sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vídeos da Semana #74


Mais uma semana volvida, hora de reunir cinco vídeos lançados na presente semana. A escolha internacional contempla ainda os portugueses Basset Hounds, entre trabalhos audiovisuais de Jeff Buckley, Lana Del Rey, Kevin Morby e Julia Holter.

1 - Basset Hounds - "Bossa"


2 - Jeff Buckley - "I Know It's Over (The Smiths Cover)"

3 - Kevin Morby - "I Have Been To The Mountain"

4 - Julia Holter - "Everytime Boots"

5 - Lana Del Rey - "Freak"

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Programação: Muzik Is My Oyster - próximos meses


Depois do concerto promissor de Sad Lovers and Giants a promotora portuense Muzik Is My Oyster ainda tem mais cinco concertos a mostrar ao público entre março e maio, sendo que o primeiro, onde atuarão O ChildrenAgent Side Grinder e Sexy and Color acontece já no próximo dia 11 de março.  De resto  poderão assim ser vistos na sala do Hard Club, Porto concertos de Lebanon Hanover e Zurich Dada, a 7 de maio. A programação, em pormenor, pode ser consultada abaixo. 

A MIMO traz ainda para abril, dia 14, o regresso dos The Underground Youth ao Porto, que o ano passado passaram pelo Maio Maduro Maio.

11 de março | Hard Club - Porto | 21h30
O Children + Agent Side Grinder + Sexy And Color


Preço dos bilhetes: 15€ (até dia 5/3) / 17€ (a partir de 6/3)
Depois da passagem pelo Entremuralhas os britânicos O Children, em 2014 e os suecos Agent Side Grinder em 2015, as duas bandas estão de regresso ao país, desta vez para dividir palco, na Sala 2 do Hard Club, Porto. Os O Children trarão na bagagem Apnea(2012) devendo ainda apresentar novos temas a contemplar um novo álbum. Por sua vez os Agent Side Grinder voltarão a apresentar Alkimia(2015).
As duas bandas serão ainda acompanhadas pelo quarteto Sexy and Color que apresentará Start/Stop, o mais recente longa duração entre outros temas.

7 de maio | Hard Club - Porto | 22h00
Lebanon Hanover + Zurich Dada


Os Lebanon Hanover, dupla que une a alemã Larissa Iceglass ao norte-americano William Maybelline, estão de regresso a Portugal pata dois concertos depois de se terem estreado em 2013 no Festival Entremuralhas. A banda apresenta-se no Porto a 7 de maio e trará na bagagem o seu mais recente disco Besides The Abyss(2015).
A abertura fica a cargo da dupla portuense Zurich Dada que apresentará os temas do seu segundo EP, a ser editado este ano.

Pré-reservas via email: muzikismyoyster@gmail.com


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STREAM: Filho da Mãe + Ricardo Martins - Tormenta

O projecto que junta Rui Carvalho aka Filho da Mãe e Ricardo Martins, baterista de inúmeras bandas como Papaya, Adorno, Cangarra e Black Leg, lançou ontem o seu primeiro disco: Tormenta, que se encontra agora disponível para escuta integral abaixo.

Os concertos de apresentação do álbum de estreia estão marcada para o próximo dias 19 e 20 de fevereiro no Musicbox, Lisboa e Maus Hábitos, Porto por volta das 22h30, respetivamente. As entradas têm um preço de 8€. Informações adicionais aqui e aqui.

Tormenta foi editado hoje, 12 de fevereiro, via Revolve/CLT-Musicbox.


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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Woodrock Festival: 22 e 23 de julho - Praia de Quiaios, Figueira da Foz


O Woodrock Festival vai para a sua terceira edição este ano, decorrendo nos dias 22 e 23 de julho, na praia de Quiaios, Figueira da Foz. Até ao momento, os russos The Grand Astoria, os espanhóis El Paramo e os luxemburgueses Soleil Noir são os grandes destaques do cartaz que também conta com os portugueses Big Red Panda, 10 000 Russos, Switchtense, Plus Ultra e Dollar Lama.

Faltam ainda anunciar mais 4 nomes ao cartaz. Também já são conhecidos os preços dos passes gerais e diários:


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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

7º aniversário do BranMorrighan amanhã no Maus Hábitos


Amanhã celebra-se uma vez mais o sétimo aniversário do Blogue BranMorrighan, desta vez no Maus Hábitos, depois do grande sucesso que foi a festa no Musicbox, Lisboa, a 15 de Janeiro. Nesta noite podemos contar com três grandes apostas de talentos nacionais para 2016. 

Começa com o exotismo e noise de Surma, mergulha nas profundezas com Whales, para acabar numa pluralidade aveludada e lânguida com Azul-Revolto. Porém há mais e acabadas as actuações, a música continua por sonoridades Rhythm & Blues, Soul, Surf, 60’s, Latin Grooves, Exotica, Garage, Punk Rock, ou Vintage Electronics, através das escolhas requintadas e impregnadas de rock’n’roll do Dj A Boy Named Sue

O evento começa às 23h30 e tem o custo de 3,5€.




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Reportagem: Sad Lovers and Giants [Hard Club - Porto]

Do conjunto de bandas que marcaram a sonoridade do post-punk dos anos 80, os Sad Lovers and Giants não é o primeiro nome que ocorre imediatamente à cabeça da maioria de nós. Titãs como os Joy Division, os Bauhaus ou os Killing Joke seriam a nossa primeira escolha. Afinal, foram estas bandas que marcaram a génese do post-punk e que inspiraram as tendências estilísticas de movimentos que entretanto surgiram — o rock industrial e a synthpop são dois exemplos disso — bem como uma muito recente vaga de post-punk.

Os ecos dos Bauhaus são bem audíveis na obra dos Viet Cong.

No entanto, a história também é feita de Gigantes. Gigantes como os Sound, como os Chameleons e como os Sad Lovers and Giants. Porém, estes últimos são um dos mais antigos bastiões dos bons velhos tempos do post-punk que ainda permanecem em atividade nos dias de hoje (não descurando a grande forma em que Mark Burgess e os seus ChameleonsVox se encontram). 
A mesma forma aliás em que Garce Allard e os restantes dos Sad Lovers and Giants se encontram, como nos mostraram na passada sexta-feira, no Hard Club.

O regresso dos Sad Lovers and Giants à estrada começou precisamente no Porto — num concerto que contou com o apoio dos Malcontent na 1ª Parte — face a uma audiência ansiosa que, ao contrário de mim, esperou mais de 30 anos por esta data (eu tenho 25 anos). Apesar da minha idade e do meu parco conhecimento empírico sobre a vida e obra dos Sad Lovers and Giants, a minha consciência ditou-me desde logo que estava perante grandeza musical, a elite do post-punk, um movimento com muitos imitadores — alguns deles exímios, outros deploráveis — do qual raras vezes temos a honra de presenciar um dos pioneiros do movimento em palco. 



Durante cerca de uma hora e meia, o concerto dos Sad Lovers and Giants oscilou entre canções novas, grandes malhas de sempre e experiências com instrumentos de sopro com duas constantes sempre presentes: um sentimento de segurança por sabermos que estávamos a ver veteranos a fazer aquilo que sabiam fazer melhor; a boa disposição em palco e fora dele. 





O encore trouxe a tão pedida “Imagination”, uma espécie de hino dos Sad Lovers and Giants


Apesar das saídas de elementos da banda — da formação original dos Sad Lovers and Giants apenas permanecem o percussionista Nigel Pollard e Garce Allard, o seu eterno vocalista —e sucessivas separações e reuniões, tudo indica para que 2016 seja o ano de regresso dos Sad Lovers and Giants. Até se fala que um novo álbum pode estar na calha…




Agradecemos mais uma vez à MIMO — de quem somos mui orgulhosos media partners — por terem os tomates de ousarem marcar a diferença num mercado cultural que se polariza cada vez mais entre a oferta da novidade VS mediatismo. Num ano que começou trágico para a música com o desaparecimento de vários ícones, cabe-nos a nós — aos fãs — prestar a devida homenagem aos nossos ídolos em vida. E os Sad Lovers and Giants são espécies em vias de extinção, sobreviventes de uma outra era. Uma era em que os baixos soavam melhor, as vozes eram mais melancólicas, as letras eram mais intimistas e as roupas e os penteados eram mais estranhos. Uma era que já passou e que não volta mais. Cabe-nos a nós passar o testemunho dos Sad Lovers and Giants e escutar a sua mensagem enquanto podemos. Agradecemos à MIMO por nos aproximar cada vez mais dos nossos ídolos e nos dar — a alguns de nós — aquele que foi o concerto de uma vida. Mesmo que a sala estivesse apenas meio cheia — um optimista diria que apenas esteve metade da sala vazia — o que importa para a MIMO não é encher salas, mas sim corações e isso para nós, faz toda a diferença. 


Mais uma vez, Obrigado.

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10 000 Russos estreiam as noites NATURAMA em Lisboa


Os portugueses 10 000 Russos, trio psicadélico da Fuzz Club Records, vão estrear as noites NATURAMA no Sabotage Club, evento organizado pela recém-nascida editora WH!. A banda tripeira ainda vem acompanhada do duo lisboeta Cicuta, que vêm abrir as hostes com o seu synth rock espacial, e com um dj set de João Peste para fechar a noite.

O evento vai acontecer no dia 18 de fevereiro, com começo marcado para as 22h. Os bilhetes custam 6 euros, com oferta de uma imperial.


10 000 Russos



Cicuta

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Agenda: Bad Bonn, fevereiro


Durante este mês de fevereiro, o Bad Bonn vai contar com a presença dos Jerusalem In My Heart (que lançaram no ano passado um álbum com os Suuns), Le1f, Zebra Katz e Krizzli, em parceria com a Red Bull Music Academy, os tuaregs Imarhan e muito mais. Confiram a programação completa aqui.

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STREAM: JIBÓIA - Masala


O segundo álbum de originais de JIBÓIA, projeto de Óscar Silva, Masala, já se encontra disponível para audição gratuita no Soundcloud. O disco reune oito canções gravadas em colaboração com Ricardo Martins (Adorno, noz2, Asneira, Filho da Mãe) e tem edição pela Lovers & Lollypops.



As datas de apresentação do álbum ao vivo podem ser consultadas abaixo.

12 de fevereiro - Galeria Zé dos Bois, Lisboa c/ Torto
13 de fevereiro - Teatro Municipal Rivoli, Porto c/ Understage.
12 de março - Aqui Base Tango c/ Vaginas Convulsivas.

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Paper Beat Scissors atua hoje na Casa da Pantopeia, Aveiro


Começa já hoje (10 de fevereiro) a tour portuguesa de Tim Crabtree, o homem por detrás do nome Paper Beat Scissors. O singer-songwriter britânico, atualmente a residir no Canadá e com créditos firmados na Europa Central, visita pela primeira vez a Península Ibérica e traz consigo o novo disco Go On, produzido por Dean Nelson (Beck, Thurston Moore) e editado no ano passado. Após partilhar palcos com Mark Kozelek, Owen Pallett ou Great Lake Swimmers e colaborar com os Clogs de Padma Newsome e Bryce Dessner (The National), Crabtree estreia-se em Portugal, em Aveiro, na Casa da Pantopeia, com entrada limitada a apenas 40 pessoas.

Os bilhetes para este concerto de estreia em Aveiro têm um preço de 4€. O concerto tem início previsto para as 22h30. Informações adicionais, aqui. Restantes datas a consultar abaixo.


Quarta, 10/02 - Aveiro (Casa da Pantopeia), 22h30 
Quinta, 11/02 - Lisboa (Lusitano Clube) c/Hannah Epperson, 21h30 
Sexta, 12/02 - Porto (O Meu Mercedes), 22h30 
Sábado, 13/02 - Vila Real (Club de Vila Real), 23h00
Segunda, 15/02 - Évora (Oficina), 23h00

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Old Yellow Jack anunciam álbum de estreia


Os Old Yellow Jack que viram o seu nome crescer pelas atuações no Indie Music Fest e Vodafone Mexefest, ambos no ano passado, anunciaram o seu primeiro disco de estúdio que segue ainda sem título definido e com uma data de edição prevista para 29 de abril. O disco segue assim o EP Magnus(2015), que serviu como apresentação da banda, e apresenta "Glimmer" como primeiro single de avanço.

O disco de estreia foi gravado, à semelhança do EP, nos Blacksheep Studios em Sintra, e traz a produção de Guilherme Gonçalves. Quanto à sonoridade, é avançado em PR que a banda deixa agora "o psicadelismo de lado para explorar o indie rock americano de bandas como Pavement ou Real State, dando-lhe o seu cunho pessoal." 

Entre abril e maio é esperada uma digressão de apresentação do álbum, onde serão acompanhados pelas restantes bandas da família Colado, agência de bandas criada pelos próprios.


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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Cinco Discos, Cinco Críticas #12

HYMNS // BMG // janeiro de 2016

6.5/10

Depois de hiatos indefinidos, desentendimentos e a entrada de dois novos membros, os BlocParty entraram em 2016 com o lançamento do seu quinto álbum de longa duração, HYMNSJuntos desde 1999 e com um enorme following na cena indie rock, este novo trabalho do quarteto britânico é no entanto muito difícil de descrever, e é sem dúvida o começo de uns novos Bloc Party; não existe o desespero frenético dos últimos trabalhos, mas sim a procura de um novo som, talvez mais contido e com a visível influência dos novos elementos da banda, bem como do trabalho a solo de Kele Okereke, o vocalista do grupo. Já sabemos que Kele não é nenhum génio lírico, mas a qualidade das suas letras mantém-se. No entanto ao longo do álbum somos surpreendidos por uma miscelânea de géneros e sons, como em “Only He Can Heal Me”, com uma clara influência gospel, a infeliz “The Good News”, talvez a pior do álbum, com inspiração country, ou “Into The Earth”, quase a chegar ao beach pop, mas por várias vezes somos deixados no limbo durante este álbum; excelentes momentos de antecipação são criados, mas nunca chegam a ser bem concretizados, como em “Exes” ou “The Love Within”. Bloc Party ganham indubitavelmente crédito por tentar algo novo com HYMNS, é sem dúvida um álbum de transição que quase funciona, mas que claramente precisa ainda de algum trabalho. Um bom esforço, no entanto. 

Márcia Boaventura


Heaven Is A Place // Deep Space Recordings // janeiro 2016

8.5/10

Depois de 9 anos, a banda de São Francisco LSD And The Search For God lançou o EP Heaven Is A Place. E bem…como explicar, como relatar tudo o que se pode viver com 5 simples músicas?
Recordo-me de ouvir pela primeira vez esta banda, a self-titled EP e pensar: “O nome faz sentido, estes gajos conseguem pôr qualquer um numa acid trip”.E assim fazem com que continuemos numa acid trip, numa viagem “a la shoegazer”. Começam forte com “Heaven” para nos fazer subir, para fecharmos os olhos e ficarmos arrepiados, mesmo com pele de galinha. Agora que já nos encontramos a viajar chega “(I Don´t Think That We Should) Take It Slow” uma música onde a voz de Sophia Campbell, sempre angelical, se destaca. “Outer Space”, a terceira faixa, leva-nos mesmo a uma estação espacial, onde podemos flutuar sob o espaço e observar o vazio e a nossa pequenez. Esta EP acaba com uma quinta faixa, com uma duração maior que as restantes, onde riffs de guitarra distorcida se destacam. A voz sempre presente consegue ser uma das armas que leva o EP a ter esta pontuação. LSD And The Search for God continuam a surpreender-nos, a fazer-nos viajar e a fazer-nos recordar bandas de renome, como Slowdive. A nave da banda aterra em Portugal, mais concretamente no Reverence Valada que decorrerá entre os dias 8 e 10 de Setembro.

Duarte Fortuna



Grow A Pair // Self Released // novembro 2015
                  
   7.7/10

Depois de em 2013 terem lançado, o mal-amado, Trust Found, a banda portuense regressou, no início do ano passado, com dois singles, “Skip Off” e “July”, que mais tarde vieram a integrar este primeiro EP da banda, Grow A Pair. O título deste registo é, como nos disseram em entrevista, parte de um dos nomes que consideraram para a banda aquando a sua formação.
Como os Eat Bear tiveram um ano bastante activo, em termos de concertos, antes do lançamento deste trabalho, já todos os seus temas tinham sido tocados ao vivo, aguçando, assim, a vontade de o ouvir em estúdio. Mais uma vez a banda mostra as suas influências do garage rock e post punk, tendo como principais diferenças em relação ao primeiro registo uma melhor composição, um som mais “limpo” e a maior parte dos vocais são executados por Miguel Almeida, o que pode causar algumas comparações (principalmente “July” e “Won’t Spread The Word (About Tonight)”) com o seu projecto a solo, Grany Detours, do qual já se falou anteriormente. Todos os temas têm instrumentais excelentes e são “catchy” o suficiente para ficar na memória durante vários dias. Apesar da boa qualidade de todas as faixas, talvez se destaque “270 Fast-Forward” que, além de nos dar aquela estranha satisfação de quando uma banda canta o título do disco, termina com uma pequena demonstração de como seria a música da banda se se dedicasse mais ao rock psicadélico. Grow A Pair é uma boa demonstração do potencial desta banda mas acaba por saber a pouco porque metade das suas músicas já tinham sido editadas como single anteriormente.

Francisco Lobo de Ávila


Songs For Our Mothers // Fat Possum Records // janeiro 2016


7.0/10 

É impossível restringir os britânicos The Fat White Family a um estilo definido. A melhor maneira de os descrever é imaginar os personagens de Trainspotting a pegar em instrumentos e a fazer música sobre o seu estilo de vida. Para os fãs, não esperem grandes diferenças entre este e o primeiro álbum, os elementos em destaque continuam os mesmos, sendo que a banda volta a optar por um som lo-fi e garage rock com influências electrónicas. O momento do álbum está na primeira música, “The Whitest Boy on The Beach”, uma música fantástica que apenas dá vontade de dançar nu no meio de uma rotunda. As músicas continuam e estes fazem o seu melhor para provocar a audiência. Na musica “Goodbye Goebbels”, invocam o nome do antigo mão direita de Adolf Hitler e prevêem um novo reich, “Here’s to the fourth reich/ I bid you a Jew”, ou na musica "Satisfied" onde fantasiam Primo Levi, escritor italiano que sobreviveu ao holocausto, a realizar o sexo oral, “She looked like Primo Levi sucking marrow out of a bone”. Este não é um álbum para todos os indivíduos, aconselho os sensíveis a manterem-se afastados, no entanto se forem fãs do pecado tem aqui o disco perfeito para celebrar uma vida repleta de decadência e deboche. 


Hugo Geada


Total Freedom // Richie Records // janeiro de 2016

6.8/10

Os Spacin', que editaram o seu último álbum em 2012, lançaram Total Freedom no passado dia 15 de Janeiro. Os americanos, originários de Pensilvânia, tendo já passado por Portugal em 2013, não se desviaram muito da sonoridade no que toca a Deep Thuds, as influências de Black Lips, junto com o seu psych característico, continuam a fazer o que são os Spacin' no seu todo. O álbum começa com "Over Uneasy", invocando um riff cativante no início desta malha, onde ficam desde logo claras as influências referidas anteriormente. A banda americana segue com um registo de músicas mais fora do comum, tais como "Kensington Real" e "B.I.S.", que mostram uma vertente mais experimental do seu psych/garage rock, através de guitarras e sintetizadores estranhos. Destaque também para "Total Freedom" e "Titchy", que se sobressaem neste álbum pela sua simplicidade, associada às emoções que os Spacin' põem, de uma maneira especial, nestas duas músicas. Total Freedom é um álbum de audição fácil para os adeptos deste tipo de música, mas que no final deixa-nos uma impressão, como se algo nos deixasse a desejar.

Tiago Farinha

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Angel Olsen em residência artística na ZDB. Concerto a 17 de Março


A belíssima Angel Olsen está de regresso ao nosso país, depois de no ano passado ter maravilhado aqueles que foram até Guimarães e Lisboa. A norte-americana estará em residência artística na ZDB de 12 a 26 de Março, a preparar o sucessor do aclamado Burn Your Fire For No Witness (2014).  

A 17 de Março há concerto no aquário da ZDB, certamente para mostrar algumas das suas novas músicas e o seus temas já conhecidos. Os bilhetes custam 15€.

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Black Rainbows com dois concertos em Portugal em maio


Formados há nove anos, os italianos Black Rainbows estão de regresso a Portugal em função da tour do novo álbum, Stellar Prophecy, a ser editado no próximo dia 15 de abril pelo selo Heavy Psych Sounds. Os Black Rainbows trarão assim dois concertos de hard rock à la anos 70 com a espessura ensolarada do stoner rock dos anos 90, criando a sua própria marca de som.

A banda que esteve presente na segunda edição do Reverence Festival Valada regressa agora a Portugal para atuar a 15 de maio em Leiria, com local a anunciar, e no dia seguinte, a 16 de maio no Sabotage Club em Lisboa. Ainda não são conhecidos os preços para os concertos.


Stellar Prophecy Tour:
15.04 - Viterbo (IT) Secret Show 
16.04 - Livorno (IT) TBA 
22.04 - Roma (IT) Sinister Noise 
03.05 - Feldkirch (AT) Graf Hugo 
04.05 - Innsbruck (AT) PMK 
05.05 - Frauenfeld (CH) Kaff 
06.05 - Basel (CH) Art&Wheels Fest 
07.05 - Luzern (CH) Bruch Bros 
08.05 - Lyon (FR) TBA 
09.05 - Lille (FR) El Diablo 
10.05 - Nantes (FR) La Scène Michelet 
11.05 - Paris (FR) La Mécanique Ondulatoire 
12.05 - South France TBA 
13.05 - Aldea (SP) Aldearock Fest 
14.05 - Bilbao (SP) Kristonfest 
15.05 - Leiria (PT) TBA 
16.05 - Lisbon (PT) Sabotage Club 
17.05 - Madrid (SP) Fun House Rock Bar 
18.05 - Barcelona (SP) Rocksound 
19.05 - Zaragoza (SP) La Ley Seca 
27.05 - Mannheim (DE) Mohawk 
28.05 - Netphen (DE) Freak Valley Fest 
29.05 - Bruxelles (BE) TBA 
30.05 - Leipzig (DE) Zoro 
31.05 - Dresden (DE) Ostpol 
01.06 - Chemnitz (DE) TBA 
02.06 - Jena (DE) Kulturbanhof 
03.06 - Berlin (DE) Urban Spree 
04.06 - Olten (CH) Coq D’Or 
01.07 - Salzburg (AT) TBA 
02.07 - Bozen (IT) TBA 
07.08 - Cyprus TBA

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domingo, 7 de fevereiro de 2016

[Review] Bruma - Pesadelo EP


Pesadelo // janeiro de 2016 // self-released
8.0/10

Os Bruma iniciam oficialmente a sua discografia este ano com Pesadelo EP, embora se tenham dado a conhecer previamente através de um conjunto de demos lançadas em tempos passados. O quarteto bracarense apresenta assim o seu primeiro disco curta duração que prima logo pela inovação e experimentação que lhe estão implícitas. Através de uma formação simples, onde o foco recai sobre os mais díspares instrumentos - dos quais recebe destaque principal o piano - os Bruma conduzem o ouvinte aos estados inconscientes do sono, que se tornam, por vezes, incontroláveis. Quanto a um género, podendo definir-se, este para já, situa-se algo entre o jazz experimental de uns BadBadNotGood e o avant-garde. Por agora, e após se terem apresentado como banda revelação, na altura das primeiras demos, os Bruma deixam as expectativas bastante concretizadas e acima da média, dado o seu carácter inventivo.

Pesadelo é uma excelente escolha da banda para nomear este primeiro trabalho, dada a conjugação afincada dos vários instrumentos com a voz e, consequentemente, o resultado emotivo no ouvinte. Devido a um foco certeiro na composição os Bruma idealizam várias sensações, criando um cenário sonoramente tranquilo que às tantas acaba por se tornar evasivo. A título de exemplo oiça-se "Bola Oito", single de abertura que se encaixa na perfeição face ao anteriormente exposto. É desenhada, através desta primeira música, esse tipo de sensações de sufoco, auto-conflito e agonia que se sentem aquando do estado inconsciente em entorpecimento. Um início digno de um disco que se apresente sob o nome Pesadelo.

Há duas grandes malhas neste EP, (ahah, curiosamente a "Malha" não é nenhuma das duas) "Intruso" e "Vi em Ti Veritas". A primeira por conseguir explorar, em cerca de seis minutos de duração, uma mão cheia de elementos do jazz, post-rock, stoner rock entre outros subgéneros, e com isto, criar uma composição que sofre imensas quebras a nível sonoro. Isto é muito bom dado que o ritmo nunca se quebra apesar destas sub-conjugações musicais. A segunda, "Vi em Ti Veritas", por iniciar com o baixo e o piano em plano de foco e, consequentemente, criar uma musicalidade bastante interessante e facilmente audível por qualquer pessoa. Abre-se espaço para ouvir um pseudo solo do piano incrível, por volta dos dois minutos e meio de avanço, que marca que os Bruma têm algo de novo a oferecer à música portuguesa. 

Braga tem visto o seu nome crescer, na cena musical, por trazer cada vez mais bons projetos emergentes a nível nacional e os Bruma apresentam-se, apenas num conjunto de cinco canções, como um dos projetos mais notáveis a reter da cidade. Pesadelo é um disco fácil de ouvir por saber conjugar tão bem diversos géneros e sub-genéros, criando igualmente uma harmonia que aqui se torna, de certo modo, característica. Os Bruma primam nesta estreia essencialmente pelo facto de apresentarem um disco muito distinto das apostas que se têm feito ultimamente a nível nacional. Esse é mais um selo distintivo de Braga, as bandas nacionais que têm coisas novas a oferecer - de referir os Ermo, já que o EP teve produção e materialização asseguradas por Bernardo Barbosa - e que as fazem tão bem. Pesadelo é acima de tudo um disco que se deseja ver/ouvir muito ao vivo, bastante promissor e criativo.

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Reportagem: Orelha Negra [Hard Club - Porto]


No passado dia 30 de Janeiro, o Hard Club recebeu uma das bandas mais emblemáticas do panorama nacional. Os Orelha Negra estão de regresso, muito aguardado por todos, depois de três anos sem lançar para o mercado um registo discográfico. O próximo está prometido para esta Primavera, contudo, a banda deliciou-nos com uma hora de novo material. E só por si, conseguiu esgotar o Hard Club

De todos os lados, sentia-se um clima de curiosidade e de quase impaciência para a banda pisar o palco. Tal aconteceu às 22h00, quando as luzes se apagam e o clima eruptivo esbate na plateia. O público, embora as canções sejam tocadas pela primeira vez, parece já saber o que esperar, não que elas se repitam em termos de sonoridade do que já foi feito, mas por esperarem a qualidade habitual de um concerto dos Orelha Negra



A banda presenteou-se sob luzes fracas em tons negros, para que o produto se eleve e não a imagem. Quando falamos em produto falamos na música e, nesse, aspeto, foi uma noite rica em todos os sentidos. Por pena nossa, não conseguimos ter acesso à setlist e também sabemos que a banda não gosta de catalogar e meter nome ao seu material, pelo que provavelmente estas novas músicas nem nome têm, mas podemos assegurar que o Hard Club presenciou momentos únicos, de grande auge melódico. Há mudanças nos Orelha Negra. Nota-se uma grande diversidade sonora. Enquanto o primeiro álbum centrava-se num soul mais clássico, com momentos funk e rock'n'roll e o segundo apostando na mesma riqueza sonora, mas adicionando ainda mais sonoridades como hip-hop e soul mais moderno, desta vez, o novo material não se destaca pela mudança de sons, mas sim por uma maturidade muito mais sentida. Deste modo, temos melodias mais complexas, muito mais complexas, mas que a banda sabe das suas elevadas competências para a mostrar. 




O público recebeu-a de braços abertos e o Hard Club tornou-se numa enorme pista de dança e numa pista de emoções. As samples estão com uma qualidade destemida, mostrando que os Orelha Negra voltaram mais coesos e com personalidade. Desde batidas e compassos pormenorizados, que são um verdadeiro mimo para os mais atentos, até samples mais curiosas. Estas estão mais arrojadas que nunca, sendo uma fusão de adrenalina quando se mistura hip-hop, soul, funk, jazz e até rock. Damos o exemplo de um mash-up de “Bitch Don’t Kill My Vive” de Kendrick Lamar, alterado para “Drake Don’t Kill My Vibe”, depois de passarem uma sample da mais recente música do artista: “Hotline Bling”. 



No final, ainda tivemos tempo para um encore que suscitou numerosos aplausos: os Orelha Negra mimaram-nos com músicas mais clássicas do vasto reportório que já dispõem: “961919169”, “Throwback” e “M.I.R.I.A.M.”. No final, além da satisfação geral de todos, fica a ânsia de poder ouvir o novo material em formato digital, nos nossos computadores. Sejam rápidos Orelhas!


Fotografia: Pedro Pereira
Texto: Mário Jader

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