quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Reportagem: Pop. 1280 [Teatro Rivoli]



Os Pop. 1280 passaram na passada sexta feira pelo Rivoli para mais um concerto Understage em parceria com a Lovers & Lollypops, uma interessante iniciativa por onde já passaram nomes como Aisha Devi e Puce Mary pelo preço simbólico de 5 euros. Decorrido na sala ideal, num espaço bruto e com as estruturas metálicas que suportam o palco do Rivoli visíveis, os Pop. 1280 apresentaram-se pela primeira vez no Porto em mote de apresentação do disco Paradise, de 2015, assim como a mais recente cassete editada pelo grupo norteamericano, Pulse.

Ainda estavam apenas a testar o som e a experimentar os primeiros acordes e já se percebia que a coisa ia ser barulhenta. Volume no máximo e uma guitarra de som metálico e cortante faziam ecoar as paredes da sala. Já com a banda completa em palco, os Pop. 1280 não tardaram em apresentar os seus temas, com principal foco nas faixas de Paradise, um álbum mais interventivo e com uma sonoridade mais industrial, ignorando em grande parte os temas do seu trabalho anterior e do excelente primeiro disco The Horror
Ao segundo tema, os Pop.1280 revisitaram “Step Into The Grid”, retornando ao som menos arrojado e à produção mais crua dos seus primeiros lançamentos. Em “In Silico”, uma das faixas mais representativas do seu último disco, Chris Bug grita-nos de forma voraz “I dream in infra red”, demonstrando o lado mais crítico e consciente desta nova fase da banda.




O som apresenta-se no máximo de princípio ao fim, e a intensidade nunca desvanece durante todo o concerto. Chris Bug incentiva o público a aproximar-se do palco, proporcionando uma experiência mais próxima e calorosa com a banda. O espaço é mais do que apropriado para o tipo de concerto, e contribui em boa parte para o bom ambiente e experiência a que se assistiu. Num concerto relativamente curto, ouviram-se outros temas do mais recente disco, incluindo o tema de abertura “Pyramids On Mars”. Terminado o concerto, a banda regressou ao palco para um breve encore que contou com mais uma música apenas, tocada com toda a ferocidade presente no resto do concerto.


Os Pop. 1280 conseguiram, assim, uma passagem pela cidade do Porto que não terá desiludido ninguém, com muita energia do princípio ao fim e um som capaz de nos danificar os tímpanos, como seria de esperar. Não faltaram boas malhas post punk e muito noise de paisagens industriais e uma consciência política por parte dos seus membros que nos rugiram com as verdades cruas e feias da sociedade em que vivemos.




Texto: Filipe Costa
Fotografia: Renato Cruz Santos