sábado, 7 de novembro de 2015

STREAM: Amaterazu - Amaterazu


Os Amaterazu começaram, como banda, no início do presente ano através de uma história baseada em elementos da mitologia japonesa. A música e a história geraram-se mutuamente, guiadas não por um género específico, mas sim pela intuição de explorar. O resultado desta experiência foi o álbum epónimo, onde se contrastam sensações harmoniosas com vibrações densas e escuras, numa viagem introspetiva através da luz e da escuridão. 

Amaterazu é composto por Sunsum (guitarra/voz), Solve (baixo/voz) e Black Sun (bateria/percussão), que se apresentam através de nove canções que conjugam as atmosferas mais obscuras de diversas sonoridades. 

O álbum foi lançado no dia 15 de outubro e produzido na Villa L Dourado Resort encontrando-se disponível para audição integral limitada no Bandcamp, ou abaixo.


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Reportagem: Jameson Urban Routes, 30 e 31 de outubro [Musicbox - Lisboa]


Mais uma fim-de-semana passado no Musicbox a ouvir as novas tendências tanto da música internacional como nacional. Os grandes destaques vão para a atuação delirante e extasiada dos La Femme e para a música meditativa da colaboração dos Suuns com Jerusalem In My Heart.

30 de outubro

Este foi o dia mais concorrido do Jameson Urban Routes tendo os bilhetes diários esgotado e as expectativas para ver os franceses La Femme era mais que elevadas. 

A noite começou com The Sunflowers e começou muito bem! O duo portuense formado por Carlos, na guitarra e voz e Carolina, na bateria, veio até à Capital mostrar a sua sonoridade aguerrida e lo-fi que mistura garage com umas pitadas de punk rock. Os destaques deste concerto vão para a cover da música dos Ramones "Blitzkrieg Bop", para o mais recente single "Charlie Don't Surf". O lado B deste novo single, "Zombie", foi tocado pela primeira vez, com a ajuda de um amigo baixista, tendo Carlos ido até ao público ter com o seu amigo alien que lá se encontrava. A banda também tocou temas do primeiro EP como "UFO, Please Take Me Home" e "I'm a Woman, I'm a Man",  e do segundo EP Ghosts, Witches and PB&Js como "Mama Kim" e "I Saw a Ghost". Houve também tempo para uma música nova sem nome a que banda decidiu chamar na altura de "Fuck You". Foi um concerto bastante positivo para um público cuja atenção estava totalmente focada em La Femme, tendo sido pouco participativo. 


The Sunflowers @ Jameson Urban Routes

Por volta das 23h30, como esperado, entraram em palco os La Femme, de copo e cigarro na mão a espalhar o seu charme burguês. O sexteto oriundo de Biarritz veio até Lisboa apresentar o álbum editado em 2013, Pyscho Tropical Berlin. O concerto começou com "Amour dans le motu" e "Si Un Jour", música que bem caracteriza a sonoridade apresentada pelo conjunto, a synthpop com influências de psicadelismo e new wave. Foi com "Télégraphe" do primeiro EP
Le podium #1 : La Femme (2010) e com " Paris 2012" do EP Paris 2012 (2012) que o público mostrou bem o que valia na arte da dança. A partir daqui já não havia inibições. O concerto foi prosseguindo e a banda voltou ao Pyscho Tropical Berlin com "It's Time To Wake Up (2023)", música mais krautrockiana, e "Nous Étions Deux", música que bebe da french pop dos anos 70, servindo para o público descansar um pouco. Houve tempo também para a banda apresentar uma música criada para o desfile de Yves Saint Laurent, "Me Suive", sob o egnimático pseudónimo de "Mistério". 



Foi com o tema mais conhecido "Sur La Planche 2013" que a banda "terminou" o concerto. O público aproveitou para se libertar e dançar tudo o que sabiam, tendo provocado algum moche próprio de espaços pequenos. A banda ainda voltou para mais 2 encores para delírio daqueles que esgotaram a sala no Cais do Sodré, tendo dado asas à improvisação em temas como "Welcome America", "Antitaxi" e "La Cabane Perché". Foi quase 1h30 de concerto em tanto a banda como o público saíram claramente satisfeito. O Musicbox foi pequeno para este sexteto francês, por isso não será de estranhar que eles cá voltem em 2016 para atuarem num grande festival, talvez com um novo álbum de originais.


La Femme @ Jameson Urban Routes

A noite ainda não tinha acabado e houve tempo para a atuação do projecto de música house e disco de Bruno Cardoso, mais conhecido por Xinobi, em formato banda, com a ajuda de Óscar Silva (Jibóia) na guitarra, Ana Miró (Sequin) na voz e Vasco no baixo. A tarefa de tocar a seguir ao enorme concerto dos La Femme não era nada fácil, mas o público presente gostou da atuação do quarteto. Interpretando vários temas do álbum 1975, editado em 2014, destacaram-se temas como "Mom and Dad" e o remix do tema "And I Say" de Nicolas Jaar.



Xinobi @ Jameson Urban Routes


31 de Outubro

O último dia do Jameson Urban Routes calhou no dia de Halloween e ficou marcado por bandas que exploram sonoridades mais orgânicas e ritualistas. Este dia teve como grande destaque a atuação dos Suuns and Jerusalem In My Heart

O primeiro a subir ao palco do Musicbox, ainda com pouco público presente, foi Ricardo Remédio, artista que se prepara para editar em 2016 o seu primeiro álbum, que dá pelo nome de Natureza Morta. Até agora pouco conheciámos do seu trabalho, pelo que o concerto foi bastante interessante e nos deixou com água na boca para o ano que se avizinha. Com uma sonoridade marcada por influências da electrónica industrial de Ben Frost e Nine Inch Nails. 


Ricardo Remédio @ Jameson Urban Routes

Por volta das 23h30 entraram em palco os canadianos Suuns e o libanês Radwan Moumneh, responsável pelo projecto Jerusalem In My Heart. Estes dois grupos editaram este ano um álbum homónimo e colaborativo marcado por uma sonoridade que mistura indie rock marcado por elementos post-punk, folk árabe e um pouco de kraut rock. Não á fácil explicar a atuação dos 5 elementos em palco, mas é nos possível dizer que esta soa mais a Jerusalem In My Heart do que a Suuns, talvez devido à voz ter ficado entrege a Radwan. Tratou-se sem dúvida de um concerto introspectivo, negro e transcendente, tendo ficado também marcado pela forte componente visual, tendo sido reproduzidos os vídeos dos singles editados até à data.




A banda terminou o concerto com a música "Gazelles In Flight", agradecendo ao público por ficaram a conhecer este projecto tão especial.

Suuns and Jerusalem In My Heart

Os HHY & The Macumbas foram os que se seguiram. A banda do porto constituida por 7 músicos e liderada por Jonathan Saldanha veio até Lisboa apresentar o seu álbum Throat Permission Cut, deixando o público presente numa espécia de transe. 

HHY @ The Macumbas

Texto e fotografia: Rui Gameiro

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Entrevista: Eat Bear


Durante o Indie Music Fest tivemos a oportunidade de conversar com Filipe Martins, Gonçalo Videira, Miguel Almeida e Rafael Corte Real mais conhecidos como Eat Bear

Threshold Magazine(TM) - O que acham do Indie Music Fest?

Rafael Corte Real(RCR) - É uma estreia para nós, é a primeira vez que cá estamos, mas está dentro daquele grupo de novos festivais que tem merecido a atenção de toda a gente. Era um sitio onde queríamos muito tocar, ficamos satisfeitos com o convite e acho que é um dos festivais que veio para ficar. É fixe porque só tem bandas portuguesas, esperamos voltar cá um dia e tocar no palco principal, se calhar.

TM - Como acham que o público vai reagir à vossa música?

Filipe Martins(FM) - Depende, se tocarmos bem acho que vão curtir, principalmente se tiverem bebido um pouco de cerveja. Se fizermos asneira, se calhar vão querer o dinheiro de volta.

TM - Como é que se conheceram?

Miguel Almeida(MA) - O Rafael e o Filipe já se conheciam desde o secundário, entretanto eu andava no mesmo liceu que o Filipe, Surpreendentemente não nos conhecemos lá, quando eu o via lá achava que ele era um freak então tinha medo de falar com ele. Quando já andavamos na faculdade é que começamos a falar. O Gonçalo só se juntou mais tarde.

TM - Porquê Eat Bear?

Gonçalo Videira(GV) - Eu fui o ultimo a entrar na banda e já me perguntei isso várias vezes, e a eles. Mas a historia que eles contam, oficial, é: o Rafa tinha uma lista de nomes e o Alfie[Filipe] tinha de escolher um nome da lista e escolheu "Eat Bear", o Rafa é que devia explicar porque é que subiu Eat Bear na lista.

RCR - Estás a ver os Pink Floyd que se chamam Pink Floyd em homenagem a um Pink qualquer coisa e a um Floyd qualquer coisa? E eu dei uma lista ao Alfie e uma era Eat qualquer coisa e a outra Bear Grow A Pair. Agora como é que surgiu Eat Bear não nos lembramos mesmo, foi porque nos soou bem. Até ponderamos na altura chamar Eat Bear Grow A Pair à banda mas achamos excessivo. O nosso EP vai chamar-se Grow A Pair em homenagem a esses tempos iniciais.

TM - Falando um pouco do vosso album de estreia e único que lançaram até agora, Trust Found, 2013. Na altura o album saiu como queriam?

RCR - Saiu como saiu. Mas também não era bem o que nós queriamos quando nos vimos a tocar como estamos este ano e no ano passado. Podia ter ficado melhor, acho que estamos a compor melhor agora. Muito do que temos nesse album tocamos ao vivo e fica fixe. Quando olhamos para esse registo achamos que foi um pouco precipitado, podiamos ter gravado só duas ou três músicas. Claro que agora o EP que está para sair e os singles que lançamos no inicio do ano vão muito mais ao encontro do que queremos fazer mas não temos vergonha daquilo, acho eu.

FM - Como disseram umas grandes senhoras num poema chamado "Wannabe", senhoras são as Spice Girls: "If you want my future forget my past".

RCR - Na altura eram a músicas que tínhamos. Acho que também não gravamos da forma que queríamos, ao vivo também temos a oportunidade de transformar as músicas e dar mais interesse àquilo. Não é um registo para se esconder...e há quem goste.

TM - Podem falar um bocado do EP ou trabalhos que estão a pensar para o futuro?

MA - O próximo trabalho que vamos lançar estimamos que saia no fim de Setembro ou Outubro. Vai incluir quatro músicas, duas delas os singles que lançamos no inicio do ano "Skipp-Off" e "July". Achamos que continua a ser assim uma banda garage mas duas das músicas novas têm umas vozes mais pop e o produtor foi o Rafael Silver que toca nos The Lazy Faithful, na Adega Estúdios e estamos contentes com o resultado.

TM - Com este novo EP estão mais proximos da sonoridade que pretendiam?

RCR - Sem dúvida. Eu acho que à medida que vamos tocar em conjunto não vamos estar sempre a fazer a mesma coisa. Neste registo o Miguel assumiu mais a composição e fez mais à maneira dele e nós alinhamos na cena e curtimos. Se calhar no proximo ano estamos a fazer uma cena diferente. Eu não curto muito bandas que repetem edição atrás de edição o mesmo som. Agora estamos super satisfeitos com o que fizemos. Se calhar não vamos mudar tanto como os Ceremony.

TM - Quais as principais influencias para este EP?

FM  - Tem umas partes de Queens Of The Stone Age, quando forem ouvir vou dizer que sou maluco. Ty Segall, aqueles refrões. Yuck, sem dúvida. Kylie Minogue...

RCR - É um bocado isso, misturamos um bocado garage com indie pop.

TM - O que têm ouvido nas ultimas semanas?

FM - Ontem comecei a ouvir, não se riam, o novo album da Miley Cyrus, foi com os The Flaming Lips que ela fez, tem algumas músicas fixes outras nem por isso. Rolling Stones. O novo álbum dos Foals. Bowie.

MA - Estou a ouvir uma banda inglesa relativamente nova que se chama Wolf Alice, o novo dos Tame Impala, o novo dos Foals e uma banda muito fixe americana que se chama Sheer Mag.

RCR - Eu devo ser o gajo que ouve mais música nesta banda portanto tenho uma lista maior. Ando a ouvir incessantemente o álbum dos Foals, o álbum de estreia de Girl Band, tenho ouvido também muito o novo de FIDLAR, Lower Dens, o novo álbum dos Ought, Thee Oh Sees, o Currents dos Tame Impala, também é uma cena que passa no meu itunes e o ultimo dos Wand, o Golem.

GV - Tenho ouvido Flight Facilities e o ultimo album dos Justice.

TM - É tudo, obrigado!


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Calvin Johnson toca em Bragança a 11 de novembro


O fundador da editora K Records, na cidade de Olympia, grande propulsora da música alternativa independente nos anos 80 e 90, e integrante em grupos como Beat Happening e Dub Narcotic, regressa agora a Portugal onde atuará na próxima quarta-feira, dia 11 de novembro em Bragança , no Museu Abade de Baçal. Os bilhetes para o concerto têm um preço fixo de 5€ e o concerto hora marcada para as 22h00.

Antes do concerto, Calvin Johnson projeta o minidocumentário "All Your Friend’s Friends" que trata sobre a elaboração de um recompilatório da K Records "NW Hip Hop", um disco construído quase por completo por samplers extraídos do catálogo de Calvin Johnson, produzido por Smoke M2D6 e com colaborações de MC’s de Olympia e de todo o Nordeste dos Estados Unidos. O filme mostra entre cortinas como é isto de levar para a frente um artefacto sonoro como este, ao mesmo tempo que nos permite dar uma olhadela à singular cena do Hip Hop "Do It Yourself" e a arte underground de Olympia.


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IAMX toca no Porto na próxima semana


IAMX, projeto a solo de Chris Corner (ex vocalista dos Sneaker Pimps), está de regresso a Portugal para um concerto único a ter lugar na próxima sexta-feira, dia 13 de novembro no HardClub, Porto. Em mais um evento cunhado pela Muzik Is My Oyster, Veil Of Light tomará agora o lugar secundário, sendo o responsável pela abertura de um dos últimos concertos da Metanoia Tour, sendo igualmente uma abertura em exclusivo e a acontecer unicamente no Porto.  

Contas feitas, o concerto dos Zurich Dada, que até então abririam para Veil Of Light, teve de ser infortunadamente cancelado. Assim sendo, o concerto de Veil Of Light + IAMX tem agora hora marcada para as 22h00, com abertura das portas às 21h30. Os bilhetes para o concerto têm um preço de 20€ ou de 35€ (na compra do bilhete + álbum) e podem ser adquiridos online ou no HardClub no próprio dia.

Reservas: muzikismyoyster@gmail.com


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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

STREAM: Torto - Escabroso


Os portuenses Torto regressam às edições ainda este mês com Escabroso, segundo disco longa duração do trio composto pelo guitarrista Jorge Coelho, o baterista Jorge Queijo e o baixista Miguel Ramos. Escrito e gravado em colaboração com o teclista Hugo Raro, este segundo registo prima pelas harmonias desafiantes e melodias familiarmente estranhas. Escabroso encontra-se para já disponível para audição gratuita na íntegra abaixo, ou aqui.

Escabroso tem data de lançamento agendada para 16 de novembro pelo selo Lovers&Lollypops.


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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Vodafone Mexefest - Últimas confirmações, horários e outras novidades


Ontem a cooperativa do Vodafone Mexefest encheu-nos de várias novidades sobre o que esperar a 6ª edição do festival. Mas comecemos pelo o que vos realmente interessa, as confirmações:

Novas Confirmações, Horários e Distribução por Salas

16 novos nomes fecham agora o cartaz, 13 deles a trazer toda a força nacional e 3 deles estreias no nosso país. De nomes internacionais temos:

Jenny Hval, a experimentalista norueguesa que já esteve em tour com St. Vincent (um dos melhores concertos da edição passada do festival) e editou este ano o seu terceiro disco de longa duração sob nome próprio, Apocalypse, girl, a qual convidamos-vos a todos a ler (ou reler) a nossa review ao álbum aqui;

San Holo, um nome que se vai difundindo pela cena eletrónica mundial tendo encantado no festival Tomorrowland com os seus dois EPs deste ano "Victory" e "Imissu" e até ter chegado a ser elogiado pelos aclamados Diplo e Skrillex. Um nome a não perder da cena eletrónica na edição deste ano do Vodafone Mexefest;

- E por fim, mas não menos importantes, temos os The Babe Rainbow, um trio australiano donos de um psych-pop muito bonito com ainda apenas um tenro EP deste ano editado, amigos dos nossos amigos King Gizzard & The Lizzard Wizzard que pelos vistos gostaram tanto de nós que convenceram os Babe Rainbow a vir ter connosco na edição deste ano e sabem o que dizem: amigo do nosso amigo, amigo é!


Mas as confirmações aquecem mesmo é com os nomes nacionais que o Vodafone Mexefest promete fazerem brilhar este ano e as propostas para as pequenas bandas que estão a querer dazer-se ouvir:

- The Sunflowers e Pás de Problème, as duas bandas que vão encher o Vodafone BUS (sim, os concertos sob rodas estão de volta a esta edição) que embora bastante diferentes prometem as duas fazer os autocarros pela avenida abanarem até mais não: Sunflowers com o seu rock tão garageiro que não passa despercebido tendo este ano atuado pelo Indie Music Festival e pelo Rodellus Music Fest e os Pás de Problème com um som tão peculiar quase que uma festa beat dos anos 50 com todo aquele jazz misturado com um som estranhamente Médio-Oriental e como se não fosse bastante trazem uma atmosfera punk de crowdsurfs e mosh pits autoproclamando o seu estilo musical como "Padráda: The Exotic Speed-Punk Parties";

- Best Youth, os portuenses que não vos devem ser indiferentes com o seu primeiro LP, Highway Moon, lançado este ano tendo já clamo não só nacional mas como internacional também;

- Beautify Junkyards, uma banda de 7 que tem vindo a explorar um som muito "dream-folk" com um álbum de covers lançado em 2013 e este ano editando o seu tão esperado de originais The Beast Shouted Love que vamos poder ouvir na atmosfera tão bonita da Igreja de São Luís dos Franceses;

- Cave Story, os rapazes das Caldas da Rainha que no ano passado ganharam o Vodafone Band Scouting com o seu math-rock e este ano brilharam no primeiro dia do Jameson Urban Routes e vêm vislumbra-nos mais uma vez com o seu segundo EP cá fora editado este ano Spider Tracks;

- Holy Nothing, o nome que passou este ano também pelo Jameson Urban Routes e pelo Festival Vodafone Paredes de Coura, com um álbum, Hypertext, editado em Setembro, este trio de rapazes do Porto vêm dar mais uma passeata pela capital para mostrar o que valem e que merecem ser reconhecidos;

- El Salvador, o projeto de Salvador Seabra, o baterista da banda que parece ter mais sideprojects que álbuns, com destaque BISPO e Modernos, os Capitão Fausto, também já com um EP homónimo lançado este ano explorando o psicadelismo ao que os rapazes Fausto são tão ligados e que vale a pena ouvir;

-  Flamingos, a parceria que aconteceu magicamente entre o Coelho Radioactivo e O Cão da Morte, que embora a distância geográfica os amigos ainda conseguem fazer música se nunca tivessem saído um ao lado do outro, já com 5 músicas soltas pelo seu Bandcamp "Dias de Calor"é uma das malhas que brilha entre o pop dos dois;

- Rita & O Revólver, o projeto de Rita Cruz com letras que criticam quase a preguiça portuguesa face ao governo, com um som bastante soul e blues influenciado por Marvin Gaye, é dos nomes interessantes a não se perder também.


Para além destes nomes também se juntam Meu Kamba Sound System, o projeto nascido no Vodafone Mexefest por Rui Miguel Abreu e por falar em Rui Miguel Abreu, curado por ele, ainda também vêm do Príncipe Real os Ciência Rítmica Avançada (ou C.R.A.) composto por Bison & Squareffekt, Roger Plexico, Nerve e DJ Firmeza prometendo trazer-nos todo os afrobeats, hip-hop e kizomba que foi lentamente fermentado pela fusão de estilos no Príncipe Real. Ainda temos o Colectivo Bomba de Oxigénio composto por Tiago Santos, Carlos Cardoso, Ricardo Guerra e Mary B e por último mas não menos importante temos Salvador Sobral.

Juntamente com os nomes já previamente confirmados o cartaz do Vodafone Mexefest está oficialmente fechado com os horários e distribuição dos artistas por salas também já fechados que podem ser consultados aqui.

Salas

O Vodafone Mexefest este ano, para além das suas salas habituais, apresenta-nos duas novas salas:
- o Tanque que é literalmente o espaço da antiga piscina do Ateneu Comercial de Lisboa, um espaço que deixa-nos com altas expectativas para um grande surround;
- a Vodafone Blackout Room, a sala 3 do Cinema de São Jorge apresentar-nos-á a completa e melhor experiência sensorial, um quadro impressionista para um cego, concertos (embora com artistas ainda por confirmar) completamente ao escuro em que as únicas luzes que veremos será as de emergência, uma sala imperdível na edição deste ano do Vodafone Mexefest e provavelmente a melhor novidade.
Para além disso o festival vai regressar a ter uma sala emblemática relativa à cidade, o Teatro Tivoli BBVA, dando assim num total de novas três salas relativamente ao ano passado.

App Vodafone Mexefest e simbiose artística/cultural nacional

Todos os anos o festival disponibiliza uma aplicação para iOS e Android que nos permite consultar os Vodafone Shuttles Vodafone Bus mais próximos, informação sobre os artistas tal como consultar o cartaz e horários na íntegra e saber a lotação das salas em directo. Mas este ano temos uma novidade, a integração dos roteiros INVIITA na app do festival que nos permitirá a não só criar o nosso próprio roteiro pelo festival e partilhá-lo com o mundo mas também ter acesso a roteiros criados por cinco personalidades convidades ou como lhes gostam de chamar os "Influenciadores". Estes cinco "Influenciadores" cada um terá um papel crucial para o festival, não só no sentido em que guiarão os mais distraídos pelos seus roteiros mas também eles apresentam o melhor da arte e cultura portuguesa moderna. Os influenciadores serão:

- Inês Meneses, comunicadora e radialista, que irá ter um texto seu projetado sobo tema "A música mexe pela cidade" (cuidado com os flashbacks ao Exame de Português) pela Praça dos Restauradores junto à Grafonola Vodafone Mexefest;

- Joaquim Quadros, locutor da Vodafone.FM, (a rádio oficial do festival que irá também disponibilizar de um programa único para os menos afortunados que não conseguiram vir ao festival) que vai sugerir música nacional "que ainda não conhecemos mas vamos querer conhecer" que poderá ser descarregada via QR Codes disponíveis no Estúdio da Vodafone.FM;

- Rui Miguel Abreu, jornalista, que se associa ao Vodafone Mexefest com o Mercado de Música Independente que tem lugar no Picadeiro Real do Antigo Colégio dos Nobre, espaço integrado no Museu Nacional de História Natural e Ciência, onde irão haver showcases (com programa ainda por ser divulgado) entre as 12h e as 19h dos dias do festival. Para além disso qualquer portador da pulseira Vodafone Mexefest 2015 terá um desconto de 10% em qualquer produto comprado no Mercado;

- Paulo Segadães, fotógrafo e baterista de The Legendary Tigerman, que terá fotografias da sua autoria sob a série "A música mexe na cidade" expostas desdea Praça dos Restauradores até ao cinema de São Jorge;

- E por fim, André Tentúgal, realizador, que terá uma curta-metragem sua sob o tema "A música mexe na cidade" a ser exibida na Sala Manoel de Oliveira do Cinema de São Jorge entre o intervalo dos concertos.

Vodafone Band Scouting

O concurso do Band Scouting ainda não acabou e nós fortemente recomendamos a todos vocês por Portugal fora que andam a trabalhar em música e querem testar-se a participarem no concurso até dia 11 de Novembro aqui. As 8 melhores bandas serão convidadas a tocar ao vivo na Estação de Metro do Cais do Sodré dia 20 de Novembro pelas 18h (ou seja, numa banda ou não, há concertos de graça para vocês dia 20 do melhor e mais underground que há por Portugal, é só aparecer); entre as 8 bandas serão escolhidas 2 que irão integrar-se no programa do Vodafone Mexefest abrindo o palco Estação Vodafone FM nos dias 27 e 28 Novembro (uma em cada dia) e posteriormente a dia 2 de Dezembro uma das bandas será escolhida vencedora que terá como prémio a edição de um álbum pela editora pontiaq.

E isto será a edição deste ano do Vodafone Mexefest. Não se esqueçam de comprar os vossos bilhetes nos lugares habituais que encontram-se agora por 45€ mas a voar com uma rapidez impressionante e os bilhetes via app já esgotados. Portanto do que estão à espera? Venham à edição mais eclética do Vodafone Mexefest até hoje que arrependimento não será uma das coisas que levarão para casa!

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Astrodome editam álbum de estreia a 8 de novembro


Formados por Pedro e Zé nas guitarras, Mike no baixo e Bruno na bateria, a banda portuense Astrodome prepara-se para lançar o seu primeiro registo longa-duração que trará título homónimo. Composto por seis singles, este primeiro registo longa duração oferece uma viagem a quem se quiser perder no espaço sideral e funciona como uma história da documentação dessa viagem, através de música puramente instrumental.

Astrodome é editado no próximo domingo, dia 8 de novembro pela editora Ya Ya Yeah, estando disponível para streaming, no dia, no link abaixo. Quanto à edição física, poderá ser adquirida em cassete, numa edição limitada a 100 unidades.


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STREAM: Earth Drive - Planet Mantra


Os Earth Drive editaram no passado sábado o seu terceiro trabalho curta-duração, Planet Mantra, que sucede Known By The Ancients editado em dezembro do ano passado. Formados em 2007 tendo como principais referências Kyuss, Tool e Acid King, e após algumas demos, foi em 2012 que a banda se estreou nos EPs com Ink Storm(2012) que teceria o género em que a banda classifica atualmente a sua música: "alternativo, stoner e psicadélico" .

Planet Mantra foi editado digitalmente a 31 de outubro, encontrando-se brevemente disponível em edição física  pelo selo  Raging Planet.

A banda prepara-se para anunciar novas datas de concertos. O novo EP já está disponível em stream no bandcamp e soundcloud oficial da banda, ou abaixo.


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The Japanese Girl apresentam disco de estreia em Lisboa


Atualmente em formato quarteto (com Carlos Nemeth na bateria), os The Japanese Girl apresentam agora ao vivo o seu mais recente disco longa-duração, Sonic-Shaped Life, que chegou às lojas no início deste mês pela editora madrilena Munster RecordsO álbum, que viu "You Should Have Switches" como primeiro single de avanço, foi gravado nos Estúdios Sá da Bandeira no Porto por Cláudio Tavares e João Brandão e será agora apresentado, no próximo sábado, dia 7 de novembro no Sabotage Club, em Lisboa. O disco é composto por dez canções que desenham o universo próprio do rock hipnótico e neo-psicadélico da banda.

O concerto, que integra as noites Kaleidoscope, espaço de encontro para os amantes do psicadelismo, contará ainda com as actuações do dj A Boy Named Sue, Luís Futre e Edgar Raposo, tendo início marcado para as 23h00. Todas as informações adicionais poderão ser encontradas aqui.


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Foto-Reportagem: Iron & Wine [Casa da Música - Porto]


No passado dia 2 de novembro fomos até à Casa da Música no Porto assistir ao concerto de Iron & Wine, projecto do norte americano Sam Beam, inserido na programação da 6ª edição do Misty Fest. Segue em baixo o registo fotográfico da noite, pela lente de Ana Carvalho Dos Santos.





  


  




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Toulouse abrem para Craft Spells no Hard Club


Os vimaranenses Toulouse vão ser os responsáveis pela abertura do concerto único em Portugal dos Craft Spells, mais um evento com a assinatura da promotora Muzik Is My Oyster. A banda, que pertence atualmente, ao catálogo da Revolve, subirá ao palco 2 do HardClub Porto na próxima sexta-feira, dia 4 de dezembro pelas 21h30 para abrir para os norte-americanos Craft Spells que seguem em apresentação de Nausea, o terceiro disco de estúdio editado o ano passado. 

Quanto a trabalhos novos os Crafts Spells lançaram recentemente "Our Park By Night", single de 7'' editado no final de outubro pela Captured Tracks. Já os Toulouse trarão ao palco "Battery" o seu mais recente single. Os bilhetes para o concerto têm um preço de 10€ em pré venda até dia 30 de novembro. No dia do concerto terão um custo de 13€.



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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

[New Single] DIIV Revelam Novo Tema de "Is The Is Are"


Os DIIV revelaram mais um tema que irá fazer parte Is The Is Are, o sucessor do excelente Oshin, de 2012, a editar dia 6 de Fevereiro do próximo ano. A nova faixa chama-se "Bent (Roi's Song)" e pode ser escutada em baixo. A banda norte-americana revelou também a cover art (em cima) e a tracklist do seu novo álbum, composta por 17 faixas sendo "Blue Boredom" uma colaboração com Sky Ferreira, com quem o vocalista Zachary Cole Smith mantém uma relação.

Is the Is Are:
01 Out of Mind
02 Under the Sun
03 Bent (Roi's Song)
04 Dopamine
05 Blue Boredom [ft. Sky Ferreira]
06 Valentine
07 Yr Not Far
08 Take Your Time
09 Is The Is Are
10 Mire (Grant's Song)
11 Incarnate Devil
12 (Fuck)
13 Healthy Moon
14 Loose Ends
15 (Napa)
16 Dust
17 Waste of Breath

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WE ARE OPEN SEASON de regressa ao Maus Hábitos


A WE ARE OPEN SEASON regressa à rave portuense, para a sua terceira edição, a acontecer no próximo sábado. Como habitual esta festa realiza-se mais uma vez no Maus Hábitos (Espaço de Intervenção Cultural), contando com a presença de Gusta-vo (um dos organizadores do NEOPOP FESTIVAL e membro dos Freshkitos), Ontem Sound System (Laranja, Selecta Nervo, Selecta Vespi) e Drop the Saiyan. Uma edição que promete, com grandes nomes e festa garantida. Os concertos têm início marcado para as 23h30.

Preço: 3,50€ 
Alinhamento: Sala de Concertos: Gusta-vo (FRESHKITOS / NEOPOP Electronic Music Festival). Ontem Sound System 
Salão Nobre: Drop the Saiyan 


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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Reportagem: Glockenwise [Teatro Municipal Rivoli - Porto]


Após uma tour europeia, os Glockenwise lançaram um novo disco, Heat. Para o promover deram vários concertos por todo o país e a Threshold Magazine esteve presente no concerto do Teatro Municipal Rivoli, no Porto. O espectáculo foi realizado numa sala por baixo do palco principal do teatro, uma sala interessante mas talvez fosse um pouco grande para o efeito.

O quarteto de Barcelos apresentou-se com mais um elemento que o costume, Cláudio Tavares do Estúdio Sá da Bandeira, que ajudou nos teclados e guitarra O concerto começou com "Cardinal" a primeira faixa de Heat, servindo para o público se começar a habituar ao espaço e perder a timidez inicial. Apesar de a sala ser grande e de o numero de espectadores ser um pouco limitado era possível sentir o calor a aumentar, sendo, em grande parte, responsáveis os holofotes que eram ocasionalmente ligados. "Lasting Lies" foi tocada de maneira exímia mas poucos pareciam conhecer as novas malhas da banda barcelense, foi então que Nuno Rodrigues disse "Álbum novo, músicas velhas" começando a tocar "Scumbag", uma música do álbum de estreia e uma das "imagens de marca" dos Glockenwise. Apesar do público ser bastante introspectivo notou-se que reconhecia os temas de registos anteriores, de outras "fases" de Glockenwise

Se até "Eyes" ainda havia alguém que não estava rendido à banda foi a partir desta música que o fez. Uma das mais belas faixas de Heat tocada de forma perfeita conseguindo ser ainda melhor que em estúdio, algo muito difícil. Começando "Super Villain" começou o momento de "dar tudo" que se prolongou até ao fim. Ouvimos algumas das nossas preferidas do Leeches e a enorme "Heat", tema que dá nome ao album e que Nuno Rodrigues já andava tocar há cerca de dois meses no seu projecto a solo, Duquesa. "Heat" foi, sem dúvida, o melhor momento de todo o concerto. Finalizam com "Time To Go", como seria de esperar. Apesar de uma actuação excelente pecaram por ser apenas terem tocado quarenta minutos, esperávamos, pelo menos, uma hora, e por não termos ouvido "Time (Is a Drag)" ou "Up To You".

Setlist: 
Cardinal 
Lasting Lies
Scumbag
Bad Weather
Eyes
(Not A) Try Hard
Super Villain
Leeches
Tide 
Heat
Time To Go 

Texto: Francisco Lobo de Ávila

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B Fachada e Pega Monstro em tour durante novembro



B Fachada e Pega Monstro vão andar em tour este mês. A dupla composta por Maria e Júlia Reis lançou este ano um dos melhores álbuns nacionais do ano, Alfarroba, que recebeu o selo da editora inglesa Upset The Rhythm, e irá acompanhar o famoso cantautor numa digressão que passará por Lisboa no dia 19 de novembro, no Maxime Sur Mer,  dia 20 no Maus Hábitos, Porto,  dia 21 em Barcelos no Cellos Rock e dia 22 no Salão Brazil, em Coimbra.


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Rivulets atua a 9 de Novembro no Club Vila Real


Rivulets, projecto musical do singer-songwriter americano Nathan Amundson tem passagem agendada por Portugal, num único concerto em solo Português, dia 9 de novembro no Club Vila Real.

Comparado a bandas como Spokane, Red House Painters, Low ou Magnolia Electric Co., já colaboraram com Rivulets integrantes de bandas relevantes da cena independente como Shellac, Codeine, Swans ou Magnetic Fields.


O concerto está inserido na digressão europeia de promoção do seu mais recente disco I Remember Everything organizado pela promotora Transmontana Dedos Bionicos. Os bilhetes já estão à venda e custam €4.

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[Review] Beach House - Thank Your Lucky Stars


Thank Your Lucky Stars // Sub-Pop // Outubro de 2015
8.5/10

No espaço inferior a um trimestre, eis que temos mais um álbum dos Beach House em mãos. 3 anos passaram desde que os Beach House editaram Bloom. E no entanto, menos de 3 meses separam Depression Cherry de Thank Your Lucky Stars, o seu sexto e mais recente LP. 

Ao olharmos para trás, os Beach House já nos tinham dado bastantes pistas sobre este Thank Your Lucky Stars. Desde a faixa então desconhecida que tocaram em 2014 num concerto em Saskatoon — essa faixa é a "One Thing" — chegando às letras de músicas e fotos dos Beach House em estúdio espalhadas pelo depressioncherry.com — endereço que foi posteriormente actualizado para dcandtyls.com — e  acabando nas pistas que eles lançaram via twitter, parece que a intenção dos Beach House foi sempre lançar estes dois álbuns em conjunto. Portanto, dado o calendário que os Beach House nos ofereceram, também nos parece ajustado analisar Thank Your Lucky Stars à sombra de Depression Cherry.


Os Beach House em estúdio.

Quando comparamos ambos os LP, o facto é que Thank Your Lucky Stars está num local bastante distante do planalto de reverbs e shoegaze arquitectado em Depression CherryOs Beach House de Thank Your Lucky Stars não estão tão centrados na produção de um monólito etéreo e primam pela produção de uma pop sensível com o auxílio de sintetizadores e teclados. Em Thank Your Lucky Stars temos uns Beach House mais individualistas. Individualismo esse que é audível na expressão dos instrumentos e na voz de Victoria Legrand. As camadas que compõem a paisagem sonora de Thank Your Lucky Stars são mais perceptíveis e fáceis de dissecar do que as de Depression Cherry. As teclas e os sintetizadores perdem destaque para as guitarras. A voz de Legrand destaca-se da instrumentação e alcança o seu próprio patamar. Por tudo isto, respira-se muito mais “pop” do que “dream” em Thank Your Lucky Stars. Mas à semelhança de Depression Cherry — e à imagem da obra dos Beach House — a mensagem da sua música encontra-se enraizada nas mais primárias emoções humanas: a saudade, a paixão, a ansiedade, a nostalgia, o amor, a morte…enfim, a vida. 


 

Na nossa review ao Depression Cherry, afirmámos que este era um álbum de inverno lançado no verão. Se tal é verdade, Thank Your Lucky Stars é um álbum de verão lançado em pleno outono. Ainda que ambos os álbuns tenham sido gravados na mesma sessão de estúdio, as canções que compõem Thank Your Lucky Stars foram escritas entre julho e novembro de 2014 — imediatamente após a escrita das canções que compõem Depression Cherry. Tal facto condicionou a sonoridade das canções, resultando numa atmosfera quente e pop que se distancia da do seu antecessor. Conseguimos quase testemunhar duas versões diferentes dos Beach House: uma mais "dream" em Depression Cherry e outra mais "pop" em Thank Your Lucky StarsDir-se-ia até que a sonoridade dos Beach House de Thank Your Lucky Stars está mais próxima da dos Beach House que surgiram no ano de 2006. Por esse facto, não deixa de ser curioso o facto de Thank Your Lucky Stars ter sido gravado na mesma sessão de estúdio de Depression Cherry. 


Apesar de todas as tentativas de separar Thank Your Lucky Stars do seu antecessor e tentar analisá-lo em vácuo, o curto intervalo de tempo que separa os dois LPs inviabiliza esse exercício. O intervalo de tempo entre os dois discos é demasiado curto e as diferenças entre os dois álbuns são demasiado notórias para não ser pertinente uma análise de Thank Your Lucky Stars à luz daquilo que o distingue de Depression CherryAs comparações são também inevitáveis porque ainda não tivemos tempo de digerir Depression CherryHaverá quem defenda que nunca podemos ter demasiado de uma coisa boa. De facto, tanto Thank Your Lucky Stars como Depression Cherry são álbuns brilhantes. Mas precisamente por serem álbuns excelentes é que consideramos que estes deveriam ter um espaço de tempo considerável a separar cada um deles. Isso evitaria exercícios de comparação entre os dois álbuns (iriamos analisar o álbum enquanto álbum e não enquanto conjunto) e daria tempo para que o álbum fosse devidamente absorvido pelo seu ouvinte. Acreditamos que o segundo ponto sai prejudicado pelo primeiro. Por tudo isto, é impossível analisar ambos os álbuns em vácuo, quando ainda mal tivemos tempo para encaixar um deles.

Por outro lado, nenhum exercício de comparação que possamos fazer entre os dois LPs lesa os Beach House. Afinal de contas, estamos a comparar dois discos da mesma banda e ambos excelentes por sinal. Mais ainda, os Beach House não têm nada a provar. A sua discografia é excelente e, enquanto banda, os Beach House serão talvez uma das maiores referências — se não "A Referência" — da dream pop actual.

Relembramos nesta review que os Beach House vão brevemente iniciar a sua extensa tour europeia e que esta vai passar por Portugal — mais precisamente pelo Armazém F em Lisboa (os bilhetes para este concerto já estão esgotados) e pelo Teatro Sá da Bandeira no Porto. A última vez que os Beach House estiveram entre nós foi em 2013, para apresentarem o Bloom. A digressão que vai trazer os Beach House até nós em novembro deste ano foi agendada ainda antes do lançamento de Depression Cherry. Portanto, os Beach House trazem não um, mas dois álbuns novos para apresentar ao vivo. Estamos em pulgas. 

Enquanto novembro não chega, fiquem com o vídeo do malhão de Thank Your Lucky Stars e com as letras do mesmo para irem aprendendo.


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