sábado, 9 de maio de 2015

Reportagem: Ghob + Ana Paris – Barba Rija [Aveiro]

O Porto foi bem representado, no passado dia 29 de Abril, pelas bandas presentes, Ghob e Ana Paris, num evento que tentou trazer até Aveiro, no Barba Rija, uma boa dose de stoner. E, embora não seja preciso dizer, cumpriu com o objectivo. Fora do bar, já se ouvia uma onda caótica de breaks, riffs com andamentos em tempo médio e compassos a esbater o hard rock. 
Ghob foram os primeiros a entrar em palco, a dar de caras com uma pequena multidão, que sabe o que vai ouvir. E logo de rompante, apresentam-nos a sua sonoridade em estado bruto de tons a elevar o stoner metal. Um concerto que não deu tempo para ganhar fôlego, no bom sentido da expressão. Mais que música, a banda conseguiu mostrar um sentido de camaradagem e ofereceu uma preponderância única ao público, factor chave neste tipo de concerto, a elevar a magia da despreocupação responsável do rock. Por outras palavras, foi uma viagem alucinante que estes rapazes ofereceram, mantendo as pessoas num estado imersivo. 

Em tons mais negros e introspectivos, os Ana Paris mostraram um stoner rock num mood mais psicadélico, com distorções graves nas cordas. Se por um lado tornou o evento com uma diversidade mais pragmática, por outro, tornou a imersão bem mais densa. De notar uma grande presença de Miguel Vieira em palco, dando um misto de mistério com um negrume conciliável ao estilo musical, de megafone na mão, cuja voz ecoou e rebentou o espírito do espaço do Barba Rija
É de louvar quem teve coragem para organizar este evento numa cidade como Aveiro, que peca por possuir poucas bases e locais para mostrar o que o mercado Underground musical português tem de melhor. Dessa forma, esperamos por mais iniciativas como esta e que esta onda efusiva volte em boas marés à cidade aveirense.

Texto e Fotografia: Mário Jader

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Festival Sai do Sofá acontece a 22 de Maio no Maus Hábitos


A segunda edição do Festival Sai do Sofá  acontece este ano no Maus Hábitos, depois de uma edição bem sucedida no Armazém do Chá. Ainda em fase de revelação de bandas, esta segunda edição conta já com Marvin, a trazerem o seu psicadélico noite fora, os portuenses The Sunflowers, em apresentação do seu mais recente EP e novos temas do futuro trabalho, os alcobacenses Stone Dead e ainda os Humanoid (Ex-Pitch) no cartaz. A noite promete ser de festa e os bilhetes já podem ser adquiridos via pré-reserva.

Preços: 4€.



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Vídeos Da Semana #47


Esta semana voltamos a reunir os cinco trabalhos audiovisuais que foram saindo ao longo da semana e que não tiveram destaque por aqui. Assim, em baixo há para ver vídeos de White Hills, The KVB, PINS, Winter e CAJADO.

1 - White Hills - "Wanderlust"

2 - The KVB - "Fields"

3 - PINS - "Young Girls"

4 - Winter - "Crazy"

5 - CAJADO - "O Mestre"

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Reportagem: The Legendary Tigerman - Sabotage Club [Lisboa]



Já antes das portas abrirem, as pessoas juntavam-se a porta do Sabotage para ouvirem o blues-rock de Paulo Furtado (aka The Legendary Tigerman). Apesar de ser dia de semana, o Sabotage ia-se enchendo para ouvir, talvez, o melhor one man band de Portugal, agora acompanhado de Paulo Segadães na bateria e de João Cabrita no saxofone. O espaço pequeno do Sabotage ia garantir um concerto íntimo que, certamente, se adivinhava perfeito para os maiores fãs do artista português, onde o ambiente já ia aquecendo antes do concerto, com conversas amigáveis entre as pessoas presentes. 15 minutos depois da hora prevista para o início do concerto, Tigerman abriu a noite com "Sister Ray", do álbum Femina, ainda sozinho em palco, mas com toda a energia que o seu blues-rock mostra, seguindo com "Wild Beast", agora já com baterista e com saxofonista





Depois desta música, Tigerman pediu para os fotógrafos se retirarem de modo aos presentes ocuparem os espaços da frente para dançar. O ambiente era de festa no Sabotage, Paulo Furtado esteve sempre destruidor na guitarra, tocando com toda a emoção possível, e com todo o mérito para João Cabrita, pois a dupla que a guitarra fazia com o saxofone era perfeita para os nossos ouvidos. O concerto seguiu assim rumo ao final, com destaque para “These Boots Are Made For Walking", cover de Nancy Sinatra que Tigerman toca frequentemente nos seus concertos, ainda com advertências ao publico nos intervalos das músicas por causa do barulho causado, dizendo as palavras ”Fumai, bebei, mas calai-vos” de modo a acalmar os presentes.




O concerto terminou com “21st Century Rock and Roll", do ultimo album do Tigerman, True. Foi aqui que Paulo Furtado, em modo diabólico, cantou no meio do público e subiu ao balcão do Sabotage, espalhando toda a energia que restava do seu “rock n’roll” pelos presentes, deixando o público em euforia. Após um pequeno encore, terminou assim um grande concerto onde as pessoas dançaram com toda a alma no Sabotage num dia de semana.

Texto: Tiago Farinha

Fotografia: João Marques 

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Foto-Reportagem: Mono + Helen Money - Hard Club [Porto]


Na passada quarta-feira, dia 6 de Maio, fomos até ao Hard Club, no Porto, para assistir aos concertos de Mono + Helen Money, num evento com a assinatura da Amplificasom. Segue abaixo, a foto-reportagem do que se passou noite fora.

Mono 

Helen Money

Fotografia: David Madeira


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STREAM: King Gizzard & The Lizards - Quarters

Os Australianos King Gizzard & The Lizards, banda que passou pela última edição do Vodafone Mexefest,  vão editar a 11 de Maio o EP Quarters via Castle Face Records. Já podem ouvir aqui na íntegra as quatro músicas que o compõe o sucessor do aclamado I'm In Your Mind Fuzz.
Não se esqueçam que a banda tem concerto agendado em Portugal no festival Super Bock Super Rock.

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

White Hills e Los Saguaros na Warm-up party do Reverence Valada

O Festival Reverence Valada apresenta hoje no MusicBox os norte americanos White Hills. O duo psicadélico de Nova Iorque sobe ao palco para apresentar o álbum Walks For Motorists, editado em Abril via Thrill Jockey. Os barreirenses Los Saguaros atuam na primeira parte, na warm-up party que antecipa o festival a decorrer nos dias 27, 28 e 29 de Agosto, em Valada do Ribatejo. Os concertos têm início às 21h30 e têm o custo de 12,50€.


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Reportagem: God Is An Astronaut - Armazém F. [Lisboa]


A segunda-feira é o dia mais triste da semana, não há como negá-lo. Certo é que esta (a de dia 04 de Maio) foi bastante mais fácil de se ultrapassar do que as outras 16 já passadas. Os God Is An Astronaut foram a nossa luz ao fundo túnel, a salvação perante o início da rotina e da monotonia de mais uma semana de trabalho, sendo este forçado ou não. 
Uma sala à beira rio foi o suficiente para uma noite (ou fim de tarde, visto os dias serem mais longos) bem passada na companhia de algumas das melhores planícies sonoras feitas dentro e fora de portas. Às 21h em ponto sobem ao palco os Katabatic que já estão habituados a estas andanças. Depois de abrirem para os Caspian, estes pós-roqueiros regressam às grandes salas, contando já com alguma notoriedade dentro do género, em Portugal. 
O público, não muito numeroso, que se encontrava no Armazém F. agitava a cabeça e gesticulava ao ritmo da música proporcionada por João, José e Tiago. Este power trio endiabrado, e pouco comunicativo, cumpriu muito bem a sua função de aquecer os presentes, e mesmo aqueles que pouco se importavam com a banda de abertura não saíram dali desiludidos. Foram 40 minutos de headbang intensivo ao som de uma bass line potente capaz de fazer inveja a muita banda de metal que por aí anda. 

Ainda antes das estrelas do dia entrarem em cena, vemos um astronauta, vestido a rigor (com símbolos da Nasa e tudo) a ser barrado à entrada do Armazém. Dizem os seguranças que o capacete punha em risco a integridade física dos espectadores. Depois de muita insistência, o descendente português de Yuri Gagarin lá conseguiu entrar para tirar umas fotos com a pessoa do bar que, entretanto, desaparecera no meio do fumo. Eram os God Is An Astronaut a aterrar em Lisboa. 
“The End Of The Beggining” retirada do seu primeiro álbum com o mesmo nome, foi a primeira música ouvida neste concerto lisboeta, mostrando, logo de início, um Jamie Dean descontraído e bastante comunicativo proferindo, logo após a sua interpretação, um valente “Obrigado”. “Fragile” foi tocada de seguida e, após a anunciação de “Echoes”, ouvimos uma grande ovação por parte dos fãs, uma das músicas mais aplaudidas da noite. Já com o público bem aquecido, a banda atira-se a a novos caminhos antecipando músicas que estarão presentes no seu futuro disco Helios/Erebus, com data de lançamento a 21 de Junho. O público reagiu bastante bem e até cantou algumas partes das novas músicas, a pedido de Jamie Dean. O músico saltou para o meio da plateia, de guitarra ao ombro, agitando os seus longos cabelos à medida que a “Worlds In Collision” chegava ao seu clímax. Pelo meio, aproveitou para tirar algumas selfies com o público e, posteriormente, do público, com a câmara de uma fã situada na primeira fila. 
“Fire Flies And Empty Skies” e “Forever Lost”, ambas de All Is Violent, All Is Bright, o álbum mais conceituado da banda, foram guardadas para o final, mantendo sempre o espírito bem aceso, sem deixar resfriar os ânimos. A última das duas encerrou o suposto alinhamento, porém , a banda confessou que não faz encores porque não gosta de mentir aos seus fãs, virando-se de costas para o público e pedindo a estes que reajam da mesma forma como se eles tivessem saído e voltado ao palco. O público reagiu ainda mais euforicamente, rindo desta brincadeira feita pelos Irlandeses. “Suicide By Star” seria mesmo a faixa que punha termo a este concerto, cerca de um ano e meio depois da sua última vinda a terras lusas. 
Passado pouco tempo, a banda regressaria ao palco, não para tocar mas sim para falar com os seus admiradores e assinar alguns discos e bilhetes. Uma boa atitude de uma banda já algo consagrada, mostrando que nem todo o “rock” (ou o que lhe quiserem chamar) é feito de vedetices. Aproveitámos a deixa e decidimos perguntar aos irmãos Torsten e Niels Kinsella, membros fundadores, para quando é que estava agendada a digressão de promoção deste Helios|Erebus, ao que responderam que lá para o final de 2016 e/ou inícios de 2017 poderíamos contar com eles de regresso ao nosso país. Esperemos que a promessa se cumpra e até lá ficamos com as boas recordações deste concerto guardadas na nossa cabeça, enquanto ouvimos “Exit Dream” e nos lembramos de tudo o que aconteceu na não-tão-má segunda-feira passada.


Fotografia e Reportagem: Diogo Oliveira

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