terça-feira, 30 de maio de 2017

[Review] Carlo Barbagallo - 9


9 // Noja Recordings/Wild Love Records // maio de 2017
8.0/10

O músico e engenheiro siciliano Carlo Barbagallo tem produzido a sua própria música desde a juventude. Uma parte do seu trabalho está disponível na web através do selo criado e fundado pelo próprio, a Noja Recordings, outras demos e trabalhos ficaram-se pelas gravações físicas. Além dos projetos a solo Carlo Barbagallo também é membro de Suzanne'Silver (EUA), LBB (Canadá), Les Dix-Huit Secondes, Albanopower, La Moncada, E <-> CB, e CoMET. 9 foi editado no início do mês de maio, vem dar sucessão a Blue Record(2013), e é o resultado de três anos de trabalho do artista, tendo sido escrito arranjado e produzido pelo próprio nos intervalos das tours que tem tido como músico em projetos paralelos. O músico italiano juntou-se a vinte músicos espalhados pelo mundo (Siracusa, Torino, Paris e Montreal) para produzir um trabalho musical sem limites de género: desde a soul até a improvisação eletroacústica, do funk ao rock do sul, do jazz ao blues. 


Barbagallo afirmou em press release que "o significado do título 9 poderia ser considerado como uma medida do tempo a passar, mas qualquer um poderia encontrar muitos outros significados e associações. A sua forma é como um "loop estranho", não um loop como um 0, nem um ilimitado como o ∞, mas um que se apresente como um escape e, portanto, não permaneça dentro de seu ciclo". Contudo, a palavra final fica totalmente a cargo do ouvinte, pois é ele que o vai ouvir e interpretar consoante as suas realidades de vida.

Carlo Barbagallo apresenta em 9 um disco candidato a integrar as listas do ano 2017. Com uma predominância acentuada nos campos do blues, soul e rock, 9 é essencialmente um álbum de influências clássicas com arranjos contemporâneos. Quase todos os singles que incorporam a tracklist deste álbum têm algo de intenso, em algum ponto do seu desenvolvimento, e isso consegue prender o ouvinte e levá-lo a gerar associações positivas. A título de exemplo cite-se os temas "11 Dreams", "9 Years" e obviamente o single de abertura "Any Girls Eyes", que já foi estreado aqui, e tem incutida uma aura apaixonante capaz de envolver qualquer um.



Um dos singles que também chama muito à atenção neste 9 é "Nothing". No início deste tema a voz de Carlo Barbagallo assume um trago de whisky e soa tal como King Dude; a folk também é predominante e os acordes da guitarra convidam-nos a viajar por entre um mundo nostálgico e fantasioso. Com o passar do tempo a música ganha uma concepção completamente díspar, afirmando a imagem que o músico pretende transmitir aos ouvintes - esta medida do tempo a passar. "Her King" e o single de encerramento, "Clowns", também merecem uma atenção redobrada.

9 é, em suma, um disco com um conceito musical muito bem definido onde as nove canções que o compõem apresentam um início e fim delimitados apetrechados de um desenvolvimento enriquecido instrumentalmente, com tonalidades acústicas, desreguladas e embebidas em traços experimentais. O resultado de uma discussão, planeamento e execução com 20 músicos de diversas realidades culturais permite que 9 consiga explorar diversos géneros sem nunca perder a sua coesão e propósito. Um disco dos bons, para descobrir, na íntegra, ali dentro.



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