terça-feira, 17 de maio de 2016

Oiçam: Odyssey Os Argonautas


João Alves, 22 anos, músico e técnico de som é Odyssey os Argonautas


E o que é Odyssey Os Argonautas?

São sons que exploram o imaginativo, criado por muitas ambiências e texturas. 
João é um artista independente e fez tudo como quis, tentando passar a sua visão. Tocou, gravou, mixou tudo e até fez a própria capa do duplo single homónimo, editado no início deste mês.



Estivemos à conversa com João sobre o seu projeto Odyssey Os Argonautas, o seu single duplo, as suas influências, o processo de composição, o seu futuro álbum e atuações ao vivo.

Projeto: Odyssey Os Argonautas

Começei este projeto para passar o que quero dizer às pessoas, em busca de uma dimensão sonora. Só o próprio nome para mim já explica imenso o projeto. Trata-se de uma odisseia em que eu e as pessoas que estão a ouvir se tornam argonautas. Muito resumidamente, um argonauta é um descobridor que vai à procura dos seus ideais. O meu projeto será isso, uma odisseia em que estou à procura, à descoberta, tendo já uns ideais e sentimentos que quero transmitir às pessoas.

Single duplo

Este duplo single ainda é mesmo só uma ínfima parte do projeto num todo. Quis lançar este duplo single, mesmo só estas duas músicas porque me fez sentido ser só estas duas, pela sua composição sonora. Quis que funcionasse como uma introdução para o meu som, para o que quero e o que vem aí.

Neste single duplo imaginava uma travessia do deserto - um deserto em termos de ideias, ideais, seguimentos de vida e o próprio custar da vida, por muitos fatores, mente humana, politica, economia, em que há no fim uma realização do ideal que quero atingir e por onde vou seguir, do que quero com este projeto. Os instrumentos que uso, a ambiência e o sentir-se muito arabesco conseguiram recriar esse espaço sonoro. 


Influências

Influências do meu som, não considero que tenho diretas. Percebo que o meu som faça lembrar essas influências por gostar mais de certas bandas, tais como Pink Floyd, Tame Impala, Temples, Sun Ra, King Crimson, Ravi Shankar, entre outras. Estas são bandas que aprecio bastante. Acho que no início da carreira de um músico as influências estão muito presentes. 

Sinto também que tenho bem delineado o meu projeto e que consigo ter uma identidade própria. No entanto, sinto ainda que tenho nos meus sons alguma influência de certas bandas que gosto. Para mim o álbum vai ser um bom ponto para definir melhor o meu som e ter uma identidade própria, apesar de sentir também que consegui com este duplo single uma sonoridade bem composta e própria num todo.

Composição

O processo criativo para mim está muito bem delineado. Este projeto é quase como criar uma odisseia/epopeia, em que com cada álbum vou contando histórias, criando espaços sonoros, que acho que façam sentido com a parte da história onde vou. 

No processo criativo eu imagino as músicas na minha cabeça, ou estou a tocar e certas composições nascem. Depois só tenho que as por totalmente cá para fora, o som num todo, no papel, na gravação. Daí um grande trabalho no processo da composição, porque queria soar como eu imaginava as músicas. Imagino a cena, o desenrolar das cenas na minha cabeça e só depois passo para o nível sonoro, escolhendo certos instrumentos e linhas que permi criar a dimensão sonora do meu som.

Quis ser eu a fazer tudo. Já estive noutros projetos e quando nem todas as pessoas estão mesma sintonia eles custam a arrancar, ou há choque de ideias. Eu com este tinha uma ideia já muito definida e queria passá-la como eu a imagino. E por conseguir fazer todos os aspectos como tocar, mixar sozinho, segui em frente, não estando dependente de ninguém. Aprendi a tocar tudo sozinho, andei no conservatório, onde estudei percussão, mas não o completei. Foi o que meu deu a formação musical, e com essa formação aprendi por mim sozinho piano, guitarra e baixo.

Também tirei o curso de Som na Restart onde então aprendi a misturar música, Ao saber todos os aspectos de como tocar e mixar para realizar o meu projeto, e por ter uma ideia deste projeto como o quero passar as pessoas muito bem definida, não necessito de pessoas para realizá-lo. 

Fazer tudo sozinho não é nada fácil, há muita dor de cabeça porque não estou dividido em 4 ou 5 pessoas, então o processo de criação não é tão rápido. Passar uma sonoridade num todo estilo banda, sozinho também não é fácil. Ainda me falta aprender muito tecnicamente cada instrumento e dominar o próprio som como quero, até a nível de técnico de som. Formei-me há pouquíssimo tempo em som (7 meses), então ainda não domino a parte de mixagem como quero. Tenho ainda que trabalhar muito a esse nível

Até a própria capa fui eu a realizá-la. Inicialmente era para ser uma bastante diferente, e já estava decidido que ia ser outra capa porque era o que eu inicialmente tinha imaginado. Mas ao andar a ver uma ideias, aconteceu um acidente que se tornou num bom acidente. Senti que esta capa era mais criativa e apelativa e que no fundo tinha mais relação com a imagem que cria passar de som.

Concertos

Para tocar as minhas músicas ao vivo vou precisar de músicos que me acompanhem. Quero ter mais reportório musical e preciso de encontrar elementos para poder fazê-lo, mas só depois de praticarmos bastante para conseguir passar musicalmente o que quero ao vivo. Para mim um álbum e um espectáculo são duas abordagens diferentes. 

Quero manter a minha identidade clara ao vivo e ao mesmo tempo dar um concerto memorável. Antes de lançar o próximo álbum gostaria de dar uns espectáculos ao vivo por isso também não falta muito tempo para que isso aconteça.

Expectativas para o álbum

Em termos pessoais, espero que o álbum corra como imagino. Sinto que ainda falta praticar muito. Tenho que me tornar num músico melhor, melhores composições musicais, tocar melhor e ser um técnico de som ainda melhor para conseguir passar a dimensão sonora que quero. Estou só dependente de mim, por isso é trabalhar muito até estar ao nível que quero estar.

Já tenho a ideia do álbum construída daí querer lançar este single duplo à parte. Para mim a ideia que queria do single duplo não encaixa no álbum, já que nele falo de outras coisas.