sexta-feira, 8 de julho de 2016

Boogarins regressam a Portugal em setembro com concertos em Coimbra, Braga e Lisboa


Os brasileiros Boogarins oriundos de Goiânia já tem regresso marcado ao nosso país com uma mini-digressão de três concertos. Depois de terem passado pelo Milhões de Festa no verão de 2014, no final do ano passado pelo Musicbox e Maus Hábitos, Porto, e este ano pelo palco Vodafone do Rock in Rio, a banda responsável por Manual, ou guia livre de dissolução sonhos vai passar por Coimbra, Braga e Lisboa. 

Depois de terem pisado os mais variados palcos deste Mundo, parece que os Boogarins andam a trabalhar já no seu terceiro álbum no Estados Unidos. Esperemos por músicas novas já em setembro nos concertos promovidos pela Lovers & Lollypops.

1 de Setembro @ Salão Brazil, Coimbra
2 de Setembro @ Noite Branca Braga, GNRation
3 de Setembro @ Musicbox, Lisboa

+

Cartaz do Entremuralhas encerra com Vive La Fête


Os belgas Vive La Fête encerram assim as confirmações para a sétima edição do Festival Entremuralhas que decorre, este ano, de 25 a 27 de agosto no Castelo de Leiria. Formados em 1997, em formato duo,  a banda conta agora com mais três membros com os quais se apresentará no Palco Corpo, no último dia do festival para encerrar o festival em grande. 

A música dos Vive La Fête tem um território personalizado e facilmente identificável, sobretudo devido à voz muito característica da vocalista Pynoo, às vezes falsamente frágil e “childish" e noutras selvaticamente “punkish”. Mas uma das maiores particularidades da banda é o facto da sua sonoridade atrair pessoas oriundas de territórios estéticos múltiplos (dos fãs dos The Cure aos Joy Division, de Ladytron a Kap Bambino, de Peaches a Tying Tiffany e, obviamente, de Sérge Gainsbourg a Blondie) o que confere uma transversalidade notável à sua base de fiéis seguidores.

O alinhamento completo do festival segue abaixo. Os passes gerais para o Entremuralhas já se encontram à venda e podem ser adquiridos por um preço de 80€. Há ainda a possibilidade de adquirir um bilhete combinado para os dias 26+27 de agosto por 60€. Os bilhetes diários para os dias 26 e 27 têm um preço de 35€, para o dia 25, custarão 25€. Este ano não serão disponibilizadas estadias low-cost. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.


25 de agosto: 
Grausame Töchter - 00h00 - Palco Corpo 
Karin Park - 23h00 - Palco Corpo 
Silent Runners - 22h00 - Palco Corpo 

26 de agosto: 
Die Krupps - 01h30 - Palco Corpo 
Frustration - 00h00 - Palco Corpo 
Sex Gang Children - 22h30 - Palco Alma 
King Dude - 21h00 - Palco Alma 
Darkdoor - 19h00 - Igreja da Pena 
Angelic Foe - 18h00 - Igreja da Pena

27 de agosto: 
Vive La Fête - 01h30 - Palco Corpo 
KITE - 00h00 - Palco Corpo 
Corpo-Mente - 22h30 - Palco Alma 
IANVA - 21h00 - Palco Alma 
Geometric Vision - 19h00 - Igreja da Pena 
Har Belex - 18h00 - Igreja da Pena

+

Combustão Lenta #6 com LAmA e Bernardo Álvares



Este sábado a ZigurArtists regressa ao Desterro (Lisboa) para mais uma noite em Combustão Lenta com dois concertos imperdíveis: o mago dos teclados LAmA e um raro solo de Bernardo Álvares (Alforjs, Zarabatana, dUAS sEMIcOLCHEIAS iNVERTIDAS, etc). A entrada tem o custo de 3€.

Bernardo Álvares tem procurado trabalhar uma ideia de ancestralidade universal musical. Podemos ver essa sua tradição de groove em grupos como Zarabatana, Alforjs ou dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Paralelamente a isso integra a banda de Luís Severo e tem colaborado em regime de improvisação livre com inúmeros músicos, entre os quais Helena Espvall, Paulo Raposo, Ernesto Rodrigues, António Chaparreiro ou Nuno Morão. A solo apresentará a nu essa busca de uma voz comunal e ritualista.

LAmA é um projecto que nasce apoiado na intuição de que a música já lá está e nós servimos apenas como veículo para a tornar mais concreta. Adquirimos assim, quer como executantes, quer apenas como ouvintes, o papel de intérpretes no verdadeiro sentido da palavra, onde cada um interpreta, à sua maneira muito singular, aquilo que já existe sob outra forma.

+

Barcelos recebe de 7 a 9 de julho a 12ª edição do Souto Rock


Organizado pela Associação Cultural e Recreativa de Roriz – em conjunto com vários colaboradores -, o Festival Souto Rock é um evento cultural que teve início em 2005. É um festival com carácter mais alternativo, cujo principal objectivo é a divulgação dos bons trabalhos que se vêm fazendo no panorama musical nacional, sem esquecer as participações de novas bandas locais. Os concertos são de entrada livre. 

As festividades começaram ontem com um concerto de Leviatã e prolongam-se nos próximos dois dias com 10 000 Russos, The Parkinsons, Killimanjaro, Plus Ultra, Stone Dead, RATERE, Granfather's House, entre outros. Em baixo estão disponíveis os horários das atuações.

Sexta-Feira - 8 de Julho - Roriz

21h30 - Sinfonias de Aço (DJset)
22h00 - Grandfather´s House
23h00 - RATERE
24h00 - 10000 Russos

Sábado - 9 de Julho - Roriz

16h00 - Antipodas Fall
17h00- Esferobeat
21h30 - Stone dead
22h30- Plus Ultra
23h30- Killimanjaro
00h30- The Parkinsons

+

STREAM: The Ramble Riders - Behind The Sun


Os The Ramble Riders são uma banda de Rock do Porto que surgiu em 2012, tendo já editado 3 discos de estúdio. Com várias influências do Blues e do Funk, o Stoner Rock é a caracterização sonora mais actual dos The Ramble Riders, que têm como influências Led Zeppelin, Rival Sons, Blues Pills, Wolfmother, ZZ Top, Red Hot Chilli Peppers, entre outros.

Editaram no passado dia 28 de junho o seu terceiro trabalho, sucessor de Super Fat Bitch (2015), e está disponível para download no seu website e em várias plataformas de música online. Behind The Sun conta com 4 temas originais, reforçados com uma nova sonoridade e com o vocalista da formação original, Pedro Teixeira.

+

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Passatempo: Ganha bilhetes para o Ciclo Julho é de Jazz - Carlos Bica & João Paulo Esteves da Silva e RED Trio


Ciclo Julho é de Jazz arranca este fim-de-semana no pátio exterior e dedica-se ao nome pioneiro do free-jazz. Documentário sobre a vida do músico, emissão especial do programa Só Jazz (RUM) e concertos de Carlos Bica & João Paulo Esteves da Silva e RED Trio marcam o arranque.

Um ano após a morte do compositor e saxofonista norte-americano, o gnration apresenta um ciclo inteiramente em memória de Ornette Coleman. “Às Voltas com Ornette Coleman” contará com concertos por nomes de referência nacional no campo do jazz, a exibição de um documentário sobre a vida e a obra do grande impulsionador do movimento free-jazz da década de 50 e 60, e ainda uma emissão especial do programa Só Jazz, da Rádio Universitária do Minho, que terá como convidados Ivo Martins, diretor do Guimarães Jazz, e Hugo Carvalhais, músico.

Músico revolucionador do jazz, Ornette Coleman faleceu aos 85 anos em Manhattan. Nascido a 9 de março de 1930, no Texas, ficou conhecido por tocar saxofone de forma inigualável e de libertar o jazz das fronteiras que o delimitavam. Entre os seus discos mais singulares, destacam-se The Shape of Jazz to Come (1959) e Free Jazz (1960). No seu percurso, trabalhou com nomes como Lou Reed e Jerry Garcia dos Grateful Dead. Em julho de 2009, Coleman recebeu o mais prestigiado prémio no mundo da música jazz, o Miles Davis Award.

Segue em baixo a programação completa do arranque do Ciclo Julho é de Jazz.

Ornette: Made in America
DOCUMENTÁRIO
8 julho - 21h30

Só Jazz: Especial Ornette Coleman
TALK
8 julho - 22h

Carlos Bica & João Paulo Esteves da Silva + RED Trio
MÚSICA
9 julho - 22h

Hugo Carvalhais Cryptic Quartet + “The Shape of Jazz to Come” por Quarteto João Guimarães
MÚSICA
16 julho - 2hh

Os bilhetes para concerto individual custam 5€, enquanto que para o documentário custam 3€. O passe concerto + documentário custa 9€. Podem ser adquiridos na bilheteira online - http://gnration.bol.pt/, locais habituais e balcão gnration.


Em parceria com o gnration, temos quatro bilhetes simples para oferecer para o concerto de Carlos Bica & João Paulo Esteves da Silva e RED Trio. Por isso se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1- Seguir a Threshold Magazine e o gnration no facebook.



2- Gostar do post referente ao passatempo no facebook, partilhá-lo em modo público e identificar 3 amigos.

O passatempo acaba no dia 8 de julho ,às 23:59 e os prémios serão sorteados de forma aleatória através da plataforma https://www.random.org/.

Boa sorte!

+

[Review] Skepta - Konninchwa

                                
Konninchwa // Boy Better Know // maio 2016
8.6/10

O londrino Skepta, que já esteve para passar em Portugal no ano que passou, traz-nos um álbum bem fresco editado no passado mês de maio, cujo nome é Konnichwa, a palavra japonesa que significa "olá". E é a primeira faixa que dá início à viagem com os sons orientais das espadas e do gongo logo a soar mas por poucos instantes, só durante o primeiro verso onde se ouve: “Lookin for me ? Konnichwa”, como se esta faixa se tratasse de uma apresentação. 


Mas é só mesmo sol de pouca dura, logo a seguir faz-se sentir o som de um alarme que altera logo o ritmo calmo da música e traz-nos algo mais urbano, a lembrar a movimentação da cidade com sons de ambulâncias, entre outros. Nesta faixa é exposta uma crítica às más-línguas que nem tentam fazer igual ou melhor que o artista. Passa também uma crítica aos governantes do país de sua majestade, mandando uma missiva para recordar o Primeiro-ministro, demissionário, David Cameron, da corrupção existente no país e do que tem feito Skepta, com muitos outros artistas para proteger os menos favorecidos e os marginalizados, bem presente nos versos “Tell the President we ain´t forgot/Tell the Prime-Minister we still remember// Man don´t care what colour or gender/ Nobody´s vottin on your corrupt agenda". Diz-nos também que a rotina não o alterou mas sim, fê-lo ficar mais pronto para rappar.

Na segunda faixa "Lyrics" ouvimos uma sample inicial de "Wiley", proveninte do álbum de 2001, Hearthless Crew vs Pay As U Go Cartel, e traz-nos uma noção que já muitos rappers nos têm mostrado. A música rap ganhou outras dimensões e desde sempre teve muitas ramificações mas não poderá chegar à violência ou às disputas entre rappers. Skepta nesta faixa fala-nos disso, fala-nos de relativizar as letras e encarar de outra forma ou até mesmo falar de assuntos mais pertinentes. Isso faz-se ouvir quando chega com a frase “Lyrics for lyrics, calm”.

A faixa "Corn On The Curb" apresenta-se como nostálgica, uma faixa em que Skepta questiona e fala da sua vida desde que está no Reino Unido e também do caminho que levou. Como na faixa anterior, fala-nos do que a fama lhe trouxe, do que muitos fizeram quando souberam da sua fama, da crítica e dos que o acompanharam sempre.

Segue então "Crime Riddin", talvez a faixa que resultou melhor neste álbum, graças ao beat que traz com as sirenes da polícia a ouvirem e com uma letra que nos fala da maneira como a polícia atua. Isso é claro no verso em que se ouve “The feds wanna shift man/ Wanna put me in the van,wanna strip a man/ Fuck that, I ain't a Chippendale/Wanna strip a male/ Put me in a prison cell/ Got me biting all my fingernails”.


"It Ain´t Safe", faixa feita em colaboração com Young L.O.R.D, mostra-nos uma visão pessoal da zona onde Skepta habita, do Norte Londrino, onde recorda que é a zona de Tottenham que regista maior taxa de crime e que nem a polícia está a salvo: "It ain´t for the block not even for the cops".

Mais adiante as faixas que chamam mais a atenção são "Numbers", com o conhecido Pharell Williams e um dos melhores trabalhos do londrino, "That´s Not Me" com JME
A primeira, "Numbers", traz-nos uma batida que fica logo no ouvido e faz-nos recordar N.E.R.D graças à presença do produtor e músico, Pharell WilliamsUma faixa que expressa a falta de confiança de Skepta nas editoras que apenas olham aos números, a vendas, não olhando ao que o artista quer mostrar ao mundo. Isso faz-se notar no hook da música “Quit talkin´ numbers, calculator//Quit talkin numbers, at you haters”.

A faixa “That´s Not Me” é um dos melhores trabalhos do artista pois consegue juntar um instrumental potente, catchy e um hook que também fica no ouvido de qualquer um. Mas não é isso que Skepta e o irmão JME querem mostrar nesta faixa. Querem mostrar a sua relação com a indústria musical londrina, com os luxos que aparentemente são inerentes a qualquer rapper e que Skepta diz que tem em falta e daí não poder fazer parte do clube de muitos. Miúdas, roupa de marca, grandes carros, músicas sobre vida problemática, bairros e tudo mais? Skepta responde: “That´s not me”.

O álbum termina com "Text Me Back", onde existe latente uma reflexão acerca do tempo que passa na “estrada” a mostrar o que faz melhor, deixando para trás pessoas importantes e deixando por vezes a ideia de que não quer saber delas. Termina também como começou, com sons orientais desta vez a lembrar um jogo de consola como aqueles jogos antigos da SEGA ou mesmo os jogos de arcada.

Um álbum cru, um álbum extremamente crítico e introspectivo que nos faz pensar que cada vez mais o rap pretende mostrar muito mais que o bairro de onde se é oriundo ou a que gangue se pertence.

Konninchwa pode ficar guardado como álbum que nos mostra, como To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar, uma mensagem. Uma mensagem pessoal, uma viagem ao interior da célula de Skepta para mostrar aos que o ouvem como é a realidade, que não é só putas e vinhos verde e que também temos de focinhar para chegar onde queremos. Consistente em cada faixa e cativante, daí ser um álbum que se consiga ouvir de uma ponta à outra sem se ficar entediado.

+

Terceira edição do Agora Aqui regressa a Guimarães


O Agora Aqui, ciclo de concertos itinerantes em vários pontos do Centro Histórico de Guimarães, estreou-se em 2014 com cinco atuações distintas durante o mês de julho. O conceito base deste pequeno ciclo de concertos é a criação de momentos de interação artística e de diversão entre os artistas e os transeuntes que, pelo acaso da sua passagem, se vejam confrontados com uma súbita alteração da linearidade do dia-a-dia.

Depois de no ano passado ter trazido Memória de Peixe, Gala Drop, Filho da Mãe, entre outros, este ano o evento regressa ao Centro Histórico de Guimarães de 21 a 30 de julho. Os concertos são mais uma vez gratuitos e, desta feita, é aproveitar. Há concertos de Rangda, Alek Rein, Medeiros/Lucas e HHY & The Macumbas a 21,22, 28 e 30 de julho respetivamente.

O Agora Aqui recebe mais uma vez o selo da Revolve em colaboração com a Câmara Municipal de Guimarães. Todas as informações adicionais aqui.


+

Reportagem: Karma To Burn + Sun Mammuth [Cave 45 - Porto]


Na noite de 3 de julho de 2016 a Cave 45 decidiu prendar os seus visitantes com um serão dedicado a todos os apreciadores de stoner metal. 

Depois de ter sido o pior co-piloto da zona de Aveiro e ter feito o meu condutor perder-se pelo menos três vezes antes de chegarmos ao Porto e de ter tornado uma viagem que podia ter sido feita em quarenta minutos em pelo menos meia hora mais longa, foi um alívio quando entrei na Cave e dei de caras com uns amplificadores gigantes já montados e com os instrumentos espalhados em cima do palco.

O espaço não se encontrava com um grande número de pessoas, o completo oposto de uma lata de sardinhas, mas os indivíduos que estavam apresentavam boa disposição e vontade de ouvir musica. É isto que a Cave 45 oferece às pessoas.

Após um pequeno atraso (“Eles atrasaram-se a jantar”, explicava o senhor que nos entregava os bilhetes) os Sun Mammuth foram os primeiros a subir ao palco. António Magalhães (baixista), João Ferreira (baterista), Nuno Henriques (guitarrista solo) e Mário Fonseca (guitarrista ritmo) são quatro músicos de Lousada que prometem ter um grande futuro na cena stoner portuguesa.

Estes jovens que fazem parte da editora Pointlist, destacam-se do restante arsenal da editora pelo peso dos seus instrumentais e foram sem dúvida uma das surpresas da noite. Apesar de ainda não terem nada do seu trabalho disponível no spotify podem sempre dirigir-se à página de facebook deles ou ao seu bandcamp e comprovarem como é ficar agradável ao som deste quarteto português. Com uma postura humilde e simples (não tão simples como a pedaleira que apresentavam aos seus pés) estes subiram ao palco e deram início à festa.

Apesar de terem “Sun” no nome o astro que melhor os descreve é o planeta Vénus. A música deles apresenta uma aura mística e cósmica nas partes mais calmas. O público questiona-se sobre o que está a ouvir mas quer ainda mais. Mas claro que, como Vénus, a banda não é feita só de paisagens psicadélicas para serem apreciadas de olhos fechados pois quando menos esperamos e são ligadas as distorções, vulcões entram em erupção e sismos são sentidos no Japão.

Depois de uma atuação que não durou mais de uma hora, onde a banda apresentou o seu LP de estreia, Cosmo, estes despediram-se e agradeceram ao público, saindo de palco (depois de arrumarem os seus instrumentos). Missão bem sucedida. Grandes feitos esperam estes Mamutes de Lousada.


A Cave da casa já estava mais composta quando os Karma to Burn ainda montavam o seu estaminé. Era com água na boca e com um fino na mão que aguardava por um concerto que prometia ter tudo para ser memorável.

Karma to Burn é uma banda de Morgantown que fica em West Virginia, sendo das mais influentes da cena instrumental do Stoner Metal. Eles contam com William Mecum como único membro de origem da banda e como seu líder. Após acabar de afinar a última corda desafinada da sua guitarra, mandou uma cabeçada numa coluna que estava afixada no tecto, e saiu do palco para ir pedir um fino. Esta postura despreocupada e descontraída verificou-se durante todo o concerto. Sem grandes aparatos, merdas ou pedaleiras gigantes, tive oportunidade de assistir a uma hora e meia de um recital de música pesada.

Robert Mechum é um gigante no palco. Sem os maneirismos típicos de um exibicionista vocalista mas com uma inabalável confiança, todos os olhos estavam postos na sua guitarra. A primeira música que a banda tocou foi “Eight” e foi acompanhado por um headbang geral. O trio não precisou de pedir permissão a ninguém para meter a casa abaixo. Durante todo o concerto este dominou as hostes. Com um estilo simples e pratico, contudo efectivo, Robert Mechum certamente não deixou ninguém decepcionado.

Durante o concerto tivemos oportunidade de ouvir grande parte da discografia da banda desde os primeiros três álbuns da banda, homónimo (1997), Wild Wonderful Purgatory (1999) e Almost Heathen (2001) mas também houve tempo para os dois mais recentes trabalhos, Arch Station (2014) e Mountain Czar (2016).


A secção rítmica da banda, apesar de não ser tão extrovertida como o guitarrista, compensava com a mestria de como dominavam os seus instrumentos. A sincronização era uma beleza de ser apreciada. É sempre bom assistir a concertos onde os músicos que estão em cima do palco dominam a sua arte.

Após acabarem de beber as suas Super Bock e as bebidas brancas oferecidas por um dedicado fã a banda decidiu retirar-se de palco, contudo perante uma plateia efusiva de fãs que aclamavam por mais estes acabaram por ceder e tocaram ainda mais uma música para os fãs. Tanto os fãs como os músicos acabaram por ficar satisfeitos com este encore.

Após o concerto tive oportunidade de agradecer à banda de West Virginia (de uma forma um pouco atabalhoada dado o facto de ainda estar a processar o concerto que tinha acabado de ouvir) pelo enorme concerto e elogiar a sua performance. De forma rápida mas sentida este apertou-me a mão. Atitude de um músico de verdade.

Texto: Hugo Geada

+

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Festival Músicas do Mundo - Volta a Sines em um dia


Criado em 1999, o Festival Músicas do Mundo ou FMM tem como principal objectivo mostrar a música que se faz ouvir ao longo do mundo, apresentando um cartaz com enorme diversidade musical, passando desde o Oriente ao Ocidente do globo terrestre.

Explora sonoridades desde o folk ao jazz e muita música alternativa e urbana à mistura frisando daí a sua vertente de exploração de world music. Costuma ser um festival dinâmico, visto que, consegue utilizar muitos dos espaços que a cidade de Sines oferece.

Os palcos desta edição do Festival de Músicas do Mundo serão: o palco do Castelo, a Avenida Vasco da Gama, o Centro de Artes de Sines e ainda a o Largo Poeta Bocage.

Pelo festival já passaram nomes como Gogol Bordello, Angélique Kidjo, The Skatalites e ainda Tom Zé, do vasto leque de artistas de renome mundial que pisaram o solo do festival localizado na costa alentejana.

Explorando o cartaz, iremos falar de Fumaça Preta, Konono N.º 1 meets Batida e dos nossos já conhecidos Islam Chipsy e Filho da Mãe.

Fumaça Preta


Com elementos da Venezuela, Portugal e Reino Unido trazem-nos uma música bastante psicadélica, basta ouvir o álbum homónimo de 2014 que sentimos logo uma certa hipnose a crescer, a fazer lembrar uns Pink Floyd de chinelos e calções a tocar na praia de Copa Cabana graças à batida de bossa nova sempre eminente em cada música. Apesar de serem uma banda de psych-rock prometem muita dança pois quando ouvimos a faixa "Toda Pessoa" recordamos talvez a tropicália brasileira, os Novos BaianosUma banda a ter debaixo de olho e a não perder de vista no meio da fumaça em Sines.



Islam Chipsy


O nosso rei das festas de casamento este ano parece vir de férias para Portugal, depois do Festival Milhões de Festa desce até à Costa Alentejana, mais propriamente Sines, para pôr o público em polvorosa, para aquecer as entranhas como o seu electro chaabi e com os seus EEK, companheiros nesta viagem do Egito até terras lusitanas. É deixar-nos levar pelos sintetizadores e orgãos potentes que são fortes presenças deste conjunto que já tem o carinho do público português.



Filho da Mãe


Português e com um nome artístico bem original surge Filho Da Mãe, mestre da guitarra, mestre da ilusão, das várias guitarras sendo apenas um e só um a tocar, quem ouve diz ficar "atrofiado" graças aos seus pedais e diz ser uma bela viagem que faz lembrar os dias de praia ou mesmo pensar em viagens no mar. Basta ouvir o recente trabalho do guitarrista para constatar isto. Mergulho é isso mesmo, uma bonita viagem, feita de olhos fechados. A sua música fascina, cativa. Recordar trabalhos como Palácio ou Cabeça é recordar boas peças e afirmar que existem bons guitarristas em Portugal. 


Konono N.º1 Meets Batida


Este projecto criado em abril do ano que atravessamos promete pôr toda a gente a levantar o pé do chão e a dançar do início ao fim do concerto. Konono N.º1 são oriundos do Congo e Angola e exploram géneros tradicionais africanos com uma mistura final de transe graças à utilização de likémbes electrificados. Batida, é o nome artístico de Pedro Coquenão, o homem que tem posto as pistas de dança e muito local de Portugal a mexer, tem como som de marca os tons de música urbana angolana, música das suas origens visto que Batida é um artista luso-angolano. Konono N.º1 meets Batida é assim um álbum bem recebido pela crítica como se pôde observar ao longo dos meses após o seu lançamento. Em Sines será também bem recebido e levará o público a mexer-se numa noite que se espera que seja de muito calor 

+

Festival Musicas do Mundo mais um ano em Sines


Este ano regressa a Sines o Festival Musicas do Mundo ou FMM como é conhecido entre os que frequentam o festival.

No alinhamento de luxo para este ano estão nomes como Fumaça Preta, Islam Chipsy, Filho da Mãe, KONONO e ainda Batida, no que será o oitavo dia do festival que se realiza desde 1999 e que utiliza toda a cidade como palco de sonoridades de todo o globo.

Caberá à Threshold Magazine falar então do que será o oitavo dia de festival, o dia 29 de julho que se apresenta com muitos dos pesos pesados tanto da música portuguesa quer da música ocidental e oriental.


+

Crystal Castles com nova música e dois concertos em Portugal


Depois de divulgarem o vídeo de "Concrete", os Crystal Castles anunciaram também uma nova tour com passagem pelos Estados Unidos e Europa,  sendo que duas datas estão marcadas para o nosso país. Nos dias 7 e 8 de Dezembro, o duo composto por Ethan Kath e a nova vocalista Edith Frances passam pelo Hard Club, no Porto, e Lisboa, no Paradise Garage, respetivamente. Este será o primeiro concerto da banda no nosso país desde a saída da carismática Alice Glass em 2015.

Em baixo, fiquem com o vídeo de "Concrete", que fará parte do quarto disco com data ainda por anunciar:

+

Pixies têm novo álbum a caminho


Depois da reunião em 2014, que teve como frutos Indie Cindy, os Pixies anunciaram hoje o novo disco de estúdio - Head Carrier - que será acompanhado por uma digressão mundial e traz nova baixista à formação, Paz Lechantin. O disco, composto por 12 canções vê como primeiro single de avanço "Um Chagga Lagga" que traz um malhão de rock a ouvir abaixo.

 O álbum foi produzido por Tom Dalgety (Killing Joke, Royal Blood) e gravado no London's Rak Studios entre fevereiro e março deste ano. Pela primeira vez desde o início da banda, os Pixies estiveram por um período de 6 semanas em pré-produção, composição, arranjos e ensaios, de uma grande quantidade de faixas. No início, e principalmente no período entre 1988 e 1991, a banda entre lançamentos anuais e concertos, nunca teve mais que um dia para a consubstanciar cada música até serem gravadas.

A banda atua a 21 de novembro no Coliseu do Porto. É data única em Portugal.

Head Carrier tem data de lançamento prevista para 30 de setembro via Pixiesmusic/Play It Again Sam.


Head Carrier Tracklist: 
1 - Head Carrier 
2 - Classic Masher 
3 - Baal’s Back 
4 - Might As Well Be Gone 
5 - Oona 
6 - Talent 
7 - Tenement Song 
8 - Bel Esprit 
9 - All I Think About Now 
10 - Um Chagga Lagga 
11 - Plaster Of Paris 
12 - All The Saints

+

Horários do Super Bock Super Rock disponíveis


Faltam apenas 8 dias para a 22ª edição do Super Bock Super Rock, que decorre no Parque das Nações a 14,15 e 16 de julho. Os horários foram ontem disponibilizados e já podem fazer os vosso itinerários pela cidade do rock.  Kendrick Lamar, Iggy Pop, The National, Jamie XX, Massive Attack & Young Fathers, Mac DeMarco e FIDLAR são apenas alguns dos concertos aos quais não podem mesmo faltar. 

Consultem os horários completos aqui mesmo:


+

terça-feira, 5 de julho de 2016

Ghost Hunt, Whales e GANSO com aventura marcada no Bosque do Choupal


Faltam menos de dois meses para o Indie Music Fest e o seu cartaz, que reúne o que melhor se faz na música em Portugal, está a ficar cada vez mais composto. E que maneira de celebrar a arte nacional e fazer parte da história da música portuguesa independente.

Aos já confirmados Salto, Savanna, Galgo, Riding Panico, Basset Hounds, The Walks, Pussywhips, Granada, Indio Kurtz, Wild Apes, Solution, MUAY, Pixel82, e Jesse juntam-se agora mais 5 nomes. São eles Ghost Hunt, GANSO, Whales, Ditch Days e Desligado.

Quem se junta à aventura no Bosque do Choupal nos próxima dias 1,2 e 3 de setembro são os Ghost Hunt, duo formado por Pedro Oliveira e Pedro Chau que vai espalhar pelo bosque a sua sonoridade que mistura punk, garage rock a techno e shoegaze.


Os GANSO, banda de Lisboa que juntamente com El Salvador, BISPO ou Modernos faz parte do coletivo Cuca Monga, são outras das bandas que se deslocam até Baltar, trazendo a sua Costela Ofendida. O primeiro disco já aí se adivinha, certamente com muito Afrobeat com cheirinho a jindungo.


Whales são os senhores que se seguem. Vêm de Leiria e fazem parte da Omnichord Records, editora de Nice Weather for Ducks, First Breath After Coma, entre outros, e muito tem dado que falar em 2016. O seu nome tem origem no paralelismo que existe entre compor e o trajeto que a baleia faz no oceano: "É um animal que anda devagar mas com firmeza". Fazem parte dos Novos Talentos FNAC 2016, tal como os GANSO, Galgo e Ditch Days, e prometem um concerto bem energético onde o single de estreia "Big Pulse Waves" não vai faltar.


Os Ditch Days vêm de Lisboa com a seu indie rock e dream pop. São urbanos e exóticos ao mesmo tempo, mas isso não quer dizer não posso trazer um bocadinho da Austrália até ao Bosque do Choupal. Estamos a a falar pois do seu EP Melbourne, que já muito roda por essas rádios portuguesas mais alternativas. Esperemos que os seus sons primaveris encantem aqueles que por lá andarem, talvez com músicas do álbum de estreia à mistura.


Desligado é Rui Pinta,  um verdadeiro homem-orquestra que acha que estamos ligados a demasiadas coisas. Nós cá temos a certeza que não vão querer desligar-se dele depois de setembro.


Depois de receber pela segunda vez o prémio de Melhor Micro-Festival em Portugal, o Indie Music Fest promete aos festivaleiros mais indie do país muita arte, performances e, acima de tudo, a melhor música portuguesa alternativa da atualidade. Fiquem atentos que ainda há surpresas bombásticas por desvendar.

Os passes-gerais – com direito a campismo - para a 4ª edição da celebração artística mais independente do país estão disponíveis, ao preço de 25€. Podem ser adquiridos junto dos locais habituais e em www.bol.pt.

+

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Reportagem: Rodrigo Amarante [Theatro Circo, Braga]


Dia 2 de Julho marcou o fim da mini digressão do cantautor brasileiro Rodrigo Amarante, que passou também por Lisboa, Aveiro, Faro e Leiria. Braga foi o local escolhido para terminar a sua digressão, no belíssimo Theatro Circo que não passou despercebido ao artista brasileiro. Sempre simpático e bem humorado, o membro dos Los Hermanos e Little Joy apresentou-se na sala do Theatro Circo para apresentar as canções do seu excelente disco de estreia a solo, Cavalo, o único na sua discografia por enquanto.

Sozinho em palco, acompanhado apenas de uma guitarra e um piano para um Theatro Circo esgotado, Rodrigo Amarante iniciou o concerto com “Nada em Vão”,  faixa que serve de abertura para Cavalo, seguida de “Mon Nom”, ambas tocadas num registo muito intimista e simples. Antes de trocar a guitarra pelo piano, houve ainda tempo para tocar mais algumas do seu disco como “I´m Ready”, “O Cometa” e “Irene”, sendo a última umas das canções favoritas dos fãs e uma das mais bonitas do seu catálogo. No piano, tocou apenas 3 músicas, incluindo uma nova e “Fall Asleep”, que marcou um dos momentos mais bonitos do concerto.



De volta à guitarra, e depois de mais uma breve explicação metafísica sobre a retrospetiva a que canção seguinte se referia (“retrospetiva” foi um termo bastante utilizado para descrever as suas músicas), Rodrigo Amarante tocou mais um dos temas favoritos do público, desta feita para “Tardei”, que recebeu bastante entusiasmo por parte do público. Um dos momentos mais aguardados foi a interpretação de “Tuyo”, a primeira música feita por encomenda como disse Rodrigo, referindo-se à faixa que serviu de abertura para a incrível série televisiva Narcos. Depois de nos mostrar mais duas músicas novas, uma delas acabada de terminar no concerto de Lisboa uns dias antes, chegou o momento de encerrar o concerto com mais uma bela canção, terminando assim com “The Ribbon” e recebendo uma grande ovação por parte do público que aplaudia fortemente por um encore.

Rodrigo Amarante regressou então ao palco para tocar mais duas músicas apenas, incluindo uma interpretação de “Incondicional”, dos Los Hermanos, e “Evaporar”, a música dos Little Joy de que quem faz parte ao lado de Binki Saphiro e Fabrizio Moretti, encerrando assim um belo concerto da melhor maneira possível e para agrado de muitos fãs que esperavam ouvir esta música.

Rodrigo Amarante conseguiu, assim, mais uma passagem memorável pelo nosso país, deixando o público rendido à sua simpatia e boa disposição, assim como às suas maravilhosas canções que fazem deste artista um dos mais interessantes nomes da música popular brasileira dos últimos anos. A sua passagem pelo nosso país começa a tornar-se cada vez mais frequente, mas nunca é demais pedir para que volte em breve. Será novamente bem-vindo, com certeza.

Rodrigo Amarante @ Theatro Circo


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

+

Foto-Reportagem: 800 Gondomar [Café Au Lait - Porto]


Na última quarta-feira passámos pelo Café Au Lait para assistir última edição das 800 Sensations Party, festa dos portuenses 800 Gondomar que se realizou todas as quarta-feiras do passado mês de junho. A noite dedicada ao garage ficou também marcada pelo concerto dos lisboetas Panado. Fiquem com o registo fotográfico da atuação da banda pelas mãos da Ana Carvalho dos Santos.


 








+