domingo, 25 de junho de 2017

Reportagem: NOS Primavera Soud - 9 de junho [Parque da Cidade, Porto]

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Com o aquecimento proporcionado por bandas como Justice e Run the Jewels, a maioria dos festivaleiros já estavam com os músculos prontos para as correrias que iriam ter que fazer para o segundo dia do festival. Correr do Palco. para o Palco NOS, decidir se preferem ficar no Palco Super Bock ou ir para o Palco Pitchfork. 

Este era um dia de escolhas difíceis. “Será que quero ir ver Bon Iver ou prefiro ver o concerto de duas horas dos Swans na íntegra?” foi um dos maiores dilemas do festival. Contudo antes de chegarmos a esta parte da noite ainda havia muitos concertos para desfrutar nesta bela tarde de sol.

 A chegada ao recinto mostrou-se mais complicada do que estávamos à espera devido às inúmeras estradas interrompidas por causa das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o que levou a que os meus planos saíssem furados e o primeiro concerto do dia em vez de ser First Breath After Coma fosse Pond.

Pond



Apesar de ficar com pena de perder uma das mais promissoras e interessantes bandas portuguesas da atualidade, fiquei satisfeito por saber que ia chegar a tempo de ver os uma das melhores bandas que o rock psicadélico tem para oferecer. Os australianos Pond, apesar de tocarem a uma hora que não faz justiça ao seu já considerável estatuto (17h55), proporcionaram um dos melhores concertos do segundo dia do festival.

A primeira música do concerto foi a inevitável "30.000 Megatons", uma vez que a banda estava a apresentar o seu sétimo álbum, The Weather. O sentimento teatral da música, não fosse esta uma critica à administração do governo norte-americano, é claramente transmitido pela postura de Nick Allbrook, vocalista e guitarrista dos Pond, que quase parecia implodir de tanta raiva e frustração enquanto cantava.

O registo contudo não se manteve apenas por The Weather, passeando ainda por Man It Feels Like Space Again, Psychedelic Mango ou Hobo Rocket. Sempre animados, energéticos e bem dispostos, a banda executou um concerto bastante competente, apesar de a audiência se queixar que estes provavelmente estavam “alterados” demais. Pessoalmente, desde que uma banda ofereça um concerto inesquecível e que não comprometa a performance, estes podem estar “alterados” à vontade.

Depois de terem oferecido os primeiros momentos de moche em "Giant Tortoise", ou de dança, em "Sweep Me Of My Feet", era hora de estes se despedirem. Foi com a música homónima do mais recente álbum que estes abandonaram os fãs portugueses. Esperemos que da próxima vez que eles voltarem lhes seja proporcionado um lugar mais cimeiro no cartaz e ainda mais tempo para tocarem.



Royal Trux



Os Royal Trux abriram as hostes do Palco., ou como os mais saudosistas preferem chamar, o (antigo) Palco ATP. O culto à volta deste palco é compreensível, já que por lá passaram diversos grupos influentes e por onde passariam, mais tarde, os Swans de Michael Gira e companhia. Os Royal Trux encontram-se nesta mesma categoria - a da banda de culto - e vieram ao Porto para marcar a sua estreia em terras lusas. Depois da épica/desastrosa performance de Neil Michael Hagarty no mesmo espaço no ano anterior, eis que Neil regressou ao Palco., desta vez acompanhado pela sua ex-companheira Jennifer Herrema para apresentar alguns temas do icónico grupo.

Formados no fim da década de 80, os Royal Trux lançaram diversos discos com o selo Drag City, destacando-se pela sua atitude irreverente e por uma sonoridade fortemente conotada pelo uso de drogas, dissolvendo-se em 2001 após a separação de Neil e Jennifer. Em 2017, uma ainda pequena plateia teve a honra de receber o icónico grupo na sua estreia em Portugal. Mais do que ouvir os temas da sua influente discografia, sobressaía uma curiosidade em ver a interação entre os seus membros e com o público.

A performance, essa, foi o expectável: rock embriagado e arrastado, e não poderíamos exigir mais do que isto. Temas obrigatórios como “The Banana Question”, “Ice Cream” e “I’m Ready” não faltaram, para deleite de melómanos e fãs acérrimos do grupo que de tudo fizeram para que a banda regressasse ao palco para tocar mais uns temas após terminado o concerto. A vontade de Neil e Jennifer de voltar para um pequeno encore era notória, sendo apenas impossibilitados devido a questões regulamentares de gestão de horários por parte da organização.

O amor foi mútuo e a satisfação após o concerto também, marcando assim um belo início de tarde que nos faz já aguardar por um novo regresso dos Royal Trux a Portugal.

Filipe Costa



Whitney




Os Whitney regressaram a Portugal após duas passagens pelo país durante o ano passado e estrearam-se no Porto. Da setlist fizeram parte canções do álbum de estreia da banda, Light Upon the Lake, e também dois covers, de “You've Got a Woman”, dos holandeses Lion, e de “Magnet”, dos NRBQ. Julien Ehrlich, baterista e vocalista da banda, interagiu com o público durante os tempos mortos, falando sobre as músicas e sobre a banda, comentando que gosta mais de Lisboa do que do Porto, mas podemos perdoar essas palavras pelo bom concerto. 

Max Kakacek, guitarrista, fez um bom trabalho e demonstrou ser uma parte importante da sonoridade dos Whitney, com as suas melodias muito características. Entre as canções melhor recebidas estiveram a sempre excecional “Golden Days” e “No Woman”, a fechar o concerto. “No Matter Where We Go” também foi também um ponto positivo, ficando a faltar “Light Upon the Lake” para que se ouvissem as quatro melhores do disco.
Rui Santos



Angel Olsen




Neste concerto o palco principal preparava-se para receber uma das maiores enchentes que alguma vez viu durante a tarde, não estaria ele prestes a ser pisado por uma das mais adoradas personalidades da cena indie, Angel Olsen.

Antes da mulher que toda a gente queria ver aparecer diante da gigantesca audiência que se estendia pela colina a cima, a sua banda de apoio subiu ao palco vestida a rigor e a condizer com fatos cinzentos. Pegaram nos instrumentos, tornando assim a chegado de Angel, num vestido verde, bastante mais irreverente. A sua voz única, apesar de acompanhada por um belo sorriso, revela uma dor, intensidade e ao mesmo tempo conforto, uma canção de embalar que perde o seu sentido uma vez que queremos ouvir cada vez mais.

Apesar das temáticas íntimas das suas musicas, “Shut Up Kiss Me”, “Give It Up”, e “Not Gonna Kill You”, do seu mais recente álbum My Woman, fez com que a maioria dos corpos irrompesse em danças animadas e casais trocassem afetos, gerando um ambiente muito afectivo. Contudo o álbum mais recente não foi o único a ser explorado, uma vez que Angel também apresentou temas de Burn Your Fire for No Witness e Half Way Home.

Deste último saiu a faixa “Acrobat”, mostrando a flexão que os seus músculos musicais conseguem alcançar, com um momento algo Pink Floydesco, hipnotizando a audiência tanto graças ao instrumental como à sua voz. Este canto de sereia deixou-nos em pleno silêncio. À exceção da música apenas se ouvia a brisa do vento, o mar da praia de Matosinhos ao longe e a máquina de vento junto ao palco.

Sob uma chuva de aplausos, Angel Olsen e a sua talentosa banda despedem-se do Porto, mais uma vez provando que é um valor de peso no mundo da música alternativa. Apesar de gostarmos muito de a ver no Instagram a passear pelas ruas portuguesas, o que esperamos mesmo é que o seu regresso aos palcos não demore muito mais tempo.



Sleaford Mods




Depois da música amorosa ouvida no palco NOS era hora de subir para a colina e ir para o Palco. onde podíamos ouvir a musica de intervenção dos ingleses Sleaford Mods.

Era dia de eleições na Grã-Bretanha e tínhamos acabado de saber no dia anterior que Theresa May iria manter os atuais ministros no governo que irá formar com o apoio dos Unionistas da Irlanda do Norte. Esta controvérsia resultou numa citação de Jason Williamson (responsável pela parte falada do duo) que sugeriu “Um dia mau para Inglaterra, um dia bom para o Porto”. Toda esta controvérsia resultou numa energia única soltada pelo frontman enquanto esbracejava, cuspia e lutava pelos direitos dos trabalhadores ingleses.

A eletrónica minimalista (não confundir com preguiçosa) de Andrew Fearn serviu para animar os fãs do grupo que cada vez mais tem ganho um culto precioso em Portugal.



Teenage Fanclub




Um dos maiores elogios que o Primavera tem recebido é o facto de trazerem muitas bandas de culto que normalmente não temos oportunidade de ver nos principais circuitos dos festivais. Se por estes terrenos já passaram Slint, Dinosaur Jr., Television ou Mudhoney, este ano foi a vez de Teenage Fanclub.

Aproveitando a afluência dos nossos vizinhos britânicos, esta edição do festival apostou numa banda que conta com uma enorme influência nos territórios de sua majestade. Estes escoceses, que contam na bagagem influentes álbuns como Bandwagonesque ou Grand Prix, ajudaram na criação do termo “Power Pop” e foram citados por músicos como Kurt Cobain ou os irmãos Gallagher como uma das principais bandas da sua geração.

Contudo, em Portugal a sua influência esmoreceu, facto notável pela falta de afluência no Palco Super Bock. Tirando os turistas britânicos, muito pouca gente compareceu a este concerto, também dado o complicado horário de jantar, situado entre as pérolas indie (Angel Olsen e Sleaford Mods) e os gigantes do cartaz (Bon Iver e Swans). 

Apesar destes contratempos a banda não atirou a toalha ao chão e tirou poeira a grandes êxitos da sua discografia como “The Concept” (que ouvi ao meu lado a pedir para tocarem com um sotaque tipicamente inglês pelo menos três vezes no inicio do concerto) ou “Sparky’s Dream”. Também tiveram tempo de mostrar algumas músicas do seu novo álbum Here (aquela assustadora frase “agora vamos tocar material novo” levou a que muita gente evadisse do palco nesse momento).



Swans




Já com mais de 30 anos de carreira em cima, foi com grande entusiasmo que muitos fãs portugueses da banda notaram que estes iam marcar o seu regresso a terras lusitanas no NOS Primavera Sound. Muitos preferiram optar pelas sonoridades extremas do Palco. porque pensavam que esta seria uma oportunidade única para ver a banda, mas outros (especialmente aqueles que preferiram encostar-se o mais perto possível das grades) foram ver o concerto porque se tratavam de lendas que estavam perante as suas caras.

Michael Gira não é estranho a um fã de música alternativa. O fundador e único membro constante no alinhamento dos Swans. A sua presença é não só intimidante mas também transmite confiança, dado o seu palmarés. Sabemos que em termos musicais podemos confiar em Michael Gira, que se apresenta no centro do palco, munido com uma guitarra Gibson B.B. King Lucille. Mais que um guitarrista, é o maestro de uma orquestra movida por volumes esmagadores.

A primeira música com que se atiram nesta viagem de mais de duas horas é “The Knot”, numa espécie de aviso à audiência de como seria o resto do concerto. Guitarras com um ritmo a roçar o drone e volumes impróprios para seres humanos. Da bateria, espancada por Phil Puleo, são retirados sons tribais e agressivos impossibilitando qualquer corpo de permanecer imóvel e os cânticos de Michael Gira assemelham-se mais a uma missa satânica do que a qualquer outro concerto que alguma vez tenhamos visto do NOS Primavera Sound.

“Run your hands through my soul“




Cada sílaba proferida por Michael Gira é um arrepio na espinha que nos vai atormentar e perseguir até ao final da nossa vida. Mesmo de olhos fechado, enquanto contemplamos a música que parece surgir de uma dimensão paralela, a cara de Michael Gira continua presente na nossa mente.

Ao fim de duas horas (e tal) de concerto a banda despede-se com Michael Gira a assumir literalmente o papel de maestro e a controlar as intensidades da banda à sua frente apenas com movimento dos braços. Esta brincadeira prolonga-se nuns belos minutos onde a banda percorre uns crescendos que deixam a audiência não só embasbacada mas também com noção daquilo que a banda é capaz de fazer.

Após abandonarem o palco, é bonito ver-se os olhares eufóricos, emocionais mas também de felicidade de todos os que acabaram de presenciar, não só porque acabaram de assistir a um dos melhores concertos da edição, mas também porque não sabem quando é que vão voltar a ter esta oportunidade. Agora já sabem - 8 e 9 de outubro no Hard Club, Porto, e em Lisboa, no Lisboa ao Vivo, respetivamente.

Este exorcismo limpou a alma a muitos atormentados, que após toda a porrada sónica que levaram sentem que vão muito mais leves para casa.

Ideia: em vez de fazer peregrinações a pé para Fátima, devia-se organizar peregrinações a pé para concertos de Swans, porque estes são autênticas experiências religiosas.



Bon Iver


Apesar dos Swans estarem a tocar ao mesmo tempo, o Palco NOS encheu-se de uma multidão para ver Bon Iver. A banda de Justin Vernon veio a Portugal para apresentar 22, A Million, 5 anos depois da passagem pelo Campo Pequeno. Esta setlist passou principalmente pelo último álbum, cheia de músicas novas que pareciam duvidosas em estúdio, mas com uma vida completamente diferente ao vivo. 

Na segunda parte houve também espaço para algumas malhas antigas, como “Beach Baby” e “Creature Fear”, que fizeram escorrer algumas lágrimas. Infelizmente não tocaram a “For Emma”, mas no encore compensaram com aquela música que muita gente estava à espera. Muitas pessoas ali só conheciam essa, vocês sabem qual é. Foi o final de um concerto que surpreendeu muito pela positiva. De certeza que ninguém saiu insatisfeito daqui.

Tiago Farinha



Skepta



Logo a seguir a Bon Iver e ainda com Swans como fundo eram horas do concerto de Skepta, o concerto mais esperado pelos fãs de grime e um dos mais esperados pelos presentes no festival. A entrada em palco foi em tudo semelhante ao início do disco Konnichiwa, não só pela música inicial mas também por toda a calma entre o público à qual se seguiu uma explosão de energia com a duração de cerca de uma hora. 

No público todas as letras do artista eram conhecidas mesmo aquelas das canções não pertencentes ao novo disco e êxitos como "Shutdown", "Numbers" (que ficou na cabeça durante dias e dias) e "Lyrics" não foram recebidas de maneira diferente, sendo esta reacção uniformizada do público fantástica. Resumidamente: Skepta tem de voltar a Portugal mais e vezes e todos os presentes fizeram questão de mostrar e dar razões para isto ao artista.

Francisco Lobo de Ávila



Nicolas jaar




Nicolas Jaar encerrou o palco NOS numa hora complicada, já que ao mesmo tempo tocavam Cymbals Eat Guitars e os australianos King Gizzard & The Lizard Wizard. No entanto, o culto à volta do produtor de descendência chilena tem crescido mais do que nunca em Portugal, tendo já atuado em diversas ocasiões pelo nosso país, o que lhe garantiu uma atuação em horário nobre diante de uma plateia cheia e entusiasmada.

O set de Nicolas Jaar iniciou-se de modo mais introspetivo e enigmático, apostando num lado mais ambiente e explorações glitch que poderá ter confundido aqueles que contavam com algo mais animado e expansivo. Os ritmos quentes e dançáveis surgiriam mais tarde, ao som de “Three Sides of Nazareth”, do mais recente disco Sirens. Começam a ouvir-se mais aplausos e energia entre o público, ansioso por uma noite que se queria longa e com muita dança, até porque logo a seguir teríamos dois portentos da música techno para terminar a noite.

A escolha musical de Nicolas debateu-se essencialmente nos temas de Sirens, onde se ouviu também “The Governor” e “No No No”. O momento alto da noite foi reservado para o fim, ao som de “Space Is Only Noise If You Can See”, um dos temas mais celebrados do repertório do produtor. Assim se encerrou um concerto que surpreendeu pela positiva, distanciando-se de um mero DJ set e trazendo antes momentos únicos e de improvisação alternados entre temas da sua discografia, aliado de uma componente visual forte e enegrecida, energética mas discreta.
Filipe Costa



King Gizzard and the Lizard Wizard


Depois dos gigantescos concertos de Swans e Bon Iver, os organizadores do festival não regalavam descanso aos festivaleiros, ainda com pouco tempo para digerir o concerto seguia-se aquele que seria um dos maiores furacões do festival, o conjunto formado por sete australianos chamado King Gizzard and the Lizard Wizard estava a preparar-se para entrar em palco.

Depois de em 2016 terem dado um dos melhores concertos do festival Vodafone Paredes de Coura, agora vinham (apesar de nem um ano ter passo entre concertos) com mais dois álbuns fresquinhos para mostrar aos fãs portugueses, sendo o primeiro lançado no inicio do ano, Flying Microtonal Banana e o segundo editado na passada sexta-feira, Murder of the Universe. O concerto seria dedicado a estes dois álbuns, sendo a primeira parte ao Banana tocado apenas utilizando instrumentos com afinações microtonais e a segunda parte a algumas faixas do álbum que na altura ainda estava para sair e outras aventuras com mais de um ano de vida.

A sede pelo garage rock fervilhava por todos os lados e mal Stu Mckenzie (líder da banda) solta as rédeas de “Rattlesnake” todo o povo no Palco. entrou numa dança/moche que apenas findaria quando os senhores em cima de palco se despedissem.

O crowdsurf, o moche e as cantorias iriam continuar durante “Doom City”, “Sleep Drifer” e “Nuclear Fusion”. A guitarra amarela personalizada de Stu, mais conhecida por “Banana”, com as suas melodias inspiradas no oriente, parecia encantar os jovens repletos de suor como se fossem cobras. Contudo nem tudo o que é bom dura para sempre, e estes trocaram as afinações orientais pelas ocidentais e atiraram-se a “Altered Beast”. Apesar de ser a única faixa que ainda não foi revelada do novo álbum, dada a sua simples letra no refrão, esta era acompanhada em geral por todos em frente ao palco. As 6 partes diferentes que a constituem, apesar de proporcionarem momentos divertidos, ocuparam demasiado tempo no set para uma banda que tinha músicas bastante mais interessantes para apresentar.

A revisita ao álbum Nonagon Infinity, álbum este que se estende infinitamente, foi bastante bem vinda, originando um dos maiores moche pits da edição. Contudo um dos maiores destaques do concerto terá sido a nova faixa épica “Lord Of Lightining”, com alguns riffs a lembrar os momentos mais hard rocker dos Led Zeppelin.

A porrada estava muito boa, mas os corpos repletos de mazelas já não aguentavam muito mais tempo. A banda deve ter também reparado neste fator, uma vez que para último deixaram uma das suas melhores músicas e também das mais relaxadas, “The River”. Este titã que se estende por volta dos 10 minutos foi um bom momento para trocar o moche por um passo de dança tranquilo e deixar as influências jazz levar os ouvintes a alargar a sua mente. Acompanhada por um vídeo de animação inspirada na capa de álbum de Quarters (onde podemos encontrar "The River"), com crocodilos e aviões e aparecer por todo o lado.

Apesar de muitos terem pedido pelo encore (ainda faltava visitar o I’m In Your Mind Fuzz) foi com algum alívio que vi os australianos abandonarem o palco, uma vez que o meu corpo não aguentava nem mais um segundo de adrenalina.



Richie Hawtin




A encerrar a noite e a tocar para os que se esperavam poucos presentes (em comparação com os outros concertos), Richie Hawtin trouxe o seu espectáculo Close ao Parque da Cidade. Ao contrário do esperado para um concerto quase às 3 da manhã, o Palco Pitchfork estava quase completo para assistir a algo único deste canadiano mestre do "techno de Detroit". Um dos melhores concertos destes 3(4) dias, onde Hawtin aliou a sua música de dança à componente visual.

Em todos os momentos podíamos observar tudo o que o artista fazia nas suas duas mesas, que por vezes eram operadas em simultâneo (ainda que de vez em quando fossem aplicados efeitos que o tornavam imperceptível). A cortina enorme, que abriu no início e fechou no fim, e os momentos em que operava as duas mesas em simultâneo voltado para o público foram os elementos que contribuíram para uma espécie de sensação apoteótica. Uma coisa é certa, ninguém parou de dançar até às 4 da manhã.
Francisco Lobo de Ávila


Reportagem por: Hugo Geada
Fotografia por: Hugo Lima

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