sábado, 18 de março de 2017

Reportagem: Russian Circles + Cloakroom + Putan Club [Hard Club, Porto]


© Ana Carvalho dos Santos

No passado sábado passamos pelo Hard Club, no Porto, para assistir ao regresso do portento post-rock instrumental Russian Circles, em mais uma sessão lotadíssima organizada pela Amplificasom, numa sala principal a abarrotar cheia de fãs fervorosos prontos para mais uma excelente exibição do trio americano que se apresentava no nosso país pela sétima vez, tendo atuado na noite anterior no RCA Club em Lisboa. 

No entanto, o certame da noite não se compunha apenas por uma banda, com os Cloakroom a apresentarem-se pela primeira vez no nosso país com a sua música de difícil categorização. A acrescentar a uma noite que por si só já gerava bastantes expectativas, foi anunciada ainda uma banda surpresa para a abertura dos concertos, e o fator surpresa não poderia ter corrido melhor já que, depois de alguns imprevistos que nos impossibilitaram de chegar a tempo do início da atuação, nos deparámos com um palco vazio ao som de guitarras ensurdecedoras acompanhadas de bateria e vozes pré-gravadas. 

Tratavam-se, pois claro, dos Putan Club, dupla fervorosa e irreverente italo-francesa que se encontrava entre o público como já nos vieram a acostumar ao longo das suas várias passagens pelo nosso país. Do concerto, pouco foi possível retirar para além do seu discurso final acerca dos princípios que marcam os Putan Club, a sua ética e opinião em relação ao mundo e à indústria musical e ao seu ódio pela crítica.




Seguiram-se então os Cloakroom, trio natural do Indiana que nos trouxe a sua música, que os próprios intitulam de “stoner emo”, uma expressão algo jocosa mas que demonstra a tarefa complicada que é categorizar o seu som num só género. Com uma sonoridade que vai desde o shoegaze ao músculo do post-hardcore, ritmos que bebem do slowcore e uma lírica influenciada pelo passado emo do vocalista Martin Doyle, ex-vocalista dos Grown Ups, os Cloakroom subiram ao palco para o desconhecimento de muitos dos presentes que aguardavam por Russian Circles, o claro destaque da noite. 

Sem grandes falas e cerimónias, o trio americano iniciou o seu concerto ao som de “Paperweight”, tema de abertura do excelente Further Out, o disco de estreia editado pela Run For Covers e que recebeu grande atenção na sua performance, passando ainda por temas como “Moon Funeral”, e “Big World”, o mais recente single da banda lançado pela Relapse Records a quem se juntaram recentemente e  que integrará o seu segundo longa duração. 

O momento alto do concerto viria a ser uma bela rendição de “Farwell Transmission”, uma das canções mais conhecidas de Songs: Ohia, alter ego do malogrado Jason Molina, a quem a banda americana prestou uma bonita homenagem. Em pouco mais de quarenta minutos, os Cloakroom apresentaram-se de modo exemplar com uma performance respeitável que teria ganho ainda mais se tocada numa sala mais pequena. 



Chegávamos, então, ao momento alto da noite, com os Russian Circes a subirem, por fim ao palco. Depois de várias passagens completamente esgotadas no nosso país, e de marcarem presença no Amplifest de 2013, o trio de post-rock instrumental subiu novamente à sala principal do Hard Club para apresentar o mais recente disco Guidance. E foi com os dois primeiros temas de Guidance que os Russian Circles iniciaram o concerto, com a calma de “Asa” a servir de introdução para a colossal “Vorel” se seguir imediatamente, demonstrando toda a sua imponência em palco para regozijo dos muitos fãs que os assistiam com entusiasmo.

Com uma setlist a rondar um pouco de toda a sua discografia, os momentos mais celebrados foram, sem dúvida, os temas pertencentes a Memorial, com “Deficit” e “1777” a receberem grande ovação e aplausos, passando ainda por “Mladeck”, mais um dos temas favoritos do público a fazer-se sentir já no fim do concerto que encerrou com “Youngblood”, tocada já durante o encore inevitável.
  
Apesar da sua sonoridade familiar e caraterística, os Russian Circles demonstraram-se, mesmo assim, imponentes e em muito boa forma. O concerto rico em intensidade e riffs abrasivos reforçou o seu percurso como claras figuras cruciais dentro do género, apresentando um concerto mais que seguro e dentro do expectável que não terá desiludido, de todo, a sua fanbase, encerrando assim mais uma noite que se fez triunfante.


Russian Circles + Cloackroom + Putan Club @ Hard Club, Porto

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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