segunda-feira, 24 de outubro de 2016

[Review] Galgo - Pensar Faz Emagrecer


Pensar Faz Emagrecer // BLITZ Records // setembro de 2016
7.9/10


Aproximadamente um ano após o lançamento de um promissor EP, os Galgo apresentam Pensar Faz Emagrecer, o seu primeiro longa-duração. Neste disco a maior parte das músicas são instrumentais. Por vezes a voz junta-se às guitarras, teclados, baixo e bateria, mas é utilizada como um instrumento e não rouba o protagonismo quando não deve. O som dos Galgo é difícil de definir, mas vagueia pelo pós-rock e rock instrumental, talvez com algumas influências de math rock e dance-punk.

O disco começa com “Sabine”, uma música que introduz a sonoridade do álbum sem levá-la a extremos. Algumas boas linhas de baixo, acentuações feitas pelas guitarras e pela bateria no tempo certo e ritmos algo dançáveis são as principais particularidades desta música.

A 2ª faixa, “Tokutum”, tem momentos de maior intensidade no seu final e provavelmente funciona muito bem ao vivo, mas em estúdio é “Skela” que finalmente nos leva a outra dimensão. É, sem dúvida, a música que mais dá vontade de voltar a ouvir uma e outra vez. As diferentes secções mudam de forma natural e fluída, as guitarras misturam as suas frases e a bateria chama a atenção regularmente. Na recta final entram as vozes, o baixo encaixa muito bem e é impossível ficar quieto. “Lugia” acalma o ambiente e, infelizmente, não traz consigo nenhum momento memorável. É uma boa música, mas passa um pouco despercebida por suceder “Skela”. 


Segue-se “Balanço”, com a sua excelente secção inicial a ser substituída por outra demasiado cedo. No entanto, isto é compensado pelos bons riffs e pelas guitarras a gritar como se estivessem num crescendo de pós-rock que vão aparecendo nos minutos seguintes. Um dos pontos altos do álbum.

Em “Pivot”, interligadas com um baixo forte e uma bateria precisa, as guitarras vão flutuando num crescendo que termina em grande. O uso de efeitos destaca-se pela positiva e os vocais voltam por breves momentos, sem obstruir os instrumentos. Em “Goya”, sente-se por vezes a falta de frases mais definidas que entrem melhor na cabeça, mas os últimos dois minutos não desiludem. O teclado interliga-se com as guitarras, a bateria dá tudo e Pensar Faz Emagrecer tem o final de qualidade que merece.

Pensar faz emagrecer, mas os movimentos causados pela audição deste álbum a altos volumes também devem contribuir para a perda de peso. Se ouviram EP5, o disco de estreia, esperem mais do mesmo: boas malhas com o som característico dos Galgo. Se não ouviram, também estão bem servidos se decidirem começar por aqui a conhecer uma das bandas alternativas portuguesas mais originais e promissoras.

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