terça-feira, 26 de janeiro de 2016

[Review] Ty Segall - Emotional Mugger



Emotional Mugger // Drag City // Janeiro 2016
7.4/10

É impossível contar o número de álbuns que Ty Segall já lançou. Já nem sequer tem graça fazer piadas em relação a isto. O importante é que todos continuam com qualidade e que Emotional Mugger não quebra esse ritmo. Discutivelmente, o álbum mais abstracto de Ty até à data, depois de lançar Sleeper, que contava com uma vertente mais acústica, e Manipulator, com um rock mais direto. Surge agora um novo devaneio na mente deste californiano loiro, com umas intervenções de um sintetizador programado por um cientista maluco e com umas guitarradas eléctricas como se esta estivesse em chamas.

Os temas das letras são bastante abstractos e as letras bastante estranhas, o que pode ser comprovado pelo facto de as primeiras quatro musicas fazerem referências literais a doces (há também uma música chamada "Candy Sam"). Ao longo do álbum são também feitas referências a mulheres distantes e gigantes. Estes elementos combinados criam uma sensação de infantilidade que, para além das letras, é sentida pelo caos gerado pelo instrumental barulhento, bruto e descuidado.

Este álbum apresenta o que Ty Segall nos tem habituado, desde a sua voz angelical até aos solos suados com o excesso de fuzz, prendendo-nos com novos elementos como a introdução de sintetizadores e uma onda completamente abstracta e non-sense, não só nas letras e temas das músicas, mas também sentido pelo instrumental. 

Não me irá surpreender se alguém me disser que não gosta deste álbum, visto que tem elementos que podem estranhar a muitos. Caso não estejam completamente dispostos a aceitar esta face mais autista do músico, este rapidamente se torna um álbum que não ficará na memória. Fiquem com a minha opinião e dêem uma oportunidade ao garage rocker mais trabalhador do mundo que ele certamente não vos vai deixar mal. 


Texto: Hugo Geada