sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Reportagem: Preoccupations + Névoa [Musicbox - Lisboa]


Preoccupations

No passado dia 1 de dezembro deu-se início aos últimos concertos de celebração do aniversário do Musicbox, que este ano iniciaram com os canadianos Preoccupations (ex-Viet Cong). Com início marcado para as 21h30, os Preoccupations subiram a palco, cheios de energia, e prontos para fazer uma estreia memorável em Lisboa. Os que estavam na sala a horas, começaram a ouvir o instrumental inicial de "Anxiety" enquanto Matt Flegel agradecia a presença de todos.
Para aqueles que já os tinham visto no NOS Primavera Sound, 2015 (enquanto Viet Cong) esta primeira música não viria a ser nada surpreendente: o som estava muito mau e não se ouvia os teclados eletrónicos. Adivinhava-se ali um concerto que viria a ser miserável em comparação à performance em território nortenho. Foi uma má adivinhação, afinal, os Preoccupations tinham os antigos singles na manga e o som apresentava-se muito melhor do que o do rescaldo incial. "Silhouettes" veio animar aqueles que tinham ficado reticentes de início e mostrar que os antigos Viet Cong ainda estão na pele dos quatro músicos. Mais vivos que nunca. Ainda a revisitar o disco Viet Cong(2015), os Preoccupations tocaram "March Of Progress" e o enorme "Continental Shelf" que fez jus às expectativas para o concerto. Do EP Cassette, ainda deu tempo para ouvir "Select Your Drone".



Por esta altura já o baterista Mike Wallace estava sem t-shirt. Além da excelente performance que manteve com o volver do concerto (de dar destaque ainda às trocas frequentes entre a bateria e a bateria eletrónica), Wallace tinha a peculariedade de tocar com as baquetas ao contrário, garantindo uma presença tamanha ao nível da percussão. Já as trocas de voz entre Matt e Scott Munroe não funcionaram tão bem.
Numa pequena pausa entre músicas, ouve-se alguém dizer "toca a 'Stimulation'", mas Matt Flegel não pareceu muito entusiasmado. Outro alguém grita "Memory" e no Musicbox ouve-se "Memory", o mais recente single deste novo disco. Entre uns tragos na cerveja aqui e ali, um dos grandes momentos do concerto deu-se quando o baterista Mike Wallace perguntou a duas pessoas do público, que usavam uns chapéus idiotas, se ele podia fumar uns bafinhos daquele porrinho. E o real charro foi passado e circulou por entre três dos quatro elementos da banda. (Ao que tudo indica o vocalista Matt Flegel é muito saudável.) Já com "Degraded", "Monotony" e "Zodiac" apresentadas é hora dos Preoccupations tocarem a "Stimulation" e estimular o público para um fim que já se vê muitíssimo próximo. O vocalista apresenta a banda e agradece ao público pela estreia em Lisboa, naquele que era o último concerto da tour europeia da banda. A revisitar Viet Cong, os Preoccupations encerraram o concerto com "Death". Um bom regresso.

Névoa



Os Névoa foram a grande surpresa da noite e, apesar da sua veia musical ser completamente alheia ao post-punk dos Preoccupations, souberam dar um grande espetáculo e provar que a sua ida até à Holanda é justificada na qualidade como banda ao vivo. 
Em formato quarteto, com Ivo Madeira (baixo) e Miguel Béco de Almeida (guitarra e voz secundária) a juntarem-se a João Freire (bateria) e Nuno Craveiro (guitarra e voz principal), os Névoa tocaram já com cerca de 30 minutos de atraso e para uma sala bem mais vazia, afinal o black-metal é um género para um público muito de nicho. No entanto, aqueles que ficaram para os ver pela primeira vez saíram dali certamente contentes. Os Névoa ao vivo divergem um pouco dos em estúdio: fazem-se acompanhar de elementos orgânicos (como troncos de madeira enrolados com cordas) e trazem menos guturais (ou pelo menos no Musicbox apresentaram uma faceta com uma maior exploração instrumental ao invés da voz). E isso foi o ponto fulcral para um concerto bem conseguido e caregado de música psicologicamente densa. A pouca interação entre os músicos e o público serviu para garantir um concerto que conseguiu transparecer de início ao fim a ideia de continuidade, como que se, a setlist fosse composta apenas por uma música.
Ainda nos pontos positivos destaque novamente para os troncos finos de madeira que acompanharam os Névoa na sua performance pelo Musicbox. Nuno Craveiro adquiriu o papel de baterista secudário e, em coordenação com João Freire, conseguiram trazer um concerto pesado mas criativo e explorador de novos conceitos em torno do black metal.
A apresentar o novo disco Re Un, editado pela Avantgarde, os Névoa mostraram que merecem as boas críticas que têm vindo a receber.

Preoccupations + Névoa @ Musicbox Lisboa

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Daniela Oliveira

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Cool Trash Club estreia-se no Sabotage Club


O Cool Trash Club é o novo ciclo de festas do Sabotage Club, que irá trazer a Lisboa o melhor do mais puro rock n'roll - desde garage rock ao blues - a decorrer no mundo alternativo. Dead Elvis & His One Man Grave marcou a estreia destas festas ontem, dia 8 de dezembro, mas já há concertos planeados para o inicio de 2017.

The King Khan & BBQ Show (dia 8 de fevereiro) e Death Valley Girls (dia 25 de janeiro) vão passar pelo Sabotage a propósito do Cool Trash Club, nas datas acima mencionadas. Depois dos concertos, a festa irá continuar pela mão dos DJ's A Boy Named Sue e Nuno Rabino, para quem quiser madrugar em boa companhia.



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Tristesse Contemporaine anunciam novo disco de estúdio


Os Tristesse Contemporaine regressam para o ano às edições de estúdio com Stop and Start, o seu terceiro disco de estúdio que sucede Stay Golden (2013). A banda francesa, que se estreou em Portugal na primeira edição do INDOURO Fest, regressa agora aos trabalhos, apresentando o primeiro single de avanço - "Let's Go" - que segue acompanhado por um trabalho audiovisual, a ver abaixo.

Stop and Start tem data de lançamento prevista para 20 de janeiro.


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

18 anos depois, os The Jesus and Mary Chain estão de volta


Pela primeira vez em 18 anos, desde o lançamento de Munki em 1998, os Jesus and Mary Chain vão estar de volta às edições no próximo ano. Damage and Joy, o novo álbum da banda escocesa, vai ser lançado no dia 24 de março via ADA/Warner Music

O primeiro single foi disponibilizado em estreia absoluta na rádio BBC 6, mais concretamente na rubrica musical de Steve Lamacq"Amputation" pode ser escutado aqui mesmo, em baixo, onde podem também verificar a capa e tracklist deste novo álbum.



Damage and Joy Tracklist:
1 - Amputation 
2 - War On Peace 
3 - All Things Pass 
4 - Always Sad 
5 - Song For A Secret 
6 - The Two Of Us 
7 - Los Feliz (Blues and Greens) 
8 - Mood Rider 
9 - Presidici (Et Chapaquiditch) 
10 - Get On Home 
11 - Facing Up To The Facts 
12 - Simian Split 
13 - Black And Blues 
14 - Can’t Stop The Rock

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Human Tetris estreiam-se em Portugal em fevereiro


Os russos Human Tetris têm passagem agendada por Portugal já em fevereiro do próximo ano para dois concertos, passando a 3 de fevereiro pelo Hard Club, Porto (informação oficial do facebook da banda aqui). É a estreia da banda em território nacional.

Formados em Moscovo, em 2008, os Human Tetris lançaram apenas um álbum - Happy Way In the Maze of Rebirth - e dois EP's e entraram num hiato em 2012 e desde então permaneceram em silêncio. Compostos por Arvid Kriger (voz/guitarra) Maxim Zaytsev (baixo), Maxim Keller (guitarra) e Sasha Kondyr (bateria), os Human Tetris apresentam um post-punk de traços alegres muito semelhante ao dos seus "vizinhos" Motorama.



O quarteto russo, vem até território nacional apresentar River Pt. 1, o primeiro álbum da banda em quatro anos, que foi editado a 29 de novembro. O concerto no Porto conta com a organização da Muzik Is My Oyster  e segue ainda sem preço revelado. Novas informações deverão ser divulgadas brevemente.


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

The Sunflowers e Moon Preachers de mãos dadas por Portugal

© Vera Marmelo
Os The Sunflowers não param para descansar. Depois de um ano cheio de concertos por todo o país, e de em setembro terem lançado o seu álbum de estreia, os 'girassois' planeiam já a festa para o principio de 2017. 

A acompanha-los nesta primeira tour do próximo ano, vão estar os Moon Preachers, poderoso duo garageiro da Margem Sul, que também já abriu para Sunflowers na ZDB.

As datas desta tour de apresentação a The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy, que vai decorrer de 20 de janeiro a 4 de março, seguem em baixo:

20 Jan - CAEP, Portalegre
21 Jan - Carmo 81, Viseu
18 Fev - Aniversário Pointlist, Damas, Lisboa
24 Fev - TBC, Bragança
25 Fev - Porta 11, Monção
3 Mar - Sé La Vie, Braga
4 Mar - Vale de Pandora, Vale de Cambra


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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Simon Crab na última festa do ano da Nariz Entupido


A Nariz Entupido quer acabar o ano em festa com um serão eletrónico. O DAMAS vai rercer Simon Crab, nome importante do underground dos 80, acompanado por Egbo, um dos novos nomes da electŕonica nacional. A acabar a noite, há a dupla de DJs Bruno Silva e Nuno Afonso. A entrada é gratuita.

Simon Crab, um dos membros fundadores dos lendários Bourbonese Qualk, uma das mais estranhas e desafiantes bandas que emergiram da cena underground da década de 80, que equilibrava perfeitamente electrónica, funk mutante e experimentalismo, traz na bagagem After America. 

Este trabalho conta com melodias não óbvias a partir dos sopros, percurssão, guitarras eléctricas e acústicas. O uso de instrumentos tradicionais indonésios contribui em diferentes espectros e simultaneamente para a construção de paisagens tumultuosas e de oásis para o mais profundo relaxamento. 

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Spectres anunciam novo disco. Revelam primeiro single

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Depois da conceituada estreia com Dying, os ingleses Spectres estão de volta às edições e têm novo álbum pronto para sair em março de 2017 pela editora Sonic Cathedral.

Juntamente com o anúncio do novo disco, que segue ainda sem nome revelado, a banda divulgou a primeira música, exraída deste novo trabalho, intitulada de "Dissolve". O single, com uma duração aproximada a sete minutos e meio, apresenta imagens que podem ser susceptíveis às pessoas mais sensíveis, encontrando-se na categoria de vídeos NSFWTudo a tirar a roupa.


Relativamente a "Dissolve", como single, os Spectres estão menos barulhentos mas continuam a usar o ruído (desta feita menos amplificado) como uma característica própria da sua sonoridade post-punk.



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Kikagaku Moyo entre os nomes adicionados ao cartaz do SonicBlast

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A organização do SonicBlast avançou hoje (terça-feira, 6 de dezembro)  com os três primeiros nomes a ingressar o cartaz da edição de 2017 do festival.  Entre as confirmações o principal destaque vai para os japoneses Kikagaku Moyo, que regressam a Portugal em apresentação do mais recente disco de estúdio House in Tall Grass, editado este ano.

Ainda nas primeiras confirmações encontram-se os suecos Monolord, que trazem o disco Vænir(2016) na bagagem e os norte-americanos Elder que vêm mostrar o seu heavy psych explorado no disco Lore(2016).

O SonicBlast acontece no fim-de-semana de 11 e 12 de agosto de 2017 em Moledo.




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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

The Underground Youth anunciam novo disco

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Os The Underground Youth estão de regresso aos trabalhos de estúdio com What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?, o oitavo disco de estúdio da banda oriunda de Berlim, e que sucede Haunted(2015). Juntamente com os pormenores do álbum foi também divulgado o primeiro single de avanço, "Alice", que segue com vídeo oficial abaixo.

Impulsionada do início ao fim pelas guitarras cintilantes, vibrantes e os murmuros 80's-esques do vocalista Craig, "Alice" é uma faixa que é uma junção de guitarras-pop imersivas com é um toque do bom post-punk com os traços psicadélicos, característicos da banda.

What Kind Of Dystopian Hellhole Is This? tem data de lançamento prevista para 15 de fevereiro de 2017 pelo selo Fuzz Club Records.


What Kind Of Dystopian Hellhole Is This? Tracklist:
1 - Half Poison, Half God
2 - Alice
3 - You Made It Baby
4 - Beast (Anti War Song)
5 - A Dirty Piece Of Love For Us To Share
6 - Amerika
7 - The Outsider
8 - Persistent Stable Hell
9 - Your Sweet Love
10 - Incapable of Love

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Vagos Metal Fest divulga mais quatro bandas do cartaz

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O Vagos Metal Fest anunciou hoje mais quatro nomes a ingressar o cartaz: os italianos Rhapsody - que fazem a sua tour de despedida (com a formação original) em celebração dos 20 anos de carreira; os alemães Powerwolf, os franceses Gorguts e os portugueses Attick Demons.

A segunda edição do Vagos Metal Fest decorre entre 11 a 13 de agosto de 2017 na Quinta do Ega (Vagos - Portugal). A partir de amanhã ficam disponíveis para venda os gift pack (passe de 3 dias + t-shirt+sticker), no site do festival. Os bilhetes diários custam 33€ e o pack fã, para os três dias, 79€ e podem ser adquiridos aqui.




Artistas já confirmados:
Arch Enemy - Hammerfall - Korpiklaani - WhiteChapel - Primordial - Chelsea Grin - Havok - Gama Bomb - Batshuka - Hills Have Eyes - Miss Lava - Grunt - Reaktion - And Then She Came - Tales For The Unspoken - Brutality Will Prevail

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Oiçam: AIKULA

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Formados inicialmente em formato sexteto, os eslovenos AIKULA são agora um quarteto e descrevem a sua música como rock alternativo de vocais estridentes, com sonoridades e letras sobre histórias de observação da vida e o existencialismo.

A história da banda remonta a cerca de uma década atrás quando o atual vocalista Zoran Zelenović reformulou a banda The System com alguns amigos no line-up. Depois de altos e baixos (alguns fins e saída de membros) a banda acabou por se transformar nos Aikula que este ano estiveram em tour europeia, em maio, a abrir para Psychic TV

Para já a discografia da banda é extremamente escassa sendo composta apenas pelo longa-duração Number 1, editado em 2014 e a cassette Absurd & Bizarre(2016).



Em Number 1 os Aikula mostram dez singles preenchidos de variados instrumentos (de destacar o saxofone) que pela sua boa conjgação enriquecem toda o disco na sua íntegra. Singles como "Rather On Cocain", "An Artist (Ichi Ni San Shi)", "Oro Of No Tomorrow", "Only War (Can Save Us Now)" e "Love Kills Men" fazem grande parte do álbum e não devem ser ignoradas.

Após uma reformulação nos elementos da banda, os Aikula regressaram este ano às edições, tendo lançado a cassette Absurd & Bizarre, que conta com remixes dos primeiros singles do álbum e versões tocadas ao vivo em estúdio. A banda é agora composta por Zoran Zelenović (voz), Jan Pivk (guitarra), Tilen Božič (baixo) e Pegam Podobnik (bateria).



A banda já tem novo disco na bagagem pronto para ser editado no início de 2017 pelo selo American Angry Love Label. Este novo trabalho, que segue ainda sem nome, foi gravado por Jeff Berner (Naam, Psychic TV, Death Stars).
 



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The Dreams Never End apresentam o disco de estreia

 © Armindo Silva
Os minimal/darkwavers The Dreams Never End, oriundos de Odivelas, vão estrear-se nos trabalhos de estúdio desta feita com Walk Blindly, o primeiro disco longa duração do duo. Formados por Carlos Magalhães e Virgílio Santos, a banda apresenta agora o primeiro vídeo, extraído deste novo disco, para a faixa "Uvb 76".

Em Walk Blindly os The Dreams Never End apresentam-se como um projeto que visa a estética da simplificação. A repetição de sons e as linguagens simples são alguns dos desejos que movem a dupla. O vídeo de "Uvb 76" foi produzido pela artista francesa Myriam Hory (Audrynna Von Succubya).


Walk Blindly tem data de lançamento agendada para o próximo dia 7 de dezembro no Club Noir, em Lisboa. Todas as informações respetivas ao evento aqui.


Walk Blindly Art Cover:



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domingo, 4 de dezembro de 2016

STREAM: José Camilo - Obra Camiliana

Jose-camilo-obra-camiliana
A melancolia transformou-se em raiva e o subúrbio no imenso Portugal, com José Camilo a expandir o seu universo como escritor de canções, ao cantar sobre amores e desamores, tristeza e dramas existencialistas ou mesmo crítica social, ao analisar um país e uma geração inteira a viver num frágil equilíbrio. A mensagem de José Camilo grita bem alto através das guitarras sujas e da bateria que impõe uma velocidade estonteante. Obra Camiliana é o seu segundo álbum de originais e pode ser escutado aqui na íntegra, estando disponível para download gratuito. 

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Stephen O’Malley [Sunn O)))] atua em Serralves

© Pedro Roque
Stephen O’Malley, o guitarrista e fundador de bandas como Sunn O))) e Khanate, tem passagem agendada para Portugal já no próximo dia 8 de dezembro (quinta-feira), por Serralves, onde fará a "banda sonora" para a instalação do duo de artistas e realizadores Gast Bouschet & Nadine Hilbert.

Este concerto e performance cinematográfica encontram-se integrados no TEMPESTARII, que consiste na realização de um evento com formato de cineconcerto e passa por Serralves na próxima quinta-feira. Os bilhetes já se encontram à venda aqui tendo um custo de 7,5€. Há desconto para jovens, estudantes e maiores de 65 anos. O TEMPESTARII tem início marcado para as 18h00, todas as informações adicionais aqui.


Stephen O’Malley é fundador e membro de vários grupos tais como Thorr's Hammer (1993), Burning Witch (1995), Sunn O))) (1998), Khanate (2000), KTL (2005), Nazoranai (2011), ÄÄNIPÄÄ (2011), entre outros. Fez parte das equipas que criaram as editoras discográficas Southern Lord (1998) e Ajna Offensive (1995), e trabalhou como diretor artístico da editora Misanthropy (1997-2000). Em 2011, criou a editora discográfica Ideological Organ em colaboração com Peter Rehberg / Editions Mego
A obra de O’Malley é definida pela sua complexidade notável e interesses multidisciplinares. Inclui colaborações com um vasto número de músicos experimentais incluindo Scott Walker, Merzbow, Jim O’Rourke, Keiji Haino, Mats Gustaffson, Peter Rehberg, e Oren Ambarchi, entre outros.
(Fonte: press-release)


Gast Bouschet e Nadine Hilbert começaram a colaborar em 1990.  A sua prática estende-se a diversos media incluindo a fotografia, som, vídeo, desenho e texto. As obras e intervenções de Bouschet e Hilbert tanto são apresentadas em espaços marginais e áreas selvagens distantes do olhar do público como também em instituições de arte contemporânea e festivais, incluindo Insomnia Festival (Tromsø, Noruega); Bozar (Bruxelas, Bélgica); Darling Foundry (Montreal, Canadá); Cube Space (Taipei, Taiwan); Philharmonie (Luxemburgo); Muzeum Sztuki (Lodz, Polónia); Krinzinger Projekte (Viena, Áustria); Casino Forum d’Art Contemporain (Luxemburgo), entre outros. Em 2009, representaram o Luxemburgo na 53ª Bienal de Veneza.
(Fonte: Press-Release)

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Reportagem: WIFE + Oathbreaker [Cave 45 - Porto]


Os belgas Oathbreaker regressaram ao Porto no último domingo para um concerto na Cave 45, organizado pela Amplificasom. O quarteto belga formado em 2008, acompanhado por mais um músico em palco, apresentou o seu mais recente álbum de estúdio, Rheia. Este disco apresenta uma nova sonoridade da banda que, após dois álbuns punk, os aproximou-se do blackgaze e gravou um conjunto de músicas comparáveis a artistas como os Deafheaven.

Pouco faladores, os Oathbreaker começaram o concerto com a curta e calma “10:56”, antes de subirem imediatamente a intensidade com “Second Son of R.”. Os sons das guitarras misturaram-se, a bateria não parou e Caro Tanghe gritou e cantou tão bem como em estúdio. Alternando entre momentos mais calmos e melódicos, onde a voz de Caro parece algo frágil e distingue-se mais do instrumental, e outros mais intensos e barulhentos, a banda controlou bem as dinâmicas do concerto. Infelizmente, em algumas músicas a voz misturou-se em demasia com os instrumentos e tornou-se menos audível do que deveria. Isto quase foi completamente compensado pela postura em palco da vocalista, sombria e intensa, que contribuiu para a atmosfera criada pela música.


A setlist focou-se principalmente em Rheia, álbum que deu origem a alguns dos melhores momentos da noite, como “Being Able to Feel Nothing”, “Where I Live” e a já referida “Second Son of R.”. No entanto, o concerto terminou com uma música de Mælstrøm, “Glimpse of the Unseen”. Apesar de não ser uma das minhas músicas preferidas do álbum de 2011, funcionou muito bem em concerto.

Os Oathbreaker são uma banda muito boa ao vivo, que consegue elevar o seu trabalho em estúdio a um nível superior quando o apresenta em concerto e que certamente não deixou ninguém desiludido.

A abrir a noite esteve James Kelly, vocalista dos já inexistentes Altar of Plagues. Com uma sonoridade completamente diferente do black metal da sua banda, o seu trabalho a solo, apresentado com o nome WIFE, é de música eletrónica.


A primeira parte do concerto foi composta por músicas algo experimentais, como tempos diferentes do habitual e grandes variações entre pausas e sons muito intensos. Estas encheram completamente a sala, ajudadas por um trabalho de luz simples, mas eficaz, que contribuiu para a atmosfera criada. Já algum tempo após do início do concerto ocorreu a primeira pausa, após a qual se ouviu uma música mais dançável. Pouco depois voltam as músicas menos acessíveis, que se ouviram até ao fim do concerto. Apesar de serem instrumentais durante a maior parte o tempo, por vezes eram acompanhadas por voz, transformada por diferentes efeitos. No geral, a voz pareceu algo desnecessária e não beneficiou muito a música, mas também não atrapalhou. 

Com uma duração menor a 40 minutos, o concerto não foi demasiado curto nem demasiado longo, teve a duração ideal para deixar o público satisfeito sem saber a pouco e sem se tornar repetitivo.

Texto: Rui Santos
Fotografia: Hugo Adelino (Wav)

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Mystic Braves atuam na festa da Spring Toast na ZDB

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Spring Toast Records regressa à Galeria Zé dos Bois para celebrar o seu 1º aniversário, nos dias 10 e 11 de dezembro. A editora festeja simultaneamente a despedida do ano velho, a reunião familiar, a emulsão natalícia, o banquete da confraternização, a música e os amigos! 

Dezembro é o mês solene do Bonenkai da Spring Toast. Durante dois dias, exaltam comemorações que se estendem às actuações de muitas bandas da cantera da Spring Toast, como os Mighty Sands e ainda a surpresa: Mystic Braves.

 Cave StoryKRANOHércules, BifannahVeenho também fazem parte desta festa.

Aos concertos juntam-se também um mestre de cerimónias do Além, uma Festa Encantada, ilustres passadores de discos e gloriosas surpresas.

Os bilhetes estão à venda na Tabacaria Martins, Flur Discos e na própria ZDB tendo o o bilhete para um dia o custo de 10€ e, para ambos os dias, 15€.




:::::::::: PROGRAMA ::::::::::

Sábado, 10 dezembro 
21h00 ::: Abertura de portas 
21h45 ::: Veenho (PT) 
22h15 ::: Hércules (PT) 
23h00 ::: KRANO (IT) 
00h00 ::: Cave Story (PT) 
01h00 ::: Mighty Sands (PT) 
02h00 ::: Djset Mambo Brando (IT) 

Domingo, 11 dezembro 
17h00 ::: Abertura de portas 
18h00 ::: Bifannah (ES) 
19h00 ::: Mystic Braves (US) 
20h00 ::: Festa Encantada** com Djset Tiago Castro e Ana Farinha (PT)

 

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Cinco Discos, Cinco Críticas #21

Nesta vigésima primeira edição do "Cinco Discos, Cinco Críticas" falamos dos mais recentes trabalhos de estúdio de Clementine, Princess Nokia, The Early Years, The Warlocks e Soft Hair. As críticas e os discos, para reproduzir abaixo.



Tiger EP // self-released // novembro de 2016
7.0/10


A dupla lisboeta Clementine apresentou neste mês de novembro o seu EP de estreia, Tiger, sendo o primeiro material inédito de Shelley Barradas e Helena Fagundes desde as Bobadela Demo Sessions (2015). Sem espaço para dúvidas as Clementine mostram em Tiger EP, uma tamanha melhoria na qualidade sonora e um EP que mostra que a música portuguesa independente está cheia de futuro. A cover-art do EP também é um fator de destaque e faz todo o sentido quando se ouve, por exemplo, "Monga".
Tiger EP é composto por cinco músicas que ao vivo prometem garantir um "ganda concerto" com a energia explosiva do garage-rock e aquele toque feminino que ainda se sente em falta no mercado nacional. Para ouvir, recomendam-se essencialmente os singles "Absolute Demolition" e "Street Walker". O EP Tiger foi gravado por Gonçalo Formiga na cave dos Cave StoryOs fãs de Pega Monstro vão gostar.

Sónia Felizardo


1992 // self-released // setembro de 2016
8.9/10

Princess Nokia, o nome de palco de Destiny Frasqueri, uma rapariga que se introduziu no hip-hop com todo o seu poder feminino muito como Missy Elliott e Lil Kim, contando a história muldimensional da sua entidade através de um hip-hop mais alternativo que explora sons de jazz e R&B, tambores africanos e todo o spice porto-riquenho que pode tudo ser sumarizado no seu último disco, 1992
1992 é um projeto que explora muito a liberdidade feminina, a identidade da cantora enquanto uma mulher negra, porto-riquenha residente em Nova Iorque e, claro, uma glorificação às suas raízes. 
"Tomboy", o primeiro single, desconstrói toda a noção de beleza de mulheres de cor, onde Destiny rappa que, mesmo com "litte titties" e uma "phat belly", ela é capaz de ser tão bem sucedida como qualquer outra pessoa e que nada que a defina fisicamente a define enquanto pessoa. "Brujas" é, na minha opinião, das melhores faixas do disco, explorando a noção de identidade com um som bastante parecido a algo que Le1f ou Zebra Katz fariam, bastante místico com um undertone de não te metas comigo "Don't you fuck with my energy". 
Outras faixas importantes mencionar seriam "Saggy Denim" - a faixa que transmite uma vibe mais sexual ao disco, sempre na perspetiva da "Tomboy", mas agora com o R&B - e "Mine" - que é uma faixa que no sentido literal é sobre o cabelo das mulheres de cor, mas enquanto metáfora é um empoderamento dessas mesmas através da sua liberdade de escolher como usar o seu cabelo (se isso faz algum sentido). No geral 1992 é uma amálgama bem sucedida de tudo o que é vibrante e importante no hip-hop hoje em dia; a experimentação e vanguardismo que vemos no queer-hop e o classicismo que foi construído nas ruas de Harlem. Realmente uma pérola a tomarmos atenção.



Júlio de Lucena

II // Sonic Cathedral // setembro de 2016
5.5/10


Passados quase 10 anos após a edição do disco de estreia homónimo, os rockers londrinos The Early Years estão de regresso às edições com II, que recebe o selo da editora inglesa Sonic Cathedral. Neste segundo disco de estúdio a banda londrina apresenta um disco recheado de psych-rock com quebras e pausas no ritmo que se vão tornando dominantes com o volver do disco.
A única música relevante de II é "For The Fallen" - que inicia num ritmo muito lento, abrindo espaço para uma poderosa malha de stoner rock com um toque psych. O restante disco perde-se na monotonia, e nem o single de início, "Nocturne", com um ritmo mais energético, consegue seduzir o ouvinte.
II é um disco "ok", mas não é "ok" o suficiente para ser memorável ou significativo nos lançamentos de 2016. No entanto, é uma boa prenda para todos os fãs que até então permaneceram no mundo da silenciosa espera. 

Sónia Felizardo


Songs From The Pale Eclipse // Cleopatra Records // setembro de 2016
7.5/10

Muito se passou desde o tempo em que o Bobby Hecksher deixou os Brian Jonestown Massacre. Este criou os The Warlocks, sua atual banda, com bastante sucesso, visitou inúmeros festivais, desde o Levitation (antigo Austin Psych Fest), até ao nosso Reverence e agora adicionou mais um álbum à sua já considerável discografia (este é o sétimo). 
Songs From the Pale Eclipse não foge muito do registo dos anteriores álbuns da banda, apresentando o seu som melancólico, apoiado em delay que cria umas paisagens inspiradas no shoegaze e dream pop.
Embora não seja um álbum que cause tanto impacto como instalações anteriores - por exemplo o Heavy Deady Skull Lover, que apresenta todo um registo consistente de boas musicas - é possível extrair umas boas músicas deste disco, por exemplo o single "Lonesome Bulldog" ou a faixa que encerra o álbum "The Arp Made Me Cry". Contudo o grande destaque de Songs From the Pale Eclipse vai para a trilogia “We Took All The Acid / Drinking Song / I Warned You”, uma verdadeira viagem sobre excesso, decadência e as suas repercussões. Apesar de não ser o álbum mais consistente do repertório Songs From The Pale Eclipse mostra-se uma entrada forte com algumas músicas que merecem forte destaque para se evidenciar na setlist da banda. E, sem dúvida, que continuam a ser das melhores bandas para ouvir enquanto brincamos aos alucinogénios.

Hugo Geada


Soft Hair // Weird World // outubro 2016
7.9/10


Soft Hair são Connan Mockasin e Sam Dust (LA PRIEST e Late of The Pier). Editaram no passado mês de outubro um álbum homónimo colaborativo após cinco anos de gravações espalhadas um pouco por todo o mundo, especialmente pelo Reino Unido e a Nova Zelândia, país de onde é originário Connan. Em Soft Hair temos a pop psicadélica e extravagante de Connan e a eletrónica mais funky de Sam. Há músicas em que a influência de um dos artistas sobressai, no entanto, este trabalho leva-nos a viajar num mundo exótico, formado por sonoridades inconvencionais, sedutoras e imaginativas. Quanto à lírica, essa é atrevida, conferindo um cariz sexual e afrodisíaco à musica. Os grandes destaques vão para os interlúdios "i.v." e "l.i.v.", para o single de apresentação "Lying has to Stop" e para a hipnótica "Goood Sign". Em suma, este projeto traz-nos algum divertimento e calor para este outono chuvoso., mostrando-se uma colaboração interessante de se ouvir. 


Rui Gameiro


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