domingo, 4 de dezembro de 2016

Reportagem: WIFE + Oathbreaker [Cave 45 - Porto]


Os belgas Oathbreaker regressaram ao Porto no último domingo para um concerto na Cave 45, organizado pela Amplificasom. O quarteto belga formado em 2008, acompanhado por mais um músico em palco, apresentou o seu mais recente álbum de estúdio, Rheia. Este disco apresenta uma nova sonoridade da banda que, após dois álbuns punk, os aproximou-se do blackgaze e gravou um conjunto de músicas comparáveis a artistas como os Deafheaven.

Pouco faladores, os Oathbreaker começaram o concerto com a curta e calma “10:56”, antes de subirem imediatamente a intensidade com “Second Son of R.”. Os sons das guitarras misturaram-se, a bateria não parou e Caro Tanghe gritou e cantou tão bem como em estúdio. Alternando entre momentos mais calmos e melódicos, onde a voz de Caro parece algo frágil e distingue-se mais do instrumental, e outros mais intensos e barulhentos, a banda controlou bem as dinâmicas do concerto. Infelizmente, em algumas músicas a voz misturou-se em demasia com os instrumentos e tornou-se menos audível do que deveria. Isto quase foi completamente compensado pela postura em palco da vocalista, sombria e intensa, que contribuiu para a atmosfera criada pela música.


A setlist focou-se principalmente em Rheia, álbum que deu origem a alguns dos melhores momentos da noite, como “Being Able to Feel Nothing”, “Where I Live” e a já referida “Second Son of R.”. No entanto, o concerto terminou com uma música de Mælstrøm, “Glimpse of the Unseen”. Apesar de não ser uma das minhas músicas preferidas do álbum de 2011, funcionou muito bem em concerto.

Os Oathbreaker são uma banda muito boa ao vivo, que consegue elevar o seu trabalho em estúdio a um nível superior quando o apresenta em concerto e que certamente não deixou ninguém desiludido.

A abrir a noite esteve James Kelly, vocalista dos já inexistentes Altar of Plagues. Com uma sonoridade completamente diferente do black metal da sua banda, o seu trabalho a solo, apresentado com o nome WIFE, é de música eletrónica.


A primeira parte do concerto foi composta por músicas algo experimentais, como tempos diferentes do habitual e grandes variações entre pausas e sons muito intensos. Estas encheram completamente a sala, ajudadas por um trabalho de luz simples, mas eficaz, que contribuiu para a atmosfera criada. Já algum tempo após do início do concerto ocorreu a primeira pausa, após a qual se ouviu uma música mais dançável. Pouco depois voltam as músicas menos acessíveis, que se ouviram até ao fim do concerto. Apesar de serem instrumentais durante a maior parte o tempo, por vezes eram acompanhadas por voz, transformada por diferentes efeitos. No geral, a voz pareceu algo desnecessária e não beneficiou muito a música, mas também não atrapalhou. 

Com uma duração menor a 40 minutos, o concerto não foi demasiado curto nem demasiado longo, teve a duração ideal para deixar o público satisfeito sem saber a pouco e sem se tornar repetitivo.

Texto: Rui Santos
Fotografia: Hugo Adelino (Wav)

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