sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Oiçam: Arcanjo



Arcanjo é o projeto a solo de Miguel Arcanjo, vocalista dos Igualdade Paralela, que resulta de uma decisão de afastamento das sonoridades de Siouxie and the Banshees e Joy Division, para entrar num mundo mais surrealista, mais caótico, e muito mais obscuro. O resultado já se encontra disponível para audição gratuita na íntegra no EP Forasteiro

Este primeiro disco de curta duração apresenta influências muito derivadas do neo-folk de Douglas P. (Death in June) tal como Rome, Cabaret Voltaire e até mesmo os Sétima Legião. Uma voz de um rapaz forasteiro, ora interprete, ora cantautor e poeta, Arcanjo é uma projecto bastante irreverente e dentro de uma sonoridade muito post-punk, com critica à sociedade atual e a revolta de um rapaz vindo dos subúrbios de Lisboa. 


No dia 27 de janeiro, Arcanjo irá apresentar Forasteiro na Casa Independente em Lisboa.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Os 16 melhores EP's de 2016



Fazer uma lista de discos é muito subjetivo. A nossa lista dos melhores EP's de 2016 é mais uma das listas subjetivas que surgem pela internet com o objetivo de dar destaque a trabalhos que foram ouvidos pelos elementos da redação e que, para tais membros, são EP's relevantes. 

Com a globalização o número de trabalhos que vai surgindo é colossal e ouvir/prestar atenção a todos é uma tarefa hercúlea. A lista dos 16 EP's que, para a redação da Threshold Magazine foram considerados notórios, foi construída tendo por base os discos que se conseguiram ouvir no último ano, passando-se a uma posterior seleção em termos de qualidade e de seguimento com a linha editorial da revista. Com destaque para WALL, Mothers Dearest e Bruma, seguem abaixo as restantes considerações.

16- Acid Dad - Let's Plan a Robbery





15 - Flat Worms - Red Hot Sands




14 - New Horror - Fruitless Search



  

13 - smartini - Liquid Peace





12 - Chelsea Wolfe - Hypnos / Flame





11 - Todd Terje & the Olsens - The Big Cover-Up




10 - egbo - Yesterday you Said Tomorrow




9 - Lost System - No Meaning No Culture




8 - Fhloston Paradigm - Cosmosis vol.2




7 - Kill your Boyfriend - Ghosts




6 - Kaspar Hauser - Kaspar Hauser




5 - Viagra Boys - Consistency Of Energy




4 - Steven Wilson - 4 1/2




3 - Bruma - Pesadelo


Pesadelo prima pela inovação e experimentação que lhe estão implícitas, sendo um disco fácil de ouvir por saber conjugar tão bem diversos géneros e sub-genéros, criando igualmente uma harmonia característica. Através de uma formação simples, onde o foco recai sobre os mais díspares instrumentos - dos quais recebe destaque principal o piano - os Bruma conduzem o ouvinte aos estados inconscientes do sono, que se tornam, por vezes, incontroláveis. Quanto a um género situa-se algo entre o jazz experimental de uns BadBadNotGood e o avant-garde. Os Bruma apresentaram assim um disco muito distinto das apostas que se têm feito ultimamente a nível nacional, com o selo distintivo da cidade de Braga.



2 - Mothers Dearest - Golden Suns Finest


Oriundos da Nova Zelândia, os Mothers Dearest editaram o seu EP de estreia este ano, que surpreende pela aura post-punk minimalista que se lhe encontra embebida. Sem grandes arranjos na produção, Golden Sun's Finest traz um revivalismo muito interessante dos anos 80 que é moldado com traços contemporâneos apresentado um disco que, acima de atual, encontra-se enriquecido por melodias trabalhadas que criam uma aura artística inserida cena underground. Para os fãs da cena punk mais dark recomenda-se essencialmente a audição do single "Tough Guys Don't Dance". Apesar de breve, Golden Sun's Finest é um EP muito poderoso que merece destaque num ano obscuro.



1 - WALL - WALL 



WALL é uma banda de Nova Iorque, que transporta qualquer um dos seus ouvintes de volta aos anos 70/80, devido ao seu post-punk bastante característico da época. Estrearam-se no passado mês de janeiro com o EP homónimo que, apesar da sonoridade “antiga”, aborda temas modernos como podemos perceber em “Fit The Part” em que Sam York canta sobre os vários papeis que temos de desempenhar na vida quotidiana, as várias “caras” que uma pessoa tem de usar para se integrar na sociedade. Em “Cuban Cigars” critica a imunidade perante a lei dos mais poderosos e ricos. Todas as músicas deste EP podem caracterizar-se pela sua rapidez e curta duração, características comuns ao movimento punk com a diferença de os seus instrumentais serem bastante harmoniosos.


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NYE Warehouse na Taberna das Almas com Throes + The Shine, Octa Push e Mike El Nite

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A Taberna das Almas vai receber pelo quinto a NYE Warehouse. A mudança de ano para 2017 celebra-se ao som da batida incessante dos imparáveis Throes + The Shine, os intensos Octa Push e o tempestuoso Mike El Nite. No subsolo ainda se juntam o delirante La Flama Blanca e o mestre DarkSunn.

A noite arranca antes das doze badaladas e todos tocam em formato DJ set. Ainda se vai poder ouvir o house apurado de Mad Mac e Francisco Berberan, e a farra imprevisível de Catxibi (Thug Unicorn) e da dupla de não DJs, Fanfanash.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Reportagem: Covenant [Hard Club - Porto]


Falar dos Covenant é falar de uma banda com quase 30 anos de carreira. Uma banda que surgiu na génese do movimento electronic body music (vulgo EBM) e que contribuiu para a maturação da synthpop. Uma banda cuja primeira faixa que lançou se assume como uma homenagem ao Blade Runner e que, desde então, editou perto de uma centena de faixas, um período criativo que perdura até aos dias de hoje apesar da saída do seu membro fundador Clas Nachmanson em 2007. E passados 6 anos depois da última visita dos Covenant a Portugal, a MIMO decidiu, este natal, presentear-nos com o seu regresso. O encontro deu-se no passado dia 18, no Hard Club, com os Hot Pink Abuse a fazerem o aquecimento do público.


Quando os Covenant finalmente subiram a palco, encontravam-se desfalcados de um dos seus membros — Joakim Montelius faltou à chamada do ansioso público por motivos que até à data permanecem por divulgar. Porém, os remanescentes membros da banda fizeram questão que tal falta que não se fizesse sentir. E assim foi. Eskil Simonsson e os seus dotes vocais permanecem inalterados pela passagem do tempo, e, entre saltos, deambulações e outras peripécias, evidenciou ainda uma excelente forma física. Claramente a idade não afectou Eskil, apesar de nessa noite ter somado mais um ano ao seu bilhete de identidade — aparentemente o seu aniversário é no dia 18 de dezembro. Porém, roubou-lhe o cabelo. A ele e a Daniel Myer, o outro membro dos Covenant em palco, este mais concentrado na sintetização do corpo rítmico da música. Durante duas horas, ouviu-se uma selecção de temas do repertório passado dos Covenant, bem como temas do seu mais recente disco, o qual deu a mote à tour — "The Blinding Dark Tour" — a qual terminou, aliás, no Porto. 


A performance foi brilhante, sendo que o único defeito a apontar foi não ter havido dois encores, como aconteceu em muitos outros concertos que os Covenant deram por essa Europa fora. O público compreendeu o sucedido, apesar de algum desânimo (numa banda com um repertório de perto de uma centena, é certo que alguém vai sair de lá sem ouvir "aquela" música). Mas num ano tão negro como este em que muitos dos Grandes d'esta Vida desapareceram — ninguém contava com o (irónico) desaparecimento de George Michael no dia de natal — eu aprendi a apreciar as coisas de maneira diferente. Nunca se sabe quando o nosso artista favorito, o nosso boxeur favorito, a nossa pessoa favorita no mundo inteiro nos deixa, sem termos oportunidade de passarmos mais uma tarde, mais um minuto ou um segundo que seja a sorver da sua vitalidade. Obrigado à MIMO por nos continuar a proporcionar momentos únicos como este e a vós, leitores, por partilharem este espaço-tempo connosco. 


E é assim, em jeito de balanço,  que eu encerro a minha conta por este ano. A minha e a da MIMO. Porém, eles voltam já em janeiro, com a passagem por Portugal dos Principe Valiente.

Tenham um bom ano. 

Covenant + Hot Pink Abuse @ Hard Club

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Clap Your Hands Say F3st! - 6 de janeiro a 31 de março - Teatro Miguel Franco, Leiria


Clap Your Hands Say F3st! é o novo festival que vai invadir a cidade de Leiria nos próximos meses de janeiro, fevereiro e março. Resultante do trabalho de três entidades leirienses já bem conhecidas a nível nacional, como a Fade In - Associação de Acção Cultural (organizadora do Entremuralhas), Omnichord Records e Rastilho Records, e com o apoio da Câmara Municipal de Leiria, o evento decorrerá no Teatro Miguel Franco.

De 6 de janeiro até 31 de janeiro vão atuar neste espaço algumas das bandas emergentes portuguesas que mais se destacaram neste último ano: The Twist Connection, Ghost Hunt, Quinta-feira 12, Cave Story, Surma, Mira Un Lobo, Ditch Days, Nice Weather For Ducks, Toulouse e O Gajo.

As primeiras partes serão asseguradas por bandas de Leiria: Horse Head Cutters, Dream Pawn Shop, Country Playground, These Are My Tombs, Marciano, Morphing Treeman, Xpressão Lírica, Aeon Pulse e A Last Day On Earth.

O último dia do evento, 31 de Março, está reservado para a final do concurso ZUS!, projecto de prospecção e incentivo ao aparecimento de novas bandas de originais nas escolas secundárias. Deste concurso já saíram nomes como Surma, Whales e First Breath After Coma.

Sempre às sexta-feiras e com preço fixo de 5 euros por cada sessão. A programação está disponível na imagem em cima.

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[Review] Cave Story - West

West // Lovers & Lollipops // outubro de 2016
6.5/10


Depois do Spider Tracks, eis que surge West, o primeiro longa-duração dos Cave Story, o trio que pediu o seu nome emprestado a um jogo de vídeo. Em West, os Cave Story procuram, à sua maneira despretensiosa e jovial que tanto me faz lembrar as primeiras expressões sonoras dos Wire (e depois os gajos envelheceram e decidiram começar a falar da pós-internet) homenagear o “Oeste”. A terra-natal do trio — Caldas da Rainha, a terra mais fálica de Portugal — situa-se no oeste do país; o rock que se produz no ocidente e a sua expressão na língua inglesa (a tal globalização/americanização); e, por último este belo e por vezes deprimente país de onde vos escrevo chamado Portugal. Nunca esquecer que Portugal é, afinal de contas, a "Europe's West Coast". Mas não vou perder tempo a falar-vos desse projeto falhado. Tampouco me adiantarei muito mais a falar-vos deste West que é, em suma, um bom disco rock. Isso, e a prova de que os Cave Story continuam a fazer o que querem, quando querem, sem agendas secundárias. Continuam a usar os instrumentos para destilar a sua angústia e raiva millenial-juvenil — os Pavement começaram assim, tirando a parte do millenial. Continuam a guiar-se pelo seu próprio compasso. West é um marco incontornável do rock nacional deste ano de 2016 e uma etapa importante no caminho dos Cave Story: é aqui que o coletivo decide se se dão contentes com o que têm, ou seu continuam a percorrer a estrada para oeste e ver onde isso os leva. 

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Coffee Or Not com tour nacional em março


Os belgas Coffee Or Not tem agendada uma tour por Portugal no mês de março que percorre o país de norte a sul em apresentação do seu mais recente disco Everything Is Falling Down. No total são sete os concertos que o trio dará e as datas e respetivos lugares podem ser consultados abaixo.

Oriundos da cidade de Bruxelas, na Bélgica, e formados em 2009, por Soho Grant, Renaud Versteegen e Frédéric Renaux, os Coffee Or Not contam com quatro álbuns editados, a sonoridade dos Coffee Or Not, tal como os próprios a caraterizam assenta na linha de um som “progressivo e atmosférico”. Movem-se num universo ora delicado ora robusto, onde pontificam os sons eletrónicos do teclado aliado à suavidade da guitarra e da bateria com a voz sensual de Soho Grant. ­



Coffee Or Not # Tour – Portugal: 
4 março 2017 - SM5O (Aldeia Paio Pires) 
8 março 2017 - Theatro Circo (Braga) 
9 março 2017 - Club Vila Real (Vila Real) 
10 março 2017 - CAE (Portalegre) 
11 março 2017 - CAL (Limiana) 
17 março 2017 - Casa da Cultura (Setúbal) 
18 março 2017 - Sociedade Harmonia Eborense (Évora)


Destaque ainda para o concerto que acontece a 4 de março na Sociedade Musical 5 de Outubro, que contará com a abertura dos portugueses Alma Mater Society e se encontra incluído nas sessões Sons na Aldeia, um evento com a organização da COOPA - Associação Aldeia Cooperativa das Artes. Informações adicionais sobre o evento aqui.





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Dear Deer e Vox Low confirmados no Entremuralhas 2017



A organização Fade In avançou ontem com os dois primeiros nomes a ingressarem o cartaz da oitava edição do Festival Entremuralhas - Dear Deer e Vox Low. São duas bandas francesas e prometem trazer muito post-punk e eletrónica para animar as ruínas do Castelo de Leiria no último fim-de-semana de agosto. Ambos os nomes apresentam-se em estreia absoluta em território nacional.

Dear Deer


Os Dear Deer formaram-se em 2015 por Papoi Sdioh e Cheshire Cat e fazem uma bombástica mistura sonora onde se deslindam elementos da música industrial, do noise, do post-punk e da no-wave nova-iorquina. Apesar de novos já tiveram o júbilo de abrir para bandas como The KVB, Guerre Froid e Savages. Ao Entremuralhas a banda vem apresentar o seu mais recente disco Oh my..., editado em 2016 pelo selo Swiss Dark Nights.


Vox Low



Formados em 2014 por Benoit Raymond e Jean Christophe Coudrec os Vox Low apresentam uma sonoridade híbrida de música electrónica e krautrock onde podemos sentir o minimalismo de uns Suicide ou o psicadelismo electro de uns Zombie Zombie. Como principais influências a dupla francesa aponta nomes como Bauhaus, Joy Division, The Cure, Can, Neu ou Klaus Schultze, tendo já dividido palco com Fujiya & Miyagi, Automat, Camera, Clinic ou King Gizzard & The Lizard Wizard.





A oitava edição do festival Entremuralhas toma lugar no fim-de-semana de 24, 25 e 26 de agosto no habitual e icónico Castelo de Leiria. Ainda não há informações relativas ao preço dos bilhetes nem às atuações das bandas por dia.

Bandas Confirmadas:
Dear Deer
Vox Low

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