sábado, 19 de setembro de 2015

Vídeos da Semana #61


Autobahn, Menace Beach, Autre Ne Veut, Speedy Ortiz e Jimmy Whispers são os nomes escolhidos desta semana para mais uma rubrica de trabalhos audiovisuais. Os resultados poderão ser vistos abaixo.


1 - Autobahn - "Society"

2 - Menace Beach - "Super Transporterreum"

3 - Autre Ne Veut - "Panic Room"

4 - Speedy Ortiz - "Swell Content"

5 - Jimmy Whispers - "I Get Lost In You In The Summertime"

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

[Review] FIDLAR - Too


 FIDLAR // Mom +  Pop Music // setembro de 2015 
6.8/10

Dois anos depois do sucesso do primeiro álbum homónimo, os Fuck It Dog Life’s A Risk (a.k.a. FIDLAR) voltaram as edições com Too, álbum que saiu no passado dia 4 de setembro, pela editora Mom +  Pop Music. Quando Zac Carper (vocalista e guitarrista dos FIDLAR) começou a compor este novo álbum, estava a enfrentar uma séria crise de dependência de drogas. Estes problemas começaram quando Zac tinha apenas 8 anos, tendo sido abusado sexualmente por uma pessoa que conhecia e, devido a isso, começou a tomar drogas aos 14 anos. Mais tarde, aos 26 anos, a namorada de Zac, que estava grávida de um filho dele, morreu por overdose. Os problemas e a dependência de Zac quase acabaram com a sua vida, e com a banda, por várias vezes.

Zac Carper em Los Angeles, na tour de 2013 com Wavves, dois dias depois da morte da sua namorada grávida.
Pouco depois de começar a escrever Too, Zac Carper entrou mais uma vez em reabilitação, de onde já entrou e saiu inúmeras vezes, mas desta vez determinado a ficar sóbrio. 8 das músicas de Too foram escritas já neste período de reabilitação, o que inspirou malhas como “Sober” (“I figured out when I got sober that life just sucks when you get older”), e “Bad Habits” (“And now I'm one week sober, and I'm still hungover, and maybe I should take a break”). Os punk rockers californianos decidiram fazer várias experiências neste álbum, como por exemplo, adicionar um produtor externo em estúdio, Jay Joyce, o que foi uma novidade, pois os FIDLAR sempre foram adeptos do formato DIY. A banda também fez várias experiências no que toca a própria sonoridade, umas que resultaram, como “Drone”, e, “Overdose”, inspirada pelas 3 overdoses de heroína que Zac teve em 2013, de onde resultou uma sonoridade mais deprimente, e calma, excepto nos últimos segundos enérgicos desta música.



Um dos exemplos da sonoridade que não resultou foi o xilofone em “40oz. On Repeat”, o que estranhou aos ouvidos dos fãs do agressivo primeiro álbum, assim como vários pormenores em outras músicas. “Punks” foi, surpreendentemente, um remake bem conseguido da anterior “The Punks Are Finally Taking Acid”, ao contrário de “West Coast”, que não convenceu muito, logo desde o momento em que o videoclip desta música foi lançado.


Too é um álbum marcado pela indiferença, havendo músicas, como “Hey Johnny” e “Stupid Decisions”, onde existe este sentimento. O próprio som da banda em estúdio, pelas mãos de Jay Joyce, é diferente e simplesmente “não soa a FIDLAR”, o que acaba também por contribuir bastante para a indiferença sentida em Too. Depois do explosivo primeiro álbum era extremamente difícil igualar alguma coisa desse estatuto. A banda passou por períodos complicados, onde estiveram quase por acabar, o que provavelmente afectou a química entre os membros, e, consequentemente, a qualidade do próprio processo criativo neste álbum. Agora que a situação e os problemas de Zac estão a estabilizar, só nos resta rezar para que a qualidade explosiva com que nos conquistaram em 2013 volte, que aprendam com os erros das experiências que não se afirmaram neste álbum, e nos surpreendam com um próximo álbum.
 

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O Mucho Flow já tem cartaz encerrado



A terceira edição do Mucho Flow já tem cartaz encerrado. Depois dos já confirmados Girl Band, Circuit des Yeux, Filho da Mãe & Ricardo Martins, Pega Monstro, LAmA, Smartini e Sun Blossoms, juntam-se agora Jibóia, o homem-serpente que traz o aroma das especiarias para a electrónica lo-fi, desta feita com Ricardo Martins na bateria para descortinar o novo álbum e ainda Ricardo Remédio, ex-RA, ex-Löbo e senhor dos ambientes electrónicos mais negros deste canto da Europa. Os vimaranenses poderão ver igualmente o psicotrópico e ambiental concerto de Acid Acid, os Galgo e o seu rock matematizado e espacial, e os El Rupe, com as suas texturas jazz. A abertura e o encerramento do Mucho Flow fica ao cargo dos DJs Quesadilla e Lynce, respectivamente, peritos em criar ambientes e em fazer o pé bater independentemente da hora. 

Recorde-se que o Mucho Flow acontece no CAAA - Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitectura de Guimarães a 10 de outubro e os bilhetes, à venda na Last2Ticket, custam 15 €.




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Telepathe é a última confirmação do Jameson Urban Routes. El Guincho afinal em formato DJ set


A dupla americana Telepathe vem ao Jameson Urban Routes apresentar o seu segundo disco de originais DestroyerMelissa Livaudais e Busy Gangnes constituem uma das várias bandas que tem tornado o bairro de Brooklyn na sede de muita da pop mais caleidoscópica e imprevisível dos últimos tempos, família que inclui nomes como os Gang Gang Dance, Yeasayer, High Places ou Animal Collective.

Destroyer foi editado em inícios de agosto e chega a Lisboa naquela que é a primeira tournée europeia da dupla depois do hiato de seis anos. Os americanos tocarão assim no próximo dia 23 de outubro, no segundo dia do festival.

 

ALTERAÇÃO DE FORMATO: o regresso de EL GUINCHO será em formato djset e não concerto, como inicialmente acordado com a organização.

As razões são explicadas pelo artista:

"Everlasting is sad to have to inform all El Guincho's fans in Lisbon that Pablo won't be able to bring his new live show to this year's "Jameson Urban Routes". Pablo was excited that Music Box had given him the chance to début the material from Hiperasia at the festival. Lisbon is a special city for him, and Music Box is a venue he loves to play at.

We underestimated the complexity of putting together a completely new set with new musicians and other performers. the show just comes too soon for us and we have to apologise to the organisation and all El Guincho's fans. We need more time to put together the spectacle.

However, Pablo will be with you all on show day, and performing a DJ set. Hope to see you all there."

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Quem são os Flamings Tits?


O clube Z que ocorre mais uma vez este sábado na Galeria Zé dos Bois, vai contar com a presença de Luís Gravito, mais conhecido pelo seu projecto Cão da Morte, dos Old Yellow Jack e dos misteriosos Flaming Tits, que contam com um dos membros das Pussy Riot, representando o underground punk siberiano na sua estreia em Portugal. 

Mas afinal quem são os Flaming Tits?

O concerto de Flaming Tits neste sábado trata-se de um concerto secreto dos Youthless, que irão mostrar as suas novas músicas nessa tarde de sábado, sem grande aviso prévio. E é por isso que este concerto e tão especial. Os Youthless são formados pelo londrino Sebastiano Ferranti (baixo e vozes) e pelo nova-iorquino Alex Klimovitsky (bateria, sintetizador e vozes), ambos a viver, surfar e compôr em Portugal!

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Reportagem: Indie Music Fest 2015

Indie Music Fest regressou para a sua terceira edição. Com quase todos os passes gerais esgotados e um cartaz que apelava muito mais ao público, tinha tudo para ser, também, a melhor edição do festival.

Dia 0

Decidimos ser dos primeiros a chegar ao bosque do choupal, sendo assim, aproveitamos o facto de o campismo ter aberto um dia antes do festival começar. Assistimos às últimas preparações para o mercado indie e, já de noite, aproveitamos para conhecer os festivaleiros que já se encontravam no campismo, tentando, assim, perceber que tipo de ambiente deveríamos esperar no festival. Neste primeiro dia de campismo ainda não havia água nem iluminação.

Dia 1

Cedo fomos buscar a credencial e pudemos visitar o mercado indie, agora, já totalmente funcional. Do ano anterior, reconhecemos logo o Volkswagen carocha e a banca do merchandising. Aproveitamos a tarde para fazer entrevistas a Cave Story e Eat Bear, que poderão ser lidas brevemente.

A dimensão musical do festival começou com o trio aveirense The Moonshiners que trouxe como convidado Miguel Leitão, responsável pelo saxofone no EP inicial da banda. Apesar de ser o primeiro concerto o palco Cisma esteve bastante composto em termos de público, este apoiava efusivamente a banda. Terminaram com uma versão de "Johnny B. Goode" de Chuck Berry, deixando qualquer amante de cinema com vontade de rever o filme “Back To The Future”.

Uma hora depois seguimos para Bispo. Apenas com dois singles, sendo que um é quase impossível de reproduzir ao vivo (“Timeless Neon”) não sabíamos o que esperar do concerto. Começa bem animado com “Cancun”, o primeiro single da banda, ao qual o público responde da melhor forma havendo muita dança e começando já a formar-se alguns “mosh”. Na segunda música já começa a haver pessoas em “crowd surf” e o palco Cisma a abarrotar (como esteve na maior parte dos concertos). A meio juntam-se, em palco, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein o que causou uma, ainda maior, euforia por parte do público. Como, infelizmente, tudo tem um fim, o concerto, acaba com “La Piña Colada C’Est La Maldicion”. Brevemente, poderá ser lida a entrevista feita aos Bispo pouco depois do concerto.

Logo a seguir fomos ao concerto dos Eat Bear, o primeiro que vimos no palco Antena 3. A princípio encontramos um público mais tímido que no concerto anterior mas na segunda e terceira música já se tinha instaurado o ambiente repleto de “mosh” e “crowd surf” a que já nos tínhamos habituado anteriormente.  São tocadas várias músicas a integrar um futuro EP tal como algumas do álbum de estreia, Trust Found. Começam a fazer um cover de Justin Timberlake e Rafael desce do palco para, juntamente com o público, apoiar a sua banda. Após regressar ao palco convida os presentes para se juntar a eles para dançar foi aí que se juntou o senhor de uma das bancas de merchandising e continuou a “dar tudo”, dançando e fazendo “air guitar”, quase até ao fim do concerto, sendo este o momento mais animado do concerto.

Mais uma vez o palco Cisma encheu, desta vez, para receber os Cave Story (e não Cave Storm). A banda das Caldas da Rainha deu um concerto em linha com os anteriores, um público completamente rendido aos músicos com frequente crowd surf e mosh. Sem dúvida, “Southern Hype” foi dos melhores momentos do concerto. Pode ser destacada uma pequena invasão do palco, por parte do público, que terminou em stage dive.
Já cansados anda assistimos a um pouco de Plus Ultra, o vocalista mantinha um controlo total sobre o público e pudemos assistir ao maior mosh pit de todo o festival.

Indie Music Fest 2015 - dia 1

Dia 2

Pouco antes da hora prevista para o concerto dos Baixo Soldado uma das fontes de energia do festival começou a arder, causando um atraso de cerca de duas horas neste concerto. Apesar do enorme atraso muitos esperavam impacientemente pela primeira banda do dia. Baixo Soldado deram um concerto animado que fez valer a pena o tempo de espera. Perto do final tocaram uma cover de “Weird Fishes / Arpeggi” dos Radiohead.

Regressámos, mais tarde, para assistir ao primeiro concerto no palco principal do Indie Music FestTaipa + The BlackbirdsRui Taipa e a sua banda mantiveram o público hipnotizado com  o seu folk rock. Um dos melhores momentos do concerto foi a música “Joana”, aquele que foi considerado , por Rui Taipa, “o primeiro mosh num concerto de Taipa + The Blackbirds” e uma versão de “Happy” de Pharrell Williams que permitiu a interacção do público. Seguimos para Los Black Jews cujo concerto, apesar das primeiras músicas terem sido muito interessantes, foi bastante monótono.

Regressando ao palco IMF esperavam-nos os Capitães da Areia cujo concerto foi o com que menos nos identificamos. Perto do final Pedro de Tróia comeu um pão com marmelada, referencia à música “A Partida para o Espaço”. Seguiu-se malcontent que nos mostraram, essencialmente, o seu novo disco, Riot Sound Effects. Apesar da grande qualidade da banda portuense, o público, quase não teve reacção às músicas tocadas. Após terminar o concerto regressaram para um encore mas, infelizmente, muitos já tinham dispersado, não tendo, assim, grande impacto.

Voltando ao palco principal estava a começar o concerto de Brass Wires Orchestra que foi, sem dúvida o melhor deste festival. Começam com “Wash My Soul”, a primeira faixa de Cornerstone, o álbum de estreia da banda, que, apesar de alguns problemas com a guitarra de Miguel da Bernarda, cedo conquista e hipnotiza o público. Após as primeiras canções é possível perceber o enorme talento desta banda. A relação entre os músicos é quase simbiótica e quando chega “Tears Of Liberty” todos dançaram completamente rendidos e grande parte acompanhava o refrão. “Finders Keepers” foi outro grande momento completamente apaixonante. Perto do final tocam “Breezeblocks” dos alt-J, neste momento, o público estava completamente sincronizado com a banda e, quando pensávamos que as surpresas tinham acabado, começa “Matilda”, mais uma música dos alt-J. Seguiu-se a última canção e, infelizmente, tínhamos chegado ao, inevitável, fim.

No palco Cisma estavam os Astrodome que trouxeram o Heavy Psych ao bosque. Foi um concerto hipnotizante que, talvez, tenha pecado por ter sido demasiado curto. Já estava em palco a banda mais esperada da noite, Modernos. Arrancam com “Panado Cister” e a impaciência leva ao começo de mosh e algumas tentativas de crowd surf nas primeiras filas. Como era previsível todo o concerto foi repleto de mosh e crowd surf. A meio do concerto fazem uma versão de “À Minha Alma” d’Os Velhos, segue-se uma curta pausa e o concerto de Modernos tornou-se, por breves momentos, num concerto de El SalvadorO concerto termina com “Casa A Arder”.

Indie Music Fest 2015 - Dia 2

Dia 3

Começamos o dia final do indie indo ao concerto secreto. Após uma curta viagem até um local com uma paisagem magnífica, Rui Taipa, de Taipa + The Blackbirds, junta-se a nós para tocar algumas canções em acústico. Após um delicioso concerto onde tocou, entre outras, uma cover de “Blackbird” dos The Beatles, “Corvo” e “Joana”, canção que já tinha tocado no dia anterior, com a sua banda, junta-se a ele uma poetiza. Enquanto esta declama alguns poemas de autores conhecidos e alguns da sua autoria, Taipa, acompanha-a improvisando na sua guitarra.

Regressando ao recinto do festival assistimos ao concerto dos The Sunflowers. A banda de garage Rock portuense decidiu iniciar o concerto com “UFO, Please Take Me Home” seguido de várias músicas da sua EP mais recente, incluindo “Mama Kim”, pela qual mostraram algum desprezo. O concerto estava a ser bastante cativante apesar da repetição quase inerente ao género musical e de, estranhamente, ainda não ter começado nenhum mosh. Durante “I'm A Woman, I'm A Man” Carlos revela que, por baixo da roupa, está com um vestido e acaba por afirmar sentir “uma aragem em locais onde nunca tinha sentido antes”. A partir daí começa o mosh, continuando em todas os temas até ao fim do concerto.

Um pouco mais tarde dirigimo-nos para o palco IMF para o concerto de Thunder & Co.. Começam com um tema exclusivamente que serviu como uma espécie de introdução para o que se iria passar a seguir. Já na segunda música, “Bodysnatcher – Shapeshifter”, a banda contagiou o bosque e era impossível resistir à vontade de dançar. Sentia-se uma proximidade com Rodrigo Gomes e Sebastião Teixeira, que nos mostraram as suas músicas que, apesar de sentimentais, não deixavam as pernas parar, o movimento era inevitável. O single “Apples” conseguiu destacar-se tendo sido a canção melhor recebida (e talvez a mais conhecida) pelo público. Como despedida ouviu-se O.N.O. onde a interacção da banda com os espectadores foi excelente, tendo a banda até gravado alguns vídeos em que todos cantavam o refrão, e claramente queríamos mais uma noite com os Thunder & Co.

Linda Martini era o concerto mais esperado dia e, talvez, o mais esperado do festival. Ainda com a ausência de Cláudia Guerreiro apresentaram-se com Makoto Yagyu no baixo. Começam o concerto com “Cronófago” e cedo conquistam o bosque. Apesar de pouca interacção dão um espectáculo excelente capaz de encantar qualquer um. Quase a uma hora do início do concerto fazem uma curta pausa e voltam para o encore tocando “Volta” e “100 Metros Sereia” tendo, esta última, parecido ter sido tocada um pouco à pressa. Muitos sentiram-se bastante insatisfeitos com a curta duração do concerto mas é impossível negar a qualidade do mesmo e da própria banda.

Indie Music Fest 2015 - Dia 3

Texto de Francisco Lobo de Ávila
Fotografia de Mário Jader

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STREAM: Yung - These Thoughts Are Like Mandatory Chores EP


Os punkers Yung estão a disponibilizar para audição gratuita na íntegra o seu mais recente trabalho curta duração These Thoughts Are Like Mandatory Chores. O EP que viu recentemente "God", como novo single de avanço, pode agora ser escutado abaixo.

These Thoughts Are Like Mandatory Chores tem data de lançamento prevista para 18 de setembro via Tough Love/Fat Possum.


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Wavves lançam vídeo para "Way Too Much"


Depois das complicações relacionadas com o anúncio quinto trabalho de estúdio, os Wavves revelaram recentemente o trabalho audiovisual para "Way Too Much", single que serviu de avanço para a apresentação de V. O sucessor de Afraid Of Heights(2013) foi gravado em Los Angeles com o produtor Woody Jackson.

V tem data de lançamento prevista para 2 de outubro via Ghost Ramp/Warner Bros.


V Tracklist:

01 Heavy Metal Detox 
02 Way Too Much 
03 Pony 
04 All The Same 
05 My Head Hurts 
06 Redlead 
07 Heart Attack 
08 Flamezesz 
09 Wait 
10 Tarantula 
11 Cry Baby

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STREAM: Youth Lagoon - Savage Hills Ballroom


Trevor Powers aka Youth Lagoon vai lançar o seu terceiro álbum de estúdio, sucessor do muito aclamado Wondrous Bughouse(2013), na próxima semana mas Savage Hills Ballroom já pode ser ouvido antecipadamente na íntegra, cortesia da NPR. O álbum foi gravado em Bristol com Ali Chant (PJ Harvey), e já são conhecidos os singles "The Knower", "Rotten Human" e "Highway Patrol Stun Gun".

Savage Hills Ballroom é editado a 25 de setembro pelo selo Fat Possum Records.


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Bruno Pernadas em entrevista: "O novo álbum deve sair no final de 2016"


Durante a nossa passagem pela edição de 2015 do festival Bons Sons, tivemos a sorte de poder estar à conversa com o responsável pelo melhor álbum nacional de 2014 para a Threshold Magazine. Estamos pois a falar de Bruno Pernadas e da sua obra How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge?. 

Threshold Magazine (TM) - O que é que achas do Bons Sons?

Bruno Pernadas (BP) - Eu já toquei cá em 2006 com outro grupo e o festival cresceu imenso. Acho que é um festival importante porque só programa grupos portugueses, que eu conheça.

TM - Como foi para ti o concerto de hoje?

BP - Acho que correu bem. Havia pessoas que conheciam a música, havia outras pessoas que não conheciam e ficaram curiosas a assistir ao concerto até ao fim.

TM - Então achaste que teve um grande impacto no público?

BP - Um grande impacto não sei, mas não se foram embora (risos).

TM - Já agora tens o Indie Music Fest, festival de música portuguesa no Porto. E eles estão a pensar levar-te lá para o próximo ano!

BPEstá bem.

TM - Que concertos é que tens curiosidade em ver aqui no Bons Sons?

BP - Queria ter visto os meus colegas, o Luis Nunes com o seu projecto Benjamin, a Francisca com a banda dela, os Minta and the Brook Trout. Adorava ter visto o Camané, os Clã e agora quero ir ver a Ana Moura.

TM - Agora falando do álbum que editaste no ano passado How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge, o que é que te influenciou na sua criação?

BP - Toda a música que eu ouço desde criança. Não tenho nenhuma referência específica que tivesse tido base como inspiração. No fundo é toda a música que eu ouço, que é muito variada. Ouvi sempre muita música antiga, anos 60, 70 e 80. Quando era criança ouvia muita música dessa época por causa da minha irmã mais velha, e eu ouvia as músicas que ela ouvia, no fundo. Eram grupos como Genesis, David Bowie, Tina Turner, Creedence Clearwater Revival, Queen, Wham, Gal Costa, Rita Lee, Marillion. Na adolescência comecei a ouvir jazz, música dos anos 90 da minha altura e música clássica. É um bocadinho de todas as coisas que depois vêm à tona.

TM - Alguma banda mais recente?

BP - Como referência não.

TM -Qual foi a maior dificuldade que tiveste na criação do álbum?

BP- Foi a organização do estúdio das sessões de gravação. Por exemplo houve uma altura em que eu fiquei 3 meses sem gravar porque o estúdio estava inacessível, o que quebrou um bocado o processo. O disco foi gravado pelo Tiago Sousa, que esteve aqui hoje a fazer o som, pelo Afonso Cabral dos You Can’t Win Charlie Brown e também pelo João Paulo Feliciano, o responsável da editora Pataca Discos. O disco foi quase todo gravado em 2012 e as últimas gravações acabaram em Março de 2013, ou seja, um ano depois. Para mim é um disco antigo, que foi gravado em 2012.

TM - Com tanto tempo de diferença entre o álbum e a sua publicação, já tens alguma coisa preparada para o futuro?

BP - Sim, o novo álbum deve sair no final de 2016. E vai começar a ser gravado segunda-feira (17 de Agosto).

TM - Como é que caracterizas a tua sonoridade? Nós achamos que se trata algo de inédito e refrescante na nossa música, pois junta vários géneros e influências.

BP - Eu não consigo dar um estilo, é um bocado difícil. Tem a ver com aquelas músicas todas que eu ouvi e com o processo de composição. No fundo, funde-se com a improvisação e criação em tempo real. O que a música pede é aquilo que eu vou atrás. Ou seja, para quem está a ouvir é tão surpreendente para como para mim, porque não sei o que vai acontecer a seguir.

TM - A reacção extremamente positiva e até aclamação por parte da crítica surpreendeu-te ou era exactamente o que esperavas? Por exemplo até foi considerado por nós como o melhor álbum nacional do ano passado.

BP - Não tinha expectativas criadas em relação à reacção do público, sinceramente. Mas depois à medida que as pessoas foram ouvindo o disco, fui percebendo que haviam muitas pessoas a gostar da música e a ficarem surpresas com o resultado final.

TM -Tu já participaste em muitos projectos como os When We Left Paris, Julie & The Carkjackers, Real Combo Lisbonense, Suzie’s Velvet, Walter Benjamin, entre outros. O que te levou a querer trabalhar a solo?

BP - Eu sempre fiz músicas originais, a única diferença agora foi que eu decidi editar um conjunto de músicas que estavam guardadas. A maior parte eram músicas recentes, tirando a “L.A.” que escrevi em 2008. Além disso em 2008 gravei também um disco de originais de jazz, só que depois não editei por razões estilísticas. Eu vou usar algumas destas músicas no próximo disco em nome próprio.

TM - Achas que a abertura do NOS Primavera Sound deste ano foi como um prémio pelo excelente trabalho que tens feito até agora?

BP - Não sei se o concerto do Primavera teve assim grande impacto, sinceramente, porque foi a primeira banda do festival, foi às 5 da tarde, a entrada atrasou-se e as pessoas chegaram tarde. Eu acho que foi bom para mostrar a música às pessoas que não conheciam, mas se tivéssemos tocado à noite teria tido um maior impacto.

TM - Sim, mas a abertura do festival também tem algum impacto, é como se fosse uma introdução ao que se vai passar.

BP - Eu achei que estava pouca gente mas o som estava muito bom no palco. Estávamos a tocar com side fills e o som estava muito bem equalizado. A equipa de Barcelona é muito profissional e é muito bom estar assim a tocar com essa segurança em palco.

TM - Sentiste isso de certa forma como um prémio ou um concerto normalíssimo?

BP - Senti como uma sessão de acontecimentos. Eu já sabia que o programador do Primavera Sound gostava do disco e que gostava de nos programar no festival. Eu já tinha tocado no festival com Julie & the Carjackers, sabia que ele gostava muito da música. Eu já sabia que o concerto ia acontecer muito tempo antes de ser divulgado publicamente.

TM - Já nos adiantaste que vais começar a gravar o novo álbum na próxima segunda-feira, mas há algo mais que nos possas adiantar em primeira mão para os fãs?

BP - A primeira parte será mais acústica, orgânica, relacionada com a música jazz e improvisação. A segunda parte vai ser uma espécie de continuidade da sonoridade e do ambiente do How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge?.

TM - O que tens ouvido nas últimas semanas?

BP - Na última semana estive a ouvir vários discos do Frank Zappa, a ouvir em loop o “King Kunta” do Kendrick Lamar, David Gimour, discos dos Cake, Smoking Popes, uma banda norte-americana do tempo dos skates, o disco ao vivo no S. Luís do Camané, “Jewels of the Sea” dos Les Baxter e o “Windows” do Lee Konitz.

TM - Qual é o festival que mais gostavas de tocar em Portugal?

O Primavera Sound é para mim dos festivais que têm as melhores programações.

TM - Foi o melhor concerto que já deste?

Não sei, penso que estejam todos ao mesmo nível. Sei que gostava de tocar no OutFest no Barreiro, no festival de Barcelos, gostava de tocar em certos sítios que ainda não toquei com este projecto mas que já toquei com outros. Um deles é o Theatro Circo com acústica fantástica, onde eu vou tocar dia 18 de Setembro, no Festival para Gente Sentada. Gostava de tocar no Teatro Lethes, em Faro, que também tem uma acústica fantástica e na Casa da Música. Nestes sítios em já toquei, mas não com este projecto. Festivais, talvez o Jazz em Agosto.

TM - É tudo, muito obrigado!

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Mais 3 nomes que se juntam ao cartaz do Vodafone Mexefest


Juntaram-se hoje ao cartaz do Vodafone Mexefest mais 3 bons nomes da música actual. São eles Chairlift, Do Amor e They’re Heading West.

Os Chairlift são liderados por Caroline Polachek e a ela junta-se Patrick Wimberly. De Brooklyn, representam no mundo indie o melhor da eletrónica e synth-pop. Com uma música feita de charme, ritmos dançáveis e viciantes, vêm ao Vodafone Mexefest com os dois discos que constituem o seu reportório: Does You Inspire You e Something e com os novos temas do álbum a ser editado ainda este ano.



Os Do Amor são quatro rapazes cariocas que, para além do projeto que agora abraçam com mais vigor, têm vindo a tocar com artistas como Caetano Veloso, Banda do Mar, Rodrigo Amarante, Thais Gulin, entre outros. Com dois discos em carteira, o último chamado Piracema, fundem o rock com a música baiana e estilos pouco conhecidos, mas muito latinos como a cumbia, baião, lambada ou carimbo.





De Portugal, os They’re Heading West soam a folk como os melhores. Constituídos por Mariana Ricardo (Minta & The Brook Trout, Silence is a Boy, Domingo no Quarto), Sérgio Nascimento (Deolinda, Sérgio Godinho, Humanos), Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) e João Correia (Tape Junk e Julie & The Carjackers), fizeram duas digressões na América no Norte, para além dos muitos concertos em Portugal. O disco de estreia sai em Outubro e conta com convidados de luxo: Ana Bacalhau, Capicua, Frankie Chavez, JP Simões, Peixe, Bruno Pernadas, Nuno Prata, Luísa Sobral, Samuel Úria e You Can’t Win, Charlie Brown



Para já estes são os confirmados, esperando-se novidades para breve:

Akua Naru; Anna B Savage; Ariel Pink; Benjamin Clementine; BLOCO: Tropkillaz, Karol Conka, Mahmundi; Chairlift; Do Amor; Ducktails; Patrick Watson; Selma Uamusse; They’re Heading West, Titus Andronicus; Villagers


O bilhete único para os dois dias do festival está já à venda nos locais habituais, a 40€ até ao dia 30 de setembro, passando a 45€ a partir de 1 de outubro e a 50€ nos dias do Festival.

Já disponível na App Store e Google Play está também a app do Vodafone Mexefest. Os clientes Vodafone podem adquirir o bilhete único do festival com 5€ de desconto.

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Reportagem: Clan Of Xymox + Tracy Vandal [Hard Club - Porto]


No passado domingo, dia 13 de setembro, fomos até ao Hard Club, no Porto assistir ao concerto único dos Clan Of Xymox em território português, em função da tour de apresentação do mais recente disco Matters Of Mind, Body and Soul, editado em fevereiro do ano passado pela Metropolis Records. A abrir o concerto a britânica Tracy Vandal, a trazer na bagagem o EP The End Of Everything, editado o ano passado pela Lux Records


Tracy Vandal


Como previsto, às 22h00, deu-se início aos concertos da noite, com Tracy Vandal a subir ao palco em formato trio. Num concerto com uma duração aproximada de cerca de meia hora, Tracy Vandal abria a sala 2 do Hard Club para presentear uma sala ainda a encher com os temas do seu mais recente EP, The End Of Everything. Vestida a rigor, como toda a mulher que se apresenta em palco, com um vestido prateado repleto de lantejoulas, saltos altos e meias brancas, Tracy Vandal abriu o concerto cuja setlist seria escolhida em palco, pelos restantes dois músicos. A contemplar os singles mais conhecidos como "Ex-Codes", "Straight To The Stars" e "On This Hill" Tracy Vandal mostrava-se extremamente comunicativa com o público, abrindo ainda espaço para descer palco e fazer uma performance junto ao público, deitando-se inclusive no chão. Depois de descalça, foi com "Explosions" que Tracy Vandal fechou o palco, dizendo que iria trocar de roupas para assistir ao concerto dos Clan Of Xymox vestida "como um rapaz", já que tal não lhe houvera sido permitido durante a sua performance.












Clan of Xymox


Uma pausa depois, para fumar um cigarro e conversar sobre o resultado do concerto de Tracy Vandal e acerca das expetativas para o concerto sucessor, dos holandeses Clan Of Xymox foi, por volta das 23h00, que para uma sala composta o quarteto subiu a palco a abrir com "I Close My Eyes" e continuar com "She is Falling In Love" e "Love's On Diet", posteriormente. Pioneiros na sonoridade da darkwave, e formados nos anos 80, os Clan Of Xymox iniciavam ali um concerto que seria histórico pelo seu final inesperado. O público mereceria. Pouco conversadores, para com os espetadores, face à performance de Tracy Vandal, os Clan Of Xymox fariam, no entanto, as maravilhas dos fãs acérrimos que ali estariam para ouvir os grandes êxitos, e, deixando de lado Matters Of Mind, Body and Soul, o quarteto holandês trazia na noite de 13 de setembro os famosos "Louise", "Emily" e "A Day", que encheram a sala de aplausos e muitos assobios de satisfação. Ainda de assinar os apelos do vocalista Ronny Moorings para o público presente não fumar na sala, a única falha a apontar ficaria apenas pelo som excessivamente alto a nível eletrónico face à amplificação da guitarra e do baixo. Com o final do concerto, o público bateria palmas e pedia por mais, os Clan of Xymox recetivos, voltariam de toalhas ao pescoço e vontade de tocar para um público insaciável. 


Três músicas depois, a despedida. Mas o público continuaria a pedir por mais e os Clan of Xymox assinavam ali, no Hard Club, algo histórico: um triplo encore. "Back Door", "Hail Mary", "Jasmine and Rose", entre outros clássicos, e, a finalizar, um enorme sorriso no público assinariam a despedida de uma banda que tão cedo certamente não voltará. Quem foi sabe que valeu a pena. Fica na história da Muzik Is My Oyster um concerto inigualável e mais uma amostra de uma produtora que nos últimos anos tem trazido ao público grandes nomes da música do culto alternativo e underground. Bonito.














Fotografia: Martinho Mota
Texto: Sónia Felizardo

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STREAM: J.C.Satàn - S/T


Os J.C.Satàn disponibilizaram hoje o seu novo álbum, S/T, para audição no Bandcamp da editora Born Bad Records. A banda francesa, que já passou pelo Lux Frágil, onde teve a oportunidade de abrir para Ty Segall, volta assim as edições 3 anos depois do seu ultimo LP, Faraway Land.

S/T tem data de lançamento prevista para o dia 21 de setembro, via Born Bad Records.


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