segunda-feira, 28 de novembro de 2016

[Review] Thomas Cohen - Bloom Forever



Bloom Forever // Stolen Recordings // maio de 2016
8.0/10


Bloom Forever é o álbum de estreia de Thomas Cohen, desconhecido aos olhos do grande público. Talvez se falar dos S.C.U.M. vos avive a memória. Projeto de post-punk liderado por Thomas que editou em 2011 o álbum Again Into Eyes, tendo passado por Portugal nesse mesmo ano. Separam-se em 2012, o mesmo ano em que Thomas se casou com Peaches Geldof, com quem teve dois filhos. Infelizmente, em abril de 2014, aconteceu o impensável e Peaches faleceu aos 25 anos devido a uma overdose de heróina, deixando-o viúvo aos 23 anos. Em vez de se encerrar no luto e no isolamento, Thomas decidiu voltar a escrever, procurando combater a sua dor. Mudou-se para a Islândia à procura de uma vida mais relaxada, onde terminou em 2015 as gravações de Bloom Forever. As canções deste álbum apresentam-se por ordem cronológica e falam-nos do que Thomas passou nestes três anos que definiram a sua vida: nascimento dos seus dois filhos, a intimidade com Peaches e o inevitável sofrimento associada à sua morte.

Os grandes destaques deste disco vão para “Honeymoon”, faixa que nos apresenta um ambiente etéreo provocado pelos suaves riffs de guitarra, e de crença numa relação: “Holding on to each other”; “Bloom Forever”, nomes do meio do seu segundo filho, que parece ter origem no mesmo registo sonoro que ouvimos em álbuns como Push the Sky Away, de Nick Cave & The Bad Seeds; “Country Home”, música que nos traz à memória o country rock de Neil Young e que lida diretamente com a morte de Peaches: "My love had gone, she'd turned so cold/Why weren't her eyes covered and closed?". Por último, destaca-se a pink floydiana “Only us”, em que o piano taciturno se conjuga na perfeição com as notas que saem da guitarra elétrica e com a voz de Thomas que ecoa harmoniosamente pelos nossos ouvidos. A faixa mais bonita deste disco a par de “Honeymoon”.



Bloom Forever podia facilmente ser um álbum fatalista, negro, depressivo, mas acaba por exatamente o oposto. É um álbum otimista marcado pela instrumentação competente e pela sofisticada capacidade de escrita de Thomas.

Texto: Rui Gameiro

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