domingo, 28 de fevereiro de 2016

Myrkur - quando o black metal veste um vestido


Foi com enorme excitação que foi recebida a notícia de que Deafheaven iria regressar a terras lusitanas para realizar dois concertos, mas foi com curiosidade que descobrimos que Myrkur iria fazer a primeira parte do espectáculo. 

O que é afinal “Myrkur”? 

Para começar, Myrkur (que quer dizer trevas em islandês) é um projecto musical de black metal da dinamarquesa Amalie Bruum. Esta conta com dois álbuns, sendo o primeiro, homónimo, interpretado exclusivamente por Amalie que assume todas as funções vocais e instrumentais (excepto a bateria) e ainda o produziu por conta própria. Este álbum foi recebido com críticas mistas por parte de críticos e fãs, não só pelo conteúdo musical, mas porque inicialmente o líder da banda foi mantido em anonimato. Muitos questionaram esta decisão como sendo apenas mais uma técnica de publicidade e marketing e que toda a fama e sucesso do álbum foi devido a esta jogada publicitária. No entanto, foi suficiente para o site Consequence of Sound considerar Myrkur como a nova melhor artista de Metal de 2014. 

Muitos ainda criticaram Amalie por esta ter um passado muito pouco “black metalesco”, uma vez que ambos os seus álbuns foram lançados por uma grande editora, Relapse Records (que conta com uma grande variedade de artistas como Obituary, Dying Fetus ou Windhand), e não seguindo o duro caminho de após variados lançamentos finalmente conseguir atingir a fama. Podemos referir também que Amalie possui uma banda de alt-rock chamada Ex-Cops, cujo último álbum foi produzido por Billy Corgan dos Smashing Pumpkins, curiosidade esta que não ajuda a melhorar a sua reputação perante os fãs mais elitistas do black metal puro. 

Agora com a identidade revelada, a banda de Amalie tinha nas mãos a tarefa de provar que o sucesso de Myrkur não está apenas na gymnick do líder anonimo e que apesar do seu “pedigree” conseguiria afirmar-se como um dos nomes mais fortes do black metal contemporâneo. M, o segundo álbum da banda iria surgir para responder a todas estas respostas. 


M conta com uma produção mais peculiar, notada até pelo aumento de intervenientes na criação do álbum, nomeadamente pelos músicos convidados - Teloch, atual guitarrista da icónica banda Mayhem e Øyvind Myrvoll baterista dos Nidingr - e a escolha do próprio produtor do álbum, que foi entregue a Garm da banda Ulver. As expectativas tornaram-se realidade, uma vez que M foi recebido de braços abertos pela crítica, sendo louvado por diversos sites sobre música, chegando mesmo a ser considerado pela revista dinamarquesa Gaffa como o melhor álbum de hard rock do ano. 

Este álbum incorpora influências de gothic metal, de várias bandas da segunda vaga de bandas de black metal, como Mayhem, Burzum e Darkthrone, post-metal atmosférico e darkwave, mas as influências não se restringem apenas a metais pesados, estas passam também pelo folk escandinávico e pela musica clássica. 

Agora vamos passar ao que os leitores esperavam ler. O que podemos nós esperar do concerto de Myrkur pelas salas portuguesas? Podem contar uma setlist fortemente influenciada por M. Podem esperar ver os vários talentos de Amalie Bruum, desde o seu incrível alcance vocal, que varia desde as mais belas notas limpas até aos mais brutais gritos rasgados, e podem contar ver esta a mostrar os seus dotes com uma guitarra na mão. Preparem-se para uma onda imensamente forte de emoções que, certamente, irão ser sentidas na flor da pele. 



Os concertos estão marcados para dia 4 de março no RCA Club - Lisboa e para 5 de março no Hard Club - Porto, as portas irão abrir às 20h30 e os concertos terão início por volta das 21h30. Os bilhetes, em ambos os recintos, estão à venda por 20€, sendo que podem ser adquiridos para o concerto de Lisboa no RCA Club, Glamorama, Vinil Experience e Flur, e para o concerto do Porto no Hard Club, na Louie Louie, Matéria Prima, Piranha, Black Mamba e Bunker Store. Ou se forem umas lontras preguiçosas sempre podem dirigir à loja online da Amplificasom (Amplistore). O concerto está a ser promovido como parte das Amplifest Sessions, um aquecimento para o festival de nome próprio.

Hugo Geada