sábado, 26 de novembro de 2016

STREAM: Черная Речка - Чужие / Свои

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Na celebração de um mundo globalizado, o destaque vai para os russos Черная Речка  (algo como "Black River", em inglês) que trazem disco de estreia na bagagem e uma música muito post-punk, com traços da new-wave. O disco, por apresentar uma lírica escrita em russo, faz com que o ouvinte se foque essencialmente na sonoridade e por isso é fácil perceber se o resultado é ou não bom. 

A fazerem lembrar os seus colegas Motorama, os russos Черная Речка trazem um disco muito interessante para uma banda que lança agora o seu segundo disco de estúdio. Чужие / Свои pode ser ouvido na íntegra abaixo e dá sucessão a Сторона А​/​Сторона Б (2015).

Чужие / Свои foi editado a 26 de novembro, em formato cassete, pelo selo Издательство Сияние.


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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Her Name Was Fire estreiam vídeo do novo single no Titanic Sur Mer


Os Her Name Was fire nasceram em 2015, numa noite de conversa num bar, entre amigos. Das mentes de João Campos (Gula, ex-Rejects United, ex-Summer of Damien) e Tiago Lopes (ex-Rejects United, ex-Witchbreed, ex-Parasomnia Noise), nasce um coeso duo de rock com groove, stoner, grunge e blues envolvidos na mistura e com uma identidade expressa através do nome Her Name Was Fire.

Depois de um período de pausa para as gravações do primeiro disco de estúdio, os Her Name Was Fire regressam agora aos palcos e trazem consigo algumas novidades: o disco de estreia, que chegará às lojas no próximo ano, e ainda um concerto ao vivo, onde será apresentado o videoclip do primeiro single extraído deste registo "Gone In A Haze". 

A primeira parte fica a cargo dos We Buffalo. A banda junta-se à festa para trazer o seu indie-rock carregado de groove. Os concertos têm lugar no Titanic Sur Mer, Cais do Sodré e os bilhetes custam 5 euros.




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STREAM: Dragão Inkomodo x twistedfreak - Vol.1

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A editora e promotora ZigurArtists está a preparar uma série de splits, exclusivamente digitais, que vai começar a editar a partir do presente mês (novembro), com o objectivo de procurar encontros mais ou menos inusitados entre membros da família Zigur e outros músicos, heróis e criadores.

O primeiro volume desta saga foi editado oficialmente hoje e junta debaixo do mesmo tecto a música do Dragão Inkomodo e do twistedfreak, ambos músicos da casa da editora de Lamego. Vol.1 já pode ser ouvido na íntegra e descarregado de forma gratuita através da plataforma bandcamp, ou aqui.

Vol.1 foi editado hoje (sexta-feira, 25 de novembro) pelo selo ZigurArtists.


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Lene Lovich Band regressam a Portugal em fevereiro

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Depois da passagem sorumbática pela sexta edição do Festival Entremuralhas (em agosto de 2015) parece que Lene Lovich e companhia estão de regresso a território nacional para animar, desta vez, a cidade de Lisboa.

 A notícia foi avançada no site oficial da Lene Lovich Band e ao que tudo indica, a 4 de fevereiro de 2017, numa sala ainda a confirmar, os lisboetas terão a oportunidade de ver esta lenda viva da música underground. Na bagagem a banda traz os grandes hits de carreira inde se incluem "Lucky Number", "Blue Hotel", "New Toy", "It's You, Only You", "Angels", entre outros. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes.


Lene Lovich é um ícone incontornável da new-wave dos anos 80 e uma figura de imagem e obra mundialmente reconhecidas. Lene Lovich será acompanhada pela sua banda constituída por Jude Rawlins (guitarra), Kirsten Morrison (teclas), Valkyrie (baixo) e por Morgan King (bateria).

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Nada Surf tocam amanhã em Lisboa


Os Nada Surf, banda norte-americana oriunda de Nova Iorque, e que conta já com duas décadas de carreira, tocam amanhã, 26 de novembro no Lisboa ao Vivo, na Avenida Infante D.Henrique, junto à Fábrica do Braço de Prata. 

Em apresentação, a banda traz na bagagem o disco You Know Who You Are, lançado a 4 de março de 2016. Este que é já o oitavo disco da banda, tendo sido produzido por Tom Beaujour, parceiro de longa data do projeto, nos estúdios Nuthouse Recordings, em Hoboken, Nova Jersey.

A última vez que os Nada Surf estiveram em Portugal foi há quase 20 anos, quando dividiram o palco do Coliseu de Lisboa com Morphine, Body Count e Pinhead Society. É portanto um concerto histórico cujo início se encontra marcado para as 20h00. As entradas têm um preço único de 18€. Todas as informações adicionais a encontrar aqui.


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Adam Carpet - Still Still (Video) [Threshold Premiere]

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Os italianos Adam Carpet lançaram recentemente o seu segundo trabalho de longa-duração Parabolas e, em apresentação do mesmo, o quinteto lança agora o trabalho audiovisual para a faixa "Still Still". O disco começa por explorar o post-rock, extendendo-se a uma veia eletrónica mais experimental, com o seu desenvolvimento. A banda apresenta agora o registo audiovisual num premiere, em território nacional.

No vídeo, uma rapariga encontra-se a fazer um raro ritual de jogar às escondidas e começa a passear pelas salas vazias de um palácio escuro. Como uma espécie de Alice, só que sem o seu país das maravilhas, ela cai num outro mundo, um limbo negro feito de luzes onde ela se torna outra pessoa e enfrenta as suas alienações. "Still Still" é uma história que atravessa diferentes níveis onde o mundo real, o mundo fantástico, o passado e o presente colidem.

Parabolas, sucede o disco homónimo Adam Carpet(2013), e foi editado a 30 de setembro pelo selo Irma Records.


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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Falta uma semana para Preoccupations + Névoa

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Os canadianos Preoccupations (ex. Viet Cong) vão regressar a Portugal já na próxima quinta-feira, dia 1 de dezembro de 2016, para dar início às sessões de concertos de celebração do décimo aniversário do Musicbox, em Lisboa. A banda, cujas sonoridades abraçam o post-punk, vem até à capital, em concerto único, a fim de apresentar o seu segundo registo de originais, o homónimo Preoccupations

A segunda parte do concerto será assegurada pelos portugueses Névoa, formados em 2014, que trazem na bagagem Re Un, o mais recente disco editado em junho do presente ano. Os bilhetes para o evento têm um preço de 12€ e os concertos têm início marcado para as 21h30. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

De relembrar que os Preoccupations passaram por Portugal na edição de 2015 do NOS Primavera Sound.



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Joana Guerra apresenta Cavalos Vapor no Damas a 30 de novembro

Joana Guerra apresenta Cavalos Vapor no Damas a 30 de novembro

Cavalos Vapor é o novo longa-duração da violoncelista Joana Guerra, que regressa às edições em nome próprio, mas em formato trio com as colaborações do violinista Gil Dionísio e do percussionista Alix Sarrouy. O sucessor do belo Gralha é a prova indelével do talento da violoncelista junto das partituras. Editado e selado pela Revolve, Cavalos Vapor apresenta-nos a sua linguagem erudita, sabida ao detalhe, em confronto com um folclore familiarmente português.

Cavalos Vapor pode-nos chegar aos ouvidos já no próxima dia 30 de Novembro, no Damas, Lisboa. A entrada é gratuita.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

The Parkinsons em dose dupla no Sabotage Club


Os The Parkinsons já não são desconhecidos ao Sabotage Club, ainda há relativamente pouco tempo passaram por esta casa lisboeta, que esteve completamente esgotada para ver a banda conimbricense. 

O álbum de estreia dos Parkinsons, A Long Way to Nowhere, acabou de ser reeditado em vinil pela Rastilho Records. E para celebrar esta ocasião, a banda vai 'apresentar' este álbum em dose dupla no Sabotage Club, onde se espera uma festa de rebentar com o Cais. Os dois concertos, a decorrer nas próximas quinta e sexta-feira, vão contar com primeira parte de Clementine (dia 24 de novembro) e The Amazing Flying Pony (dia 25 de novembro). Para quem não quer deixar a festa morrer depois de Parkinsons, ainda pode contar com DJ sets de A Boy Named Sue (dia 24), Johnny Chase (dia 25) e Nuno Rabino (ambos os dias). 

A festa vai começar por volta das 22h nos dois dias, e os bilhetes custam 10 euros cada.


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Amen Dunes espalha o seu amor por Lisboa e Guimarães

Amen Dunes espalha o seu amor por Lisboa e Guimarães
© Sebastian Mlynarski
Damon McMahon, mais conhecido no mundo da música por Amen Dunes, vai atuar amanhã (Galeria Zé dos Bois, Lisboa) e sexta-feira (Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade, Guimarães) no nosso país. O americano está em residência artística em Lisboa, tendo preparado um concerto especial, acústico e a solo. 

Esperam-se temas de Love, disco editado em 2014 pela conceituada Sacred Bones, que nos façam flutuar pelas suas sublimes paisagens sonoras, e talvez algumas novidades que o artista tem vindo a preparar em estúdio ao longos dos últimos meses.

Xander Duell, irmão de Damon, irá abrir ambos os concertos fazendo justiça à qualidade artística que corre na família.

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Norberto Lobo apresenta Muxama em digressão nacional

Norberto Lobo apresenta Muxuma em digressão nacional
© Clarita Phiri
O guitarrista português Norberto Lobo inicia esta quarta-feira a sua digressão nacional de apresentação de Muxama, sexto disco de estúdio e o segundo editado pela suíça Three:Four Records, sucedendo a Fornalha (2014).

Em Muxuma, Norberto emprega pedais de efeitos e filtros em tempo real para com a sua técnica prodigiosa dar forma às suas ideias musicais, conferindo uma inspirada dimensão prismática à obra produzida, moldando noções de tempo, timbre e frases de maneira brilhante, simultaneamente clássica e póstera. 



O primeiro concerto é já amanhã no Teatro Maria Matos, estando muito mais agendados até ao fim do mês e no mês de dezembro. Consultem em baixo todas as informações:

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Carlos Bica & Azul com Frank Möbus e Jim Black na Culturgest a 25 de novembro

Carlos Bica & Azul com Frank Möbus e Jim Black na Culturgest a 25 de novembro
© Vera Marmelo
O trio de Carlos Bica com Frank Möbus e Jim Black está de regresso aos discos, vinte anos após a edição do seu primeiro disco, Azul. O sexto disco dá pelo nome de More than This e foi editado a 10 de novembro com o selo da Clean Feed

Na próxima sexta-feira, 25 de novembro, o trio vai até ao Grande Auditório da Culturgest apresentar este novo trabalho, com início marcado para as 21h30. Os bilhetes têm o custo de 15€.

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Has A Shadow anunciam novo disco

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Os psych-rockers mexicanos Has A Shadow assinaram recentemente com a editora londrina Fuzz Club Records e, do pacto entre os dois, surge agora Sorrow Tomorrow, o segundo disco da banda e o primeiro no catálogo do selo londrino.

Além dos pormenores adiconais do álbum, nomeadamente a revelação da cover-art e tracklist, os Has A Shadow divulgaram o primeiro single de avanço do disco, intitulado de "Vampire Kiss". A música traz uma banda a navegar nos campos do lo-fi psych-rock ao post-punk, numa veia gótica e assombrosamente imersiva. O single pode ser reproduzido abaixo.

Sorrow Tomorrow tem data de lançamento prevista para 18 de janeiro pelo selo Fuzz Club Records.


Sorrow Tomorrow Tracklist:
1 - SorrowDownload 
2 - Lord Of Flies
3 - The Flesh
4 - Attack Of The Junkie
5 - Cul De Sac
6 - Vampire Kiss
7 - Horror Will Grow
8 - Not Even Human
9 - World Sensation

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[Review] The Wytches – All Your Happy Life

The-Wytches-review

All Your Happy Life // Heavenly Recordings // setembro 2016
7.8/10


Reino Unido tem sido o palco do aparecimento de algumas das melhores bandas do mundo. Nomes que dispensam introduções como Pink Floyd, Led Zeppelin ou Black Sabbath apareceram nesta ilha. Nestes últimos anos, apesar de não surgirem nomes tão mediáticos, se escavarmos um pouco pela cena underground, encontramos nomes cujo talento não tem esmorecido, podendo referenciar nomes como Fat White Family, The Amazing Snakehead, Conan, mas nada soa a The Wytches.

O ano de 2014 viu o lançamento do seu álbum de estreia, Annabell Dream Reader, com o seu tratamento pouco ortodoxo de surf rock, misturado com o grunge dos Nirvana na época do Bleach e com doom metal. Conseguiram invadir o coração de muitos fãs com o seu estilo sincero e de coração esfaqueado.

Dois anos passaram e o ano de 2016 está a mostrar-se um ano de enormes mudanças. Para além das bruxinhas de Peterborough contarem com um novo membro, Mark Breed, guitarrista e teclista, de terem lançado um pseudo EP com demos e músicas gravadas em casa, apropriadamente intitulado Home Recordings, o mês de setembro viu a sua discografia crescer mais um pouco com o lançamento do seu segundo álbum.

All Your Happy Life começa com um intro manhosa que dura 25 segundos e que mostra logo que o som da banda com a adição do teclista se encontra muito mais elaborado e complexo. Após esta entrada temos “C-Side”, single do álbum que é não só uma das melhores musicas deste álbum como do reportório dos ingleses. Uma boa música para abanar o esqueleto e o crânio repleta de fuzz, construída com a típica formula loud-quiet-loud dos anos 90 e com os riffs de surf rock encomendados diretamente do inferno. A adesão dos teclados é bem vinda.


“Can’t Face It” apresenta o nosso Kristian Bell a vociferar a letra da música com o tom de adolescente desesperado que este também sabe utilizar, contudo não passa disto, um dos elementos mais esquecíveis do álbum. As guitarras elétricas e os pedais de distorção acalmam um pouco em “A Feeling We Get” e dão lugar a uma guitarra acústica que vai marcando o ritmo da balada, que tem tanta beleza como espirito melancólico. 

“Throned”, que sinto que estava melhor intitulada se partilhasse o nome com o álbum, é um dos momentos em que a voz de Kristian volta a estar em destaque e provavelmente um dos seus melhores momentos no álbum. Uma das melhores músicas do álbum apresenta-se na forma de “Ghost House”, novamente com um belo riff inicial influenciado pelos surf rockers dos anos 60, com a voz rouca a estar mais uma vez no sítio certo e o teclado a recriar o ambiente de Halloween retro. Música perfeita para passar na festa do dia das Bruxas e impressionarem os vossos amigos alternativos.

“Bone-Weary” é mais uma adesão mediana ao conjunto de excelentes músicas que fazem parte deste álbum e me levam a pensar que este ficaria melhor se cortassem algumas canções ou se aproveitassem algumas das utilizadas em Home Recordings. Contudo, “Crest of Death”, cantado em staccato, faz esquecer o problema da música anterior e continua a antologia de boas malhas que este álbum apresenta.


Com um ambiente soturno que faz lembrar aqueles episódios vintage de especias Halloween da Disney, “A Dead Night Again”, merece destaque por ser uma das melhores instalações do álbum. Um refrão orelhudo e guitarras cobertas de fuzz, os The Wytches a fazerem o que melhor sabem. “Dumb-Fill” faz jus ao seu título, contudo não merece ser desprezada. O seu divertido ritmo de carnaval de aberrações traz um ar mais leve a um álbum que trata temas melancólicos e deprimentes, um belo contraste. 

A conclusão do álbum, “Home”, não nos mostra a melhor música do conjunto mas é sem dúvida uma bela balada, com um arranjo gracioso e instrumental diferente das restantes faixas. Os acordes de piano dançam nos nossos ouvidos e a voz vai ficando cada vez mais melosa até terminar e nos deixar a contemplar o tecto e a nossa vida.

Apesar do abandono do registo mais direto e grunge que caraterizou o primeiro álbum, os The Wytches continuam a apostar no som lo-fi e na alternância entre a descida ao abismo e uma escalada otimista. Apesar de existirem algumas músicas que rapidamente caem no esquecimento, as melhores como “C-Side” ou “Ghost House”, compensam em termos de qualidade, criando um álbum de extremos opostos, o que por vezes torna a viagem sonora um pouco inconsistente. Todavia, este não deixa de ser uma forte adesão à sua discografia.

Texto: Hugo Geada

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

peixe : avião e a sua Fénix

Peixe: avião e a sua Fénix

Os bracarenses peixe:avião estão a preparar um conjunto de concertos especiais nos quais a banda estará no centro do público, rodeados pelos amplificadores, explorando uma maior crueza e intensidade sonora. Ao mesmo tempo serão projetadas as interpretação dos temas de Peso Morto, disco editado em fevereiro deste ano, proporcionando uma experiência muito mais próxima entre a banda e os espectadores.

Em Peso Morto, o quinteto solidificou a sua identidade, extravasando do domínio musical para o âmbito processual e cénico, patente na forma como a banda compõe, grava e se apresenta em concerto.

Foi também a partir da enfatização do conceito de aproximação que os peixe : avião delinearam um conjunto de concertos, batizados de Tour Fénix, nos quais essa premissa será transportada para o domínio físico. ZDB (Lisboa), Salão Brazil (Coimbra), Maus Hábitos (Porto) e CAAA (Guimarães) são os locais escolhidos.

Peixe: avião e a sua Fénix

Os preços são 8€ para Lisboa, 8€ (compra antecipada) e 10€ (compra no dia ou BOL) para Coimbra, 10€ para o Porto e 6€ para Guimarães. A lotação dos concertos é muito limitada por isso despachem-se!

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[Review] Darkher - Realms

Darkher-Realms-Review

Realms // Prophecy Productions // agosto de 2016
8.5/10

Darkher é o projeto a solo da inglesa Jayn H. Wissenberg, que veio para arregalar os ouvidos dos fãs da música obscura. Tendo editado em novembro de 2014 o EP The Kingdom Field, Jayn Wissenberg levou cerca de dois anos a preparar aquele que é o seu primeiro disco de carreira, Realms. A música cativante de Darkher é caracterizada por construir lentamente "nuvens de tempestade" através da conjugação da pesada percussão lenta com os riffs obscuros e intensos da guitarra elétrica. Esta técnica de construção musical mexe com o ouvinte aos poucos sem que este perceba e, quando o disco já vai a meio, este sente-se completamente exposto a um mundo sombrio e cheio de sensações desconfortáveis. Realms é esse mundo.

Através de uma imagem gótica e com um toque "xamânico", Darkher apresenta, em Realms, um disco com uma poderosa música dark-folkrepleto de riffs do doom metal e com os vocais celestiais de Wissenberg a fazer lembrar Chelsea Wolfe com um toque de Marissa Nadler pelo meio. Músicas como "The Dawn Brings a Saviour" fazem também lembrar a atmosfera natural presente no disco de estreia de Rïcïnn. Darkher junta-se assim à lista das musas da cena dark e traz um álbum que a faz posicionar-se muito bem no mercado da música underground. Realms é um disco com uma produção incrível, extremamente coerente e traz canções que, com a audição repetida, envolvem de tal forma o ouvinte que o fazem viver o disco. "Hollow Veil", "Moths" e "Buried , Pt.II" são bons exemplos.



Em Realms Darkher apresenta uma música escura, cheia de contrastes, tão depressa poderosa, frágil, destruída e serena, combinando a sensação arrepiante da solidão com uma profunda confiança espiritual. Os grandes singles deste disco fecham com "Foregone", que traz um toque stoner extremamente poderoso à sonoridade global e "Lament", um single aliado às sonoridades acústicas, que nos faz querer ouvir o disco outra vez, de início ao fim. Darkher fez a escolha acertada para fechar este disco de nove canções, de forma hipnotizante.

Uma cantora lírica, uma música melancólica e um trabalho de estreia que mostra que Darkher é uma artista que merece o reconhecimento da crítica. Realms é um disco que explora na perfeição diferentes estados de emoção que vão da terrível angústia à imensa beleza e calma da mente, passando pela exploração de sensações traumáticas reproduzidas através do horror e medo em q.b.


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SuidAkrA e mais no 1º Warm-Up do Vagos Metal Fest


O Vagos Metal Fest regressa em agosto de 2017 para nova edição e, para encurtar a espera, vai realizar já um primeiro Warm-Up, a 20 de janeiro no Stairway Club, em Cascais. Este primeiro evento traz como cabeça de cartaz os alemães SuidAkrA, formados em 1994, que vêm até lisboa apresentar o seu death/celtic metal de estilo pagan, onde são pioneiros. Na bagagem trazem o seu mais recente disco, Realms Of Odoric (2016). Na mesma noite atuam os espanhóis Vendetta FM e os portugueses DARK OATH.

Os bilhetes estarão à venda em breve por 15€. Os portadores do passe geral para o Vagos Metal Fest 2017 podem adquirir o mesmo bilhete por 10€ em pré-reserva até ao final do mês. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.




Também já é conhecido o alinhamento da segunda edição do festival que acontece no próximo ano, no fim-de-semana de 11 a 13 de agosto, na Quinta do Ega em Vagos. Confirmados estão And Then She Came, Arch Enemy, Brutality Will Prevail, Gama Bomb, Grunt Korpiklaani, Miss Lava e Tales Of The Unspoken.


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Oiçam: War Nurse


Os War Nurse surgiram recentemente no Canadá e trazem música que roça do punk ao psych-rock, passando por uma camada de sintetizadores e distorção vocal. Resultado da conjugação entre o real e o imaginado os War Nurse mostram as suas primeiras composições ao mundo, em dezembro de 2015 através do EP Psychic Wounds. Desde então continuam no anonimato e com uma existência limitada a redes e plataformas de streaming específicas.

Psychic Wounds mostra uma banda a explorar um conteúdo inovador na cena psych e cujo resultado final deixa boas recordações, apresentando igualmente uma banda com potencial. Sem identidade revelada, país de origem, ou mundo material os War Nurse apresetam-se como a ideia de uma banda e apresentam em Psychic Wounds a ideia que têm de um álbum. Singles como "2" e "Without Grace" merecem ser ouvidos e representam uma boa execução da ideia projetada.


Mais recentemente a banda editou o EP Distress Calling, a 11 de novembro, e traz o selo físico da Automatic Memory. Descrito pela banda como um disco que retrata "memórias dolorosas e intrusivas (... ) estímulos traumáticos seguidos por sonos perturbados, (...) o isolamento social e a alienação", Distress Calling explora a aura de Psychic Wounds e amplifica as suas frequências com ruído. É uma nova fase na discografia de War Nurse, há mais eletrónica no resultado final. Para ouvir recomendam-se as faixas "Hounds", "Machinating Negligence" e "Clouds Erased".


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ChameleonsVox regressam a Portugal em abril


Afinal os ChameleonsVox vão regressar a território nacional, para dois concertos a acontecerem em abril do próximo ano, em função da Magical History Tour. A banda liderada por Mark Burgess, o mentor espiritual dos Chameleons, regressa assim a Portugal dois anos depois da passagem, também dupla, na altura integrada na "Farewell" Tour.

As cidades contempladas são novamente Porto e Lisboa e acontecem a 24 e 25 de abril, respetivamente. Em Lisboa ainda não é conhecida a sala de atuação. No Porto a banda atua no Hard Club Porto. Os ChameleonsVox trazem ainda The Frozen Autumn, como convidados.
Preço dos bilhetes, horários e informações adicionais deverão ser reveladas brevemente.

Os Chameleons produziram alguns dos maiores hinos do movimento post-punk. Formados em 1981 em Manchester, os Chameleons nunca viriam a ganhar grande reconhecimento da crítica. Com algumas pausas pelo meio, a banda acabou por terminar em 2003. Entretanto, surgiram os ChameleonsVox, liderados por Mark Burgess, para continuarem a tocar ao vivo as músicas da banda original.


Os The Frozen Autumn são uma dupla italiano-germânica em atividade desde 1993. Com um estilo musical fortemente influenciado pela electropop dos anos 80, os The Frozen Autumn são conhecidos pelos vocais melancólicos e atmosfera sonora numa onda gótica. A banda vem até solo português apresentar o disco Chirality(2011).


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STREAM: Lost System - No Meaning No Culture

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Os post-punkers norte-americanos Lost System editaram a semana passada, quinta-feira 17 de novembro, o seu primeiro EP - No Meaning No Culture -  pelo selo Chromatin Records. O EP pode ser ouvido na íntegra abaixo. 

A história dos Lost System começou na cidade de Grand Rapids após a banda Black Monuments ter acabado. Três, dos quatro elementos da formação incial, juntaram-se em 2015 e, com novo baixista na trupe, formaram os Lost System, que apresentam agora o seu primeiro EP na carreira. No Meaning No Culture invoca uma energia dinâmica e obscura, facilmente apreciada pelos fãs do synthpunk e subgéneros. 


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domingo, 20 de novembro de 2016

Reportagem: Minta & The Brook Trout em Setúbal


Era mais uma daquelas sextas-feiras em que acabamos cansados de uma semana exaustiva e que só nos apetece ficar em casa a ver a chuva cair ou a ver aqueles filmes melosos que passam no Hollywood, mas esta acabou por ser diferente.


Pouco passavam das 22 horas quando chegámos a um dos cinemas mais antigos da cidade de Setúbal, o Cinema Charlot, para assistir à banda de Francisca Cortesão, mais conhecida por Minta, e claro, pelos seus "acompanhantes de luxo", a banda Brook Trout constituída por Margarida Campelo no teclado, o já conhecido Bruno Pernadas na guitarra, o também já conhecido de You Can't Win Charlie Brown, Tomás Sousa e ainda no baixo, percussão e voz, Mariana Ricardo.

Esperava-se algo único, logo a começar pela sala de espectáculos escolhida, que poderá ser usada mais vezes, graças à excelente acústica, tornando o concerto marcante. A banda começou a tocar e logo aí se faz sentir uma sensação, ou talvez, um primeiro flashback: somos novamente crianças e brincamos no campo ou mesmo na praia com os nossos pais ou avós. A musicalidade da banda é capaz de nos levar à nossa infância através da sua sonoridade que explora desde os blues dos anos 50 ao psicadelismo dos late 60's, lembrando muitas vezes as malhas do grande Bill Callahan ou Bonnie Prince Billy.

As vozes estiveram sempre alinhadas e a guitarra do virtuoso Bruno Pernadas dava o mote para a noite, onde se viam muitas pessoas a apreciar o concerto "interiormente", de olhos fechados, abanando a cabeça. 

   
Tocaram-se músicas do álbum mais recente Slow, como "Plaid and Denim", "Bangles", que muitos, já conhecedores, trauteavam acompanhando a batida da bateria de Tomás Sousa, que dava sempre o compasso no começo de cada malha, ou mesmo quando Minta cantava.

Letras sentidas sobre amor, sobre separação ou namoros não tão bem sucedidos foram os temas que trouxeram Minta & Brook Trout a Setúbal, pela primeira vez. Sim, pela primeira vez, apesar dos dez anos de existência este conjunto teve uma única aparição em terras sadinas o que torna o concerto único.

Tivemos também tempo para músicas de Olympia, o álbum antecedente de Slow, de onde ouvimos "Blood and Bones". O concerto aproximava-se do fim e ouviam-se as últimas músicas: "Old Habits", "I Can't Handle The Summer", entre outras, faziam com o que foi dito anteriormente se viesse a confirmar. Podíamos muito bem estar num "baile de garagem" como já descreveram a musicalidade da banda. 

Com o concerto acabado, as palmas não queriam cessar, querendo isto dizer algo: encore
A banda sobe e toca, com "elenco" reduzido uma música que fica com uma frase especial a reter: "Take it slow, learn to let it go".

Foi um excelente concerto promovido pela Experimentáculo, que dá vida às noites paradas de Setúbal, num excelente espaço que, quiçá, poderá vir a ser espaço de muitos outros concertos de muitas outras boas bandas e cantores. 


Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve de acordo com o último Acordo Ortográfico

Texto: Duarte Fortuna
Fotografia: Sofia Lopes

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Rendufe - o documentário que retrata a gravação do novo disco de Filho da Mãe


O realizador Miguel Felgueiras (autor de "Alto do Minho") vai estrear em dezembro o documentário "Rendufe" que retrata o tempo passado pelo guitarrista Rui Cavalho aka Filho da Mãe, em Amares, Mosteiro de Santo André de Rendufe, a compor e gravar o seu mais recente disco, Mergulho. O documentário será estreado a propósito dos festivais de cinema documental Porto/Post/Doc e MUVI. No evento portuense (Porto/Post/Doc), a estreia acontece a 1 de dezembro e contará com um concerto do próprio Filho da Mãe. 

Miguel Filgueiras é um cineasta de Viana do Castelo que recolheu a sua primeira atenção mediática e internacional em 2013, aquando da estreia de "Alto do Minho". O filme esteve em exibição nos Estados Unidos, Canadá, Austria e Estónia, entre outros países, e percorreu diversos eventos de cinema portugueses, recolhendo distinções de lés-a-lés.

Mergulho foi editado em março pelo selo Lovers & Lollypops.


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