sábado, 1 de outubro de 2016

[Review] Goat - Requiem



Requiem // Subpop Records // setembro 2016
9.4/10


Estão bem sentados? Ouvidos preparados? Então muito bem, dispam os casacos porque apesar de serem suecos, os Goat pretendem levar-nos com mais um novo álbum a terras africanas. Requiem é então o quarto álbum de estúdio de Goat, desta vez um disco-duplo, visto que tem dois lados, tal como o White Album, dos Beatles

Começa com "Djorolen/ Union of a Mind and Soul", música que entra logo a rasgar com direito a uma breve introdução sonora ao que vai ser o álbum. Calmo, com o cantar dos pássaros a dar-nos um ambiente tranquilo, começamos a ouvi
r as vozes das duas vocalistas num coro muito bem alinhado. A nossa respiração acompanha e entramos num estado de espírito zen até que, passados um minuto e dezanove, rebenta tudo e entramos numa viagem, estamos nos Andes e somos perseguidos por uma voz, que entoa frases espirituais, sobre o poder, a corrupção. Há um acompanhamento constante das flautas e do baixo que desempenham papeis fundamentais. 


Nesta faixa surge-nos o que vai ser o mantra que este álbum transmite. Na segunda parte, "Union of a Mind and Soul", antes de um grande solo de guitarra, que mostra querer ser libertada, não ter rédeas e ser independente, ouve-se "Open Your Mind/See what you can find/ Open your mind". Excelente malha introdutória já a dar-nos uma brisa quente do que vai ser até ao fim este álbum. 

Segue-se então "I Sing In Silence", pertencente ao conjunto de singles que a banda partilhou antes do álbum sair e que já anda a tocar em bastantes momentos. Continuamos num set de viagem, as malhas de Goat são como o nosso momento de meditação. Em concerto conseguem com que o ambiente seja uma festa, um bonito ritual. E esta "I Sing In Silence" consegue ser isso, o prolongamento da viagem mas em tons festivos. 

"Temple Rythms" consegue pôr-nos com o coração um pouco mais exaltado graças ao papel da percussão, sempre on point, numa batida constante, e também das flautas que vão acompanhando. Com esta podemos dizer que entramos dentro do coração da selva e encontramo-nos à deriva, completamente perdidos de tudo e começamos a explorar. 

O que podemos observar até aqui é que Goat continuam com a faceta instrumental muito presente, apresentando-nos até aqui uma faixa cantada e apenas uma de instrumental onde se vê muito jammin e mash-up de ideias variadas que surgem entre elementos, onde cada um consegue ser protagonista. "Alarms" é caso disso, guitarras a serem as estrelas desta faixa, percussão e vozes acompanham, um riff estrondoso já para o fim da música, a elevar os níveis para depois descermos à terra de maneira agressiva. 

Na faixa "Trouble In The Streets" conseguem, de novo, fazer uma malha fresca quando estamos cheios de calor. A guitarra e o sintetizador levam-nos até ao mar num dia de verão quente onde nos podemos refrescar. A voz continua a desempenhar o seu papel, as vozes falam-nos de paz de espírito, innerpeace e deixam-nos relaxados. Fomos envolvidos numa onda, saboreamos o sal e voltámos a cima, onde o sol nos consegue queimar a pele. Surgem depois duas faixas totalmente instrumentais, jams cósmicas puras, "Psychedelic Lover" e "Goatband". Conseguem ser músicas bem estruturadas em que a voz não precisa de entrar pois iria ser sugada pelos instrumentos. 




Em seguida mais um dos singles partilhados, "Try My Robe", música em que a guitarra tem um crescendo que a eleva a outro nível. Existe uma mensagem de festa nesta canção "Come sit down by my side, play the drums/Taste my food and drink my rum". Esta frase vira tudo do avesso e agora estamos numa tribo a atravessar um rito de iniciação. 



Nas cinco músicas seguintes é posto em prática algo em que Goat dominam: a vertente do krautrock, space rock e psych são testadas. Por outras palavras, apenas nos mostram que são a banda que domina um afro-psych-kraut-voodoo, peça principal e fundamental que os define. Dar importância a "Goodbye", que consegue ser aquela faixa que podemos ouvir no momento de despedida, dando esse sentido através do seu ritmo. Consegue ser hipnotizante ao ponto de só ouvirmos distorção. 

Destacar também a última "Ubuntu", que consegue executar um mashup de todos os momentos vocais e manda-nos uma mensagem: "There is a space where you can go beyond your experiences and seek out what lights us". Tem ainda um cheirinho do último álbum World Music

Acaba assim a nossa viagem. Infelizmente sim, a nave aterrou, nem nos lembrávamos já de estar sentados. É um álbum coerente e que expressa bem o que os suecos Goat representam. O Ibrahimovic da música, uma besta musical que consegue dar-nos uma viagem agressiva porém mágica. Um álbum excelente, parabéns. 

Open your mind. 

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Reportagem: Old Yellow Jack + Alex Chinaskee [Musicbox, Lisboa]


Na semana passada, 22 de setembro, fui até ao Musicbox, Lisboa, assistir à apresentação de Cut Corners, álbum de estreia dos lisboetas Old Yellow Jack.

Cheguei por volta das 22h15 à sala lisboeta que ainda se encontrava bastante despida, tal como o palco. A primeira parte ficou a cargo de Alex Chinaskee, projeto de Miguel Gomes, fundador da editora French Sisters Experience Records & Co. O artista fez-se acompanhar pelos seus Camponeses: Simões no baixo, Tojo no sintetizador, Ribeiro na guitarra e Oliveira na bateria. Alex Chinaskee tocou maioritariamente faixas do seu EP, Campo, editado no final de março. A banda lisboeta presenteou-nos com um ótimo concerto na qual se destacaram os temas "Sonhos Loucos" e "Já Não Vivo". Até houve tempo para Alex dar uma de Iggy Pop e ficar em tronco nu.

Setlist:

Sonhos Loucos
Dia de Praia
Assim Assim
Dá-me
Má Água
Já Não Vivo


Eram 23h15 quando o Guilherme, o Filipe, o Miguel e o Henrique entraram em palco fazendo-se acompanhar por um quinto elemento na percussão. A sala já se encontrava bem composta quando a banda começou o concerto com o single e faixa de abertura deste novo disco com a psicadélica "Glimmer". Foram-se seguindo vários temas de Cut Corners como "Jingle Jangle", "Svenn" e o tema título deste trabalho, a recordar os Real Estate, uma das influências deste trabalho segundo a banda. Houve também espaço para malhas mais antigas de Magnus(2015) como "Luanda" e "Two Lightbulbs in a Skull". A banda demonstrou sempre um grande à vontade em palco, provando que aprenderam bastante com todos os concertos que deram nestes últimos dois anos. O single "Tens Tons" foi outro dos destaques deste concerto, apresentando uma faceta mais agressiva que a sua versão de estúdio. "Inner City Sunburns", "Sailors Cellars Sellers" e "Beat Life" foram outras das músicas que Cut Corners apresentadas ao longo da noite, sendo que o concerto terminou com o tema mais conhecida da banda, "The Man Who Knew Too Much". As músicas dos Old Yellow Jack ao vivo têm mais espaço para respirar e isso torna os seus concertos bastante apelativos para o seu público. Este concerto não foi exceção e a banda conseguiu deixar os presentes na sala bastante contentes com o resultado final. 

Old Yellow Jack + Alex Chinaskee @ Musicbox

Texto e fotografia: Rui Gameiro

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Black Bass adiciona mais 3 bandas ao seu cartaz


O Black Bass - Évora Fest, que vai decorrer na Sociedade Harmonia Eborense (dia 17) e na SOIR - Joaquim António D'Aguiar (dia 18 e 19) em novembro, acaba de adicionar mais 3 nomes ao seu cartaz: Alek Rein, Celica XX e Dinozorg

Alexandre Rendeiro (a.k.a. Alek Rein), que já viria ao Black Bass como baterista de Sun Blossoms, acabou de lançar o seu primeiro LP pela Galeria Zé dos Bois, de nome Mirror Lane (o qual pode ser escutado aqui). Seguindo com as novas confirmações, os Celica XX são uma banda espanhola de psych, que vem até Évora para apresentar o seu último álbum, UltraviolenciaJá os Dinozorg são uma banda mistério, oriundos de um sitio qualquer no norte. Quem serão eles? Ninguém sabe.

Os bilhetes para o festival alentejano já estão à venda aqui, custando 10 euros o passe para os dias 18 e 19, e 3 euros o bilhete para o dia 17 (dia 'zero'), sendo este grátis para os sócios da SHE.


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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

STREAM: Goat - Requiem


Os suecos Goat, que passaram este ano por Portugal no Milhões de Festadisponiblizaram esta quinta feira o seu sétimo álbum de estúdio, Requiem, para audição completa e gratuita.. 

Este disco não foge à exceção, apresentando-se como o elevar das sonoridades quentes de África trazidas diretamente da Suécia, com o voodoo-psych-krautrock a estar também em evidência neste trabalho, que conta com 13 faixas, onde estão incluídos os singles anteriormente lançados "I Sing In Silence", ou mesmo "Try My Robe". 

  Pode agora ser escutado aqui Requiem, um álbum editado pela Subpop.

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Reportagem: Bruno Pernadas - Worst Summer Ever [Teatro Maria Matos, Lisboa]


Fomos mais uma vez ao Teatro Maria Matos a uma terça-feira assistir a um concerto de Bruno Pernadas, desta vez para apresentar o segundo de dois discos editados na passada sexta-feira, Worst Summer Ever. Bem que podia fazer disto um hábito e estar todas as terça-feiras do ano no Maria Matos a assistir aos recitais de Pernadas e companhia.

Cheguei ao teatro um pouco antes das 22h. A sala principal apresentou uma disposição diferente da do concerto de apresentação de Those who throw objects at crocodiles will be asked to retrieve them. Desta vez, o público sentou-se numa bancada muito mais próxima do palco, conferindo uma maior intimidade ao concerto. Passados 15 minutos, entraram em palco os protagonistas desta noite: Bruno Pernadas na guitarra, Francisco Brito no contrabaixo, Sérgio Rodrigues no piano, David Pires na bateria, João Mortágua no saxofone alto e soprano e Desidério Lázaro no saxofone.

O concerto começou com o single "Love Versus Love" e foi prosseguindo pelos temas que compõe Worst Summer Ever. As música que mais me impressionaram ao vivo foram "This is not a Folk Song" e "Waltz, apresentando uma percussão magnífica, assim como um excelente trabalho de contrabaixo e guitarra. Pernadas mostrou-nos mais uma vez o porquê de ser um dos melhores guitarrista do momento, manuseando a guitarra como só ele sabe. O alto nível de execução esteve presente em todo o concerto não fosse Pernadas capaz de nos apresentar algo desprovido de genialidade. Nada mais ali existia além do transe em que estava mergulhado, a tentar entender a origem sonora de todas estas ideias. 


Worst Summer Ever apresenta-se ao vivo como o melhor trabalho editado por Pernadas até à data. Reúne músicas há muito guardadas e que Bruno não quis deitar fora. É pois um disco diferente daquilo que ambicionava num disco jazz (mais livre, espiritual, ao jeito de Alice Coltrane, sem qualquer eletrónica). Ao vivo, Worst Summer Ever funciona de modo épico, ganhando uma outra identidade e liberdade de improviso que não é possível em estúdio. Apesar de ser um disco de jazz propriamente dito, é possível encontrar a essência pop de Pernadas.

O que nos reserva o futuro?

Há dezenas de músicas do lado mais pop do artista que estão na gaveta. No entanto, Pernadas, segundo uma entrevista que deu ao Teatro Maria Matos, anunciou que tem dois planos paralelos: um disco de exótica e um disco de canções, que lhe permita descansar um pouco dos composição e dos arranjos matemáticos. Fico a aguardar deste lado.

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Vera Marmelo (cedidas pelo Teatro Maria Matos)

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Reportagem: The Sunflowers + 800 Gondomar + Moon Preachers [ZDB - Lisboa]

© Vera Marmelo
Na passada sexta-feira, num Bairro Alto cheio de turistas a aproveitar a noite de Lisboa, os The Sunflowers vieram até à Galeria Zé dos Bois para apresentar o seu álbum de estreia, The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy

Apesar de estarmos no fim de setembro, o tempo ainda estava agradável para aproveitar o bom espaço que a ZDB tem para oferecer. Algumas pessoas escolhiam ficar lá fora, sempre alegres a falar, outras entravam e viam a exposição que os The Sunflowers organizaram, onde pediram a vários artistas diferentes que ilustrassem as músicas do seu álbum. Pouco depois das 22h, altura em que a ZDB já estava praticamente lotada, os Moon Preachers entraram em palco para dar inicio a esta festa. 





Podíamos descrever a sonoridade da banda como se os Coachwhips, um dos primeiros projectos do grande John Dwyer, fizesse um álbum mais virado para os blues. Esta mistura explosiva rebentou logo com o aquário, não havendo aqui qualquer tipo de aquecimentos para o resto da noite, pois os Moon Preachers entraram a pés juntos na ZDB, e aí, fizeram zumbir muitos ouvidos com um grande concerto. 

O ambiente no aquário já era bem quente, e ainda mais ficou quando os 800 Gondomar entraram em palco para dar seguimento à noite e, desculpem a expressão, partir aquela merda toda. 






A explosão nuclear foi completamente instantânea nos primeiros acordes de 'Entre Águas', a música que abre o último EP da banda portuense, Circunvalação. Tocaram várias músicas deste EP, como 'Lenny' e o single 'Mergulhadores', mas também não se esqueceram da sua grande malha, 'O Cabeçudo'. Obviamente, não demorou muito até o mosh começar, não havendo muitas pessoas lá no meio, mas quem viu de fora sabe que foi dos bons, muito bons. "A dar o rabo pa comprar cavalo" foi uma das muitas frases cantadas agressivamente pelos 800 Gondomar, esta aqui retirada daquele hino do hip-hop nacional, 'Dia dum Dread de 16 anos' pela "bruxa" Allen Halloween

No final deste concerto, as almas perdidas na ZDB (num bom sentido) tentaram encontrar descanso e ar fresco, bebendo uma jola ou indo à casa de banho. Isto em modo de preparação para quando os The Sunflowers subissem ao palco, com a mesma destruição dos concertos anteriores. 





Antes dos 'girassóis' começarem a malhar, acompanhados pelo Frederico Ferreira dos 800 Gondomar no baixo, já se sentiam as faíscas no ar do aquário, aquela "calma antes da tempestade" para ver o que os The Sunflowers tinham para apresentar. O que se tornou numa completa combustão em 'Cool Kid Blues', a primeira música de The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy. Por aqui seguiram o alinhamento do álbum, passando pela reavivada 'The Witch', as já conhecidas 'Charlie Don't Surf'' e 'Hasta La Pizza_ Rest In Pepperoni', mas também, obviamente, as músicas que eram desconhecidas neste álbum. Destas novidades podiam-se destacar 'Post Breakup Stoner' e 'Talk Shit_ People Suck', dois dos melhores momentos de The Intergalactic Guide, que ao vivo foram sentidas com uma vontade incrível tanto pela banda, como pelo público incansável que estava a dar tudo. 
Como podem advinhar, o ambiente na ZDB era de uma valente festa, essa que teve o seu auge na última música, a habitual 'I Wanna Be Your Dog' dos The Stooges, quando o palco foi invadido por este público mais jovem, e eventualmente, mais solto. 




Para terminar, é de louvar todo o esforço que os The Sunflowers têm feito nos últimos anos, afirmando-se como uma das bandas mais trabalhadoras no nosso país. E isto reflecte-se na grande quantidade de concertos que os 'girassóis' dão, no seu vasto merchandise original, e nesta apresentação do seu primeiro álbum. Noite esta que foi, certamente, muito especial para os The Sunflowers e os seus grandes fãs lisboetas.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Vera Marmelo (cedidas pela Galeria Zé dos Bois)  

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Anna Meredith estreia-se no nosso país a 10 de outubro


Anna Meredith, responsável por um dos trabalhos mais estranhos e ao mesmo tempo entusiasmantes de 2016, Varmints, vai visitar o nosso país pela primeira vez em outubro. Com concerto agendado no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém a dia 10, a artista britânica, compositora residente para a BBC Scottish Symphony Orchestra, foge dos conceitos tradicionais. preferindo os “pequenos encantamentos do quotidiano” como fonte primária de inspiração .

Segundo Nuno Galopim, Varmints, sucessor dos EP'S Black Prince Fury (2012) e Jet Black Raider (2013) é "uma das mais interessantes propostas de diálogo entre os universos da música eletrónica e da música orquestral que têm surgido em cena nos últimos tempos".

O concerto tem a co-produção do Nariz Entupido e os bilhetes têm o custo de 12,5€ para as laterais e 15€ para a plateia.

Fiquem com "Nautilus", música que segundo Anna representa “a melhor versão de mim mesma, a mais confiante e bombástica. O melhor que consigo ser com três gins!”.

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Festa Moderna vs Baile Tropicante no Musicbox Lisboa


As Festas Modernas da Cuca Monga estão de volta ao Musicbox Lisboa, onde desta vez, vão assinalar a sua terceira edição com BISPO feat. La Flama Branca. A banda lisboeta, que conta com membros dos Capitão Fausto, vai experimentar aqui um formato nunca antes tentado, e provavelmente, também nunca mais o será. Em palco vão estar os BISPO e La Flama Branca (com o seu Baile Tropicante), onde vão fazer parte da mesma actuação num concerto inédito, concerto esse que já promete bastante. A nova compilação da Cuca Monga, Vol. III, também vai estar disponível para venda no Musicbox

Esta festa vai acontecer no dia 30 de setembro, sexta-feira, e os bilhetes vão custar 8 euros.

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

[Review] The Sunflowers - The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy


The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy // O Cão da Garagem // setembro de 2016
8.0/10

Muito tempo passou desde a eclosão do género musical garage rock. Os The 13th Floor Elevators conheceram o apogeu da sua fama com o lançamento do single "You're Gonna Miss Me”. Em 66, contudo apenas passado 3 anos, Erickson (vocalista dos mesmos) foi internado num hospital psiquiátrico. Na capital dos Estados Unidos da América, uma banda chamada The Sonics lança um álbum, Here Are The Sonics. Algures pela California, os The Seeds lançam o seu primeiro álbum em 1966, e em 1969, Michigan, um jovem Ron Asheton, que tocava numa banda chamada The Stoogestransforma três acordes numa mítica música chamada “I Wanna Be Your Dog”.

Passemos para o ano de 1997. Um salto algo drástico, mas não aleatório. Ano de nascimento da banda californiana Thee Oh Sees que trouxe consigo uma revolução musical fazendo ressurgir este género, semi-morto e substituído pelas texturas
mais agressivas do punk rock e influenciando inúmeras bandas e artistas desde Ty Segall, os Black Lips, o Jay Reatard e os mais recentes King Gizzard and the Lizard Wizard.

Passemos a 2014, ano de criação do duo portuense The Sunflowers. Após inúmeros concertos por todo o país e o lançamento de dois EP's e vários singles, finalmente a banda de Carlos de Jesus (guitarra e vozes) e Carolina Brandão (bateria) têm o prazer de brindar os seus fãs com o seu primeiro álbum longa duração.

Estes, para além de serem uma das bandas mais trabalhadoras da atualidade, possuem o dom de saber escolher as suas influências corretament
e, sabendo o que devem ou não consumir. Por exemplo, logo a abrir este álbum é nos atirado à cara “Cool Kid Blues”, com uns power chords capazes de fazer sangrar os ouvidos de qualquer ser humano, contudo, passado esta apresentação, Carlos de Jesus, na guitarra, mostra um riff a lembrar “Lucifer Sam”, musica do primeiro álbum dos Pink Floyd (ainda sobre a alçada de Syd Barrett), tocada com mais agressividade, desleixo e velocidade.

O álbum é constituído em grande parte por musicas já lançadas, como “Zombie”, “Hasta la Pizza/Rest in Pepperoni” ou “Charlie Don’t Surf” e por isso perde um pouco o elemento surpresa. Porém é sempre interessante ouvir as novas versões de músicas outrora gravadas num estilo mais lo-fi, caso da segunda faixa “The Witch” com a sua vibe depressiva à lá Wavves. As primeiras notas de “Mountain” transpiram a spaghetti western e o som explosivo da guitarra faz-me lembrar a faixa que fecha o mais recente álbum dos King Gizzard & the Lizard Wizard,“Road Train”.

 

Na terceira faixa encontramos um dos primeiros destaques do álbum, “Charlie Don’t Surf”. Esta música, bem ao estilo do surf rock dos anos 60, com influências claras da “Have Love Will Travel” dos The Sonics, fala sobre o estilo de vida de Charlie, alter-ego de Carlos, que prefere ficar em casa todo o dia a fumar substâncias ilícitas em vez de ir conviver e surfar como o resto das pessoas. Contudo, o surf rock não fica por aqui e em “Post Breakup Stoner” continuamos a onda das letras ingénuas. Embora esta não seja sobre o alienamento da sociedade é sobre, tal como indica o nome, corações partidos.

A guitarra acústica descuidada de “I Wanna Die” é a introdução perfeita para “Zombie”, aquele que é um dos meus momentos preferidos deste álbum. A partir do momento em que uma música apresenta uma linha de baixo tão intrigante e ameaçadora como simples sabemos que nos estamos a preparar para algo em grande. O fuzz e o feedback imperam nesta música que é das que melhor define o estilo dos Sunflowers, não só com o instrumental punk rock mas também com uma letra rica em hipérboles e ficção científica.

“Talk Shit / People Suck” e “Forgive Me, Father, for I Have Sined” tem a ingrata tarefa de estarem comprimidas entre “Zombie” e “Hasta la Pizza / Rest in Pepperoni” (já falarei desta), momentos estes que se destacam por serem as duas melhores musicas do álbum, por isso podem passar algo despercebidas. A primeira marca o regresso ao surf-punk, e a letra como é de esperar critica a sociedade, mais especificamente aquelas pessoas que gostam de criticar os hábitos menos saudáveis dos jovens. A parte mais interessante da música é a onda paranóica que esta invoca. A frase “Everybody knows you’re high / they can see it in your eyes” é aquele pensamento que já passou por todos os stoners enquanto caminham pela rua. A segunda faixa continua a criticar a sociedade, contudo de uma forma mais direta e crua.

Chegamos então aquele que é o momento mais Sunflowers de todo o álbum
. Se “Zombie” conquista pelo minimalismo, “Hasta la Pizza/ Rest in Pepperoni” é a maior epopeia de todo o álbum. Harmónicas, solos de guitarra, pizzas, coca cola, batatas fritas e aquele riff inspirado na "You Gonna Get It" dos Coachwhips, antiga banda de John Dwyer, líder dos Thee Oh Sees. O exemplo perfeito do que é o garage rock em 2016.



Na última faixa do álbum, que partilha o nome com o álbum, finalmente encontramos o Red Cowboy, última personagem do imaginário da banda, e sentimo-nos satisfeitos. Foi uma bela viagem que deixa a sensação de que em Portugal não existe ninguém a fazer música tão boa e completa dentro deste género. Basicamente, em terras lusitanas quem tiver vontade de entrar na batalha pelo titulo Nacional de Garage Rock tem aqui o campeão actual. Contudo, The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy não é nenhum Slaughterhouse, ou um Floating Coffin nem um I’m In Your Mind Fuzz. Os Sunflowers podem ter conquistado o seu país natal mas ainda tem muito mais para crescer. Mas também, para uma banda que foi formada em 2014 e cresceu desta forma, acredito que podemos esperar com um sorriso na cara para ver o que vai acontecer nestes próximos dois anos.

Texto: Hugo Geada

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Igorrr apresentam "Chicken Sonata" e informações do novo disco


Os Igorrr estão de regresso aos trabalhos de estúdio. A banda anunciou na passada sexta-feira (23 de setembro de 2016) via rede social facebook que "o novo álbum está quase pronto, temos 11 músicas quase acabadas e três vídeos a caminho. Os primeiros vídeos que alguma vez fizémos. As gravações começaram em fevereiro de 2014, então o tempo começa a ser um bocado longo para nós."

Além das novidades relativas ao novo álbum, Gautier Serre, o mentor do projeto (que se completa com Laure Le Prunenec e Laurent Lunoir) lançou hoje uma nova sinfonia composta pelo seu galo Patrick, o single chama-se "Chicken Sonata". O músico será ainda o responsável pela banda sonora do novo filme do diretor francês Bruno Dumont, que deverá sair no próximo ano. O novo single pode ser reproduzido abaixo.



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Bloom (JP Simões) apresenta "Tremble Like a Flower"


JP Simões é um nome que nos é familiar quando falamos de uns Belle Chase Hotel, Quinteto Tati ou mesmo nos seus trabalhos a solo como JP. Camaleão do cancioneiro nacional, foi encarnado criativamente por Bloom, compositor e cantor inglês prematuramente falecido há de três anos.

Bloom é um rasgar com o passado, cantado em inglês e acompanhado pelas contribuições de Miguel Nicolau, Marco Franco, Sérgio Costa e – ocasionalmente – Carlos Bica. Tremble like a Flower é o nome do primeiro disco de Bloom, a ser editado em Outubro, com concerto de apresentação marcado para dia 25 de Outubro, no Jameson Urban Routes, no Musicbox em Lisboa.

O single de avanço, homónimo, está já disponível para escuta aqui.

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Mr. Gallini apresenta-se ao mundo com o seu "mau humor"


Quem é Mr. Gallini

É Bruno Monteiro, baterista do avassalador quarteto rock n' roll luso Stone Dead. Pode ser descrito como várias pessoas numa só com uma borbulhante imaginação irrequieta. O que Mr. Gallini propõe é um vislumbre a esse imaginário particular com sons que emanam da sua mente como uma espiral de referências musicais de tempos idos onde o relógio pára e o tempo se dilui.

Neste seu projecto a solo, o alter ego de Bruno Monteiro pode igualmente ser descrito como calmaria idílica Psych Harmonioso à beira mar, em contraste com o acelerado dia a dia de quem não quer ceder a crescer e deixar para trás o charme, a inocência e a criatividade quasi-infantil que tantos de nós perdem com o passar dos anos.

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Hans-Joachim Irmler & Jaki Liebezeit no OUT.FEST a dia 8 de outubro


Hans-Joachim Irmler & Jaki Liebezeit vão atuar na 13ª edição do OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro. A dupla irá atuar no sábado, dia 8 de outubro, perfazendo assim o elenco final da noite mais longa e diversa do festival (Hieroglyphic Being, Tropa Macaca, Acid Mothers Temple, Ondness, Manuel Mota, Foodman, Van Ayres, Gume, Polido, Les Graciés). Os bilhetes diários custam 15€ e os concertos vão decorrer na ADAO – Associação Desenvolvimento Artes Ofícios.


Encontro-sonho entre duas das figuras mais imponentes no epicentro desse acontecimento iluminado e ímpar que teve lugar na Alemanha dos anos 70 e que usualmente apelidamos de krautrock. Fundador dos Faust, Hans-Joachim Irmler passou a liderar uma das duas formações com esse mesmo nome aquando a cisão em 2004, acumulando também funções no Faust Studio e enquanto mentor da prolífica editora Klangbad, numa demonstração de superlativa actividade. Baterista único, Jaki Liebezeit foi o motor que propulsionou a nave dos Can até ao espaço sideral, num acerto mimético em expansão até aos dias de hoje. Juntos, são um combo em constante exploração da simbiose entre os teclados cósmicos e fracturantes de Irmler e as batidas circulares e hipnóticas de Liebezeit, ao encontro de mundos inexplorados, com a mesma verve e sentido de descoberta que desenhou alguns dos seus trabalhos mais valorosos.

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Nicola Cruz, Sensible Soccers e Duquesa na lançamento da Cerveja Musa no Porto


Esta sexta-feira, 30 de setembro, a Cerveja Musa faz a sua festa de lançamento no Porto, na Antiga Casa Moura, e conta com todos para sacarem a boina (carica, para quem ainda não está familiarizada com o nosso vocabulário) às mais afinadas criações cervejeiras.

Os convidados desta festa são Duquesa, os Sensible Soccers e o nosso já bem conhecido Nicola Cruz. A descarga muscular fica a cargo da fina flor da electrónica nacional: Extended Records / con+ainer / FUGA (Terzi b2b Ludovic b2b Marco Coelho).


A festa decorre da 21h30 às 4h e a entrada é livre. A produção ficou a cargo da Lovers & Lollypops.

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Cinco Discos, Cinco Críticas #19


Fruitless Search // Soft Verse // agosto de 2016
7.0/10


Os New Horror são um trio natural do norte do Reino Unido, mais especificamente Newcastle, e lançaram no mês passado o seu EP de estreia, intitulado Fruitless Search. O disco, composto por seis canções, apresenta um post-punk lo-fi embebido pelo shoegaze dos anos 90 e marcado pela voz grave de Lewis Thompson. Fruitless Search tem uma peculiaridade interessante na medida em que abre com "Like a Child", um single que serve para uma introdução bem contada, e encerra com "Mirror", a música com a maior duração do EP e que encerra os conceitos do EP de forma sintética e eficaz.
Uma coisa há que admitir: os  New Horror trouxeram uma certa vivacidade ao post-punk que é produzido desde a década 10 do séc.XXI. Souberam conjugá-lo com uma aura dream pop, experienciada logo em "Like a Child", e denegri-lo com o shoegaze dos 90's em "In The Night". Colocaram os sintetizadores de lado, e apostaram nas guitarras. O resultado final é bastante positivo e dá início à contagem decrescente pela espera de novos trabalhos.
Sónia Felizardo


GoRgO // Supernatural Cat // setembro de 2016
8.0/10

Os italianos MoRkObOt contam já com 12 anos de carreira e cinco álbuns de estúdio onde se inclui GoRgO, o novo disco do trio. Através de sete músicas os MoRkObOt trabalham um disco que se caracteriza na etiqueta do math-rock com algumas influências noise e se apresenta em formato instrumental. A tecnicidade musical é posta de lado e os italianos criam um emaranhado de sons díspares que se comunicam nos ritmos graves e ruídos psicadélicos resultantes. Dentro do género, este GoRgO é relevante pela inovação que lhe está intrínseca e é notória essencialmente ao nível da metodologia do duplo baixo e da percussão que apresenta uma força imparável e um objeto imovível. "Kromot" e "Ogrog" são dois singles interessantes a ouvir que apresentam uma personalidade mais próxima do pós-metal e surtem o efeito de hipnagogia pesada.
GoRgO foi produzido entre novembro de 2015 e janeiro de 2016 e testemunha uma coerência musical inteligente, através da criação de estruturas mais ambiciosas face aos trabalhos anteriores. Não é um disco para qualquer ouvido.
Sónia Felizardo


Rain Temple // Dream Catalogue // julho de 2016
8.0/10

Os 2814 abandonaram as influências de vaporwave que se podiam encontrar no seu álbum anterior e, em Rain Temple, misturaram música ambiente com géneros como downtempo e techno. O uso de sintetizadores e a mistura de muitos sons criam diferentes atmosferas, acompanhadas em várias músicas por percussão. Alguns dos ritmos usados conseguem tornar certas músicas (quase) dançáveis. Rain Temple dura mais de uma hora, mas consegue manter-se interessante durante toda a sua duração. Apesar de ter alguns momentos mais fracos na sua primeira metade, nomeadamente em “Before the Rain” e “Lost in a Dream”, estes são completamente compensados por músicas como “Eyes of the Temple” e “Transference”, que aproveitam o potencial da sonoridade explorada no álbum. Não faltam aqui boas melodias e ritmos e sons bem misturados e produzidos. Podia ser a banda sonora alternativa do vosso JRPG de ficção científica preferido, é provavelmente um dos melhores álbuns eletrónicos dos últimos meses.


Rui Santos


Stasis // Ghost Box Records // agosto de 2016
7.0/10

Stasis é o mais recente LP de Pye Corner Audio. Segundo a press release da Ghost Box, este é uma continuação de Sleep Games. Alguns de vós podem conhecer o produtor pelo seu relativamente curto percurso na IDM, que começou em 2010. Outros, pelo remix que ele fez para os Mogwai no EP deles, o Music Industry 3. Fitness Industry 1. Mas o mais provável é que poucos de vós o conheçam. E numa altura em que anda tudo com tesão de mijo com o synthwave ("Uau! Onde é que esta música andou escondida estes anos todos?!") muito por causa do Stranger Things e do seu tema de abertura, importa trazer à luz certos aspectos e verdades. Uma espécie de aviso à navegação, para sabermos que pistas devemos percorrer e outras que simplesmente podemos — e devemos — ignorar. 
1º - O synthwave existe desde os anos 80. Tem como inspiração a new wave e as bandas sonoras das grandes películas da época. O Vangelis, o John Carpenter e os Tangerine Dream são tidos pela pseudo-comunidade científico-musical como os inventores do género. (que o autor considera que não seria o mesmo sem Terry Riley). 
2º -  Ainda não vi nada de Stranger Things, por isso qualquer comentário que eu possa tecer é ignorante. Porém, já ouvi o tema. E sabem que mais? Eu já o tinha ouvido antes.
De certeza que os S U R V I V E não fizeram de propósito.  Mas se fizeram, limitaram-se a copiar um dos melhores estetas da sétima arte. Nada que Pye Corner Audio também não tenha feito com Stasis (e ainda por cima pegou logo no melhor filme do Refn).
3º - Se quiséssemos caracterizar o synthwave — e queremos — parte da definição invariavelmente teria que incluir “bandas sonoras de filmes sci-fi/horror dos anos 80”. A outra porção da definição é nostalgia. Uma espécie de homenagem às bandas sonoras que os grandes compositores dos anos 80 produziram para dar expressão sonora aos seus cenários distópicos. 
4º - Com Stasis, Pye Corner Audio nada acrescenta ao synthwave. Mas como poderia, se todo o melhor synthwave já foi feito? Ficou lá atrás, incorporado nos melhores filmes de sempre.O synthwave está estagnado. Morto.
Porém, com Stasis, Pye Corner Audio continua o legado do synthwave. Uma espécie de trabalho atual que serve de memória futura para dar a conhecer a uma geração faminta por boa música — e bom cinema — tudo aquilo que já foi feito anteriormente no synthwave. 
Ao fim ao cabo, tudo acaba por soar ao mesmo. E soa incrível. 
Longa vida ao synthwave.
Edu Silva



Los Niños Sin Miedo // Heavenly Recordings // agosto de 2016
7.4/10


Os The Parrots são uma banda espanhola, originária de Madrid, que se estreia agora nas longas edições com Los Niños Sin Miedo (via Heavenly Recordings). Esta banda já tem um historial algo longo por Portugal, vieram pela primeira vez ao Clube Z na Galeria Zé dos Bois (reportagem aqui), e a partir daí, o trio espanhol tem passado várias vezes pelo nosso país. 

Após vários EP’s bem recebidos tanto pela imprensa, como também pelo público, os The Parrots lançaram (finalmente) o seu primeiro disco no passado mês de agosto. As suas raízes continuam lá, as claras influências em The Almighty Defenders e Black Lips, e obviamente, as letras inspiradas pela boa velha marijuana. Esta última influência pode ser logo encontrada na primeira malha de Los Niños Sin Miedo, ‘Too High To Die’. Quem a ouve pode logo sentir a essência dos The Parrots, o que são e o que é a música deles, mas vamos deixar isso para o final. ‘Let’s Do It Again’ e ‘No Me Gustas, Te Quiero’, os singles que antecederam a este álbum, foram as músicas que marcaram o melhor momento deste consistente álbum, não sendo estranhas de todo aos fãs da banda espanhola. ‘Casper’, ‘ The Road That Brings You Home’, e ‘Windows 98’ são outros destaques de Los Niños Sin Miedo, que no fundo, acaba por ser um bocado monótono e não inovador, mas de uma maneira positiva. Os The Parrots não complicam muito na sua composição musical, o seu género exige mesmo isso deles, o que importa aqui são os sentimentos, que se exprimem nas letras e nos acordes sentidos bem lá dentro. Quem vive um concerto dos ‘papagaios’ sabe bem do que se está a falar aqui, os seus concertos são loucos, os seus fãs vivem a música de uma maneira existencialista. 

E isto acaba por resumir a essência dos The Parrots, a vida pode ser uma merda, mas isso não significa que não possamos divertir-nos e aproveitar a vida ao máximo. A sua próxima passagem por Portugal está marcada para o dia 15 de outubro, onde vêm apresentar Los Niños Sin Miedo ao Musicbox Lisboa (evento aqui). Quem quiser sentir isto tudo ao vivo, sabe bem o que tem a fazer.

Tiago Farinha

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