sábado, 3 de dezembro de 2016

STREAM: alguém-lobo - Onde Se Mata Tudo Se Constrói Vol​. 1: Mãe


alguém-lobo é o projeto de alguém oriundo das Caldas da Rainha e com uma mente artística de destacar. O/A produtor/a de identidade desconhecida, estreou-se o mês passado na produção de uma audio-colagem onde são utilizados vários samples de música clássica e contemporânea e é-lhes sobreposto algumas gravações de entrevistas e sonoplastias de filmes e/ou teatros portugueses.

O resultado é um EP de três faixas intitulado de Onde Se Mata Tudo Se Constrói Vol​.​1: Mãe e que já pode ser ouvido na íntegra abaixo. 


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The Velveteins anunciam disco de estreia

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Oriundos de Edmonton, Canadá, os "rock'n'rollers" The Velveteins preparam-se para lançar o seu disco de estreia, intitulado de Slow Wave, e disponibilizaram esta semana a primeira faixa extraída deste novo trabalho, "Don't Yah Feel Better". O single aposta fortemente nos sons acústicos da guitarra e apresenta uma banda com algumas influências que vão de Jake Bug a The Libertines, passando ainda pelos The Kinks

Slow Wave sucede o mais recente EP da banda, A Hot Second With The Velveteins, produzido por Lincoln Parish (Cage The Elephant) e editado em maio deste ano. Ainda não são conhecidos os pormenores adicionais do álbum, mas novidades surgirão brevemente.

Slow Wave ainda não tem data de lançamento prevista, sendo esperado para 2017, via Fierce Panda Canada.


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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

STREAM: Childish Gambino - Awaken, My Love!


Já lá vão três anos desde o lançamento de because the internet, o aclamado segundo álbum de Childish Gambino que o levou ao estrelato. Depois de nos dar a conhecer "Me And Your Mama" e "Redbone", eis que finalmente é possível ouvir "Awaken, My Love!", o tão aguardado terceiro álbum que nos surge nesta meta final de 2016, numa altura em que se começam já a conhecer os habituais tops anuais por parte de diversas media musicais especializadas. "Awaken, My Love" traz-nos um Gambino fortemente influenciado por nomes enormes da música soul como Prince, Marvin Gaye e James Brown. O disco ideal para nos aquecer durante estes frios dias de dezembro e que pode finalmente ser escutado na íntegra via Apple Music e Spotify.


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STREAM: Kill Your Boyfriend - Ghosts EP [Threshold Premiere]


Os italianos Kill Your Boyfriend vão lançar na próxima semana o seu novo EP Ghosts e estão a disponibilizá-lo para audição gratuita uma semana antes do seu lançamento.

Através de uma sonoridade que explora as arestas da darkwave, com algum noise à mistura, os Kill Your Boyfriend apresentam em Ghosts a progressão natural do antecessor The King Is Dead e juntam-lhe camadas de sintetizadores que exploram um ambiente de arrependimentos silenciosos e espaços vazios. Um EP delicioso para os amantes da música mais obscura. Deste novo trabalho já tinha sido divulgada anteriormente a faixa "Man 4".

Ghosts tem data de edição prevista para 9 de dezembro pelo selo Shyrec Records


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Nadine Khouri - I Ran Thru The Dark (to the Beat of my Heart) [Threshold Premiere]

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Nadine Khouri é uma artista inglesa com origem líbanesa e cuja sonoridade é influenciada pelo dream-pop, estados-espíritos e spoken-word. Tendo editado já um disco, Screenplay (2013), Nadine Khouri está de regresso aos discos com The Salted Air, que vê agora ser divulgado o seu terceiro single: "I Ran Thru the Dark (to the Beat of my Heart)".

Ao contrário dos singles minimalistas "You Got A Fire" e "Boken Star", este novo single começa a construir-se a partir de um ukulele escolhido ao dedo, e explode num arranjo orquestral arrebatador com cordas, piano, guitarra elétrica,. "I Ran Thru the Dark (to the Beat of my Heart)" conta com Nadine Khouri (voz, ukulele) Emma Smith (violino) Jean-Marc Butty (bateria) Ruban Byrne (guitarra elétrica) Florian Tanant (piano) Huw Bennett (duplo baixo) John Parish (pandeireta) e J Allen (harmónica). The Salted Air foi gravado ao vivo por Parish & Ali Chant nos Toybox Studios com uma banda. 

The Salted Air tem data de lançamento prevista para 3 de fevereiro de 2017 via One Flash Records. O disco encontra-se já disponível para pre-order via Rough Trade.


The Salted Air está disponível em vinil, de cor creme opaca, numa edição limitada a apenas 250 cópias, bem como dm CD, vinil padrão e formatos digitais.

The Salted Air Tracklist:
1. Thru You I Awaken 
2. I Ran Thru the Dark (to the Beat of my Heart) 
3. Jerusalem Blue 
4. Broken Star 
5. Daybreak 
6. The Salted Air 
7. Surface of the Sea 
8. You Got A Fire 
9. Shake it like a Shaman 
10. Catapult

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Foals e Ty Segall em Paredes de Coura


Hoje foram confirmados os primeiros nomes para a próxima edição do festival Vodafone Paredes de Coura, a decorrer entre 16 e 19 de Agosto de 2017. Os artistas que já integram o cartaz do evento são Foals, Ty Segall, Car Seat Headrest e Benjamin Clementine.

O Fã Pack Fnac do festival já está disponível por 75€ e inclui, além do passe geral, uma t-shirt exclusiva da 25ª edição do festival.

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Weyes Blood passa por Guimarães este sábado


Natalie Mering, a artista por trás de Weyes Blood passa em Guimarães já este sábado, dia 3 de dezembro. O concerto, que toma lugar no Centro Cultural Vila Flor, promete tecer a tradição da folk britânica e norte-americana das décadas de 60 e 70, embebida no psicadelismo puro tão intrínseco dessa era.

Apesar de um já merecido reconhecimento na indústria, Natalie evoca sempre uma certa aura de mistério que aguça a curiosidade sobre quem é, de onde veio e para onde vai.

O concerto, único em território nacional, tem início marcado para as 22h00. Os bilhetes para o evento custam 5€ e já se encontram disponíveis para compra nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, ou na bilheteira online. Todas as informações relativas ao evento aqui.



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Jessy Lanza e Mount Kimbie confirmados no Lisboa Dance Festival

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© Hollie Pocsai

O cartaz da segunda edição do Lisboa Dance Festival já era bastante apetecível com Hercules & Love Affair, Marcel Dettman e TOKIMONSTA. Agora, juntam-se nomes como Mount Kimbie e a aguardada estreia de Jessy Lanza no nosso país, que editou este ano um dos melhores discos do ano com Oh No, pela conceituada Hyperdub. Como se isto não chegasse, ao Lisboa Dance Festival juntam-se ainda Mai Kino, Corona, Holly Hood, Rui Maia, Stereossauro B2B Kwan e Sam The Kid B2B DJ Big. Para além disto, foi ainda anunciada a curadoria de dois palcos que estarão a cargo de BRANKO e Moullinex.

O Lisboa Dance Festival decorre no LX Factory durante os dias 10 e 11 de março e os bilhetes encontram-se disponíveis ao preço de 35 euros até dia 31 de dezembro, aumentando posteriormente.


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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Lotus Fever apresentam "Still Alive for the Growth" no Musicbox


Os Lotus Fever são Pedro Zuzarte, Diogo Teixeira de Abreu, Manuel Siqueira e Bernardo Afonso. Depois do nacionalmente aclamado Search For Meaning (2014), chegam-nos agora com Still Alive for the Growth, aguardado segundo álbum que foi editado no passado dia 18 de novembro.

Gravado, misturado e masterizado no estúdio da banda por Bernardo Afonso e Lotus Fever, no Verão de 2016, Still Alive For The Growth fala sobre o "sistema", o "Uncle Sam" que controla o nosso quotidiano. Segue a linha do disco anterior mas com uma perspectiva mais global e menos introspectiva. Quanto à estrutura musical, essa mantém-se progressiva mas agora com uma abordagem mais moderna, uma espécie de (r)evolução.

É já esta quart-feira que banda vai até ao Musicbox apresentar Still Alive For The Growth. A entrada custa 5€ e o concerto tem início às 22h30.


Próximos concertos:

25 de Novembro – Viseu/São Pedro do Sul - Roquivárius
26 de Novembro - Vila-Real - CLUB de Vila Real
30 de Novembro - Lisboa - Musicbox
17 de Dezembro - Évora - Sociedade Harmonia Erborense

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Reportagem: Black Bass – Évora Fest 2016


Demorou três anos, mas finalmente pude ir passear a Évora.

Não, não fui com intenção de tirar uma selfie no Templo Romano, ou na Sé Catedral. O objetivo desta viagem era estar presente naquele que é um dos festivais mais subvalorizados no contexto da musica underground portuguesa. Claro, estou a falar do Black Bass.

Este festival organizado pela Pointlist, responsável pelo agenciamento de concertos das mais variadas bandas como Sunflowers, 800 Gondomar, Dreamweapon ou Miami Flu, e que já contou com a presença de diversas bandas como Killimanjaro, 10 000 Russos, Savanna, Riding Pânico, Modernos e Stone Dead, estava a festejar o seu terceiro ano de vida.

Infelizmente, não tive oportunidade de estar presente no aquecimento do festival, que contou com as atuações de Moon Preachers e o supergrupo chamado Dinozorg (por vezes as responsabilidades universitárias sobrepõem-se ao rock).

Dia 1

Depois de cinco horas dentro de um autocarro e de atirar as mochilas para cima da cama do hostel, como quem já estava farto de perder concertos (Acid Acid já tinha terminado por esta altura), estava com muita vontade de ouvir música. Pouco tempo depois de ter pisado terra já estava com a pulseira no pulso e pronto para disfrutar do ambiente JAA (Sociedade Operária Joaquim António de Aguiar).

Ainda não tinha visto nenhum concerto e já estava rendido à simpatia de todo o staff, desde as pessoas que estavam na bilheteira, até ao pessoal que estava a vender merch, sem esquecer o senhor que estava a vender finos (sim senhor das suíças, estou a falar de si). Tal como os anos anteriores o primeiro dia foi dedicado às sonoridades mais brutas, nomeadamente o stoner rock.

Big Red Panda

O concerto da banda de Ponte de Lima começou sem dar perdão a ninguém. Parecia que uma nave espacial alienígena tinha raptado todos os espetadores da sala eborense e nos tinha levado numa viagem pelos confins do cosmos. Esta sensação durou sensivelmente a primeira música, uma vez que no restante set da banda foram exploradas sonoridades menos abstratas e mais viradas para o blues e stoner. Trocámos as paisagens espaciais por um bar de whisky em Nova Orleães. Apesar da qualidade dos intervenientes, a mistura de som retirou alguma qualidade ao concerto, sendo que o sintetizador de Gonçalo Palmas estava demasiado alto e abafava os restantes instrumentos.


  

Astrodome

Se Big Red Panda pecou pela falta de combustível durante as viagens espaciais, Astrodome compensou esta viagem com uma viagem que durou da primeira à última nota do concerto. Com a line-up renovada, que conta agora com Kevin Pires, guitarrista dos Big Red Panda, este quarteto deixou tudo em palco e apresentou um dos melhores concertos do festival. As malhas mais viradas para a lentidão e o esmagador volume típico das bandas de stoner foram bem recebidas por um público, que apesar de não ser o mais energético, tinha entregado o seu espirito à banda e ascendido a um estado de meditação.

A set list consistiu em músicas retiradas do seu magistral álbum de estreia homónimo. As performances foram irrepreensíveis com cada música a servir o próximo, brilhando desta forma em coletivo. Até o baterista teve oportunidade de brilhar com um solo a lembrar reminiscências da agressividade da bateria do Dave Grohl no álbum Songs For The Deaf dos Queens of the Stone Age. Um dos principais conjuntos stoner do pais que mostram que não é preciso a presença de um vocalista para apresentar um concerto forte e interessante.




The Black Wizards

Esta foi a quarta vez que vi The Black Wizards no espaço de 4 meses e juro que nunca me farto de os ver em cima de um palco. Ainda sem músicas novas para apresentar mas com muita energia e vontade de mostrar o seu trabalho. Apesar dos constantes problemas com o som, a banda apresentou o seu set composto por músicas do álbum de estreia Lake of Fire. Não faltaram temas como “Gipsy Woman” ou “Lake of Fire”, nem o incontornável solo de bateria da Helena Peixoto.

Apesar dos problemas de som que fizeram com que Joana Brito (vocalista e guitarrista da banda) tivesse que se impor, com cara de poucos amigos, várias vezes durante o concerto e o aparentemente curto tempo em que estes estiveram em cima de palco, o público aproveitou ao máximo, abrindo até um moche pit no final, que depressa se transformou num ringue de patinagem por causa da cerveja vertida no chão. Apesar da desilusão da curta duração do concerto, este foi sem dúvida um dos melhores momentos do festival.



Dia 2

Sun Blossoms

O segundo dia de festival deixou de parte as sonoridades mais pesadas e envolveu-se em terrenos mais psicadélicos e garageiros. O primeiro artista do dia mostrou a evidente mudança no som. Esta banda é o projeto de Alex Fernandes e é uma carta de amor às suas principais influências como os Brian Jonestown Massacre, os Galaxie 500 banhados com estéticas de artistas mais recentes como Ty Segall, White Fence ou os Allah-Las.

Apesar de no início a audiência não estar muito composta, Alex, apresentou a mesma postura como se estivesse perante um público esgotado no palco secundario no Paredes de Coura (um palco que assentava lindamente debaixo das suas sapatilhas). Este veio mostrar o seu álbum homónimo de estreia, sem dirigir uma única palavra ao público e com alguns problemas técnicos, apresentou aquela que foi uma das melhores surpresas do Black Bass.




Clementine

Depois de Sun Blossoms saí do local dos concertos para apanhar um bocado de ar. Quando voltei a subir uma onda de pontos de interrogação pairaram sobre a minha cabeça. “A Kim Gordon veio a Évora?” Mas não, eram apenas as devotas fãs de riot grrrl Frankie Wolf (baixo e guitarra) e Lena Huracán (bateria) que em conjunto se transformam em ClementineCom um som a transpirar a post rock à la Parquet Courts só que com a Kim Gordon na voz, estas mulheres não perdoaram por um segundo o público eborense e apenas permitiram o público voltar a respirar quando terminaram o seu set e voltaram para os bastidores. Só faltou a cover da “I Wanna Be Your Dog”.




Evols

Quando entrei na sala para ver Evols, já o concerto ia avançado. A primeira reação, para além do choque sónico que as guitarras produziam na nossa tromba, foi deduzir que esta banda se situava num patamar etário superior ao das bandas anteriores (e que o Rafael Ferreira dos Glockenwise empunhava o baixo na mão). Este facto traduzia-se na maneira incrível como a banda tratava os instrumentos com a experiência de alguém com os dedos já muito calejados. Embora tenha apanhado apenas a última metade do concerto, seguiu-se uma chuva de shoegaze psicadélico e de drones hipnóticos. A expressão que melhor descreve o concerto foram os olhos arregalados da assistência após a última nota ter sido tocada, reflexo da libertação da hipnose que os Evols provocaram em todos os que estavam na assistência.




Alek Rein

Se este fosse um artigo apenas sobre Alek Rein eu começaria com um titulo algo do género “Dêem o mundo ao Alek Rein” ou uma hipérbole parecida.

E realmente, o jovem Alexadre Rendeiro merece, mas para já enquanto não possui um mundo dele, está a criar o seu próprio universo com uma voz a lembrar John Lennon e uma guitarra tocada ao de leve por um fuzz olímpico. Sim, toda esta descrição bonita indica que este foi o concerto da noite, e juntamente com os Astrodome, o melhor desta edição. Se o álbum Mirror Lane, lançado em finais de setembro, conjuga a delicadeza do acústico com a energia do elétrico, ao vivo o concerto funciona todo à base da energia, mas sem nunca esquecer a essência original. 

A setlist baseou-se neste álbum e todas as músicas soaram a frescas, sendo todas recebidas em nota alta, destaque para “Vermillion Bird of the South”, momento mais épico do álbum de Alek e que ao vivo funciona ainda melhor. Tenho pena das pessoas que não conseguiram ver Alek Rein neste tipo de ambiente porque sem dúvida que dentro de pouco tempo este dará o salto para salas maiores e lugares bem altos de festivais de Verão.




Fugly

Depois de Alek Rein era complicado superar a tarefa de apresentar um concerto melhor, e Fugly pode não ter sido superior em qualidade, mas pelo menos manteve a fasquia bem alta com a sua excessiva energia. Já tinha ouvido em casa o álbum de estreia destes rapazes, intitulado Morning After, e tinha ficado desiludido porque sempre me disseram que “Fugly é uma jardo do carago” e a versão em estúdio estava apenas a meio gás. Depois do concerto encerrei o debate que existia dentro de mim. Tinha razão. Fugly ao vivo é uma jarda do carago. Fugly em estúdio tem muito que trabalhar. “Morning After”, primeira faixa do álbum e do concerto, é o isqueiro que dança com a garrafa de álcool etílico que é o público. Após esta faixa não há volta a dar, os saltos, o crowdsurf e os moches só acabam quando Pedro Feio (Jimmy para os amigos) mandar.



Quelle Dead Gazelle

Mais uma vez, após um concerto dos diabos, continuou a incógnita no ar. Será que as bandas que se vão seguir tem o que é preciso para não baixar a fasquia.

Qer Dier desiludiu e não foi o suficiente para apanhar a minha atenção. Contudo Quelle Dead Gazelle fez o que parecia impossível saltando por cima da fasquia, atirando-a para cima do quintal da vizinha.

Miguel Abelaira e Pedro Ferreira apresentaram-se como duo empunhando em cima de palco apenas uma guitarra, uma bateria e uma vontade diabólica de por toda as pessoas a dançar. A banda que causou grande surpresa nos concertos da vila no Vodafone Paredes de Coura parecem continuar a querer justificar o hype que lhes tem sido atribuído com concertos de grande energia que obrigam todos os festivaleiros a irem para casa tomar banho para não dormirem inundados em suor.

O encerramento adequado para mais uma edição do Black Bass que apesar de limitada pelos concertos curtos e problemas de som, vai deixar marca pelas performances sentidas e pela enorme simpatia e entrega do público do festival. Podem esquecer todos os convites que me tenham para fazer, já deixei marcado dormida no Good Mood Hostel para no próximo ano voltar a Évora e passar novamente um fim de semana inesquecível.


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[Review] Thomas Cohen - Bloom Forever



Bloom Forever // Stolen Recordings // maio de 2016
8.0/10


Bloom Forever é o álbum de estreia de Thomas Cohen, desconhecido aos olhos do grande público. Talvez se falar dos S.C.U.M. vos avive a memória. Projeto de post-punk liderado por Thomas que editou em 2011 o álbum Again Into Eyes, tendo passado por Portugal nesse mesmo ano. Separam-se em 2012, o mesmo ano em que Thomas se casou com Peaches Geldof, com quem teve dois filhos. Infelizmente, em abril de 2014, aconteceu o impensável e Peaches faleceu aos 25 anos devido a uma overdose de heróina, deixando-o viúvo aos 23 anos. Em vez de se encerrar no luto e no isolamento, Thomas decidiu voltar a escrever, procurando combater a sua dor. Mudou-se para a Islândia à procura de uma vida mais relaxada, onde terminou em 2015 as gravações de Bloom Forever. As canções deste álbum apresentam-se por ordem cronológica e falam-nos do que Thomas passou nestes três anos que definiram a sua vida: nascimento dos seus dois filhos, a intimidade com Peaches e o inevitável sofrimento associada à sua morte.

Os grandes destaques deste disco vão para “Honeymoon”, faixa que nos apresenta um ambiente etéreo provocado pelos suaves riffs de guitarra, e de crença numa relação: “Holding on to each other”; “Bloom Forever”, nomes do meio do seu segundo filho, que parece ter origem no mesmo registo sonoro que ouvimos em álbuns como Push the Sky Away, de Nick Cave & The Bad Seeds; “Country Home”, música que nos traz à memória o country rock de Neil Young e que lida diretamente com a morte de Peaches: "My love had gone, she'd turned so cold/Why weren't her eyes covered and closed?". Por último, destaca-se a pink floydiana “Only us”, em que o piano taciturno se conjuga na perfeição com as notas que saem da guitarra elétrica e com a voz de Thomas que ecoa harmoniosamente pelos nossos ouvidos. A faixa mais bonita deste disco a par de “Honeymoon”.



Bloom Forever podia facilmente ser um álbum fatalista, negro, depressivo, mas acaba por exatamente o oposto. É um álbum otimista marcado pela instrumentação competente e pela sofisticada capacidade de escrita de Thomas.

Texto: Rui Gameiro

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Super Nova vai trazer concertos ao Porto com entrada gratuita

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Ghost Hunt © Carolina Sepúlveda

As noites Super Nova prometem mover a cultura musical noturna do Porto já a partir do próximo dia 16 de dezembro, com concertos de entrada gratuita. 

A Super Nova resulta da parceria entre o espaço Maus Hábitos e a Super Bock e traz como conceito principal a exploração  do "universo musical emergente para encontrar as novas bandas capazes de ofuscar os palcos de Portugal, juntando-se na mesma sessão valores já afirmados da música nacional." A estrutura será sempre a mesma: "entrada livre, uma banda cabeça-de-cartaz, duas bandas emergentes e, para dançar até de madrugada, DJsets de alguns dos melhores DJs nacionais."

A primeira edição toma lugar a 16 de dezembro no Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural e tem início marcado às 22h00. Para esta primeira Super Nova estão confirmados concertos de Ghost Hunt (22h30), seguidos de KILLIMANJARO (23h30) e Black Bombaim (00h30). Os DJsets ficam primeiro a cargo de Rui Maia (02h00) e, a fechar, XINOBI (04h00). Todas as informações adicionais do evento podem ser encontradas aqui.

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As próximas Super Nova, a acontecer em 2017, têm já data marcada: 21 de janeiro e 17 de fevereiro. Com line-up ainda por divulgar, é certo que se cumprirá a promessa: o melhor da música portuguesa, num evento que junta a marca nacional com maior ligação ao universo musical a uma das melhores e mais antigas salas de concertos do Porto.





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É oficial, Burial tem dois novos temas e já os podem escutar


Depois de terem sido inequivocamente vendidas diversas cópias de um desconhecido novo 12'' numa loja em Toronto e de uma partilha não oficial do disco na conta de Soundcloud da Soul Feeder, eis que a notícia é oficializada pela Hyperdub, editora na qual Burial se encontra inserido. YOUNG DEATH/NIGHTMARKET é o novo projeto de William Bevan e sucede a Rival Dealer de 2013. Este é o primeiro lançamento de Burial em 2016, que conta apenas com uma colaboração com o produtor britânico Zomby no tema "Sweetz", do mais recente disco Ultra também editado pela Hyperdub

YOUNG DEATH/NIGHTMARKET possui os elementos mais caraterísticos da música de Burial, assemelhando-se em vários aspetos a Rival Dealer. Podem escutar os dois temas no Bancamp do artista.

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Joana Barra Vaz em entrevista:"A vontade de tocar é o que mais me inspira"

Joana Barra Vaz Entrevista
© Pedro dos Reis
Joana Barra Vaz editou em setembro o seu novo álbum Mergulho em Loba. A canconetista estreou-se em disco em 2012 com o EP f l u m e: Passeio Pelo Trilho, tendo colaborado musicalmente com José Joaquim de Castro, Tv Rural, Bernardo Barata e, recentemente, com Ricardo Jacinto em PARQUE. Joana é também realizadora de vídeos e do documentário Meu Caro Amigo Chico (2012), sendo co-fundadora do arquivo web “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”.

Estivemos à conversa com a artista no passado mês de outubro. Fiquem com esta cativante conversa.

Threshold Magazine - O que é ser loba?

Joana Barra Vaz - É um estado de espírito que veio da ideia do lobo do mar. Eu sou uma mulher e comecei a falar com um amiga sobre os vários mitos que inspiravam o disco. Uma das perguntas que surgiu foi qual era o papel das mulheres. Tinha lido a Odisseia e nesses mitos do mar as mulheres, habitualmente, ficavam à espera dos marinheiros. Portanto, ser loba é um bocadinho torcer o mito e transformá-lo numa coisa feminina. Porque também é o meu disco, não tem nenhum significado mais complexo do que isso, do que o próprio disco. Tem a ver com o facto de eu ser mulher e querer virar ao contrário esses mitos nalgumas das canções. Noutras canções isso é irrelevante até porque queria que fosse algo mais universal. Surgiu de uma piada e tornou-se o mote do disco.

TM - Antes apresentavas-te pelo nome de f l u m e. Porquê só agora te mostras ao mundo como Joana Barra Vaz?

JBV - F l u m e é o conjunto dos três discos. Na altura estava realizar o Meu Caro Amigo Chico e não queria que as coisas ficassem muito misturadas. Como os tempos se atropelaram, acabei por escolher esse nome. Achava que ia ser uma coisa mais coletiva. Depois até tivemos alguns problemas pois existe um DJ com esse nome. Teve também a ver com o meu assumir nestas coisas da música. Não foi fácil, achava que já não ia a tempo de ser música. Tinha decidido que a minha profissão ia ser o cinema, os vídeos, a realização ou a escrita. Este disco é realmente muito eu, no sentido em que é muito o meu ponto de vista da escrita das canções. Por mais que seja dividido entre os músicos nos arranjos, ficou claro que seria mais lógico assumir o meu nome. A trilogia continua a ser trilogia f l u m e.


TM - Vi no teu site que este álbum foi composto entre 2012 e 2013. Sei também que há algumas músicas da Suite I que foram compostas em 2004 e 2005. Porque só agora é que são editadas?

JBV - Primeiro porque fazia músicas para mim, naturalmente. Quando surge pela primeira vez a oportunidade de gravar em 2011, já tinha composto bastantes músicas. Algumas delas não faziam sentido no primeiro disco, por isso separei-as por cenários geográficos. As que faziam parte deste cenário do mar ficaram postas de parte e surgem agora dentro do contexto. Há músicas muito antigas que provavelmente nunca vão surgir. Ou pelo contrário, de repente lembro-me e apetece-me trabalhá-las. A maior parte dos discos tem as últimas músicas compostas mas há sempre algumas que deram o pontapé de saída. A "Suite I", a "Ilhas São Demais", a "Demora" e a "Marinheiro", eram o iníco e o fim do disco. Eram canções suficientemente boas para pegar nelas.

TM - Afirmas que o Mar é a principal temática deste álbum. Porquê o mar?

JBV - Eu nasci e cresci perto do mar. Para mim ir ao mar, ir à praia é como para as outras pessoas irem ao café. Por outro lado, o nosso universo narrativo, de histórias e mitos em relação ao mar é tão vasto que se mostrou uma ótima oportunidade para o trabalhar. Já tinha decidido que seria um dos cenários e quando surgem essas questões todas do lobo do mar e da loba, percebi logo o ponto de entrada do disco. Pareceu-me bastante natural. Nós temos uma ligação ao mar muito forte, somos um país costeiro, é natural que exista esse imaginário. Eu apenas escolhi trabalhá-lo como objecto específico neste disco. É um cenário com o qual eu convivo desde que nasci.

TM - O que te inspira a compor?

JBV - A composição surge quando estou a tocar, portanto diria a vontade de tocar. É o que mais me inspira. Foi neste processo que surgiram as canções. Hoje em dia considero-me cançonetista, não gosto muito da palavra cantautor, não o que ela significa mas por causa da sonoridade, acho-a uma palavra feia. Penso que cançonetista descreve melhor o que eu tenho andado a fazer. Não me sinto tão cantora, canto por consequência. Hoje em dia inspira-me também saber que há um caminho a percorrer. Sinto que enquanto vou desenvolvendo isso também há retorno das pessoas, da própria consequência de dar concertos. Isso acaba por inspirar-me bastante a continuar. Não preciso de provocar muito, é espontâneo. 

TM - O teu álbum divide-se em Suite I,II e III. Porquê esta divisão?

JBV - Quando readaptei as canções antigas de piano para guitarra, a "Suspensão" e "A Demora" eram tocadas sempre seguidas, de modo aprende-las na guitarra. Foi aí que percebi que respondiam uma à outra. Naturalmente, surgiu o fim dessa sequência de perguntas e respostas, que é a "Sol que Aquece", a canção mais recente em relação a essas duas. Além disso, acho muito interessante essa coisa das grandes canções, apesar de não ser contemporâneo. Há músicos que já fizeram isso, os Crosby, Stills & Nash, que têm a suite "Judy Blue Eyes", uma das canções que eu mais gosto neles. Os Pink Floyd também faziam álbuns narrativos e eu cresci a ouvi-los. A Laura Marling também acho que fez isso no disco. As suites só acontecem quando fazem sentido e eu gosto do desafio das suites porque mudam um bocadinho o estilo, desenvolvendo uma ideia própria. Elas estão ligadas mas são também individuais.

Quando percebi que aquilo era a suite de introdução e ainda não tinha um fim para a "Marinheiro", pareceu-me lógico que esta acabasse numa cidade. Portanto tive logo a ideia de fazer a sua continuação também como uma suite. A "Casa É Canção" e a "Loba" foram compostas quase de seguida, ou seja, nada foi forçado. Quando acabei de tocar a "Casa..", continuei com aqueles acordes e nasceu uma nova canção. Todas elas nasceram assim. E depois foi um bocadinho como a estrutura narrativa dos filmes, primeiro ato, segundo ato, terceiro ato. Foi ótimo para mim para construir o disco, perceber quais as canções que eram as cenas de passagem. Construí aquilo narrativamente como se fosse um filme porque é a minha formação de argumentista.



TM - As canções que eu gostei mais neste trabalho foram as “Ilhas são demais” e “Casa é canção”. Podes falar-me delas?

JBV - São das minhas favoritas. A “Casa é canção” é um bocadinho o reflexo da austeridade, da crise. Na altura tinha um amigo que estava a passar uma situação muito complicada, em que se colocava essa questão do que era a casa. Eu também tinha passado um pouco por isso, tinha começado a viver sozinha e são perguntas que se colocam numa determinada viragem da tua vida. Foi uma música que até a mim me fez confusão tê-la escrito. Saiu assim toda de seguida, era uma coisa que me estava mesmo a preocupar.

Há uma casa muito bonita na praia de Carcavelos, uma casa de pedra que está fechada e está constantemente a ser caiada. Um dia alguém escreveu na casa “O amor existe”. Mas infelizmente, as pessoas que tomam conta ali da praia devem ter considerado que aquilo era um graffiti e limparam. Mesmo assim, essa pessoa voltou à casa e escreveu “O amor ainda existe” e eu achei piada àquela persistência. A canção está a tentar ir buscar todas as coisas que podem significar uma casa. Há muitas mais mas isso também depende das pessoas.

Ao compor a "Casa..." fiquei completamente arrepiada e muito emocionada. É muito raro isso acontecer, só por duas vezes, com uma canção do outro disco e agora com este disco. É quase um estado de estar a compor e de me estar a aperceber do que está ali naquela canção e do que é que eu estou a querer contar, sem muita noção ainda. Sempre que a cantava arrepiava-me. Numa noite que a cantei, um senhor mais idoso veio ter comigo e disse-me: "A pessoa tem de se esforçar para entrar na sua escrita e perceber o que está a querer dizer, é um bocadinho críptica. Fiquei muito tocado com essa canção. É transversal a toda a gente". Eu fiquei a olhar para o senhor e a pensar que ele conseguiu exprimir aquilo que eu nem sequer sabia. Fiquei feliz de ele me dizer isso. Parte da minha decisão de ser cançonetista era se o que eu fazia era válido para os outros. Sempre fiz aquilo para mim e nem sou pessoa de ir ouvindo as coisas que vou fazendo. 

Para mim a "Casa..." serviu como uma espécie de luz e esperança numa situação pesada. Acabei por perder a minha casa em 2014, já tinha o disco meio gravado e sentia-me mais confortável porque tinha uma canção que falava sobre uma situação que eu já estava a passar, que dizia que a casa era qualquer lugar. Tive esse feedback de algumas pessoas que têm tido alguns problemas com a casa e ficam muito feliz por a canção ter esse lado universal.



A "Ilhas..."vem muito daquela ideia do homem ser uma ilha. Às vezes estás rodeado de pessoas e não te consegues ligar. Acho que todo o disco é atravessado por essa ideia. Mesmo a coisa do lobo do mar tem muito essa mítica de não te encontrares ou de não te conseguires dar ao outro. A "Ilhas..." parece-me a música mais sonhadora e, se calhar, a mais frontal em relação a isso das pessoas andarem à deriva de si próprias. É um espelho da "Loba" mas de uma forma onírica. Mesmo quando estou a cantá-la parece que estou dentro de uma cena do Lynch, muito surreal, um estado de sonho, de nevoeiro, de paisagem que não distingues. Gosto muito da textura que se ouve na canção. Na noite em que fiz a canção, fiz aquela textura toda com os delays e é o que está no disco. Escolhemos não retirar à canção essa qualidade de quase se lhe pode tocar, mas que não é bem definida e não tem bem pilares. É uma canção que está lá escondida no disco e tenho vindo a ter reações das pessoas. Às vezes chamo-lhe um bocadinho a pérola do disco. 

Estas canções são duas daquelas que nunca foram postas em causa, sempre fizeram parte do disco, enquanto outras tiveram de ser produzidas, melhor ou pior. Estas parecem que têm rédea solta e já lá estavam. A "Casa.." para mim é a mais significativa do disco, enquanto o resto das músicas andam todas ali por metáforas, da solidão e de estares perdido. A "Casa..." é muito concisa naquilo que diz., muito objetiva. Considero-a o centro do disco e fiz questão que isso acontecesse. É uma canção que quando eu toco as pessoas calam-se, nota-se que estão ligadas à letra também.

TM - Como foi trabalhar com a Selma?

JBV - Maravilhoso, a Selma é uma pessoa incrível, tem uma energia muito forte e muito própria! Por isso quando o David repescou a "Tanto Faz" chegámos logo à conclusão que devia ser a Selma a cantá-la. Eu tinha esse impulso e ela aceitou. A canção para ela também significa muito. Falei sobre o porquê de a ter escrito e ela acabou por finalizar a canção comigo. Queria que ela também se sentisse confortável com o que estava a dizer. Cantámos pela primeira vez na semana passada (29 de setembro) e foi muito fixe. A nossa energia é muito imediata e a canção tem uma energia irrequieta, logo tem tudo a ver com a Selma. Às vezes custa-me cantá-la quando ela não está. Já tive duas situações em que a cantei sem a Selma e fez-me confusão. Fez falta a Selma ali.

TM - Como é que correu o concerto na semana passada?

JBV - Correu muito bem, feedback maravilhoso. Uma festa familiar com a estreia da banda. Eu estava muito cansada, dividi-me entre as várias coisas da produção, do disco, ensaios, por isso foi muito bom sentir aquela energia ali toda condensada. Apresentámos o disco na íntegra e as pessoas reagiram bem. É um disco exigente, exige a tua atenção porque aquilo é tudo seguido. Por isso foi ótimo sentir que o público estava a reagir a cada fase do disco. Foi uma grande festa e acabou em beleza com a Selma em cima do palco, o Luís Nunes também, a fazer a percussão.

TM - Já tens mais concertos agendados?

JBV - Vamos ao Mexefest. Vão aparecendo mais novidades, é só estar assim um pouco mais atentos. Vamos fazer uma espécie de segundo lançamento com algumas piscadelas de olhos aos singles mais antigos. Não fizemos isso no Teatro do Bairro. É um dos festivais que eu mais gosto, adoro esta coisa de festival de inverno, tem muito a ver comigo porque sou uma pessoa que tem muita dificuldade em lidar com o som dos festivais. Sou muito exigente nesse sentido, gosto de ir a uma sala e ouvir o som da sala. O Mexefest acaba por cumprir essa exigência. Estou desejosa ver a Elza Soares no Coliseu.

TM - Mergulho em loba representa o meio da tua trilogia. Já tens alguns planos para a terceira parte?

JBV - Tenho planos, tenho muita coisa composta mas ainda estou na parte de mergulhar e discernir. Tive vontade de fazer algumas coisas no verão mas depois as pessoas que tocam comigo e que me acompanham, o João Pais Silva, o Manuel Pinheiro, aconselharam-me todos a acalmar, que isto foi um longo processo e que estava cansada. Eu sai de um processo do Meu Caro Amigo Chico e entrei logo neste. Tenho tendência para isso, para coisas complicadas, que envolvem muita gente. Gosto de partilhar o meu trabalho e que ele deixe de ser meu a certa altura. Agora estou assim, a descansar, a curtir esta parte dos concertos que vão aparecendo, vamos ver o que acontece. As canções já lá estão, parte da ideia também já lá está. Mas primeiro é preciso desligar um bocado do processo.

Também quero que seja um processo diferente, a nível de composição e de arranjos. Gosto de mudar todas essas lógicas. Ainda estou muito dentro desta, preciso de me soltar e ficar um bocadinho vazia para ir atacar aquele grupo de canções. Mas elas estão lá, há uma que não me sai da cabeça. Não sei se vai demorar assim tanto tempo quanto isso. Elas estão mais persistentes, não sei se é de eu andar a tocar mais. Vamos ver o que acontece.

TM - O que tens ouvido ultimamento, algum disco em especial?

JBV - Ouvi muito o Kendrick Lamar. Deixo de ouvir discos quando estou a compor e a escrever. Não quero que a sonoridade influencie. Então quando voltei a poder ouvir discos já o pessoal estava todo a falar do Kendrick e eu perguntava quem é este marmanjo, não faço a mínima ideia quem seja. E fui ouvir. Ele fez um disco que admiro muito. Ouvi muito também a Elza Soares, fiquei rendida. Voltei a ouvir algumas coisas que gosto de ouvir, do Sufjan Stevens, coisas que tinha saudades de ouvir. Ando a ouvir estas coisas portuguesas que andam a sair, o Bruno Pernadas, os You Can't Win Charlie Brown e o Marrow. Ando também a ouvir o último da Silvia Pérez Cruz. Ando agora a entrar um pouco nos discos destes últimos anos. Vou ouvindo mas se gosto muito faço mesmo um esforço para não ouvir, para não absorver, para que isso não me influencie. Também ouvi o Beck e o Morning Phase. Adoro o Beck, gosto de tudo o que ele faz. Falavam muito da Feist em relação a este disco. Eu gosto muito dela e tive deixar de a ouvir. Também estou super curiosa para ouvir o novo projeto do JP Simões, Bloom.

TM - Concertos que tenhas gostado este ano?

JBV - Sou um bocado bicho do mato, não vou a muitos concertos. Fui ao concerto do Sérgio Godinho com os They're Heading West com a minha sobrinha e adorámos. Vi muitos concertos na Parede, de improvisação. Vi uma grande concerto de TV Rural, como são todos. Recomendo vivamente, dão sempre belíssimos concertos. Estou desejosa agora de ir a vários concertos e tirar a barriga de misérias. Queria muito ter ido ver os Orelha Negra. Vi bastante concertos, eu é que vou absorvendo. Não sou nada teórica, até admiro aquelas pessoas que conseguem ir aos concertos e escrever sobre eles. Também gostava muito de ter apanhado aqueles concertos da Angel Olsen.

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