sábado, 4 de abril de 2015

Party Sleep Repeat com Black Bombaim entre outros a 9 de Maio


O Party Sleep Repeat já não é novo e, sediado em São João da Madeira, traz na edição de 2015 já quatro nomes de peso na "cena" musical portuguesa: Linda Martini, Moullinex, Black Bombaim e Cave Story. Nesta terceira edição, o festival que une música e arte com objectivos solidários, volta a ter lugar na Oliva Creative Factory, com mãos da Associação Cultural Luís Lima, no próximo dia 9 de Maio.

Ainda não foram divulgados os preços do evento. Todas as informações adicionais poderão ser consultadas aqui.









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Vídeos da Semana #43


Esta semana foi bastante rica no que toca a trabalhos audiovisuais, deste modo há assim  não só cinco vídeos, mas sete, para ver abaixo. Liturgy, Best Coast, Hot Chip, TOPS, Laura Marling, Waxahatchee e Le Volume Courbe são assim as escolhas da semana.

1 - Liturgy - "Quetzalcoatl"

2 - Best Coast - "Heaven Sent // Never Hide Noise"

3 - Laura Marling - "Gurdjieff's Daughter"

4 - Waxahatchee - "Under A Rock"

5 - Hot Chip - "Need You Now"

6 - TOPS - "Driveless Passenger"

7 - Le Volume Courbe - "House"


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Reportagem: B Fachada [Évora]



B Fachada é um artista que não reúne nem reunirá consensos, isso já é certo e sabido. Agora, quem gosta dele, gosta à séria. Tive essa prova na sexta-feira quando B Fachada subiu ao palco da Soir Jaa, concerto com selo da produtora Pointlist, inserido na digressão nacional do artista lisboeta.



São 23h, lá fora o termómetro aponta para os 18º e a Soir Jaa está bastante bem composta. Estão reunidas todas as condições para o maior cantautor da sua geração em Portugal, e um dos grandes desde a revolução de Abril subir ao palco.




B Fachada opta por começar o espetáculo trazendo Trás os Montes até Évora, com "Joana Transmontana", seguida de "Mano" mas é só com "Dá Mais Música à Bófia" o público realmente desperta e decide manifestar-se.
“Vocês gostam é disto!”, exclama B Fachada enquanto começa a preparar o teclado para "Camuflado".
 É com "Quem Quer Fumar com o B Fachada" que há algo corre mal. Já é sabido que o artista preza o silêncio do público enquanto canta. “Nem reparam...”, desabafa B Fachada enquanto faz uma pausa para posteriormente desistir da música, que ainda nem tinha chegado a meio, e avançar diretamente para "Mana" e "Crus" (que, olhando para a primeira fila do concerto, dá indícios de já ter uma coreografia oficial).

Ao fundo alguém pede “Zeca, Zeca” e B decide fazer-lhe a vontade, tocando "Já o Tempo se Habitua", música original de José Afonso, seguida de "Afroxula", que veio para agitar as ancas do público.
Na recta para o fim ouve-se "Não Pratico Habilidades", "Pifarinho e o desfecho é ao som dos conselhos sobre o mundo para o Tozé.
 Para o encore está guardada a "Boa Nova", que não se revela lá grande boa nova porque o público volta a fazer das suas e B Fachada tem a tirada da noite: “O Silêncio é como uma tela em branco. É como tentar pintar sobre preto.”, é assim, em tom de desconforto, que se despede e abandona o palco. Porém, o justo não pode pagar pelo pecador e o público não se conforma: “O que interessa é quem gosta! Volta!”.
E eis que B Fachada volta mesmo para anunciar "O Fim" e deixar o público a cantar "Só te Falta Seres Mulher".
Quem disse que as histórias que têm um final feliz são más histórias?

















Texto: Diogo Sousa
Fotografia: Inês Martins Almeida

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Oiçam: NOZ

NOZ é o projecto a solo de Bernardo Palmeirim. No ano de 2012 esteve em residência artística com Ricardo Martins em Barcelona, onde exploraram a desconstrução e reinvenção de algumas canções. Do seu trabalho conjunto resultou NOZ², disco gravado no estúdio Golden Pony em 2013, que é agora editado pela PAD.

A sua sonoridade está entre a música instrumental e a canção intimista, entre o pulsar tribal que liberta o corpo e o hipnotismo da imaginação. Cresceu no rock psicadélico, folk e blues, noise, pop alternativo e música experimental. Cruzamento entre cantautor e DJ que manipula as suas canções, NOZ procura sintetizar o infinito da plasticidade digital com a autenticidade do elemento acústico. Confiram vocês mesmos:


Bernardo Palmeirim fundou The Grey Blues Bend (2003-2005), e mais tarde em 2008, iniciou com a sua irmã Madalena os nome comum, projecto acústico de canções originais em português.
Ricardo Martins é parte dos Cangarra, Adorno, Papaya e mais um par de bandas. Passou ainda pelos I Had Plans, Asneira e o duo guitarra/bateria Lobster.

Em baixo estão anunciados os concertos de apresentação do álbum, editado pela PAD, NOZ² terá o prazer de passar a 3, contando com o apoio do amigo Jibóia.

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STREAM: Lapalux - Lustmore


Da mesma editora de Flying Lotus, a Brainfeeder, está agora disponível para streaming, cortesia da Dazed Magazine, o segundo álbum de Stuart Howard aka Lapalux. Lustmore é descrito como "uma experiência cinematográfica retro-futurista", e pode agora ser ouvido abaixo.

Lustmore tem data de edição a 6 de Abril pelo selo Brainfeeder.

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STREAM: Dolores Haze - Dolores Haze EP


Depois de terem apresentado "The Haze", como novo single, o quarteto feminino Dolores Haze disponibiliza hoje a audição gratuita do EP homónimo, cortesia da própria editora. O EP homónimo explora sonoridades entre o punk-rock, com guitarras experimentais, e um pouco de grunge, a ouvir abaixo.

Dolores Haze tem data de lançamento prevista para 8 de Abril via Woah Dad!


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[Review] Bizarra Locomotiva - Mortuário


Mortuário // Rastilho Records // Fevereiro de 2015
8.6/10

Bizarra: Característica do que é estranho, grotesco ou incomum. 
Locomotiva: Máquina a vapor, elétrica, de motor a diesel, de ar comprimido etc., montada sobre rodas e destinada a rebocar um comboio de carros ou de vagões sobre trilhos. 
É na junção destas duas palavras, de significados distintos, que reside uma das mais importantes bandas do panorama Industrial português. Com mais de vinte anos de carreira, e já sem ter nada a provar, esta locomotiva mostra que nem sempre velhice é sinónimo de desleixo/relaxamento e apresenta-nos um dos discos mais fortes da sua carreira (se é que há algum fraco). 

Mortuário, o sexto álbum de Bizarra Locomotiva, é portador de uma violência enorme (!) tanto no seu conteúdo lírico como na potência dos riffs de guitarra (de Miguel Fonseca) combinados com os vocais de Rui Sidónio. Na "Febre De Ícaro", primeiro tema do disco, vemos isso mesmo: uma sonoridade crua e densa capaz de meter qualquer um a fazer headbang (a intro tambem ajuda). "Hecatombe" é canção para constar num qualquer thriller made in Portugal... estamos prontos para gritar "Orai! Orai!" juntamente com Rui Sidónio, aquando da descida da “estrela de cinco pontas invertidas” para não lhe chamarmos outra coisa. 

"Sudário de Escamas" arrepia logo à audição dos primeiros guturais. Estes, conjugados com o hiper-groove de guitarra, os sintetizadores a fazerem de orgão de igreja e a maquinaria imparável no background tornam esta música numa das melhores do disco. O break aos 3:08 acompanhado dos típicos sussurros de Sidónio tornam este tema em algo do outro mundo... ou do submundo, podemos mesmo dizer. À quinta música chegamos a “Intruso”, que é talvez o melhor cover de Peter Gabriel que já ouvi na vida. O clima que já era sombrio, nos anos 70, transforma-se numa densa umbra, em 2015, penetrando-nos peito adentro e deixando-nos com calafrios. Uma espécie de remake bom do Massacre no Texas: o suspense é aumentado mas a história mantem-se fiel à original, mudando-se apenas o estritamente necessário. Só com a música traduzida para o Português é que percebemos o quão assustadora ela é... 

"Na Ferida Um Verme" mostra-se como sendo a música mais rápida e mais susceptível a que acontecam mosh pits, ao vivo. Um verdadeiro hino! 
A electrónica vem ao de cima no tema seguinte: "Foges-me em Chamas". É a malha mais calma de todo o disco... calma mas não calminha... a ambientalidade negra desvanece-se por completo, chegada a altura do refrão, ganhando tonalidades quase de Death Metal. ("Foges-me em chamas, resgato-te os ossos").

Em suma, este Mortuário é, possivelmente, o disco mais coeso que os Bizarra Locomotiva lançaram em toda a sua carreira, não havendo uma única música que possamos dizer que seja "menos boa". Assustador, negro, demolidor, claustrofóbico... são muitos os adjectivos que se podem aplicar a este trabalho. Uma verdadeira obra-prima da música portuguesa e um dos álbuns a ter em conta para as listas de melhores do ano (pelo menos para quem as faz). A Locomotiva demorou 6 anos a chegar à sua nova paragem mas chegou bem e melhor que nunca... afinal “Devagar se vai ao longe”.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Death Grips anunciam concerto holograma na lua


É oficial: os Death Grips são a primeira banda do mundo a transmitir um concerto para o espaço. Os rumores já circulavam na media há umas semanas, mas hoje em nota de imprensa, foi descodificada a mensagem, da banda, de binário para a língua humana. Na mesma nota, pode ler-se que "O futuro é uma barreira fácil para a tecnologia, e para a indústria musical conseguir tornar-se um "valor" mundial, é preciso unir-se à tecnologia". Ainda posteriormente os Death Grips voltam a referir o conceito de "concerto holograma", que já houveram realizado anteriormente, mas desta vez a ser transmitido para a lua.

Curiosamente a banda tinha recentemente confirmado a reunião para tour, onde o presente concerto se encontra inserido. Assim, dia 18 de Julho os seres intergalácticos poderão assistir assim ao concerto holograma dos Death Grips que terá lugar na Terra no Mohawk, em Austin, TX.



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[Review] Palmbomen - Palmbomen II

Palmbomen II // Beats in Space Records // Março de 2015
8.0/10

Palmbomen é o alter-ego usado por Kai Hugo para assinar a materialização dos seus devaneios musicais.
A par do seu alter-ego, Hugo não passa de um comum mortal, rodeado de problemas mundanos. Um dos problemas com o qual ele se deparou à algum tempo atrás foi o extenso período de espera que ele foi obrigado a aguentar na casa da sua mãe para ver o seu visto para os EUA ser aprovado pelo governo gringo.
Hugo aproveitou esse período para se fechar em casa da sua mão a ver tudo o que havia para ver dos X-Files. Entretanto a espera acabou, Hugo acabou de ver os X-Files e actualmente vive em Los Angeles. LA, a terra das estrelas, onde Hollywood dita parte das tendências e  a maioria das palmeiras são de plástico. Apesar disto, posso imaginar o fascínio de Hugo pela La La Land.

Hugo é pouco mais velho do que eu. E se Hugo teve uma infância similar à minha, esta foi vivida no clima do norte da Europa onde, à imagem de Portugal e ao contrário de LA, existem estações do ano e onde as palmeiras e o clima quente existem apenas nos filmes. Muito do conhecimento que Hugo adquiriu sobre o calor e os paraísos tropicais ter-lhe-à chegado na maior parte dos casos — eu estou incluido nesses casos — a ver séries televisivas norte-americanas e nunca sobre a forma de conhecimento empírico.
Miami Vice, A-Team, Walker Texas Ranger — apesar do Chuck não ser conhecido por ir à praia, a verdade é que no Texas retratado na série o sol está sempre alto e radiante — e, a espaços, os X-Files. Miami Vice já não é do meu tempo. A-Team e Walker Texas Ranger sim, mas se há memória que eu guardo são os serões que passava com a minha mãe a ver X-Files ou Ficheiros Secretos como era chamado por cá. Esta série foi, aliás, meritória de uma das melhores traduções de sempre na história das traduções em Portugal.

(Haverão sempre, é claro, traduções que são de lamentar.)

Mas centre-mo-nos de novo em Hugo e no seu consumo dos X-Files durante o período no qual esteve em casa da sua mãe. Foi durante esse período que se deu a génese de Palmbomen II, o trabalho nuclear para esta review.
Para efeitos práticos, Palmbomen II poderia ser tão facilmente sumariado da seguinte forma: Palmbomen II é o bi-produto da maratona que Hugo fez de X-Files, convertendo essas numerosas horas de visualização num output musical inspirado pela série.
A verdade é que a trama vai um bocado mais além desta superficial leitura e é importante alargarmo-nos um pouco mais na retórica, por forma a tentarmos perceber o que está por detrás deste Palmbomen II.

Em primeiro, a atmosfera lo-fi sonora criada por Hugo. Isto poderá ser motivado pelo seu desejo de trabalhar com um formato datado — Palmbomen II foi gravado directamente em fita — como forma da homenagem às séries antigas e ao VHS, formato de eleição da época. A crueza da fita consegue prolongar a sensação de nostalgia "eerie" dos X-Files e remete-nos para memórias queridas de outras narrativas datadas no universo da Sci-Fi.
A complexidade sonora aumenta quando tudo isto é embrulhado num pacote que incluí o predicado de dançável. Ou não fosse afinal de contas Hugo um artista dedicado à exploração dos pontos de convergência entre a IDM e o movimento italo disco.
É nestas sonoridades que o seu alter-ego Palmbonen se sente confortável e Palmbonen II pode ser lido como um exercício conceptual que procura perceber como a convergência do IDM e do italo house ajudam a aplanar o seu conturbado pano de fundo: o imaginário audiovisual dos X-Files.


A homenagem que Hugo presta aos X-Files ao atribuir às faixas que compõem Palmbomen II nomes retirados do repertório de personagem menores da série é uma característica notável deste LP. Mas é a lucidez na sua abordagem à obra audiovisual erigida pela série que, para mim, é o real destaque do disco. Por mais imersiva e envolvente que possa ter sido a experiência multimédia de Hugo, ele não se deixou envolver nas numerosas horas de visualização de X-Files de maneira infrutífera. Muito pelo contrário: aquilo que, para ele, pode ter começado por ser um acto inocente, acabou por se tornar um extenso estudo de campo das pegadas sonoras presentes em X-Files.
Essas pegadas sonoras já existiam na série, mas eram indeléveis aos ouvidos dos leigos. Hugo estudou a obra, viu os X-Files, e cartografou as suas paisagens, atmosferas, narrativas e personagens em Palmbomen II
Este género de precisão científica é bem sucedido ao apresentar-nos um corpo de trabalho que pode parecer desconexo e descompensado a uma primeira audição, com uma variação mínima de tempos e ritmos ao longo das faixas e pouca ligação aparente entre elas. Mas que com o passar do tempo, Palmbomen II denuncia uma união quase orgânica entre todas as suas parte.
Palmbomen II é um bom exercício, com valor musical e narrativo. De destacar o filtro tropical que se faz sentir ao longo dos acordes deste trabalho. Palmbomen II poderia ser perfeitamente adaptado à trilha sonora de qualquer série dos anos 80, até porque parece que o leque de influências de Hugo não se fica apenas pelos X-Files. Os motivos tropicais são, aliás, uma parte orgânica do trabalho de Palmbomen, dado que o seu próprio nome (Palmbomen é palmeira em holandês) remete-nos para um imaginário tropical. Mas não um tropical verdadeiro como aquele que vemos em cenários paradisíacos, mas sim aquele tropical que vemos como pano de fundo para séries policiais. 

(Sim, o gajo do meio é o Miles Davis.)

Talvez Palmbonen II seja a ponte que Hugo criou entre as suas próprias criações sonoras e o imaginário dos X-Files e de todas as séries policiais dos anos 80 em geral.
Talvez o que Hugo pretende com Palmbomen II é simultaneamente homenagear e criticar este universo falso e plastificado e as séries gringas que este contem, tudo sob a forma de um inspirado trabalho de IDM que cartografa as pautas dessas mesmas séries com grande fidelidade em termos de composição.
Talvez o que Hugo realmente quis fazer com este Palmbonen II foi divertir-se. Envolver-se num projecto de auto-recriação abastecido pela sua paixão por séries antigas e o seu desejo de homenageá-las com uma obra que espelhasse o melhor das suas capacidades — o que, no caso de Palmbomen, resultaria invariavelmente numa obra musical.
Talvez Palmbonen II seja tudo isto. Talvez não seja nada disto.
Seja como for, fica a obra.
E seguindo esta linha de raciocínio, estão reunidas todas as condições para que seja produzido Palmbomen III, porque parece que os X-Files vão voltar! 

Fãs das artes em geral, rejubilemos!

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terça-feira, 31 de março de 2015

Cheatahs edita segundo EP em 2015

A banda britânica de shoegaze Cheatahs, que no passado passado veio a Paredes de Coura apresentar o seu primeiro álbum homónimo, vai editar mais um novo EP. Sucessor do EP Sunne  editado em Fevereiro,  紫 (Murasaki) tem lançamento agendado para 4 de Maio e é inspirado no romance de Shikibu "The Tale of Genji".

A faixa título é o primeiro avanço deste novo trabalho.

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Cinco Discos, Cinco Críticas #3

Costa EP // Planalto Records // Março de 2015
7.7/10

Costa EP é o primeiro curta duração de O Doido e a Morte que recebe edição da Planalto Records e apresenta três faixas inéditas. "Dília", o primeiro avanço desta estreia, lançado em Janeiro, já mostrava uma atmosfera espacial explorada por sobre variadas guitarras. Com a edição de Costa EP, O Doido e a Morte apresentam um primeiro trabalho bem conseguido, pela sua diversa experimentação instrumental, que não só traz uma coesão entre todos os singles, como igualmente consagra este primeiro trabalho numa obra de ponte para um longa-metragem mais falado na imprensa musical. "Costa", o segundo single do EP, volta a frisar o anteriormente escrito. Esta conjugação entre as diversas sonoridades, tanto da guitarra acústica como da eléctrica, fazem de Costa EP um trabalho intemporal.
Sónia Felizardo


Fantasy Empire // Thrill Jockey // Março de 2015
8.0/10

Quase 20 anos depois do início dos Lighnting Bolt, alegra-me informar-vos que a bateria de Brian Chippendale continua a rufar forte e de maneira frenética e as cordas baixo de Brian Gibson continuam a causar ondas sónicas destrutivas.  E depois do Earthly Delights, eis que nos chega Fantasy Empire, o seu mais recente longa duração. A lírica do mesmo será certamente composta pelas mais linhas ricas linhas de prosa alguma vez assentes em papel. No entanto, a mesma é incompreensível. Abafada por toda a violência sónica de um noise rock cáustico. A explicação e crítica para este disco não carece de mais linhas. Fantasy Empire não é um bonito poema. É a explosão causada pela purgação dos ruidosos demónios dos Brians, que se fazem ouvir durante os 40 e poucos minutos do LP. E ao contrário de outros discos, Fantasy Empire não nos deixa mais ricos depois de uma audição — ou após várias até. Muito pelo contrário. Deixa-nos confusos pelos seus contornos sinuosos de noise abrasivo e derruba-nos a cada esforço nosso em decompô-los. Traduzindo tudo isto por miúdos, um disco de gessada da boa.
Para ouvir bem alto.
Eduardo Silva

Golem // In The Red Records // Março de 2015 
8.4/10

Golem é o segundo longa-duração dos Wand. Apesar da banda só se ter formado no ano passado, Cory Hanson, líder da banda, já é um habitué na cena de garage rock californiana, tendo tocado na banda de Mikal Cronin, nos Together PANGEA e também nos Meatbodies. E neste álbum sente-se bem a influência de conterrâneos como Ty Segall e os Thee Oh Sees, principalmente nas músicas mais pesadas do álbum, como na faixa de abertura "The Unexplored Map" e no tema "Self Hypnosis in 3 Days", por exemplo. E "Melted Rope" poderia perfeitamente fazer parte dum álbum de White Fence. Apesar disso tudo, os Wand conseguem trazer uma lufada de ar fresco ao género, graças a ritmos incomuns neste tipo de música e também à forma como usam sintetizadores e pedais de efeitos. Este álbum é a prova que o rock de garagem pode ser muito mais do que uma progressão de três acordes por cima de um ritmo. 
Hélder Lemos



I: Hell Or High Water // Fevereiro de 2015
 7.5/10

Os Mantra são uma banda de stoner rock originária de Viana de Castelo, com início em 2010, e em Fevereiro deste ano editaram o seu novo EP I: Hell Or High Water. O EP começa com “Catcher in the Rhye”, uma música que serve de introdução à sonoridade que se vai ouvir nas próximas quatro faixas: riffs pesados e quase demoníacos, solos de guitarra electrizantes, voz característica do grunge, com parecenças à de Chris Cornell. Em suma, a “definição” de stoner rock. “Dusty Road” traz nos guitarras cheias de reverb e ao tão característico espírito livre associado ao viajar pelo deserto sem rumo definido. São 22 minutos de temas coesos, em que nenhuma das músicas nos desilude e que com o passar das audições nos atraem cada vez mais. “Dusty Road” e “Devil’s Shoes” são os grandes destaques deste EP. 

Rui Gameiro


Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit // Mom + Pop Music // Março de 2015
8.7/10

Após dois EP’s, Courtney Barnett lançou o seu primeiro longa-duração. A sonoridade é a mesma de sempre, mas o álbum não se torna uma imitação inferior dos trabalhos anteriores da cantautora australiana. As guitarras eléctricas e o estilo de cantar muito característico, a fazer lembrar Stephen Malkmus dos Pavement, continuam presentes e são bem vindos. Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit é uma sucessão de malhas indie rock muito consistente. Não faltam refrões catchy e músicas viciantes, como “Pedestrian at Best” e “Elevator Operator”, que merecem ser tocadas em loop durante algum tempo, e nem as canções mais compridas se tornam cansativas. “Kim’s Caravan” e “Small Poppies” vão aumentando a intensidade à medida que avançam, permitem a Courtney mostrar os seus dotes na guitarra e encaixam muito bem no disco. Disco este que é uma confirmação de que Courtney Barnett sabe o que faz e é a autora de algum do melhor indie rock da actualidade. Uma artista a não perder de vista nos próximos anos.
Rui Santos


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The Maccabees lançam novo single "Marks to Prove It"

A banda de indie rock britânica, The Maccabees, vai lançar um novo álbum este ano e "Marks to Prove It" é o primeiro avanço. Ainda não se sabe a data nem o nome do sucessor de Given to the Wild, editado em 2012, apenas que a nova música é uma bela malha de rock.

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ACTORS lançam "Let It Grow"


O quinteto canadiano da new wave, ACTORS, lançou recentemente um novo single "Let It Grow" que sucede assim o já previamente apresentado "It Goes Away", editado em Julho. A presente faia foi escrito, gravada e produzida por Jason Corbett (vocais, guitarra) no seu próprio estúdio. Com influências de Suicide a The Sof Moon a banda prepara-se assim para mostrar que os anos oitenta vão ser revividos nos próximos anos. "Let It Go" pode ser ouvida abixo, com direito a download legal e gratuito.


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Future Islands apresentam faixa inédita ao vivo

Fotografia: Josh Sisk
Os Future Islands estão actualmente em tour no Reino Unido e têm apresentado dois singles novos, "The Chase" e "Haunted", dos quais este último foi gravado no The Plug, em Sheffield, e pode agora ser ouvido abaixo.

A banda postou ainda, recentemente, uma fotografia perto do Abbey Road Studios, no entanto ainda não anunciou nenhum trabalho nem pormenores adicionais sobre as referidas faixas. Os Future Islands regressam a Portugal a 10 de Julho para mais uma edição do NOS Alive.


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Rodrigo Amarante e Benjamin Clemente no Super Bock Super Rock



O brasileiro Rodrigo Amarante e o inglês Benjamin Clemente são as mais recentes confirmações para o Super Bock Super Rock, que irá ocorrer durante os dias 16 e 18 de Julho. Tocam ambos no 3º e último dia do festival.

No cartaz encontram-se também artistas como Blur, Sting, Florence + the Machine, Banda do MarThe Drums e Bombay Bicycle Club.

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STREAM: Marco Luz - Cores


Marco Luz, exímio guitarrista, com formação na Escola Superior de Música de Lisboa, apresenta-se agora a solo pela Murmürio Records, editora pela qual lança o seu disco de estreia, Cores. Este primeiro longa duração mostra um músico que compõe e grava sem pressas, colocando em cada tema as medidas exactas de despojamento e virtuosismo, que pode agora ser ouvido na íntegra, abaixo.


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[Review] Only Real - Jerk At The End Of The Line


Jerk At The End Of The Line // Virgin EMI // Março de 2015
2.4/10

Desde 2012 a criar hype pela Internet, e depois do EP de estreia Days In The City, editado em Outubro de 2013, Only Real finalmente anuncia o seu álbum de estreia Jerk At The End Of The Line editado a 30 de Março pela Virgin EMI, editora com que assinou recentemente. Sem mais paleio, afinal o Only Real era apenas mais um dos artistas novos a surgir online, que teria um impacto inicial positivo, mas que atingiria o seu auge demasiado cedo. E assim foi. Após a edição do primeiro EP todos os singles de Only Real deixaram de ter piada e Niall Galvin tornou-se num miúdo repetitivo e extremamente irritante. Repetitivo, obviamente, porque já ninguém suporta mais o single "Backseat Kissers", aliás esta faixa já foi editada uma centena de vezes. E um pouco de inovação? Irritante, porque nada faz sentido quando se inicia a audição deste primeiro trabalho em "Intro (Teist It Up)", porra, gostava de saber quais são os ouvidos capazes de suportar mais de vinte segundos daquela voz manipulada digitalmente E o pior é que a porcaria desta voz continua a ser ouvida posteriormente em "Jerk", nos seus segundos iniciais. Saudades influências que se sentiam na audição consecutiva de "Take It From Me", single nunca editado oficialmente.

Por falar em singles nunca editados oficialmente, verifica-se que até a personalidade do vocalista sofre uma alteração tamanha nas faixas deste novo álbum face aos anterioesr trabalhos. Embora em "Yesterdays" - primeiro avanço deste trabalho - Only Real ainda mostre a sua marca de "miúdo comedor de cereais" atraves da sua música de sonoridade grunge lo-fi, embebida em guitarras etílicas e a fazer desejar o verão que tarda, Jerk At The End Of The Line é um repetição da voz de Niall Galvin que se torna extremamente aborrecida quando ouvida em repetição. E este novo disco traz todas as canções já conhecidas do produtor londrino mas apenas numa mistura e masterização diferentes. "Blood Carpet" é mais uma amostra do "oh por favor e um pouco de músicas novas?", só por dizer que acrescenta alguns instrumentos à demo, de igual nome, anterior mostrada. E diga-se que triplamente melhor. Este novo álbum não é apenas mau, é a amostra de que Only Real não tem qualquer futuro e é apenas um miúdo ingénuo e extremamente narcisista. As sonoridades, que podem parecer interessantes nas primeiras audições tornam-se facilmente monótonas e como que recortes de faixas semelhantes já pré-ouvidas.

Em "Can't Get Happy", o mais recente avanço de Jerk At The End Of The Line, Only Real mostrava a última faixa minimamente interessante do referido trabalho. Sim porque ainda me tinha esquecido de referir a presença de "Cadillac Girl" neste primeiro longa duração. Andar a repetir singles que saíram entre 2012 e 2013 não é propriamente algo que vá marcar a diferença e 2015 e de facto Only Real apresenta assim mais um álbum comum, desinteressante e ainda mais, uma perda de tempo para os críticos da imprensa musical que têm centenas de álbuns muito melhores para ouvir. E igualmente uma perda de tempo para os ouvintes, que para além da repetição de singles, têm de levar igualmente com samples sonoras que deixaram de ser fixes quando os programas de sonorização se tornaram acessíveis a grande parte do público da área. 

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segunda-feira, 30 de março de 2015

Agenda: Bad Bonn, Abril


No próximo mês de Abril, o Bad Bonn vai contar com a presença dos A Place to Bury Strangers, Colin Stetson & Sarah Neufeld, Abwärts e muitos mais. Por isso, se por acaso vierem visitar os vossos tios que moram na Suíça, já sabem.

Progamação completa:
03/04: Ela Orleans + Scarlett's Fall
21:30 - 23CHF


10/04: Soda Machine + Lilium Sova + Black Guru
21:30 - grátis


11/04: The Paradise Bangkok Molam International Band
21:30 - 25CHF


15/04: Colin Stetson & Sarah Neufeld + Zitto & Zitto
21:00 - 32CHF


17/04: Abwärts + Dj Hightower
21:30 - 30CHF


18/04: A Place To Bury Strangers + Rape Blossoms
21:30 - 25CHF


22/04: Richard Dawson + Merz

21:00 - 25CHF

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Reportagem: The Lemon Lovers + The Wild Booze - Radio Bar [Porto]

Às dez da noite, a fria noite cobria a praça Dona Filipa de Lencastre, no Porto. Mas, por entre as ruas que iriam dar ao RADIO bar, já se sentia algo especial: o primeiro concerto de apresentação do álbum Loud, Sexy & Rude, dos The Lemon Lovers, de origem portuense. Um projecto que começou com apenas dois membros, entre eles, João Silva, já a mostrar a sensualidade rítmica dos seus acordes e Victor Butuc, na bateria. Mostrando grandes influências do rock e maturidade suficiente para fundir estilos e sonoridades, estabeleceram um caminho interessante com covers de Zeca Afonso ou Eric Clapton. E passado cerca de três anos, os The Lemon Lovers já são um trio (Andrés Malta no baixo e voz), têm um álbum cá fora e ainda transpiram a um rock sexy, furtivo e que adora piscar o olho aos blues sujos da modernidade. Assim, já se sabia que, da noite fria, o concerto dos The Lemon Lovers ia trazer uma grande dose de calor, como um bom espetáculo rock'n'roll deve sempre oferecer.  
Já passava das dez e meia, quando o RADIO Bar ficou significativamente cheio. Copos de finos na mão e gargalhadas despreocupadas conciliavam com as luzes da bola de espelhos de disco prata que coloriam a noite.  Quem fez o papel de banda de abertura neste concerto especial foram os The Wild Booze, banda que caminha por solos musicais desde 2011. Vencedores do UMplugged ’14, tocam um British Rock saboroso, a lembrar os primeiros tempos de Arctic Monkeys ou The Strokes, por exemplo. A voz suave de Hugo harmonizava as melodias, por vezes, mais acrecivas e esfuziadas acompanhadas por uma bateria repleta de salpicos rock e um baixo sempre volúvel. De chamar atenção ao tema “The Morning After” e “Backyard”, orelhudas de melodia e um ritmo que nos faz, obrigatoriamente, abanar o pé. Os aplausos calorosos mereceram destaque num público muito simpático e relaxado. E aplausos merecidos, para uma banda que tem um futuro risonho e deleitoso. 

De seguida, foi a vez dos Lemon começarem o espectáculo tão esperado. E entram em palco já depois das 23.00H, vestidos a rigor. Do casaco de cabedal, desta vez a banda apresenta-se de fato, mostrando tons profissionais mais acentuados. Mas o rock, esse continua a agarrar o público com momentos rápidos e efusivos, repletos de coros e passagens bruscas para atenuar o ritmo já de si com uma natureza fervorosa. 
Entre temas antigos como “Jim Strawberry” (que mereceu o papel de abertura), "Hangover”, “God! Don’t Make Rome!, a introdução de temas como “The 55”, “Don’t Tell My Mama”, “Ginger”, “Jackpot”, “Rocknrolla”, correu da melhor forma, preenchendo o objectivo deste trio: cadenciar o público e tornar um RADIO bar num espaço rocknroll sem limites. Os mesmos incentivaram as pessoas a apreciar a música junto dos músicos, trazendo uma unidade ao local.  João, Victor e Andrés sabem os melhores ingredientes para esta receita rock e isso provou-se neste primeiro concerto de apresentação de Loud, Sexy & Rude, que certamente catapultará a banda para patamares invejáveis do underground do mercado nacional.  

Texto: Daniela Lapa
Fotografia: Mário Jader

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