domingo, 7 de fevereiro de 2016

Reportagem: Orelha Negra [Hard Club - Porto]


No passado dia 30 de Janeiro, o Hard Club recebeu uma das bandas mais emblemáticas do panorama nacional. Os Orelha Negra estão de regresso, muito aguardado por todos, depois de três anos sem lançar para o mercado um registo discográfico. O próximo está prometido para esta Primavera, contudo, a banda deliciou-nos com uma hora de novo material. E só por si, conseguiu esgotar o Hard Club

De todos os lados, sentia-se um clima de curiosidade e de quase impaciência para a banda pisar o palco. Tal aconteceu às 22h00, quando as luzes se apagam e o clima eruptivo esbate na plateia. O público, embora as canções sejam tocadas pela primeira vez, parece já saber o que esperar, não que elas se repitam em termos de sonoridade do que já foi feito, mas por esperarem a qualidade habitual de um concerto dos Orelha Negra



A banda presenteou-se sob luzes fracas em tons negros, para que o produto se eleve e não a imagem. Quando falamos em produto falamos na música e, nesse, aspeto, foi uma noite rica em todos os sentidos. Por pena nossa, não conseguimos ter acesso à setlist e também sabemos que a banda não gosta de catalogar e meter nome ao seu material, pelo que provavelmente estas novas músicas nem nome têm, mas podemos assegurar que o Hard Club presenciou momentos únicos, de grande auge melódico. Há mudanças nos Orelha Negra. Nota-se uma grande diversidade sonora. Enquanto o primeiro álbum centrava-se num soul mais clássico, com momentos funk e rock'n'roll e o segundo apostando na mesma riqueza sonora, mas adicionando ainda mais sonoridades como hip-hop e soul mais moderno, desta vez, o novo material não se destaca pela mudança de sons, mas sim por uma maturidade muito mais sentida. Deste modo, temos melodias mais complexas, muito mais complexas, mas que a banda sabe das suas elevadas competências para a mostrar. 




O público recebeu-a de braços abertos e o Hard Club tornou-se numa enorme pista de dança e numa pista de emoções. As samples estão com uma qualidade destemida, mostrando que os Orelha Negra voltaram mais coesos e com personalidade. Desde batidas e compassos pormenorizados, que são um verdadeiro mimo para os mais atentos, até samples mais curiosas. Estas estão mais arrojadas que nunca, sendo uma fusão de adrenalina quando se mistura hip-hop, soul, funk, jazz e até rock. Damos o exemplo de um mash-up de “Bitch Don’t Kill My Vive” de Kendrick Lamar, alterado para “Drake Don’t Kill My Vibe”, depois de passarem uma sample da mais recente música do artista: “Hotline Bling”. 



No final, ainda tivemos tempo para um encore que suscitou numerosos aplausos: os Orelha Negra mimaram-nos com músicas mais clássicas do vasto reportório que já dispõem: “961919169”, “Throwback” e “M.I.R.I.A.M.”. No final, além da satisfação geral de todos, fica a ânsia de poder ouvir o novo material em formato digital, nos nossos computadores. Sejam rápidos Orelhas!


Fotografia: Pedro Pereira
Texto: Mário Jader