domingo, 8 de maio de 2016

Reportagem: Damien Jurado [Musicbox - Lisboa]


Num dia de primavera bem quente, nada como terminá-lo com uma visita a Oregon, E.U.A, territórios por onde Damien Jurado nos ensinou a viajar e onde foi gravado Visions of Us On The Land, álbum editado este ano pela Secretly Canadian.

Cheguei ao Musicbox por volta das 21h30 e, com tempo livre, decidi apreciar uma boa imperial ao som de Shields dos Grizzly Bear. Às 22h05, Tamara Hope entra em palco acompanha por Eric, baterista. A casa ainda se encontrava um pouco vazia, talvez umas 60 a 70 pessoas, quando a artista canadiana, que editou o Loyalty em 2015 sob o nome de The Weather Station, começou o concerto. Folk carinhoso e capaz de nos transportar para as planícies mais campestres que conseguirem imaginar foi o que se pode ouvir, acompanhado por uma bateria minimalista capaz de proporcionar uma atmosfera íntima.

"Que bom estar nesta cidade linda", rematou Tamara entre umas das músicas do concerto. Numa das músicas a artista chamou ao palco a amiga Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) para partilharem as suas vozes. A casa foi enchendo, tendo o concerto terminado às 22h40 com um dos meus temas favoritos, "Tapes". Foi um óptimo concerto por parte da artista canadiana, uma espécie de Laura Marling mais virada para territórios country.


Chegaram as 23h00, a sala já estava cheia e Damien Jurado apareceu em palco com a sua banda. Damien sentou-se na sua cadeira e a viagem espiritual começou com "Silver Timothy", single de Brothers and Sisters of the Eternal Son editado em 2014. Logo à partida, foi possível notar o reverb sonoro na voz de Damien, elemento característico nos últimos três trabalhos do norte-americano, que compõem uma triologia - Maraqopa (2012), Brothers and Sisters of the Eternal Son (2014) e Visions of Us On The Land (2016).

Segui-se o tema "Magic Number", também do álbum editado em 2014 e foi a vez de Visions of Us On The Land  entrar em acção com "Exit 353", "Lon Bella" e "Mellow Blue Polka Dot", tema que se destacou no concerto.  O público já se encontrava bastante entusiasmado e só agora é que receberam os primeiros agradecimentos por part de Damien.

"This Time Next Year" de Maraqopa deu um toque mais bossa nova e tropical ao concerto, seguindo-se "Sam and Davy", "Silver Donna" e "QACHINA". Os músicos iam ficando mais soltos, com maior desta para a guitarrista que mostrava os seus dotes. Nestes últimos temas abateu-se uma vibe mais progressiva e krautrockiana que em estúdio não é tão audível, muito por culpa dos sintetizadores.


Foi com "TAQOMA", do último Visions of Us On The Land que Damien largou a guitarra acústica e pegou num pau-de-chuva. Cantando com mais fulgor, acompanhado pela sua orquestra de baixo, guitarra, bateria e sintetizadores, interpretou o melhor tema da noite. Com o concerto a terminar, Damien e apresentou os seus músicos e todos abandonaram o palco.

O público reagiu com as habitual palmas e assobios a exigirem o regresso da banda para mais umas canções. E assim aconteceu. Damien voltou ao palco sozinho para interpretar dois temas mais acústicos e intimistas, "Kola" de Visions of Us On The Land  e "Museum of Flight" de Maraqopa. Entre estes temas acontece um episódio caricato em que o cantautor pediu aos responsáveis da sala para desligar uma ventoinha que fazia um barulho ensurdecedor, impossibilitando que nem o próprio ouvisse o que estava a cantar e tocar. Tivemos todos de aguentar uns minutos de temperatura mais elevada.

"Nice to be back in Portugal" disse Damien, sendo este um dos últimos espetáculos da tour antes do artista regressar à América. Acrescentou também que gostava de fazer tours pois eram boas para relaxar e agradeceu ao público por ter vindo e por se ter comportado exemplarmente. Ao todo foi uma hora de concerto de música que ao vivo atinge um caráter mais experimental, psicadélico, em que o ruído é mais abragente, proporcionando um maior interesse ao espetador.

Damien Jurado @ Musicbox

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Diogo Cruz