sábado, 25 de junho de 2016

The Miami Flu tocam no Sabotage Club a 1 de julho


Depois de terem lançado o disco de estreia Too Much Flu Will Kill You os The Miami Flu deram o seu primeiro concerto no Party Sleep Repeat, recolhendo boas críticas entre o público e blogosfera. Assinaram também contrato recentemente com a Pointlist, editora e promotora eborense, e têm tudo para dar um concerto que promete na próxima sexta-feira, 1 de julho, no Sabotage Club, Lisboa.

A banda de Vale de Cambra, que junta Pedro Ledo e Tiago Sales, membros dos Lululemon,  a João Vilar (Al Fujayrah) e Tiago Campos (Twin Chargers), promete assim uma noite de psych-rock recheada dos grandes êxitos que cobrem o disco de estreia. O concerto tem início às 22h30 e a entrada é gratuita.


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Nothing estreiam-se em Portugal em outubro


Os norte-americanos NOTHING estreiam-se em Portugal em outubro, pelas mãos da Amplificasom, para dois concertos em Lisboa e Porto. Os concertos tomam lugar a 7 de outubro no Musicbox, Lisboa e a 8 de outubro na Cave 45, Porto. Na bagagem a banda traz o seu mais recente disco Tired of Tomorrow, editado este ano pela Relapse Records, bem como o primeiro trabalho de longa duração Guilty of Everything, onde o impressionismo decibélico do shoegaze se encontra com o rock alternativo da década de 90.

 Em ambas as datas os concertos têm início às 21:30, com as portas a abrirem-se 30 minutos antes Os bilhetes têm o preço único de 14€ e estão já à venda em amplificasom.com/amplistore. Muito em breve estarão também disponíveis na Louie Louie (Porto), Matéria Prima (Porto), Piranha (Porto), Black Mamba (Porto), Bunker Store (Porto), Flur (Lisboa), Glamorama (Lisboa) e Vinilexperience (Lisboa).



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Piquenique Dançante Sobre a Relva regressa a 2 de julho


Repete-se este ano, já no próximo dia 2 de julho, o Piquenique Dançante Sobre a Relva, numa segunda edição a tomar lugar novamente no jardim da Casa Allen/Casa das Artes, Porto. A organização resulta mais uma vez da parceria entre a Direção Regional da Cultura do Norte e a editora Sister Ray.

Este ano há horário alargado entre as 11h00 e as 20h00, contando com sete concertos distribuídos por dois palcos, três sets de djing e entrada livre. Em palco estarão André Carneiro, Desligado, Grainy Detours, O Incrível Homem Bomba, Palace Mémoire, Plax Vaz & os Kriol’Art e os The Wild Booze, ficando o djing a cargo de Pedro Tenreiro (Antena 3), Alexandra Gonçalves (Rádio Nova) e do coletivo The Boys Next Door

Convida-se ao retomar da tradição do almoço de piquenique em família, ao farnel, ao merendeiro e à marmita, pois pretende-se que o Piquenique Dançante Sobre a Relva seja isso mesmo, com famílias, piqueniques e ambiente de festa, onde a música portuguesa crie a predisposição para fruir deste magnífico jardim Portuense. E, quem não levar cesta de piquenique, ou precisar de a complementar, pode contar que haverá comida e bebida para adquirir no local.

Para relembrar, a entrada é livre. Todas as informações adicionais aqui.


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Divulgado o alinhamento diário para o Amplifest


O Amplifest 2016, que acontece de 19 a 22 de agosto, já tem o alinhamento diário revelado. Os bilhetes diários encontram-se também já disponíveis em amplificasom.com/amplistore e, nos próximos dias, também nas lojas Hard Club, Louie Louie, Bunker Store, Piranha e Black Mamba, todas estas no Porto, e ainda nas lisboetas FLUR, Vinil Experience e Glamorama.

Revelados foram também os dois filmes a serem apresentados durante o evento: The Melvins Across the USA in 51 Days: The Movie!, um travelogue sobre a ininterrupta digressão dos Melvins que os fez calcorrear todos os estados norte-americanos. O filme será projectado no sábado, dia 20; Backstage, da realizadora Mariexxme, que colecciona as confissões sobre o mundo da música de membros dos Neurosis, Amenra, Converge, entre outros, será exibido no domingo, dia 21.

O alinhamento das bandas por dias segue abaixo. Os passes gerais, para os 4 dias, têm um preço de 89€. Para os dias 21 e 22 de agosto custarão 75€.

Sexta, 19 de agosto @ Cave 45
ALUK TODOLO 

Sábado, 20 de agosto  @ Hard Club
ALTARAGE 
ANNA VON HAUSSWOLFF 
HEXVESSEL 
KAYO DOT 
KOWLOON WALLED CITY 
MINSK 
MONO 
REDEMPTUS 
ROLY PORTER 
SINISTRO

"THE MELVINS ACROSS THE USA IN 51 DAYS: THE MOVIE!" (filme) 

Domingo, 21 de agosto @ Hard Club
CASPIAN 
CHVE 
DOWNFALL OF GAIA 
HOPE DRONE 
NEUROSIS 
NÉVOA 
OATHBREAKER 
PRURIENT 
TESA 
THE BLACK HEART REBELLION 
TINY FINGERS 

"BACKSTAGE" (filme) 

Segunda, 22 de agosto @ Passos Manuel 
STEVE VON TILL 
THE LEAVING



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STREAM: Indian Zephyr - We Are EP


Formados em 2014 os Indian Zephyr encontram-se de regresso aos trabalhos de estúdio desta feita para mostrar o segundo disco curta-duração. Intitulado de We Are, o EP sucede Dead Sonata (2015), e apresenta igualmente três músicas inéditas. 

O trio portuense explora as guitarras do lo-fi com muita distorção e reverb envoltos. Em músicas como "More Than a Game", essencialmente na sua introdução, é possível encontrar alguns traços característicos da sonoridade dos Interpol. O EP pode agora ser ouvido na sua totalidade em baixo, via bandcamp.


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sexta-feira, 24 de junho de 2016

O Quintanilha Rock 2016 está quase a chegar


O Quintanillha Rock está de regresso à aldeia para a 16ª edição, acontecendo entre os dias 7, 8 e 9 de julho, para voltar a agitar as águas do Rio Maçãs, no Nordeste Transmontano. O evento destaca-se pela diversidade e qualidade da programação, a interação próxima entre a comunidade local e os visitantes, os produtos regionais e o cenário único proporcionado pelo Parque Natural de Montesinho. 

Já com o cartaz fechado poderão assim ser vistas ao longo dos três dias 17 bandas: 9 portuguesas e 8 espanholas. Os portugueses Capitão Fausto encabeçam a armada lusa que conta também com nomes como Plus Ultra, Pista, Cave Story, Stone Dead e Galgo. Do outro lado da fronteira chega o surf garage dos madrilenos The Parrots, que vêm acompanhados por Juventud Juché, Baywaves, Tigres Leones, Mahalo e Alien Tango

Uma das novidades da presente edição do festival são os concertos durante a tarde no palco localizado em Espanha, na praia fluvial do Colado. Por lá irão passar os portugueses The Sunflowers e Toulouse e os espanhóis Yawners e Sorry Kate.

O festival arranca no final da tarde do dia 7 julho com um concerto de Grutera na já mítica “Adega do Fanhascas” e conta mais uma vez com o apoio da Câmara Municipal de Bragança. O passe geral para os 3 dias do festival tem um custo de 10 euros e os bilhetes diários de 8 euros. 


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quinta-feira, 23 de junho de 2016

The Parkinsons, Killimanjaro e Repressão Caótica no Festival Contracorrente


Festival Contracorrente acaba de anunciar mais 3 nomes para a edição de 2016. The Parkinsons, Killimanjaro e Repressão Caótica são os mais recentes nomes a atracar no pequeno cais improvisado da Praia Fluvial de Merelim. 

Estas novas confirmações juntam-se a bandas como Bed Legs, Mr. Miyagi, The Black Wizards e Paraguaii. O evento pretende afirmar-se no panorâma do Rock n’ Roll nacional e contar com aquilo que de mais emergente se faz na música por terras lusas. 

Entre 5 e 6 de Agosto todos os caminhos vão dar à Praia Fluvial de Merelim, em Braga, para mais uma edição do Festival ContracorrenteDurante a próxima semana vão estar disponíveis todas as informações sobre bilhetes.



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Reportagem: ANOHNI [Coliseu do Porto - Porto]


Dia 21 de junho, o dia a seguir ao dia "mais longo do ano", foi provavelmente o dia "mais quente do ano" e também o dia em que ANOHNI tocou no Coliseu do Porto para apresentar o primeiro disco em que assume a sua figura feminina, HopelessnessPor volta das 21:20, ainda com bastante luz natural eram muitos os que ainda assistiam ao cativante Croácia - Espanha no ecrã gigante da praça de D. João I. Eram muitos também os que subiam a rua de Passos Manuel em direcção ao Coliseu. 

Já dentro da sala o palco era bastante simples: duas superfícies inclinadas dos lados e umas pequenas escadas no centro e, enquanto ainda ia enchendo, ouvia-se, ocasionalmente, um som ambient/noise. Eram 21:40 quando apareceu no ecrã Naomi Campbell, modelo que aparece no videoclip de "Drone Bomb Me", numa espécie de dança com o mesmo som ouvido anteriormente. As luzes foram reduzindo a sua intensidade e Naomi continuou a "dançar" durante cerca de 10 minutos. Um momento que achei bastante estranho e até incómodo (talvez isso fosse outro dos objectivos do mesmo) mas que após alguma partilha de ideias percebi tratar-se de uma comparação a quando o disco de ANOHNI nos faz querer dançar. Os temas tratados no disco são extremamente sérios e problemáticos, não é ocasião para dançar, assim como o som ouvido não convidava à dança, era "negro", e mesmo assim Naomi dançava. 

Tudo ficou escuro, viram-se Daniel Lopatin (ou Oneohtrix Point Never, que colaborou na composição de Hopelessness) e Christopher Elms, que se instalaram dos lados do palco. Apareceu uma outra mulher no ecrã, começaram as primeiras batidas e entrou a voz arrepiante de ANOHNI com a canção homónima do disco. No fim desta primeira música a cantora entrou em palco vestida com uma túnica com capuz e um véu negro que lhe tapava a cara. Seguiu-se "4 Degrees", o primeiro single da artista, e uma mulher diferente apareceu no ecrã, os seus lábios moviam-se como se ela estivesse a cantar a música. Demonstrava vários sentimentos e estados de desespero, todas as canções tiveram este acompanhamento visual com mulheres diferentes. 



Pelas vestes e acompanhamento da música podemos pensar em ANOHNI como uma "mensageira", com a cara tapada pois não é o foco, da história de todas as mulheres que iam aparecendo (e de muitas outras por todo o mundo). Ouvindo com atenção as letras percebemos a dimensão denunciadora e política do seu conteúdo. Isto também explica o porquê da cantora não ter dirigido uma única palavra ao público. Não era um mero concerto em que a banda é congratulada pela criação de execução das músicas. As músicas foram todas tocadas e cantadas de forma arrepiante e perfeita, mas não foram criadas para serem aplaudidas, foram criadas para incitar a acção.

Durante cerca de 1 hora e 10 minutos Hopelessness foi tocado na integra e apresentados temas que, infelizmente não fizeram parte deste registo, "Paradise", "Ricochet", "Jesus Will Kill You", "Indian Girls" e "In My Dreams", a única vez que foi possível ver a cara da artista no ecrã. "Drone Bomb Me" foi o ultimo tema tocado e onde voltamos a ver Naomi Campbell, agora em lágrimas. Apagaram-se as luzes e ouvimos um discurso de Ngalangka Nola Taylor intitulado "What Are We Doing With The Earth?". Quando as luzes se ligaram o palco tinha sido completamente abandonado e todos os presentes se levantaram para um longo e merecido aplauso.

O concerto de ANOHNI foi, provavelmente, o melhor a que assisti, não só pela sua poderosíssima voz (que me deixou completamente arrepiado o tempo todo) mas também por todo o simbolismo. "What Are We Doing With The Earth?".



Setlist:
Hopelessness
4 Degrees
Watch Me
Paradise
Execution
Ricochet
I Don't Love You Anymore
Obama
Violent Men
Why Did You Separate Me From The Earth?
Jesus Will Kill You
Crisis
Indian Girls
Marrow
In My Dreams
Drone Bomb Me

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Cartaz do Festival Milhões de Festa fechado



Esta quarta-feira deu-se por encerrado o cartaz do festival minhoto, Milhões de Festa. No cartaz já constavam nomes de peso como GOAT, Dan Deacon, The Heads, El Guincho e mais recentemente Nicola Cruz e Adrian Sherwood

O cartaz encerra assim com a confirmação de GAIKA, Oozing Wound, Aggrenation, PO+AL e ainda Ensemble Insano, que já tinham marcado presença em edições anteriores do festival.

Garantiu-se também o começo de venda de ingressos diários e o custo do bilhete para todo o festival terá o custo de 55 euros, o festival realizar-se-á já a partir do dia 21 de julho até ao dia 24 de julho.




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Festival Silêncio 2016: 30 de junho a 3 de julho - Cais do Sodré


A Festa da Palavra regressa ao Cais do Sodré de 30 de Junho a 3 de Julho. Tendo como premissa o diálogo entre diferentes expressões e saberes, o Festival Silêncio é a celebração da palavra como unidade criativa: a palavra como ponto de partida para a criação, como objecto artístico e como veículo para chegar a novas narrativas.

Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2015, o Festival Silêncio volta a assentar no desenvolvimento de parcerias com entidades de programação, agentes culturais e habitantes do bairro na criação de um evento participativo e transdisciplinar, que celebra o poder da palavra para estimular, inspirar e valorizar a criação artística, a reflexão cultural e a participação coletiva.

A sexta edição do Festival Silêncio preparou mais de 130 actividades de acesso livre nas áreas de Cinema, Música, Performance, Oficinas, Exposições e Conversas. 

O Festival da Palavra apresenta este ano um ciclo de homenagem à artista portuense Ana Hatherly e um ciclo que se debruçará sobre os múltiplos significados da palavra Fronteiras. Contará ainda com uma Feira de Edição Independente (Pangeia-Silêncio), uma Residência Artística que juntará Marta Bernardes, Miguel Bonneville, Daniel Jonas e Rui Silveira e um espectáculo de encomenda com a comunidade, a n d a r [cais do sodré], coordenado pela bailarina e coreógrafa Aldara Bizarro.

No plano dos concertos, destaque às presenças de Lula Pena, Samuel Úria, Bruta (Nicolas Tricot e Ana Deus), Filho da Mãe & Ricardo Martins + Miguel Borges, Aline Frazão, Cachupa Psicadélica com o espectáculo: A Moda do Poeta. Ciclo especial também no Musicbox, com "bate-papos" marcados entre Mazgani e Duquesa (1 de Julho) e L-Ali e Mike El Nite (2 de Julho). No campo das conferências e conversas, presenças do filósofo francês Étienne Balibar (2 de Julho, 18h30, Largo São Paulo), da galega Chus Pato (3 de Julho, 18h30, Largo de São Paulo) e do jornalistaJosé Goulão (1 de Julho, 18h30, Largo de São Paulo).



O cinema volta a trazer a mostra de Poetry Film, com a inclusão de filmes nacionais e internacionais, uma série documental dedicada ao tema Fronteiras e curada por José Goulão e um ciclo de cinema com curadoria do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Na vertente das exposições, será possível visitar um conjunto de mostras que compilam e reinterpretam o trabalho de Ana Hatherly, trazidas até ao Cais do Sodré com o apoio do Arquivo de Poesia Experimental Fernando Aguiar, assim como mostras de fotografia, instalações nas montras do comércio local e video-arte.

Na performance, várias apresentações cruzarão os universos da dança. teatro, poetry slam, poesia & Música, teatro de marionetas, leituras e contos. A completar a programação vários desafios, na forma de workshops, oficinas e instalações interactivas, estarão à disposição de todos os que se deslocarem até ao Cais do Sodré ao longo dos quatro dais de festival.

O Festival Silêncio volta a ser possível devido ao esforço colectivo de diversos agentes culturais, espaços comerciais e artistas. Toda a programação pode ser aqui consultada.

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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Oiçam: Monza

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A Freak, gravadora e selo de música independente com sede em São Paulo, Brasil, tem estado em promoção do álbum de estreia da banda Monza, Hoje Foi Um Dia Fantástico

Explorando bem a simplicidade do rock com canções que falam a dois, os Monza podem não dar pistas de cara, porém com o ouvido mais aguçado, algo de freak se revela: as músicas trazem um revivalismo aos anos 90, quando no Brasil havia uma paixão em fazer rock'n'roll puro. 

Pixies, Nirvana e Wilco são algumas das influências presentes no disco de estreia do quarteto. Arranjos de guitarra marcantes, bons refrões e melodias cativantes conjugadas com a sonoridade indie são o que se pode ouvir ao longo da reprodução do álbum na íntegra.


Em formato canção a banda equilibra-se entre o alternativo e o pop, que se comprova na reprodução do single "baixo astral". Crises existenciais do dia-a-dia, casos de família, decepções e esquisitices amorosas estão entre os assuntos das letras que carregam ironia e certas vezes humor. "Helena", "De manhã", "João" e "Tá Fácil Pra Ninguém" são as apostas Freak como hits para o presente ano. Podendo, é ouvir.




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Gojira com concerto no Hard Club



Os franceses Gojira vão regressar ao nosso país no início do próximo mês. Dia 7 de julho actuam no Hard Club, num evento organizado pela Prime Artists. O quarteto de metal progressivo vai apresentar o seu mais recente álbum, Magma. A primeira parte está a cargo dos portugueses Equaleft.

O concerto irá ocorrer na Sala 1 e terá início às 21:00. Os bilhetes custam 23€.

 

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terça-feira, 21 de junho de 2016

Reportagem: EARTHEATER + CRUA [Teatro Ibérico - Lisboa]


Na passada quarta-feira fomos até ao Teatro Ibérico, espaço bem agradável e acolhedor, assistir à performance artística da nova iorquina Alexandra Drewchin (Guardian Alien) e do seu projeto a solo EARTHEATER. A artista apresentou os seus álbuns de originais editados em 2015, Metalepsis e RIP Chrysalis, estreando-se em território nacional num evento promovido pela Nariz Entupido

Não conhecendo bem os projetos em causa e apenas tendo ouvido uns singles de EARTHEATER, decidimos ir à descoberta e ver o que a noite nos reservava. 

Às 22h30 a sala encontrava-se aproximadamente cheia e entraram em palco os CRUA, trio formado por André Hencleeday (percussões), Carlos Carvão (guitarras) e Daniel Neves (electrónicas). O que se passou a seguir foi meia hora de noise e distorção à drone metal, riffs e percussão potentes envolvidos em eletrónica. A vibração sentia-se fortemente enquanto o trio explorava e improvisava a sua sonoridade em palco. A certa altura o piano foi introduzido, mas no meio do ruído todo, passou um pouco despercebido. Em suma, o trio apresentou uma performance competente mas um pouco estranha e ensurdecedora.




Depois de um pequeno intervalo, Alexandra Drewchin entrou em palco às 23h. A sua atuação iniciou-se com uma dança meio esotérica, demonstrando bem a sua liberdade artística e a maneira corporal como se expressa e hipnotiza a audiência. O seu corpo é também a sua voz. A ambiência sonora criada pelos sintetizadores gravados em casa, a voz celestial de Alexandra, o impressionante trabalho experimental de pedais, as collagens sonoroas e a guitarra mergulhada em reverb marcaram fortemente este concerto. 

Ao vivo a sua sonoridade pode remeter-nos para uma electrónica ao jeito de CocoRosie, Dean Blunt ou mesmo Holly Herndon mas de caráter mais folk, psicadélico, cómico, dotado de uma produção cristalina. É tão fácil perder-nos neste mundo onírico criado por Alexandra. 

A cada música que passava, Alexandra agradecia e o público retribuía sempre calorosamente, com uivos e palmas. A certa altura parecia que estavamos numa sala de estar com a artista, tal a sua desinibição e simpatia. A artista revelou ainda que gostava de estar num espaço tão grande mas ao mesmo tempo tão íntimo (o público estava também sentado no palco).


Do alinhamento do concerto, dedicado às vítimas do atentado de Orlando, fizeram parte temas como “Utterfly FX”, “Mask Therapy”, “Wetware”, “The Internet is Hand Made”, “Put a Head in a Head”, “If It in Yin”, “Homonyms” e ainda outros temas que não conseguimos desvendar. 

Ao final de uma hora terminou o concerto de EARTHEATER, sendo que os problemas técnicos não impediram a sua atuação soberba. O público queria mais e a artista ainda acedeu tocar mais uma música. Ficou no ar a sensação de que ninguém queria abandonar a realidade ali construída no Teatro Ibérico, realidade essa complexa à partida mas que ao ser descontruída se entranhou intrinsecamente no nosso cérebro. Esperamos um regresso em breve e mais discos em 2016 desta senhora. 

EARTHEATER + CRUA @Teatro Ibérico

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Sofia Espada

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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Whitney e Best Youth incluídos nas novas confirmações para o Paredes de Coura


Whitney, Moullinex, Best Youth e Rastronaut + Branko são as mais recentes confirmações para o Festival Paredes de Coura, que irá contar com nomes como LCD Soundsystem, Unknown Mortal Orchestra, Portugal. The Man, Thee Oh Sees e Cage the Elephant.

O festival realiza-se entre os dias 17 e 20 de Agosto na Praia Fluvial do Tabuão e os bilhetes já se encontram disponíveis nos locais habituais ao preço de 90€ (passe geral).

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Reportagem: Kamasi Washington [Casa da Música - Porto]


Na passada segunda feira passamos pela Casa da Música, no Porto, para assistir à aguardada estreia de Kamasi Washington em palcos portugueses. O saxofonista sensação tem vindo a dar que falar depois do lançamento do aclamado The Epic, editado em 2015, e depois de várias colaborações com grandes artistas como Flying Lotus e Kendrick Lamar em To Pimp a Butterfly.

Na sala Suggia o ambiente era de entusiasmo e os lugares iam se ocupando até às últimas filas. Sala cheia, portanto, para ver Kamasi e companhia apresentar aquele que já é considerado, para alguns, um dos clássicos da música jazz deste século. No palco podia-se observar vários instrumentos distribuídos, pelo que se esperava que o saxofonista viesse bem acompanhado. Assim o foi, contando com mais 6 membros inicialmente para o assistir. Abrindo o concerto com “Change  Of The Guard”, faixa que também inicia The Epic, podia-se esperar um momento memorável e de grande qualidade. À terceira faixa, junta-se ao palco o pai de Kamasi Washington na flauta transeversal para uma bela interpretação de “Henrietta Our Hero”, acompanhada da incrível voz da conjugue do saxofonista, Patrice Quinn. Em “Abraham”, uma nova faixa que poderá vir a fazer parte de um possível novo disco, o contrabaixista Miles Mosley assume-se como o líder do grupo, falando em português e puxando pelo público com fulgor.



Entre as músicas do novo disco, houve tempo para uma “conversa de baterias”, como denominou o saxofonista, entre os dois excelentes bateristas que o acompanharam, proporcionando um momento de grande intensidade e brilhantismo técnico.

Antes do encore, houve ainda tempo para a interpretação de “The Rythim Changes”, mais um dos temas que integram o seu último disco. Depois de uma grande ovação por parte do público e de muitos aplausos, a banda regressou ao palco para mais um tema de proporções épicas, que acabaria por culminar uma performance de quase duas horas onde o jazz brilhou. 


Kamasi Washington @ Casa da Música


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Mário Jader

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[Review] Rïcïnn - Lïan


Lïan // Blood Music // junho de 2016
9.0/10

Lïan assinala o primeiro trabalho de estúdio de Rïcïnn, projeto a solo de Laure Le Prunenec (Igorrr, Corpo-Mente, Ele Ypsis, Öxxö Xööx) e apresenta-se como um marco na história da música pós-moderna. Numa era em que a indústria da música se vê lotada de projetos amadores, muitos deles de qualidade medíocre e isentos de qualquer característica inventiva, a Laure apresenta uma obra prima, onde a mensagem final resulta de um processo extremamente bem pensado e coordenado entre música, letra, imagem e meio.

Uma das característica que distingue a Rïcïnn de outros projetos da atualidade, ignorando o género sobre o qual incide, é a linguagem. Para responder à necessidade de conseguir alcançar uma forma de comunicação superior e traduzir a sua imaginação ao mundo, a compositora francesa criou a sua própria língua. Em criança, ela inventou vários remédios mágicos e fórmulas verbais para ajudar os outros a curar as suas feridas e com o tempo acabou por criar a sua própria linguagem. A voz funciona, deste modo, como o seu instrumento de condução emocional.

Outra característica que merece destaque, encontra-se nas influências musicais que a "rainha do avant-garde" francesa incute nas suas composições. À semelhança do trabalho já feito nos Corpo-Mente, Rïcïnn aposta na conjugação da música moderna e clássica com os riffs pesados do doom metal, juntando-lhes ainda arranjos da música barroca e do canto gregoriano.  Para encontrar uma uniformidade nas suas canções, Rïcïnn recebeu a ajuda de Aymeric Thomas (Pryapisme) e Derenne para criar arranjos programados (principalmente orquestrais) e diversos sons ambientes, nomeadamente o som de uma sonda que orbita Saturno, cedido pela NASA, e presente no single "Ohm".




A capa de Lïan mostra Laure completamente exposta, de rosto voltado e despida de qualquer artefacto que possa causar primeiras impressões falsas. A aura negra completa a mensagem mostrando semioticamente ao ouvinte que o álbum não retratará qualquer melodia animada. Bela, mas obscura.

A confirmar o anteriormente dito, ouve-se em "Uma", primeiro single de avanço, a facilidade com que Rïcïnn consegue transformar a sua voz, indo dos agudos mais femininos aos graves mais masculinos. Em "Orpheus" a compositora explora uma sonoridade mais nostálgica, abrindo com o cravo ao jeito de Domenico Scarlatti, uma das suas influências da música barroca, e finalizando com a guitarra em pano de fundo. Pelo meio faz uma música completamente enriquecida, resultado da pouca denotação entre as pontes dos variados instrumentos através de uma excelente sobreposição de voz. 


Apesar de Lïan ser maioritariamente escrito na língua de Rïcïnn, o inglês é utilizado escassamente em músicas como "Orchid" e "Little Bird". Enquanto "Orchid"
 se apresenta maioritariamente como uma balada contemporânea, "Little Bird" é orquestral na sua introdução, funcionando como uma espécie de pedido de inspiração "às ninfas", para o seu desenvolvimento. Resultado conseguido e Rïcïnn volta mais uma vez a alterar toda a composição e compasso musical ao volver da mesma música, criando vários tipos de estímulos. Uma das grandes canções do disco.

"Lumna" retrata um universo de águas turbulentas representado pela distorção do som das baleias (ver este vídeo). Abrindo com a voz celestial que Laure também consegue reproduzir,  num cenário completamente embalador representado no xilofone, Rïcïnn começa a juntar os novos ritmos e quebras que levam "Lumna" da aura celestial à aura negra, de início ao fim. 

Lïan é um disco muito promissor porque em todas as músicas são aplicadas variadas formas a fim de prender a atenção do ouvinte, não o maçando de todo, com sons monótonos e facilmente compostos. Lïan explora vários sentimentos e emoções menos felizes e junta-lhes a cultura clássica, barroca numa produção extremamente bem pensada e elaborada. Este álbum é um novo marco na cultura musical underground e apresenta-se como um disco que revoluciona o que se tem feito internacionalmente no ramo da música. É de aplaudir o facto de Lïan se tratar de um disco de estreia e trazer em si embebido puro profissionalismo e cultura musical, uma amostra da excelente música e compositora que se esconde no corpo de Laure Le Prunenec representada em Rïcïn Lör.

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Super Bock Super Rock - novidades de 22ª edição



Estivemos hoje na conferência de imprensa da 22ª edição do Super Bock Super Rock, que se realizou no Parque das Nações. E quais foram as novidades que de lá trouxemos? É ler em baixo.

  • -Faltam menos de 2.000 bilhetes para esgotar os bilhetes diários de 16 de julho, por isso se quiserem ouvir To Pimp a Butterfly ao vivo despachem-se.

  • -Alargamento do recinto e optimização da organização e fluxos de público, com a colaboração da FAHR 021.3.

  • -Estreia de 3 modelos colecionáveis de Copos Recicláveis Super Bock Super Rock, tal como aconteceu na última edição do NOS Primavera Sound. Os copos serão personalizados para o Super Bock Super Rock com três temas diferentes, um para cada dia do Festival. 
  • -Palco Super Bock (MEO Arena) com acústica melhorada.
  • -11º Super Bock Laboratório Criativo integra programação do Festival, dia 13 de julho no Pavilhão de Portugal, e terá como tema o “Futuro da Música”. Mais informações aqui
  • -Transportes: Parceria com a CP garante comboios especiais nas Linhas do Norte e Urbanos de Lisboa. Reforço nas linhas do Metropolitano de Lisboa até à 1h00, durante os dias do Festival. A partir deste horário o transporte será assegurado pela Carris, que para além das suas habituais carreiras, terá autocarros gratuitos que percorrerão a cidade desde a Gare do Oriente até ao Cais do Sodré.

A 22ª edição do Super Bock Super Rock é a 14, 15 e 16 de julho no Parques da Nações, Lisboa, contando no seu cartaz com grandes nomes do panorama musical como Iggy Pop, Kendrick Lamar, The National, Massive Attack, entre outros. Os horários das atuações vão estar disponíveis em breve.

Os bilhetes têm o custo de 95€ para passe de 3 dias e 50€ para bilhete diário. Podem ser adquiridos nos seguintes locais: Blueticket, Call Center Informações e reservas 1820 (24 horas), no Facebook, FNAC, lojas Worten, El Corte Inglês, ABEP, Portimão Arena; Turismo de Lisboa; lojas Media Markt; Bilheteiras MEO Arena; rede PAGAQUI; Agências Top Atlântico. Place & Tickets.

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