domingo, 2 de outubro de 2016

[Review] You Can't Win, Charlie Brown - Marrow


Marrow // Pataca Discos // setembro de 2016 
7.7/10

Os You Can’t Win, Charlie Brown são uma das bandas alternativas portuguesas mais respeitadas e conceituadas. Constituída por Afonso Cabral, Salvador Menezes, Luís Costa, David Santos, Tomás Sousa e João Gil, esta já lançou dois álbuns e um EP e tocou em alguns dos principais festivais portugueses, o que faz com que Marrow seja um dos álbuns nacionais mais esperados do ano.

O disco inicia-se com o single “Above the Wall”, marcado pela sonoridade retro do teclado e pelo som incisivo da guitarra. A intensidade da canção vai aumentando ao longo da sua duração, num crescendo eficaz. Não é uma das melhores músicas do disco, mas serve bem como introdução e ponto de partida para a viagem musical que se segue.
“Linger On” começa com um bom riff de guitarra, mas não tem nenhum elemento ou secção marcante e torna-se desinteressante. Acaba por passar despercebida, especialmente porque é sucedida por “Pro Procrastinator”. Esta é a música que mais se destaca no álbum. As melodias da voz são catchy e as frases de baixo e guitarra funcionam muito bem. Tal como é comum nas melhores composições dos YCWCB, os vários instrumentos complementam-se perfeitamente tocando melodias diferentes, sendo que todas merecem a nossa atenção. Em diferentes secções são encontrados sons e níveis de intensidade distintos, criando alguma variedade sem comprometer a coesão ao longo dos seis minutos.

“Mute” é outro momento notável. Uma canção calma, marcada desde o princípio pelo som melancólico das guitarras. A atmosfera muda em “If I Know You, Like You Know I Do”, onde o groove do baixo serve de base para uma música dançável e animada. “In The Light There Is No Sun” tem uma sonoridade minimalista e folk durante dois minutos e meio. Depois, começam a entrar os vários instrumentos e sobe a energia.


Segue-se “Joined by the Head”, uma música com uma sonoridade típica dos YCWCB. É boa, mas não é especialmente memorável em nenhum aspeto. “Frida” tem algumas excelentes linhasde baixo e um bom uso de instrumentos de corda e voz. É uma canção que se torna melhor com várias audições, uma das melhores em Marrow. “Bones” é a faixa final. Não me agradou muito quando ouvi pela primeira vez, mas prendeu-me em audições seguintes, quando estive com mais atenção aos pormenores e comecei a conhecê-la melhor. É neste momento a minha segunda preferida do álbum e poderá ficar com o primeiro lugar em breve. Uma música longa e explosiva, adequada para ser a última. A certa altura, a progressão harmónica muda para uma parecida com a de “Be My World”, também dos YCWCB, e inicia-se um crescendo de vários minutos. A energia aumenta e é alcançada uma sonoridade épica e por vezes triunfante, a fazer lembrar de certa forma “An Ending”, que termina de maneira incrível o primeiro álbum da banda. “Bones” peca apenas pelo seu final exageradamente abrupto, quando havia potencial para alongar a música e torná-la ainda mais espetacular.

Marrow é um álbum consistente, composto quase de uma ponta ou outra por boas canções. Não é genial nem surpreendente, provavelmente não irei recordar muitas vezes a maior parte das suas músicas. No entanto, há outras que se conseguem destacar muito pela positive e é um álbum que provavelmente irá agradar à maior parte dos fãs dos lançamentos anteriores da banda. Num país onde a quantidade de bons projetos musicais vai aumentando e cada vez mais artistas conseguem, de uma maneira ou outra, alcançar algum sucesso, os YCWCB mostram novamente a sua qualidade e justificam a relevância que lhes é atribuída. 

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