sábado, 15 de outubro de 2016

Concertos que devem espreitar no Jameson Urban Routes #1

O Jameson Urban Routes (JUR) faz 10 anos e para celebrar a sua décima edição volta a apostar num cartaz com nomes muito interessantes. São ao todo 16 sessões de concertos que decorrem de 24 a 30 de outubro, em que o maior destaque vai para as atuações de Wild Beasts (Sessão esgotada), 65daysofstaticMykki BlancoSensible SoccersLiima, Teebs, entre outros. Fiquem aqui com as nossas escolhas para esta semana de concertos que vai invadir o Musicbox Lisboa.

Live Low - SESSÃO 2 . Terça, 25 de Outubro . 21h00


Live Low é o projecto de Pedro Augusto. Até então conhecido pelos trabalhos desenvolvidos sobre o pseudónimo Ghuna X — o seu alter-ego dedicado à exploração das sonoridades mais puras e ruidosas do hip hop — e por alguns projectos realizados na área das bandas sonoras e das instalações. Figura incontornável da electrónica portuense vira-se agora para o cancioneiro nacional para lhe dar uma nova abordagem acompanhado pela turca Ece Canli e pelos músicos Miguel Ramos e Pedro Augusto.

É com dois anos de maturação, troca de ideias e trabalho que Live Low se estreia, finalmente, no formato longa-duração, em mais uma edição com a chancela Lovers & Lollypops. Toada, o novo registo do agora quarteto, revitaliza um cancioneiro do folclore português com base nos ritmos do trabalho que essas canções aliviavam, reinterpretando-o e reconstruindo-o com as composições e timbres complexos da música electrónica.



Gold Panda - SESSÃO 3 . Quarta, 26 de Outubro . 21h00


Gold Panda é um produtor britânico de Londres que se estreou em 2010 com Lucky Shinner e o seu vibrante single "You", que ainda hoje faz mexer muitas pessoas nas pistas de dança por esse mundo fora. A sua sonoridade combina IDM e microhouse com alguma estética oriental influenciada pelos tempos em que viveu no Japão. 

Curiosamente, Good Luck And Do Your Best é também influenciado pelo Japão, mais propriamente sobre as viagens que realizou há 2 anos atrás com a fotografa Laura Lewis, com o objectivo de recolher imagens e gravações de campo supostos de fazerem parte de um documentário, o qual acabou por não surgir. 

Surgiu assim um álbum de 11 músicas de ambiente mais sereno, minimal, atmosférica, orgânico e exuberante inspirado nas fotografias que Laura tirou, nas suas cores e experiências retratadas. Este álbum surge mais na senda de Lucky Shinner, mais alegre e menos dançável que Half of Where You Live. Aconselhado a quem gosta de Four Tet e John Talabot.


65daysofstatic - SESSÃO 4 . Quinta, 27 de Outubro 21h00



Formados em 2001, os 65daysofstatic são um quarteto inglês que junta o pós-rock, onde tipicamente se destacam instrumentos como guitarra e baixo, à música electrónica. O uso de drum machines e sintetizadores diferencia a sonoridade da banda e distingue-a dos outros artistas do género.

Mais conhecidos por álbuns como The Fall of Math e One Time for All Time, foram também os autores de uma banda sonora alternativa para o filme Silent Running, de 1972 e trabalharam em diferentes projetos, como por exemplo uma instalação audiovisual para o festival Tramlines. Este ano lançaram mais uma banda sonora, desta vez para o videojogo No Man’s Sky, na qual fizeram um excelente trabalho. Parte do seu sucesso deriva dos seus aclamados concertos. Já tocaram por todo e mundo e fizeram uma digressão com os The Cure. Dia 27 não vão faltar crescendos épicos e atmosferas calmas e envolventes.


The Comet is Coming - SESSÃO 9 . Sexta, 28 de Outubro 21h00


Não sabemos muito bem o que é, só sabemos que é bom.

Esta banda que vem de Londres, depois de ter lançado o seu primeiro EP, Prophecy, em 2015, decidiu este ano lançar o seu primeiro disco de longa duração, Channel the Spirits. Pode gabar-se de ter disputado o Mercury Prize (prémio entregue ao melhor álbum gravado no Reino Unido e na Irlanda) com nomes como David Bowie, Radiohead, Savages e Skepta (vencedor do prémio). Vêm agora mostrar ao povo lusitano o porquê de tanto clamor.

A banda constituída por Danalogue The Conqueror, Betamax Killer e King Shabaka apresenta uma sonoridade constituída por uma salada de fruta com uma diversidade enorme de sabores à disposição, desde jazz, electrónica, funk e rock psicadélico. A imaginária que provem da sua música é inspirada no espaço e na ficção científica mas sem esquecer os ritmos mais alegres e quentes do planeta terra, que certamente vão fazer todos os corpos abanaram-se e a plateia transformar-se numa pista de dança.



Todas as informações adicionais poderão ser consultadas no site oficial.

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Reportagem: Death In June [Hard Club, Porto]


Foi no passado dia 3 de Outubro que os Death In June passaram pelo Porto em data única no nosso país para comemorar os 35 anos de carreira do projeto. A noite começou a meio gás, com o Homem em Catarse a ocupar o palco na primeira parte do concerto. Apesar deste nos ter feito uma visita guiada ao Guarda-Rios — o seu mais recente LP — e nos ter mostrado a sua capacidade quase inata de desenvolver uma perfeita sinergia entre a voz e a guitarra, não se conseguiu impor perante uma plateia ruidosa e impaciente. 


O Homem em Catarse merecia melhor recepção e, quiçá, uma apresentação a título individual não fosse de todo descabido. Porém, há uma motivo que justifica comportamento algo juvenil e inconsequente: Douglas Pearson. Também conhecido por Douglas P., ele é o mentor dos Death In June, um projeto iniciado em 1981 que tem vindo, ao longo dos anos, a sobressair pelos seus episódios polémicos face às tendências simpatizantes neo nazi. As suas letras fazem alusão à Europa fascista do século XX e à Alemanha Nazi, gerando já diversos motins e cancelamentos de concertos em vários países. Mas não é só de polémica que se faz a história deste incrível projeto. Afinal, falamos de uma das bandas mais importantes da música neofolk. Depois de uma década de 80 mais direcionada para as sonoridades post punk e para a estética industrial de uns Throbbing Gristle, os Death in June assumiram-se nos anos 90 como um dos grupos mais caraterísticos da música neofolk, a par de bandas como Current 93 e Sol Invictus.



Depois do intervalo, a sala 2 do Hard Club apresentava-se completamente cheia. No palco assiste-se à entrada de um homem em trajes militares e face ocultada por uma máscara branca. Ouvem-se samples de vozes e cânticos acompanhados por belas melodias tocadas em piano que serviram como introdução ao concerto. Após 15 minutos, Douglas P. entra finalmente em palco ao som de uma sirene e uivando para o público como quem puxa por ele,  de camuflado e com a típica máscara a cobrir a sua cara. A primeira parte do concerto dedicou-se ao lado mais tribal e abrasivo da banda, com muita percussão a servir de acompanhamento às faixas dos seus mais recentes discos.


Depois desta intensa primeira parte, Douglas P. apresentou-se sozinho em palco, deixando o seu colega de parte para se dedicar aos temas que o público mais desejava ouvir. Agora sem máscara e de guitarra na mão, Douglas P. não tardou em tocar os seus temas clássicos, sem grandes pausas e de ritmo bastante acelerado. A setlist percorreu boa parte da sua discografia, com as músicas a não excederem muito mais que dois minutos, oferecendo um alinhamento extensivo para agrado dos muitos fãs que o assistiam. A atenção e o conhecimento por parte do público era notória, com muitos a acompanharem as canções com as suas respetivas letras e aplaudindo com vivacidade. 


“He Said Destroy” foi tocada a pedido do público, ainda bastante cedo para as expectativas de Douglas P., que veio a conceder este privilégio mais algumas vezes posteriormente. A partir daqui foi um desfile de clássicos. Não faltaram temas fabulosos como “All Pigs Must Die”, "He's Disabled" e “Hollows of Devotion”, todas elas recebidas com muito fervor, assim como “Fall Apart” e “But, What Ends When The Symbols Shatter”, as duas tocadas a pedido do público, novamente. Ao aproximar-se do fim, Douglas P. abrandou o ritmo e aproveitou para interagir um pouco mais com o público, falando sobre as diferentes reações que as bebidas alcoólicas lhe provocavam, proporcionando um momento mais próximo e cómico ao concerto. “Little Black Angel”, um dos temas mais representativos dos Death in June seguiu-se pouco depois, com o público a agradecer com um forte aplauso. Um par de temas depois, Douglas P. despede-se e deixa o palco. O encore não tardou a acontecer, como seria de esperar. De volta ao palco e novamente acompanhado,  seguiu-se “C’est Un Rêve”, terminando o concerto novamente com o lado mais abrasivo da banda, com uma precursão de ritmo certeiro e coordenando, tal como numa marcha militar, proporcionando uma noite que se fez histórica e enorme em qualidade. Um concerto que não terá deixado ninguém desiludido e que provou a qualidade de um dos mais interessantes e ignorados grupos da música dos últimos anos, recebido pelo público portuense de braços abertos e com todo o respeito que sempre mereceram.


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Edu Silva

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

The Twist Connection anunciam disco de estreia


Samuel Silva (The Jack Shits, Los Saguaros, Sonic Reverends) na guitarra, Sérgio Cardoso (É Mas Foice, WrayGunn) no baixo e Carlos Mendes (“Kaló”) (Tédio Boys, WrayGunn, Bunnyranch, The Parkinsons) na bateria, são os The Twin Connection, uma nova banda nacional que se prepara para lançar o primeiro disco longa-duração de carreira, Stranded Downtown.

O primeiro single de avanço chega-nos com "Nite Shift" e traz selo da Antena 3O vídeo foi gravado no Salão Brazil, em Coimbra, com assinatura de Bruno Pires e dele fazem parte rostos incontornáveis da música nacional como Victor Torpedo, Jorri, Tracy Vandal, Pedro Chau, Miguel Padilha, Carlos Dias, Pedro Serra, Pedro Antunes, entre outros.

A banda tem também uma tour preparada de apoio ao novo álbum, que pode ser consultada abaixo.

Stranded Downtown tem data de lançamento prevista para 28 de outubro. 



Stranded Downtown Setlist:

1 - Cruisin'For a Bad Time 
2 - Nite Shift 
3 - Turn Off The Radio 
4 - Move Over 
5 - I'm Watching You 
6 - Breath In 
7 - It's Not Workin'Out 
8 - Sweet Stranger 
9 - Long Drive 
10 - Blink Off An Eye


Stranded Downtown TOUR

outubro
28 - Porto, Cave 45 
29 - Braga, Fnac 
29 - Barcelos, CCCO 
30 - Matosinhos, Fnac NorteShopping 
31 - Leiria, Espaço Preguiça 

novembro: 
4 - Lisboa, Fnac Colombo 
5 - Lisboa, Fnac Chiado 
5 - Lisboa, ZDB 
6 - Almada, Fnac 
11 - Esmoriz, Uncle Joe's 
12 - Rio Maior, Maiorais 
13 - Coimbra, Fnac 
18 - Braga, Sé Lá Vie 
20 - Porto, Fnac Santa Catarina 
25 - Coimbra, Salão Brazil 
26 - Faro, Bafo de Baco 
27 - Guia, Fnac 

dezembro: 
1 - Gaia, Fnac 
1 - Leça, Fnac MarShopping 
16 - Famalicão, Espaço Cultural Crú 
17 - Viseu, Carmo 81

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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Fórum Rádio Independente de volta para a sua 2ª edição



O Fórum de Rádio Independente nasceu, há dois anos pelas mãos dos colaboradores da Engenharia Rádio, com o intuito de cultivar e incutir a cultura radiofónica a membros de projetos independentes de rádio em Portugal, não fechando nunca as suas portas a meros amadores e/ou ouvintes. Regressa, assim, para a sua segunda edição dias 15 e 16 de Outubro na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto(FEUP).

Fazem parte do programa: um debate "Universitárias e Locais: Que ligação à Cidade e à Academia?" e quatro workshops (Redação e Reportagem, Sonoplastia, Locução e Fotografia/Video). 

Os horários e coordenadores dos workshops do FRI podem ser conhecidos no site e as inscrições, apesar de gratuitas, devem ser feitas com antecedência pois o número de participantes em cada workshop é limitado.

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Black Bass adiciona 4 DJs ao cartaz


O Black Bass - Évora Fest está quase a bater à porta, e com isto, começam-se a fazer as últimas preparações para os dias do grande acontecimento. O festival alentejano, que na semana passada completou o cartaz com Quelle Dead Gazelle e Clementine, anuncia agora os nomes que irão fazer a festa até o sol nascer. Floresta Encantada (Tiago Castro e  Candy Diaz), Nunchuck (Edu Matracas), A Boy Named Sue (Tiago André Sue) e o colectivo d'O Cão da Garagem são então, os DJs que irão aquecer as madrugadas do Black Bass em novembro.

Este festival, que vai decorrer na Sociedade Harmonia Eborense (dia 17) e na SOIR - Joaquim António D'Aguiar (dia 18 e 19), já tem os seus bilhetes à venda. Custando 10 euros o passe para os dias 18 e 19, e 3 euros o bilhete para o dia 17 (dia 'zero'), sendo este último grátis para os sócios da SHE.

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Conheçam Ana e o seu single de estreia "Dia 3"


A Planalto Records apresenta-nos Ana, projeto de one-man band onde domina a repetição e a inversão, a mudança e a evolução. O seu primeiro single "Dia 3" surgiu curiosamente a 3 de outubro mas só hoje é que vos apresentamos as potencialidades de uma só guitarra e a forma audaz como manipula as dinâmicas acústicas. 

2017 traz novidades e o one-man band irá editar em janeiro o seu primeiro disco "Abril", com o selo da Planalto Records.

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Um (mini) guia ao Post-Punk underground dos anos 80


O post-punk mudou a vida de muitas gerações nos saudosos anos 80. Embora não seja um dos géneros mais inventivos, teve uma tremenda influência na cultura musical da época, na altura em que o punk entrava em declínio, por volta de 1977. No mesmo ano surgem em Inglaterra bandas como Magazine e Public Image Ltd (com membros dos Buzzcocks e Sex Pistols, respetivamente) que incorporam ao punk-rock "tradicional" sons incomuns da eletrónica ao free jazz. Já nos Estados Unidos faziam-se ouvir os Television e a Patti Smith. Começam a surgir também várias editoras independentes para servirem como alternativa à música mainstream da altura e em 1979, os Joy Division lançam Unknown Pleasures - o álbum que marca o post-punk como género - e os Bauhaus mostram ao mundo o single "Bela Lugosi's Dead". Nascia assim um novo movimento, não só cultural, mas musical.

Apesar de ser considerado já por si só, um género underground, dentro do post-punk dos anos 80 há muito boas bandas que certamente ficaram perdidas e alheias ao conhecimento dos media da altura. Este artigo pretende assim, dar a conhecer alguns dos artistas cujo trabalho nasceu nos inícios da cultura do post-punk. Compilou-se algumas sonoridades de bandas menos conhecidas, e de certa forma pioneiras no género. Um admirável mundo novo a descobrir.

The Monochrome Set




Os The Monochrome Set ainda estão no ativo apesar de já terem acabado por duas vezes. Formaram-se em 1978, no Reino Unido, e lançaram inicialmente um EP de quatro faixas pela conceituada editora Rough Trade. A banda começou a ganhar destaque essencialmente após a edição dos primeiro discos de estúdio Strange Boutique(1980) e Love Zombies(1980) pela presença tamanha do vocalista Bid e pela forma de tocar do guitarrista Lester Square, que abandonou a banda em 1982. 
Apesar dos altos e baixos os The Monochrome Set marcaram a década, pelo seu post-punk feliz de tonalidades únicas tendo influenciado posteriormente bandas como Pulp, The Smiths e The Divine Comedy.



Virgin Prunes




Os irlandeses Virgin Prunes são uma das bandas que mais se destacou na cena post-punk dos 80's essencialmente pelas suas aventuras no campo da avant-garde, onde se tornaram mais inventivos. Formados em 1977, os Virgin Prunes surpreenderam o público pela valorização das performances artísticas em espetáculos ao vivo acima das tradições da música rock e, em pouco tempo, ganharam uma audiência de culto. 
Em 1981 a banda lançou A New Kind Of Beauty, um projeto ambicioso dividido em quatro capítulos editados entre setembro e dezembro, em formato cassete, via Rough Trade Records. Um dos pontos altos na discografia dos Virgin Prunes deu-se em 1982 com a edição de ...If I Die, I Die, que ficou conhecido como o disco de estreia da banda e que trouxe vários singles que se tornaram clássicos de carreira, nomeadamente "Baby Turns Blue", "Ulakanakulot" e "Decline and Fall". A banda irlandesa acabou em 1986.




Chance Operation




Os Chance Operation foram um trio japonês composto por Higo Hiroshi, Yoshiko Komiyama e Takahiro Furusawa. A banda foi fortemente influenciada pela cena no-wave nova-iorquina que se fazia sentir no post-punk underground japonês dos anos 80. A conjugação dos elementos da no wave com o post-punk é facilmente notada a partir do segundo EP, Spare Beauty, editado em 1982. Já o primeiro EP, Chance Operation (1981) é um disco mais fiel às bases do post-punk e merece igualmente ser explorado. Mais recentemente, em 2011 e já em formato duo, os Chance Operation editaram o disco Resolve

O trabalho da banda pode ser ouvido aqui.

 

Red Lorry Yellow Lorry



Falar em post-punk underground que se destacou nos anos 80 faz trazer à memória os ingleses Red Lorry Yellow Lorry (também conhecidos como The Lorries). A banda, que se formou em 1981 só viria a lançar o primeiro disco - Talk About The Weather - em 1985, um disco que se viria a tornar um clássico na carreira do quarteto, pelo seu minimalismo lírico e agressão musical.
Depois de uma série de singles pela Red Rhino a banda assinou com a Beggars Banquet Records, editora pela qual lançou o terceiro e quarto discos, Nothing Wrong(1988) e Blow(1989). Ao longo da carreira os Red Lorry Yellow Lorry sofreram várias alterações no lineup sendo que o vocalista Chris Reed foi o único elemento da formação inicial que se manteve como integrante. Blasting Off (1991) é o último álbum de originais na discografia da banda.


Fliehende Stürme




A história de formação dos Fliehende Stürme é mais ou menos comum. A banda alemã que teve as suas primeiras raízes no punk (sob o nome de Chaos Z) desenvolveu ambições mais amplas e melhores habilidades musicais e decidiu ingressar por um caminho mais obscuro, sendo assim uma das bandas pioneiras do movimento depro-punk ao lado dos EA80


A banda continua atualmente no ativo e, embora tenha visto iserida na sua sonoridade algumas influências eletrónicas, a voz grave e a guitarra agitada de Andreas Löhr mantêm-se fiéis. O punk depré também, embora a uma escala reduzida.




Lydia Lunch



Lydia Lunch é o nome artístico de Lydia Anne Koch, que ficou conhecida pela banda Teenage Jesus and The Jerks, onde foi vocalista e membro fundador. A solo, a artista destacou-se em 1980 com Queen of Siam, o primeiro disco a solo que trazia embebidas as bases do no wave sobre um spoken-word que ao vivo era bastante comunicativo. Na sua carreira ficam marcadas colaborações com vários artistas, nomeadamente Nick Cave, Michael Gira, The Birthday Party, Einstürzende Neubauten e Sonic Youth. O mais recente disco da artista, My Lover The Killer, foi editado em abril do presente ano.
Além da música, Lydia Lunch ainda participou em alguns filmes e escreveu vários livros.
  


Red Zebra




Os belgas Red Zebra formaram-se em 1978, como um quarteto de miúdos de 16 anos, e sob o nome de The Bungalows. Depois de aprenderem a tocar instrumentos formaram os Red Zebra que perdurou com a formação inicial até 1986. Quatro anos depois, em 1990 três membros originais da banda voltaram a reunir-se tendo lançado, até à data, quatro discos e uma cassete. 
O primeiro EP dos Red Zebra, foi editado em 1980 e incluiu o single "I Can't Live in a LivingRoom", que se tornou um hit de rádio e é considerado um dos melhores clássicos de culto da Bélgica. Para conhecer melhor o trabalho da banda recomendam-se ainda o EP I'm Falling Apart e o disco de estreia Bastogne, ambos editados em 1981.

 



The Opposition




Para os fãs de bandas como The Cure e The Sound recomenda-se a audição dos trabalhos dos londrinos The Opposition, nomeadamente o disco Breaking The Silence(1981) que marcou a estreia da banda nos registos longa-duração. Os The Opposition formaram-se em 1979, como um trio, tendo lançado inicialmente o single "Very Little Glory" pelo seu selo Double Vision. Depois do disco de estreia a banda começou a ganhar algum renome na cena underground e, até à data, conta com 11 álbuns na discografia.




Lung Overcoat


Os Lung Overcoat formaram-se em 1981, San Antonio - Texas, sob o nome de Platform of Youth por Mark Semmes (ex- The Rejects), Christopher English Smart (Chrysta Bell) e Jeff Decuir (Hyperbubble). Dois anos mais tarde, em 1983, a banda adotou Lung Overcoat como nome referência. Na curta história da banda, que esteve no ativo seis anos, ficaram os EP's Internal Silence (1983) e Climbing Up The Hill (1986), com o teclista/guitarrista Charles Gruber
Em 1984 tocaram ao vivo no programa Any Man, Any Band o single "The Hill" que, não tendo edição física merece ser escutado, com atenção especial a partir do minuto quatro.

 


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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Hannah Epperson atua esta sexta em Lamego


ZigurArtists continua a dar vida a Lamego.

Depois do ZigurFest em setembro, agora é a vez da americana Hannah Epperson passar pela cidade e atuar no Teatro Ribeiro Conceição, com a companhia do já residente Daily Misconceptions.

Hannah Epperson vem de Brooklyn, apesar de ter nascido no Utah e crescido no Canadá. Tem formação clássica em violino, mas preferiu seguir o seu caminho e escrever canções pop doces e intimistas

O concerto acontece já esta sexta, 14 de outobro, 21h30, sendo o primeiro de um ciclo de concertos que terá lugar na casa do ZIGURFEST. A artista tem também passagem marcada hoje pela Casa Independente, Lisboa, e amanhã pelo Maus Hábitos, Porto.

Numa iniciativa conjunta da ZigurArtists com o Serviço Educativo do TRC, há descontos de 50% nos bilhetes para todos os estudantes das várias escolas cidade. O bilhete normal tem o custo de 4€.

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Omnichord Records por essa Europa fora


A Omnichord Records, editora de Leiria, continua o seu 2016 em grande e são vários os projetos seus que têm concertos marcardos por países como Espanha, Alemanha, França e Reino Unido neste mês de outubro.

Os First Breath After Coma vão até Madrid, Berlim, Hannover, Reutlingen, Krefeld, Kassel e Londres apresentar o seu segundo disco, Drifters. Por seu lado, Surma vai até Sevilha e Nantes, sendo acompanhada pelos Les Crazy Coconuts em territórios gauleses. Os Few Fingers vão até Londres. 

Por cá temos Nice Weather For Ducks no Maus Hábitos, Les Crazy Coconuts no Curt'Arruda, Surma na ZDB a abrir para Alex Cameron, e Whales no Cambrafest.

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Cloud Nothings regressam em janeiro com novo álbum "Life Without Sound"


O projeto de Dylan Baldi mais conhecido por Cloud Nothings está de regresso às edições discográficas, desta vez com Life Without Sound, quarto álbum e sucessor do aclamado Here And Nowhere Else. O novo álbum chega a 27 de janeiro com o selo da Wichita Recordings e é composto por 9 músicas novas. "Modern Act" é o seu single avanço e mostra-nos uns Cloud Nothing mais polidos e pop.


O álbum foi produzido em março deste ano por John Goodmanson (Sleater Kinney, Death Car for Cutie) no Sonic Ranch em El Paso, Texas.

Sobre Life Without Sound, Dylan Baldi diz:
Parece que o meu trabalho tem sido sobre encontrar o meu lugar no mundo. Mas houve uma altura em que me apercebi que pode faltar alguma coisa importante na vida, uma parte que não percebes que está em falta até que ela aparece - daí o título. Este álbum é como a minha versão de música new age. É suposto ser inspirador.
Foram também disponibilizados o artwork e alinhamento de Life Without Sound.


Life Without Sound

1. Up To The Surface
2. Things Are Right With You
3. Internal World
4. Darkened Rings
5. Enter Entirely
6. Modern Act
7. Sight Unseen
8. Strange Year
9. Realize My Fate

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Smartini editam “Liquid Peace” a 18 de novembro




Os Smartini são João Paulo Duarte, Lourenço Mendes, Patrício Ferreira e Ricardo Costa. Desde 2009 que não davam notícias mas em 2015 o quarteto oriundo de Caldas das Taipas voltou a sentir os palcos 6 anos depois. Este regresso aos palcos levou-os por sua vez a regressar ao estúdio onde gravaram um novo EP, Liquid Peace. 

O sucessor de Sugar Train (2007), trabalho que marcou o panorama alternativo português, chega-nos a 18 de novembro, é composto por 4 faixas novas e foi gravado nos estúdios Sá da Bandeira.


Mas porque levou a banda tanto tempo a editar um novo trabalho discográfico? Talvez isso possa ser explicado pela vida profissional, outros hobbies ou novos valores familiares. Mas não, os Smartini estão apenas na procura constante de um "som perfeito" com o qual se identifiquem. 
O single "Liquid Peace" foi o primeiro avanço deste novo EP e pode ser aqui escutado.



O som rock e experimental dos Smartinia fazer-nos lembrar um pouco os Sonic Youthcontinua a surgir com referências apoiadas em estruturas musicais que procuram descrever paisagens, momentos e sentimentos. Esta narrativa torna-se intuitiva e espontânea e reproduz-se através de rastos melódicos que, por vezes, se tornam incontornavelmente frenéticos. 

As primeiras datas onde poderão ser vistos e ouvidos ao vivo são no final do Outono de 2016, sendo o primeiro concerto no dia 19 de Novembro nas Caldas da Taipas.

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You Can't Win Charlie Brown em entrevista: "Falamos todos os dias e estamos sempre em processo de criação...ou de não criação"



Durante o Indie Music Fest ainda houve tempo para uma muito breve conversa com os You Can't Win Charlie Brown que nos contaram alguns pormenores de Marrow, o disco que vão apresentar já no dia 13 deste mês no Lux, em Lisboa. 

Threshold Magazine (TM) - O que acham do Indie Music Fest?

Afonso Cabral (AC) - Até agora estamos a gostar bastante apesar de estarmos aqui desde há bocado, portanto não deu para fazer muita coisa. Vimos um bocado de um concerto, gostamos muito dos TROT. Queríamos ver se víamos os Ganso, principalmente aqui o Salvador.

Salvador Menezes (SM) - Já não vou ver.

AC - Já não vai ver porque calha à hora do nosso jantar.

TM - Como acham que vai correr o concerto?

AC - Espero que corra bem. Agora, como é que eu acho que vai correr, nunca se sabe.

SM - Depende sempre do nível de alcoolemia.

AC - Já bebemos duas cervejas, cuidado!

Tomás Sousa (TS) - Mas vai ser bom, vai ser um concerto com um set mais mexido que o costume. Costumamos variar entre o energético e o "mellow".

AC - Para dar um bocado os vários ambientes daquilo que fazemos. Neste caso, quisemos fazer uma coisa um bocado mais "a abrir" porque é o caminho, se calhar, para o qual estamos mais inclinados, apesar de não exclusivamente. E temos as expectativas em altas porque temos amigos nossos que já tocaram cá em edições anteriores que nos dizem que é sempre uma grande festa. Estamos à espera disso.

TM - Dedicaram mais estes últimos dois anos, entre os discos, a You Can't Win Charlie Brown ou a projectos paralelos?

AC - Nunca estivemos parados, o Tomás agora faz parte de Minta, é um dos Brook Trout  e eu toco com o Bruno Pernadas.

TS - E o Salvador tem também aí coisas a acontecer

SN - Sim mas eu acho que tenho coisas a acontecer porque tive oportunidade de as fazer,. No fundo nunca deixei de dar prioridade aos You Can't Win Charlie Brown. É isso, nós não estamos parados temos a nossa vida profissional se calhar paralela. Nunca deixamos de lado nem pusemos de parte os You Can't Win Charlie Brow. Estamos a seguir o nosso curso. No fundo, se nos compararmos com os nossos contemporâneos Capitão Fausto ou PAUS, temos lançado os discos no mesmo ano. No fundo, não andamos a dormir, é isso que eu quero dizer.

TS - Fazemos coisas apesar de não lançarmos um disco de ano a ano. 

SN - Nunca estamos um mês sem nos falar ou uma semana sem nos falar. Falamos todos os dias e estamos sempre em processo de criação...ou de não criação.

TM - Podem resumir o novo álbum Marrow?

AC - Resumir o álbum é difícil porque temos sempre a mania que cada canção tem de ser consideravelmente diferente da anterior e isso torna difícil resumir um disco, mas há sempre uma linha condutora. É um disco mais eléctrico, um bocadinho mais "de banda". Nos outros disco era um processo mais individual, em que se compunha uma música e se ia construindo por cima com camadas. Aqui foi muito mais juntar-nos, ensaiar e inventar ali, no momento, não sempre, mas foi o processo inicial. 

SN - Um inicia uma base e o resto da banda preenche os espaços que acha que faz sentido, ou mesmo não faz nada porque não há espaço para preencher. O mais difícil na minha opinião é saber estar calado, há musicas neste disco em que tive muitas dificuldades, perdi horas e dias naquilo e no fundo acabei por fazer só um coisa muito simples, mas era o que a musica precisava. Isso para mim é o mais difícil, tentares conter-te.

AC - Mas de resto vão ter de ouvir o disco para perceber.

TM - Porque é que escolheram um videojogo retro para o videoclip da "Above The Wall"?

AC - O facto de ser retro eu acho que nos faz sentir velhos.

TS - Aquilo para nós é um throwback à nossa infância. A ideia surgiu nas nossas conversações diárias porque precisávamos de um vídeo para a "Above The Wall" e foi o David, penso eu, que sugeriu fazer uma coisa tipo jogo de computador.

SN - E a partir daí desenvolveu-se nas conversas: "e se os maus formos nós?" "e se no fim ele não conseguir acabar o jogo". Isso depois foi tudo desenvolvido dentro do chat.

AC - Sim, das conversas que vamos tendo e a verdade é que a maior parte de nós tem uma relação, nem que seja de infância, com esse tipo de jogos. Mais que qualquer um de nós o Tomás que foi quem acabou por fazer o video. É um visual e um feeling que é comum para nós e fazia sentido. Achámos logo piada à ideia e então seguimos. Havendo a capacidade e uma pessoa dentro da banda, que é este senhor aqui ao meu lado capaz de o fazer, fazia todo o sentido avançar.

SN - Esta música chamava-se temporáriamente "Rocky Escala a Montanha" e a ideia inicial era ser mesmo o Rocky a subir a montanha, um jogo de computador em que era mesmo o Rocky a subir uma montanha, mas isso acabou por se desenvolver noutra ideia. Não fazia sentido ser o Rocky, não conseguimos contratar o Stallone, ele não tinha tempo nessa semana...

TM - O que têm ouvido nas últimas semanas?

SN - Eu tenho ouvido muito o novo dos Deerhoof e o do Paul Simon, estão incríveis!

AC - Eu ultimamente tenho ouvi o novo disco do Bruno Pernadas, estamos a ensaiá-lo e tenho muita coisa para decorar. E gosto muito, não é só decorar por decorar.

TS - Ando muito nos oldies, ando a ouvir muito Otis Redding e James Brown, vou lá para trás saber o que aconteceu, que é interessante e importante saber essas coisas.

TM - É tudo, muito obrigado!

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