sábado, 12 de março de 2016

Bonobo com concerto no Gare


A primeira noite de comemoração do aniversário do Gare Porto realiza-se no dia 24 de Março e traz consigo um convidado muito especial: o produtor britânico Bonobo, que regressa novamente ao espaço portuense após um último concerto no mesmo local, em julho do ano passado.

Simon Green, mais conhecido por Bonobo, é uma das principais figuras da IDM atual e regressa então ao Porto para apresentar uma carreira com mais de 15 anos e que conta já com 5 álbuns de estúdio. O último registo do produtor britânico foi Flashlisht EP, de 2014, que recebeu novamente o selo da editora Ninja Tune e que se seguiu ao seu quinto disco de estúdio The North Borders, de 2013.

A noite será também composta pelos sets de Rui Trintaeum , Andy Burton e Midi, os dois últimos juntos em palco em registo “back to back”, numa noite que se espera bastante longa e animada. Os bilhetes encontram-se disponíveis  ao preço de 20 euros, com o espaço limitado a 600 pessoas.





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Foto-Reportagem: Luís Severo [Passos Manuel - Porto]


No passado dia 10 de março o cinema Passos Manuel, no Porto, recebeu o concerto de Luís Severo em mote da apresentação de Cara D'Anjo, o seu mais recente álbum de originais. A foto-reportagem do evento pode ser vista abaixo.







Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Vídeos da Semana #77


Na edição 77 dos vídeos da semana trazemos trabalhos audiovisuais de Violent Femmes, Cat's Eyes, School of Seven Bells, Rendez-Vous e CROWS, todos para ver abaixo.

1 - Violent Femmes - "Memory"


2 - Cat's Eyes - "Drag"

3 - CROWS - "Whisper"

4 - Rendez-Vous - "Distance"

5 - School Of Seven Bells - "On My Heart"

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Lê Almeida lança novo álbum


O brasileiro Lê Almeida, natural de Rio de Janeiro, lançou hoje o seu terceiro álbum, Mantra Happening, que tem o selo da editora Transfusão Noise Records. Depois de no ano passado ter editado Paraleloplasmos, Lê Almeida volta aqui com mais do seu habitual lo-fi, mas também, com diferenças em relação à sonoridade do seu anterior trabalho, havendo uma componente mais pesada e espacial. 

Mantra Happening vai estar disponível em formato K7, e já pode ser ouvido em baixo, onde também podem descarregar de forma gratuita.


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Já é conhecida a programação completa do Westway LAB 2016


O Westway LAB está de volta ao Centro Cultural Vila Flor em Guimarães para a sua terceira edição, tomando lugar de 06 a 16 de abril. Este é o primeiro e único evento PRO em Portugal e integra no seu programa Residências Artísticas, Talks, Showcases, Conferências PRO e Concertos.

A programação completa do festival foi divulgada esta semana e no que toca a concertos de Filho da Mãe, PAUS e Rui Maia que apresentam os seus novos trabalhos ao vivo. No caso do Rui Maia, o álbum será apresentado em Guimarães apenas uma semana após o seu lançamento. De destacar, também a estreia absoluta do trio holandês MY BABY em Portugal que trazem na bagagem os álbuns Loves Vodoo! e Shamanaid.

As conferências PRO trazem em destaque duas palestras de figuras de relevo na indústria da música independente internacional: Charles Caldas, da MERLIN, e Helen Smith, da IMPALA. A programação completa das conferências pode ser baixada aqui. Todas as informações adicionais do evento podem ser consultadas aqui.


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Party Sleep Repeat já tem nomes e chega mais cedo este ano


O festival de música e cultura que nasceu de uma homenagem está de regresso este ano e chega mais cedo. Depois de na edição passada ter trazido até à Oliva Creative Factory, em S. João da Madeira, artistas como Black Bombaim, Linda Martini, Moullinex, entre outros, à quarta edição o Party Sleep Repeat volta a apostar nos artistas nacionais e chega mais cedo, acontecendo no fim-de-semana de 22 a 23 de abril.

A organização já começou a avançar com os primeiros nomes e os interessados têm para já no cardápio Equations, PAUS, Holy Nothing, XINOBI  e Ganso para escolha. A programação por dias, das bandas confirmadas até ao momento, pode ser consultada abaixo. Informações adicionais podem ser consultadas aqui.

22 de abril
PAUS, Holy Nothing



23 de abril
Equations, XINOBI, Ganso




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Warm-up Sound Bay Fest com Solar Corona, The Black Wizards e Mr. Mojo em Leiria


É mais logo, às 22h, o Bar Alfa, Leiria, recebe a Warm-up party do Sound Bay Fest, em colaboração com a YAYAYEAH. As bandas que vão estar presentes são os Solar Corona, que também fazem parte do cartaz do Sound Bay Fest, The Black Wizards e Mr. Mojo. A entrada tem o custo de 4€.





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Old Jerusalem em entrevista:" Gostaria que o meu trabalho fosse apreciado com tempo"


Estivemos à conversa com Francisco Silva, mentor do projeto Old Jerusalem, que em 2016 regressou às edições discográficas com A rose is a rose is a rose, sexto trabalho de originais, com lançamento a 11 de março via PAD.

Threshold Magazine (TM) - Qual a história por detrás do título do álbum A rose is a rose is a rose?

Francisco Silva (FS) - O título referencia um poema da Gertrude Stein, mas principalmente o uso posterior que foi feito desse mesmo verso para ilustrar o chamado princípio da identidade (que uma coisa é o que é, ou, noutra formulação que “A é A”). Jogo com a ideia de cada coisa ter a sua própria natureza e de ser muitas vezes pouco sensato insistir em não respeitar essa natureza intrínseca de cada coisa.


TM - O que podemos esperar deste novo disco? Existe alguma temática associada?

FS - Uma temática, estritamente falando, não existe. Quando muito poder-se-ia dizer que pela recorrência em várias das canções do que atrás mencionei sobre o respeito pela natureza de cada coisa, esse poderia tomar-se como o “mote” do disco, mas mesmo assim com muitas ressalvas. 

TM - O que é que te influenciou na sua composição? 

FS - O que sempre me influencia na escrita de qualquer canção ou composição de qualquer disco: as minhas reflexões sobre a vida e a nossa existência, a minha mundividência, os livros que leio, as conversas que mantenho, os discos que ouço, etc, etc. 

TM - Quais as tuas expectativas em relação a este novo trabalho? 

FS - Gostaria que fosse apreciado com tempo e disponibilidade mental por quem o venha a ouvir, e que conseguisse imiscuir-se e trazer valor ao quotidiano de quem decida dar-lhe atenção. No entanto, isto é a formulação de um desejo, não configura propriamente uma expectativa. 

TM - Dado que sempre nos habituaste a edições mais regulares, porquê cinco anos para editar o sucessor de Old Jerusalem

FS - Numa fase ainda inicial do trabalho neste disco decidi que iria fazê-lo com a colaboração do Filipe Melo, e a participação dele acabou por “abrir a porta” à participação de outros músicos (o Nelson Cascais, o quarteto da Ana Cláudia, Ana Filipa, Joana e Ana, mesmo numa fase posterior o contacto com o Nelson Carvalho para as misturas). Tendo decidido de forma clara que este seria o rumo do trabalho, o que se impôs acabou por ser a necessidade de gerir a agenda de todos os intervenientes, e como se trata de músicos com um nível de actividade relativamente intenso em vários momentos, o trabalho acabou por ter de estender-se por um período de tempo mais alargado do que nos outros discos. 

TM - Old Jerusalem foi integralmente composto e produzido por ti, mas A rose is a rose is a rose já contou com a presença de vários colaboradores. Como explicas essa mudança? 

FS - Foi simplesmente o interesse e até mesmo a necessidade que senti de alargar o âmbito das colaborações, poder contar com outros matizes e outras perspectivas sobre as canções, com vista a diversificar e enriquecer a estética de Old Jerusalem e deste trabalho em particular, de lhe dar no fundo o seu toque distintivo. 

TM - Como foi trabalhar com Filipe Melo? 

FS - O Filipe é um músico excepcional, muito conhecedor, curioso, inteligente e aberto a explorar ideias. Além destas qualidades, revelou-se ainda por cima um tipo impecável com quem dá grande gosto passar tempo à conversa. Foi por isso muito fácil e extremamente recompensador trabalhar com ele. 

TM - Aquilo que te motivava em 2001 quando iniciaste o projeto Old Jerusalem ainda se mantem em 2016? 

FS - Diria que na essência sim, não sinto que a motivação para o projecto tenha sofrido alterações dignas de nota. 

TM - “Florentine Course” foi a música que mais gostamos de ouvir em A rose is a rose is a rose. Poderias explicar o seu significado? 

FS - No fundo é uma canção sobre o(s) momento(s) em que nos damos conta de que não é um drama deixar coisas para trás. 

TM - O que podemos esperar do concerto de apresentação do álbum na ZDB a 2 de Abril? 

FS - Como o enfoque de Old Jerusalem passa pouco pela componente de “espectáculo” o que se pode esperar é muito simplesmente a nossa interpretação tão dedicada quanto possível das canções deste disco e de outras canções anteriores. 

TM - Nick Drake ou Tim Buckley? 

FS - Nick Drake sem hesitar, com excepção de uma intepretação do “Song to the siren” num programa de televisão que só por si confirmaria o Tim Buckley como um dos gigantes da canção.


TM - O que tens ouvido ultimamente? 

FS - Os últimos CDs que passaram pelo leitor do meu carro foram o Existir dos Madredeus e o Nothing’s shocking dos Jane’s Addiction. Claramente as minhas audições seguem padrões muito próprios, ilógicos para quem não esteja na minha cabeça, e variados, pouco ditados pelo “sabor do momento”.

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quinta-feira, 10 de março de 2016

Aniversário da Engenharia Rádio no Armazém do Chá


A Engenharia Rádio é uma rádio amadora sediada na FEUP(Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto)que, no próximo domingo, dia 13 de Março, completa os nove anos de existência e, como tal, irá fazer uma festa dia 12, sábado, no Armazém do Chá.

Nesta festa irão irão actuar as bandas Big Red Panda, Brain Circles, Humanoid, Marquês e Sr. Inominável sendo o principal destaque os Big Red Panda, a banda de Ponte de Lima com enorme centro em stoner rock que lançou o seu segundo longa duração no fim ano passado. No fim das actuações das bandas e na sala 2 começam as actuações de DJ Cascas, DJ Cobble e Kulture Brother.

O evento tem inicio às 22 horas e a entrada é livre.


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Virgin Kids anunciam álbum de estreia


Os britânicos Virgin Kids, banda de garage rock com sede em Londres, vão lançar o seu primeiro álbum, Greesewheel, no próximo dia 11 de março. O trio, que começou como um bedroom project do frontman Asher Preston, conta com o selo de qualidade da Burger Records, editora pela qual se estreiam nos registos discográficos. Este primeiro álbum, o qual podem ouvir em baixo, mostra as influencias dos Virgin Kids em bandas como Jacuzzi Boys, FIDLAR e Black Lips, juntando tudo à sonoridade que se evidencia em Greesewheel.

O álbum vai ser editado via Burger Records (US) e Fluffer Records (UK).


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Sam Alone apresentam novo álbum com dois concertos



Os Sam Alone vão lançar o seu novo álbum, Tougher Than Leather, dia 18 de Março. 

A banda do Algarve vai apresentar o disco com dois concertos: o primeiro dia 18 de Março, no Canecas Bar (Paços de Ferreira), com os convidados The Lemon Lovers, e o segundo no dia seguinte no RCA (Lisboa), com o convidado Fast Eddie Nelson. No fim de Março partem para uma digressão europeia.

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STREAM: Iggy Pop - Post Pop Depression


O incansável Iggy Pop disponibilizou para audição o seu novo álbum, Post Pop Depression, que gravou em colaboração com Joshua Homme, dos Queens of the Stone Age. O lançamento oficial deste novo registo, que vai ter o selo da Loma Vista Records, está previsto para a próxima semana, no dia 18 de março. Nesta nova formação do Iggy Pop, podemos também encontrar outro membro dos QOTSA, o teclista Dean Fertita, assim como o baterista dos Arctic Monkeys, Matt Helders

A banda já começou a planear a sua tour, que vai ter inicio neste mês.


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Kelela e Temper Trap confirmados no Super Bock Super Rock


O festival Super Bock Super Rock confirmou hoje mais três nomes pra a edição deste ano. Os já muito conhecidos pelos portugueses Temper Trap regressam ao nosso país para atuarem no palco principal do primeiro dia do festival, dia 14 de Julho, a quem se juntam também os recém confirmados Lucius, que se estreiam em solo nacional. O principal destaque das mais recentes confirmações vai para a norteamericana Kelela, que editou no ano passado o brilhante EP Allucinogen e que  será apresentado no Palco EDP no dia 16 de Julho, dia em que atuam também Kendrick Lamar e Fidlar.

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Milhões de Festa anunciou mais três nomes












Hoje após o aviso já dado, o Festival Milhões de Festa anunciou então mais três nomes que farão parte do alinhamento para o seu festival.
Serão eles The Bug, que volta a pisar o solo de Barcelos, The Heads e ainda Bixiga 70.
Estes nomes juntam-se então a GOAT, Sons of Kemet Part Chimp e ainda Domenique Dumont.
Os bilhetes já se encontram disponíveis para a venda nos locais habituais e têm um preço de 75 euros 

 


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Reportagem: Deafheaven + Myrkur [Hard Club, Porto]


Era uma noite serena no Porto. Não se encontravam muitas pessoas na rua, à excepção daqueles que passeavam em família ou com amigos. Poucos eram aqueles que tinham noção do evento que se estava a aproximar na sala 2 do Hard Club. Foi apenas preciso chegar à Praça Mouzinho da Silveira para notar a diferença no ar. Já existia fila para alcançar a bilheteira e pairava uma onda de excitação no ar. Fãs ansiosos para contemplar a misteriosa Amalie Bruun, líder de Myrkur, outros curiosos pela experiência de como seria ouvir Deafheaven ao vivo.

Enquanto me lamentava por não ter dinheiro para comprar o Sunbather dos Deafheaven mantive-me na fila, ansioso para voltar a entrar numa sala de concertos onde já tinha sido feliz anteriormente. Entretanto, entregaram-me a pulseira verde e abriram-me as portas para aquilo que seria uma noite para recordar, com o selo da Amplificasom.

Myrkur


O palco para o primeiro concerto da noite estava adequadamente ornamentada com um microfone sustentado por uma espécie de altar feito com paus de madeira e por uma nuvem de fumo.

Foi por volta das 21h40 que a banda entrou em palco. Primeiro, entraram uns matarrões com a cara esfarrapada de cinza que pegaram nos instrumentos musicais. Faltava entrar a donzela porque todos dentro da sala esperavam. E não tardou a aparecer. Amalie Bruun entrou em palco e fez-se o silêncio. Todos se aproximaram do palco na expectativa de ver o que esta mulher era capaz de fazer.

Usando um vestido vitoriano preto e vermelho e sem nenhuma apresentação, esta aproximou-se de um teclado e abriu o concerto com uns acordes de piano e o seu canto de sereia, com a música “Don Lille Piges Dod”. Deixando a introdução mais clássica e calma de parte as guitarras começaram a rasgar e a bateria a marcar o ritmo. Foi claro que ninguém estava para brincadeiras naquele palco, aliás estávamos num concerto de Black Metal.



O público ainda se encontrava algo envergonhado e perdido na beleza de Amalie, mas tudo mudou quando esta pegou na sua guitarra BC Rich e começou a tocar as primeiras notas de "Onde børn", aquela que é possivelmente a musica mais reconhecível do álbum M. A mudança de atitude foi óbvia, sendo que muitos trocaram a postura de gentleman (possivelmente para impressionar Amalie) e começou um headbang geral por toda a audiência.

A setlist do concerto foi dominada essencialmente por músicas do mais recente álbum de Myrkur, M. Apesar de a banda de apoio ser formada por excelentes instrumentalistas dentro do género, foi a voz de Amalie que se destacou. Alternando entre a sua bela e angelical voz limpa e uns growls dignos dos seus ídolos que andavam a queimar igrejas na década de 90 na Noruega.

Tal como o concerto começou, acabou com uns acordes de piano e uma rendição da música "Song to Hall Up High" dos Bathory. As últimas palavras que ouvimos saírem da boca da cantora, é a ultima frase da música, surgem não só como despedida mas também com um tom profético.

“Northern wind take my song up high

To the Hall of glory in the sky

So its gates shall greet me open wide

When my time has come to die”


Myrkur @ Hard Club


Deafheaven 


Depois de toda a emoção transmitida no concerto de Myrkur fui recuperar as minhas forças no bar com um fino. Ainda um bocado atónito do concerto que tinha acabado de assistir, tive o prazer de assistir ao soundcheck da banda que a grande parte das pessoas que se encontravam na sala vinha assistir.

A sala foi começando a encher enquanto via conviverem raças diferentes. Por um lado encontrava metalheads todos vestidos de preto a passearem as suas barbas e cabelo compridos, por outro encontrava inúmeras pessoas de camisa e com a pulseira de Paredes de Coura e do Primavera Sound. Isto apenas vem comprovar que Deafheaven é uma banda que agrada não só aos mais elitistas dos sons mas também a uma audiência mais abrangente.

Não me lembro que horas eram, mas lembro-me de ouvir uns sinos de igreja pré-gravados a anunciar a entrada da banda. A entrada de George Clarke, vocalista da banda, em palco, com a sua característica camisa e calças pretas, foi o suficiente para chamar a atenção de todos os fãs presentes.

Assim que a banda começou a fazer aquilo que sabe melhor ninguém mais conversou. Era para isto que todos tínhamos ido para o Hard Club. A banda abriu com um avassalador “Brought to the Water” que nem por um segundo perdoou os ouvidos dos fãs. A euforia tinha começado.



Com “Luna” a banda continuou as incríveis malhas de guitarra e o som continuou pesado. Já em "Baby Blue" fomos brindados com algo diferente. Fomos brindados com uns belos solos por parte Kerry McCoy, que deu uma lição de como usar um pedal wah-wah (irónico será dizer que na sua camisola estava representado um verdadeiro guitar hero, Eddie Van Halen).

No restante concerto ouvimos os restantes temas de New Bermuda, "Come Back" e "Gifts for the Earth". Estas músicas proporcionaram os momentos mais psicadélicos da noite, onde a banda deixou um pouco de parte o black metal e abraçou o shoegaze.Após a interpretação dos temas que constituem o álbum New Bermuda, os Deafheaven abandonaram o palco. No entanto os gritos dos fãs foram suficientes para a banda voltar e compensar os fãs com dois temas do álbum acarinhado álbum, Sunbather.

Durante os temas que se seguiram, "Sunbather" e "Dream House", posso francamente dizer que os fãs (e George Clarke) perderam completamente a cabeça, começando com mosh pits. Alguns fãs subiram mesmo ao palco ou foram puxados pelo próprio vocalista (incluíndo este escritor) para fazerem o tão apetecível crowdsurf. Ainda na última musica, George, atirou o microfone para os fãs (que infelizmente acertou na minha cabeça) para tentarem a sua sorte e cantarem o melhor que conseguissem.

A banda despediu-se com a promessa de voltar aos palcos portugueses e com os fãs em completo êxtase. Naquele que foi um dos concertos mais intensos que tive o prazer de presenciar, a verdade é que os fãs têm uma ligação muito forte com esta banda e com a sua música (especialmente com os temas de Sunbather), algo que é sentido com a sua entrega durante a performance.

A noite terminou com um repouso (merecido) junto ao palco, onde um roadie teve a gentileza de me oferecer um copo de cerveja esquecido pela banda em palco. E foi com esta cerveja na mão que me despedi da sala 2 do Hard Club onde passei mais uma noite memorável.

Deafheaven @ Hard Club


Texto: Hugo Geada
Fotografia: Pedro Pereira


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quarta-feira, 9 de março de 2016

MONITOR fecha cartaz. Seis projetos atuam no Beat Club em maio


O Monitor, evento de cariz único descrito como um rendez-vous internacional de Minimal Wave e Post-Punk estreia-se a 28 de maio de 2016, no Beat Club em Leiria, pelas mãos da conceituada Fade In - a associação cultural sem fins lucrativos responsável pelo festival Entremuralhas. Depois de revelado o primeiro nome - a dupla Peine Perdue - a organização avançou esta segunda-feira com os restantes cinco nomes a integrarem o cartaz e mais cinco estreias em Portugal: Madmoizel, Mensch, Tisiphone, Luminance e Xarah Dion.

No total há seis nomes a subirem ao Beat Club que nunca aterraram em terras portuguesas, portanto para além de um evento único é uma oportunidade única para ver uma meia dúzia de projetos emergentes na cena da minimal wave e do post-punk. Todas as informações relacionadas com as bandas pode ser consultada abaixo.

Os horários de atuação por banda ainda não foram divulgados mas os bilhetes já podem ser adquiridos por um preço simbólico de 20€. No próprio dia os bilhetes têm um valor de 25€. Os bilhetes com compra antecipada podem ser adquiridos na loja Alquimia.


Pontualmente glaciar e predominantemente exuberante MADMOIZEL é uma expressiva artista e performer que mistura os beats dos anos 80 com sequências eletrónicas sofisticadas às quais acrescenta vocalizações empolgantes, como se de uma diva punk se tratasse. Senhora de uma sonoridade onde podemos encontrar referências a David Bowie, Nina Hagen, Laurie Anderson, Kate Bush ou New Order.




O lema das francesas MENSCH é “dance and die!”. Na sua estreia em Portugal a dupla traz o recomendado e mais recente álbum Tarifa, mas no local onde vão atuar já há muitos anos que roda "Kraut Ever", um emblemático tema bem representativo do krautrock, new-wave e post-punk que distingue esta banda entre as demais.




Os gauleses TISIPHONE são uma das grandes surpresas de 2016. O trio é detentor de uma sonoridade rítmica peculiar (a vocalista toca, em pé - uma bateria desprovida de bombo - que é tocado, ao lado, pela baixista) onde podemos encontrar influências da coldwave de uns Clair Obscur, da dicotomia masculina/feminina com nuances que evocam uns Sleeping Dogs Wake, ou do revivalismo post-punk de umas Savages.




LUMINANCE é o extraordinário projecto synthpop/coldwave sediado na Bélgica, obra de DA, o guitarrista dos franceses Soror Dolorosa – colectivo que actuou em Leiria no Entremuralhas 2013. Nas suas composições podemos encontrar a colaboração de Darin Huss (dos lendários Psyche) ou de Kristoffer Gripp dos Agent Side Grinder.





A canadiana XARAH DION é a habitual parceira de Marie Davidson nas Les Momies de Palerme (que editam na Constellation, a casa de Godspeed You Black Emperor, Silver Mt Zion, etc). Enquanto Davidson anda ocupada nos Essaie Pas – a mais recente contratação de James “LCD Soundsystem” Murphy para a sua editora DFA Records - Xarah Dion estreia-se em Portugal para mostrar no MONITOR a sua música synthpop minimalista de teor intimista.


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Luís Severo apresenta “Cara d’Anjo” no Passos Manuel


É já na próxima quinta-feira que Luís Severo, outrora conhecido como Cão da Morte, apresenta no Porto o seu mais recente álbum.  Cara d’Anjo vai ter tocado no Cinema Passos Manuel, no próximo dia 10, pelas 22:30. Os bilhetes detêm o preço de 3 euros.



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terça-feira, 8 de março de 2016

King Gizzard & The Lizard Wizard lançam novo álbum em abril


Os King Gizzard & The Lizards decidiram voltar ao garage e ao rock psicadélico, deixando para trás vários trabalhos influenciados pelo pop e rock progressivo. Nonagon Infinity será o sucessor de Paper Mâché Dream Balloon (2015) e tem lançamento agendado a 29 de abril. 

A banda australiana já disponibilizou o vídeo do primeiro single de avanço, "Gamma Knife", onde monges cometem o suícidio em massa, assim como a art cover (em cima) e a tracklist (em baixo).


Tracklist:

01 “Robot Stop”
02 “Big Fig Wasp”
03 “Gamma Knife”
04 “People-Vultures”
05 “Mr. Beat”
06 “Evil Death Roll”
07 “Invisible Face”
08 “Wah Wah”
09 “Road Train”

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ASIMOV lançam terceiro disco no final do mês


ASIMOV, o duo psicadélico do Cacém, vai lançar o seu terceiro álbum intitulado Truth, a 24 de marçom tanto em formato cassete pela Ya Ya Yeah como em formato cd pela Raging Planet.
O lançamento de Truth vai ser celebrado numa Listening Party no mesmo dia. Onde? 
Num dos últimos bastiões de bom gosto que é O Pai Tirano, o mais melómano e boémio bar de Lisboa.

 "Even Tame Tigers Bite Their Masters" é o single de avanço deste novo trabalho é pode ser ouvido aqui.

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Kikagaku Moyo regressam à ZDB em junho


A banda japonesa Kikagaku Moyo vai regressar ao nosso país para mais uma vez atuar na Galeria Zé dos Bois. O concerto está agendado para 19 de junho e  faz parte da tour europeia de apresentação do seu terceiro álbum de originais House in Tall Grass, a ser editado em Maio via Guruguru Brain.

"Kogarashi" é o primeiro single deste novo trabalho. Escutem no aqui:


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Band of Horses no NOS Alive


Os Band of Horses são a nova confirmação do NOS Alive, com atuação marcada para dia 9 de julho, no Palco NOS. A banda de Seattle repete assim a sua presença neste festival depois de terem marcado presença em 2013, juntando-se a Arcade Fire, M83, Grimes, Calexico, Ratatat, José Gonzalez e PAUS.

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segunda-feira, 7 de março de 2016

Youthless em Entrevista


Estivemos à conversa com Alex Klimovitsky que nos falou um pouco sobre o álbum de estreia dos Youthless, This Glorious No Age, que teve o seu lançamento, hoje, dia 7 de março.

Threshold Magazine(TM) - Como se conheceram?

Alex Klimovitsky(AK) - Sab e eu conhecemo-nos desde os 14 anos, quando andámos juntos no Instituto Espanhol de Lisboa em Dafundo. Eu cresci em New York, mas tinha também vivido 3 anos em Madrid, e falava melhor espanhol que português quando cheguei a Lisboa com a minha mãe. E o Sab nasceu cá, mas numa família inglesa e num ambiente completamente inglês. Como ele tinha também algumas raízes espanholas, entrou no mesmo liceu... no primeiro dia de escola, sentámo-nos um ao lado do outro, os únicos camones na escola, que quase não falavam espanhol mas falavam inglês.

TM - Qual é a origem do nome "Youthless"?


AK - Como tocamos juntos em bandas desde os 14, estávamo-nos a queixar aos nossos amigos que éramos velhos de mais para estar a fazer outra banda de garage rock tão atlético… por isso, um amigo disse no gozo que devíamos chamar-nos Youthless…. lembra-me o Danny Glover no Lethal Weapon, que passa o filme todo a dizer “I’m getting too old for his sh*t.”

TM - O que achas de comparações entre Youthless e Death From Above 1979?

AK - Eu percebo completamente a comparação, apesar de achar que é um pouco preguiçosa.
Mas sim, ao início da banda nós tínhamos um formato pouco comum e muito parecido (agora temos teclista ao vivo, o que muda tudo bastante) e as primeiras coisas que fizemos também era uma espécie de garage rock/ trashy dance/ cancões pop… mais porque eu não sabia tocar bateria e as únicas batidas que conseguia fazer enquanto cantava eram essas batidas fáceis de “boom bap”. Mas eu acho que agora, com este LP, o que estamos a fazer é mesmo muito diferente dos DFA 1979, embora se calhar ainda haja semelhanças por haver um baixo enorme e distorcido.

TM - Qual a reacção do público ao vosso regresso (ao vivo e em estúdio)?


AK - Até agora tem sido fantástico. Tocámos uma série de concertos com um nome falso, só para brincar e experimentar algumas das novas músicas, e os concertos foram brutais... muito caos e diversão.

TM - Como foi o processo de criação de "This Glorious No Age"? Semelhante ao de "Telemachy" ou mais pensado?


AK - Muito diferente. O Telemachy também foi um LP conceptual, com história e coisas pensadas e planeadas mas surgiu tudo super espontaneamente. Fomos para Londres, dormimos no chão do estúdio do produtor inglês Rory Attwell (Test-icicles, The Vaccines, Palma Violets) e escrevemos e gravámos tudo numa semana. Este disco agora foi-se fazendo aos poucos, durante vários anos.

TM - Quais foram as vossas maiores influências para este trabalho?


AK - Para mim, as maiores influências não são de músicos mas sim de pensadores e escritores. Pensei muito sobre o Capitalismo como sintoma, não como raiz do problema da humanidade.. Há muita influência de Marshal Mcluhen, Guy Debord e até escritores muito contemporâneos como David Graeber e Jaron Lanier.
A nível de som, varia muito desde os Pink Floyd e Bowie até Jean-Claude Vannier e Randy Rhoads.

TM - Como acham que este disco vai ser recebido pela crítica? 


AK - Ah ah... não faço ideia... tentamos não pensar nesse aspeto das coisas. Fazemos o que sentimos e o que nos interessa no momento e depois continuamos em frente para a próxima coisa.

TM - Têm alguma música, que fizeram durante o vosso hiato forçado, que ficou fora do álbum?


AK- Já temos músicas novas, uma até já gravámos no estúdio de Sab para um próximo trabalho. Mas estas foram todas escritas depois deste LP estar gravado... como o processo de mistura, masterização e preparação do lançamento demorou quase 2 anos, tivémos tempo para fazer mais coisas. Mas as músicas do LP são todas as que escrevemos e planeámos na altura... não houve escolha de músicas para ficar dentro ou fora do LP.

TM - Irão apresentar o vosso álbum fora de Portugal?


AK - Sim, já temos um tour no UK organizada pela nossa editora inglesa que também vai lançar o LP lá.

TM - O que acham dos hipsters?


AK - Não sei exatamente o que é um hipster em termos culturais ou estética. O que penso quando ouço essa palavra, no fundo, é um consumidor. Alguém para quem a moda, a arte, a informação, são mercadorias. E isso põe-me triste porque se perde a função e impacto das coisas. No fundo, acho que nos estamos todos a tornar mais e mais hipsters e consumidores de cultura, por causa do ambiente em que as coisas são transmitidas, e há que lutar com toda a força que temos para manter algo de vivo e precioso nas coisas.

TM - O que têm ouvido nas últimas semanas?

AK - Muito Bowie, estou a ler uma biografia sobre ele e estou a ouvir os álbums Low e Ziggy em modo repeat.

TM - É tudo, obrigado!

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