segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Reportagem: Bruno Pernadas - Those who throw objects at crocodiles will be asked to retrieve them [Teatro Maria Matos - Lisboa]


Terça-feira 13, joga o Benfica mas isso não impede que o Teatro Maria Matos esteja completamente lotado para ouvir em primeira mão Those who throw objects at crocodiles will be asked to retrieve them, novo álbum de Bruno Pernadas a ser editado na próxima sexta-feira, juntamente com Worst summer ever.

Depois de nos ter presenteado com um dos álbuns mais inovadores produzidos na última década, How can we be joyfull in a world full of knowledge?, eleito como o melhor álbum nacional pela nossa redação em 2014, Bruno Pernadas voltou em força em 2016. O artista foi responsável pela composição e direção musical do bailado Romeu e Julieta da Companhia Nacional de Bailado e agora no mês de setembro é responsável pela edição de dois álbuns de originais estilisticamente distintos. 

Passavam 15 minutos das 22 horas quando Bruno Pernadas e a sua “orquestra” entraram em palco ao som de um loop de vozes etéreas, as quais depois se juntaram as vozes reais dos artistas. Acompanhado por Afonso Cabral (You Can’t Win Charlie Brown) e Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout) na voz e guitarra, Nuno Lucas no baixo, Margarida Campelo na voz e teclados, João Correia na bateria, Diana Mortágua na flauta, Diogo Duque na trompete e fliscorne, Raimundo Semedo no saxofone tenor, soprano e barítono, e João Capinha no saxofone alto, tenor e soprano, Pernadas apresentou-nos a sua space age pop, o seu freak folk, o seu jazz, o seu krautrock, o seu tudo. 


Durante uma hora, Pernadas percorreu os temas que constituem Those who throw objects at crocodiles will be asked to retrieve them. Embora todo o concerto tenha apresentado um nível bastante elevado, gostaria de destacar a exímia execução do tema krautrockiano-exótico “Ya Ya Breathe”, assim como os dotes impressionáveis de Pernadas na guitarra, a guiar harmoniosamente a sua orquestra no meio de tantas ideias sonoras. Um autêntico “maestro” que se aventura em qualquer estilo sonoro (há quem consiga ouvir influências de hip-hop e R&B), só possível quando se é verdadeiramente apaixonado por música.

O público presente no Maria Matos saiu extremamente satisfeito com o que ouviu, perplexo com a performance dos músicos. Este foi o contexto ideal para se apreciar a música de Bruno Pernadas, permitindo entender cada instrumento na sua plenitude. Esta semana é a vez de Worst Summer Ever, álbum que caminha nos campos do jazz mais clássico e improvisado, sempre com o cunho estilístico de Bruno. Vemo-nos por lá!

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Vera Marmelo