sábado, 6 de fevereiro de 2016

[Review] dB - 4400 OG


4400 OG // Biruta Records // Janeiro 2016

8.0/10

O produtor e beatmaker dB, nome artístico de David Besteiros, conhecido pelas frequentes colaborações com PZ em faixas como “Cara de Chewbacca” e “Tu és a Minha Gaja”, e pelo seu projeto Corona, um dos mais interessantes grupos do hip hop português que conta já com dois álbuns no seu repertório, os conceptuais Lo-Fi Hipster Sheat (2014) e Lo-fi Hipster Trip (2015), regressou em 2016 para o lançamento do seu quarto registo a solo. Depois de três registos instrumentais  - [Retro]Activo (2012), [Beat]erapia (2012) e Black Cobra (2014) –  o artista proveniente de Vila Nova de Gaia está de volta com 4400 OG (4400 = Código Postal de Gaia, OG = Original Gangsta), um álbum em homenagem à sua terra natal que tem, na sua essência, o sampling como forma de passar a mensagem e referências do produtor.

4400 OG é um álbum composto por 27 faixas de curta duração, à exceção de  “#150ml”, tema que serviu de single de apresentação. Para a produção dos beats, dB parte à recolha de material áudio relacionado com a sua cidade natal através de excertos de notícias de televisão  retiradas de pérolas da sempre polémica e caricata CMTV, cujos intervenientes samplados “são de Gaia, ou estão a falar de Gaia", como refere num artigo para o Rimas e Batidas. Relatos de roubos menores, o sequestro de uma senhora que se recusa a fazer sexo com o seu marido ou pessoas a levar com tijolos na cabeça são apenas algumas das situações absurdas e caricatas que dB implementa nos seus beats. À semelhança do que fez em Lofi Hipster Sheat, cujos instrumentais eram feitos à base de samples retirados de música psicadélica e progressiva das décadas de 60 e 70, em 4400 OG, DB parte à descoberta de bandas sonoras do cinema europeu da década de 70.

Neste quarto registo a solo do produtor, nota-se a clara influência do malogrado J Dilla, cujo emblemático Donuts fez recentemente 10 anos e de onde dB confessa ter se inspirado para a execução do seu novo trabalho. Neste novo registo, faz também referencia a outros artistas como PZ, samplado em “Os Meus Manos”, o amor por Beatriz Gosta nas faixas “Eu Gosto da Beatriz Gosta” e “Xuxa Matinal”, e na referência ao rapper norteamericano Joey Badass na faixa com o  mesmo nome. “Gaia, a Minha Life” serve como despedida a uma viagem por uma Vila Nova de Gaia de retrato deturpado, mas realista, com dB a homenagear, mais uma vez,  todos aqueles que o acompanham na sua vida pessoal e criativa e que tanto inspiram este seu novo trabalho.

4400 OG comprova que dB é um dos melhores produtores e beatmakers portugueses, que através da sua sonoridade descontraída de atitude provocadora, produz alguns dos beats mais interessantes do circuito hip hop português. A sua música não é para qualquer ouvido e os fãs mais acérrimos da música hip hop em Portugal poderão não se ambientar muito bem ao seu som, mas 4400 OG é um grande exercício de produção que demonstra, mais uma vez, que este é um dos nomes a seguir da nova música portuguesa.