terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Reportagem: O Salgado Faz Anos... Fest! [Maus Hábitos, Porto]



Sábado foi dia da terceira edição de O Salgado Faz Anos... Fest!, a festa de aniversário de Luís Salgado que se torna numa espécie de festival e que contou, mais uma vez, com uma edição lotadíssima acompanhada de um belo cartaz. A noite começou pelas 22h no Palco Wav, com as lisboetas Clementine a abrir as hostes com o seu rrriot girl cheio de raiva e energia. Dos Osso Vaidoso, que se seguiram no Palco Salgado meia hora depois, só vimos 15 minutos de concerto, onde pudemos assistir a algumas interpretações de poemas de artistas surrealistas portugueses como Mário Cesariny e Alberto Pimenta, cantados em estilo spoken word por parte da vocalista Ana Deus, acompanhada pelos experimentalismos de guitarra de Alexandre Soares.

Os Ghost Hunt começaram o seu concerto de forma algo adormecida, mas assim que os sintetizadores entraram com mais destaque, a coisa tornou-se bem mais entusiasmante, com o seu rock espacial e krautrock a transportar-nos para uma viagem mental e colorida.

Às 23h30, a casa encontrava-se finalmente cheia para a atuação dos Equations, um dos concertos mais aguardados da noite com a banda a receber o estatuto de “cabeças de cartaz” da noite. A banda apresentou ao vivo o poder do seu mais recente disco de estúdio Hightower, um dos melhores discos nacionais do ano passado, passando por temas como “Ascent” e “Echoing Green”, aproveitando também para relembrar um ou outro tema do seu disco de estreia “Frozen Caravels”. Houve ainda tempo para apanhar algumas músicas dos grandes The Sunflowers, que nos apresentaram mais um concerto cheio de energia punk e garage rock, com muito suor e moche ao som de hinos como “Charlie Don´t Surf” e “Zombie”, terminando o concerto com um grande momento, onde baterista e guitarrista trocaram de funções para uma grande interpretação de “I Wanna Be Your Dog”, dos míticos The Stooges.

Na sala principal faziam-se os preparativos para mais uma atuação intensa. Os regressados Plus Ultra, o power trio composto por Gon (Zen), Azevedo (Mosh) e Kino (Ornatos Violeta), apresentou-se no Palco Salgado com uma plateia a abarrotar. O concerto foi, como sempre, caótico e puro em rock n’ roll, cheio de moche e crowdsurfing por parte do público, que vibrava ao som dos clássicos da banda portuense, com Gon a juntar-se à festa e ao crowdsurfing, puxando pelo público constantemente.

A hora das 01h30 era a mais complicada da noite, com dois concertos em simultâneo por parte de dois grandes grupos portugueses. Com dificuldade em escolher entre uma e outra, optamos por assistir a meia hora de cada um dos concertos, começando assim pelos HolyNothing, que nos apresentaram algumas das faixas do seu mais recente disco Hypertext, abrindo o concerto com um dos seus primeiros singles, “Cumbia”. No outro palco, atuavam os caldenses Cave Story, que deram mais um grande concerto como nos têm vindo a habituar. Interpretando temas do seu mais recente EP, a banda mostrou-nos o seu excelente post-punk com temas como “Richman” e a muito Mark E. Smithiana “Southern Hype”.

A noite não se ficou pela atuação das bandas, seguido de uma série de dj sets para continuar a noite, com Sensible Soccers (dj set), Nunos Dias, entre outros a escolher a banda sonora que iria animar um resto de noite bastante longo, como seria de esperar, terminando, assim, mais uma grande edição do aniversário de Luís Salgado, que nos tem vindo a presentear ao longo destes três anos com grandes festas e grandes alinhamentos, fazendo da sua festa a nossa festa. Resta-nos, então, congratulá-lo por isso. Parabéns, Salgado!


O Salgado Faz Anos... Fest!

Texto: Filipe Costa
Fotografias: Ana Carvalho dos Santos