove do jazz de uma forma brilhante.
Mas porque falei eu de Whiplash no início da crítica, perguntam vocês?
Para estabelecer um paralelo com estes gajos.
          ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Para aqueles que não sabem quem são os gajos da foto, apresento-vos os BADBADNOTGOOD, o trio de jazz composto por Matthew Tavares, Chester Hansen e Alexander Sowinski. A história deles começou na Humber College, no ano de 2010, num programa de ensino de jazz. Foi lá que os 3 se cruzaram e onde começaram a trocar ideias e influências. Para uma das suas cadeiras, ele compuseram uma peça baseada nas sonoridades do colectivo Odd Future, a qual apresentaram numa suas aulas, como resposta a um trabalho proposto numa das suas disciplinas. Essa peça foi então apresentada e considerada pelos seus professores como desprovida de qualquer tipo de valor artístico ou musical.
Caso eles fossem o Andrew do filme, eles provavelmente ter-se-iam fechado nos seus quartos a ensaiar, isolados. Ou teriam desistido e ido trabalhar para um café, como o Andrew fez depois de ser expulso da sua escola.
No entanto, o que os BBNG fizeram foi seguir outro percurso: sairam da rede onde se encontravam (a academia) e foram procurar outros contactos, expor o seu trabalho a olhares diferentes e trocar diferentes ideias.
Assim sendo, os BADBADNOTGOOD lançaram a faixa apresentada na Humber College no Youtube, intitulando-a "The Odd Future Sessions Part 1".
Essa faixa captou a atenção de Tyler, The Creator, personalidade que ajudou a divulgar o trabalho dos BBNG, tornando o vídeo viral.
Este vídeo e a sua história marcam o início dos BBNG tal como os conhecemos agora: um trio de jazz que interpreta o género à sua maneira.
Desde as covers aos MBV, ao James Blake à música do Zelda e aos seus temas originais, os BBNG são confessos adeptos de uma nova interpretação do jazz ,da negação dos seus antigos valores (mais para ler nesta entrevista à RESPECT.) e escusado será dizer que o trio faz parte de uma juventude nativa com realidades que não existiam nos primórdios do jazz. A internet, a comunicação instantânea e a queda de (quase) todas as fronteiras e barreiras no acesso a música e informação, tudo isto certamente contribuiu para o surgimento dos BBNG e para a maturação dos seus ideais e do seu processo: a anulação das barreiras na sonoridade jazz, considerando o género como terreno fértil para interpretações várias.
Com uma lista de 3 LPs, participações na prestigiada Boiler Room, digressões pelo mundo todo e agora, com a colaboração com o Ghostface Killah, os BBNG subiram mais um degrau nos seus objectivos, ao colaborem com um MC de renome.
Que o Tyler me perdoe pela minha sinceridade, mas o Ghostface é um titã.

Sobre esta colaboração, poderíamos falar da brilhante lírica de Ghostface Killah que, em conjunto com a groove e a produção dos BBNG e do Frank Dukes, formam as parcelas de uma bonita e significativa equação que é Sour Soul.
Bem, isto não acontece. Muito por culpa da lírica.

O veterano traz para a mesa boas rimas. Mas, infelizmente, na maioria das vezes, elas são dirigidas à sua crew — os míticos Wu-Tang Clan — e ao seu alter-ego Tony Stark, deixando pouca margem no LP para a crítica social e para narrativas ricas, optando aproveitar esse tempo de antena para o saudosismo narcisista e props para os homies, algo que eu considero uma falha. Oportunidades como as propiciadas em Sour Soul devem ser, na minha opinião, aproveitadas para fazer passar mensagens importantes. Todos sabemos que os Wu Tang Clan ain't nuthin' to fuck wit, mas eles têm um legado que falam por si. Mais props não os vão elevar, dado eles já estarem no topo, ainda para mais quando os props são vindos de um membro de colectivo. E o Ghostface já é o rei de um grande reinado, não precisa de provar nada a ninguém e muito menos que mostrar que é o maior. O leque de convidados é, apesar de curto, é destacável, ficando por vezes o microfone a cargo de Danny Brown e do veterano MF Doom. Mas nem este salva a honra do convento.

Em suma, a lírica do disco não compromete, mas também não inova em nada.

O que é uma pena.
Por outro lado, o meu trabalho nesta review ficou muito facilitado, dado que me pude concentrar a fundo no groove e nos valores de produção de Sour Soul.
E esses meus amigos, são altíssimos. São, para mim, a melhor parte do disco.
Repito, a lírica não compromete o LP, mas face à qualidade do groove dos BBNG, esta fica um pouco ofuscada, acabando por não complementar a sonoridade de Soul Soul da maneira que este merece. Não se mostrou à altura da componente instrumental de luxo que os BBNG compuseram.
E é esta componente o melhor que podem subtrair de Sour Soul.
Os valores de produção são altíssimos, no sentido em que tudo soa incrível. os baixos que se arrastam, a percussão, a guitarra, tudo isto ajuda a compor uma fórmula incrivelmente coesa e, mais importante, que resulta. 
Mas aqui, acho que há mais um destaque a dar os BBNG. Talvez o pormenor mais destacável: não só estes 3 jovens estão a colaborar com um dos MCs incontornáveis da história do hip hop, mas roubaram-lhe o destaque no seu próprio jogo.
A orquestra que chegou para compor em conjunto com um dos maiores mcs da cena acaba, em última instância, por levar a taça. Atenção, mais uma vez digo: Ghostface não desempenha mal o seu papel. Na lírica e no tom da voz ouvimos os anos de luta de um self made man e MC, que a punho subiu na sua carreira e na sua vida. Mas chamem lhe sangue novo, talento puro ou os ouvidos e mãos da juventude a interpretarem a realidade a seu belo prazer, as composições dos BBNG soam incrivelmente frescas. 
As inspirações com o jazz e o hip hop são notórias, mas a sua interpretação de ambos os géneros é fabulosa.
O futuro pertence à juventude, de facto.

Poderemos estar a testemunhar o nascer de uma das maiores jóias da coroa da produção do hip hop. A confirmar-se as nossas palavras lembrem-se: leram aqui primeiro.

E a consagração dos BADBADNOTGOOD começou com Sour Soul.



Sour Soul's Tracklist:

1. Mono
2. Sour Soul
3. Six Degrees (ft. Danny Brown)
4. Gunshowers (ft. Elzhi)
5. Stark's Reality
6. Tone's Rap
7. Mind Playing Tricks
8. Street Knowledge (ft. Tree)
9. Ray Gun (ft. DOOM)
10. Nuggets of Wisdow
11. Food
12. Experience

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God Is An Astronaut regressam a Portugal em Maio


Os irlandeses God is an Astronaut, que estiveram presentes no Paredes de Coura em 2013, regressam aos palcos portugueses em Maio. O primeiro concerto tem lugar no Hard Club (Porto), a 3 de Maio e recebe abertura pelos Quelle Dead Gazelle. No dia seguinte a banda actuará no Armazém F, em Lisboa, onde a abertura da noite será assegurada pelos Katabatic

3 de Maio - Hard Club, Porto || 21.00H
4 de Maio - Armazém F, Lisboa ||21H

Preço dos bilhetes para ambos os concertos: 18€ || 20€ (a partir de 1 de Abril)


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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Reportagem: Os Capitães da Areia [Musicbox - Lisboa]


Foi neste último sábado que se fez ouvir no Musicbox Lisboa a pop espacial dos Capitães da Areia. Pouco antes das portas abrirem, os fãs mais devotos começavam a agrupar-se pela entrada para ouvir ao vivo o mais recente álbum da banda de Cascais, A viagem dos Capitães da Areia a bordo do Apolo 70. Dentro do Musicbox sentia-se cada vez mais ansiedade no ar, à medida que o espaço se ia preenchendo. Minutos depois da hora prevista para o começo do concerto, e depois de umas palavras de introdução, os Capitães da Areia, compostos por Pedro de Tróia, Tiago Brito, António Moura e Inês Franco entraram em palco sob uma enorme ovação dos fãs, e assim que começaram com o tema “Arco das Portas do Mar” do novo álbum: o público rebentou em saltos e cânticos eufóricos, o ambiente era agora de festa. 


O concerto prosseguiu com uma mistura de velhos e novos temas, com principal destaque para “Partida Para o Espaço“, onde se ouviu bem o público a entoar da letra “quero pão com marmelada”, “Grécia Revista e Aumentada”, um velho clássico do primeiro álbum O Verão Eterno d'Os Capitães da Areia, e uma cover da Lena d’Água, “Sempre que o amor me quiser”, em que o vocalista Pedro de Tróia saltou para a plateia e cantou no meio do público, onde acabou por fazer uma espécie de serenata a uma fã sortuda. Foi depois desta ultima música que Pedro chamou ao palco o antigo membro-fundador dos Capitães da Areia, Vasco Ramalho, para tocar dois temas do primeiro álbum, “Raparigas da Minha Idade” e “Dezassete Anos”. Os fãs gritavam histéricos “Ramalho Ramalho!!” felizes pela aparição, e, mal a banda começou a tocar, o público explodiu, em saltos e cânticos com direito a uma espécie de moshpitcrowdsurfing por parte de Vasco, estas duas músicas foram certamente o momento mais alto da noite. 


Depois da despedida do ex-membro dos Capitães da Areia, o concerto foi rumo ao final, as músicas que se seguiram foram unicamente do novo álbum, Pedro de Tróia ia fazendo intervenções tímidas e alegres nos intervalos das músicas, cantava em cima de uma coluna e fazia crowdsurfing, a festa ainda perdurava. A banda despediu-se do público com “Ájax”, mas, minutos depois, devido aos inúmeros pedidos em coro, a banda voltou para um encore de duas músicas, com destaque para a repetição de “Arco das Portas do Mar”, enormemente aplaudido e celebrado, concluindo assim, um concerto que, para os maiores fãs dos Capitães da Areia, vai certamente ficar na memória com muito carinho.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Pedro Guerra

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Godspeed You! Black Emperor anunciam novo álbum


Os Godspeed You! Black Emperor anunciaram Asunder, Sweet and Other Distress, o seu sexto trabalho de estúdio e sucessor de  Allelujah! Don't Bend! Ascend! (2012). Juntamente com o anúncio a banda avançou ainda com "Peasantry or ‘Light! Inside of Light!’" como primeiro avanço do novo trabalho.

Asunder, Sweet and Other Distress tem data prevista para 30 de Março via Constellation


Asunder, Sweet and Other Distress Tracklist

01 Peasantry or ‘Light! Inside of Light!’ 
02 Lambs' Breath 
03 Asunder, Sweet 
04 Piss Crowns Are Trebled

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STREAM: Gang Of Four - What Happens Next


Os Gang Of Four disponibilizaram esta semana a audição de What Happens Next, o nono álbum de estúdio da banda que conta com a participação de Alisson Mosshart (The Kills e The Dead Weather), Herbert Grönemeyer, Robbie Furze (The Big Pink) e do guitarrista japonês Hotei. 

What Happens Next,  é editado hoje via Metropolis Records. No Reino Unido apenas chegará às lojas a 2 de Março via Membran.


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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Abominável apresentam "Enteléquia" em concerto de despedida


Dia 13 de Março, no Passos Manuel, a banda O Abominável vai dar o seu último concerto antes de "uma pausa longa e indefinida".

O concerto de despedida no qual a banda do Porto vai tocar o álbum "Enteléquia" na íntegra irá contar com a presença de alguns convidados: Elísio Donas (Ornatos Violeta), Igor Ribeiro (Ghetthoven) e Nelson Graf Reis (We Bless This Mess).

Começa às 22h00. Os bilhetes custam 5€.


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Patrick Watson vai editar novo álbum

Depois do tão aclamado Adventures In Your Own Backyard editado em 2012, eis que surge a altura de Patrick Watson dar mais novidades aos seus fãs. O artista partilhou no seu facebook um vídeo (em baixo) onde anunciou que o novo trabalho se irá chamar Love Songs for Robots.

Por enquanto, só este pequeno excerto, com uma sonoridade a que já nos habituou, e o título do novo trabalho podem ser avançados. Ainda sem data de lançamento marcado, Love Songs for Robots trata-se do sexto álbum de estúdio para o multi-instrumentalista do Quebec, Canada. Vamos aguardar novidades e que não nos faça esperar muito pelo novo álbum. Lá para Abril ou Maio sabia tão bem!

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Dorfmeister no MusicBox a 7 de Março

Richard Dorfmeister está de regresso a Lisboa para encabeçar a noite de clubbing da próxima Musicbox Heinken Series, marcada para dia 7 de Março.
Richard Dorfmeister, metade da dupla Kruder & Dorfmeister, é uma referência incontornável da electrónica dos anos 90, numa altura em que o downtempo, o nu-jazz e o trip hop reinavam nas pistas de dança europeias. 

Em conjunto com Peter Kruder editou gravações e remixagens que são clássicos da música de dança europeia. É também responsável pelo projecto Tosca, juntamente com o compositor Rupert Huber.

No tempo que lhe resta voltou ao gira-discos, cruzando as barreiras entre diferentes géneros e espaços sonoros, porque a electrónica também é terreno fértil para o ecletismo.
Em Março, regressa a Lisboa para se juntar a Jorge Caiado e Cruz, nomes de hoje no clubbing nacional.
Os bilhetes custam 10 euros e dão direito a bebida. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteira online e locais habituais.

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Sound Bay Fest anuncia detalhes do evento

A organização do Sound Bay Fest já anunciou onde se vai realizar o evento e o preço dos bilhetes.
Room 5, na zona do Cais do Sodré, Lisboa,  foi o local escolhido para acolher as sonoridades psicadélicas e os heavy riffs do blue e stoner rock. O bilhetes custam 25€, se foram adquiridos antecipidamente, ou 30€ se forem adquiridos no próprio dia. 
Bilhetes á venda em breve , em locais a designar e através de www.amazingvanilla.com

Fiquem a conhecer um pouco de todas as bandas que vão estar presentes no Sound Bay Fest:

Radio Moscow
1886

The Picturebooks

Libido Fuzz
Tweak Bird
Black Bombaim
Killimanjaro
Jibóia
The Japanese Girl
Stone Dead

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OAK Inc. lançam novo teledisco para "Chrome"


Marcado como o segundo lançamento da editora independente, Adega Records, Oak Inc. foi crescendo ao longo do último ano com a tentativa de Pedro Carvalho e Alexandre Braga de explorarem diferentes ambientes Rock/Eletrónicos/Dubstep/Hip Hop na procura de uma estética sonora para OAK Inc. O EP homónimo reúne ambientes sinistros a outros mais alegres e dançáveis que continuarão a ser desenvolvidos com o lançamento de um álbum no ano de 2016. 

O teledisco que acompanha este registo de OAK Inc. abarca 4 episódios, numa história contínua sobre o lançamento ficionado do EP em formato K7. O terceiro lançamento desta saga, para o single "Chrome" pode agora ser visto, abaixo.


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STREAM: Spectres - Dying


Hoje, e somente hoje, durante 24 horas os Spectres estão a disponibilizar para audição gratuita, via soundcloud, Dying, o seu álbum de estreia que é editado igualmente hoje pela Sonic Cathedral. No seu resultado, com uma duração total de quase uma hora, os Spectres apresentam assim dez músicas que voltam a fazer do shoegaze um dos géneros novamente em ascensão, na actualidade. A ouvir abaixo.



Dying's Tracklist: 
1. Drag 
2. Where Flies Sleep 
3. The Sky Of All Places 
4. Family 
5. This Purgatory 
6. Mirror 
7. Blood In The Cups 
8. Sink 
9. Lump 
10. Sea Of Trees

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