sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

As 20 revelações nacionais de 2017



Estamos a umas meras horas de 2018 e, como não podia deixar de ser, a nossa redação apresenta mais uma vez os projetos nacionais que despontaram este ano e nos fizeram vibrar. 

Sem uma ordem definida, temporal ou qualitativa, segue abaixo a lista das vinte bandas/artistas nacionais que marcaram o presente ano com os seus primeiros trabalhos e prometem vingar num futuro próximo no panorama musical.

Um // LP


Gabriel Salgado é a cara por trás de Ana, projeto que editou este ano um EP, Abril, logo em janeiro, e o seu álbum de estreia, Um, em novembro com o selo da Planalto Records. Notou-se uma clara evolução na sonoridade do artista, agora mais maduro e reflexivo, sempre com os loops de guitarra em destaque. Um é um trabalho completamente instrumental e que nos deixa completamente "perdidos" nas suas paisagens sonoras.



Bardino // EP


Os Bardino são um coletivo nortenho que aposta nas sonoridades psicadélicas em pleno 2017. Mas não se enganem com esta descrição tão usual nos dias que correm, pois o quarteto prefere mergulhar na rara tranquilidade introspectiva e escapista do psicadelismo antigo, em vez de recorrerem aos tão aborrecidos riffs. Alicerçados na herança do rock progressivo e suas variantes tingidas a funk e jazz-fusão, os Bardino editaram em outubro o seu EP de estreia homónimo com o selo da ZigurArtists.



Viagem // LP


CAIO é o projecto que dá voz a João Santos, artista a solo lisboeta com uma "construção inspirada sobretudo no romance em que se pode transformar a vida". Com uma sonoridade a fazer lembrar Elliott Smith, João Santos não precisa mais do que a sua voz e guitarra para exprimir os seus sentimentos. Sentimentos esses que estão expressos no seu último álbum de estúdio, Viagem, editado em maio via French Sisters Experience.



Cat Soup // LP


Os Cat Soup são uma banda de pós-rock e rock instrumental do Porto. Após a edição de um conjunto de demos e de alguns concertos, o quarteto apresentou o seu álbum de estreia homónimo, acompanhado de um EP, Cosmic Sans. Sim, ainda há espaço para o rock melódico em 2017 e estes rapazes fazem-no muito bem, como se pode comprovar logo na faixa introdutória de Cat Soup, “Sunshower”.



DJ Lycox
Sonhos & Pesadelos // LP


A fervilhante cena musical luso-africana da lisboeta Príncipe já não passa despercebida a ninguém, e a crítica internacional que o diga. Nomes como DJ Marfox, DJ Firmeza e Nídia (que lançou em junho o fabuloso Nídia é má, Nídia é fudida) encontram-se na dianteira de um dos movimentos culturais mais progressistas e refrescantes do momento, aliando música de dança a sonoridades influenciadas pela cultura africana que vão do kuduro à tarraxinha. A juntar-se a estes está também DJ Lycox, que nos surpreendeu este ano com o viciante Sonhos & Pesadelos. Na sua estreia nos longas-duração, DJ Lycox traz um descomplexado disco rico em melodias contagiantes e ecléticas que peca apenas pela curta duração das suas faixas (à exceção de “Solteiro”, nenhum dos temas ultrapassa os 4 minutos). São 27 minutos (33 na versão digital) de um disco que desejamos que nunca acabe.



Golden Flora // LP


De Setúbal para o mundo surge Funcionário com o seu mais recente Golden Flora. Um álbum que irá despertar curiosidade até ao menos curioso dado a sua enorme apacidade exploratória a nível musical. Com influências na IDM de Aphex Twin até a um acid techno que nos poderá levar até Detroit ou mesmo aos primeiros trabalhos de Panda Bear, Golden Flora é um álbum com quebras e subidas, como a tensão ou a respiração humana, e com uma banda sonora muito semelhante aos jogos de consola. P.S.: O produtor editou em dezembro um novo álbum pela Rotten \\ Fresh, 2222.




Os Anjos Também Cantam // LP


Galo Cant'Às Duas é um projeto de Gonçalo Alegre e Hugo Cardoso. De Viseu para o mundo, espalham o space rock, o pós-rock e até jazz fusão improvisada, tudo de modo muito atmosférico. Mas a sua música é muito mais que rótulos e editaram em março o seu primeiro registo discográfico, Os Anjos Também Cantam, com o selo da Blitz Records & Sony Music Entertainment. “Marcha dos Que Voam” e “Respira” são os dois temas que mais se destacam neste disco de estreia.

Platronic // LP


Se procuram por novos projetos no panorama português e por acaso até são fãs de música eletrónica, então experimentem ingressar pelas ondas sonoras de Platronic, o disco de estreia do trio lisboeta GNU VAI NU. Através de uma filosofia muito Do It Yourself, que engloba desde a composição até ao mix final, a banda apresenta um disco completamente instrumental e dotado de uma electrónica com certos traços minimalistas. Composto por seis faixas, nesta estreia sobressaem ao ouvido sobretudo os singles "Tangerine Tree" e "Skeletons in the 5th Floor".



Hitchpop // LP


O trio portuense Hitchpop (composto por alguns dos talentos mais prementes da cena rock e jazz da cidade do Porto, reunindo João Guimarães, Marcos Caveleiro e Miguel Ramos) editou em outubro o seu primeiro longa-duração homónimo. Para aqueles que se quiserem iniciar em Hitchpop, comecem pelo malhão de jazz fusion "Alcalino", que reflete as problemáticas da poluição, numa sociedade pós-industrial. O melhor é mesmo ouvirem as 10 faixas que se estendem ao longo de 40 minutos.

Surface // EP


Holoscene 85' é o projeto a solo de Francisco Oliveira, músico do Porto que editou este ano o seu EP de estreia, Surface. Composto por cinco músicas, este disco combina música eletrónica que se situa entre o ambiente e o IDM. Se em certos momentos é pouco rítmico e foca-se principalmente em criar um ambiente envolvente e atmosférico, noutros a percussão eletrónica entra em ação e a música torna-se quase dançável. Se são fãs de Boards of Canada, passem por aqui.



Oitavo Mar // EP


Jasmim é o alter-ego de Martim Braz Teixeira, teclista dos Mighty Sands, e editou em abril pela Spring Toast Records um dos EPs que mais prazer nos deu ouvir. Oitavo Mar é constituído por cinco temas graciosos e melódicos, com claro destaque para o tema que dá nome a este EP e “Caio”. Tantos os elementos sonoros (os arranjos de flauta transversal combinam muito bem) como as encantadoras letras de Jasmim são dotadas de epicidade. Nós também queremos morar no Oitavo Mar.



Ribamar // EP


Os Môno! são um quinteto de jovens que vem dos arredores de Lisboa. Apesar de já terem editado o seu primeiro EP homónimo em 2015 de um modo muito lo-fi, foi este ano que os Môno! mostraram o seu verdadeiro valor com Ribamar. Editado em março pela French Sistes Experience, este EP apresenta-nos seis faixas cantadas em português onde a pop, o rock, o stoner, o psicadélico e o experimentalismo andam de mãos dadas.



Fahrenheit 91 // EP


Moreno Ácido, como é conhecido nas pistas de dança do norte ao sul, é o alter ego carregado por Mário Vinagre que neste verão nos apresentou Fahrenheit 91. Um EP que com apenas 5 músicas nos consegue mostrar o que faz mexer e dançar tanta gente. É com " high" que se revela um artista que merece reconhecimento para além night life, para além noites do techno e afters. Com Fahrenheit 91 leva-nos ao extremo, convencendo-nos que a electrónica e o seu namoro com o ambient estão aí para dar e vender.



Above The Trees // LP


A cantautora Nadia Schilling é natural das Caldas da Rainha e em novembro editou o seu primeiro longa-duranção, Above The Trees. Gravado ao longo de dois anos o álbum contou com a participação de vários músicos e convidados e reflete o período tumultuoso vivido por Nádia após a morte da sua mãe. Com referências da folk, rock e jazz as melodias de Above The Trees trazem como influências artistas como Beck, Nico, Elliott Smith, Cat Power, Fiona Apple, Nick Cave, Chet Baker entre outros.





Os P A L M I E R S são um trio instrumental composto por Gabriel Costa, Ricardo Prado e Tito Sousa. Juntos desde setembro de 2016, e com base no Porto, unem forças para criar loops frenéticos de guitarra, synths espaciais e batidas dançantes, que nos transportam para um universo muito próprio, com sonoridades que vão desde o space rock ao dream pop e, fortemente, influenciadas pela cena do tropical noise.



Juventude Coxa // LP


Os Panado são um power trio lisboeta que editou em 2017 o seu álbum de estreia, Juventude Coxa, com produção de Claúdio Fernandes (PISTA). Ao longo das oito faixas que compõem este álbum, podemos ouvir krautrock, psicadelismo e riffs influenciados pelo garage rock, sem que em nenhum momento a música perca espontaneidade. Em poucas palavras, os Panado representam a faceta mais enérgica e eletrizante do rock nacional e é obrigatório assistirem a um dos seus vibrantes concertos.




QUADRA // EP


Os QUADRA são um quarteto bracarense nascido no final de 2016. Editaram este ano o EP de estreia homónimo, composto por cinco canções intensas, diversas e que representam a luta do ser humano em encontrar uma meta, aceitando a impossibilidade de obter a total concretização dos seus desejos como ser humano e músico. De uma forma geral a fórmula aplicada pelos QUADRA nas suas composições passa pelo electronic post-rock e math rock aplicados à improvisação e criatividade musical, apontando aos Tortoise, Battles, entre outros.



RLGNS
CDC01 // Single


Os RLGNS são um trio lisboeta formado por Medley, Escumalha e Débora, que reúne ex-elementos dos Treehouses 2290. Editaram em outubro CDC01, composto por duas faixas gravadas ao vivo na Casa da Cultural de Setúbal. Tanto em "Madeleine Elster" como em "Karōshi" a banda apresenta uma exploração atmosférica nos campos da dream-pop e chill-step, sendo que o primeiro apresenta um ritmo mais acelerado comparativamente a "Karōshi". Ambas as faixas são dedicadas às pessoas que possuam algum tipo de doença mental.




The Nancy Spungen X // LP


The Nancy Spungen X é o resultado da união das seis personalidades da linda princesa Nancy Spungen numa banda de rock’n’roll e a única forma destas coabitarem entre si, no mesmo espaço físico e temporal. Estas personalidades tão díspares entre si constroem ao longo de 17 canções um álbum de estreia bastante criativo, editado pela Bisnaga Records em novembro, com elementos igualmente divergentes que conjugam samples aliados ao som super marcante do saxofone, com uma vibe de guitarras e baixo a flutuar nos campos do surf-rock altamente dançável.


VEENHO // EP


Os VEENHO são uma banda de garage rock lisboeta. No mês passado editaram o seu segundo EP VEEENHO pela Xita Records, onde o quarteto belenense invoca os sons da costa oeste dos Estados Unidos, misturando a sonoridade dos FIDLAR com a beleza do brasileiro Lê Almeida. Se gostam de dias de verão ensolarados, cerveja barata e distorção lo-fi, então vieram ao sítio certo.

+

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Boogarins e Mdou Moctar nas novidades do Tremor 2018

boogarins-mdou-moctar-tremor-2018

O Tremor está de volta a São Miguel, Açores, de 20 a 24 de março, para a sua quinta edição e hoje foram anunciados uma mão cheia de projetos. São eles Boogarins, Mdou Moctar, The Mauskovic Dance Band, Ermo e Voyagers. Estes novos nomes juntam-se aos já confirmados Dead Combo, Altin Gün, The Parkinsons, Lone Taxidermist e We Sea.

A quinta edição do Tremor apresentará mais detalhes sobre a programação interdisciplinar do festival, que receberá concertos, espectáculos e interacções na paisagem, laboratórios, momentos de pensamento e reflexão, arte na rua e residências artísticas no arranque de 2018.

Os bilhetes estão à venda na bilheteira online, FNAC, Worten e nos locais habituais por 35 euros. O Tremor é uma co-produção da Lovers & Lollypops, Yuzin e António Pedro Lopes e pretende assumir-se como palco por excelência para a experiência musical no centro do Atlântico.

+

domingo, 24 de dezembro de 2017

Hurray for the Riff Raff estreiam-se em Portugal no Theatro Circo, em Braga, no mês de julho


Os Hurray for the Riff Raff são a banda da norte-americana Alynda Segarra, que nos trará o mais recente disco The Navigator ao Theatro Circo, em Braga, no dia 17 de julho. Aclamado pela crítica especializada, The Navigator traz um conjunto coeso e seguro de canções folk honestas e autobiográficas de forte cariz político-social. 

Os bilhetes para a estreia dos Hurray for the Riff Raff em Portugal possuem o custo de 12 euros (6 para detentores do cartão quadrilátero) e podem ser adquiridos no site bol.pt

+

THOT têm novo vídeo para "SAMARA"


Os THOT continuam em promoção do seu mais recente disco de estúdio, Fleuve - composto por um total de nove faixas poderosas enriquecidas em camadas de baixo, bateria, guitarra e sintetizadores aqui e ali - e no passado dia 16 de novembro atuaram no Europavox, em Bruxelas, onde gravaram o vídeo ao vivo para o tema "SAMARA" que segue divulgado abaixo na já habitual aura math-rock.

No mesmo dia tocaram no Europavox bandas como Ulver, Omega Ray e Stian Westerhus. Os THOT foram os penúltimos a subir a palco e a performance de "SAMARA" fica agora registada em vídeo para recordação. Podem ver o vídeo ali em baixo.




+

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Reportagem: IAMTHESHADOW + Lur Lur [Sons Na Aldeia, Sociedade Musical 5 de Outubro]


Na noite de 09 de dezembro de 2017, as sonoridades diferenciadas passaram novamente pela Aldeia de Paio Pires. Com organização da CoopA - Associação Aldeia Cooperativa de Artes, a terceira edição do Sons Na Aldeia trouxe à Sociedade Musical 5 de Outubro, duas bandas distintas, os Lur Lur e os IAMTHESHADOW

Os primeiros a subir ao palco do Salão Nobre da Sociedade Musical 5 de Outubro foram os IAMTHESHADOW, que abriram as ostes com o excelente "The Winter's Long". Ao longo de quase uma hora ecoaram as sonoridades alicerçadas numa electrónica bem vincada, com uns laivos de dark wave, assentes nos seus dois álbuns, Everything in This Nothingness (2016) e All Our Demons (2017). IAMTHESHADOW é um projecto criado em 2015 por Pedro Code ao qual se juntaram, no final de 2016, Vitor Moreira e Herr G e que curiosamente tem tocado mais vezes fora de Portugal. 

IAMTHESHADOW

Lur Lur

A segunda banda da noite, da Edição III do Sons Na Aldeia, também tem ligações ao estrangeiro, pelo menos na parte editorial - o seu EP Love Will Keep Us Together, saiu pela brasileira The Blog That Celebrates Itself Records em versão digital em 2015 - e também porque foi em Espanha que no ano passado lhes foi atribuído nos prémios Pop Eye o de Grupo Revelação Português 2016.

Lur Lur

Lur Lur, banda de Peter Peter, Lucinda Sebastião, João Simões, João Fininho e Nuno Camilo, subiram ao palco já passava das 23h00, para uma actuação, de mais de uma hora, intensa e de grande entrega. "Soul Queen" abriu para um set fantástico, onde desde cedo Peter e a sua banda soube "agarrar" a audiência. Com dedicatórias e muita emoção, o pop e o rock estiveram entrelaçados em mais uma noite de Sons na Aldeia. Este concerto ficou ainda marcado pela estreia em palco do novo tema da banda intitulado "The River". 

Lur Lur

O Sons Na Aldeia - evento produzido e organizado com a chancela da CoopA - contou nestas três edições com o apoio da União das Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, da Sociedade Musical 5 de Outubro e ainda o apoio logístico da Câmara Municipal do Seixal. A fotogaleria do evento pode ser consultada aqui.

IAMTHESHADOW + LUR LUR [Sons na Aldeia, Aldeia de Paio Pires]

Texto: António Caeiro
Fotografia: Virgílio Santos

+

[Review] Brockhampton - trilogia SATURATION


SATURATION // Empire Distribution // junho de 2017 // 7.3
SATURATION II // Empire Distribution // agosto de 2017 // 8.0
SATURATION III // Empire Distribution // dezembro de 2017 // 8.5

Nesta crítica, vai-se fazer algo um pouco incomum. Falemos dos Brockhampton, um grupo de vários jovens formado em Los Angeles que anda a causar sensação no mundo do hip-hop e r&b, muito devido ao facto de apresentarem uma abordagem bastante ecléctica e espontânea ao género, e de se terem proposto a lançar três álbuns - a chamada trilogia SATURATION - ao longo deste ano. E regra geral, lançar mais que um álbum num único ano e manter a mesma qualidade geral ao mesmo tempo costuma ser algo complicado de se cumprir.

Apesar de se descreverem como "a primeira boy band da internet", os Brockhampton são um exemplo peculiar de tal categoria. Reza a lenda de que Kevin Abstract, o líder do grupo, tinha acabado de dissolver outro grupo (AliveSinceForever) e das cinzas desse grupo, acabou por formar os Brockhampton com vários novos membros - rappers, cantores, produtores e até criativos que trabalham noutras frentes - alguns deles recrutados em fóruns de fãs do Kanye West. Quanto ao ADN do grupo em si... pense-se em West e em Odd Future, ou mais especificamente, no espírito aventureiro de experimentação DIY com o género, o ocasional flirt com sensibilidades pop, e o facto de nunca perderem a alma e divertirem-se a fazer o que bem sabem fazer.

Antes de fazer um breakdown das faixas mais fortes do alinhamento de cada álbum, é bom estipular o facto de eles terem uma espécie de template em comum, em que parte do alinhamento é composta de um lado mais enérgico e a outra parte é composta por um lado mais emotivo - ambas as facetas também se interligam em certas faixas - além de terem um punhado de interlúdios para dar azo à natureza conceptual da trilogia, abordando temas de camaradagem, jornadas de desenvolvimento pessoal, e assuntos sociais como o racismo, a xenofobia, etc., proferidos em versos com uma confiança de gente grande e o coração no lado certo. Outra coisa a estipular é a habilidade por detrás da produção, pois mesmo as faixas que deviam colidir em termos de dinâmica, mood, etc.., arranjam maneira de soar coesas. Posto isto...

Comecemos pelo primeiro álbum, lançado em Junho. SATURATION começa com "HEAT", uma faixa harsh q.b., em termos de produção e letra, e um dos claros destaques. "GOLD" é bem vivaço, a usar imagery habitual do hip-hop (imensas referências a gold chains para representar a confiança e a procura pelo respeito merecido por parte de Kevin). Outra faixa forte é "FAKE", que é das faixas mais chillout deste alinhamento. "BUMP" é uma faixa que contrasta consigo mesma com uns beats fortes a dar lugar a um trabalho de guitarra sombria breve de vez a vez pela faixa toda. "SWIM" é um tune R&B com o cliché habitual do uso de autotune a funcionar a favor do grupo, tornando a faixa aprazível. "CASH" tem um instrumental meio gritty, batendo certo com a letra a abordar a vida nos guetos; "BANK" dá ênfase à fase de transição do grupo para a Califórnia com um instrumental mais rítmico. É um bom esforço no geral, mas salvo uma ou outra exceção, os pontos fortes deste álbum empalidecem em comparação com o resto da trilogia, revelando ser o elo mais fraco.



A seguir, há a segunda parte da trilogia, lançada em Agosto. Tal como no primeiro álbum, SATURATION II tem um início sólido em "GUMMY". "JUNKY" é também meritório de desfilar entre os pontos fortes, com todos os membros a descreverem o seu background, as suas agruras a enfrentar a vida. "QUEER" pega no significado original da palavra (i.e.: "estranho") e refere às peculiaridades de cada membro. "SWAMP" aborda temas desde a ascensão da banda até a mais uns dissabores que alguns no grupo sofreram (insucesso escolar, relações mal amanhadas). "TOKYO", que retrata os vários arrependimentos e preocupações que perseguem o grupo, começa com um falseto bonitinho e dá lugar a uns versos impecáveis. "SUNNY" reflete algumas das dificuldades porque o grupo passou com uma guitarra de fundo mais animadora a servir de contraste, dando a entender que, apesar de tudo, valeu a pena. "SUMMER" é um final satisfatório, com uma aura melancólica, dando primazia à tendência para o espectro R&B que a banda revela aqui e ali. Aqui já se revelam algumas melhorias em comparação com o primeiro álbum, o que é impressionante tendo em conta o espaço de tempo entre os dois registos.


Por fim, SATURATION III, lançado agora em Dezembro. "BOOGIE" é um tremendo início de álbum, com o instrumental impetuoso e festivo; "ZIPPER" continua essa onda mais enérgica, se bem que mais controlada em comparação; "BLEACH" deve ser das melhores faixas do grupo, com o feature do amigo da banda Ryan Beatty a dar um bocado da sua alma ao refrão; "JOHNNY" é bem smooth no geral, a abordar mais sobre a vida do grupo em conjunto; "ALASKA" aborda mudanças da vida, mais especificamente circunstâncias em que andaram em trabalhos mundanos e eventualmente deixaram isso para trás e tornaram-se célebres de certa maneira; "HOTTIE" aborda a azáfama de viver no geral, e de como é bom ter amizades para esquecer a tal azáfama por uns instantes; "SISTER/NATION" é qualquer coisa também, com a primeira parte da faixa a ser frenética e a fazer uma transição para a segunda parte, com traços mais cloudy. "RENTAL" é ainda outra faixa a revelar a costela mais R&B do grupo. "TEAM" é a faixa que fecha o alinhamento, começando com um registo mais sappy - se bem que ainda aprazível - sobre um amor não correspondido... que eventualmente faz uma transição a uma mão cheia de críticas sociais com mudança radical de instrumental a acompanhar, e que acaba com os primeiros segundos de "HEAT", formando um loop entre a trilogia toda. Este álbum revela-se como o ponto alto entre os três álbuns todos, em que o grupo já usa melhor os seus pontos fortes individuais.


Apesar de haver algum desgaste devido à quantidade de faixas (quarenta e oito faixas ao todo!) e de revelarem ter um hábito ocasional de abordarem dois ou mais temas, estes álbuns são uma prova irrefutável da versatilidade e da autenticidade destes marmanjos. Já com uma legião de fãs considerável, estes rapazes terão então uma clara margem de crescimento dentro da cena do género, portanto é esperar e ver o que eles terão em mente para o futuro. Provavelmente a espera não irá durar muito, uma vez que eles já têm um registo agendado para o próximo ano, intitulado Team Effort.

+

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Mais dois nomes confirmados para Paredes de Coura


O cantor soul Curtis Harding e os norte-americanos ...And You Will Know Us by the Trail of Dead são os dois novos nomes a juntar-se ao cartaz do Vodafone Paredes de Coura 2018. Ambos tocam no dia 17 de agosto, dia para o qual também já foi confirmado Skepta.

O festival decorre entre 15 e 18 de agosto. Os passes gerais custam 85€ e o fã pack Fnac, que inclui uma t-shirt natalícia, está à venda por 90€.

+

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Skepta em Paredes de Coura



Após o anúncio da presença de Björk no Vodafone Paredes de Coura 2018, foi confirmado agora que Skepta também irá regressar a Portugal para integrar o cartaz do festival. O britânico actua dia 17 de agosto.

O festival decorre entre 15 e 18 de agosto. Os passes gerais custam 85€ e o fã pack Fnac, que inclui uma t-shirt natalícia, está à venda por 90€.

+

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Amanhã há Merry Psychmas no Mercado Negro, Aveiro


Amanhã a Associação Cultural Mercado Negro, em Aveiro, recebe concertos dos espanhóis Acid Mess e dos portugueses Amaterazu para uma celebração de natal pintada em tonalidades psicadélicas. O concerto está inserido na rota psych-natalícia produzida pela Ya Ya Yeah - o Merry Psychmas - e chega a Aveiro pelas mãos da Covil e da Tago Mago. Festão prometido e pronto para arrasar a cave do Mercado, ora leiam/oiçam.

"Residentes habituais do SonicBlast Moledo, como fãs e como mestres do palco, os Acid Mess descem das Astúrias apenas para escalar outra cadeia montanhosa em formato de riff. Com 2 EP's e igual número de longa durações, o trio espanhol navega entre o psych e o prog, numa viagem com meia dúzia de alucinogénios na bagagem."


"Os Amaterazu carregam nos riffs a natividade e transcendência de todos os povos do espaço-tempo, numa abordagem pouco conservadora do post-metal e derivados. Arrasam-te os miolos que nem Adamastor, num oceano onde o trio de Viseu tem tudo para ser senhor dos mares."


O concerto tem início previsto para as 22h00 e as entradas têm um custo de 5€. Todas as informações adicionais aqui.

+

Mdou Moctar regressa a Portugal para dois concertos


O guitarrista tuareg Mdou Moctar vai estar de volta a Portugal em 2018, dois anos depois de ter passado pela última vez nas nossas terras. Sousome Tamacheck é o nome do mais recente trabalho de Mdou, um trabalho composto por riffs tradicionais do Sahara adaptados à guitarra eléctrica.

No regresso para apresentar este álbum, Mdou Moctar vai passar pelo Musicbox (Lisboa) a 20 de março e pelo gnration (Braga) a 22 de março. Na capital, os bilhetes para este concerto vão ter o custo de 10 euros. Em Braga, a primeira parte do respectivo evento vai ser dos bracarenses Bed Legs, sendo que aqui o bilhete custará 5 euros.


+

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

L'An2000 e Fragrance confirmados no MONITOR 2018


Antes de fechar 2017 a Fade In acaba de anunciar dois novos nomes e igualmente duas estreias absolutas em Portugal que vêm inaugurar o cartaz da edição de 2018 do MONITOR - o minimal wave & post-punk international rendez-vous: L'An2000 e Fragrance.

Os franceses L'An2000, trio constituído por Wandy Giraud (voz, guitarras e teclas), Benoît Aubert (bateria) e por Tom Foucaud (baixo e treclas) apresentam no MONITOR a sua "pop retrofuturista com doses equitivas de coldwave, new wave  e post-punk". A banda dividida entre Nantes, Paris e Les Sables d’Olonne apresentará em Leiria o seu mais recente Illusions EP e o LP de estreia Strangers (2015).




Fragrance é o projecto a solo de Matthieu Roche, sediado em Paris, cuja música synthpop tem um universo conquistador pela escolha de sons suaves mas incisivos e do timbre vocal de Matthieu que de alguma forma faz relembrar a sonoridade dos canadianos TR/ST. O seu EP de estreia, Dust & Disorders e o novo trabalho a sair em 2018 serão a bagagem de apresentação no MONITOR.



O MONITOR acontece a 26 de maio ainda com espaço por revelar, em Leiria. Todas as informações adicionais podem ser enontradas aqui.

+

domingo, 17 de dezembro de 2017

Os discos e 'trips' que este ano ofereceu ao Pedro


Como fãs incondicionais do rock psicadélico não conseguimos compreender se a "moda" passou ou não. Certo é que 2017 foi um ano cheio de discos de nível, pelo que pedimos ao Pedro Figueiredo Guerra para te facilitar a vida: escolher os 5 melhores. 

PAPIR - V


Os Papir são das melhores prendas que a cena psicadélica europeia nos ofereceu na última década. Filhos prodígios da El Paraíso Records, editora criada pelos membros de Causa Sui, a banda de Copenhaga chegou a 2017 com um disco diferente. Numa abordagem mais espacial do que rockeira, o 5º LP da banda é um cruzeiro experimental com paragem obrigatória nos tops deste ano.


Mother Engine - Hangar



Os Mother Engine são uma daquelas bandas alemãs que conhecemos desde que rebentou o ‘boom’ do stoner-rock, cerca de 2010. Na altura, de tão fanáticos que éramos, buscávamos qualquer disco que qualquer blog nos oferecia, numa práctica que se manteve ao longo dos anos e que nos permitiu uma boa triagem às bandas da cena. Os Mother Engine eram uma delas, e apesar da memória nos resgatar boas indicações, eram tipo "os campeões da 2ª divisão". Em 2017 mandaram a nossa opinião à bardamerda com Hangar enquanto se iam em direção à "Liga dos Campeões", com direito a um dos concertos do ano, ali no Cave 45. Disco Top!


Minami Deutsch - New Pastoral Life


Apesar deste disco nascer em 2016, foi este ano que os Minami Deutsch se deram a conhecer em Portugal, aproveitando o embalo nipónico concedido pelos Kikagayo Moyo, com quem partilham membros e a Guruguru Brain, editora por eles fundada. Mal ouvimos o disco pela primeira vez, chamamos-lhes logo de "Föllakzoid do Japão", numa mescla de kraut-rock com sons tipicamente orientais que encaixam que nem um mimo. Imperdível, tipo Oliver Tsubasa do rock psicadélico.


Kungens Män - Dag and Natt



Chegados da Suécia, os Kungens Män tocam desde 2012 e são das pérolas mais bem guardadas da blogosfera. Com fome de improviso e experimentação, este é o disco mais versátil da lista, tamanhos são os quadrantes a que chegam com o kraut como camada principal. O colectivo escandinavo vai do noise ao free-jazz, passando pelo shoegaze e por onde bem entenderem, sem uma linha pré-definida do caminho a percorrer. O que importa é que esteja a gravar, e neste disco agradecemos por cada um dos 80 minutos.


Radar Men From the Moon - Fuzz Club Sessions // Subversive III: Spelende De Mensa


Conhecemos os Radar Men From the Moon aos tempos, e os dois primeiros discos foram absolutamente incríveis e de boa digestão. Algures por aqui, no meio do terceiro lançamento e de umas quantas colaborações fomos perdendo o interesse, talvez porque a abordagem mais electrónica que assumiram não funcionasse tão bem em disco como em concerto. Isto porque nesta live session, gravada para a Fuzz Club (senhora editora), recolhem malhas que em disco nunca nos puxaram muito mas parecem resultar bem aqui. Entretanto lançaram um álbum no início deste mês, mas esta lista já estava fechada. Fica para o ano, mas fica o link.



Texto por: Pedro F. Guerra e Luís D. Masquete 
Ilustração: Inês Dixe

+