terça-feira, 11 de outubro de 2016

Oiçam: Lonnie Holley



Lonnie Holley nasceu a 10 de fevereiro no Alabama, filho de uma família de 27 irmãos. A sua vida representa uma experiência para todos nós e o próprio espera que possamos beneficiar dela. Sobreviveu à pobreza extrema, a uma infância horrível em que o pai adotivo lhe batia constantemente, assim como à polícia de exclusão racial do sul do país. Afirma ter sido trocado aos 4 anos por uma garrafa Whisky (não se sabe se é ou não verdade). Deixou de estudar no sétimo ano, cumpriu uma pena numa prisão de detenção juvenil e tornou-se pai aos 15 anos.
Só em 1979 é que Lonnie enveredou pelo mundo artístico, começando a produzir arte para ele mesmo, para a sua mente. A sua arte que inclui pintura e escultura feita com materiais recolhidos do lixo, é muitas vezes rotulada de outsider, mas isso não o impede de ser um homem das artes internacionalmente aclamado pelos seus trabalhos expostos em museus como o Smithsonian, museus de Arte “Folk” Americana, ou mesmo a Casa Branca. A herança artística de Holley está imbuída de simbolismo cultural, sendo um testemunho para o contributo afroamericano na vida da sua área de origem.

Em 2012, com a idade de 62, Holley fez a sua estreia como músico. Desde os anos 80 que tem vindo a acumular gravações caseiras, mas nunca lhes deu a atenção devida, quanto mais pensar em editar estes trabalhos. Foi depois de ouvir Holley que Ledbetter, fundador da editora Dust-to-Digital de Atalanta, que se focava enssencialmente em recuperar vinis antigos de gospel, prensados entre 1902 e 1960, decidiu gravar um álbum com o artista – Just Before Music .


De um homem de 60 anos saiam sonoridades krautrock, R&B, Jazz, Soul, uma variedade de géneros que se encontravam ali todos ao mesmo tempo de forma tão intensa. Em suma, a sua música é inclassificável: espacial, etérea e frágil, assente na construção livre de improvisação. Não obedece à estrutura tradicional de uma canção - sem coros, mudança de acordes ou melodias consistentes. Em vez disso predominam os monólogos assombrosas e emocionais acompanhadas de teclados rudimentares.

Em 2013 gravou o seu segundo álbum Keeping a Record of It, contando com as colaborações de Cole Alexander dos Black Lips e Bradford Cox dos Deerhunter

Os seus concertos representam uma performance única, sendo totalmente improvisados. E é mesmo disso que estamos à espera a 29 de outubro no Jameson Urban Routes, que esta poeta e profeta nos surpreenda com a sua música e arte que já tanto viveram.

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