segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Festival Contracorrente: Bandas a não perder


Era uma quarta feira de calor abrasador e sem nada para fazer. Estava a contar continuar a ver Neon Genesis Evangelion de cuecas enquanto amaldiçoava o calor que entrava pela minha janela. Até que os anjos da produtividade vieram dar um pontapé ao diabinho da procrastinação que se senta no meu ombro e me propôs fazer um artigo sobre o Festival Contracorrente. Como não tinha nada melhor para fazer aceitei.

O Festival Contracorrente é um festival que decorre em Braga nos dias 5 e 6 de agosto e que eu não vou poder ir porque não tenho boleia. O cartaz conta com única e exclusivamente bandas portuguesas (excepto Maud the moth que são espanhois) e é liderado pelos The Parkinsons e pelos Killimanjaro. Para além destes podemos ver ainda Bed Legs, Fast Eddie Nelson, The Black Wizards, Mr. Miyagi, ASTRODOME, Repressão CaóticaPé Roto, Paraguaii, Sun Mammuth, Burney Relief, West Grave, Black Smoke of Buddha.

Neste espaço vou falar de algumas das bandas que irão fazer barulho na praia de Merelim.

Killimanjaro

Sem grandes coisas porque já sabemos o que a casa gasta.

Todos conhecemos estes rapazes de Barcelos e já ouvimos falar deles e do seu enorme talento. Quem ainda não os viu ao ao vivo deve aproveitar esta excelente oportunidade para sentir o porquê de estes serem considerados um dos nomes mais importantes da nova geração da música portuguesa. Prometo-vos que vai ser um concerto memorável e com uma descarga de energia que não se encontra em mais lado nenhum. Para quem já os viu, certamente, não vou ser eu que vou dizer para vocês repetirem a dose porque já devem saber o que vos espera. Aproveitem e ouçam as malhas do novo álbum, Shroud, que vai sair ainda este ano, assim como relembrar as épicas faixas de HookOs Killimanjaro de José Roberto Gomes, Joni Dores e Luis Masquete atuam no dia 5 de Agosto.



Black Wizards

Os Black Wizards são sem dúvida uma das bandas portuguesas que mais quero ver em concerto. A banda composta por Joana Brito, Paulo Ferreira, Helena Peixoto e João Mendes praticam um occult rock bem ao estilo de Blood Ceremony, Blues Pills e Coven, algo que não é muito praticado em Portugal e tem deslumbrado críticos com canetas portuguesas ou internacionais. O seu álbum Lake of Fire, gravado em apenas 24 horas, apanhou o mundo de surpresa e dado a sua qualidade conseguiu entrar em diversas listas dos melhores álbuns do ano de 2015. O que esperar de um concerto de Black Wizards? Bem, em primeiro lugar muita musica sem grandes aparatos, muito blues, uma quantidade incrível de fuzz a ornamentar o som das guitarras e bastante delírios psicadélicos. Mas para quê explicar-vos quando podem ser vocês a experienciar pela vossa própria pessoa?



Fast Eddie Nelson

Este senhor que vem do Barreiro é alguém a quem eu trago uma ligação muito especial visto que foi o primeiro concerto que vi sem a supervisão de um adulto. Foi no segundo dia do Paredes de Coura de 2014, o meu primeiro festival. Ver a postura massiva, carismática e descalça do Fast Eddie Nelson em cima de um palco é algo reconfortante, um sexto sentido indica que estamos prestes a assistir a um concerto dos demónios. Com uma instrumentalidade não muito complexa, consegue amplificar tudo o que o minimalismo do blues tem para oferecer num som capaz de invejar muitos experientes homens do delta do rio do Mississipi. Um concerto de Fast Eddie Nelson é algo que todos podem usufruir e divertir-se. Dar um passo de dança ao som da sua guitarra é algo que todos deviam fazer antes de morrerem.


Astrodome

Se há banda que merece distinção por ser das mais impressionantes e talentosas a sair do underground português, essa banda é sem dúvida os Astrodome. A banda do Porto adquiriu bastante notoriedade com o seu álbum self titled lançado em 2015. Esta banda de heavy psych instrumental tem ganho uma enorme reputação neste circuito e figurou (tal como os Black Wizards) em inúmeras listas de melhores álbuns do ano, tanto em críticos portugueses como internacionais. Uma das bandas mais interessantes da nova geração de músicos portugueses e um concerto que certamente não devemos perder. Não vamos entrar nas mentalidades “opá isto é uma banda portuguesa, se não os vir em Braga vejo noutro sitio qualquer”.Todos os concertos de Astrodome são oportunidades únicas para presenciar tudo o que existe de melhor no género do psicadélico, desde malhas stoners, até ao space rock de Jupiter, não sejam burros e vão ver estes homens.


Sun Mammuth

Os Sun Mammuth são uma banda de Lousada que fazem parte do interessante projecto da editora Pointlist que tem patrocinado bandas tão diferentes como The Sunflowers, Dreamweapon e Miami Flu. Os Sun Mammuth são o projecto psych stoner instrumental da label e tem dado provas de ser uma das bandas mais interessantes a aparecerem neste ultimo ano. Composto por dois guitarristas, um baixista e um baterista e por uma pedaleira que parece fazer magia estes jovens fazem musica que faz juz ao seu nome. Tive a oportunidade de conhecer a banda quando abriram para os Karma to Burn na Cave 45 e posso afirmar que foram das bandas mais simpáticas e humildes com quem já tive o prazer de conversar . Não deixem estes rapazes passarem despercebidos e se tiverem oportunidade é sem duvida um concerto indispensável.