domingo, 15 de maio de 2016

Reportagem: Tim Hecker [GNRation - Braga]



Na passada segunda feira fomos ao GNRation, em Braga, para assistir ao regresso de Tim Hecker ao nosso país. Depois de um concerto cancelado na última edição do festival Semibreve, o artista canadiano regressou novamente a Braga para apresentar o seu mais recente disco Love Streams, que marca a estreia do canadiano pela britânica 4AD, editora de nomes como Cocteau Twins, Pixies e This Mortal Coil, e que apresenta uma ligeira mudança na sonoridade do autor de Ravedeath 1972.

A sala encontrava-se bastante composta e completamente às escuras quando se começam a ouvir os primeiros sons, ainda quase inaudíveis. Tim Hecker encontrava-se já em palco, escondido na escuridão. O som torna-se cada vez mais perceptível e começa-se a reconhecer a primeira faixa, “Obsidian Counterpoint”, que serve de abertura para o mais recente disco a apresentar. Linhas de luzes coloridas surgem do fundo das paredes, mas Tim Hecker mantém-se na penumbra, como se iria manter durante todo o concerto. A música atinge níveis de volume máximos capazes de estremecer as paredes da Blackbox, num set marcado pela música ambiente hipnótica de composições minimalistas e arranjos noise, apresentado num cenário misterioso complementado pelo jogo de luzes ténue que se vislumbrava pelo meio da escuridão, resultando numa performance enigmática e propícia a momentos de reflexão e introspeção.  Num concerto essencialmente focado em apresentar o seu mais recente trabalho, houve ainda espaço para “Virginal II”, do antecessor Virgins, para agrado de alguns fãs que contavam ouvir algum do trabalho anterior do artista.


O concerto terminou de forma algo abrupta, depois de ouvirmos a excelente “Black Phase”, que também encerra Love Streams, com o tema a terminar de modo abrupto e pouco subtil, num concerto que falhou pela sua curta duração contando com apenas 45 minutos de música, deixando um pouco a desejar para um estilo de música que se quer longo e prolongado. Não deixou de ser, no entanto, uma bela oportunidade para ver um dos nomes mais consagrados e adorados da música experimental contemporânea. Apesar da sua curta duração, a prestação de Hecker foi competente e agradável e reforçou Love Streams como um dos melhores lançamentos deste ano.


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Hugo Sousa/gnration