sábado, 17 de outubro de 2015

Concerto de Daughter no St. John at Hackney Church esgotado


Os britânicos Daughter anunciaram recentemente o seu regresso aos trabalhos de estúdio com Not To Disappear, sucessor de If You Leave(2013) que servia de mote para avanço da mini tour pelo Reino Unido com paragens em Glasgow, Bristol e Londres e a decorrer de 16 a 19 de novembro. O trio londrino que esteve pela última vez, em Portugal, na edição de 2013 do Vodafone Mexefest vê agora esgotado o concerto de dia 19 de novembro no St. John at Hackney Church, em Londres.

Com uma capacidade para cerca de 1400 pessoas, o St. John at Hackney Church trouxe no passado mês concertos de Cat Power e Beirut contando ainda com Bloc Party e Benjamim Clementine na programação dos próximos meses. O concerto dos Daughter está agendado para 19 de novembro das 19h00 às 23h00.


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Memoirs Of A Secret Empire e Juseph em vídeo colaborativo


Depois do anunciado álbum de estreia, Vertigo - a sair brevemente -, e da recente passagem pelo Vouzela Art Fest e OMG Fest foi, no passado dia 19 de setembro, em mais uma edição do Amplifest, que os Memoirs of A Secret Empire tocaram em exclusivo, num palco partilhado com os Juseph, para o concerto de abertura desta quinta edição. O vídeo abaixo mostra o fim da colaboração entre os Memoirs Of A Secret Empire e os Juseph, com efeitos visuais de Guilherme Henriques Silva.

Recorde-se que Vertigo será lançado brevemente, embora nenhuma data tenha ainda sido avançada. O álbum de estreia trará também uma colaboração especial de Ricardo Remédio.


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Oiçam: Gem Jam


Gem Jam é o novo projeto paralelo de Francisco Lima, singer-songwriter mais conhecido por Jacketx. Gem Jam apresenta-se na indústria musical com UM, EP de estreia que se focaliza na exploração de uma eletrónica ambiente mais contida. UM é um conjunto de quatro canções instrumentais, que, de certa forma, contam uma história por trás da sua composição. 

Apesar da sua escassa biografia, sabe-se que a naturalidade Gem Jam remonta a Vila Real e, eventualmente o single de abertura de UM, "Vila", tece um pouco mais de história por detrás deste desconhecido. No geral UM é um EP que se pode subdividir em dois lados. O a-side, com as duas primeiras músicas a representarem uma alusão à música experimental ambiente e o b-side, com os restantes dois singles mas numa abordagem mais obscura.

Recorde-se que Francisco Lima editou Colateral, o seu mais recente disco sob o nome de Jacketx, em fevereiro do presente ano.


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Pista revelam detalhes de Bamboleio


Depois do EP homónimo, editado em outubro de 2013, os Pista preparam-se agora para lançar Bamboleio disco que marca a sua estreia nos registos longa-duração. O disco, composto por dez temas dos quais se incluiu o muito aclamado "Puxa", foi gravado e misturado no Alentejo, em Alvito, por Luís Nunes (Benjamim, que também participa nos coros e teclados em dois temas) e masterizado por Xinobi

O concerto de apresentação do disco, acontece a 13 de novembro no Musicbox, pelas 23h00, contando com as participações de Benjamim, Bro-X, Nick Suave, Óscar Silva (Jibóia) e Ricardo Martins. Os bilhetes para o concerto custam 10€ e o disco em vinil terá, apenas na noite do concerto, um preço especial de lançamento de seis. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteira online e locais habituais.

Bamboleio é editado no próximo dia 13 de novembro pelo selo pontiaq.


Bamboleio Tracklist:
1. Ar de Inverno (03:34) 
2. Bamboleio (02:23) 
3. 3-0 (04:02) 
4. Sal Mão (03:28) 
5. Ivone (01:52) 
6. A Tal Tropical (03:24) 
7. Onduras (03:59) 
8. PUXA (03:59) 
9. Boxe Fantasma (02:46) 
10. Queráute (10:18)

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Medeiros/Lucas tocam dentro de uma hora no Lusitano Club


Medeiros/Lucas 
17 de outubro | 18h30 | Lusitano Clube 

 Medeiros é já conhecido no meio da música tradicional, Lucas tem um portefólio abrangente. Juntos decidiram explorar o paradoxo de uma tradicionalidade contemporânea. Não é então de estranhar que à melancolia portuguesa dos nossos cantares se juntem as guitarras do surf, os ritmos africanos ou ambientes electrónicos. Apesar do antagonismo dos dois artistas as semelhanças já se antevêem desde 2010 quando Pedro Lucas lança o seu projeto O Experimentar Na M’Incomoda, sendo o título uma clara alusão ao álbum de Carlos Medeiros O Cantar Na M’Incomoda (1998). 

Este último álbum é a pedra de toque neste novo projeto que relata a narrativa de dois marinheiros perdidos no mar que depositam as suas expectativas em várias “sereias”, bem como o processo de as verem goradas. O Lusitano Clube recebe assim o concerto da dupla num ambiente acolhedor e sobretudo intimista para que o caminho da reflexão se dirija a nós próprios. Temáticas não faltarão, o desespero da escuridão (como um marinheiro perdido no mar), desgostos de amor, a infinitude do desejo e muitos mais que ganham detalhe e profundeza em Mar aberto.

Os bilhetes para o evento, com a promoção da Nariz Entupido, têm um preço de 5€.


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Vídeos da Semana #65


Numa semana marcada pelo lançamento surpresa do novo álbum dos Beach House, destacaram-se também diversos trabalhos na indústria audiovisual, desde os saudosos YAK ao conceituado produtor Dan Friel - que editou na passada sexta feira o seu novo disco, Life - passando ainda pelo registo de estreia Land dos ingleses Novella, e pelos novos discos dos Wand e YUNG, este último um EP.

1 - Yak - "No"

2 - Wand - "Sleepy Dog"

3 - Novella - "Sentences"

4 - Dan Friel - "Rattler"

5 - YUNG - "God"


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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

STREAM: Fuzz - II


Os Fuzz, que passaram pela última edição do Vodafone Paredes de Coura, disponibilizaram hoje para audição o seu novo álbum, II, que vai ser editado no próximo dia 23 de outubro, via In The Red Records

A banda do incansável Ty Segall, este que está a ter um ano cheio de novas bandas e discos, volta assim às edições, com Charles Moonheart e Chad Ubovich, para mais um LP de Fuzz. Este álbum explosivo pode ser ouvido aqui em baixo. 

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[New Album] Arca e o seu segundo de longa duração


O produtor venezuelino Alejandro Ghersi tem tido um ano atribulado. Desde fazer tour com a Björk até enrolar-se em vários outros projetos fenomenais como WENCH (que pode ser escutado aqui), Arca ainda tem fôlego e estofo para lançar mais trabalhos por conta própria.
O nome é Mutant e será lançado a dia 20 de Novembro contando mais uma vez com o seu brilhante colega Jesse Kanda para a elaboração dos trabalhos visuais. Há quatro meses supreendeu-nos com duas canções, "Washed Clean" e "Vanity", dizendo ele que seriam os leading singles para Mutant; há coisa de duas semanas voltou a divulgar trabalho mas desta vez com direito a vídeo, "Soichiro".


E hoje recebemos não só a data confirmada para a edição do álbum mas também mais uma faixa incrível integrante do novo álbum do experimentalista sul-americano, "EN" a ouvir aqui em baixo.
 

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Nadja em Portugal

Os canadianos Nadja visitam o nosso país em Dezembro.


A dupla formada por Aidan Baker e Leah Buckareff irá actuar no dia 17 de Dezembro no Lounge, em Lisboa. Este evento tem a assinatura da Associação Terapêutica do Ruído.

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Horários para o Jameson URBAN Routes divulgados


O festival Jameson URBAN Routes já tem os horários da sua 9ª edição prontos para serem marcados nas nossas agendas dos 5 dias em que vão ocorrer o evento. Podem conferir tudo aqui.






Não se esqueçam que o dia 30 de Outubro (dia de La Femme) está esgotado e ainda podem adquirir os vossos passes gerais por 56€ ou bilhetes diários por 14€ nos lugares habituais. 

E para os mais esquecidos, o primeiro dia do Jameson Urban Routes vai ser completamente gratuito até à uma da manhã, portanto do que estão à espera? Venham ver Galgo, Cave Story e Pega Monstro connosco!


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[Review] Deerhunter - Fading Frontier


Fading Frontier // 4AD // outubro de 2015
7.0/10

Dois anos depois do controverso Monomania os Deerhunter regressam agora aos discos de estúdio com Fading Frontier, o seu sétimo trabalho desde a  formação em 2001. Conhecidos pela sua habitual sonoridade punk ambient, característica nos primeiros trabalhos, os Deerhunter sofreram uma evolução até a atualidade que pôs em risco a identidade sonora da banda de Atlanta. Tendo apresentado-se inicialmente numa personalidade mais agressiva, para esconder eventuais inseguranças foi, após conquistarem uma multidão considerável, que os Deerhunter se despiram dos amplificadores do punk-rock para escreverem composições mais complexas e ingressarem numa veia mais dream pop, verificada posteriormente naquele que é o grande clássico Halcyon Digest (2010). Monomania, por sua vez, já não foi tão bem recebido; marcou uma renovada fase da banda onde novas ideias, na composição e estética da música, bem como a mudança de produtor e baixista tiveram uma certa influência. O resultado, um som mais agressivo e a trazer em lembranças Turn It Up Faggot(2005). 

Talvez por isso Fading Frontier tenha surgido como uma esperança para um bom futuro nos  próximos discos dos DeerhunterApresentado por "Snakeskin", uma das músicas mais fracas deste longa duração, a banda de Bradford Cox, além da exploração dos sub-genéros do rock, punk e shoegaze, mostrava ali um caminho para o funk e um hit extremamente banal para as pistas de dança dos dj sets de verão. "Snakeskin" surgiu como primeiro single de avanço, talvez para baixar as expectativas dos habituais ouvintes, ou então, para conquistar territórios novos. 

"All The Same", faixa de abertura deste novo disco, mostra os tão queridos Deerhunter da fase dos clássicos, mais focados nas melodias e texturas que na desarmonia e ruído. "Breaker" e "Duplex Planet" são mais dois bons exemplos dessa preocupação e projetam a confiança daquele que poderá vir a ser um trabalho eficiente. Claro que não são só coisas boas, "Living My Life", por exemplo, apesar de ser um single bastante característico, por si só, não traz nada de novo a Fading Frontier apresentando apenas uma nova abordagem ao dream pop que já se encontra como traço de personalidade musical da banda. Aliás Fading Frontier é um álbum que se encaixa mais no dream pop que noutro subgénero da discografia da banda. Um exemplo disso é "Take Care" que é trabalhado com mais perfeição e carinho apresentando uma grande inspiração em Wondrous Bughouse de Youth Lagoon.

Houve, no entanto, outros singles que perderam qualquer interesse, apesar de mostrarem algo completamente inédito na discografia dos Deerhunter, como por exemplo "Ad Astra". Bradford Cox agarrou nos programas de manipulação vocal e rendeu-se às tecnologias que, na maioria das vezes, fazem muitos artistas atingir o seu nível de incompetência. Este foi um dos casos. Estamos em 2015 e ainda ninguém disse aos Deerhunter que o psych rock é uma seca.

Em suma, Fading Frontier resume como na última década os Deerhunter têm influenciado a indústria musical apresentando, mais que qualquer coisa, uma música artística. Claro que há singles menos bem conseguidos, mas no geral Fading Frontier é um álbum recheado de sentimentos nostálgicos e exploração de novos ambientes, apresentando uma banda que não sabe lidar com a estagnação. Esse ponto positivo é a chave para os Deerhunter não produzirem, no presente, um álbum mau, contudo fá-los conterem-se no lançamento de um álbum que seja significante para as listas dos melhores do ano. Não obstante, vale a pena ouvir.


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Ganso apresentam primeiro EP no MusicBox este sábado


Os GANSO são um conjunto de cinco rapazes lisboetas com jeito para a festa, e uma das mais recentes surpresas musicais da cidade. Basta imaginar o krautrock alemão dos anos 70 no forno com o blues psicadélico dos Doors. Banda sonora de caçadores. 

Com o EP de estreia cá fora na próxima segunda-feira, saído da mesma fábrica que viu nascer BISPO, Modernos e El Salvador, já começam a dar nas vistas com a passagem pelo Festival NEOBUZZ, Damas Bar ou Tokyo Lisboa. O Musicbox Lisboa, já este sábado dia 17 de outubro, e o Sabotage Club são as próximas paragens!

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Reportagem: The Other Side : A Pink Floyd Live Experience - Hardclub [Porto]


Acaba por ser injusto, o concerto tributo que decorreu no dia 10 de Outubro no Hardclub, estar coberto por tão pouco público. Não foi difícil chegar à frente, ao mesmo tempo que sentíamos uma entrada genuína com uma sonoridade tão conhecida como de uma banda lendária, os Pink Floyd
A noite ainda era uma criança, um pouco chuvosa, e conciliou-se bem com este oásis especial, ondulando pelos fãs mais da velha guarda: uns, provavelmente, sentindo a nostalgia dos tempos passados, a ouvir, ainda jovens, no quarto, o single “Another Brick In The Wall (Part II)”; outros, a recordar quase semioticamente, o grandioso concerto em Alvalade, em 1994. 
E nesse aspecto, esta experiência liderada pelos espanhóis The Other Side, foi um tanto competente como admirável. A banda já anda nos palcos desde 2011, o que acaba por ser formidável o profissionalismo e um belo bilhete de entrada assegurado para o universo dos britânicos. 
O concerto teve início às 21.00 e prolongou-se até à meia-noite, com algumas pausas temporizadas pelo projector. Lluis Gener, Pedro Sanchez,Toni Genestar, Eva Pons, Clara Gorrías, Litus Arguimbau, Simo Bosch, Shanti Gordi ofereceram-nos momentos de pura imersão, temas como “Shine On You Crazy Diamond (Parts I-V)”, com uma guitarra e um saxofone a derramar lágrimas melódicas e a transmitir um ambiente hipnótico, muito perto do que os Pink Floyd fariam. As vozes de Lluis Gener e Pedro também estiveram ao nível do que uma banda tributo pode oferecer, tendo em conta que as semelhanças são um ponto muito importante neste tipo de mercado/concerto. 
Outro momento a destacar é a colossal, com tons épicos, “Echoes”. Assim que se ouviu o famoso som inicial da música, semelhante ao som do sonar, um forte aplauso da plateia ecoou pelo local. E, por incrível que pareça, esse mesmo som, nas gravações do álbum “Meddle” foi produzido sob uma amplificação de um piano de cauda, a cargo do falecido Richard Wright, cujo sinal foi enviado através de um altofalante giratório chamado Leslie. Esta composição magistral foi tocada na integra, cada segundo, cada nota; tocada com uma competência de louvar, que qualquer fã de Pink Floyd mereça. Houve um momento, no acto mais experimental da música, que o concerto preencheu-se de uma sessão mais intimista, com o guitarrista bem perto do público, a dar uso de sons experimentais, com a sua guitarra, na horizontal, em cima das pernas, captada pelo holofote vindo do palco. De repente, a banda entra toda para o encore da música, de cortar a respiração. 
O álbum “The Dark Side Of The Moon”, e convém dizer que é um dos melhores álbuns já feitos na história da música, para além de ter uma produção genial e crucial para o conceito, que na altura encheu os críticos de espanto, tem uma música que está entre o belo e o aprazível, a força e a leveza e que foi tocada com alma. Senhoras e senhores, “The Great Gig In The Sky”. O Hardclub nunca presenciou algo tão mágico.
Another Brick In The Wall (Part II)”, não podia faltar, como é óbvio. Os mais velhos, nestes quase quatro minutos, voltaram à infância. Falando na primeira pessoa, tive a sorte de interagir com um fã estrangeiro na casa dos 60 anos e cantar com ele, de braços no ar, “Leave the kids alone!”. Houve dança, euforia e quae pensámos que os Pink Floyd estavam a actuar. 
Dogs” foi outro grande momento, todos os sons que podemos ouvir na versão do álbum, foram copiados à exaustão, para que o concerto parecesse digno. Uma forte salva de palmas para a voz, análoga a Gilmour, mas mais rouca. Esteve nos altos, nesta composição exigente e espinhosa. 
Money” destacou-se pelo solo, os últimos diálogos (“I don't know, I was really drunk at the time!”), os coros e todo o apogeu musical; “Time”, pela introdução a tocar na perfeição; “Run Like Hell” a servir de fecho, com o público a saltar; “Comfortably Numb”, que fez alguns casais sentirem o seu afecto;  “In The Flesh”, com uma mini-representação de uniforme, tal como Waters nos habituou nos seus agigantados concertos de “The Wall”…
Concluindo, foram momentos que os fãs de Pink Floyd puderam tirar o máximo proveito, com uma prestação de competência muito elevada e com um audiovisual muito entusiasta e expansivo, conciliado com o som. A produção esteve de parabéns. É caso para dizer que, “foram poucos, mas bons”. 

Texto e fotos de: Mário Jader


The Other Side: A Pink Floyd Experience @ Hardclub, Porto

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terça-feira, 13 de outubro de 2015

The Legend of Zelda: Symphony of the Goddesses com concerto em Portugal


A série de concertos The Legend of Zelda: Symphony of the Goddesses, onde orquestras tocam músicas das bandas sonoras da famosa série de videojogos The Legend of Zelda, irá passar por Portugal na sua próxima digressão. 

O concerto está agendado para dia 14 de Outubro e irá ocorrer no Coliseu de Lisboa. O preço dos bilhetes ainda não foi revelado.

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Black Bass - Évora Psychedelic Fest 2015 com cartaz fechado

O Black Bass-Évora Psychadelic Fest que se realizará nos dias 20 e 21 de novembro, na Sociedade Joaquim António D’Aguiar – SOIR-JAA já tem cartaz fechado. São 13 as bandas que vão até Évora tocar. 






Além destes 5 nomes, há também The Sunflowers, Asimov, Galgo, BØDE, Youthless, Stone Dead, Mighty Sands e Ghosthunt.

O passe geral custa a 7€, enquanto os bilhetes diários podem ser adquiridos por 5 (no dia 20) e 6 euros (no dia 21). 

No primeiro dia o festival começa às 21h,terminando às 03h, e no segundo dia os concertos começam às 20h, com o encerramento apontado para as 05h.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

STREAM: Cavalheiro - Mar Morto


Mar Morto, o quinto álbum de originais de Cavalheiro está já disponível para audição na integra no Bandcamp do músico português. Com edição pela editora bracarense PAD, casa de nomes como Sensible Soccers, Peixe:Avião, Dear Telephone ou Long Way To Alaska, Mar Morto pode ser aqui escutado.

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Evols apresentam novo álbum na Solar - Galeria de Arte Cinemática


II, o novo disco dos Evols, vai ser apresentado no sábado, 17 de outubro, às 18:30, na Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde.

Influenciados pelas raízes do rock e do blues e pela cultura psicadélica que se reinventa há mais de 50 anos, os Evols caracterizam-se pela música intemporal, longe dos holofotes, mas perto das pessoas.

Gravado e misturado nos estúdios Sá da Bandeira entre 2013 e 2014, o segundo álbum dos Evols assinala uma evolução no som da banda, ainda fortemente marcado pelas guitarras mas com o contributo de dois novos membros: Jorge Queijo (bateria) e João Santos (baixo) que se juntam, assim, ao trio inicial composto por França Gomes (guitarra), Carlos Lobo (voz e guitarra) e Vítor Santos (voz e guitarra).

II chegou às lojas a 25 de setembro, numa edição Wasser Bassin em parceria com a cadeia de lojas Fnac. 


Este é mais um espetáculo integrado no ciclo de concertos do 10º aniversário da Solar - Galeria de Arte Cinemática, apoiado pela Fnac, que até agora recebeu, entre outros, artistas como The Legendary Tigerman, Benjamim, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves (Clã) e os Plaza.

Os bilhetes custam 2 euros para maiores de 14 anos e podem ser adquiridos na Loja das Curtas, situada na Solar.

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Islam Chipsy estreia-se em Portugal esta semana



É já amanhã que Islam Chipsy faz a sua estreia me Portugal no Maus Hábitos, Porto,  depois de adiar a sua passagem pela edição de 2015 do Milhões de Festa. O artista vai também pela Galeria Zé dos Bois, Lisboa no dia 14 de outubro.

Islam Chipsy, que actuará na companhia da dupla EEK, apresentará pela primeira vez em Portugal aquele que é há um dos discos do ano para a crítica especializada. Kahraba sintetiza em quatro faixas aquilo que o teclista-prodígio tem vindo a fazer nas festas de casamento do Cairo, no Egipto: explosões melódicas nos teclados sincopadas com dois percussionistas, naquilo que é o melhor exemplo do electro cha3bi feito junto do Delta do rio Nilo.



A primeira parte do concerto ficará no ensemble de dança da Favela Discos, os Vives les Cônes, que trazem para a expressão electrónica uma dose exagerada de psicadelismo. Os bilhetes custam 10 euros, 8 euros para os portadores de pulseira do Milhões de Festa 2015, e estão à venda na Last2Ticket.

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Les Crazy Coconuts lançam álbum homónimo a 23 de outubro



No campismo de Paredes de Coura dois amigos decidem que vão fazer uma banda. Ela faz sapateado, ele toca bateria. Não fazia grande sentido e faltava ali qualquer coisa. Convidam um terceiro que canta e toca guitarra e teclas. Estão três que foi a conta que deus fez.

A ideia inicial era fazer uma banda que fizesse canções sem preocupação de estilos. Até podia haver kuduro progressivo ou metal com ferrinhos, se soasse bem. Depois da estreia na compilação Leiria Calling, de serem considerados a melhor banda nacional do Festival Termómetro, de estarem na final do concurso Nacional de Bandas da Antena 3 e de terem rodado por palcos como o NOS ALIVE Paredes de Coura, estreiam-se num disco que é uma viagem sonora (sem pausas) como se fosse uma homenagem ao conceito de programa de rádio de autor, com o selo da Omnichord Records.


Se recuarmos às décadas de trinta e quarenta dos Estados Unidos podemos constatar que foram os anos dourados, tanto do sapateado como da rádio, e se há coisa que os Les Crazy Coconuts gostam é de descobrir música nova. Apesar do sapateado ter um impacto sobretudo visual (veja-se um concerto), aqui o trio tenta explorar o conceito de canção e de ritmos, aliando o sapateado a vários géneros musicais, construindo um disco que parece mais uma viagem e menos um conjunto de canções avulsas.

Os Les Crazy Coconuts são Gil Jerónimo, Adriana Jaulino e Tiago Domingues e estão muito satisfeitos com o resultado.




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Bússola editam o seu primeiro EP a 16 de outubro


Num universo folk, com alma de voz e na guitarra acústica e corpo feito com arranjos de acordeão, contrabaixo, bateria e guitarra eléctrica, os Bússola estreiam-se no outono com músicas que parecem cruzar o verão com o inverno.

Pedro Santo, compositor de bandas sonoras de video jogos, já acumulava aventuras desde o rock à eletrónica, mas surge agora como voz de Bússola. Com outros quatro elementos que integram formações que vão da Orquestra de Jazz de Leiria aos Dapunksportif, passando pelos Few Fingers, apresentam agora o seu primeiro EP via Omnichord Records, com perspectivas de um LP para o final de 2016, para o qual já têm bastante material composto.

Este primeiro registo, composto por cinco temas, apresenta um mapa de amores e dissabores passados onde o registo intimista marca o norte desta Bússola.


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STREAM: Burgueses Famintos - SAMO


Os Burgueses Famintos nasceram de forma quase acidental, sem que se precisasse de fazer luz numa noite perdida e enterrada de 2014. Formados por Manuel Molarinho (baixo) e João Silveira (voz) os Burgueses Famintos gravaram SAMO num único take registado por João Santos e que deixa a descoberto uma apetência voraz para o spoken word ora ambiental, ora ruidoso.

O disco de estreia da banda, composto por uma única faixa é editado hoje pelo selo da ZigurArtists, estando disponível para audição gratuita na íntegra, no bandcamp da editora ou abaixo.


A banda tem para já marcados concertos no Damas (17 de outubro, 18h30), na Sociedade Guilherme Cossoul (30 de outubro, 22h00) - ambos em Lisboa - e no portuense Café Au Lait (12 de novembro, 23h00).


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STREAM: Basset Hounds - Basset Hounds


Os Basset Hounds editaram hoje o seu disco de estreia, homónimo, pela NOS Discos que serve de mote ao próximo concerto de apresentação do disco, a 17 de outubro no Teatro do Bairro. Basset Hounds, gravado no Black Sheep Studios, é o resultado de uma linguagem própria perdida entre o shoegaze, o psicadelismo, o jangle-pop e o surf, que se encontra agora disponível para audição gratuita na íntegra em nosdiscos.pt. Pode ser igualmente descarregado de forma gratuita e legal aqui. O disco viu como primeiros singles de avanço "Over The Eyes" e "Swallow Bliss".

Os Basset Hounds são Afonso Homem de Matos (bateria e voz secundária), António Vieira (guitarra e voz secundária), José Martins (baixo) e Miguel Nunes (voz principal e guitarra).


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Entrevista: Pega Monstro


Estivemos à conversa com as irmãs Reis, Maria e Júlia, sobre a sua banda Pega Monstro, o seu novo álbum Alfarroba, a sua tour de verão pelo Reino Unido e sobre a sua passagem pelo Jameson Urban Routes no dia 22 de outubro. 

Threshold Magazine (TM) - Como é que correu a vossa tour pelo Reino Unido e também por França? 

Pega Monstro (PM) - Foi muito fixe. Pareceu que já foi há uma eternidade, foi uma experiência incrível.



TM - O público dos vossos concertos na tour reagiu bem ao Alfarroba, mesmo sendo cantado em português? 



PM - Sim, só a cena de termos editado numa label inglesa já foi estranho para nós mas justificou um bocado a cena do pessoal achar na boa. As pessoas estão disponíveis para ouvir a música e estão habituados a ouvir músicas em várias línguas. Não é só em inglês, consegues sempre curtir por exemplo cenas africanas e outras, e não percebes nada. A língua acaba por não ser um impedimento.

TM - Pois, temos o exemplo dos Sigur Rós que cantam numa espécie de dialecto islandês e o público gosta bastante. 

TM - Vocês editaram o vosso primeiro álbum pela Cafetra Records e agora editaram Alfarroba através de uma editora inglesa, Upset the Rythm. Como é que foi essa mudança?

PM - Nós queríamos editar em vinil este segundo álbum e não tínhamos dinheiro para editar pela Cafetra. Então o Afonso, um amigo e agente da nossa banda, que é da Filho Único, mandou o disco ao Chris, que é da Upset the Rythm, e ele curtiu. Foi simples a transição. 

TM - Às vezes é sempre aquele “como é que uma banda portuguesa consegue lançar um álbum numa editora estrangeira”. Parece que não é fácil, mas no vosso caso até o foi.

PM - Neste caso o Afonso foi bastante perspicaz e a cena resultou. Soa bem e soa de acordo com a editora. Somos as primeiras a ser editadas noutra língua pela Upset the Rythm. O Chris é impecável, estivemos a dormir em casa dele em Londres durante a tour. A transição foi fácil porque é uma editora acolhedora, são só eles os dois, voluntários, então a cena é gigante só que é pequena. É só trabalhar imenso. Eles fazem a cena mesmo como deve ser.

TM - Como se sentem com o hype que se encontra à volta de 'Alfarroba'? Estavam à espera?

PM - Não sei o que é que é hype. É uma cena que parece que acaba. Não estou a dizer que fizemos um disco para a vida. Acho hype uma palavra um bocadinho infeliz, o que significa. É bué eférmero. O hype nem nos diz respeito sequer. Ouves agora discos de há 50 anos e ainda conseguem ter a mesma vitalidade que tinham quando foram lançados. Será que tu estás no hype desse disco? É mais por parte de quem ouve. Até podes estar num hype de um disco e depois não ouves. O disco não é um hype, é só as pessoas que ouvem, por isso é que estou a dizer que o hype não nos diz respeito. 

TM - Como é que funciona o vosso processo criativo e quais as vossas influências?

PM - As nossas influências vão sendo tudo o que ouvimos. Quanto ao processo criativo é um bocado o que nos apetece fazer. Nos tocamos as duas, tocamos sozinhas também, cria-se uma linguagem em conjunto, tipo a Mary faz um riff e eu toco. Depois eventualmente, as vozes surgem e depois a letra acaba por surgir com um significado. 

TM - Acham que a adolescência afetou o trabalho conjunto como irmãs?

PM - Acho que afecta o facto de sermos irmãs, claro. Assim como a infância e o agora. Foi na adolescência que começamos a tocar e a ter consciência do que é que podes fazer e do que é que queres. Nem sequer tens consciência, fazes só. Acho que a vida agora é que influencia mais directamente aquilo que a gente faz. Tudo o que tu foste até agora influencia o que fazes.

TM - Uma colega minha da Threshold ao ouvir a música "És Tudo o que eu queria" reparou em algumas influências do B Fachada na sonoridade resultante. Que dizem?

PM - Não sei. Já ouvimos bué B Fachada. Neste caso ele não interveio como produtor. Se ela acha que tem, deve ter (risos).

TM - Às vezes um de nós ouve assim uma certa influência de um artista noutra banda que mais ninguém consegue ouvir. 

PM - Sim, isso às vezes acontece. Tu ouves e reconheces alguma cena, não especificamente de um artista, mas ficas “ai eu conheço esta cena”. E se calhar a pessoa que fez nem sequer teve consciência dessa influência. Neste caso não foi uma influência directa no som porque ele não estava mesmo presente.

TM - A Maria é uma pessoa que prevê o futuro? Na "Fado de Água Fria", ela diz que vai morrer aos 34. Porquê aos 34 e não aos 27 como a maioria das estrelas da música?

PM - Não sei, não tem assim um significado (risos).

TM - Se calhar até soou bem na altura.

PM - Sim, até quero morrer mais tarde, não é aos 34 (risos).

TM - Também na "Fado de Água fria" vocês dizem "eu sou puta, não sou padre". Há algum elemento comum entre puta e padre? Porquê a escolha destes grupos sociais em específico? 

PM - É a cena do moralismo. Acho que não sou moralista. Posso dizer coisas que soam a moralistas mas depois no fundo não sou moralista. Sou o contrário (risos).


TM - Vocês vão actuar no dia 22 do Jameson Urban Routes. Têm curiosidade em ver algumas das bandas que vão por lá passar?

PM - No nosso dia é Galgo e Cave Story. Como nunca ouvi não sei bem o que esperar, preferimos conhecer lá no evento. 

TM – E nos outros dias querem assistir a algum concerto?

PM - Ah sim, a Inga Copeland, no dia 24 de Outubro. 

TM - Sonic Youth ou Black Flag?

PM - Sonic Youth (risos). É mais melódico. Nem conhecemos muito de Black Flag.

TM - O que têm ouvido nas últimas semanas?

PM - Eu comprei lá em Londres um disco de música de centro oeste e sudeste brasileiro, é tipo modas e fandangos. Tenho ouvido Ariel Pink, a mixtape 56 Nights do Future. Ando sempre com aquilo disco da Sister Nancy no iPad, One Two

TM - Já tem alguns planos para 2016, novo álbum ou tour?

PM - Sim, outra tour europeia sem ser só Reino Unido, mas ainda está a ser marcada. Nós curtíamos lançar uma cena. 

TM - É bom bandas portuguesas fazerem tours europeias. Nos últimos anos têm sido comuns mas não é muito fácil arranjar fundos.

PM - Sim, não é fácil ser viável. Algumas bandas abriram assim um bocado essa comunicação, porque é mesmo uma questão de comunicação. Se estás sempre com medo, se calhar não vão ter dinheiro. É um risco, muito das vezes nem fazes dinheiro, é um investimento que se faz. Acho que é importante criar essa rede de comunicação que outros fizeram antes de nós. É uma experiência incrível e enquanto artista é brutal. Estás a tocar quase todos os dias e estás a crescer imenso sem te aperceberes 

TM - Muito obrigado pela entrevista! 

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domingo, 11 de outubro de 2015

[Mergulhador] O Vale



O Mergulhador é uma rúbrica quinzenal da Threshold Magazine que se centra em explorar universos criados por artistas e contar histórias pelas melodias. Esta quinzena: Brian Eno. Com pensamentos em tornos do budismo, liberdade, sociedade moderna, ser humano.
Quinzena passada: Pink Floyd - A Bicicleta


O VALE




Um menino passeava pela bruma de uma manhã calma. A manhã colhia um vale grandioso de uma montanha e a luz (sim, tu, oh luz, que, com a tua inquietude subtil, mas avassaladora, perfuras a razão do ser e do estar) aclamava a paisagem com todas as mais belas cores que o olho humano consegue captar. E por esse vale, inquieto, caminhava o menino. Este pequeno rapaz, vazio, rasgado por sonhos provocados por outros sonhos, anda com as mãos nos bolsos e com um olhar de quem não usufrui da sabedoria de ver esta luz com bons olhos. Na verdade, ele nem sabia bem porque caminhava, nem era algo que o abismava, mas naquele dia, simplesmente... apeteceu-lhe.
E a luz observava, sempre presente e discreta, o menino, como quem olha para um límpido gato a brincar com uma bola de papel rasgado. Como quem olha para o animal e se questiona da sua despreocupada ignorância, da sua despreocupada felicidade. Oh, pobre menino, este, que anda à procura de alguma sabedoria perdida pelos grandes profetas, pela intemporalidade histórica do tempo, pelo pathos da vida. Ele não quer saber do amor, da família, do bem que tanto os seus pais se esforçaram para lhe dar... isso para ele não vale nada, ou talvez... espera... talvez ele se tenha esquecido disso tudo, dessa mescla de valores que o homem tenta impingir no consciente dos meninos. Meninos esses iguais ao menino. Meninos que só querem brincar e não querem saber dos problemas das pessoas crescidas. Hoje, era o dia da despedida do rapaz às brincadeiras, aos sorrisos, aos beijinhos, ao eco da sua felicidade sem razão, sem conhecimento. Hoje, sim, era o dia em que o menino ia-se tornar num homem. E, como devem calcular, ele tinha medo. Oh luz, que estás aí tão calma... é mesmo necessário isto? Não pode o menino ver sempre cores claras, sempre os seus pais adultos e não velhos? Não pode o tempo parar e ele sorrir para sempre, saborear a eternidade? Eu sei que não pode luz, tu é que mandas... mas estás sempre aí parada. Parece que fugiste do estigma do vazio, que te aprisionava e te sufocava, e assim te partiste, e nós somos os teus pedaços, estilhaços, cada vez nos afastamos mais em vez de nos juntarmos e formarmos uma nova luz. Um luz que tu própria andas à procura para colher. Mas sabes, luz, o vazio existirá sempre, no cume do teu conhecimento, na tua supra consciência e no teu inconsciente incontrolado... ele estará sempre a espreitar.
O menino perfura um nevoeiro e não vê a luz, não vê o vale, só vê um vulto à sua frente que lhe sussurra: “está na hora da transformação, belo ser”. O menino pergunta: “que és tu?”, responde o vulto, “tu, transformado”, e nisto começa a brilhar. O menino ainda não se sentia preparado, mas pequenos raios de luz transfixavam calmamente o nevoeiro, a tentar espreitar a transformação do menino. Mas antes disso, o rapazinho respirou fundo e olhou para a luz, agora completamente visível: “Porquê luz? Porquê? Porquê é que este tempo efémero me está a matar? Porque é que morremos? Porque é que não posso ser sempre assim feliz, ingénuo...” , começou a chorar, “porque é que não posso ver sempre os meus pais a sorrirem, ao meu lado, abraçados a mim? Eu não me quero despedir deles, eu não quero ir embora, eu quero que este carinho que se agarrou ao meu coração esteja sempre presente, em estado puro. Porque é que tudo acaba? Porque é que não posso ficar sempre com eles, das nossas viagens, só penso neles, a sorrirem e a olharem para mim. Vejo luz, vejo-te a ti nos seus olhos, estamos os três a viajar num estrada sem fim e tu estás presente. Oh, como eu queria que esta estrada não acabasse... porque ela, inicialmente, não tem fim, mas à medida que avança, percebemos que acabará, como a nossa vida.” Agora estava mais calmo.

De seguida, a luz cintila e o homem dá-lhe um papel misterioso... o menino lê: “sabes que o vazio não é o silencio, não é a retórica em estado puro nem é a escuridão. O vazio é o vazio. Podes muito bem misturá-lo com todos os conceitos que conheceste, e o vazio pode muito bem transformar-se e orbitar ao longo de todas as tuas memórias, mesmo as mais felizes, as mais radiantes... mas sabes que o vazio sempre se transformará em vazio, porque nele não se consegue conciliar nada. Eu sou o vazio! Mas também sou o preenchimento! Tu és o contraste e a Terra a imagem!” A luz volta a cintilar. O menino sorri, mas fica ainda com medo da transformação. Ambos chegam ao fim do vale... o rapaz olha para o buraco escuro e pergunta: “O que será que e me vai acontecer, luz? Será que irei arranjar um trabalho medonho, uma namorada feia e uma vida agarrada à rotina? Será que os meus sonhos vão-se desfazer no universo profundo e complexo do meu cérebro, enternecido com tanto para captar?” A luz estava imóvel, como sempre esteve. As pupilas do menino tornaram-se enormes. Tinha medo. E berrava. Berrava como se as ondas sonoras do seu berro amolecessem os cantares dos pássaros que por ali passavam, como se criassem um impacto e o rapaz se salvasse... o homem disse: “Salta”, “Não quero, tenho medo!”, “Dá dois passos à frente e salta!”... o menino olhou para a luz, inquieta e mais distante... saltou...
E voou. 

Artigo escrito por mergulhador.
Imagem: clique aqui

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