sábado, 5 de novembro de 2016

Allen Halloween encerra cartaz do Cellos Rock


O festival realizado em Barcelos decorre durante os dias 18 e 19 de Novembro no CCOB e conta com um cartaz invejável por onde passarão alguns dos melhores nomes da música portuguesa atual. A juntar-se aos já confirmados HHY & The Macumbas, Fugly, Alek Rein, Tó Trips & João Doce e PISTA está Allen Halloween, encerrando assim o cartaz do Cellos Rock. O rapper e produtor natural de Odivelas vem pela primeira vez a Barcelos apresentar o seu terceiro disco Híbrido,  um dos discos mais aclamados do ano passado para a crítica portuguesa. Os bilhetes têm o custo de 5 euros para o passe diário e 8 euros para os dois dias, e poderão ser adquiridos a partir de terça feira.


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Cave Story apresentam álbum no Musicbox Lisboa

© Manuel Simões
Foi desde cedo que os Cave Story, banda oriunda das Caldas da Rainha, se fizeram à estrada para divulgar o seu trabalho. O trio andou de norte a sul do país, espalhando a sua música pelos nossos ouvidos, incansavelmente. E agora estrearam-se nas longas durações com West, álbum que foi editado no dia 28 de outubro pela Lovers & Lollypops (em cd), e pelo Musicbox Lisboa (em vinil). West foi gravado pela banda na sua cidade natal, tirando as músicas 'Body of Work' e 'Like Predicted', que foram gravadas nos estúdios Valentim de Carvalho em Lisboa, e Sá da Bandeira no Porto, respectivamente.


A festa de apresentação a West vai ter lugar no próprio Musicbox, dia 11 de novembro (sexta-feira), com começo por volta das 22h30. Os bilhetes têm o custo de 8 euros, e estão à venda aqui.

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Toro y Moi e The Mattson 2 lançam primeiro single do seu álbum colaborativo


Chaz Bundick, mais conhecido por Toro y Moi vai lançar em 2017 um álbum realizado em conjunto com os The Mattson 2. Este será lançado no dia 31 de Março.

Os The Mattson 2 são compostos pelos gémeos Jared (guitarrista) e Jonathan (baterista). O disco, composto por 8 músicas, terá o nome Chaz Bundick Meets the Mattson 2 e o seu primeiro single, "Star Stuff", pode ser ouvido aqui:

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4 festões para celebrar os 9 anos da Dedos Bionicos


A promotora Brigantina Dedos Bionicos está a celebrar neste mês de Novembro o seu nono aniversário da melhor maneira, com 4 festões para animar a malta.

Neste 9 anos que passaram, a Dedos Bionicos colocou Trás-os-Montes no topo do roteiro de concertos de música alternativa em Portugal. Por lá passaram nomes importantes da cena mundial como Moon Duo, Motorama, Girls Names, The KBV, The Wands, Tweak Bird, Soviet Soviet, Glenn Jones, Steve Gunn, Matt Elliott, The Underground Youth, Corrina Repp, Peter Broderick e Laeticia Sadier. Mas não só de nomes internacionais vive a Dedos Bionicos, tendo por lá atuado também Norberto Lobo, Noiserv, Gala Drop, Black Bombaim, Sensible Soccers, Capitão Fausto, Filho da Mãe, Memoria de Peixe, The Glockenwise, Pega Monstro, Peixe, B Fachada, Rodrigo Amado e Gabriel Ferrandini, entre muitos outros.

Para celebrar 9 anos de existência a Dedos Bionicos está a preparar 4 festões nos 4 Sábados do mês de Novembro. As festas contam com bandas como Triángulo de Amor Bizarro, a popular banda espanhola de indie rock e shoegaze que ontem atuou em Lisboa, Baleia Baleia Baleia, projeto de Manuel Molarinho dono do Um ao Molhe, The Staches, banda garage, post-punk de Genebra e os Toulouse, banda de Guimarães em plena ascensão que apresenta o seu primeiro álbum.

Para alargar as noites a Dedos Bionicos Soundsystem convida uma serie de DJs arrojados e improváveis. As 4 festas terão lugar no Central Pub em Bragança, casa que viu nascer a promotora e que albergou grande parte dos concertos que organizou. A entrada é de 6€ para cada Sábado ou 15€ para um passe geral que permite a entrada nas 4 festas.


Sábado 05 novembro
Triángulo de Amor Bizarro


Sábado 12 novembro
Baleia Baleia Baleia


Sábado 19 novembro
The Staches


Sábado 26 novembro
Toulouse

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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Atila com novo álbum em 2017



Já é conhecido o sucessor de V, o excelente quinto álbum de Atila editado no ano passado. Body será o nome do novo trabalho de Miguel Béco, um disco composto por 8 faixas, sendo já conhecido o primeiro avanço do novo disco. "Angst Beast" é então o nome do mais recente tema de Atila, e pode ser escutado na sua página de Bandcamp. Body tem lançamento previsto para dia 20 de janeiro, e será editado em cd, cassete e vinil.





Body

1. The Keltal
2. Sentient
3. Blood Red
4. Glass Canon
5. Glass Vessel
6. Impulse Responser
7. Angst Beast
8. A Taker, A Giver

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Indignu apresentam Ophelia no Porto


Os Indignu já editaram o seu terceiro disco de estúdio e preparam-se agora para a apresentação do disco ao vivo, cuja data está prevista acontecer no próximo dia 2 de dezembro no Hard Club, Porto. O concerto tem a organização da promotora portuense Muzik Is My Oyster e tem início previsto para as 22h00. Pormenores adicionais aqui.

Ophelia sucede Odyssea (2013) e foi gravado nos meses agosto de 2015 e fevereiro e março de 2016. O disco foi produzido por Paulo Miranda (The Legendary Tiger Man, peixe:avião, Old Jerusalem, entre outros) no AMP Studios, em Viana do Castelo. Ophelia aborda em si o tema da bipolaridade humana, lembrando que as maiores e mais desconcertantes viagens ocorrem, na maior parte das vezes, dentro de nós.

Ophelia foi editada no passado dia 31 de outubro e já pode ser ouvida na íntegra abaixo.


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Reportagem: Gold Panda + Xosar + EGBO [Jameson Urban Routes, Musicbox - Lisboa]


Uma espécie de noite veranil contaminou o ambiente da terceira noite de Jameson Urban Routes, não fosse esta uma noite exclusivamente dedicada à dança.

EGBO, projeto de Iuri Landolt, veio até ao Musicbox apresentar a solo, sem ajuda dos seus amigos, o seu novo álbum Yesterday You Said Tomorrow, editado em abril deste ano pela editora vimaranense Revolve, numa edição limitada a 50 cassetes. A sonoridade de EGBO baseia-se numa eletrónica minimal, com linhas de baixo experimentais, sintetizadores desajustados e instáveis (wonky para os mais puristas), bateria tocada num mpc, uns beats de hip hop instrumental. Isto tudo com influências de Burial e Balam Acab. Os destaques desta atuação foram os temas "silley beamz" e "sty hydrtd", em que até as paredes estremeceram. Num dos temas EGBO contou com a colaboração de Solipso na voz. Ao todo foram 45 minutos de eletrónica introspectiva e negra.



Eram aproximadamente 22h30 quando Gold Panda entrou no palco do Musicbox. O produtor britânico veio até Lisboa mostrar Good Luck And Do Your Best, álbum fortemente influenciado pelo Japão, mais propriamente sobre as viagens que realizou há 2 anos atrás com a fotografa Laura Lewis. Good Luck And Do Your Best é um trabalho que aposta num ambiente sereno, minimal, atmosférico, orgânico e exuberante. 

Gold Panda + EGBO @ Jameson Urban Routes

E foi com "In My Car" que começou a atuação. Deste trabalho foram também interpretados "Chiba Nights", "Time Eater" e "Your Good Times Are Just Beginning". A forte componente visual ajudavoua que o público se sentisse mais próximo da música de Gold Panda e das suas paisagens sonoras. Algumas das músicas tiveram direito a algumas das fotografias que Laura Lewis tirou durante a viagem ao Japão.

O malhão "You", de Lucky Shinner (2010), foi claramente o momento da noite. Numa sala quase cheia, não houve nenhum casmurro que não tivesse dançado e vibrado do início ao fim do set. No final houve quem quisesse mais, mas o seus desejos não foram concretizados.


Xosar prolongou a toada dançante da noite com a sua acid techno, até ao momento em que a organização concluíu o seu set.



Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Joana Pardal

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Andrew Bird apresenta Are You Serious pela primeira vez em Portugal



O Misty Fest está de de regresso e com a maior edição de sempre. São 35 concertos a decorrer em 19 salas diferentes, distribuídos por 11 cidades. São 21 os artistas que atuarão nesta edição do Misty Fest, que começou já no dia 1 de Novembro com o concerto de Piers Faccini no Cinema São Jorge. Com uma programação variada e de qualidade, destacam-se nomes como Cass McCombs, que atua já esta noite em Lisboa, Selma Uamusse, Peter Broderick (Efterklang), José James entre outros.

Um dos nomes mais aguardados desta edição será, com certeza, o de Andrew Bird, multi instrumentalista norteamericano que volta ao nosso país para efetuar dois concertos. Em mote de apresentação do seu mais recente disco, Are You Serious, Andrew Bird irá presentear o público com as suas melodias simples e bonitas. Sozinho em palco e rodeado de todos os seus intrumentos, o espetáculo será efetuado num registo intimista intitulado An Evening With Andrew Bird . O autor de "Pulaski at Night" passa então pelo grande auditório do CCB no dia 7 de Novembro, passando no dia a seguir pelo Porto para um concerto na sala Suggia da Casa da Música. A primeira parte ficará a cargo do brasileiro Momo

Os bilhetes para o concerto no Porto têm o preço único de 30 euros e podem comprá-los aqui. Em Lisboa, o preço dos bilhetes varia entre os 20 e os 30 euros, podendo efetuar a sua compra aqui

Oiçam, em baixo, "Left Handed Kisses", tema que faz parte do mais recente disco Are You Serious, assim como o resto da programação do Misty Fest, que decorre até dia 13 deste mês.



Programação Completa

Piers Faccini
1 de novembro – Lisboa, Cinema São Jorge, 21h
Selma Uamusse
2 de novembro – Lisboa, CCB, 21h
Peter Broderick
2 de novembro – Aveiro, Teatro Aveirense, 21h30 
3 de novembro – Porto, Casa da Música, 21h
4 de novembro – Lisboa, CCB, 21h0
Cass McCombs Band 
3 de novembro – Lisboa, Cinema São Jorge, 21h
Melingo/Anda 
3 de novembro – Leiria, Teatro José Lúcio da Silva, 21h30 
4 de novembro – Lisboa, Teatro Tivoli BBVA, 21h30
Dino Santiago
3 de novembro – Lisboa, CCB, 21h00 
6 de novembro – Porto, Casa da Música, 21h0
Hindi Zahra
5 de novembro – Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 21h
Teresa Lopes Alves
5 de novembro – Lisboa, CCB, 21h
Andrew Bird/ An Evening With Andrew Bird
8 de novembro - Porto, Casa da Música, 21h
9 de novembro – Lisboa CCB, 21h
Enrico Rava Tripe
7 de novembro – Porto, Casa da Música 
8 de novembro – Lisboa, Casa da Música
Wim Mertens/ Dust of Truths
5 de novembro – Torres Novas , Teatro Virgínia, 21h30 
6 de novembro – Porto, Casa da Música, 21h
7 de novembro - Lisboa, CCB, 21h
José James/ Love In A Time Of Madness
9 de novembro – Porto, Casa da Música, 21h
10 de novembro – Leiria, Teatro José Lúcio da Silva, 21h30 
11 de novembro – Lisboa, CCB, 21h
Rodrigo Leão & Scott Matthew/ Life Is Long
4 de novembro – Porto, Coliseu Porto, 21h30 
5 de novembro – Évora, Arena d’Évora, 21h30 Dom La Lena
9 de novembro – Évora, Teatro Garcia Resende, 21h30 
10 de novembro – Porto, Casa da Música, 21h
12 de novembro – Ponta Delgada, Teatro Micaelense
6 de novembro – Lisboa, Coliseu dos Recreios, 21h
10 de novembro – Coimbra, Convento de São Francisco, 22h 
13 de novembro – Loulé, Cine-Teatro Louletano, 21h30
Carmen Souza e Theo Pascal trio
4 de novembro – Espinho, Auditório de Espinho - Academia, 21h30 
6 de novembro – Lisboa, CCB, 21h
12 de novembro – Porto, Casa da Música, 22h
De Viva Voz - Cramol + Maria Monda + Segue-me À Capela + Sopa de Pedra
12 de novembro – Lisboa, Teatro Tivoli BBVA, 21h30





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Reportagem: Bloom + Live Low [Jameson Urban Routes, Musicbox - Lisboa]


Live Low, o projeto fundado por Pedro Augusto veio até à capital apresentar Toada, álbum de estreia editado no passado dia 17 de outubro com selo da Lovers & Lollypops. Em palco, os Live Low são quatro, contando com Pedro Augusto na eletrónica, Ece Canli na voz, Gonçalo Duarte na guitarra e Miguel Ramos no baixo. Nesta apresentação ao vivo houve um convidado especial, Shela (lAmA) nos sintetizadores. Os primeiros temas do concerto foram puramente instrumentais sendo que a partir do quarto tema, Ece deu voz às músicas. 

É a eletrónica que guia tanto a guitarra como o baixo, não fosse Augusto o mentor deste projeto. As músicas que mais se destacaram foram "O Sol", a interpretação de "Lembrar-me Um Sonho Lindo" de Fausto Bordalo Dias" e "Amanhã", onde se recitou um texto da autoria de Alberto Pimenta. Numa sala ainda pouco composta, arrancaram alguns aplausos neste concerto minimal que durou perto de uma hora.

Live Low @ Jameson Urban Routes 2016

Enquanto esperávamos por Bloom, ouviam-se no ar temas de David Sylvian e do enorme Chico Buarque e a sua Construção. Às 23 horas entraram em palco os seis músicos que fazem parte deste novo projeto de JP Simões. O cantautor que nos é familiar quando se fala em Belle Chase Hotel, Quinteto Tati ou mesmo nos seus trabalhos a solo, foi encarnado criativamente por Bloom, compositor e cantor inglês prematuramente falecido há de três anos.

O concerto começou com o single que dá nome ao álbum de originais cantados em inglês, Tremble Like a Flower, editado no mês de outubro. Na voz e guitarra acústica podíamos encontrar Bloom, João Gomes nas teclas, Sérgio Costa na flauta e saxofone tenor, Miguel Nicolau na guitarra elétrica, Marco Franco na bateria; infelizmente não conseguimos apanhar o nome do baixista. Embora em alguns dos temas as abordagens tenham sido mais cruas e rock, o concerto foi marcado por influências jazz, proporcionando-nos interessantes paisagens sonoras. No final, Bloom agradeceu a presença do público e dos seus heterónimos. Para Bloom, os heterónimos não pagam impostos, por isso todos têm direito a um.

Setlist:
Tremble Like a Flower
Alice (From Wonderland)
Meeting Time
Hey Georgie!
One Ride (Too Many)
I'll See You Then (Sara)
You And I
Raind Dance
Route 44
Jan Palach

Bloom @ Jameson Urban Routes 2016

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Daniela Oliveira

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Cinco Discos, Cinco Críticas #20

Renovámos a rubrica Cinco Discos, Cinco Críticas. À 20ª edição, e ao assinalar 100 críticas publicadas, pareceu a altura certa para garantir ao leitor uma maior interação com os conteúdos publicados nesta rubrica mensal. Acrescentamos uma nova imagem e introduzimos a possibilidade de reproduções dos singles/álbuns completos. Disfrutem.



SWARM // Sacred Bones // abril de 2016
6.0/10

Os BAMBARA formaram-se em 2009 na Geórgia e, atualmente sediados em Brooklyn, contam na discografia com dois discos longa-duração DREAMVIOLENCE(2013) e SWARM, editado este ano. SWARM foi inicialmente editado em formato self-release mas conta agora com o selo da Sacred Bones e, como habitual da editora, apresenta uma camada de tonalidades negras, um punk noise e desenfreado e a voz de Reid Bateh que é muito similar à de Elias Rønnenfelt dos Iceage. Músicas como "All In Soon" e "I Don't Mind" também fazem relembrar, por vezes, as guitarras dos trabalhos de King Dude. Os BAMBARA têm no entanto um erro crasso em SWARM, que é notório com as constantes reproduções. Há pouco espaço para a experimentação e inovação ao nível do post-punk e noise rock que lhes faz juz à base composicional. E, embora tenha guitarras que tirem a energia (Oiça-se por exemplo "Filled Up With Night"), noise revolucionário ("I Can't Recall") e músicas 3spooky4me ("In Bars", "As Her"), SWARM não é um disco feito para se destacar.



Sónia Felizardo



Black Hole Space Wizard: Part 1 // self-released // agosto de 2016
7.5/10

Imaginem que passaram um fim de semana a comprar pedais de fuzz e a jogar jogos de fantasia. Provavelmente, foi isso que este trio de Nashville fez e, diretamente da cave da mãe destes, surgiu a primeira parte da ópera de rock cósmico banhada em fuzz chamada Black Hole Space Wizard.
Apesar de se situarem algures entre os territórios do doom stoner, os Howling Giant beneficiam ao deixar de parte um dos "clichés" do género e adotar uma duração mais curta nas músicas, (as três primeiras nem chegam a atingir os cinco minutos e a última possui sete minutos). Este EP torna-se bastante mais acessível, menos repetitivo e mais interessante.
Se as letras vão beber aos Monster Magnet, o instrumental consome uns Mastodon em peso bruto. O resultado é um álbum diferente do que estamos habituados a ouvir, que apesar de não ser o álbum mais brilhante ou original do ano deixa-nos com água na boca para descobrir as aventuras que se vão passar na parte 2 desta saga espacial.


Hugo Geada


Nightbound // self-released // novembro de 2016
8.0/10


Os ucranianos KROBAK começaram como o projeto a solo do guitarrista Igor Sydorenko (Stoned Jesus, Voida, Arlekin) que lançou oficialmente o primeiro disco post-rock da Ucrânia, em 2008 com The Diary Of The Missed One. Depois de uma pausa para se focar nos Stoned Jesus, em 2012 os KROBAK surgem como banda com Asya no baixo, Natasha na bateria e Marco no violino. É com o segundo disco, Little Victories(2013), que os KROBAK apresentam um ar fresco no post-rock e misturam instrumentos que lhe dão um ar progressista. Nightbound é assim o terceiro disco de estúdio do quarteto e é feito de quatro singles que apresentam uma sonoridade poderosa e inspiradora pelo experimentalismo que acrescentam à sua base post-rock. Com uma duração aproximada a 42 minutos, o quarteto faz uma música cheia de paixão e preenchida pelo som do violino. Nightbound não é um disco qualquer de post-rock, apresenta-se antes como um álbum bem pensado, coerente e perfeito para ouvir em ambientes distintos. Se "No Pressure, Choice is Yours" abre numa sonoridade de tonalidades folk, "So Quietly Falls The Night", por sua vez, inicia em tom de balada. "Stringer Bell", no seu volver, é uma viagem incrível a vários mundos. Em ambas os ucranianos aplicam uma mudança na composição sonora e transformam por completo o início. Uma história em cada música e um disco que fica registado como um disco a ouvir, aqui



Sónia Felizardo


Marina // Colado // setembro de 2016

6.9/10


Os NOOJ são Miguel Afonso e Skronk (Guilherme) de Almeida. Formaram-se durante o processo de gravação do álbum de estreia dos Old Yellow Jack e em setembro editaram o seu EP de estreia Marina, que conta com 6 canções novas.  São 15 minutos de pura descarga elétrica e distorção em que os maiores destaques vão para os temas “Ambi-ent”, com o seu lado etéreo, e o cativante single de apresentação do projeto, “Ostras e Champagne”. Este último aposta numa composição e lírica mais trabalhada. As influências de No Age são óbvias, tanto pela sonoridade como pelo próprio nome do projeto.  Relativamente a Old Yellow Jack, poucas são as semelhanças a nível de sonoridade, sendo que as músicas até são cantadas em português. Pode-se afirmar que Marina não inova no que diz respeito ao noise pop e rock, sendo um esforço agradável por parte do duo. 



Rui Gameiro



Telefone // self-released // julho de 2016
7.0/10

A rapper de Chicago conhecida por Noname Gipsy, que recentemente retirou o Gypsy do seu nome artístico, é Fatimah Warner. Fatimah tinha já trabalhado com  Chance the Rapper e Mick Jenkins, também artistas up-and-coming, mostrando um talento fora do normal tanto para a sua lírica como para a sua flow.
O seu primeiro projeto, uma mixtape chamada Telefone, anunciada já há 3 anos, finalmente saiu e com um nome diferente: Noname. E o talento que se tinha visto mostrou-se elevado nesta mixtape: são 10 faixas de hip-hop especialmente relaxado, com uma produção ainda mais descontraída, letras introspetivas, amorosas e socialmente conscientes que só poderiam vir de uma inteligência e atenção ao mundo que a rodeia. Na segunda faixa, "Sunny Duet" com o artista de R'n'B The-Mind, canta sobre uma paixão que não era retribuída e filosofa sobre a transitoriedade da atração e da infelicidade que vem de quando o encanto é unilateral. Em "Casket Pretty", rima sobre os perigos que os homens e mulheres negras correm todos os dias, especialmente em Chicago. A penúltima música, "Bye Bye Baby", é sobre a renitência em reconhecer um aborto e todos os dilemas que advêm de uma experiência tão traumática. Um trabalho variado, astuto e muito bem organizado por uma artista que, certamente, vai causar impacto daqui a uns tempos.



Leonardo Pereira

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Principe Valiente com dois concertos em Portugal


Os suecos Principe Valiente vêm até Portugal no próximo ano para apresentar o seu terceiro disco de estúdio, em dois concertos. As sessões musicais estão agendados para 27 e 28 de janeiro e ocorrem, respetivamente, em Lisboa, numa parceria com o Sabotage Club e Porto, no Hard Club.

A banda sueca inspirada pelo minimalismo dos atos post-punk e shoegaze formou-se em 2005 tendo editado o seu disco de estreia, homónimo, em 2011. O quarteto já abriu para Peter Murphy, em 2013, e vem até Portugal em função da tour do novo álbum, que segue ainda sem nome e data de edição.

Os concertos têm a promoção da editoras Muzik Is My Oyster. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes nem a banda responsável pela abertura.


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domingo, 30 de outubro de 2016

[Review] Grausame Töchter - Vagina Dentata


Vagina Dentata // Scanner Records // maio de 2016
5.0/10

Os alemães Grausame Töchter formaram-se em 2009 e desde então a sua música tem sido envolta à exploração de subgéneros da eletrónica, principalmente da Electronic Body Music (EBM). Liderados pela diva fetish Aranea Peel (voz e performance) os Grausame Töchter são compostos por oito elementos e contam com quatro discos na bagagem onde se inclui Vagina Dentata, editado este ano. Com uma lírica que explora principalmente temas como a ganância, luxúria e egomania os Grausame Töchter mostram um álbum que é uma experiência sensorial tamanha, se for complementado com a performance da banda ao vivo. A banda alemã distingue-se da concorrência essencialmente pelas suas performances em palco que são extremamente arrojadas e por vezes, chocantes para os espetadores. É com esta estratégia que os Grausame Töchter conseguem deixar a sua marca. Sem tabus e sem regras.



Vagina Dentata é composto por quinze singles e tem um desenvolvimento bastante estratégico sendo que as três primeiras músicas dão um maior destaque à guitarra e baixo e servem como um aperitivo para o prato principal. À quinta música ("Anika ist Tot") a sonoridade dos 
Grausame Töchter  evolui e a electro-dance ganha destaque, é altura de se libertar de qualquer perconceito. 

Vagina Dentata é um disco demasiado longo e talvez peque por não ter sido mais rigoroso na sua análise como obra global, no entanto, é um disco interessante pela utilização de elementos criativos (ouvir por exemplo "Die ganze Welt ist ein Zirkus" e "Nordsee-Tango") na sua produção musical.

Em suma, este disco é puro entretenimento. E é entretenimento bom nas alturas certas, por não ser de todo um álbum de fácil audição. É um disco interessante, mas não interessante o suficiente para ganhar destaque nos melhores do ano. É um álbum para ficar na coleção de relíquias underground a ouvir em alturas específicas. Quanto às performances ao vivo, aí já é outra história. Os Grausame Töchter sabem dar um concerto em que o desenvolvimento é sempre uma experiência inovadora. Já em estúdio, Vagina Dentata não serviu para convecer. Um disco para consumir esporadicamente. 



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