sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

[Review] Hinds - Leave Me Alone


Leave Me Alone // Mom + Pop // Janeiro 2016

6.7/10

As madrilenas Hinds, quarteto feminino garage pop que tem vindo a conquistar o mundo com o seu indie descomprometido e lo-fi, lançou recentemente o álbum de estreia Leave Me Alone. A banda composta pelas vocalistas Carlotta Cosials e Ana García Perrote tem vindo a demonstrar desde 2014 um pouco do seu trabalho, com o lançamento de diversos singles e demos. Depois da mudança de nome por motivos legais, abandonando o nome de formação original Deers, do lançamento de uma compilação pela Burger Records e de duas presenças em Portugal, no Vodafone Mexefest de 2014 e na última edição do festival Paredes de Coura, a banda espanhola atreveu-se este ano no seu primeiro disco de originais pela editora Mom & Pop.

Com uma produção lo-fi e músicas cantadas de forma algo caótica, com os vocais distribuídos entre Cosials e Perrote, Leave Me Alone mostra-nos um conjunto de faixas simples mas eficazes, com refrões catchy e animados como o single de estreia “Bamboo” ou a desenfreada “San Diego”, que se destaca como sendo uma das melhores faixas do álbum. A fórmula soa, por vezes, repetitiva. As suas faixas não diferem muito uma das outras, como se verifica no tema de abertura, “Garden”, que possui um início muito semelhante a “Bamboo”. Em Leave Me Alone nota-se uma clara influência da cena medway, inspirado em bandas como The Delmonas e Thee Headcoatees, as últimas recebendo inclusive uma interpretação do seu “hit” “Davey Crockett” por parte do quarteto madrileno.Num álbum cheio de energia e música bem disposta, fogem à exceção “Solar Gasp”, um instrumental influenciado pelo lado mais psicadélico da pop dos anos 60, e “And I Will Send Your Flowers Back”, uma das canções mais frágeis do disco.

As Hinds são quatro raparigas que vivem a vida do modo que lhes apetece, sem grandes regras e preocupações. Leave Me alone é, por isso, um álbum algo irrefletido e sem grandes pretensões que pode não agradar a todos. As suas músicas não possuem grandes arranjos técnicos, os seus instrumentais não são exímios e as suas letras podem ser ingénuas e adolescentes, com temas banais e repetitivos mas que caraterizam o som destas raparigas. No entanto, é esta descontração e simplicidade que torna este grupo tão interessante. O caos e a animação das suas músicas é contagiante, fazendo do seu álbum de estreia uma autêntica festa, festa que poderá ser comprovada no próximo mês de Fevereiro em Lisboa e no Porto com os concertos de apresentação do álbum.