segunda-feira, 21 de novembro de 2016

[Review] Darkher - Realms

Darkher-Realms-Review

Realms // Prophecy Productions // agosto de 2016
8.5/10

Darkher é o projeto a solo da inglesa Jayn H. Wissenberg, que veio para arregalar os ouvidos dos fãs da música obscura. Tendo editado em novembro de 2014 o EP The Kingdom Field, Jayn Wissenberg levou cerca de dois anos a preparar aquele que é o seu primeiro disco de carreira, Realms. A música cativante de Darkher é caracterizada por construir lentamente "nuvens de tempestade" através da conjugação da pesada percussão lenta com os riffs obscuros e intensos da guitarra elétrica. Esta técnica de construção musical mexe com o ouvinte aos poucos sem que este perceba e, quando o disco já vai a meio, este sente-se completamente exposto a um mundo sombrio e cheio de sensações desconfortáveis. Realms é esse mundo.

Através de uma imagem gótica e com um toque "xamânico", Darkher apresenta, em Realms, um disco com uma poderosa música dark-folkrepleto de riffs do doom metal e com os vocais celestiais de Wissenberg a fazer lembrar Chelsea Wolfe com um toque de Marissa Nadler pelo meio. Músicas como "The Dawn Brings a Saviour" fazem também lembrar a atmosfera natural presente no disco de estreia de Rïcïnn. Darkher junta-se assim à lista das musas da cena dark e traz um álbum que a faz posicionar-se muito bem no mercado da música underground. Realms é um disco com uma produção incrível, extremamente coerente e traz canções que, com a audição repetida, envolvem de tal forma o ouvinte que o fazem viver o disco. "Hollow Veil", "Moths" e "Buried , Pt.II" são bons exemplos.



Em Realms Darkher apresenta uma música escura, cheia de contrastes, tão depressa poderosa, frágil, destruída e serena, combinando a sensação arrepiante da solidão com uma profunda confiança espiritual. Os grandes singles deste disco fecham com "Foregone", que traz um toque stoner extremamente poderoso à sonoridade global e "Lament", um single aliado às sonoridades acústicas, que nos faz querer ouvir o disco outra vez, de início ao fim. Darkher fez a escolha acertada para fechar este disco de nove canções, de forma hipnotizante.

Uma cantora lírica, uma música melancólica e um trabalho de estreia que mostra que Darkher é uma artista que merece o reconhecimento da crítica. Realms é um disco que explora na perfeição diferentes estados de emoção que vão da terrível angústia à imensa beleza e calma da mente, passando pela exploração de sensações traumáticas reproduzidas através do horror e medo em q.b.


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