sábado, 31 de outubro de 2015

Ben Frost regressa a Lisboa em dezembro


Depois de ter atuado o ano passado em mais uma edição do Amplifest, Ben Frost regressa agora a Portugal para voltar a apresentar o seu mais recente disco A U R O R A, desta vez com data única na capital. O músico australiano regressa assim, três anos depois, ao Teatro Maria Matos que o acolheu em 2012 para a apresentação de Music For Six Guitars

O concerto tem data marcada para 22 de dezembro, às 22h00, e as projeções audiovisuais ficarão a cargo de Marcel Weber, do projecto MFO. O preço dos bilhetes varia de 7,5€ a 15€, sendo que para os menores de 30 anos o bilhete terá um custo de 5€.


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Cellos Rock com cartaz encerrado


B Fachada, Pega Monstro e Oba Loba, sexteto composto por Norberto Lobo e João Lobo, são os últimos nomes a juntar ao cartaz do Cellos Rock, encerrando assim as confirmações para a edição de 2015 do festival barcelense. Estas três novas confirmações juntam-se aos já anunciados Gala Drop, Filho da Mãe & Ricardo Martins e Glockenwise.

O mais antigo festival de Barcelos, que decorre no fim-de-semana de 20 a 21 de novembro tem para já à venda os bilhetes gerais, que custam 7 euros. Os diários terão um preço de 5 euros, podendo ser adquiridos posteriormente no CCOB.


Considerado como um dos maiores cantautores nacionais do séc. XXI, B Fachada ocupa um lugar único na música portuguesa e a prova disso são os concertos esgotados e a admiração do público e da imprensa portuguesa. Já as Pega Monstro, duo rock formado pelas irmãs Júlia e Maria, tornaram-se num caso de culto nacional e o novo disco, Alfarroba, diz-nos isso mesmo. Outro culto da música nacional é Norberto Lobo, muito provavelmente um dos melhores e mais interessantes guitarristas da vanguarda portuguesa, que em Oba Loba se junto ao exímio baterista João Lobo e erguem um sexteto de respeito. Tudo para ver em mais uma edição do Cellos Rock.




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Vídeos Da Semana #67


A última semana de outubro foi marcada pelo regresso da Grimes aos tops das notícias com novidades no audiovisual e não só. No entanto a presente rubrica destaca, para esta última semana do mês, os vídeos de Calexico, Pink Lung, Rain, EL VY e Tempers, todos disponíveis para ver, abaixo.

1 - Calexico - "Bullets & Rocks"

2 - EL VY - "Silent Ivy Hotel"

3 - Pink Lung - "Chinese Watermelon"

4 - TEMPERS - "Undoing"

5 - Rain - "Slur"


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Oiçam: Brain Circles


Os Brain Circles formaram-se em 2013, em Matosinhos, tendo como estilo base  o rock/blues psicadélico, sem fechar portas a outros estilos como o gipsy e o funk (sempre associados ao rock). A banda é formada por Ricardo Maravalhas (voz e guitarra), Miguel Teixeira (guitarra e segunda voz), Bernardo Silva (baixo), Lourenço Tato (bateria e segunda voz) e Gabriel Costa, que veio, em 2014, acrescentar o teclado ao som dos Brain Circles




Com cerca de um ano e meio de "estúdio" os Brain Circles já tocaram em várias salas de do Porto e contam com uma série de concursos bem sucedidos que os levaram a tocar a outros distritos do país.  Embora ainda sem qualquer trabalho de estúdio editado, a banda de Matosinhos prepara-se para lançar no próximo ano dois EP's já intitulados de Inhale the World e Brain Circles. Com estes a banda pretende explorar as duas identidades musicais da banda nos últimos tempos: o blues rock cru e duro com a in uência funk de Jimi Hendrix  e a corrente stoner inspirada no progressivo e psicadélico que chegaram de nomes como Pink Floyd e Black Sabbath.

Para já, há para ouvir abaixo, uma série de singles que deverão integrar os respetivos trabalhos longa duração. Todos os singles disponíveis até agora para ouvir no soundcloud oficial da banda, aqui.




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Le Butcherettes regressam ao nosso país com dois concertos


​Depois de um concerto electrizante na edição de 2011 do Festival Paredes de Coura, Le Butcherettes regressam ao nosso país para apresentar o seu novo álbum A Raw Youth, editado pela Ipecac Records de Mike Patton no passado mês de Setembro.

De novo com Omar Rodriguez Lopez (Mars Volta) na produção, A Raw Youth é marcado pelas letras fortes envolvidas nas guitarras poderosas que marcam o som da banda ao longo de doze temas, contando ainda com participações de Iggy Pop e John Frusciante em dois deles.


Depois de uma extensa tour norte-americana em que partilharam o palco com os The Melvins, a passagem por Portugal está agendada para 6 e 7 de Novembro, em Lisboa, no Sabotage Club, e em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva. A abertura do concerto na capital estará a cargo do promissor projecto leiriense Twin Transistors.

Lisboa, Sabotage Club, 6 de Novembro, 22H30
Bilhetes: 6€ em venda antecipada(locais a anunciar) e 8€ no dia.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

[Review] Dean Blunt - Babyfather


Babyfather//Hyperdub//junho de 2015
7.0/10

Várias vezes um artista é rotulado de "experimental". "Esta banda produz música experimental" dir-vos-à algum pseudo-crítico de bancada sem vos esclarecer o que este rótulo ambíguo de facto significa. Sendo que o rótulo "experimental" pode ser aplicado a quase todos os géneros musicais, este carece de algum cuidado na sua utilização para não corrermos o risco de melindrar o leitor. No entanto, poucos termos serão mais ajustados para definir Dean Blunt enquanto artista e músico do que "experimental". 


Babyfather, um álbum que, ao que parece, esteve guardado nos arquivos da Hyperdub desde o ano passado mostrou-nos mais uma vez que Blunt é capaz de misturar o streetwise do hip hop — com as suas letras oradas em formato spoken word — com o lado mais barroco do pop, afinando por vezes as cordas das guitarras para o rock e, não parcas vezes, trocando estas por sintetizadores e mesas de mistura. Apesar da instrumentação dos trabalhos de Blunt serem sempre ricos, instrumentos musicais são objectos que não se configuram de uma maneira física na sua música. Estes marcam presença no plano digital, pela via de samples. E em Babyfather, Blunt continua a reger-se por esse princípio, aproveitando a crueza da técnica de corte e colagem de trechos sonoros para nos apresentar obras de arte como a faixa "GASS", na qual temos Nicky Minaj a repetir sempre a mesma estrofe: y'all got everybody infiltratin' negros. Por vezes, Blunt entrega o controlo dos samples a outros, como acontece em "Meditation", uma faixa lançada ainda este mês na qual Blunt partilha os créditos de produção com Arca.




À semelhança daquilo que aconteceu com o binómio The Redeemer/Stone Island, escutamos em Babyfather ecos de Black Metal. Em BabyfatherBlunt continua a insistir na exploração do lado barroco da pop e no hip hop streetwise misturado com spoken word. A "BLOW 2" é uma continuação da narrativa iniciada em "BLOW" — uma das faixas de Black Metal — na qual ouvimos Blunt a repetir mais uma vez a estrofe "I don't need nobody helping" enquanto o protagonista desta sequela se continua a auto-destruir com substâncias psicotrópicas. O uso de sintetizadores é abundante na sonoridade de Blunt — ou não fosse este um ávido adepto da sonoridade digital. Além disso, eu juro que ouço a "Love Will Tear Us Apart" algures nos sintetizadores de "WAR REPORT". Um facto curioso, se tivermos em conta que a "LUSH" de Black Metal se aproximava do apoteótico início da "Bittersweet Symphony" — ainda que o sample original da "LUSH" seja retirado de uma faixa dos Big Star.


A linguagem que Blunt usa em Babyfather é complexa. Sem surpresas, dado que todos os seus trabalhos são complexos e delineados com traçados de difícil caracterização. No entanto, algumas das nuances e da narrativa que este Babyfather contém são viagens que Blunt iniciou Black MetalBabyfather pode e deve ser visto à sombra de Black Metal. Dito isto, Babyfather é um trabalho com expressão individual. Mais um capítulo na história que Dean Blunt protagoniza no panorama musical, um no qual ele assina as suas obras com o pseudónimo Babyfather.


Mas qual é, exactamente, o panorama musical em que Dean Blunt se encaixa? O da pop barroca? O do rock? O do hip hop? O da spoken word? O do lo-fi? O do sampling? O do revivalismo? Ou o do progresso? Eu diria que Blunt não se insere em nenhum e tampouco procura inserir-se. Ao invés de se tentar comprometer com algum estilo, Blunt parece mais interessado em compreender todas estas influências. E, de facto, se há particularidade que destaca a mestria de Blunt enquanto músico é a destreza com que ele se move através de todas estas linguagens musicais para construir uma sonoridade complexa, de difícil caracterização e de ainda mais difícil definição em forma textual.

"I’d like to ask you, what does NME stand for? Needy middle-aged ego? Nice most elephant? No, it actually stands for New Musical Express. You don’t want the same old, same old, do you? We need people pushing the envelope. I first became aware of this person doing my radio show on 6 Music. It didn’t sound like anything I’d ever heard of before. It makes me very proud to award the Philip Hall Radar Award to Dean Blunt."  
Intervenção de Jarvis Cocker sobre a música de Dean Blunt durante a edição deste ano dos NME Awards, na qual Blunt foi galardoado com o Philip Hall Radar Award. Artigo na FACT.

Enquanto crítico, eu evito o rótulo "experimental" precisamente devido à sua ambiguidade. Prefiro alongar-me e enunciar os sub-géneros em que um artista se desenvolve e/ou se inspira para chegar à sua sonoridade do que simplesmente rotular este de "experimental".
No entanto, como podemos nós não classificar Dean Blunt de músico experimental, se ainda não foi alicerçado um género ou uma categoria a partir do qual possamos determinar as raízes da sua música? 

Além de ser um músico experimental, Dean Blunt é um pioneiro. 
Um pioneiro do quê, exactamente? 
Não sabemos. Só ele o sabe. 

E isso, meus amigos, é A DEFINIÇÃO de música experimental.

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Reportagem: Jameson Urban Routes, 24 de outubro [Musicbox - Lisboa]


No último sábado, bastante chuvoso por sinal, fomos mais uma vez até ao Musicbox, no Cais do Sodré, assistir a mais uma noite de concerto proporcionados pelo Jameson Urban RoutesInfelizmente não fomos a tempo da actuação de Inga Copeland.


Pouco depois da meia noite entraram em palco os Paus, banda portuguesa de rock experimental e electrónico que se prepara para editar em Fevereiro de 2016 o terceiro disco de estúdio, Mitra, sucessor de Clarão (2014). O concerto começou com "Língua Franca" do primeiro álbum homónimo de 2011, e com a malha "Mudo Surdo", do primeiro EP É uma água, tema que os deu a conhecer ao mundo em 2010. A energia na sala era caótica e o público dançava ao som dos temas interpretados pelo quarteto. Seguiram-se "Malhão" e "Muito Mais Gente", com Hélio a pedir ao público que se soltasse e aproveitasse para dançar. Também houve tempo para a banda tocar temas do segundo álbum como "Clarão", "Primeira", "Corta Vazas" e o single "Bandeira Branca", mostrando uma sonoridade mais dançável e ritualística. O ambiente sonoro criado pela bateria siamesa de Hélio Morais e Joaquim Albergaria, pelo baixo de Makoto Yagyu e pelas teclas e guitarra de Fábio Javelim fazem dos Paus uma banda única em Portugal e das melhores a atuar ao vivo. O concerto terminou da melhor maneira possível, com mais um tema do primeiro EP, o clássico "Pelo Pulso". A banda proporcionou um óptimo concerto, tendo o público estado à altura do acontecimento.


Paus @ Jameson Urban Routes

Por volta da 1h30 Andy Stott, britânico responsável por duas grandes obras da techno dub e minimal - Luxury Problems (2012) e Faith In Strangers (2014) - entrou em palco. O produtor apresenta uma sonoridade negra e fria que mistura componentes de IDM, art pop, ambient techno and pop, dark ambient e trip hop, a qual hipnotizou por completo o público presente. Passando por temas como "Damage", "Science and Industry" e "Violence", todas do último Faith In Strangers, Andy criou a atmosfera dançável e ao mesmo tempo misteriosa. O espéctaculo ficou também marcado pela forte componente visual, fazendo desta a melhor actuação do Jameson Urban Routes até ao momento.

Andy Stott @ Jameson Urban Routes


Texto e fotografia: Rui Gameiro

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Cage The Elephant mostram single do novo álbum


Os norte-americanos Cage The Elephant preparam-se para editar ainda este ano o sucessor de Melophobia (2013). O quarto álbum de originais será intitulado de Tell Me I'm Pretty e tem lançamento previsto para 18 de dezembro via Sony Music. A produção ficou a cabo de Dan Auerbach dos The Black Keys. "Mess Around" é o primeiro single deste novo trabalho. 


Em baixo está a capa e a tracklist de Tell Me I'm Pretty.


Tracklist: 
1-Cry Baby
2-Mess Around
3-Sweetie Little Jean
4-Too Late To Say Goodbye
5-Cold Cold Cold
6-Trouble
7-How Are You True
8-That’s Right
9-Punchin’ Bag
10-Portuguese Knife Fight

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Vodafone Mexefest: Bruno Pernadas entre os convidados de They’re Heading West


Depois de anunciados para o cartaz deste ano do Vodafone Mexefest, confirma-se a companhia em palco de alguns dos convidados que participaram no álbum de estreia homónimo dos They’re Heading West, o luxuoso elenco composto por Afonso Cabral, Bruno Pernadas, Capicua e Nuno Prata

Formados por Mariana Ricardo (Minta & The Brook Trout, Silence Is A Boy, Domingo no Quarto), Sérgio Nascimento (Deolinda, Sérgio Godinho, Humanos), Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) e João Correia (Tape Junk e Julie & The Carjackers), os They're Heading West juntar-se-ão a:

Capicua – autora de "Sereia Louca" e de muitos outros hits, apresenta-se hoje como a melhor das personalizações do hip hop português no feminino; 

Nuno Prata – ex-baixista dos icónicos Ornatos Violeta e com uma carreira a solo feita de três discos que o confirmam com um extraordinário intérprete-compositor; 

Afonso Cabral – dos You Can’t Win, Charlie Brown dono de uma voz única; 

Bruno Pernadas – autor do tema "Old Habits", que fecha o primeiro disco dos They’re Heading West, tendo nos últimos anos sido autor, arranjador e guitarrista em formações como os Julie & The Carjackers, When We Left Paris e Real Combo Lisbonense. Estreou-se no ano passado, em nome próprio, com o extraordinário How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge.




O bilhete único para os dois dias do festival está à venda nos locais habituais a 45€, passando a 50€ nos dias do Festival. 
Já disponível na App Store e Google Play está também a app do Vodafone Mexefest, onde os clientes Vodafone podem adquirir o bilhete único do festival com 5€ de desconto.

Já Confirmados: 
Akua Naru; Anna B Savage; Ariel Pink; Benjamim; Benjamin Clementine; BLOCO: Tropkillaz, Karol Conka, Mahmundi; Bombino; Bully; Cachupa Psicadélica; Castello Branco; Chairlift; Da Chick; Demob Happy; Do Amor; Ducktails; Georgia; Glockenwise; Janeiro; LA Priest; Márcia; Nicolas Godin; Patrick Watson; Peaches; Petite Noir; Roots Manuva; Selma Uamusse; Seven Davis Jr;They’re Heading West e os convidados Afonso Cabral, Bruno Pernadas, Capicua e Nuno Prata; The Parrots; Titus Andronicus; Tó Trips; Villagers

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STREM: Fuzzil - Boiling Pot


​Formados nos finais de 2014, os FUZZIL são um quarteto rock de Alcobaça onde se pode encontrar raízes do rock americano mais marcante dos anos 90 ou do stoner que a partir dessa época também se foi notando, bebendo ainda de outras influências. 

Compostos por Daniel Costa, Alexandre Ramos, Leonardo Baptista e Jon Oliveira, fizeram a sua estreia em palcos no verão do corrente ano ao lado dos suecos Bottlecap e lançam agora o EP de estreia Boiling Pot, gravado e produzido por Filipe Adubeiro nos LowWave Studios(Stone Dead, Riding Rhino, etc).

Boiling Pot pode agora ser ouvido na íntegra, no bandcamp oficial da banda, ou no player abaixo. As datas de apresentação do mesmo podem igualmente ser consultadas no final.


CALDAS DA RAINHA | Terça-Feira - 4 de Novembro - 22H | Semana Académica
ALCOBAÇA | Sábado - 7 de Novembro - 22H | Café Portugal

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Boogarins em breve no Maus Hábitos



Os brasileiros Boogarins vão regressar em breve ao nosso país numa digressão que passa por Lisboa e pelo Porto, nos dias 14 e 15 de Novembro respectivamente. 

No segundo concerto, no Maus Hábitos, a banda psicadélica será acompanhada pelos portugueses The Sunflowers e Cave Story. Os bilhetes para este evento organizado pela Lovers & Lollypops custam neste momento 12€  e sobem o preço para 15€ no dia dos concertos.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Reportagem: Jameson Urban Routes, 23 de outubro [Musicbox - Lisboa]


O segundo dia do Jameson Urban Routes apostou numa vertente mais electrónica, apostando numa grande promessa nacional do electropop, os Holy Nothing, nas norte americanas Telepathe, nos skills de DJ de El Guincho e na electrónica ritualista de Nicola CruzA reportagem do que se passou na passada sexta-feira segue em baixo.

Os primeiros a subirem ao palco foram os portuenses Holy Nothing, banda que veio até ao Musicbox apresentar o seu primeiro álbum de estúdio Hypertext, editado este mês. O trio presentou o público com o melhor concerto da noite, apresentando uma sonoridade marcada pelo baixo poderoso, pelos diversos sintetizadores, pelas distorções vocais dos 2 microfones e pela guitarra. A componente sonora foi também auxiliado por uma forte componente visual, através de um bom jogo de luzes e vídeo. O destaque do concerto vai para temas como "Rely On", terceiro single de Hypertext, o qual foi responsável pela dança desenfreada dos que se encontravam na sala, e "Apex", tema em que umas luzes brancas se ligaram dando um aspecto sci-fi ao acontecimento. Apesar de a sala estar apenas a metade da sua lotação, a banda conseguiu puxar pelo seu público, pelo que podemos afirmar que os presentes ficaram bastantes satisfeito com o que viram. 

Holy Nothing @ Jameson Urban Routes

Às 00h10 entraram em palco o duo norte americano Telepathe, banda de synthpop que iniciou em Lisboa a sua tour europeia de apresentação do segundo álbum de originais editado este ano, Destroyer. Uma na teclas e outra no baixo, que mal se ouviu durante toda a actuação, mostraram os temas do seu novo álbum a um público que não parecia estar muito interessado em ouvir, talvez por desconhecimento ou pela generalidade do seu som que vais buscar influências directas a New Order e a muito do synthpop dos anos 80. O melhor momento ainda foi quando o duo interpretou o tema "Drown Around Me", a qual nos traz à memória as longas músicas dos The Horrors no último Luminous (2014). Ao fim de 40 minutos o concerto terminou tendo as duas raparigas despedido-se sem alguma emoção.


Telepathe @ Jameson Urban Routes

Pablo Díaz-Reixa, ou El Guincho, como é conhecido no mundo da música, veio até Lisboa não para mostrar o seu mais recente trabalho de estúdio Hiperasia, mas sim para um DJ set, para descontentamento dos seus fãs. Por entre música house, pop, reggaeton e funk brasileiro, passou um versão remixada de "Pop Negro", tendo sido este o pico da sua actuação. 

El Guincho (DJ set) @ Jameson Urban Routes

Nicola Cruz subiu ao palco algum tempo depois e mostrou vários temas que fazem parte do seu álbum Prender el Alma, com edição marcada a 30 de outubro via ZZK Records. Dono de uma electrónica minimalista e tropical, Nicola conseguiu por o público numa estado de dança hipnótica.


Nicola Cruz @ Jameson Urban Routes


Texto e fotografia: Rui Gameiro

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Reportagem: Jameson Urban Routes, 22 de outubro [Musicbox - Lisboa]


O primeiro dia do Jameson Urban Routes foi gratuito, pelo que já era de esperar que o Musicbox estivesse a abarrotar para verem as actuações de Cave Story, Galgo e Pega Monstro. A reportagem do que se passou nestes primeiros dias segue em baixo.

Os Cave Story entraram em palco às 22h15 e a sala já se encontrava praticamente lotada. O trio das Caldas da Rainha abriu o concerto com a frenética "Buzzard Feed" e foi percorrendo vários temas do seu primeiro EP Spider Tracks, editado no ano passado. O maior destaque foi para "Southern Hype", o primeiro single do EP. O público jovem que se encontrava à frente do palco sabia bem a letra, tendo ainda havido tempo para algum moche. Houve tempo também para uma nova música com uma sonoridade semelhante aos canadianos Ought, mas cujo nome não sabemos. Os Cave Story tocaram 8 músicas ao longo de 40 minutos e mostraram que são uma máquina bem oleada e pronta para actuar em qualquer grande festival português no próximo verão. Esperamos por um novo álbum em 2016!


Cave Story @ Jameson Urban Routes

Os lisboetas Galgo foram a banda que se seguiu. Ainda só com um EP, EP5, editado este ano, o quarteto entrou em palco às 23h05. Donos de uma sonoridade bastante interessante que mistura um post rock dançante com um toque tropical, como se as guitarras dos britânicos Foals na fase Antidotes se tivessem incorporado na sonoridade dos And So I Watch You From Afar. Há espaço para temas como "Trauma de Lagartixa" e "Torre de Babel", mas o single "Dromomania" foi o grande destaque do concerto, mostrando uns Galgo mais experimentais e krautrockianos. A banda deu um óptimo concerto e o público parece ter gostado, tendo até havido tempo para um rapaz se dedicar ao crowd surf.

Galgo @ Jameson Urban Route

As irmãs Reis, Júlia na bateria e Maria na guitarra, mais conhecidas por Pega Monstro, trouxeram na mala o seu segundo álbum de originais Alfarroba, editado em Julho pela editora britânica Upset the Rythm. O concerto iniciou-se com os dois primeiros single de  Alfarroba, "Branca" e "Braço de Ferro, duas grandes malha de garage rock lo-fi . Com os amplificadores num volume bem alto, a  forte barreira do ruído deu lugar à mais calma "Não consegues". Seguiram-se "Partir a Loiça", tema novo que mantém o registo caótico característico, "Amêndoa Amarga", "Voltas para trás" e "Estrada", todas de Alfarroba. Foram 40 minutos agressivos e crus, ao qual o público correspondeu com mosh do início ao fim. Apesar disso, não diríamos que tenha sido o melhor concerto da noite, tendo esse título ficado com os Cave Story. O demasiado ruído impossibilitou-nos de ouvir as vozes, especialmente para o público que se encontrava mais à frente, tendo ficado um pouco àquem da versão de estúdio.


Pega Monstro @ Jameson Urban Routes


Texto e fotografia: Rui Gameiro

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Os Mutantes vêm a Portugal



Os Mutantes, um dos mais antigos bastiões da música psicadélica brasileira — e internacional — voltam ao nosso país. Os paulistas têm duas datas agendadas: 30 de novembro no Armazém F e 1 de dezembro no Hard Club.


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Zurich Dada abrem para Veil Of Light no Hard Club


A dupla portuguesa Zurich Dada, composta por Ricardo Veloso e Hélder Santos é a responsável pela abertura do concerto de estreia dos Veil Of Light em Portugal, a acontecer no próximo dia 13 de novembro no Hard Club, Porto. 

Em mais um evento com a assinatura da Muzik Is My Oyster, a dupla de electro/ dark wave apresentará os temas do seu primeiro curta-duração homónimo, editado em julho do presente ano. Por sua vez, Veil Of Light ficará encarregue de apresentar Talisman, o seu mais recente curta-duração, dos dois editados este ano.

Os concertos de Veil Of Light + Zurich Dada têm início às 22h00, com abertura de portas marcada para as 21h00. Os bilhetes têm um preço de 10€.



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Reportagem: Girls Names [Café Au Lait - Porto]


Na passada segunda feira fomos ao Café Au Lait para ver o regresso dos Girls Names em território nacional, num concerto com o selo da editora Lovers & Lollypops que comemora 10 anos de existência. O quarteto irlandês de Belfast apresenta-se como um dos principais revivalistas da música post-punk, e regressou ao Porto para apresentar o sucessor do excelente The New Life, o não tão bem conseguido Arms Around a Vision.

A sala inferior do espaço portuense encontrava-se bem composta e o público parecia entusiasmado. Num concerto principalmente focado em mostrar as faixas do novo registo discográfico, o público, ainda não tão conhecedor do novo trabalho, ia aplaudindo em cada música, com o vocalista Cathal Cully agradecendo frequentemente em português. Temas do novo álbum como “Reticense” e “Chrome On Rose” fizeram parte do alinhamento e foram bastante bem recebidos. A banda aproveitou ainda para tocar “Hypnotic Regression”, um dos temas mais conhecidos da banda pertencente a The New Life, sendo esta uma das poucas faixas deste registo que fizeram parte do alinhamento, para desgosto de alguns fãs. No entanto, a banda apresentou o seu novo trabalho de forma bastante competente e convincente. 

Girls Names @ Café Au Lait

Terminado o concerto, a banda voltou rapidamente para um encore a pedido do público, aproveitando para tocar apenas uma faixa. “The New Life”, faixa que termina o álbum do mesmo nome, encerrou o concerto de uma forma brilhante, com a incrível malha de mais de sete minutos a ser tocada de forma irrepreensível, terminando assim um belo concerto que demonstra mais uma vez que os Girls Names são das melhores bandas do género, e que os seus regressos pelas nossas terras serão sempre bem recebidos.


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

[Review] Boogarins - Manual, ou Guia Livre da Dissolução dos Sonhos


Manual // Other Music Records // Outubro de 2015
8.2/10

Boogarins são o quarteto goiânio que se apoderaram do mundo psicadélico num espaço de pouco mais de 6 meses com um espírito revivalista. Em Setembro de 2013 lançaram o seu tão aclamado primeiro LP As Plantas Que Curam e um par de meses depois já eram sucesso nos Estados Unidos e nos outros lados do Atlântico participando já em grandes eventos musicais pelo mundo. O meu primeiro contacto com a banda foi por volta do final de 2013 com o single "Doce" e que foi o que considero amor à primeira "ouvida" e me encheu de uma nostalgia tão louca que quase lhe chamei obsessão; o som destes 4 rapazes era único mas familiar, muito como um dejá vu, e tinha a certeza que era música nova mas o meu cérebro processava-o como a soundtrack das idas à Praia de Serrambi quando era mais novo e passava lá o dia todo a balançar-me em coqueiros. E depois de ouvir o álbum na íntegra percebi: Dinho, Benke, Hans e Raphael tinham pegado em toda a sensualidade de Caetano Veloso, toda a psicadélia d'Os Mutantes, toda a magia de Tom Zé e dado o seu ingrediente secreto (que é só deles e de mais ninguém) para construírem o seu próprio tropicália.

Em 2014, depois dos brasileiros passarem pelo Milhões de Festa e MusicBox aqui em Portugal para apresentarem as plantas que curavam a alma, Hans transformou-se em Ynaiã; quase um ano sem nada novo ouvir deles, no quente Agosto sai um teaser "Manual, ou Guia Livre da Dissolução de Sonhos // 30 de Outubro" e não muitos dias depois as cordilheiras de "Lucifernandis" desabaram em "Avalanche", o primeiro single de Manual, uma faixa repleta de toda aquela atmosfera lisérgica que gritava "A maior demonstração/De propagação do ser é o eco" e o eco dos gritos de Dinho tinham força para derrubar os prédios, os prédios que suprimiam a sua expressividade, os prédios que negavam a cada um de nós a nossa individualidade, uma faixa que motiva a destruição de todos preconceitos sociais aceitando a nossa diferença individual enquanto seres com aquele toque tão Os Mutantes das letras político-sociais, floreada daquelo crescendo e riffs cativantes a que a banda nos acostumou. E depois vieram "6000 Dias (Ou Mantra dos 20 Anos)", que já nos tinha sido apresentada no Burgerama III  no início de 2014, o segundo single com uma das melhores instrumentais n'O Guia Livre de Dissolução de Sonhos falanda-nos sobre a futilidade do materialismo. E quase sem nos dar tempo para respirar "6000 Dias" os Boogarins disponibilizam o Manual na íntegra para ser escutado pela New York Times.




Depois de ouvir o álbum preferi que se chamasse Guia Livre de Dissolução dos SonhosManual parecia simplesmente muito pequeno para o que era, na verdade eu acredito muito que o Guia Livre de Dissolução dos Sonhos seja até um nome mais preciso porque todo o álbum é muito mais dreamy que As Plantas Que Curam (mas pronto Manual é mais fácil para os gringos); o que diz Boogarins está com certeza lá mas parece que foi tudo gravado numa nuvem, quase como se desse para mastigar cada faixa individualmente. É sem dúvida um álbum de upgrade ao que os Boogarins já eram e dá jus ao nome "Tame Impala brasileiro", a única coisa que muda desde 2013 é que agora são melhores que os Tame Impala. Os vocais de Dinho estão comparáveis à ondulação da maré, a instrumental é o vento e a voz de Dinho flui com o que está a ser tocado de uma maneira tão delicada e súbtil que voz e instrumento às vezes tornam-se uno. É claro que os singles de Manual são incríveis mas as verdadeiras preciosidades deste novo estão lá dentro escondidas como "Tempo", "Benzin" e "Sei Lá". "Tempo", a 3ª e mais longa faixa do álbum canta "Vou me libertar/Do tempo dos Homens/Só vou te encontrar/Enquanto eles dormem" é uma música que ao mesmo tempo parece uma música de amor entre dois índios que foram separados pelo desbravar de terras e uma música eterna entre o Sol e a Lua; esta faixa e "Cuerdo" são as duas mais slow tempo do álbum mas "Tempo" vai alternando entre as partes calmas (que é quando a letra mística vai sendo proferida) e partes mais agressivas tão cheias de vida e distorção e que depois vai evoluindo para o final em que Dinho vai repetindo o seu mantra até ao final, Benke dando tudo naquela guitarra e Ynaiã não parando por nem um segundo. "Mario de Andrade: Selvagem" também é uma faixa muito interessante porque não só começa com "Há dias que eu sinto o meu corpo frio e morno" como também é  a faixa que separa o álbum em duas partes e essa divisão acontece dentro da faixa; se ouvida num vinil, provavelmente, metade da faixa iria ser ouvida no lado A e a outra metade no lado B. "Benzin", essa já tínhamos ouvido em versão acústica e sinceramente não sei qual delas, se a de estúdio se a acústica, a melhor; uma faixa que celebra muito a terra natal, muito o espírito da viagem e acredito até na "viagem" que a música nos proporciona sempre com uma vibe tão "a Rita Lee podia estar aqui".



Manual, ou Guia Livre de Dissolução de Sonhos é a música que se foi perdendo no Brasil para o sertanejo, Manual, ou Guia Livre de Dissolução de Sonhos é o auge da música brasileira atual, Manual, ou Guia Livre de Dissolução de Sonhos é tropicália no sentido mais bonito que possa existir, mostrando ao resto do mundo que o Brasil não é só futebol e praia, Brasil é música.

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Misty Fest: As bandas a não perder nesta 6ª edição


O Misty Fest já vai na sua 6ª edição e de 1 a 14 de Novembro são vários os concertos que vão ocorrer por todo o país, passando por Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Vila do Conde e Figueira da Foz. Juntámos aqui os principais concertos do Misty Fest a que não podem faltar.

Iron & Wine


O cantautor norte-americano Sam Beam, responsável pelo projecto folk Iron & Wine, vem a Portugal pela primeira vez tocar a solo e em modo acústico, preparando-se para um concerto bastante intimista. A sonoridade de Iron & Wine é muitas vezes associada a artistas como Simon & Garfunkel , Neil Young, Nick Drake , Elliott Smith e John Fahey, num ambiente de fusão de southwestern rock com musica tradicional do México e sabor a jazz. Após o último álbum de estúdio Ghost on Ghost, de 2013, Sam colaborou já em 2015 com Ben Bridwell dos Band of Horses num álbum de covers onde temas de Pete Seeger, John Cale ou Talking Heads são reinterpretados. 


O músico actua a 1 de Novembro no Teatro Tivoli BBVA, Lisboa, e a 2 de Novembro na Sala Suggia da Casa da Música, Porto.


Dead Combo e as Cordas da Má Fama


Num espectáculo criado apenas para o Misty Fest, Tó Trips e Pedro Gonçalves juntam-se assim às cordas de Carlos Tony Gomes, Bruno Silva e ainda Denis Stetsenko, mais conhecidos pelos ambientes sonoros produzidos para acompanhar Rodrigo Leão, percorrendo vários temas da sua já longa discografia. 



O concerto ocorre a 6 de Novembro, no Grande Auditório do CCB.


Lenine


Em 2013, Lenine celebrou três décadas de carreira, marca séria na vida de qualquer cantautor e este ano editou o seu oitavo álbum Carbono. Lenine é sem dúvida um nome de referência, estatuto confirmado com a conquista de cinco prémios Grammy Latino e nove Prêmios da Música Brasileira. As suas canções foram gravadas por nomes como Elba Ramalho, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Maria Rita, O Rappa, Zélia Duncan, entre muitos outros. Produziu também trabalhos de Maria Rita, Chico César, Pedro Luís e a Parede e do cantor e compositor cabo-verdiano Tcheka, além de bandas sonoras para novelas, series de televisão, filmes, espetáculos de dança e teatro. 


Lenine vai actuar a 7 e 10 de Novembro no Grande Auditório do CCB e na Sala Suggia da Casa da Música, Porto, respectivamente.


The Cinematic Orchestra



Os The Cinematic Orchestra são uma banda britânica muito acarinhada pelo publico Português e oito anos após a edição de Ma Fleur, o último disco da banda, estão de volta com um novo longa duração de originais com data prevista de edição para Novembro. O Nu-jazz e a Pop electrónica do grupo influenciaram desde do inicio da sua carreira nos anos 90 inúmeras bandas actuais e deixaram marcas em eventos como o Porto Capital Europeia da Cultura de 2001. A última passagem por Portugal foi em 2009 com concerto esgotado na Aula Magna.


A banda vai actuar em Braga, Lisboa e Porto, a 7, 8 e 9 de Novembro, respectivamente.



Programa completo:

01/11 Iron & Wine - Lisboa, Tivoli BBVA

02/11 Iron & Wine - Porto - Casa da Música - Sala Suggia

04/11 Dom La Nena - Lisboa, CCB - Pequeno Auditório

04/11 Mayra Andrade - Porto, Coliseu

05/11 Mayra Andrade - Lisboa, CCB - Grande Auditório

06/11 Dead Combo e as Cordas da Má Fama - Lisboa, CCB - Grande Auditório

06/11 Rui Massena - Vila do Conde, Teatro Municipal

06/11 Maria Mendes - Lisboa, CCB - Pequeno Auditório

06/11 Mísia - Aveiro, Teatro Aveirense

07/11 Mayra Andrade - Figueira da Foz, CAE

07/11 Maria Mendes - Casa da Música - Sala 2

07/11 Lenine - Lisboa, CCB - Grande Auditório

07/11 Cinematic Orchestra - Braga, Theatro Circo

08/11 Cinematic Orchestra - Lisboa, CCB - Grande Auditório

09/11 Cinematic Orchestra - Porto, Casa da Música - Sala Suggia

10/11 Lenine - Porto, Casa da Música - Sala Suggia

14/11 Rui Massena - Aveiro, Teatro Aveirense

14/11 Mísia - Lisboa, Cinema São Jorge

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The Japanese Girl apresentam novo álbum a 7 de Novembro no Sabotage Club


As noites Kaleidoscope estão de volta ao Sabotage Club dia 7 de Novembro, desta vez com a participação dos portuenses The Japanese Girl, banda que se prepara para editar o seu primeiro álbum de originais Sonic-Shaped Life , editado via Munster Records. Também teremos actuações de Djs Luís Futre & e Edgar Raposo da Grovie Records.

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