sábado, 3 de outubro de 2015

Vídeos da Semana #63


Mais um fim-de-semana a volver-se e há mais cinco vídeos para assistir. A abrir, os dream-poppers Beliefs, oriundos de Toronto que apresentam um trabalho audiovisual com uma qualidade pouco estruturada, seguindo os passos dos Destruction Unit detentores de um vídeo em VHS. Há ainda para assistir aos vídeos de Here We Go Magic, em formato viagem ao passado, My Morning Jacket e, por fim, Run The Jewels em função do mais recente álbum de remixes, Meow The Jewels.

1 - Beliefs - "1992"


2 - Here We Go Magic - "Tokyo London U.S. Korea"

3 - My Morning Jacket - "Compound Fracture"

4 - Destruction Unit - "Slavation"

5 - Run The Jewels - "Oh My Darling (Don't Meow)"



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STREAM: Dilly Dally - Sore


Os garage-poppers Dilly Dally, oriundos de Toronto, estreiam-se na próxima semana nos discos longa duração com Sore, que viu como singles de avanço "Desire" e "Purple Rage", respetivamente. O restante álbum, composto por onze canções, pode agora ser ouvido na íntegra abaixo, cortesia da editora.

Sore é editado no próximo dia 9 de outubro pelo selo Buzz Records.


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The Walks vão lançar "Fool's Gold" a 9 de outubro


Gonçalo Carvalheiro (baixo), Hélder Antunes (bateria), John Silva (voz), Miguel Martins (guitarra) e Nelson Matias (guitarra) cruzaram os seus caminhos em meados de setembro de 2012 e formaram os The Walks

Prezando o distanciamento a rótulos e a ideias pré-concebidas, o grupo tem apostado fortemente nas suas prestações ao vivo, procurando dessa forma a criação de uma sonoridade própria e autêntica. The Walks fizeram os trabalhos de casa e na sua sonoridade há sinais de personalidade na mestria com que fundem a força do ‘garage rock’ com o groove do ‘rhythm and blues’, e na subtileza com que misturam o ‘british beat’ dos anos 60 e a ‘britpop’ dos anos noventa.

Depois da sua estreia discográfica, o EP R (2014), ter revelado um bom pronúncio para o futuro da banda, apresentam-se agora com novo trabalho e nova formação. Com Paula Nozzari na bateria, preparam-se para o lançamento e divulgação do seu primeiro longa-duração: Fool’s Gold. O álbum foi gravado nos Estúdios Sá da Bandeira e todo o trabalho de produção foi realizado em colaboração com João Brandão, estando a edição do novo trabalho está a cargo da Lux Records.


FOOL'S GOLD (2015)
1. Clockwork, 3:43
2. Lost In The Crowd, 3:18
3. Holding On, 3:21
4. Loaded Gun, 3:03
5. Move Along, 2:54
6. Redefine, 3:24
7. Pleasure And Pain, 3:15
8. Midas Touch, 1:43
9. Hell Of A Dream, 2:47
10. Riding The Vice, 3:42
11. Out Of Luck, 4:02
12. Inside Out, 6:52

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STREAM: Galgo - EP5


Os portugueses Galgo editaram o seu primeiro registo de estúdio, EP5, na passada quinta-feira tendo disponibilizado o mesmo para audição gratuita na íntegra, via bandcamp oficial. Num total de quatro canções, que apresentam o universo ritmado da sua música, o EP5 foi gravado nos Black Sheep Studios tendo visto como primeiro single de avanço, "Dromomania". O restante EP e as datas de apresentação do respetivo, a consultar abaixo.


Concertos de apresentação do EP: 
10 outubro - Mucho Flow, CAAA - Guimarães 
22 de outubro - Jameson Urban Routes, Musicbox - Lisboa 
23 outubro - Café Au Lait, Porto 
24 outubro - Porta Onze, Monção
21 novembro - Black Bass, Évora

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Violent Femmes de regresso aos álbuns 16 anos depois


Os Violent Femmes estão a gravar um novo registo longa-duração que sucederá assim Freak Magnet(2000), o seu último disco desde então. Depois de recentemente terem lançado, em função de mais um Record Store Day, o Happy New Year EP, os Violent Femmes regressam agora em formato álbum com data de lançamento prevista para 2016. Embora ainda sem anúncio oficial, a banda avançou no seu facebook que o álbum se encontrava quase feito, contando com a produção de John Agnello (Kurt Vile, Sonic Youth, Dinosaur Jr.).

Ainda sobre o novo trabalho o masterizador do álbum, John Kruth, avaçou "You'll dig the new material — the band's sounding really good and there's a few unexpected twists and turns — I just happened to be wearing my red dragon shirt when they were mastering a wild song about dragon hunting".

Detalhes relativos a este novo trabalho deverão surgir brevemente.


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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Cinco Discos, Cinco Críticas #9

Harmlessness // Epitaph // setembro de 2015
8.6/10

Os The World Is A Beautiful Place & I Am No Longer Afraid To Die, uma das mais importantes bandas do novo movimento revivalista emo, lançaram recentemente o seu terceiro álbum de estúdio Harmlessness. O grupo, formado por nove membros, lançou aquele que é provavelmente o seu melhor trabalho até à data, após o sucesso do álbum de estreia Whenever, If Ever(2013), onde a banda americana fundia elementos post-rock às suas melodias frequentemente rotuladas como emo. Em Harmlessness, as músicas estão mais aperfeiçoadas. Já não existem os berros constantes, e o papel dos vocalistas trocou, focando-se principalmente na voz de David Bello, ao invés de Thomas Diaz. As músicas são mais refletidas, assim como as letras. "I Can Be Afraid Of Nothing" é o momento alto do álbum e é, sem dúvida, um dos melhores singles do ano. A malha de mais de sete minutos traz-nos de volta ao tempo de uns Brand New, com um instrumental épico e acelerado, que aborda a temática da depressão, funcionando não como uma música depressiva, mas sim como uma música que pretende dar a volta à situação, onde tudo correrá bem no fim. Harmlessness é um álbum que pretende levar-nos a um novo rumo, é um álbum com uma mensagem muito positiva e que não pretende fechar os olhos aos problemas mas sim contorná-los. Os instrumentais estão soberbos e são capazes de converter alguns fãs da música post-rock a este tipo de música. Num álbum bastante consistente de principio ao fim, onde nenhuma faixa está a mais, os TWIABP conseguiram aquele que será um dos melhores álbuns do ano, mostrando que a música emo está de volta e de boa saúde.
Filipe Costa

Sexwitch // Echo/BMG // setembro de 2015
7.5/10

Sexwitch é o novo projeto paralelo de Bat For Lashes, que junta o produtor Dan Carey e membros da banda londrina TOY. Sexwitch, homónimo, marca a estreia da banda nos discos e reúne seis composições que resultam de uma reinterpretação de músicas do mundo, de origem folk e psicadélica, dos anos 70 oriundas de Marrocos, Tailândia, Irão e Estados Unidos da América.  "Ha Howa Ha Howa", original de Cheikha Hanna Ouakki, cantora marroquina, assinala a abertura deste LP e apresenta logo a base do que se ouvirá nos singles que o sucedem: loops vocais de uma Natasha Kan descontrolada. Através de "Helelyos"(Irão), single de apresentação do presente longa-duração, os Sexwitch mostraram esta tendência, embora a  partir de tonalidades vocais menos arriscadas. No entanto, o seu instrumental também apresenta uns Sexwitch a apostarem nas guitarras do movimento psicadélico, característico dos TOY sobre uma produção incrível e uma viagem garantida às diferentes culturas do mundo. Amostra disso é mesmo "War In Peace", um dos grandes momentos do álbum, que explora a excelente conjugação das capacidades musicais dos artistas envolvidos e que encerra o álbum de forma inteligente. A falhar fica "Lam Plearn Kiew Bao", um single completamente dispensável.  
Sónia Felizardo

Auto Rádio // Pataca Discos // setembro de 2015
7.1/10


Depois de alguns anos viver em Londres e a representar Walter Benjamin, Luis Nunes regressou a Portugal em 2013, instalando-se no Alvito, Alentejo. Esta mudança na sua vida revolucionou a sua maneira de olhar o mundo e, associada a uma necessidade de escrever na sua própria língua, levou à criação de 12 músicas reunidas no primeiro álbum do artista sob o nome de Benjamim. Auto Rádio é um disco que fala sobre as viagens de carro a ouvir rádio, sobre as vivências daqueles que fizeram parte do Portugal colonial, sobre a crise, do amor, entre outros. Entre as várias influências encontram-se o Duo Ouro Negro, Lena d'Água, Chico Buarque, Zeca Afonso, Bob Dylan, Beatles e Beach Boys. Os grandes destaques vão para o single de apresentação “Os Teus Passos”, música de verão gingona que consegue pôr toda a gente a dançar, como é visível no videoclip, a instrumental “Sintoniza”, em que a guitarra, o xilofone e os sintetizadores combinam de forma exímia, a fazer lembrar a sonoridade do amigo Bruno Pernadas mas mais dançável. O tema “Volkswagen”, que fala sobre o Volkswagen Golf de 96 que Benjamim usou para a sua tour nacional em que deu 33 concertos em 33 dias seguidos, é outro dos destaques e simboliza o fiel companheiro de viagem que nos faz chegar muita da música que ouvimos. Por fim, o tema título revela-se como o melhor dos temas apresentados, misturando um registo inicial de quase bossa nova, a recordar-nos Julie & The Carjacker, com a sonoridade de um teremim e de guitarras num registo mais rock. Em suma, Auto Rádio é um disco em que Luís Nunes tenta reencontrar a sua identidade após vários anos vividos o norte da Europa e em que a pop e a escrita de canções andam lado a lado.
Rui Gameiro

S/T // Born Bad Records // setembro de 2015
7.7/10

Três longos anos depois do último álbum, Faraway Land, os J.C.Satàn voltaram as edições com S/T, álbum editado pela editora Born Bad Records, a 21 de setembro, estando já disponível para audição no Bandcamp. A banda francesa, que já passou pelo Lux Frágil em Lisboa, na companhia de Ty Segall, surpreende-nos aqui com este álbum explosivo, mas que também não é perfeito, existindo algumas falhas pelo meio. Esta característica explosiva do álbum afirma-se logo na primeira música, “Satan II”, onde a distorção e o ritmo acelerado, da guitarra de Arthur (guitarrista dos J.C.Satàn), iniciam o álbum da forma mais enérgica possível. Destaque também para “Dialog with Mars”, protagonizada por uma poderosa linha de baixo, que toma conta dos últimos minutos desta música de uma maneira incrivelmente sentida. “Don’t joke with the people you don’t know”, e “Ti amo Davvero”, é onde os J.C.Satàn parecem falhar na sonoridade deste álbum, em que a língua italiana, nesta última música, parece amolecer a energia da banda francesa, deixando-nos com um sentimento de indiferença, mas o que apenas se sentiu por poucos minutos de álbum. No final, isto tudo não chegou para influenciar o bom trabalho dos J.C.Satàn, que ainda assim conseguiram surpreender-nos com malhas explosivas, neste novo registo, e que nos deixam a esperar por uma passagem em Portugal nos próximos tempos. 

Tiago Farinha

Hermits On Holiday // Heavenly/Birth // agosto de 2015
8.5/10
Depois de uma excelente colaboração com Ty Segall que resultou em Hair, editado em 2012, em Hermits On Holiday Tim Presley, mais conhecido por White Fence, volta a mostrar que não há pai para ele no que toca a colaborações. Desta vez, acompanhado por Cate Le Bon, que já o acompanha há algum tempo como parte da sua banda ao vivo, o californiano formou os Drinks. E este primeiro álbum dos Drinks é, sem dúvida, um dos melhores registos dos dois músicos. Temas como os primeiros singles "Laying Down Rock" e "Hermits On Holiday" são daquelas músicas que ficam na cabeça à primeira escuta, e por outro lado, "She Walks So Fast" faz lembrar o período experimental dos Pink Floyd, da época em que eram liderados por Syd Barrett. "Tim Do Like That Dog" também demonstra bem o lado mais psicadélico do dueto: um jam de mais de seis minutos por cima do qual Cate Le Bon vai repetindo a frase que dá o título ao tema.
Hélder Lemos

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Peach Kelli Pop com concertos no Porto e em Lisboa


As Peach Kelli Pop, banda de garage pop, irão estrear-se em Portugal, em Outubro, pelas mãos da MATERNIDADE, para apresentar o seu terceiro álbum de estúdio, III, editado em Abril deste ano. 

Peach Kelli Pop começaram quando Allie Hanlon, originalmente baterista, decidiu compor e gravar canções em Otava, no Canada, em 2009, para ela mesmo e não para o público. Elas são conhecidas pelas suas canções cativantes e sarcásticas inspiradas por jogos de vídeo, comida chinesa, teorias da conspiração, ilustrando não só a sua jovialidade como a sua inteligência e angústia. Também há espaço para temasa como as pressões e desafios a que as mulheres estão sujeitas e o peso do amor.


Nos concertos, Hanlon na guitarra e na voz é acompanhada por uma outra guitarrista, uma baixista, uma teclista e uma baterista. Uma banda de raparigas.

Dia 7, tocarão no Café au Lait, Porto com primeira parte do Tomba Lobos e DJ set da Gentle Records e dia 8, no Damas Bar, em Lisboa, com primeira parte de Vaiapraia e as Rainhas do Baile e DJ set de Dead Cansado. A entrada serão 6€ em ambas datas.

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Sunn O))) vão lançar novo álbum em Dezembro


A banda norte-americana Sunn O))) vai editar um novo álbum de estúdio ainda este ano, depois de em 2014 terem editado álbuns colaborativos com os Ulver e Scott Walker.

Kannon, também conhecido como o deus budista da misericóridoa, tem lançamento agendado para 4 de Dezembro via Southern Lord e foi produzido por Randall Dunn, responsável também pela produção de Altar (2006) e Monoliths and Demolitions (2009).

Segundo a banda, este novo trabalho foi descrito como o álbum mais metal que a banda fez nos últimos anos e contará com as colaborações de Attila Csihar (Void), Oren AmbarchiRex Ritter e Steve Moore.

Kannon:

01 Kannon 1
02 Kannon 2
03 Kannon 3

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[Review] Youth Lagoon - Savage Hills Ballroom



Savage Hills Ballroom // Fat Possum Records // setembro de 2015
8.0/10

Trevor Powers finalmente saiu do seu quarto; o músico que está por trás do projeto dream pop/experimental Youth Lagoon presenteia-nos finalmente com o seu terceiro álbum em estúdio, Savage Hills Ballroom, editado pela Fat Possum Records.

Depois do atribulado final da tour de Wondrous Bughouse, cujos últimos concertos foram cancelados por Powers devido ao falecimento de um amigo próximo, o músico isolou-se em Idaho, e, inspirando-se também na morte recente do seu tio, compôs o retrospetivo Savage Hills Ballroom, separando-se finalmente dos dois álbuns que deixa para trás, The Year Of Hibernation (2011) e Wondrous Bughouse (2013). Apesar do mote infeliz, Trevor Powers liberta-se do seu antigo som, dando nova vida a Youth Lagoon, com a ajuda de Ali Chant, que trabalhou com Perfume Genius em Too Bright.

É neste álbum que ouvimos realmente a voz de Powers; a clareza de Ballroom não é mais do que uma antítese ao som abafado e ao ambiente caleidoscópico dos seus trabalhos anteriores. As novas músicas são cinéticas, cheias de precisão melódica, aspetos completamente novos para Youth Lagoon.

No entanto, os temas abordados pelas letras de Powers não se alteraram muito. A constante retrospeção, a nostalgia da infância, as inseguranças do músico e a morte são assuntos recorrentes, esta última ainda mais presente neste trabalho, dado a sua inspiração infeliz. Youth Lagoon mostra, no entanto, um interesse em participar em problemas com uma vertente mais social, como se ouve no tom acusativo de músicas como "Rotten Human", "Again" e "The Knower". O seu desgosto pessoal resulta nos melhores momentos deste álbum, com a excepcional "Kerry", dedicada ao seu tio, ou "Officer Telephone", onde é claro o sentimento de luto pelas recentes perdas de Trevor Powers.

Toda a retrospetiva presente nestas músicas é essencial para o músico; finalmente a sua criança interior é libertada para o mundo adulto. É difícil imaginar o rumo que Youth Lagoon tomará depois desta transformação, mas ao ouvirmos Savage Hills Ballroom, ficamos com certeza à espera de mais.


Texto de Márcia Boaventura

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Reportagem: She Past Away [Hard Club, Porto]


Volkan Caner e Doruk Öztürkcan são, atualmente, os She Past Away. Depois da sua estreia no Entremuralhas do ano passado, os turcos regressaram a Portugal numa tour com duas datas: 29 de setembro em Lisboa e 28 de setembro no Porto. Foi no Porto, num concerto com o toque da MIMO que a Threshold assistiu ao concerto da dupla.



Apesar da recente alteração de alinhamento da banda — dada a saída do baixista e membro fundador da banda İdris Akbulut, os She Past Away ficaram reduzidos ao formato duo — a banda não perdeu o seu traço sonoro. O tom monocórdico da voz de Caner perdura. A parte instrumental continua a invocar os melhores tempos de uns anos 80 vividos à base de copiosas audições dos trabalhos dos CureJoy Division, New Order e Bauhaus. A título de curiosidade, poderíamos dizer que Caner se assemelha a um Robert Smith nos seus anos de juventude (o seu cabelo eriçado e cara maquilhada ajudam a manter essa ilusão) e que Öztürkcan poderia passar por um dos membros dos Kraftwerk dado o seu uniforme de palco (camisa e calças pretas) e predileção pela ocupação parte eletrónica da instrumentação dos She Past SwayÖztürkcan é também o produtor dos álbuns dos She Past Away.



Por todos os motivos acima enunciados, um crítico poderia argumentar que os She Past Away não passam de um pastiche de todas estas influências, não acrescentando nada de novo ao género do Post-punk/Goth-wave. E, na verdade. assim é. 
Nada do que possam ouvir editado pelos She Past Away vos soará a novo. Mas digam-me, porque é que isso é mau? 
Será que os She Past Away ou qualquer banda precisam necessariamente de acrescentar alguma coisa ao seu género musical? Não era o outro dizia que os maus imitam e que os grandes roubam?


É um facto que os She Past Away nada acrescentam ao Post-punk nem ao Goth-wave. Mas também é um facto de que a dupla é, atualmente, das bandas que melhor mesclam ambos os géneros. Os seus álbuns são repletos de memórias sonoras dos anos 80 — essa época dourada para o Post-punk e Goth-wave em que todas as grandes bandas que dão nome a ambos os movimentos existiram —e as suas performances ao vivo não desiludem. 



Apesar das alterações no colectivo e perda de um dos membros fundadores — Akbulut — os She Past Away enquanto banda estão no ativo desde 2006 e lançaram este ano o seu mais recente LP, Narin Yalnızlık. O novo álbum foi o leitmotiv desta digressão.


Com o Narin Yalnızlık ainda fresco, escutaram-se mesmo assim malhas antigas como a "Sanrı" e a "Rituel". O calor português comoveu os turcos, que não arredaram pé do palco sem um triplo encore e um agradecimento pela oportunidade de, mais uma vez, mostrarem o que valem em território nacional.

A primeira parte do certame esteve a cargo do Homem em Catarse, esse portento do folk nacional que esteve também a apresentar o seu mais recente trabalho, o Guarda-Rios.

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Os Daughter estão de volta aos discos


O trio londrino que, pela última vez em Portugal, esteve na edição de 2014 do NOS Alive, hoje de manhã avançou com a divulgação do seu novo álbum previsto para ser lançado a dia 15 de Janeiro do próximo ano com o selo da 4AD. Para além de data deram-nos também um nome, Not To Disappear, um single de breves 6 minutos chamado "Doing The Right Thing" e a lista de faixas integrantes do álbum. A banda também já avança com datas de tour a começar por Novembro na Inglaterra e portanto também será de esperar os Daughter para o ano novamente em Portugal.
Toda a atmosfera melancólica a que Elena, Igor e Remi nos acostumou com If You Leave continua a ser muita característico do trio e notável no novo avanço podendo já ouvirem aqui:

Tracklist:

1. New Ways 

2. Numbers 
3. Doing The Right Thing 
   4. How
                                 5. Mothers
                                 6. Alone / With You
                                 7. No Care
                                 8. To Belong
                                 9. Fossa
                                 10. Made Of Stone

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BLACK BASS - Évora Psychedelic Fest anuncia 2 primeiros nomes


O Black Bass-Évora Psychadelic Fest que se realizará nos dias 20 e 21 de novembro, na Sociedade Joaquim António D’Aguiar – SOIR-JAA anunciou hoje os dois primeiros confirmados. São eles Youthless e Stone Dead.


O duo londrino, que estás prestes a lançar o disco This Glorious Age e que nos presentou com o single “Golden Spoon”, vai tocar pela primeira vez em solos com pouco água para estes dois surfistas, prometendo inundá-los durante o seu concerto.



Os Stone Dead, a banda de Alcobaça, levam o seu The Stone John Experience na bagagem e vão pôr todos a viajar com o seu stoner rock, o mesmo de Stone John.

São duas confirmações que fazem com que o género musical do festival seja fiel mais um apresentando-nos o mundo do psicadelismo, rock stoner e shoegaze.




O passe para os dois dias será da módica quantia de 7€.

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Luís Severo (ex-O Cão da Morte) edita novo disco


Depois de dois anos a escrever novas canções e a tocar pelo país inteiro, Luís Severo anuncia o lançamento do seu quarto longa duração, Cara d’Anjo. Foi debaixo do signo d’O Cão da Morte que Luís Severo começou um processo de experimentação adolescente enquanto cantautor, tendo vindo a lançar desde 2009 uma montra de registos que concedem ao artista uma identidade única no panorama musical português. Em 2014, uniu- se a Coelho Radioactivo para nos apresentar radiosas canções e performances na estrada enquanto Flamingos. Finalmente, 2015 é o ano em que O Cão da Morte morre de amores pela pop que outrora experimentou e agora consolida, renascendo com o apelido materno seguindo o nome próprio.

Produzido pelo próprio, com o precioso auxílio de Filipe Sambado, este novo trabalho revela-nos a sua maturidade no ofício da canção e transparece a sua qualidade enquanto letrista e o seu charme na descrição do amor no espaço urbano e suburbano. Cara d’Anjo foi gravado no Bairro Alto, numa sala que divide com amigos. Foi masterizado por Eduardo Vinhas no estúdio Golden Pony. Conta com a participação da banda Bernardo Álvares (baixo e contrabaixo), Ricardo Amaral (guitarras) e Luís Barros (bateria e percussões) e com participações especiais de Júlia Reis (Pega Monstro), Coelho Radioactivo, Vaiàpraia e Primeira Dama. Cara d’Anjo é uma edição Gentle Records e estará disponível em Outubro no Bandcamp e no site da editora. Os concertos de apresentação do álbum começam também em Outubro um pouco por todo o país e estender-se-ão até ao início de Dezembro, altura da grande apresentação com banda em Lisboa.

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STREAM: Girls Names - Arms Around a Vision


Os Girls Names estão a disponibilizar para audição gratuita na íntegra o seu terceiro trabalho de estúdio, Arms Around a Vision. Com passagem agendada para Portugal em função da atual tour, a banda edita o álbum esta sexta-feira. Arms Around a Vision sucede The New Life(2013)

Arms Around a Vision tem data de lançamento previsto para 2 de outubro via Though Love Records.


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Few Finger editam hoje "Burning Hands"


Os Few Fingers são Nuno Rancho e André Pereira. Nuno Rancho é músico dos Dapunksportif e dos Bússola, colaborou com os Indignu, liderou os Team Maria e, a solo, já lançou três discos e foi Novo Talento Fnac. André Pereira formou-se no Guitar Institute em Londres e tem acompanhado formações como Ultraleve, Team Maria ou Quem é o Bob?.

Apesar de já terem pensado muitas vezes em fazer algo juntos, o desafio de criarem um tema para a compilação Leiria Calling foi decisivo para que tenham começado a passar finais de tarde juntos em casa a comporem e a gravarem o que iam fazendo.

Sem pressas nem objectivos e ambições pré-determinados, o conjunto de canções gravadas em casa fez todo o sentido num disco que explora as dificuldades de criar e manter relacionamentos com outras pessoas, numa época em que aparentemente estamos todos ligados.


Burning Hands acaba por ser um disco de canções feitas ali naquele lusco-fusco onde conseguimos parar para pensar um bocadinho em como foi o dia e no que podemos fazer até cairmos de cansaço. Canções simples e despretenciosas, embaladas pela lap steel guitar, que assumem um legado folk e uma escola indie. O álbum é editado a 2 de Outubro via Omnichord Records.

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Ty Segall tem mais uma banda: GØGGS


Ty Segall tem mais uma banda para a coleção, os GØGGS, que contam com músicos como Chris Shaw dos Ex-Cult e Charles Moothart (Ty Segall Band, Fuzz), na formação. A banda apresenta-se através de um primeiro single, "She Got Harder", que traz a habitual sonoridade dos projetos comuns dos membros mas como pano de fundo. A aposta vai de encontro a uma sonoridade entre Thee Oh Sees, mas com um vocalista à  la Death Grips, a produção é bastante aprimorada.

Ao falar dos GØGGS, na sua página tumblr, a banda de Chris Shaw menciona como se formou e o porquê "Ty and I decided we were going to start a band together when Ex-Cult opened for his band on the Slaughterhouse tour in 2013. A couple years later when the plans were solidified, it only made sense that thrash master Charles Moothart should get in on the experience. The three of us have been friends for years at this point, crashing at each others houses and riffling through each others record collections after a night of performing, partying, or both. This is not a side-project, it is a necessity. GØGGS is three heads, one spine, circling the drain of the wasteland known as mother earth."


Os GØGGS anunciaram também que o álbum de estreia é esperado ser lançado no próximo ano tendo como convidados especiais: Cory Hanson dos Wand, Denee Petracek dos Vial e Mikal Cronin.


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The Tallest Man On Earth vem a Lisboa em Fevereiro de 2016


O sueco Kristian Matsson vai regressar ao nosso país com seu projecto The Tallest Man On Earth, depois de ter passado pela edição de 2010 de Paredes de Coura. O cantautor vem apresentar o seu novo álbum Dark Bird, editado em Maio deste ano. 

O concerto está agendado para 6 de Fevereiro no Armazém F, Lisboa, e tem o custo de 23€. Os bilhetes estarão disponíveis para venda apartir do próximo sábado.

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2ª edição do Black Bass Évora Psychedelic Fest anunciada


O Black Bass - Évora Psychedelic Fest está de volta para a sua segunda edição. 2 dias, um total de 12 bandas e muito amor ao psicadelismo!

Depois da primeira edição no ano passado, o festival BLACK BASS vai tornar a levar alguns dos mais interessantes projectos emergentes da música nacional à capital do Alentejo. 

O festival irá decorrer nos dias 20 e 21 de Novembro, em Évora, na Sociedade Joaquim António D’Aguiar – SOIR-JAA

A estética do cartaz irá manter-se fiel ao universo do psicadelismo, rock, shoegaze e stoner, tendo já nomes confirmados e que serão anunciados nos próximos dias, até ao decorrer do fest, sendo que 12 bandas irão actuar nos dois dias do festival. 

 O BLACK BASS mantém-se também com os preços dos bilhetes e horários da primeira edição, lembrando que o passe para os dois dias será feito pelo valor simbólico de 7€.

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Petite Noir entre as novas confirmações do Vodafone Mexefest


Como já é costume, aqui está mais um trio de confirmações para o festival que ocorre na Avenida da Liberdade a 27 e 28 de Novembro.

O africano Petite Noir, nascido Yannick Ilunga, estreou-se com o longa duração La Vie Est Belle / Life Is Beautiful. Numa fusão moderna e estilisticamente criativa de géneros, Petite Noir junta a eletrónica ao R&B, com arranjos Pop e, claro, temperados pelo sabor de áfrica.



Márcia  volta ao Mexefest depois da sua presença em 2013. Ela é uma das melhores vozes da música pop portuguesa. Depois de (2010) e de Casulo (2013), a autora e intérprete voltou este ano com Quarto Crescente. Gravado entre Lisboa e o Rio de Janeiro, o magnífico Quarto Crescente conta com colaborações de luxo como Criolo, Vinicius Cantuária, entre outros. O registo é de uma beleza infalível, imenso de palavras que se arrumam em melodias pensadas e tratadas ao pormenor, variado de ritmos e que, com toda a certeza, figurará nas listas dos melhores do ano.



Luís Nunes não é mais, nas coisas da música, Walter Benjamin. Agora, para dar nome às suas criações cantadas em português, temos Benjamim. Auto Rádio, o disco saído no passado dia 18 de Setembro, é já um sucesso pop com reconhecimento radiofónico e que soa com extraordinário entusiasmo nos muitos palcos por onde tem passado. 


Para já estes são os confirmados, esperando-se novidades para breve:

Akua Naru; Anna B Savage; Ariel Pink; Benjamim; Benjamin Clementine; BLOCO: Tropkillaz, Karol Conka, Mahmundi; Bully; Chairlift; Da Chick; Do Amor; Ducktails; Georgia; Márcia; Patrick Watson; Peaches; Petite Noir; Selma Uamusse; Seven Davis Jr; They’re Heading West, The Parrots; Titus Andronicus; Villagers

O bilhete único para os dois dias do festival está já à venda nos locais habituais, a 40€ até ao dia 30 de setembro, passando a 45€ a partir de 1 de outubro e a 50€ nos dias do Festival.

Já disponível na App Store e Google Play está também a app do Vodafone Mexefest. Os clientes Vodafone podem adquirir o bilhete único do festival com 5€ de desconto.

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Peaches entre as novas confirmações do Vodafone Mexefest


Juntaram-se ontem ao cartaz do Vodafone Mexefest mais 3 bons nomes da música actual. São eles Peaches, Da Chick  e Seven Davis Jr.

Peaches vem até Lisba mostrar o seu mais recente o álbum RUB. Canadiana, a viver em Berlim, Merril Nisker é uma artista de corpo inteiro. Com discos e aparições em palco sempre cheias de energia e potência, mistura como ninguém a eletrónica, o hip hop e o punk rock. 



Uma das mais promissoras revelações da música eletrónica nacional dos últimos tempos é Da Chick. O último Chick to Chick, lançado este ano, mostrou aquilo que todos já vaticinavam, uma artista de mão cheia que funde como ninguém o funk da velha escola com o groove eterno da soul, uma mistura explosiva que poucos conseguiriam fazer soar bem. 


Texano de nascença, mas há muito a viver na Califórnia, Seven Davis Jr cresceu a ouvir grandes nomes como Michael Jackson, Prince, Stevie Wonder ou Aretha Franklin e isso nota-se bem nas suas sonoridades. Cantor, mas também produtor, em 2014 assinou pela Ninja Tune para lançar o seu primeiro álbum. Universes já está disponível e vai ser apresentado no Vodafone Mexefest.


Para já estes são os confirmados, esperando-se novidades para breve:

Akua Naru; Anna B Savage; Ariel Pink; Benjamin Clementine; BLOCO: Tropkillaz, Karol Conka, Mahmundi; Bully; Chairlift; Da Chick; Do Amor; Ducktails; Georgia; Patrick Watson; Peaches; Selma Uamusse; Seven Davis Jr.; They’re Heading West, The Parrots; Titus Andronicus; Villagers

O bilhete único para os dois dias do festival está já à venda nos locais habituais, a 40€ até ao dia 30 de setembro, passando a 45€ a partir de 1 de outubro e a 50€ nos dias do Festival.

Já disponível na App Store e Google Play está também a app do Vodafone Mexefest. Os clientes Vodafone podem adquirir o bilhete único do festival com 5€ de desconto.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

The Strokes de regresso a estúdio


Julian Casablancas anunciou ontem, no concerto dos Strokes no Landmark Music Festival, que a banda está de volta a estúdio. Amanda de Cadenet, mulher do guitarrista Nick Valensi, confirmou a notícia no twitter.

O mais recente álbum da banda, Comedown Machine, foi lançado em 2013.

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Lush reunem-se passados 17 anos


Os Lush, banda de shoegaze que esteve no activo entre 1987 e 1998, vai voltar passados 17 anos e já tem um concerto confirmado para 6 de Maio do próximo ano, em Londres. O baterista Justin Welch (dos Elastica) vai substituir o falecido Chris Acland e juntar-se a Miki Berenyi (voz e guitarra), Emma Anderson (voz e guitarra) e Phil King (baixo).

Foi confirmada também uma edição em vinil da compilação Ciao!, por parte da 4AD, e um box set com quase todos os lançamentos anteriores da banda, em conjunto com músicas raras e demos.

O concerto em Londres deverá ser o primeiro de vários, por isso talvez possamos contar com a presença da banda na próxima edição do NOS Primavera Sound, por onde já passaram três outros grandes do shoegaze: My Bloody Valentine, Slowdive e Ride.


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domingo, 27 de setembro de 2015

[Mergulhador] A Bicicleta



Uma homenagem com um texto que se centra no universo de um dos melhores artistas de sempre, Syd Barrett. Próxima paragem: surrealismo.






[Céu] Hoje ofereceram-me uma bicicleta. Usada, mas quase nova. Com cores garridas a combinarem com a minha camisa, cor do "arco-íris". E tinha um desenho que mostrava um homem a subir um arco-íris, a sorrir, com as pupilas bastante abertas. Consigo ver que está mesmo feliz e o sorriso é tão natural como de uma criança quando vê um pai a fazer caretas. O seu fato preto conduz com o chapéu. Fiquei a analisar o desenho com um interesse especial. Lá fora as nuvens já rondavam a estrela mais pequena do Sistema Solar, com um olhar ansioso, à espera de algo. Estava numa despensa, à espera do fim do mundo! Mas adorava a bicicleta. Não sei quem me ofereceu, apenas vi o objecto hoje de manhã quando fui ver o correio, parado, a olhar para mim. E porque fui ver o correio se ninguém me escreve? Ninguém perde o seu tempo a fazer longas caminhadas pelos terrenos da mente. Ou perde? Não sei. Só quero saber da minha bicicleta, da minha única bicicleta. Não interessa se é boa ou má, é apenas a minha bicicleta. O homem continuava a sorrir. E foi então que reparei na cesta que trazia. Nela estava algo embrulhado. Não abri... não me interessa. O homem não sabia o que havia para lá do arco-íris e, no entanto, mostrava-se feliz. Mas reparei que o sorriso era um pouco forçado. O homem, no fundo, sabia que o seu destino estava traçado. E o olhar... notava-se algo no olhar. Fiquei curioso com o arco-íris. Mas não poderia obter qualquer informação acerca dele. Lá fora, as nuvens já cobriam o sol.

[Terra] Como era homem para te dar a minha bicicleta... lembro-me de cada ínfimo momento que passámos. Desde tu, comigo, nesta despensa, os nossos corpos colados, a saborear cada segundo do tempo, cada chama do nosso corpo, a recolhermos as nossas glórias. Já te disse que tem uma campainha que toca? É um som esquisito, mas soa bem. Soa como um pássaro, a ver uma bela paisagem num pequeno galho. A sentir uma pequena brisa a roçar no seu pêlo genuíno. Quando o seu som ingénuo perfura o silêncio dos campos e encaixa na luz de um sol fraco, prestes a deitar-se ao longo de um mar azul "cor do céu" que se "cola" ao horizonte. Eu penso que esta campainha que toca é a batidas do seu coração, do coração da minha bicicleta. Tu és o tipo de pessoa que eu conseguiria dar tudo... tudo que quisesses. Reparo agora numa coisa: o homem está com cara de sério. E a minha bicicleta começa a ter vestígios de ferrugem. Apercebo-me que o meu bem-estar já é falso. Mas não me sinto triste. Sinto-me vazio. A despensa está mais pequena. As nuvens que cobrem o sol aparentam ter uma cor acinzentada. E o meu sentimento pela bicicleta já não é o mesmo que antes. Não é desta que abro o embrulho. Ouço vento lá fora, mas não tenho medo. Para quê ter medo do fim? É normal a mente estar numa constante luta. Criei alguém dentro de mim, é certo. Será o homem do arco-íris. Quem é ele? O que quer?

[Inferno] Neste momento vivo apenas de memórias. Não devia, mas o homem do arco-íris não me deixa sair delas. De ti, apenas me lembro de estares calada durante um dia, sem falares comigo, depois de uma discussão ardente. Tentei tocar o sino da bicicleta mas fez um barulho esquisito, como se fosse um pequeno sufoco de um rato, na sua toca, preocupado com o gato, cheio de baba, à espera de caçá-lo. A parte de trás da bicicleta estava cheia de ferrugem e a roda estava completamente vazia. Será que estava com dificuldades em respirar? Pobre bicicleta. Já não consigo sentir nada pela sua beleza. As cores já estão fracas e o homem já não sorri, chora. Chora como uma criança, quando sente os primeiros suspiros da Terra. O que era feito do homem cheio de confiança? Já não existe nenhum arco-íris, mas sim umas escadas podres que se dirigem até a uma nuvem vermelha. Ao lado está escuro, tudo com uma cor preta acinzentada. Lá fora, já não há sol, apenas um céu com nuvens cinzentas escuras. Neste momento, vejo dois olhos a olharem para mim, olhos pretos, cujas pupilas são difíceis de reparar. Comecei a chorar. Já não me consigo lembrar de ti, apenas lembro-me das formas do teu corpo, mas sinto que estás a fugir da minha mente como uma onda foge do horizonte numa noite de tempestade, à espera de tocar na areia fina, à espera de ser aconchegada. Eu sou essa onda.
De repente, ouço uma trovoada horripilante. Fiquei surdo e senti lágrimas a escorrerem-me pela face. Já não sei quem sou! Já não me lembro de nada. Olho para fora e vejo um céu negro cheio de relâmpagos. Já não vejo relva, vejo terra seca e já não vejo olhos a olhar para mim, mas um vulto com um chacal, prestes a comer-me. A bicicleta está podre, já não tem cesta, já não tem sino, está toda enferrujada, sem pneus, apenas com um desenho de um homem nu, deitado, morto, com nada à sua volta, apenas uma tinta branca. O envelope estava intacto. Fiquei com medo até que
ouvi uma explosão durante milésimas de segundo até acabar deitado no chão como o homem.

[Céu, Terra, Inferno]
Acordei. Olhei à minha volta e estava no meu quarto: como estava um sol
radiante hoje. Era o dia em que me ia encontrar contigo. Ao sair de casa vi a minha prenda de anos, a prenda que me ofereceste... Uma bicicleta e um fato preto e um chapéu. Reparei que não era muito bonita, mas tinha um desenho que me despertou. Estava um rapaz com uma camisa da cor do arco-íris, numa despensa à espera de algo. Parecia estar a abrir um envelope. E consegui ler o que estava escrito: "Life is just a mirror, and what you see out there, you must first see inside of
you. (Wally Amos)"
THE END 


Artigo escrito por mergulhador.
foto: clique aqui

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