domingo, 26 de junho de 2016

Reportagem: Kikagaku Moyo + Asimov [Galeria Zé dos Bois - Lisboa]

© Vera Marmelo

Antes deste domingo na Galeria Zé dos Bois, confesso que ainda era um ouvinte amador de Kikagaku Moyo, já conhecia há algum tempo sim, mas nunca dei a atenção devida, talvez por não ter tido ainda a oportunidade de os ver, mas das primeiras vezes que ouvi em casa lembro-me de ter pensado - ‘Isto deve ser qualquer coisa de outro mundo ao vivo’. A noite estava infernal, quem ia chegando à ZDB já conseguia sentir o calor de uma das noites mais quentes deste verão. Algumas pessoas, depois de tanto andar, transpirar de calor e cansaço, chegavam ao seu destino com a notícia de que os bilhetes estavam esgotados, mas em compensação, ainda receberam duas garrafinhas de gin da Beefeater para atenuar o desgosto. Lá dentro o ambiente era o que se costuma ver na ZDB, as conversas descontraídas à porta do aquário, acompanhadas de cerveja, tabaco e pouca luz, o habitual clima amoroso desta casa lisboeta.

Pouco depois das 22h, os Asimov entraram em palco para abrir esta noite nipónica, vieram mostrar algumas malhas do seu último álbum, Truth, que foi editado no passado dia 24 de março. 


© Vera Marmelo
© Vera Marmelo
© Vera Marmelo
O rock primitivo dos Asimov tomou conta do Bairro Alto. Se a guitarra cheia de fuzz e a poderosa bateria pudessem ser ouvidas no Largo de Camões, naquela noite, isso não impressionaria a ninguém dos que estavam na ZDB. O ambiente era o que a banda lisboeta proporcionava, com os solos ‘Hendrixianos’ a fazer algumas pessoas fechar os olhos e desfrutar deste concerto, que durou menos de uma hora, mas que foi bem suficiente para os Asimov conquistarem alguns novos fãs.

Pouco tempo depois do fim deste concerto, já podíamos ver os Kikagaku Moyo a preparar o seu palco. O aquário estava cada vez mais cheio, e algumas caras, por esta altura, já expressavam a mistura de ansiedade e felicidade enquanto este concerto não começava. Podemos associar a origem dos Kikagaku a uma história, em como antigamente eram uma banda tradicional japonesa, a viajar numa estrada remota pela terra do sol nascente, e no meio dessa sua viagem, encontram os Led Zeppelin a pedir boleia para a cidade mais próxima. No meio dessa boleia fictícia, a banda britânica decide dar um concerto privado para os Kikagaku Moyo num monte japonês, enquanto o sol se punha. Esta história poderia acabar com Jimmy Page a oferecer o seu pedal de fuzz à banda japonesa, e simultaneamente, a passar os seus ensinamentos. 


© Vera Marmelo
© Vera Marmelo
© Vera Marmelo
© Vera Marmelo
Durante este concerto na Galeria Zé dos Bois, haviam contrastes entre uns Kikagaku Moyo mais calmos, com guitarras e ritmos leves a acompanhar a sitar, e de um momento para o outro, mostravam-nos uma faceta completamente diferente, mais distorcida e poderosa. Isto tudo fez da ZDB uma pista de dança (independentemente do calor intenso dentro do aquário), mas ao mesmo tempo, um templo onde podíamos meditar e refletir no universo. No final, onde ainda houve direito a um encore, a banda japonesa agradecia profundamente aos que estiveram lá, com a promessa de que voltariam à ZDB no próximo ano. A experiência de ver Kikagaku Moyo para mim, pela primeira vez, foi algo que supera a compreensão humana das emoções, algo que apenas os que estiveram lá conseguem compreender. 

Ficamos à espera de vocês para o ano, Kikagaku Moyo.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Vera Marmelo (cedidas pela Galeria Zé dos Bois)